José Borba Martins

Arquivos para a Categoria ‘Regional’

UMA MASSAGEM DE ANO NOVO PARA UM PORTUGAL EM COMA

In Local, Nacional, Regional on 02/01/2010 at 8:47 pm

Menos de 24 horas após a Mensagem Ano Novo do PR, e percorrendo os respectivos comentários partidários, constata-se que nem um só para amostra refere o conteúdo principal da mesma, uma rara espécie de massagem fundamental para um Portugal em coma, principalmente para todos os partidos e titulares de cargos públicos, iludidos como sempre, dormentes nas suas iluminadas prosperidades macrocéfalas e centralistas por demais insustentáveis e insuportáveis de ver e ler no seu longuíssimo desfile diário das mais pungentes incapacidades políticas e financeiras tão dolosamente induzidas a uma imensa maioria composta por desempregados e por mal-empregados amarrados à ilusão de que o seu estatuto financeiro sugador do Estado será eterno. Multi-pensionistas de luxo incluídos. Nada de mais errado, como se verá mais adiante…

Tarde demais para tão forte advertência presidencial? Assim parece, mas só a incrível vertigem dos sucessivos tempos presentes o demonstrará inequivocamente num futuro próximo…

De facto, o Presidente Cavaco Silva, após um discurso de improviso na apresentação de Boas-Festas pelo Governo, em que foi manifestamente infeliz – ou extremamente irónico – quando desejou sucessos patrimoniais aos seus membros…, reapareceu apenas uma semana depois aparentemente farto dos jogos florais de bastidores e das charadas politicamente correctas da opinião publicada a que a maioria dos portugueses assiste desesperadamente há demasiado tempo.

O Presidente da República falou claro e disse que em 2010:

«PORTUGAL ESTÁ CONFRONTADO

COM UM DESAFIO DE REGIME.

QUE PODE SER DRAMÁTICO,

COMO O DEMONSTRAM OS EXEMPLOS

DE OUTROS PAÍSES DA UNIÃO EUROPEIA.»

Das restantes e inesperadamente abundantes massagens para o tão comatoso paciente português e demais avisos à navegação para os Partidos e para todos os Titulares de Cargos Públicos as principais foram, na minha leitura, as seguintes:

1. CONHEÇO BEM A NOSSA REALIDADE COLECTIVA, QUE PODE SER EXPLOSIVA.

JÁ HÁ UM ANO ALERTEI PARA O QUE ESTAVA A ACONTECER…

«Há precisamente um ano, quando falei ao País, referi que 2009 iria ser um ano muito difícil. Acrescentei, na altura, que receava o agravamento do desemprego e o aumento do risco de pobreza e exclusão social. E disse também que Portugal gastava em cada ano muito mais do que aquilo que produzia.»

«Com este aumento da dívida externa e do desemprego, a que se junta o desequilíbrio das contas públicas, podemos caminhar para uma situação explosiva.»

2.  QUE NINGUÉM CONTE COMIGO PARA A MENTIRA, A ILUSÃO E A OCULTAÇÃO…

MAS NÃO CONTEM COMIGO PARA RESOLVER A SITUAÇÃO EM QUE O PAÍS SE ENCONTRA, PORQUE EU NÃO TENHO NADA COM ISTO E ATÉ PORQUE ESTOU IMPEDIDO DE O FAZER.

«Enquanto Presidente da República estou acima do combate político e partidário.»

«Falo aos Portugueses quando entendo que o interesse do País o justifica e faço-o sempre com um imperativo: nunca vender ilusões nem esconder a realidade do País. Em nome da verdade, tenho a obrigação de alertar os Portugueses para a situação difícil em que o País se encontra e para os desafios que colectivamente enfrentamos.»

«Nos últimos tempos, temos ouvido muitos apelos para que o Presidente da República intervenha activamente na vida política. No entanto, na lógica do nosso sistema constitucional, não compete ao Presidente da República intervir naquilo que é o domínio exclusivo do Governo ou naquilo que é a actividade própria da oposição.»

3. BASTA DE INTRIGA POLÍTICA!

OS PORTUGUESES JÁ NÃO CONFIAM NEM NAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS NEM NA JUSTIÇA.

OS POLÍTICOS E OS MAGISTRADOS QUE FAÇAM O QUE TEM QUE SER FEITO, ESPECIALMENTE OS QUE TÊM CARGOS DE TOPO, PORQUE O EXEMPLO TEM QUE VIR DE CIMA.

O MEU COMPROMISSO É SEMPRE COM OS PORTUGUESES E COM A REALIDADE.

EU NÃO TENHO MEDO E NÃO CONTEM COM O MEU SILÊNCIO…

«Não é tempo de inventarmos desculpas para deixarmos de fazer o que deve ser feito.
Estamos perante uma das encruzilhadas mais decisivas da nossa história recente. É por isso que, em consciência, não posso ficar calado.
»

«Temos também de restaurar o valor da confiança nas instituições e na justiça.»

«Tempos difíceis são tempos de maior exigência e de elevada responsabilidade. Para todos, é certo, mas ainda de maior exigência e responsabilidade para os detentores de cargos públicos. O exemplo deve vir de cima.»

«Os Portugueses têm de acreditar que existe justiça no seu País, que ninguém está acima da lei. Sei que a grande maioria dos magistrados se empenha, séria e discretamente, em fazer bem o seu trabalho.»

«Neste primeiro dia do ano, importa reafirmar o valor da esperança. Repito aos Portugueses o que lhes disse há precisamente um ano: não tenham medo.»

«No meio de tantas incertezas, os Portugueses podem ter uma certeza: pela minha parte, não desistirei e nunca me afastarei dos meus deveres e dos meus compromissos.»

4. URGÊNCIA NA ACÇÃO POLÍTICA ÚTIL E CONSEQUENTE.

OS PARTIDOS POLÍTICOS FICAM A SABER QUE TÊM ATÉ AO ORÇAMENTO 2010 PARA FAZER UM ACORDO COM BASE NUM PLANO CREDÍVEL A MÉDIO PRAZO…

EMBORA EU JÁ NÃO ACREDITE NISSO?… (não será este o significado do tempo do verbo “SER” utilizado: “seria” e não “é”?…)

«O Orçamento do Estado para 2010 é o momento adequado para essa concertação política, que, com sentido de responsabilidade de todas as partes, sirva o interesse nacional.»

«(…) seria absolutamente desejável que os partidos políticos desenvolvessem uma negociação séria e chegassem a um entendimento sobre um plano credível para o médio prazo, de modo a colocar o défice do sector público e a dívida pública numa trajectória de sustentabilidade.»

5. TEMOS UMA LONGA HISTÓRIA PORQUE NÃO TIVÉMOS MEDO.

TENHAM ESPERANÇA E LUTEM PELO FUTURO, POR VÓS E PELOS VOSSOS FILHOS, QUE É O QUE EU ESTOU A FAZER…

SOMOS UMA DEMOCRACIA E ESTAMOS NUMA EUROPA UNIDA, MAS SE FICARMOS À ESPERA QUE OUTROS RESOLVAM OS NOSSOS PROBLEMAS PERDEREMOS A NOSSA INDEPENDÊNCIA NACIONAL.

«Possuímos uma longa História de que nos orgulhamos, porque no passado não tivemos medo. E aqui estamos hoje, um Estado democrático que faz parte de uma Europa Unida.»

«Em nome desse futuro, temos de continuar a lutar. O combate que travamos por Portugal é feito em nosso nome e em nome dos nossos filhos. Eu acredito em Portugal. Por isso, continuarei a lutar pelo futuro desta nossa terra.»

«Não devemos esperar que sejam os outros a impor a resolução dos nossos problemas.»

___

É oportuno recordar que o Presidente da República, pela nossa Constituição em vigor, «representa a República Portuguesa, garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas e é, por inerência, Comandante Supremo das Forças Armadas.»

Ao PR compete, entre outras coisas:

- «pronunciar-se sobre todas as emergências graves para a vida da República» (o que Cavaco Silva expressamente concretizou com este discurso e naturalmente voltará a concretizar sempre que muito bem entender face à evolução da realidade a que tem superior acesso);

- «declarar o estado de sítio ou o estado de emergência, observado o disposto nos artigos 19.º e 138.º » concretamente no caso de, entre outros, «perturbação da ordem constitucional democrática» (não estaremos já nesta situação?);

- «exercer as funções de Comandante Supremo das Forças Armadas.» (de facto e em permanência);

- e pode até «presidir ao Conselho de Ministros, quando o Primeiro-Ministro lho solicitar»…

É óbvio que Cavaco Silva conhece todos os seus poderes. O maior dos quais, como se vê,  não é o de demitir governos e convocar eleições. Não obstante, e para já sabiamente, decidiu apresentar-se ainda neste discurso de Ano Novo apenas como mais um do extenso e caro rol de reformados da vida política activa,  como se esta se resumisse exclusivamente à actividade partidária, ou como se fosse possível alguém aceitar que a um Presidente da República só reste falar aos Portugueses.

Cavaco Silva sabe perfeitamente que a manutenção do peso do Estado não apenas na Economia mas também no Emprego… é incompatível com a sanidade das contas portuguesas. Mas também sabe que os verificados diferenciais de custos sociais  e de Pib motivados pela recessão não justificam a gigantesca derrapagem total  sucessivamente verificada nas contas. A causa maior é interna e é outra, daí o apelo à maioria dos magistrados embora, como o PR também sabe, o sistema judicial não legisla e o poder legislativo vem estando crescentemente refém das sobejamente sentidas manipulações ao serviço de interesses ocultos, como abundantemente vem sendo alertados pelos diferentes operadores judiciais.

Que a totalidade do aparelho do Estado e a corte de paradigmas insustentáveis carecem de reorganização e revisão urgentes é algo que muita gente está farta de dizer e escrever.  Mas o que poucos ou nenhuns ainda disseram é que a sobrevivência financeira de Portugal é IMPOSSÍVEL sem o regresso dos capitais ilícitos impunemente roubados à economia portuguesa nas últimas décadas.

Onde estão afinal activadas e com comando profissional as estruturas e as competências capazes de recuperar Portugal? É que nenhum BRANQUEAMENTO a este nível será compatível com o discurso que o mais alto magistrado da nação proferiu no primeiro dia da segunda década do século XXI…

As DUAS DÚVIDAS que ficam do notável discurso de Ano Novo 2010 de Cavaco Silva são:

a) quanto tempo mais é preciso e de que modo será possível ao PR para liderar, ainda por influência directa, a mudança urgente e necessária no espírito, na acção e nos resultados dos decisores judiciais e políticos de topo, visando uma percepção e quantificada integral destas realidades fundamentais para a nossa independência e sobrevivência enquanto estado democrático europeu: reorganização do Estado e recuperação de desvios financeiros ilícitos ao longo de décadas?

b) quando e como será o PR capaz de identificar a nossa realidade reconhecidamente explosiva como “emergência grave para a vida da Portugal” usando em conformidade a totalidade dos seus poderes presidenciais constitucionalmente consagrados?

NUMA PERGUNTA: PODEM OS PORTUGUESES CONTAR COM O PRESIDENTE CAVACO SILVA PARA AGIR OU SÓ PARA FALAR ?

PAZ E HUMILDADE

In Local, Nacional, Regional on 25/12/2009 at 12:18 am
«Paz e humildade.

A paz de Deus e a humildade dos homens.

Há a paz de Deus e a paz dos homens. A paz dos homens exige a humildade, a temperança e a caridade. A paz contém o perdão, mas carece de justiça. E a justiça não é pena: é dar a cada um, segundo a medida do que merece. A justiça é emenda: não é castigo. E quanto a justiça impõe a pena fá-la por pedagogia, para dissuadir o próprio e os outros de incorrer no mesmo erro. Nesse sentido, a pena é útil para promover o arrependimento, expiar pecados e recuperar a rectidão de conduta. E quando tem outro sentido, contrário, a pena é nossa, de todos. Nesse buraco negro em que estamos – de corrupção do poder, venalidade da justiça e perseguição da liberdade de expressão - a justiça não é e a paz não existe. Por causa disso, confortamo-nos na paz de Deus. A Paz que a todos, fiéis e inimigos, abriga e descansa.

A humildade é uma condição de humanidade. Uma medida de respeito por si próprio e pelos outros. Respeito pela própria capacidade e insuficiência. E respeito pelas competências dos outros e pelas suas falhas, reflexo das nossas. Quanto mais, como nos tempos, que sofremos, de soberba material e promoção radical da dissolução moral da sociedade, o homem almeja matar Deus, mais Deus lhe sobrevive. Só o retorno a Ele, que permite o encontro de si próprio, situa, organiza e desenvolve. Esse retorno é a humildade. A humildade é a consciência de que cada homem é um só, um grão numa colheita, um ser num momento. Único, irrepetível e divino; mas ínfimo, instante e pecador. O homem não é Deus: não O pode substituir: o homem não é a humanidade inteira, o tempo todo, a potência absoluta. Passarão os sonhos de grandeza e os resultados de miséria, as ambições de poder e as angústias do desprezo, os berros de força e as lágrimas de derrota, e Deus permanecerá sobre o ápice ilusório dos mortais.» A. B. CALDEIRA 24.Dez.2009

Também quero aqui subscrever inteiramente este belo texto de António Balbino Caldeira e desejar a todos os comentadores e leitores, amigos e adversários, um Santo Natal e um Ano Bom.

XADREZ PR/PM: ROQUE, XEQUE? E NÓS, MEUS SENHORES?

In Local, Nacional, Regional, Visionarium on 24/12/2009 at 12:11 am

“Teixeira dos Santos em Nova Iorque para vender Portugal a investidores”
«O ministro das Finanças foi a Nova Iorque, no início da semana, onde reuniu com instituições financeiras privadas para transmitir a estratégia económica do Governo e manter a confiança daqueles investidores estrangeiros na economia e dívida pública portuguesa. Teixeira dos Santos esteve reunido com a direcção do banco Barclays e com vários investidores, tendo explicado o estado das contas públicas em 2009, no mesmo dia em que a agência de notação Standard & Poor’s voltou a avisar Portugal sobre a sustentabilidade da sua dívida.»iOnline 11-12-2009

“Orçamento Rectificativo aprovado inclui mais 79 milhões para a Madeira”
«O Parlamento aprovou, com a abstenção do PS, a proposta do PSD para que a Madeira possa contrair um endividamento até 79 milhões de euros. A proposta inicial era um endividamento até 129 milhões de euros e também para os Açores. A alteração ao projecto de lei foi o resultado de um acordo entre Governo e Governo Regional, explicou José Pedro Aguiar-Branco. Depois de Teixeira dos Santos ter afirmado que há “sinais claros de descontrole e indisciplina orçamental na Madeira”, a posição do PS foi uma surpresa. Em declarações ao i, Ricardo Rodrigues, deputado do PS, garantiu que foi por “motivos de força maior”. “Em causa estão os salários da função pública para Dezembro. Os madeirenses não podem sofrer pela má gestão do governo regional”, explicou.»iOnline 12-12-2009

“José Sócrates e o pântano”
«Em tempos que já lá vão, António Guterres pediu a demissão por causa do “pântano democrático” em que o país se estava a atolar. O primeiro-ministro prefere a agitação. Mas uma das regras básicas de sobrevivência para quem cai num pântano é que não se deve mexer muito. Para José Sócrates, já é tarde de mais para parar.» iOnline 23-12-2009

-

O PR Cavaco Silva quer 2º mandato, pelo menos com o apoio do PSD e de preferência liderado por MF Leite, gorado que parece estar um para si desejável apoio eventual do PS, apesar dos “serviços prestados” . Por acção (marcação de eleições, comunicação pós-eleitoral) e também por omissão ou silêncio ensurdecedor…

Sócrates soube recuperar Alegre para o PS, parando a sua aproximação ao BE com a promessa de apoio a uma candidatura presidencial e precavendo-se contra um resultado minoritário nas legislativas de Setembro de 2009, o que veio a acontecer.

Perante a lancinante realidade portuguesa actual, cuja extensão total, neste preciso momento, apenas será do conhecimento de um grupo muito restrito de pessoas, das duas uma:

1. Ou Sócrates não sabe (ou sabe que não pode) governar em minoria face à duríssima realidade e precisa ou ainda quer um apoio em Belém. Que não será Cavaco, será Alegre ou quem se lhe antecipar…
Assim sendo, a radicalização política de Sócrates Vs. Cavaco será tanto mais rápida quanto maior a probabilidade de o PSD prosseguir com uma liderança pró-2º mandato de Cavaco. Sócrates tenderá a forçar eleições antecipadas em cima das eleições para a nova liderança do PSD, talvez até aliando-se ao BE, seguro de que assim obterá uma maioria para governar…

2. Ou Sócrates, sabendo governar em minoria não o quer fazer, por feitio mas essencialmente porque sabe os custos eleitorais e pessoais que resultarão da acção política correcta e imperativa que a realidade impõe.
Assim sendo, Sócrates tenderá a forçar eleições antecipadas num de dois momentos alternativos, dependendo da evolução dos dados da recessão: ou em cima das eleições para a nova liderança do PSD ou em cima da pré-campanha das presidenciais (orçamento 2011), com o objectivo de se candidatar a PR em Janeiro 2011, promovendo assim uma espécie política de um xadrezístico “roque” entre Belém e São Bento. Roque grande ou roque pequeno? Bem, pelo menos em xadrez, é das regras que tal movimento apenas é possível se:

a) “o rei nunca foi movido” (de facto, nunca aconteceu em Portugal nem um PR não cumprir 2º mandato, nem um PM anunciar-se, ainda em exercício, como candidato a PR…);

b) “a torre a usar no roque nunca foi movida” (a adaptação desta regra ao caso concreto implicaria  a existência de um ministro nunca movido, do antigo governo ou um novo…);

c) “o rei não está em xeque” (que facto poderá já ter exposto ou vir a expôr o actual PR a tal situação?…);

d) “nenhuma das casas pelas quais o rei irá passar ou ficar está sob ataque” (apenas possível se existir motivo reconhecidamente indiscutível de força maior…);

e) “as casas entre o rei e a torre estão desocupadas” (oposição interna e externa ao PS, para além dos poderes financeiros e empresariais são, claramente, casas muitíssimo ocupadas…).

TEIXEIRA DOS SANTOS PM E SÓCRATES PR? Dificilmente, pelo que se viu no episódio “Madeira” do Orçamento Rectificativo. Simulação política? Sim, se TdS tiver tido uma agenda oculta em NY…

Seria bom saber o que pensam sobre estes cenários alternativos alguns grandes empresários como Ricardo Salgado (BES), António Mota (M-Engil), Belmiro de Azevedo (Sonae) e F. P. Balsemão (Impresa)…

NO MEIO DESTA GRAVÍSSIMA SITUAÇÃO  PORTUGUESA E DESTA VERDADEIRA PALHAÇADA PSEUDO-POLÍTICA ONDE ESTÃO E PARA ONDE VÃO OS INTERESSES E AS URGÊNCIAS DA VIDA CONCRETA DAS FAMÍLIAS E DAS EMPRESAS DOS PORTUGUESES?

LAGOS SEM PDM: INSTITUTO HIDROGRÁFICO EMBARGA OBRA NO SAPAL.

In Local, Regional on 03/12/2009 at 3:45 pm

foto: Público

Duas notícias no Público de 1 de Dezembro de 2009:

ADMINISTRAÇÃO DA REGIÃO HIDROGRÁFICA EMBARGA ACESSO A URBANIZAÇÃO DE LAGOS

«A zona húmida na margem da ribeira de Bensafrim, à entrada da cidade de Lagos, está a ser aterrada para permitir o acesso a uma urbanização. A Administração da Região Hidrográfica do Algarve mandou embargar os trabalhos com base na ocupação de uma área do domínio público hídrico sem a devida autorização. A Câmara de Lagos informou que o loteamento se encontra licenciado, mas a intervenção na zona de sapal envolvente não foi objecto de apreciação técnica.

“A obra está licenciada, mas o aterro não está, muito embora se situe dentro do prédio do titular da licença”, informou o presidente da autarquia, Júlio Barroso, prometendo agir em conformidade com a situação, logo que lhe chegue o relatório pedido à fiscalização, na passada sexta-feira. De acordo com a informação prestada pelo município, o alvará de licenciamento foi emitido em 2008 sem consulta à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, porque o loteamento em causa “está conforme o Plano Geral de Urbanização de Lagos”. Ainda segundo o autarca, o empreendimento cumpre as normas do Plano de Pormenor da Zona Desportiva, Campo da Feira, Parque Urbano e Zonas Habitacionais Limítrofes.

A Câmara de Lagos é a única no país a não possuir Plano Director Municipal (PDM) aprovado. Uma decisão judicial, em 2002, suspendeu o PDM e, ao longo dos anos, as várias propostas de revisão do documento de planeamento, apresentadas às várias entidades, nomeadamente a CCDR, ainda não mereceram aprovação.

No entanto, neste caso concreto, enfatiza o presidente, o licenciamento da obra não dependia do PDM. “Os dois planos definem especificamente a intervenção naquela área”.

Continuação de avenida

A Administração da Região Hidrográfica do Algarve, entretanto, entendeu que, dada a “natureza dos trabalhos”, o construtor necessitava de licença da entidade com a tutela da gestão das linhas de água. Nesse sentido, o assessor de imprensa informou ontem que o organismo “vai proceder a uma análise técnica” para avaliar o eventual ilícito cometido e a respectiva coima a aplicar.

O presidente da câmara, por seu lado, diz que vai “estar atento” ao desenrolar deste processo, aguardando, nos próximos dias, que lhe chegue informação pormenorizada da fiscalização para avaliar se houve, ou não, desvios ao projecto aprovado pela autarquia. De acordo com uma informação do Departamento de Planeamento e Gestão Urbanística da autarquia, a construção do aterro na área húmida das margens da ribeira vem na sequência de intervenções já efectuadas na zona. “A ocupação prevê uma passadiço elevado sobre o sapal, para circulação pública, na mesma linha do já existente junto ao pavilhão e piscinas municipais”, explicam os serviços. Os trabalhos, agora interrompidos, acrescenta o serviço de planeamento municipal, viria a dar “continuidade ao próprio passeio da Avenida dos Descobrimentos”.

A ideia de construir o aterro, afirma Júlio Barroso, “terá sido uma opção operativa do empreiteiro, discutível, como reforça o director do Departamento de Planeamento e Gestão Urbanística”. Porque foi efectuada uma intervenção pesada numa zona sensível? “Terá sido para a cravação das estacas que segurarão o passadiço e no final será retirado”, informou o director do Departamento de Planeamento e Gestão Urbanística, em resposta à informação solicitada pelo presidente da câmara.

No entanto, os impactes da intervenção são consideráveis, como notou um munícipe: “Lagos, na década de 1980, destruiu uma extensão considerável de sapal para instalar uma zona desportiva, localização que não faz tecnicamente sentido, e hoje em dia não seria tolerável.” Mas, rematou, “a saga continua…“.»

LAGOS SEM PDM E REFÉM DO INTERESSE NACIONAL

Protal troca ordenamento pelo desenvolvimento

«O Plano Director Municipal de Lagos teve vida curta. Mal entrou em vigor, em 1994, foi contestado por um banco, dono de um terreno a urbanizar na Meia Praia. O Tribunal Constitucional encontrou, em 2002, um “erro formal” no PDM e decretou a sua suspensão. A câmara tem vindo a desenvolver esforços para que seja retomado o PDM e contratou a equipa técnica que inicialmente tinha elaborado o plano para fazer as adaptações à muita legislação entretanto produzida. “Já foram apresentadas à CCDR pelo menos três versões e ainda não foi aprovado”, lamenta o presidente da câmara. Neste espaço de tempo muita coisa mudou no território, nomeadamente através dos projectos de Potencial Interesse Nacional com a cobertura governamental. O novo Plano de Ordenamento do Algarve (Protal), em vigor há cerca de um ano, já não estabelece como prioridade o ordenamento do território, mas a matriz para o “desenvolvimento” da região.»

OS INTOCÁVEIS

In Local, Nacional, Regional on 09/11/2009 at 12:06 pm

linhacomboio

imagem ECLIPSE DA RAZÃO

«O processo Face Oculta deu-me, finalmente, resposta à pergunta que fiz ao ministro da Presidência Pedro Silva Pereira – se no sector do Estado que lhe estava confiado havia ambiente para trocas de favores por dinheiro. Pedro Silva Pereira respondeu-me na altura que a minha pergunta era insultuosa.

Agora, o despacho judicial que descreve a rede de corrupção que abrange o mundo da sucata, executivos da alta finança e agentes do Estado, responde-me ao que Silva Pereira fugiu: Que sim. Havia esse ambiente. E diz mais. Diz que continua a haver. A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça.

O país tem de saber de tudo porque por cada sucateiro que dá um Mercedes topo de gama a um agente do Estado há 50 famílias desempregadas. É dinheiro público que paga concursos viciados, subornos e sinecuras. Com a lentidão da Justiça e a panóplia de artifícios dilatórios à disposição dos advogados, os silêncios dão aos criminosos tempo. Tempo para que os delitos caiam no esquecimento e a prática de crimes na habituação. Foi para isso que o primeiro-ministro contribuiu quando, questionado sobre a Face Oculta, respondeu: “O Senhor jornalista devia saber que eu não comento processos judiciais em curso (…)”. O “Senhor jornalista” provavelmente já sabia, mas se calhar julgava que Sócrates tinha mudado neste mandato. Armando Vara é seu camarada de partido, seu amigo, foi seu colega de governo e seu companheiro de carteira nessa escola de saber que era a Universidade Independente. Licenciaram-se os dois nas ciências lá disponíveis quase na mesma altura. Mas sobretudo, Vara geria (de facto ainda gere) milhões em dinheiros públicos. Por esses, Sócrates tem de responder. Tal como tem de responder pelos valores do património nacional que lhe foram e ainda estão confiados e que à força de milhões de libras esterlinas podem ter sido lesados no Freeport.

Face ao que (felizmente) já se sabe sobre as redes de corrupção em Portugal, um chefe de Governo não se pode refugiar no “no comment” a que a Justiça supostamente o obriga, porque a Justiça não o obriga a nada disso. Pelo contrário. Exige-lhe que fale. Que diga que estas práticas não podem ser toleradas e que dê conta do que está a fazer para lhes pôr um fim. Declarações idênticas de não-comentário têm sido produzidas pelo presidente Cavaco Silva sobre o Freeport, sobre Lopes da Mota, sobre o BPN, sobre a SLN, sobre Dias Loureiro, sobre Oliveira Costa e tudo o mais que tem lançado dúvidas sobre a lisura da nossa vida pública. Estes silêncios que variam entre o ameaçador, o irónico e o cínico, estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca.»

MÁRIO CRESPO in JN 2.Nov.2009


«MOVE-ME O FACTO DE SER CIDADÃO DE UM PAÍS POBRE, POUCO EDUCADO, SEM A PERCEPÇÃO DISSO, E QUE NÃO SAI DA CEPA TORTA»

In Local, Nacional, Regional on 07/11/2009 at 12:13 am

ENTREVISTA DE MEDINA CARREIRA

Texto publicado na edição do Expresso de 24 de Outubro de 2009

Há quem lhe chame incómodo, pessimista, controverso, fatalista, profeta da desgraça, treinador de bancada. Henrique Medina Carreira está-se nas tintas. Aos 78 anos, sente-se na obrigação de não estar calado e de alertar os portugueses para a “fraude” em que vivem. Fá-lo da única maneira que sabe: com frontalidade, sem medir as palavras.

A este homem, que já foi subsecretário de Estado do Orçamento entre 1975 e 1976 e ministro das Finanças do I Governo Constitucional de Mário Soares, os adjectivos não fazem mossa. Diz que é abordado na rua pela gente que interessa: o povo. A “piolheira política em que vivemos” fá-lo ponderar calar-se de vez. Será?

Aos 78 anos, continua a estudar, a escrever e a criticar tudo e todos sem piedade. Afinal, o que o move?
É um dever trabalhar enquanto a saúde o permite e é também uma autodefesa. Move-me o facto de ser cidadão de um país pobre, pouco educado, sem a percepção disso, e que não sai da cepa torta. Por ser assim, escolhe dirigentes que não são os mais aconselháveis para o ajudar a sair do lodo em que está metido.

É o pessimista de serviço. Quando faz falta uma voz crítica, já se sabe a quem telefonar. Não o preocupa ser o incómodo número um da nação?
Não sou pessimista. Chamam-me assim porque, para me responderem, tinham de ir trabalhar, estudar os números, raciocinar. Limitam-se a chamarem-me pessimista e dão repercussão a essa ideia. É a coisa mais estúpida deste mundo e é a fórmula cómoda de tentar anular o meu pensamento. Enquanto não vir gente capaz de tomar conta deste país, sou incómodo. Quando olho para os partidos, para estes dirigentes, não posso ser outra coisa. Os factos mostram que somos a pior economia da Europa e dos países mais endividados. Até hoje, não consegui arranjar uma pessoa para discutir comigo num programa na televisão…

Têm medo de si?
Não é de mim, é dos números. Mexer em números, com rigor, dá trabalho. Os políticos e a gente que se serve disto usam o país como uma manjedoura.

Com quem gostava de debater estas questões?
Com Mário Soares, Manuel Carvalho da Silva, Jorge Coelho – agora, coitado, está impedido, por razões que são muito boas para ele -, com pessoas que liminarmente me consideram pessimista.

As suas entrevistas na SIC Notícias são um sucesso no YouTube e os seus livros esgotam. Até há uma petição a correr na Internet para lhe darem uma hora para falar na televisão. Tem noção da sua popularidade?
Sinto isso na rua. As pessoas abordam-me. Se me derem uma hora na televisão, viro muita gente do avesso! O problema é que a gente que precisa de ser virada não o quer ser. Este sistema de vida é bom para eles.

Diz sempre o que pensa. Também é assim no seu dia-a-dia? Quantas vezes já escreveu num livro de reclamações?
Nunca escrevi.

Medina Carreira: 'Tenho este trombone, mas no fundo sou um doce'

Isso é surpreendente.
Não serviria para nada. Não perco tempo com inutilidades. Ir para os tribunais hoje, por exemplo, é de pensar 30 vezes.

Tem um espírito de missão no seu discurso?
Estudei muitos anos em Portugal. Fiz muitos cursos. Tenho perante a sociedade portuguesa o dever de tentar ajudar a pensar o país. Mas tenho medo dos missionários. Género Sócrates e companhia. Tentar abrir os olhos à população é uma tarefa que cabe a quem o Estado e a sociedade portuguesa permitiram estudar. E têm o dever de falar.

Fez três cursos. Gosta muito de estudar?
Este longo percurso foi acidentado, por razões que não eram obrigatórias. Comecei por tirar o Curso Complementar da Indústria, que eram cinco anos. Depois estive na Guiné um ano e tal a trabalhar. Quando vim, queria passar da Engenharia para as coisas sociais. Já olhava então para a sociedade portuguesa com muita preocupação. Queria ir para Economia, mas nessa altura não se transitava directamente. Havia um curso chamado Ciências Pedagógicas que permitia esse salto. Era uma espécie de Novas Oportunidades, mas em bom. Estive em Coimbra um ano como aluno voluntário. Depois pensava que transitava para o curso que quisesse, mas o Ministério da Educação disse que não. Obrigaram-me a fazer o liceu todo. Já estava casado, mas fiz o liceu em três anos. Trabalhei na indústria do aço, no Barreiro. Terminado esse percurso, entrei em Direito. Mas como a Economia era a minha velha ambição, ainda fui para Económicas.

Terminou o curso de Direito com 31 anos. Foi para Economia logo de seguida?
Não. Primeiro tive de ir ganhar a vida como advogado. Fiz o curso de Direito como empregado de escritório. Quando já tinha alguma tranquilidade, fui para Economia. Foram muitos anos, mas alguns deles foram impostos pelas circunstâncias.

Isso não o revoltou?
Revoltado estou agora com o que se passa. As nossas escolas são fábricas de analfabetos. No meu tempo, os alunos com a quarta classe davam menos erros do que alguns ministros agora. A escola, hoje, é mais uma das falsificações do regime. O ensino é uma farsa para apresentar estatísticas. As pessoas da classe média e alta têm capacidades para se defender. Põem os miúdos em explicadores, escolhem os colégios. Os filhos das classes baixas não sabem coisíssima nenhuma. Isto só promove a desigualdade e não incentiva a mobilidade social.

Disse um dia que gostaria de ser ministro da Educação durante dois anos. O que é que mudava?
O problema da Educação é simples. Primeiro tem de haver ordem nas escolas, programas feitos com gente com cabeça e não por semianalfabetos. Os professores têm de ser avaliados para se saber se sabem do que ensinam. Salazar liquidou duas gerações e a democracia está a liquidar quatro.

Portugal, que futuro?, é o seu último livro, editado em Setembro. É tempo de mudanças inadiáveis, garante Medina Carreira
Portugal, que futuro?, é o seu último livro, editado em Setembro. É tempo de mudanças inadiáveis, garante Medina Carreira

Acha que a Revolução de Abril, neste aspecto, fracassou?
Os analfabetos que dirigiram a Educação depois da revolução é que foram os culpados.

Nunca recebeu um telefonema de um ministro ou chefe de Governo a pedir-lhe explicações?
Nunca pedi cunhas e também nunca acedi a pedidos de cunhas.

Ainda é amigo de Mário Soares?
Trabalhei muito com ele. Para Mário Soares, uma pessoa que sabe fazer contas de somar, é esquisito. Gosto muito dele. É um homem a quem Portugal deve muito, sobretudo naquele período agitado dos anos 70.

Mário Soares não se zangou consigo por ter apoiado Cavaco Silva à Presidência da República quando ele era candidato?
Achei que não tinha necessidade de entrar nessa corrida. Na altura, disse que se perdesse ficava ele aborrecido e se ganhasse ficávamos nós aborrecidos (risos). Depois disso chamou-me um pessimista…

Sim, chamou-lhe uma “Cassandra lusitana”. Isso até foi um elogio. Cassandra estava coberta de razão acerca da destruição de Tróia…
Exactamente. Descuidou-se. Mas é um homem notável. E, como todos os homens notáveis, tem alguns defeitos notáveis.

Por exemplo? É um homem que despreza as realidades económicas. Um defeito enorme para um político dos nossos tempos. Acha que os números são coisas para merceeiros.

Mário Soares é então só ideologia? É uma ideologia que não cabe num país pobre. O socialismo e a social-democracia são hoje fraudes completas. O Louçã é um social-democrata armado em revolucionário, o Jerónimo disfarça um pouco, Sócrates, Ferreira Leite e Paulo Portas são todos sociais-democratas. Mas, simplesmente, não há social-democracia sem dinheiro.

Medina Carreira: 'Tenho este trombone, mas no fundo sou um doce'

Nunca se arrependeu das suas palavras?
Quando digo as coisas com consciência dos seus efeitos, raramente.

Costuma ver-se na televisão?Em geral, não vejo.

E o que é que diz a sua família quando o vê?
Nos meus amigos, há dois pólos: o grupo do disparate, que fica muito satisfeito, e o grupo dos contidos, que nunca fica satisfeito com os disparates que digo.

A sua filha pertence a qual dos grupos?
Não vê televisão. A minha família nunca gostou que eu andasse na política.

Não tem medo de cair no estereótipo de treinador de bancada?
Presumo que seja incómodo. A mim não me convidam para ir à RTP, por exemplo. Nunca me assumi como treinador, nem sequer de bancada. Aquilo que quero é tentar levar as pessoas a perceber os caminhos que trilham, fazer um pouco de pedagogia. Fazê-las entender que estão a ser burladas. O país não pode continuar a ser dirigido por trafulhas.

Tem deixado lastro?
Em Portugal, a grande maioria das pessoas depende do dinheiro do Estado. A dependência das pessoas rouba-lhes a frontalidade. Na televisão, isso é fatal, vê-se como as pessoas andam atrás das palavras que lhes possam dar dinheiro.

É raro vê-lo a elogiar alguma coisa. O primeiro elogio que faz no seu último livro – “Portugal, Que Futuro?” – está na página 178, a 20 do fim. Elogia o papel de Guilherme de Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas. Não gosta de fazer elogios?(risos)
Gosto. Elogio muita gente. Mas isso é perigoso. Feito por uma pessoa como eu, pode tramar muita gente…

Como assim?
Se eu elogiar alguém, essa pessoa é logo queimada nos bancos, nos Governos… Dizem que é suspeita. O salazarismo não desapareceu da cabeça desta gente.

Apoiou Cavaco Silva para Presidente da República. Como vê a sua actuação hoje?
Conheço o seu feitio e as suas limitações. Precisávamos em Belém de meio Cavaco e meio Soares. Uma mistura dos dois bichos.

Com o quê de Cavaco e o quê de Soares?
A ponderação, o rigor, o conhecimento dos problemas técnicos sobre economia e finanças de Cavaco. E o golpe, a capacidade de intervir com oportunidade de Soares. Era o Presidente ideal.

Não vê ninguém que possa caber nesse papel?
Não.

Nem Manuel Alegre?
Não! Manuel Alegre não serve para Presidente da República. Se o país quer acelerar o seu trambolhão, então é pôr o Alegre em Belém e o Louçã em São Bento. Em seis meses, o país encontrava-se com a sua verdade.

Como olhou para o caso das escutas em Belém?
Estou tão farto de patetices que não perco tempo com isso. Nos partidos, há lá uns grupos que estão encarregados de fazer intriga. O país vive de manobras de diversão. Tudo isto tem ar de golpe.

Tem estômago para estas coisas?
Não, não tenho. Mas o que isto constitui de desgraça para o país e para a democracia irrita-me particularmente. São verdadeiros criminosos que andam à solta.

Nunca pensou emigrar?
Sou de uma geração em que os emigrantes eram as pessoas que necessitavam muito de sair. Hoje, não tenho idade para emigrar. Como tudo isto me tem incomodado tanto, tenho estado a reflectir se não me devo calar de uma vez por todas… Isto é um enjoo.

Isso é baixar as armas. É muito inesperado vindo de si.
Mas é um direito meu. Tenho perorado muito. Se quisesse ter feito política de resultados, fazia-o quando saí do PS, candidatando-me a Presidente da República.

Ponderou?
Nenhum partido me apoiaria.

Poderia fazê-lo como independente…
Para ficar com 12%? Criar um partido não vale a pena, meter-me num partido não me querem. Andar a pregar no deserto é o que tenho andado a fazer…

Aceitaria um lugar no Governo? Se o convidassem para ministro das Finanças ou da Economia, aceitava?
Não, não aceitava. Aquilo é tudo uma penúria. Nos Governos, só se pode entrar se se acreditar. Tem de ser um Governo conversado.

Já entrou em dois Executivos. Naquela altura acreditou?
Naquele tempo acreditava-se. Como se verificou, foi uma ilusão muito profunda. O que me entristece é ter-se transformado o 25 de Abril nesta piolheira política.

Apesar de ter acreditado, só lá esteve 20 meses…
É que, a mim, não me aturam muito tempo. Saí por vontade própria. Pedi várias vezes ao Mário Soares para me mandar embora. Percebi que não vale a pena estar nos Executivos quando há diferenças muito radicais de pontos de vista. Naquela altura, o meu tipo de exigência já não era bem visto pelo Governo.

Em que divergiu de Mário Soares?
Era preciso criar uma disciplina financeira que não era popular e também não era fácil, porque a sociedade tinha perdido a cabeça. Pôr ordem nos dinheiros era muito difícil. Havia aí uma dissonância de pontos de vista. Talvez eles tivessem razão. Sempre entendi que um governante deve ser sério e responsável perante a sociedade e deve fazer aquilo que corresponde ao seu papel. Quando não é assim, não vale a pena.

Foram as duas passagens pelo Governo que o tornaram no homem zangado e pessimista que é hoje?
Não. Tenho este ar de zangado, mas sou bom rapaz…

No seu livro, defende a criação de um Governo de iniciativa presidencial, composto por gente de fora da política, para que os partidos limpem o “lixo” que têm por lá. Há quem diga que essa ideia é perigosa.
O que saiu das eleições de 27 de Setembro não permite fazer um Governo capaz. A situação financeira é muito complexa, o desemprego é enorme e o endividamento é extremo. Perante este cenário, qualquer pessoa com juízo não está para ser ministro. É de presumir que se escolha gente que ainda não viu em que situação o país está. Por delegação feita pelo PS e pelo PSD, o Presidente deveria ter autonomia para procurar qualidade e seriedade. Isso poderia elevar o nível de exigência e de aceitação. Daria um suporte institucional e de independência que poderia atrair gente boa e séria.

A ideia que se tira do seu último livro é diferente, mais dramática…
Eu defendo o presidencialismo, mesmo que seja por 15 ou 20 anos. Os partidos precisavam de sossego para se arrumarem e arranjarem gente menos ambiciosa, menos amante do dinheiro alheio. Atribuía ao Presidente uma função executiva. Seria uma forma de dar seriedade à política e de afastar os Governos dos interesses dos dinheiros.

Implicava, naturalmente, uma alteração constitucional…
Claro. Por isso digo algures no livro que, como não há tempo para fazer isso, também não vale a pena perder tempo.

Deixou a política em 1978, mas foi em 2000 que saiu com estrondo do PS. O que é que aconteceu entre si e Pina Moura?
Não tinha compromissos com Pina Moura. Tinha com Guterres. Fui solicitado por Guterres e por Sousa Franco para dirigir a execução da reforma do património. Uma parte está em vigor e a outra não. Não convém às pessoas do dinheiro. Guterres assumiu o compromisso, cheguei até a dizer aos dois que podia sair. Disseram que não. Bem, mas as pessoas só me enganam uma vez…

Foi uma traição?
Não lhe chamarei isso. Mas ambos me enganaram. E pessoas que me enganam, só o fazem uma vez. Achei que não era gente séria para estar no partido e mandei-os à fava.

Disse que o último Governo do PS deixou tudo por fazer. Não teve mérito nenhum?
Parece-me que, em matéria energética, fez um certo progresso. Fez alguma desburocratização. Na Saúde, Correia de Campos quis empreender algumas reformas. O problema é que o Governo saiu em maioria e não fez o essencial. Foi nesse sentido que o critiquei violentamente.

O que era essencial para si?
Em Portugal, nos últimos 40 anos, deixou de se produzir pesca, agricultura, minas e indústria. Hoje, os serviços representam 70%. Se não mudarmos a estrutura produtiva, reforçando o sector primário e o industrial, não conseguimos vencer estas dificuldades económicas. E por isso iremos ter problemas financeiros graves. O caminho que sugiro é averiguar porque é que não se investe em Portugal.

Ainda não se fez esse estudo?
Não. Portugal é o país dos achadores. Toda a gente acha. Liga-se a televisão e ouve-se toda a gente a achar. Depois também critico essas obras.

É contra a construção do TGV, do aeroporto e das auto-estradas.
Para já, sim. Essas obras serão feitas com dinheiro que temos de ir buscar fora. Não é um erro. É um crime. Iremos hipotecar várias gerações.

Defende uma baixa de impostos?
Não. Devemos corrigir várias coisas e estudar o que se passa. A sociedade também tem de ser responsabilizada com elementos objectivos e indesmentíveis. Em democracia, a sociedade pode igualmente escolher ser pobre. Uma coisa eu sei: Governo maioritário nunca mais. Temos de refrear o poder de compra. O Estado deve congelar salários acima de determinado valor e criar instrumentos de poupança. Mas também é preciso mudar a estrutura produtiva.

Isso faz-se com investimento público ou privado?
Privado. O Estado não sabe fazer coisa nenhuma para vender. Agora estão aí uns keynesianos, mas no tempo do Keynes havia alfândega, havia moeda, controlo dos capitais… Estão fora de época.

Os portugueses vivem um sonho dourado?
Que vai acabar. É preciso poupar, e como medida exemplar deviam ser congelados rendimentos razoáveis.

Neste seu livro, com o diagnóstico que faz da economia, conclui-se que não podemos ter as prestações sociais que temos.
Podemos chegar a um ponto em que não há dinheiro para mantê-las. Em 2008, os salários públicos mais as prestações sociais chegaram a 78%, sem os juros. Não é possível levar isto mais longe.

A única solução é o fim do Estado social?
Não. Se eu fosse chefe do Governo, criaria o Ministério do Estado Social, para ter uma visão global. Não temos dinheiro para sermos benfeitores à custa do dinheiro alheio. Isto vai acabar entre 2015 e 2020. Desde 2000 que a economia estagnou. As despesas sociais cresceram três vezes mais do que a economia. Se não invertermos esta tendência, isto acaba mal.

Como é que se podem estabilizar as despesas sociais? Decretando o fim da educação gratuita?
É por isso que devemos ter um ministro do Estado Social. É preciso haver uma meditação política. Para mim não se coloca a questão da gratuitidade da educação, deve haver é exigência e rigor. Mas temos de saber quais são os limites que podemos gastar.

É contra a escola inclusiva. Quer explicar?
A escola inclusiva é uma vigarice. Põem lá a tropa toda. Como todos somos diferentes, há uns que querem estudar e outros não. Há uns que são capazes e outros não. Quem não aprende não faz sentido lá estar.

Era preferível que Portugal tivesse a mesma percentagem de analfabetos que tinha durante o Estado Novo?
A falha do Salazar não foi na qualidade, foi na quantidade. Agora a falha é na qualidade. Deve tentar-se o máximo de quantidade preservando a qualidade. Gostaria de ser ministro da Educação para fazer vingar a ideia de que, sem exigência, não damos a volta à Educação. Não é mantê-los lá fechados a dar coices que se nivelam. Só se nivelam exigindo o máximo. Mas há um ponto em que há uma estratificação. Isto de todos serem iguais é uma trafulhice.

Em matéria de disciplina na escola, o que é que faria?
Nem que tivesse de pôr um polícia em cada sala de aulas, teria de haver respeito pelos professores. Os que não querem fazer nada que saiam.

Quando a sociedade portuguesa tomar consciência de que tudo isto é uma burla, como diz, teremos uma nova revolução?
As revoluções do século passado foram próprias daquele mundo e da economia da época. Com a democracia de 76 não vamos resolver os problemas do país.

Diz de si próprio que tem características muito pouco comuns, como a pontualidade, a disciplina e o rigor… De onde lhe vêm esses genes?
É genético, de educação. O meu pai era muito rigoroso. Fui educado duma forma em que as mentiras, pedir coisas aos outros, discutir dinheiro eram coisas horríveis. Não discuto dinheiro. Nos Pupilos do Exército também tive uma educação muito rigorosa.

Em que é que isso o moldou?
Reforçou aquilo que eu já era.

Ir para os Pupilos foi uma escolha do seu pai?
Não. A partir dos 7 ou 8 anos, o meu pai educou-me a traçar o meu próprio caminho.

Então foi uma escolha sua?
Sim. Vivíamos na Guiné, e os meus pais vieram comigo para escolher entre o Colégio Infante de Sagres, o Colégio Militar e os Pupilos. Percebi que os dois primeiros eram de gente bem situada e os Pupilos era para filhos de sargentos e civis. Fez-me sempre muita confusão as descriminações. Preferi aos 11 anos os Pupilos.

Ia à Guiné com frequência?
Só lá voltei aos 20 anos. Os meus pais vinham em férias.

Não tinha saudades de África e da família?
Aquilo era uma educação muito especial. Aos 11 anos aprendi a manejar armas, às seis da manhã tomava banho de água fria… Fazia muito desportos. Futebol no Inverno, remo na Primavera, atletismo no Verão… E era um bom estudante. Tudo isto fez de mim um bicho muito diferente. Não tive a minha mãe ao meu lado a ver a temperatura da água, a escolher um sabonete que fizesse bem à pele… Tomava banho com sabão azul e, em vez de perfume, esfregava-me com álcool. Ainda hoje faço isso.

E ainda se levanta às seis da manhã e ainda pratica desporto?
Foram dois hábitos que perdi. Já não tenho paciência para me levantar cedo nem ando aos saltos de madrugada.

O que faz nos seus tempos livres?
Leio, estudo, trabalho números…

Lê o quê?
Biografias de políticos. A última que li foi do marquês de Pombal. Agora estou a ler um livro do Vasco Pulido Valente.

Em casa, faz contas às suas próprias despesas?
Se é um gasto diário vou até aos cêntimos, se é mensal multiplico por 12, se vou jantar fora estou-me nas tintas, é aquilo que me apetece. Mas tenho o controlo rigoroso do meu dinheiro.

Onde é que gasta o seu dinheiro? Qual é o seu luxo?
Livros.

E as férias?
Um homem que vive sozinho não pode ter férias. Não me estou a ver a pôr um chapéu de palha e ir para a Caparica…

Cultiva a frugalidade?
Não sinto necessidade de esbanjar dinheiro. Gasto muito pouca coisa de uso corrente, sapatos tenho de 30 anos. Fui à União Soviética em 1971 e tinha um par de sapatos que já eram usados cá e ainda lá estão em casa.

É uma questão de educação? Os seus pais também eram assim?
Sim, eram todos assim. Os meus pais, os meus tios, e a minha primeira mulher também. Quando casámos, tínhamos muito pouco dinheiro, e o primeiro acto mensal era dividir tudo por envelopes – renda da casa, electricidade, alimentação, cinco escudos aqui, cinco escudos ali… Nunca gostei de pedir nada a ninguém, e por isso quero sempre gastar não mais do que tenho para nunca ter de pedir.

E onde aplica o seu pé-de-meia? Qual pé-de-meia?
Eu ganho pouco… Um advogado que fala como eu não tem clientes. Não estou a brincar! Esses grandes gestores, esses grandes empresários não querem nada comigo.

Perdeu algumas vantagens que teria se não falasse dessa forma?
Ah, isso com certeza! Se eu quisesse falar como o resto da malta tinha aqui o escritório cheio, de auto-estradas, de aeroporto, como os outros têm.

Subiu a pulso na vida? Teve de lutar muito para chegar onde chegou?
Sim, saiu-me do pelo. Não foi tanto por razões de necessidade dos meus pais, tive de fazer este percurso porque quis fazê-lo. Foi assim que conduzi a minha vida. Juntando o que estudei – porque era um estudante a sério – e o que trabalhei – porque trabalhava a sério -, não haverá muitas pessoas da minha idade que tivessem trabalhado mais do que eu. Eu casei-me num sábado, e a minha mulher casou-se com a condição de que suportaria as chatices dos estudos, que não sabia onde iam acabar, e na quarta-feira da semana seguinte já me levantava às três da manhã para estudar.

Ela nunca se zangou consigo?
Não, tínhamos esse compromisso discutido e assumido.

E não teve lua-de-mel?
Saímos no sábado de Leiria, onde casámos, com o carro emprestado do meu sogro, demos uma volta até Aveiro e regressámos na segunda-feira para o Barreiro, onde vivemos três anos.

E essa sua escolha por estudar tanto era pela ânsia pessoal de aprender ou por ambição de carreira?
Não o fazia por querer ter dinheiro, ser importante. Era ânsia de saber, porque sempre desde muito rapaz tive a convicção de que na sociedade ou sabemos alguma coisa ou não valemos nada.

Quando era miúdo, o que gostava de fazer?
Lia muito, mas sobretudo trabalhava muito a matemática aos 14, 15, 16 anos.

Devia ser daqueles alunos sempre com a resposta na ponta da língua, não?
Sim, sabia as lições. Não era insolente, mas já era frontal.

E isso nunca lhe causou problemas nos Pupilos?
Eu era comandante de batalhão – que era em geral o melhor aluno do ano anterior – e tinha de mandar nos 400. No ano anterior era uma rebaldaria, chegavam todos tarde à formação. No dia em que tomei posse disse que iam acabar os atrasos.

E pô-los a todos na ordem?
Sim, os 400!

E o que é que recorda da sua infância na Guiné?
Tenho uma memória fotográfica dos sítios onde vivi, das escolas em que andei, dos meus colegas, uns brancos, outros pretos, outros amarelos… A única coisa que havia ali de comum era o retrato de Salazar, que estava à nossa frente, por cima do professor. De resto, era mandar pedradas às árvores, apanhar cajus…

Tem saudades de África?
A minha terra, pelo que oiço dizer, não é vivível – mata-se o Presidente à catanada -, mas se África fosse um sítio vivível e se não tivesse a minha filha talvez acabasse a minha vida em Cabo Verde.

Os seus pais eram de lá.
Sim, o meu pai nasceu na ilha do Fogo, a minha mãe na ilha Brava, e só depois de casados é que foram para a Guiné. Aquilo é gente educada, é gente que estuda, é uma terra encantadora com um clima excelente, com mar por todos os lados, há sempre uma musiquinha a tocar.

Só tem uma filha e não tem netos. Tem pena?
Tenho. Era a minha saída para me livrar desta cegada. Estava aí deitado no chão a rebolar com eles o dia todo e entretinha-me assim, em vez de me preocupar com o futuro do país…

Não se entretém com os netos dos seus amigos?
Não é fácil, porque nós hoje vivemos num mundo muito estranho. Um dia destes fui comprar o jornal e estava uma pequena de 8 anos ao meu lado. Fiz-lhe uma festa na cabeça e perguntei-lhe como se chamava. Respondeu que tinha ordem dos pais para não falar a estranhos. Agora fujo dos miúdos, senão qualquer dia o Rui Teixeira põe-me na choça…

Casou muito novo, aos 23 anos. É um homem romântico? (risos)
Casei duas vezes, a primeira aos 23 anos, e estive duas vezes em união de facto. Romântico, bom… essa é uma pergunta difícil… Sou uma pessoa que choro com muita facilidade.

A sério? Então, no fundo, é um doce.
Ora isso mesmo, muito doce! (risos) As pessoas que me conhecem sabem bem isso. Eu engano muito. Tenho este trombone assim chato, mas no fundo sou um tipo muito doce, muito afectivo, muito terno… Choro menos que Jorge Sampaio, mas choro com mais facilidade do que gostaria…

Era um homem namoradeiro na juventude?
Tive uma juventude complicada, estava casado aos 23 anos, não tive tempo para isso… Fui mais namoradeiro em homem maduro. (risos) Gosto bastante de mulheres, porque penso que são mais ponderadas, mais realistas, em regra mais fiéis e sérias do que os homens. Gosto muito de trabalhar com mulheres. Aceito com muito mais facilidade e convicção de que é certo se ouvir uma opinião de uma mulher.

Jogou futebol quando era novo. Ainda hoje gosta?
Fui sócio do Benfica, era o sócio 15.148. Ia aos jogos, mas saí de sócio porque me indignei com o facto de serem todos muito malcriados, insultarem o árbitro, mandarem cascas de fruta. Eu acho que devemos dizer o que temos a dizer clarinho na cara, sou contra os insultos no anonimato.

Mas acompanha o clube? O que pensa do novo treinador, Jorge Jesus?
Se é verdade o que vocês jornalistas andam a dizer, parece que ele é um homem que põe aquela tropa a trabalhar. E eu aprecio sempre quem põe o pessoal a trabalhar.

E ainda sofre pelo Benfica?
Não. No tempo em que eu andava por lá, o Benfica era o clube principal de Portugal. Hoje é uma coisa assim secundária, como o Vitória de Setúbal ou assim. Já não há ambições, temos de nos restringir nos nossos horizontes. E o futebol caiu numa cegada parecida com a política… Não tenho paciência.

Qual é o seu jogador preferido?
O Messi, porque é um grande jogador e um tipo modesto. Não gosto do Cristiano Ronaldo, porque é um grande jogador e um tipo insuportável. Mesmo um sábio, um compositor, um génio tem de ser modesto. A imodéstia é um sintoma de estupidez.

Gosta pouco de pessoas de espectáculo, com muito de marketing. Detesto-os. Detesto fantochadas. Aliás, não os vejo. Quando aparece o Sócrates na televisão, eu mudo de canal. Para espectáculo, vou ao circo.

Não acredita em Deus. Não sente necessidade de acreditar em alguma coisa? Eu gostaria de acreditar, ser crente é uma boa defesa, mas acreditar não é uma decisão. Ainda fui baptizado, mas estes actos solenes da vida das pessoas comigo foram sempre estranhos. Fui baptizado aos 10 anos por um padre que estava com uma grande bebedeira, fui registado numa data errada – a 14 de Janeiro, quando tinha nascido a 14 de Dezembro -, casei na igreja de “O Crime do Padre Amaro”… (risos) Até hoje, nunca senti nenhum apelo.

É um homem de factos e não de crenças? Sou um homem de valores e choco-me todos os dias com o que vejo. Vemos na nossa sociedade coisas que não esperamos. Custa-me ver que a classe política não quer julgar os crimes da corrupção, porque não lhes convém, é uma defesa corporativa. Não nos podemos fiar num certo tipo de pimpões que andam por aí…

Mas essa característica faz parte da natureza humana, e a situação que descreve não acontece só em Portugal…Sim, faz e fará sempre. Mas nas percentagens que existem hoje em Portugal é uma coisa inédita. A ladroagem em Portugal atinge hoje uma dimensão que não tinha há 20 anos.

PERIGOS DE UMA POLÍTICA IRRELEVANTE

In Local, Nacional, Regional on 28/10/2009 at 12:02 am

sardanya_bcn

-

« Há momentos em que a espuma dos dias polariza todas as atenções. E há momentos em que esse facto acaba por ser, ele próprio, um óbvio problema.

Ora, como é patente, hoje, em Portugal, quase tudo é espuma. E, perante a espuma, surgem duas atitudes fundamentais. A atitude dos que determinam o registo e o conteúdo dos factos que ocupam o espaço público. E a atitude dos outros. No primeiro grupo, estão a maioria dos actores políticos e a maioria dos jornalistas e fazedores de opinião. No segundo grupo, está a generalidade da população anónima, espectadora tendencialmente passiva dos casos e dos ditos que os primeiros protagonizam, noticiam ou comentam.

Destas duas esferas de intervenção, nascem dois enfoques radicalmente distintos. Mas essa diferença essencial parece ser desconsiderada ou menorizada.

Os que fazem o espaço público não se fixam na distância que crescentemente os separa do universo de preocupações e interesses das pessoas comuns. Indiferentes a esse real, dialogam em circuito fechado, presos na lógica de um jogo cujos objectivos e regras só eles dominam. Os destinatários dos seus discursos e os intérpretes dos seus movimentos são eles próprios. Cada vez mais, apenas e só eles próprios.

A política e a crónica que dela é feita estão a alhear-se da dimensão concreta da vida das pessoas. Há um divórcio substantivo e profundo acerca da (ir)relevância relativa das coisas. Questões menores e circunstanciais, que na política e nos jornais que a alimentam assumem foros de temas magnos, são desprezadas pelo jovem que quer prosseguir os seus estudos, pelo empresário que quer redireccionar o seu negócio ou pelo casal que quer constituir família. A quem tem uma vida para decidir ou um futuro para construir, a maior parte do que ocupa a política e os que dela tratam não interessa absolutamente nada.

Se é certo que a política é poder, também é verdade que não é apenas poder. No entanto, entre nós, a política tem sido, quase exclusivamente, disputa e discussão do poder. A política das ideias e dos projectos de transformação da sociedade, essa, tem ficado na sombra, preterida, esquecida, adiada. De resto, quando parece assomar, logo se revela instrumental. Por cá, muito mais do que ‘o quê’ ou o ‘para quê’, importa a questão central do domínio do poder – a verdadeira excitação da política à portuguesa está no ‘quem’.

Ora, uma política que se faz assim corre riscos imensos. O alheamento da população e a sua decorrente incapacidade crítica favorecem o triunfo de propostas populistas. O fechamento do círculo dos interlocutores e a entropia do seu discurso potenciam o perigo da demagogia. A fulanização das opções retira alcance material ao acto de escolher ao mesmo tempo que encerra os protagonismos numa lógica próxima das obediências nas sociedades secretas.

Não será tempo de emendar a mão? »

SofiaGalvao2


SOFIA GALVÃO

in Expresso, 24. Outubro. 2009

(bolds da responsabilidade do TALEFE)

AUTÁRQUICAS LAGOS 2009: DESIGUALDADE, DESINTERESSE E DESCONFIANÇA !

In Local, Regional on 26/10/2009 at 9:11 pm

socratesliberdadedeimprensa

-

Parabéns ao PS-Lagos e a Júlio Barroso pela sua vitória (lógica…) nas eleições autárquicas de 11 de Outubro de 2009, de que resultaram 5 mandatos para o PS e 2 mandatos para a Coligação PSD/CDS, liderada por Nuno Marques.

Sem pretender evidentemente pôr em causa a maior vitória do PS em Lagos em eleições autárquicas – ainda para mais por uma diferença de  4642 votos Vs. coligação PSD/CDS num universo de 12891 votantes e de 22479 inscritos – considero que  uma das perspectivas que interessa reter destas eleições autárquicas é a que mostra os resultados calculados tendo como base 100% dos eleitores inscritos. Que passo a transcrever da blogosfera local:

2009 Vs. 2005
ELEITORES INSCRITOS 100% (22479 Vs 20928).
ABSTENÇÃO 42,7% Vs 37,3% (9588 Vs 7802).
PS 34,9% Vs 31% (7855 Vs 6498).
PSD/CDS 14,3% Vs 23,7% (3213 Vs 4959).
CDU 3,3% Vs 4,9% (744 Vs 1027).
BE 2,6% Vs 1,2% (595 Vs 241).
MPT 0,4% Vs – (94 Vs -).
OBN 1,7% Vs 1,9% (390 Vs 401).

As variações em val. absolutos foram as seguintes:
ELEITORES INSCRITOS + 1551.
ABSTENÇÃO +1786.
PS +1357.
PSD/CDS -1749.
CDU -283.
BE +354.
OBN -11.

Desta perspectiva dos resultados, que alguns tão basicamente referem como um 5-2, como se um simples jogo de bola se tratasse, retiram-se algumas dados quantitativos inquestionáveis:

a) A soma dos votos nas duas principais candidaturas não chegou nem a metade dos votantes inscritos… (49,2%) !

b) A abstenção subiu mais que o acréscimo global dos eleitores inscritos!

c) A soma dos votos  CDU+BE+MPT (1433) ficou 118 votos abaixo do acréscimo de votantes inscritos!

d) A votação em OBN (Outros, Brancos e Nulos) embora praticamente igual Vs. autárquicas 2005, decresceu -142v. e -310v. Vs. legislativas e europeias 2009, respectivamente. Este dado pode parecer desprezível mas parece conter uma ténue tendência de retorno da cidadania para uma intervenção no âmbito partidário. Que o tempo dirá se é significativa, mas que ninguém, qualquer que seja a sua opção política, negará desejar ser mais consistente no futuro. O que é certo é não depende apenas dos Cidadãos, depende principalmente dos Partidos Politicos.

e) É muito curioso significativa a análise por adaptação do método sugerido pelo Prof. Campos e Cunha (ex-Min. Finanças do anterior governo PS…). Fazendo-se uma distribuição de mandatos pelo mesmo método de Hondt mas com base no total de eleitores inscritos constata-se que os resultados para a Câmara Municipal seriam os seguintes:

1º) Abstenção+OBN: presidente da câmara e 3 mandatos;

2º) PS: 3 mandatos;

3º) Col. PSD/CDS: 1 mandato.

O mínimo que se pode pedir é que todos os Cidadãos agora reconduzidos ou em novas funções tenham consciência desta realidade primeira ao entrarem em quaisquer salas de reuniões autárquicas! Esta é uma das mais nítidas fotografias desta democracia e do sistema político-eleitoral que temos. Que nenhum sistema eleitoral consegue iludir.

Deste pequeno conjunto de dados ressaltam várias realidades – da Bipolarização à Pessoalização – passando pela velhíssima questão do Unanimismo e ainda por uma outra série de factos que tive – como tantos outros Cidadãos -  o ensejo de testemunhar no decurso da campanha eleitoral.

Mas há uma realidade eleitoral muito complexa, em permanente mutação e em crescendo, que quase toda a gente tem como “fatalidade normal”. Que parece conter todos os sinais de confirmação da gravíssima realidade da vida da Democracia em Portugal:

A ABSTENÇÃO

Embora a Abstenção possa parecer menos grave ao nível local, dada a Bipolarização (que  aqui  se acentuou divergindo da tendência verificada 15 dias antes, nas legislativas) e a clareza dos resultados, o facto é que o fenómeno da Abstenção em Lagos é tão grave ou pior que a nível nacional.

Entre outras coisas, porque  cresceu na nossa dimensão local, que é menor, mas também porque literalmente não existiu qualquer debate político, porque a exposição mediática foi claramente manipulada e gritantemente desigual a favor do candidato vencedor (*1). E ainda porque a sua “côr política” é a mesma da do poder central e porque a capacidade de “mobilização” da candidatura vencedora foi o que toda a gente sabe e viu

Não era caso para tanto. Até porque, de facto, como é do conhecimento geral, nenhum presidente re-candidato perdeu em Lagos as eleições para um 3º mandato…

Será que o sistema de pensões dos políticos é socialmente justo e um factor de qualidade da nossa democracia? Ou a dignidade dos ex-políticos é um valor maior do que a dignidade dos cidadãos comuns, titulares primeiros do poder político que delegam nesses seus representantes políticos?

Mas voltemos ao tema. Descontado o lixo dos dados obsoletos, duplicados e incorrectos que sempre existem em qualquer base  – elementos que no caso de Lagos até estarão num nível residual porque foi feita uma limpeza recente – tudo indica que este nível de abstenção continua a ser um sinal claro de um desinteresse geral pela Política. Mas não resulta exclusivamente desse alheamento. Essa é apenas a explicação simples e conveniente às minorias sucessivas que vão detendo o poder.

Desde logo, seria interessante saber qual a composição desta variação global dos eleitores inscritos, ou seja quantos são os primeiros votantes, quantas são as transferências de residência, qual o número de “abates”, etc. mas tanto esses com outros dados analíticos que automaticamente poderiam ser obtidos e disponibilizados à cidadania em geral bem como a todos os partidos… não se encontram disponibilizados.

Por outro lado, dispondo-se de tanta tecnologia ainda não foram cruzados os dados dos cidadãos que têm residência eleitoral e real em locais diferentes, resolvendo-se adequadamente esse tipo de “abstenção”.

Sem querer entrar em tecnicismos despropositados acerca deste vivíssimo tema que é a Abstenção, temos que

1) em termos gerais:

1.1) tal como o declínio da participação eleitoral em Portugal a partir dos anos ‘80 parece sugerir, a abstenção pode ser interpretada como um sintoma de “normalização” da vida política, indicativa de uma satisfação implícita com o funcionamento regular das instituições democráticas. Nesta perspectiva, altas taxas de abstenção não são de todo incompatíveis com as condições da democracia representativa, desde que resultem de um contexto de iguais oportunidades para a participação e permitam a competição entre as chamadas elites políticas.

Poderá parecer, mas não é esta a realidade. Nem em Portugal nem em Lagos, como já quase todos percebemos.

1.2) por outro lado, a abstenção pode também ser vista como sintoma de uma violação das condições da democracia, especialmente quando a participação eleitoral reflecte desigualdades sociais estruturais, como as que separam indivíduos pertencentes a diferentes classes sociais, níveis de rendimento ou graus de instrução. Neste caso, uma abstenção mais elevada por parte dos sectores mais desfavorecidos da sociedade indicaria uma desigual capacidade para influenciar a tomada de decisões políticas e, logo, uma real desigualdade política, muito susceptível de contribuir para a reprodução de desigualdades sociais.

Não será já esta a nossa realidade colectiva predominante? Será tal realidade compatível com as tão sistematicamente verbalizadas e politicamente correctas “profissões-de-fé” pelo combate às desigualdades sociais e pela justiça social  que logo desaparecem na semana seguinte às eleições para continuar a manter – insustentavelmente a prazo – uma sociedade inteira que volta a emigrar, agora espartilhada nessa fatal sequência centralista inominável que é o “saca-empobrece-subsidia e não te mexas muito” ao som das velhas mas tão actuais músicas de Abril?

Se bem que nada nesta vida seja a preto e branco, fica ao critério de cada Cidadão de Lagos  saber no seu dia-a-dia com qual destas duas hipóteses científicas se vai identificando mais claramente a nossa realidade sem esquecer, concretamente, aquela em que tiveram lugar as eleições autárquicas de 2009.

2) em termos individuais:

2.1) os estudos objectivos sobre a Abstenção que utilizam dados a nível individual têm relacionado o comportamento abstencionista com 3 ordens de factores:

2.1.1) os indivíduos que dispõem de maiores recursos têm também maior capacidade e propensão para exercer o direito de voto. E também uma maior capacidade de investimento pessoal na participação política em geral, e na participação eleitoral em particular.

Quem teve e como foram utilizados os maiores recursos, designadamente os públicos, e a maior capacidade de “mobilização” de pessoas em Lagos em período pré-eleitoral e eleitoral?

2.1.2) o segundo factor explicativo da abstenção diz respeito ao grau de integração social: maior integração social tende a gerar maiores níveis de participação eleitoral. Integração social significa, a este nível, intensidade de contactos interpessoais que fornecem informação sobre temas e candidatos, exposição a estímulos favoráveis à participação e envolvimento com a comunidade afectada pela tomada de decisões políticas.

Pode dizer-se que sem comunicação social independente, nem sequer uma estação de rádio, Lagos seja uma comunidade socialmente integrada e democraticamente sã? Não serão estes pormenores potenciadores de desagregação social, ainda para mais em ambiente de forte recessão?

2.1.3) Em terceiro lugar, a participação eleitoral tem sido relacionada com as atitudes e valores políticos dos indivíduos. Mesmo que os eleitores disponham de elevados recursos económicos ou educacionais, os seus valores e atitudes podem predispô-los a aplicar esses recursos noutras actividades que não a participação eleitoral (e o inverso, obviamente, também é possível).

Em grande medida, esta linha de investigação acerca da abstenção é devedora da chamada abordagem sócio-psicológica do comportamento eleitoral, que pela primeira vez tratou o voto como função de orientações valorativas estáveis em relação ao poder político. A mais importante das orientações analisadas pela abordagem sócio-psicológica é a ‘identificação partidária’: o facto de os indivíduos se identificarem com um determinado partido político contribui não só para os orientar face à complexidade das mensagens e estímulos políticos, mas também para os deixar mais susceptíveis aos esforços de mobilização por parte dos partidos.

Quanto a Lagos em concreto, como funciona eleitoralmente a dependência individual do Estado, seja ao nível do Emprego das Famílias ou na Actividade das Empresas? Como factor de integração social e/ou como factor de castração democrática da participação cívica dos Cidadãos reflectindo-se na abstenção? E em que medida?

-

O que se viu nas 3 eleições de 2009 foi uma espécie de abanão no sistema partidário, com o disparo do BE nas legislativas a introduzir um acentuado factor de imprevisibilidade nas autárquicas. Que conduziu a atitudes desesperadas por parte de alguns candidatos como forma de se defenderem das mais cruzadas alterações do sentido de voto.  Terá Lagos sido uma excepção à regra?

Vieram logo os “comentadores de serviço” identificar o sucedido com o conveniente argumento da “grande sabedoria do povo português”, nenhum referindo a gravíssima falta de informação e de meios para a difundir, chegando-se ao pormenor estratégico de se fazer tratar a campanha para as autárquicas nos chamados grandes media prolongando a visibilidade mediática num desfile centralista dos líderes partidários nacionais, sufragados quinze dias antes nas legislativas… Em período de campanha para eleições autárquicas?

Quem tem ainda dúvidas de que o fluxo de informação é gerido selectivamente pelo poder central através de uma complexa teia de lobbying de comunicação, de resto uma actividade ainda não regulamentada em Portugal?…

Quanto aos candidatos municipais, o que vimos espantados foi um tratamento da informação como se apenas 4 ou 5 autarquias existissem em Portugal: Porto, Gaia, Lisboa, Oeiras e pouco mais… o que é evidentemente grave no caso particular da estação de comunicação social do Estado (RTP).

.

Para terminar, a questão da CONFIANÇA. Afinal, a quem serve a Abstenção? Será que serve a ganha e prejudica quem perde? Ou é um dos mais graves sintomas – juntamente com a Economia e as Finanças – da gravíssima desadequação de todo um sistema político-eleitoral? Porque é que ninguém quer ouvir nos grandes media a este respeito o que pensa o filho do constitucionalista Jorge Miranda, um dos “pais da Constituição de 1976″, também ele um emérito constitucionalista?

Dizem os especialistas que ver a Abstenção como uma expressão de confiança nas instituições é uma interpretação que também não resiste à análise empírica.

Há, de facto, uma relação entre o grau de Confiança nos poderes públicos e a Abstenção. No entanto, essa relação é negativa, e não positiva.

Por outras palavras, independentemente do interesse dos indivíduos na política ou do seu alinhamento ou desalinhamento partidário, a probabilidade de os eleitores se absterem nas eleições diminui tanto mais quanto maior for o seu nível de confiança nas instituições políticas.

Se, do ponto de vista sócio-demográfico, a Abstenção é fundamentalmente determinada pela idade e pelo grau de isolamento familiar e, indirectamente, pelo estatuto sócio-económico, sociedades em processo de acelerado envelhecimento e de modernização económica e educacional deveriam exibir, no máximo, um aumento ou, no mínimo, uma estabilização da participação eleitoral.

Contudo, o seu declínio sugere-nos que a chave para a compreensão do fenómeno da abstenção em Portugal e em Lagos está em mudança nas atitudes políticas que atravessam todos os estratos sociais, económicos e educacionais: o desalinhamento partidário e a diminuição da confiança em relação ao sistema político.

Assim, e no caso concreto dos dados eleitorais de LAGOS 2009 resulta a constatação do AUMENTO DA DESCONFIANÇA nas Instituições, quer nas Legislativas/Assembleia da República (40% Vs 36%), quer nas Autárquicas/Câmara Municipal (43% Vs. 37%).

Já nas Europeias/PE  a Abstenção manteve-se em 2009 ao nível de 2005 (65%…).

Será que o tão manifesto autismo interesseiro da classe política nacional não evoluiu já para uma espécie de patologia infecto-contagiosa ao nível regional e local de consequências imprevisíveis aos níveis social e financeiro da nossa comunidade local?

Será que só vamos perceber o erro estratégico em que navegamos quando a moeda e os patrimónios perderem o seu valor ou quando vier uma organização internacional qualquer “salvar” Portugal da falência, para substituir o centralismo de Lisboa por outro qualquer de origem geográfica diferente? Não estaremos já nessa situação, sem que tal seja do conhecimento da generalidade dos Cidadãos e até da maioria dos políticos locais e regionais?

Ou será que o caminho indecente e claramente anti-ético que a Política leva em Portugal – até com estratégias notoriamente anti-constitucionais promovidas por quem jurou defender a Constituição… -  é já um caminho sem honra nem glória ou até sem retorno? Qual é o limite?

Tiveram, têm e esperemos que sempre possam ter no futuro a palavra todas as Cidadãs e Cidadãos que votaram e votarão, ou que não votaram e serão livres de o continuar a fazer…

A Democracia não se esgota no voto. Ou é permanente e transparente ou não é uma Democracia. É outra coisa…

Por todo o exposto, espero sinceramente que o dia 11 de Outubro de 2009 não se venha a revelar num futuro não muito distante como um dos dias mais negros da história recente da nossa querida Cidade.

É que tudo indica que já germinam – também entre nós – as sementes de uma evolução do Desinteresse para a Desconfiança levando um número não desprezível de Cidadãos para um novo estádio dual, perigosíssimo do ponto de vista da Paz Social em geral e da Democracia participativa em concreto: o oscilante estádio Desamor/Indignação, alternante em função dos níveis de conhecimento dos factos, de qualificação e das origens e evoluções dos rendimentos de todos e de cada um. Com as mais imprevisíveis evoluções…

Juntam-se meia dúzia de perguntas adicionais:

Quanto Tempo pode aguentar o Estado a subsidiar as Empresas e as Famílias com quedas brutais  (senão zerificação…) das facturações e dos rendimentos?

Será financeiramente sustentável e socialmente justo o sistema actual de Pensões (simples/múltiplas) e de Remunerações da Função Pública? E o dos Políticos é sustentável a todos os níveis?

A quem em concreto, e a que grupos organizados secretamente, é inconveniente a legislar a “inversão do ónus da prova” para os crimes de Corrupção e Enriquecimento Ilícito, como há anos – senão décadas – vêm pedindo os sucessivos mais altos responsáveis do Poder Judicial? Porque é que os Partidos Políticos representados na Assembleia da República e os sucessivos Governos não dão sequência a essa necessidade simples e elementar para que a moralidade e a justiça sejam repostas como muito bem disse J. Sampaio há 4 anos?

Porque se oculta esse dado real fundamental que evidencia que, do total das chamadas PME’s, apenas 20% são rentáveis e deverão poder sobreviver num futuro próximo?

Como qualificar o facto de se reavaliar – multiplicando entre 5 e até 15 vezes mais… – as bases fiscais dos pequenos patrimónios quando o imobiliário desceu mais de 20%, e continua a descer?

Quem pode garantir em qualquer nível que “o feitiço não se vira contra o feiticeiro” neste estado a que chegámos de modo imprevisível e tanto mais rapidamente quanto maior fôr a morosidade na nossa recuperação económica efectiva?

Responda quem sabe, pode e tem o dever de responder!

O que para mim é claro como a água é que os 3D’s que caracterizam a nossa realidade colectiva hoje são a DESIGUALDADE, o DESINTERESSE e a DESCONFIANÇA !

Bem distantes dos outros 3 D’ de há 35 anos. Para quem deles se esqueceu, eram DESCOLONIZAR, DEMOCRATIZAR e DESENVOLVER

-

JOSÉ BORBA MARTINS, Lagos-Algarve

-

Nota: apoiei publicamente a candidatura autárquica de NUNO MARQUES pela coligação PSD/CDS, em cuja campanha eleitoral participei livre e diariamente com toda a convicção.  Algumas das razões do meu apoio estão acessíveis aqui.

Participei como independente, uma vez que formalizei a minha adesão ao PSDPartido Social Democrata/Algarve em 13 de Outubro de 2009.

Tomei esta decisão porque ainda identifico condições – embora muito difíceis – para conseguirmos sair desta descrença colectiva que nos vem sendo induzida “alternadamente” por uma espécie rara de Kuomintang Centralista de cujo lindo serviço resultou a realidade agonizante de Portugal e do nosso actual sistema político.

Porque ainda acredito sinceramente na possibilidade de transformar positivamente, a partir dos partidos políticos, uma realidade insustentável, falida e eticamente apodrecida que atingiu já um inesperado(?) e crescente grau de decomposição social. Porque não quero que a minha terra algarvia seja pasto de fenómenos de “shaker democracy” que infelizmente parecem prováveis e até já ocorreram noutras paragens.

Porque entendo que estimular os nossos Concidadãos política, social e financeiramente desalinhados, descrentes e/ou “condicionados”… para uma maior participação na vida activa partidária ao nível local é urgente não apenas dos pontos de vista pessoais concretos de todos e de cada um que desaguarão (ou não) na manutenção da paz social em níveis aceitáveis, como do ponto de vista da própria qualidade e sobrevivência da  nossa Democracia.

Por Lagos, pela Regionalização do Algarve e frontalmente contra os Centralismos manipuladores da nossa Liberdade Económica, política e socialmente ilegítimos, que  sistematicamente nos ignoram e impedem o nosso desenvolvimento integrado, integrador e plural, diversificado, sustentável e, condição essencial, que seja concretizável de modo livre desses paternalismos centralistas e sacadores sistemáticos da nossa querida Terra Algarvia.

-

-

(*1)

- o estranho desaparecimento dos media locais independentes ‘Notícias de Lagos’ e ‘Canallagos’ (online);

- a presença do Candidato PS no programa TVI24 “Portugal Português” de 12 de Julho de 2009, conjuntamente com dois outros autarcas-candidatos algarvios (de Lagoa e de Faro);

- a coluna de opinião semanal do Candidato PS no jornal “Correio da Manhã”, tendo chegado ao ponto de inserir no texto do artigo intitulado “Verão Total” de 7 de Agosto de 2009 nada mais nada menos que o próprio “slogan” eleitoral da sua candidatura… (c/os artigos no próprio site da campanha);

- o inqualificável programa televisivo da manhã de 24 de Agosto (24…) que, por (in)feliz coincidência teve o mesmo nome que um dos artigos da coluna no CM…;

- o extraordinário e atabalhoado anúncio do Governo Central PS (via ARS Algarve) de um “hospital ligeiro” para Lagos a 32 dias das eleições, que ficou conhecido como “hospital de campanha”;

- o verdadeiro atentado ao carácter de um candidato da coligação PSD/CDS (Manuel Matos, J. F. Luz) acusando-o de ser um ex-recluso, acusação falsa como o próprio se viu forçado a demonstrar documentalmente por entrega de prova irrefutável na própria C. M. Lagos;

- a recusa do candidato PS Júlio Barroso em participar em debate nos termos do convite da AlgarveMaisTV (as duas frequências-rádio de Lagos estão em silêncio…); a que se seguiu a montagem de uma tentativa de entrevista escrita e manipulada politicamente por parte de Guedes de Oliveira do Correio de Lagos  – também conhecido na cidade como o “Correio da Câmara” -  ao Candidato Nuno Marques. Que, obviamente, a recusou.

(este foi um dos pormenores mais significativos da campanha – e actuais – porque acabou por se assumir, afinal e da parte de um orgão disfuncional da comunicação social lacobrigense, como a mais clara confissão de ser uma verdadeira “fábrica de notícias e entrevistas a pedido”. Numa iniciativa ainda por cima assinada pessoalmente pelo seu Director…  Mais ainda, como se isso não bastasse, o facto revelou-se ainda como um inesperado “tiro no pé” por parte do candidato J. Barroso, promovido pela sua própria equipa eleitoral. Porque ao publicar, no seu site de campanha, uma simplesmente lúcida não-aceitação por N. Marques de tal “entrevista orientada” como argumento a seu favor, acabou por confessar implicitamente a origem de uma manipulação política continuada que vem espartilhando há anos o que ainda resta da imprensa escrita em Lagos. Após esta observação a publicação de tal argumento foi retirado do site de campanha do Candidato PS… que, assim, reconfirmou o argumentado. Não havia necessidade…)

_______

nota: para a escrita deste post contribuiram vários intervenientes na campanha eleitoral autárquica de 2009, directamente ou na mais simples qualidade de Cidadãos e foi redigido com recurso a trabalhos existentes e outros posts de vários blogs que, pelo seu número, não são aqui referidos em detalhe. Agradecimentos a todos.

AUTÁRQUICAS 2009: CONCLUSÕES.

In Local, Nacional, Regional on 19/10/2009 at 4:28 pm

Economia Portuguesa: 1900-2010

Economia Portuguesa: Variação % PIB 1900-2010

«As conclusões sobre os resultados das eleições autárquicas de 11-10-2009, sem a ambição de ser exaustivo:

    1. Como disse, verificou-se a supremacia do efeito de contágio (aquilo que chamo «efeito Bernardino»): maior abstenção dos desiludidos das eleições legislativas, e perdedores nas sondagens autárquicas, e maior afluência ao sufrágio dos simpatizantes do partido vencedor. Essa supremacia sobre o «efeito do coitadinho» é limitada, em alguns estudos científicos, já aqui referidos, avaliada em 4%, mas tem relevo.

    2. Preponderância do juízo de eficácia governativa local sobre as suspeitas, acusações e condenações de corrupção. O axioma «roubo, mas faço» (slogan atribuído a Ademar de Barros, governador e prefeito de São Paulo nos anos 40-60). Trata-se de uma tendência actual egoísta do eleitor, já verificada noutras eleições: o eleitor sublima o juízo moral sobre os candidatos, com a desculpa íntima de que são todos iguais, e tende a preferir o candidato que lhe garanta maior bem estar individual. Essa tendência egoísta actual confirma-se nas urnas, independentemente do grau de instrução dos eleitores ou da notoriedade da alegada corrupção.

    3. A preferência egoísta pelo candidato que garanta maior bem-estar individual imediato também se tinha verificado nas eleições para a Assembleia da República e segue um padrão em vigor na sociedade actual. Até à falência do sistema, e num ambiente de medo económico, desigualdade de rendimentos e pressão de consumo, o eleitor tende a optar pelo candidato que julgue lhe vai garantir o seu salário, a sua pensão, o seu subsídio. Seria muito interessante fazer um estudo de mercado para validar a hipótese de que a maioria do funcionalismo público não-docente, dos reformados, dos beneficiários do rendimento social de inserção e grande parte dos beneficiários do subsídio social de desemprego e do subsídio de desemprego, além dos eleitores socialistas fiéis, votou PS na eleição para a Assembleia da República, de 27-9-2009.

    4. A preferência política pelo assistencialismo: a resposta do eleitor à depressão económica. A ideologia socialista é maioritária neste momento em Portugal e, arrisco dizer, nos países da mesma condição.

    5. A importância da política de costumes na decisão do eleitor tem menos importância geral nesta época de crise económica profunda, mas é decisiva para muitos eleitores que consideram essas regras como condicionadoras do seu bem-estar individual e do seu estilo de vida, principalmente os mais jovens. Tal como nos EUA, quem procure hoje, no nosso País, uma alegada «maioria moral» já não a encontra. Portanto, a política viável é a afirmação de que não é legítimo impor uma ordem axiológica radical a toda a sociedade que implique o castigo da família, a punição do trabalho, a insegurança no espaço público e a permissividade da criminalidade.

    6. A muito fraca implantação local do CDS-PP e Bloco de Esquerda, que não conseguiram repetir nas autárquicas os resultados nacionais.

    7. O carácter decisivo da comunicação na formação da preferência do eleitor: na notoriedade e no prestígio. É muito difícil ganhar uma eleição em municípios de relevo nacional (como Lisboa, Porto e outras grandes cidades) quando o número de inserções positivas nos media tradicionais (televisão, rádio e imprensa escrita) sobre os candidatos socialistas e inserções negativas sobre os outros candidatos é enorme face às que os beneficiam – Moita Flores em Santarém, pela circunstância do apoio pessoal a José Sócrates, foi a excepção a esse enviesamento mediático. Sem meios de comunicação, é quase impossível ganhar. Portanto, tem de haver uma batalha pelos meios, antes da luta eleitoral.

    8. A resistência dos autarcas de trabalho e consequência à dinâmica eleitoral nacional

    A. B. Caldeira, Portugal Profundo,  16.Out.2009

    Citação sugerida por A. Lopes, Barão de S. João.

O FIM DA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA E A INTERNET

In Local, Nacional, Regional on 19/10/2009 at 3:50 pm
democracia4xjimagem picada daqui

Alguns destaques do artigo de Ricardo Jorge Pinto, O fim da democracia representativa?:

«Numa democracia representativa, as pessoas escolhem políticos para tomar decisões por elas. Mas as sondagens mostram que os cidadãos cada vez acreditam menos nos políticos que os representam. Alguns teóricos falam mesmo numa crise da democracia representativa e começam a proliferar experiências de formas de democracia participativa

«Os media tradicionais foram molas impulsionadoras das democracias em que hoje vivemos. Imprensa, rádio e televisão têm sido espaços privilegiados para a formação de uma opinião pública que legitima um regime em que alguns poucos tomam decisões por muitos. Talvez os novos media (de que a Internet é a face mais visível) sejam o elemento catalizador para uma mudança em que todos os cidadãos sejam motivados a participar nas decisões comuns

«O consultor político norte-americano Dick Morris (que trabalhou de perto com o ex-presidente Bill Clinton) está convencido de que a Internet pode ser a resposta a esta crise das democracias representativas. No livro intitulado “Vote.com”, este especialista diz que as novas tecnologias da comunicação estão a inventar uma nova era política, a da democracia directa. A interactividade dos computadores e dos telemóveis permitirá aos cidadãos exprimirem-se de forma instantânea sobre as mais diferentes matérias de decisão, influindo nos centros de poder.»

«Barack Obama usou as redes sociais da Internet para recolher milhões de dólares para a sua campanha presidencial, mas para isso teve de ceder competências de organização a grupos de cidadãos que o ajudaram na sua eleição.»

«O historiador Michael Schudson diz que “se os novos media digitais vão ser integrados numa nova democracia política, eles devem ser ligados a uma séria compreensão da cidadania, e isso não acontecerá se simplesmente reciclarmos a velha noção de cidadãos informados”. Isto é, as mudanças previsíveis vão implicar rupturas profundas, no perfil do político mas também do eleitor, por via das ferramentas com que ambos se vão relacionar

«A web permite a emergência de líderes novos, que por sua vez aproveitam a força da rede para reunir apoios, financiar campanhas, mobilizar a sociedade. No mundo pré-YouTube, Obama teria sido eleito? Claramente não. Nem Ségolène Royal teria vencido as primárias do seu partido sem o seu blogue “Désir d’Avenir”, onde criou uma rede descentralizada de apoio.»

«A web não é a democracia directa, mas sim uma melhor democracia representativa; com mais responsabilidade e exposição em tempo real. Cria novos mediadores e reforça o papel dos agentes políticos que forem capazes de orquestrar a inteligência colectiva – o futuro pertence-lhes. Põe enorme pressão sobre estruturas `comando e controlo’, típicas do mundo pré-web. O seu cariz distribuído faz da web a por mais que o poder tradicional a tente controlar. Cria uma nova legitimidade, baseada na transparência, na colaboração e na participação.»

A propósito:
Web fundamental para os eleitores até 30 anos.
Revolução digital e jornais.

Fonte: OLHO DE FOGO

VOTAR NUNO MARQUES POR LAGOS COM TODOS !

In Local, Regional on 09/10/2009 at 11:52 pm

Terminou esta noite uma difícil, estranha e também muito gratificante campanha eleitoral autárquica, marcada por um episódio grotesco quanto à marcação do local do último evento da campanha, diferendo ridículo felizmente decidido a tempo por uma intervenção impositiva de sorteio por parte da CNE junto da CML nos termos da lei…

A campanha autárquica de LAGOS, em que integrei livre e voluntariamente o apoio à candidatura de NUNO MARQUES à Presidência da Câmara Municipal de Lagos nas eleições que se disputam depois de amanhã, dia 11 de Outubro de 2009, pela coligação

POR LAGOS, COM TODOS !

-

NM_mudancaDeVerdade

-

Serei breve, porque são impossíveis de descrever em poucas palavras, mas também inesquecíveis, todas as  situações concretas que foram vividos diariamente por todos os candidatos da coligação, pelos voluntários que os acompanharam e pelas Cidadãs e Cidadãos que espontaneamente quiseram juntar-se às mais diversas acções de campanha de que destaco os contactos porta-a-porta, a distribuição de  suportes de comunicação e a afixação de meios publicitários em todas as freguesias do concelho de Lagos.

Tudo feito com reduzidíssimos meios – esta foi das campanhas mais baratas de sempre em Lagos – mas com uma essencial, genuína e verdadeira vontade de difundir a nossa alternativa de governo para a Cidade, exercendo assim o nosso direito à diferença em condições particularmente graves do ponto de vista democrático, como é do conhecimento geral.

Pude confirmar no terreno a grande descrença na política e nos políticos em geral, mas também uma assinalável correcção apesar de uma evidente e envergonhada desilusão com a situação actual.

Existe muita vontade de renovação da esperança por parte de Cidadãos de todos os quadrantes políticos e muito interesse em escutar novas ideias concretas vindas de novos actores políticos.

Afinal, ao contrário do que os iluminados garantem mais ou menos abertamente, o problema político português, que se revela na mais gritante falta de qualidade da nossa Democracia, não está, definitivamente, no nosso generoso e pacientíssimo Povo. Resta saber até quando…

O nosso problema político está na falta de Confiança dos Cidadãos perante o verdadeiro descalabro nacional que todos vêem e calam. Existe ao nível legislativo e ao nível do sistema de Justiça, donde deriva essa falta de qualidade. Quase tudo pode acontecer e quase tudo pode fazer-se à sombra da política. Desde que tudo seja feito de modo formalmente inatacável, ninguém é responsável por nada e tudo é possível. Até porque a inversão do ónus da prova, designadamente ao nível do crime de enriquecimento ilícito, como frequentemente é solicitado pela mais alta magistratura, sistematicamente nunca assumiu força de lei na Assembleia da República…

O problema-chave está, portanto, no controlo invisível (?) que é exercido sobre os partidos políticos em geral e sobre a sua acção política. Centralmente, a partir de Lisboa !  Mas também com seguidores imitatórios regionais e locais, estruturais e pessoais. Está na falta de capacidade de regeneração dos partidos políticos em geral, e mais concretamente dos partidos do chamado “arco do poder”, que se comportam como verdadeiros elefantes glutões e macrocéfalos – e tão frequentemente acéfalos… – preferindo os sucessivos grupitos dos seus minoritários controleiros legalistas de serviço quase sempre mudar as ansiosas moscas que se vão pondo a jeito, de modo a manter sempre o mesmo tipo de ideias-chave vendidas num embrulho de falsos e ultrapassadíssimos dualismos característicos da política do passado que descambam sempre no mesmo: um brutal saque ao erário público, por via do negocismo e do falso e encenado debate político, com raríssimas excepções quase sempre a funcionar como um gigantesco biombo para os mais secretos  e inconfessáveis interesses financeiros, penalizadores da generalidade dos Portugueses. O que, ainda para mais e como facilmente esta crise mundial demonstra, é contraproducente até sob o ponto de vista desse tipo de interesses.

Chegamos pois ao final da 1ª década do séc. XXI com um défice público de 100% do PIB e com quase 7 em cada 10 portugueses a dependerem directa ou indirectamente do Estado…

Quero no final desta campanha que já se consubstanciou num inesperado sucesso em vários aspectos, e tão resumidamente quanto o tempo mo permite, explicitar aqui porque apoio a candidatura de Nuno Marques e da Coligação ‘Por Lagos com Todos’ à Câmara Municipal de Lagos, bem como a todas as Juntas e Assembleias de Freguesia.

1. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque a Democracia não existe quando se resume a fazer eleições de 4 em 4 anos, quando ainda há “políticos” que pensam que os programas eleitorais não servem para nada – que ninguém os lê – ou quando os cargos políticos aos quais se concorre são  assumidamente tidos como “prémios de carreira” para as pessoas da “situação”, de modo a atingirem a primeira ou mais uma pensão vitalícia.

2. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque a Liberdade e a Democracia, o Pluralismo, a Transparência e a Justiça não são, nem podem ser tratadas diariamente como se fossem incompatíveis entre si.

Mas também porque esses  conceitos e práticas fundamentais também não são incompatíveis uma administração pública autárquica ao serviço de todos os Cidadãos de Lagos e, muito menos, com Finanças Públicas Autárquicas geridas de modo responsável, com rigor e muito respeito pelo dinheiro dos outros Concidadãos. Nem em tempos ditos “normais”  quanto mais  diante desta monumental crise global que todos sem excepção sentimos e vivemos e que ninguém pode honestamente dizer quando terminará.

(O que sabemos da história económica é que as crises anteriores mais recentes e de menor dimensão duraram entre 2 e 5 anos e que, por outro lado, a economia japonesa está há praticamente 20 anos numa situação intermitente entre estagnação económica e ténue crescimento, tendo passado os primeiros cinco deles a lançar dinheiro sobre os seus problemas estruturais sem sucesso…)

3. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque o volume e a gravidade da informação que, concretamente ao longo dos últimos 4 anos, foi chegando ao meu conhecimento das mais variadas fontes  e origens geográficas é verdadeiramente alarmante. Foram feitos vários alertas por e a algumas pessoas, mas a insensibilidade política e a expectativa de segurança financeira “eterna” que existia e que terminou face à nova realidade portuguesa e global, impuseram-me como inadiável esta humilde participação política no processo autárquico de 2009 da cidade que amo e onde nasci:  Lagos.

Muito pela positiva, com escassíssimos meios e sem qualquer tipo de menosprezo pessoal por alguns – poucos – amigos de sempre que apoiaram o nosso principal adversário político nestas eleições locais.

4. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque recuso que Lagos, a antiga capital do Algarve e a capital do Barlavento Vicentino do Algarve, seja comandada politicamente com um espírito  dramaticamente provinciano,  seguidista  cego, inconsciente e feliz para com tudo o que vem de fora, designadamente da capital do nosso país.

Ainda por cima não apenas abdicando como negando expressamente uma centralidade de séculos, como é a de Lagos, o que é muito gravemente danoso para a concretização do nosso desenvolvimento  local e regional que queremos e seremos capazes de concretizar, agindo de uma vez por todas a partir do nosso extraordinário potencial imaterial, material e humano. É o que sei que todos, sem excepção, queremos desde sempre !

5. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque se impõe agir racionalmente contra contra esses nossos inimigos comuns que são a Sazonalidade e esse estúpido e paradoxal Centralismo sucessivo que asfixia invariavelmente um país inteiro há décadas, senão séculos.  Com muita clareza, frontalidade e racionalidade.

Mas sem quaisquer submissões a qualquer tipo de poder que não seja o dos Cidadãos Eleitores de Lagos e do Algarve, respeitando em quaisquer alterações estruturais decididas ou por decidir a inalienável defesa dos seus/nossos interesses concretos.

O que não só não tem acontecido, como tem demasiado frequentemente sido ignorado e até confrontado. Sistematicamente, com um inconcebível desprezo pelos que menos sabem e menos podem…

6. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque esta candidatura tem por base um Programa Eleitoral denominado “101 Medidas e Ideias para Lagos“, necessariamente muito detalhado e integrado, coerente, resolutivo e útil para TODOS OS CIDADÃOS DE LAGOS, independentemente das suas opções políticas. É o resultado de um conhecimento profundo da Cidade, da sua História passada e recente, assim como de uma inegável experiência de dois mandatos como vereador não remunerado e sem pelouro executivo. Esse é o “caderno de encargos” de que a realidade de Lagos precisa urgentemente para os próximos anos.

7. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque conseguiu reunir e assumir uma liderança  em diálogo frontal, sem ambiguidades nem favorecimentos pessoais, no seio de uma equipa de Cidadãos muito plural, profissionalmente competente e motivada, com provas dadas fora da política e que  dela não precisam para nada. Estão, quando muito, entre os primeiros que quiseram e puderam evoluir de um desinteresse e de uma apatia cívica generalizada que se instalou em Lagos, não para esse tal silêncio do passado que tudo consentia, mas para uma muito vincada indignação motivada pelo conhecimento de factos absolutamente anormais, profundamente anti-democráticos e extremamente lesivos do bem comum e dos direitos muito concretos dos Lacobrigenses.

8. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque Lagos tem uma História, porque a nossa Cidade já existia antes de o presidente da câmara que agora termina o seu 2º mandato o ser e porque, naturalmente, continuará a existir e respirará muito melhor com Nuno Marques, recuperando de uma gestão financeira surpreendentemente desastrosa – e ainda não totalmente avaliada – para um período de um verdadeiro desenvolvimento harmonioso,  socialmente integrado e integrador, economicamente sustentado e diversificado, dinâmico e ao serviço de Todos os Cidadãos e Empresas, independentemente das suas opções políticas e áreas de actividade.

9. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque os Cidadãos de Lagos querem ter, podem ter e terão um futuro livre do efeito da sazonalidade, sem dependência exclusiva do Turismo. Conseguiremos assumir todos os nossos méritos e desenvolver os nossos projectos de vida sem estarmos submetidos a tiranias exercidas para dentro nem constarmos as mais inesperadas submissões aos mais diversos centralismos negocistas em nosso nome que, essas sim, comprometem o nosso Futuro colectivo. Isso sim, é que é o Passado !

10. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque chegámos todos ao ponto no tempo em que nada pode ficar como dantes perante uma realidade que já mudou completamente.

11. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque um bom autarca não é aquele que precisa de ser submisso nem de ter a protecção de qualquer Governo central. Um bom autarca é aquele que sabe que pode dar o melhor de si num contexto tão grave e difícil como é o presente e o futuro se nada entre nós mudar, mas também sabe que precisa do apoio e da solidariedade activa dos seus munícipes, sabendo ouvi-los em permanência. Por imperativo constitucional, mas também porque a realidade mudou e continuará a mudar muito rapidamente.

NUNO MARQUES e a sua Equipa têm este perfil.

As grandes dificuldades não se ultrapassam com pequenos passos. Muito menos em bicos de pés silenciosos e lesivos do bem comum.

A MUDANÇA A SÉRIO de que Lagos precisa consiste em combinar visão e persistência com espírito de serviço. Inovação com realismo. Respeito pela diferença e pela Liberdade e os Direitos de Todos. Tendo sempre como beneficiários centrais da acção política no governo da Cidade os seus Cidadãos e as suas Famílias bem como as suas Empresas. Independentemente das suas legítimas opções pessoais e políticas.

QUEM MANDA NA CAMARA MUNICIPAL DE LAGOS EM DEMOCRACIA É E SERÁ SEMPRE

O CIDADÃO ELEITOR DE LAGOS !!!

Há pessoas que se esqueceram desta realidade elementar.

VOTAR É REASSUMIR A ESPERANÇA DE SERMOS LIVRES !

SEJA QUAL FOR O SENTIDO DO VOTO DE CADA UM,

QUE NINGUÉM FIQUE EM CASA !

NUNCA COMO NO DOMINGO VOTAR FOI TÃO IMPORTANTE PARA TODOS !

NA MINHA LIVRE OPINIÃO,

A MUDANÇA DE VERDADE PARA LAGOS CONSISTE EM VOTAR NA COLIGAÇÃO

vota

ELEGENDO

-

NUNO MARQUES

PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL

-

NUNO SERAFIM

PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL

-

SAUL BAPTISTA

PRESIDENTE DA J. F. DE SANTA MARIA

-

JOSÉ NOBRE

PRESIDENTE DA J. F. DE SÃO SEBASTIÃO

-

MARCO SILVA

PRESIDENTE DA J. F. DE BARÃO DE S. JOÃO

-

CARLOS VIEIRA

PRESIDENTE DA J. F. DE BENSAFRIM

-

MANUEL MATOS

PRESIDENTE DA J. F. DA LUZ

-

DINA NETO

PRESIDENTE DA J. F. DE ODIÁXERE

-

Saudações Democráticas a Todos !

Viva a Democracia! Viva a Liberdade!

Viva a Cidade de LAGOS!

VIVA A REGIÃO DO ALGARVE !

VIVA PORTUGAL !

José Borba Martins

SOBRESSALTO E INCERTEZA

In Local, Nacional, Regional on 21/07/2009 at 12:01 am

luz ao fundo tunel

Desde que de mim me lembro tenho, como tanta gente, uma admiração especial pela tão maltratada Arte do Circo. O meu coração chegou mesmo a bater de amores por uma trapezista de circo ainda não teria eu dez anos, muito precoces como todos os destas bandas do barlavento. O circo estava ali na avenida e era um dos momentos altos da feira, assim como essas saudosas peças da Companhia de Teatro de Rafael d’Oliveira que, com um impressionante barracão desmontável em madeira, andava “pela província” a servir Cultura…

Claro que, já premonitoriamente em relação a outros doutra natureza, aquele amorzinho foi platónico e, como tal, apesar de todo o esforço cénico circense, nada socrático…De pouca conversa. Mas também graças à natureza do aparelho e ao buraco nas lonas o primeiro dos espectáculos foi visto de baixo e de fora, tal qual este enredo colectivo em que navegamos todos. Ainda pensei em partir com ela, até podia integrar o circo. Como palhaço, já que são muitos, gordos e magros, sempre danadinhos para essa misteriosa brincadeira encenada de encher a barriga de rir a quem lhes paga o bilhete. E chorar também, o que é a arte suprema de um palhaço que se preze. Se calhar não eram palhaços de formação, que a escola da Tété viria mais tarde. Mais um também não ia fazer diferença de maior. Mas, obviamente, fiquei. Também porque não tinham palhaças, coisa de que mais tarde percebi a razão, aliás ainda actual.

Já um conterrâneo nosso ali da Luz resolveu partir. Uns anos mais tarde. Porque conheceu uma incrível ex-bailarina inglesa nessas estias maratonas namoradeiras do tempo. Apesar de ter quase mais 50 anos que ele, dançavam até deitar fumo e depois, sempre muito agarradinhos, ela como se não houvesse amanhã – pudera – aos linguados forçados nesse tempo dos slows duas vezes por noite, ainda e sempre com ele olimpicamente nada impressionado com o aspecto algo calcinado, digamos assim, daquela misteriosa senhora que pagava tudo. O facto é que tresandavam os dois um mesmo cheiro esquisito, misto de flores podres com sabonete Lux. Aquilo intrigava-nos mesmo, dequal deles vinha aquilo e donde? Talvez falta de pressão na água lá em casa dela… Mas o melhor estava p’ra vir. Confidenciou-nos o maroto aqueles que se tornaram nos dois maiores “segredos” desse nosso Verão na Cidade: ela era virgem, com quase setenta anos de idade imagine-se… O outro segredo era de rebolar quem o ouvia: é que, da primeira vez que dormiram juntos, ela já recuperada da líbida canseira confidenciou-lhe que sensação mais forte que aquela só a que ela tinha sentido quando alguns anos antes tinha tido uma primeira trombose…

Casaram, não tiveram filhos e viveram muito felizes. Mas não para sempre, que ela faleceu-lhe poucos anos depois. A ele faleceu-lhe a pobreza. Voltou à terra, exibiu a riqueza e foi-se embora outra vez. Um rapaz esperto – dizia-se. Mas o misterioso odor nunca o abandonou…

Para sempre, para sempre… só m’alembro de ouvir falar do “sempre em pé”, aliás do Sr. Adelino que tinha uma metalomecânica ligeira aberta ali para os lados da Graça. Após o seu último suspiro o bom do médico vizinho que lhe fez a autópsia, perante a dimensão de tão raro bicho zarolho, não resistiu a surripiá-lo por um dia com a ideia peregrina de o levar para casa em formol num frasco para o mostrar à mulher.

Má ideia! É que a mulher, amantíssima esposa, ao ver entrar o marido em casa com o capitão zarolho do outro no frasco, como que embalsemad’, disparou essa tão repentina como célebre expressão de espanto, já num misto de saudade e horror pela surpresa de tão grande perda:  «Aaaaiii querid’, na’ me digas que morreu o Senhor Adelin’…»

Separaram-se para sempre. Afinal, fazendo justiça à alcunha do sobredotado finado.

Conclusões:

Há risos que dão vontade de chorar e lágrimas que dão vontade de rir.

Tal como na morte do grilo, os amores da praia ficam enterrados na areia.

A verdadeira amizade não tem preço, vive de provas e prova-se na adversidade.

Senso comum num grau incomum é o que o mundo chama de sabedoria.

Se queres conhecer o futuro, olha para o passado.

Dinheiro pode comprar pão mas não compra gratidão.

Não te felicites pelo dia de amanhã, pois não sabes o que o de hoje vai gerar.

As piores malandrices consistem em nem sequer os seus autores perceberem que as cometem.

O pior uso que se pode fazer da Liberdade é abdicar dela.

A máxima perversidade é pôr as leis ao serviço da injustiça.

A injustiça feita a um, é uma ameaça para todos.

Rei iletrado não é mais que um jumento coroado.

O que hoje parece, amanhã perece.

A luz que te dizem ver ao fundo do túnel pode ser a do comboio…

o

José Borba Martins, Lagos-Algarve

ALGARVE: DESEMPREGO DUPLICOU.

In Local, Nacional, Regional on 18/07/2009 at 1:50 am

desempregoAlgarveMaio2009_pub7-2009JN

«Se a falta de trabalho atinge, genericamente, todo o país, uma zona em concreto destaca-se pela gravidade do aumento do desemprego: o Algarve. De um ano para o outro, dos 16 concelhos do distrito algarvio, o desemprego aumento em 12.

E em quatro – Loulé, Lagos, Vila Real de Santo António e Albufeira – o número de pessoas inscritas nos centros de emprego mais do que duplicou.

Vítor Neto, presidente da Associação Empresarial do Algarve, ilustra o problema com um dado: neste semestre, o aeroporto de Faro recebeu menos entre 100 a 120 mil turistas do que nos primeiros seis meses do ano passado. Se cada um passasse cinco dias no Sul, estariam perdidas 600 mil pernoitas.

A ausência de turistas ingleses ou alemães foi parcialmente compensada pelo aumento do número de portugueses, mas o tipo de turismo é diferente, diz Vítor Neto, desde logo porque são mais frequentes pequenas estadias e não férias grandes.

Mas, tal como no resto da economia portuguesa, a crise do turismo no Algarve não resulta da recessão mundial, já vem de trás.

Todos os anos, entram em Portugal perto de 12 milhões de turistas, número que não tem aumentado nos últimos anos.»

JN 18.07.2009

PELA REGIÃO AUTÓNOMA DO ALGARVE

In Local, Nacional, Regional on 06/07/2009 at 11:17 pm

” O NOSSO ALGARVE “

PETIÇÃO PÚBLICA

PELA

REGIÃO AUTÓNOMA DO ALGARVE

-

(esta petição pública está disponível online , também circula fisicamente em papel e será objecto de envio à Assembleia da República Portuguesa, à Presidência do Conselho de Ministros e à Presidência da República Portuguesa).

ESTA DEMOCRACIA PORTUGUESA MORREU. QUEREMOS OUTRA. EM LIBERDADE (III)

-

O Algarve é a única região de Portugal, para além dos Açores e da Madeira, que é reconhecida como região natural por todos os Cidadãos Portugueses.

Pelas características geográficas, mas também pelas culturais e pelas económicas. Também por outras, menos evidentes, mas também importantes.

Nós  somos Portugueses e não estamos aqui nem para brincar à política nem para argumentar falaciosamente acerca de graus de portugalidade de cada uma das regiões e cidades do nosso país.

A riqueza do Algarve não está na sua dimensão física, mas em factores como a unidade na diversidade de uma memória histórico-cultural riquíssima com séculos de existência. Assim como nos nossos recursos naturais, na criatividade e nos mais variados saberes e competências dos nossos recursos humanos, sem esquecer a posição geográfica única no território continental de Portugal.

Sem esquecer o tão fundamental Mar, que daqui Portugal soube cumprir, mas que estupidamente tarda em assumir-se como imperativo estratégico de inestimável potencial económico para o nosso país.

Nós, os subscritores desta petição pela Região Autónoma do Algarve, acreditamos que o facto de sermos portugueses não pode anular o que sentimos como diariamente essencial na nossa massa do sangue e na nossa realidade pessoal e colectiva ao longo de décadas, senão séculos:

SOMOS ALGARVIOS  E,  COMO TAL,  SOMOS PORTUGUESES.

NÃO  O  CONTRÁRIO.

Não temos que ser comandados politicamente por Lisboa nem migrar para a capital para sermos Portugueses Algarvios. Esse tempo já acabou há décadas, ao contrário do que os sucessivos responsáveis pela inércia organizacional do Estado Português nos queiram sempre fazer crer.

Somos Portugueses aqui e queremos que tal realidade seja definida estruturalmente num quadro de direitos políticos que não cabe numa mera região administrativa, mas que será próprio de uma Região Autónoma. Responsavelmente, sem aventureirismos mas também sem mais teatros trágicos nem mais perdas de tempo. De uma vez por todas, com clareza e frontalidade.

Mas também sem paternalismos por parte de quaisquer figurantes que persistam em ser parte do grave problema que o Algarve hoje indiscutivelmente é e cuja resolução estrutural e qualitativa é urgente há demasiado tempo para que tudo continue na mesma.

Rejeitamos hoje, como rejeitámos antes e como rejeitaremos sempre, por muito que tenhamos sido obrigados a viver calados nesse contexto, o subjacente quadro dessa tão complexada e por demais presunçosa espécie de “tutoria política de menores” com que o poder centralista de Lisboa vem brindando o Algarve e o resto do país ao longo de gerações e gerações, sob as mais diversas, complexas e sedimentares molduras legais.

Sempre com recurso aos mais variados tipos de caciquismos activistas da extorsão sistemática dos nossos recursos naturais, financeiros e humanos para alimentar essa cada vez maior, despudorada – e agora falida – gula estrutural e centralista de Lisboa.

Perante os factos e os resultados a que já chegámos – o tempo apenas agravará e evidenciará mais a pintura – este é o momento de sabermos pacificamente manifestar a vontade e conseguir evoluir para uma realidade diferente – a nossa, decidida e governada por nós – com vantagens mútuas, quer para o Algarve quer para Portugal, no âmbito de uma indiscutível e evoluída unidade nacional.

A manutenção e reforço da Unidade nacional só é possível na Diversidade e na Autonomia e não nesta Unicidade de um sistema político-económico objectivamente corrupto, falido e disfuncional em que qualquer Cidadão que não viva no Estado, do Estado e para o Estado não consegue evoluir: nem pessoalmente, nem profissionalmente, nem com a mais pequena das empresas.

Em que, mesmo no Estado, todos somos coagidos a prestar vassalagem aos sucessivos Centralismos Provincianos instalados em Lisboa.

Não serão necessários alongamentos em detalhes teóricos conceptuais, ou até de índole político-partidária, para constatarmos a real unanimidade regional existente quanto ao reconhecimento da eternamente adiada concretização do potencial económico que o Algarve intrinsecamente contém, como nas mais dramáticas consequências produzidas por várias décadas de ausência – ou distorção – de reais modelos de desenvolvimento económico sustentado.

Em ambas as situações – e mais existem – a marca de proveniência é simples. É a do Centralismo macrocéfalo de Lisboa que, de modo deliberado, claro e permanente:

- opta por adiar o desenvolvimento do Algarve, preterindo sistematicamente os nossos tão necessários investimentos estruturantes regionais de pequena e média dimensão a favor de investimentos noutras paragens, como é por demais evidente no caso das estruturas ferroviárias, rodoviárias, aeroportuárias e portuárias assim como nos domínios da Saúde, no Ensino, na Educação, na Justiça e na Segurança, perpetuando a nefasta sazonalidade e a perigosa dependência da mono-cultura Turismo.
Alguém acredita ainda que devemos continuar à espera dos restos das receitas que o Algarve gera para efectivar um desenvolvimento sustentado e verdadeiramente integrado de toda a região, designadamente de zonas como o barlavento vicentino ou o desesperado interior do Algarve?

- recolhe centralmente as tão apetecidas receitas do Turismo, essa única “exportação” interna de Portugal, insistindo em alargar o peso do Estado também nesta desgraçada economia algarvia, em vez de agilizar procedimentos, reproduzindo o mal geral quanto às indefinições, às opacas complexidades e aos vários descontrolos operacionais que, sendo favoráveis a alguns – por via tanto dos já célebres PIN’s como de outros estrategemas matriciais urbano-rurais e perequacionais – impedem, em última análise, a libertação da sociedade civil algarvia para um desenvolvimento económico e social livre e diversificado que sempre almejou, assente nos seus potenciais gerais próprios e nos potenciais específicos das suas sub-regiões.
Até quando continuarão os algarvios a permitir a fuga das receitas fiscais próprias da Região do Algarve para outras regiões, onde têm as suas sedes sociais as empresas que aqui facturam e geram lucros?

- torna quase impossível qualquer esforço regional ou autárquico de captação de investimento directo estrangeiro a esbarrar em desmotivadoras e pouco transparentes complexidades formais, sempre muito solicitamente geridas por mais uma estrutura centralista não eleita – uma “agência de investimento”… – a qual, munida dos mais variados pareceres e assessorias jurídicas e claramente controlada politicamente pelo governo central de que depende, vai recomendando localizações, facilitando processos burocráticos e negociando contrapartidas fiscais centralizadas marcando, ainda por cima, a agenda dos investimentos privados externos – como se não bastassem os públicos internos – em sucessivos anúncios nos grandes media em função do marketing político do poder central e não em função dos reais interesses regionais e locais do Algarve.
Na melhor das hipóteses, concretizam-se mais os anúncios que os investimentos, estes como facto consumado sem a mínima intervenção decisiva quer por parte do poder local democrático quer por parte da generalidade dos cidadãos da Região do Algarve.
Até quando permitirão os algarvios que dure a obrigação de ir ao beija-mão centralista de Lisboa para trazer investimento directo estrangeiro para a sua Região do Algarve?

Estamos no primeiro terço do Verão de 2009.

Para a maioria os Algarvios esta é a época de ganhar o suficiente para resistir o resto do ano, mas este é também o ano de quase todas as eleições portuguesas.

Também por isso, este é o momento certo para requerer com firmeza e sem ambiguidades a institucionalização da Região Autónoma do Algarve. Esta é a configuração política através da qual o Algarve quer e pode libertar-se do centralismo estatal de Lisboa, de modo a acelerar a sua própria recuperação económica, nessa medida contribuindo também para um Portugal diferente e mais dinâmico, que todos desejam seja o que venha a emergir da gravíssima situação económico-financeira actual.

Ao produzir e subscrever esta Petição pela Região Autónoma do Algarve damos voz e somos parte das inúmeras vozes de um sentimento histórico comum, natural e sentido pela maioria dos Cidadãos do Algarve.

Libertamo-nos das eventuais acusações de oportunismo, porque o pior das consequências da desorganização nacional – se nada mudar – ainda está para vir.
Não podemos ser acusados de pretender levantar questões adormecidas, porque esta questão da Regionalização – administrativa ou autónoma – já foi objecto de debate político do qual, afinal, apenas saiu reforçado o bloqueador centralismo macrocéfalo da Capital.

Não podemos ser sequer acusados de qualquer tipo de separatismo ou de pretender instituir partidos regionais o que, de resto, está interdito constitucionalmente, porque somos dos portugueses que escolheram ir descobrir e porque o que propomos é que todas as forças do espectro político, sem excepção, se dignem debater e concretizar esta verdadeira urgência organizacional, seja na óptica da Região do Algarve seja na de Portugal.

O Algarve, relembramos, é a única região de Portugal – para além dos Açores e da Madeira – que é reconhecida como região natural por todos os portugueses.

Solicitamos, aqui, a melhor atenção do Senhor Presidente da República, que é um Algarvio, do Senhor Primeiro-Ministro, dos líderes e de todos os militantes dos Partidos Políticos a nível nacional no sentido de se dignarem posicionar quanto à Região Autónoma do Algarve e também quanto ao processo de Regionalização em Portugal.

Solicitamos, aqui, que todos os Partidos Políticos – todos sem excepção – considerem urgente a inclusão do tema da institucionalização da Região Autónoma do Algarve no debate político – designadamente no âmbito das eleições legislativas e autárquicas de 2009 – quer restrito ao tema quer mais alargado ao contexto da Regionalização Administrativa ou Autónoma de Portugal.

São os Cidadãos do Algarve e os Cidadãos de Portugal que, ao subscrever a presente petição, exigem uma Região do Algarve politicamente autónoma, única ou integrada no primeiro tempo de um urgente processo de Regionalização Autónoma de Portugal como forma de ultrapassar o mais grave momento da História de Portugal: O PRESENTE, o que vivemos diariamente.

Se nada mudar neste sentido, Portugal, a mais antiga nação da Europa, com a mais forte probabilidade, desaparecerá como o Estado Independente em que todos nos reconhecemos.

Este é o tempo de partirmos para um Novo Descobrimento, agora participadamente assumido pelos Cidadãos portugueses ou estrangeiros, algarvios de origem ou de adopção, residentes na Região do Algarve ou em qualquer outra, que reconhecem a imperatividade e a urgência da Regionalização em Portugal como parte da solução para a terrível e dramática situação em que o país se encontra.

De novo a partir do Algarve, temos agora que saber descobrir, já não novos mundos, mas um novo Portugal, reinventando um país que seja realmente democrático, socialmente justo e seguro, inovador e dinâmico, respeitador dos valores ambientais e multi-culturais, dotado de um sistema político-económico rigorosamente transparente e de um sistema de justiça célere e útil, sistemas esses que sejam tecnologicamente competentes e eticamente inquestionáveis.

Os Cidadãos do Algarve e de Portugal que subscrevemos a presente petição acreditamos que esta inequívoca manifestação de vontade política será decisiva para a institucionalização da Região Autónoma do Algarve como primeiro passo para a concretização da Regionalização em Portugal.

Os que queremos e acreditamos que Portugal pode continuar a ser um país economicamente viável e independente !

Dificilmente o será sem o contributo da Região Autónoma do Algarve !

PELA REGIÃO AUTÓNOMA DO ALGARVE,
PELA REGIONALIZAÇÃO AUTÓNOMA DE PORTUGAL,
PELO BEM COMUM,
VIVA A REGIÃO AUTÓNOMA DO ALGARVE !
VIVA PORTUGAL !

6 de Julho de 2009

Os Signatários,

José Borba Martins, Lagos

Paulo Rosário Dias, Lagos

Tiago Ventura, Olhão

Marcos Quitério, Olhão

Mário Lázaro, Faro

José Augusto dos Santos Silva, Hamburg

António Fernando Mendes da Cunha, Faro

Alberto Belchior Silva Cabrita, Lagos

Mário dos Santos Nunes Januário, Lagos

José António Barroso, Lagos

Joaquim José Bento Rocha, Lagos

Amândio Ferreira Furtado, Lagos

Lúcia Wilson, Lagos

José António dos Reis Cravinho, Lagos

Fernando Vidal dos Ramos, Lagos

Noémia Carvalho, Lagos

Leonildo Martins de Almeida, Lagos

Arménia Santos, Lagos

Sandra Maria Batista Bento, Lagos

Vera Soares Rodrigues, Loulé

Carlos Figueiredo, Lagos

Eduardo Lopes Taquelim, Lagos

Conceição Simões, Lagos

António Glória Simões, Lagos

Carlos da Silva, Lagos

Mauro André de Jesus Campôa, Lagos

Catarina Glória, Linda-a-Velha

Felisberta Simões, Alcoitão

Ricardo Góis, Lagos

Cândido Ventim Sánchez, Ôurense – Galiza

Luis Lopes, Portimão

Marcolino I. Marreiros, Faro

Rita Maria da Luz Jorge, Faro

Sérgio Costa, Funchal

Luís Guerreiro, Portimão

Celso Costa, Quarteira

Luís Bernardino, Vilamoura

Bruno Silveira, Quarteira

Júlio Mariani Guerreiro, Portimão

AS EUROPEIAS 2009 E O VOTO EM BRANCO

In Local, Nacional, Regional on 04/07/2009 at 10:30 pm

boletim-de-voto-europeias2009_

Já quase tudo foi dito acerca dos resultados da eleições europeias. Por uma vez, e perante a clareza desses resultados, todos os que ganharam tiveram razão e o único partido que perdeu teve a lucidez de reconhecer a sua derrota.

Lamentavelmente, para a fenecente democracia portuguesa, não foi devidamente comentado o fenómeno do ‘Voto em Branco’, optando-se quase sempre pelaa conversa do costume sobre os níveis da ‘Abstenção’ que, diga-se de passagem, teve o seu máximo parcelar nuns paradigmáticos 97,12% no ‘Estrangeiro’ (71 consulados) sendo que no total global foi de 63,26%.

Refira-se que no caso do partido ganhador (PSD) os 31,71% obtidos correspondem a apenas 8,58% do total de Eleitores inscritos.

Não, não é lapso, para ganhar eleições em Portugal nem é preciso ter 10% do total de eleitores inscritos! Ao que chegámos…

Como se fosse preciso, e não é perante tanta aberração, este é apenas mais um sinal da falência deste modo de organizar o regime democrático, deste sistema político.

Quanto aos 4,63% do ‘Voto em Branco’ em 2009 (2,56% nas Europeias 2004) verifica-se que por distritos o Top 3 foi de Leiria (7,07%/3,60%), Coimbra (6,17%/3,31%) e, ex-aequo, Faro (5,59%/3,07%) e Santarém (5,59%/2,91%). Uma realidade que ninguém honestamente poderá ignorar.

Nos Açores e em Leiria o VeB deixou para trás um dos 5 “grandes partidos” (PCP) tendo em Coimbra ficado praticamente empatado com um deles (CDS-PP).

No Algarve, o Top 3 verificado foi  S. Brás de Alportel (7,22%/3,70%), Lagos (6,78%/3,79%) e Monchique (6,74%/3,67%).

Deve referi-se que a Comissão Nacional de Eleições emitiu um esclarecedor documento, que anulou o argumento que foi posto a circular segundo o qual  sempre que o total de ‘Votos em Branco’ for superior ao total dos votos também validamente expressos dos partidos concorrentes, as eleições seriam automaticamente anuladas e haveria lugar a novas eleições em que nenhum dos candidatos às eleições anuladas se poderia recandidatar.

É pena que a CNE tenha reagido tão tarde -  a menos de uma semana da data das eleições – e com uma ausência de difusão nos grandes media…

Será talvez excessiva a interpretação de que tal se tenha devido talvez à espectativa de que a abstenção e o voto em branco favorecesse o partido do governo, mas que lá que pareceu, pareceu..

Existiu realmente um erro nessa informação que foi posta a circular, que é incorrecta mas que apenas invalida a hipótese de anulação das eleições. Mas não invalida o significado do voto de quem quer votar em branco, por muita falta de enquadramento legal que exista. E pelos vistos existe, quer em Portugal, quer ao nível europeu.

Todos sabemos que esta é uma questão polémica. Uma breve busca que fiz evidencia várias coisas sobre o ‘Voto em Branco’, de que destacaria as seguintes:

- é um voto onde para além dos desse tipo cabem os originários de todos os quadrantes, nomeadamente os que consideram que o sistema político e eleitoral vigentes não servem os interesses da Democracia. Esta creio ser a interpretação mais certa para com a incrível evolução do ‘Voto em Branco’ nas eleições europeias 2009 em Portugal.

- não é mais um inútil voto de protesto classificável politicamente deste ou daquele quadrante, apesar de originariamente ser um voto considerado de extrema-esquerda ou anarquista.

- é uma afirmação inequívoca de não querer nenhum dos candidatos e de protesto perante o sistema político e/ou eleitoral. O ‘Voto em Branco’ não oferece dúvidas. Está em branco, alternativamente, porque não se quer escolher nenhuma das listas ou candidatos.

- está claramente mal regulamentado em Portugal, onde ninguém fala no assunto, existindo grupos de pressão criados a nível comunitário que insistem em que seja incluída uma quadrícula como opção de voto, denominada NOTA (None Of The Above) em todos os boletins eleitorais. Este método está perfeitamente implantado como procedimento standard em países como Espanha, França, Grécia, Ucrânia e Colômbia. A Rússia tinha esta opção disponível até que foi abolida em 2006… Quando a opção “Voto em Branco” (NOTA) está listada no boletim de voto existe a possibilidade teórica de receber uma maioria simples dos votos. Em tal caso, existem várias opções que podem ser previstas na lei, de entre as quais ressalta a reabertura de novo processo eleitoral, com novos candidatos, mais comum num quadro operativo parlamentar.

É ainda oportuno relembrar também o que o insuspeito Prof. Luís Campos e Cunha, ex-MF do actual Governo Sócrates… e presidente da Sedes diz a este respeito:
«… o voto em branco – ou deliberadamente nulo – é, do meu ponto de vista, um voto que me merece a maior consideração. É de alguém que se deu ao trabalho de não ir à praia, que participa na democracia mas que não se revê nos partidos e nas pessoas que se apresentam a votos. O voto em branco é um voto de protesto contra essas pessoas e esses partidos, em concreto. Mas não é um voto contra a democracia ou contra os partidos, em geral, como é a abstenção. Infelizmente, o nosso sistema eleitoral não distingue as duas situações. (…) O voto em branco – não a abstenção – é um voto politicamente consciente e deveria estar parlamentarmente representado por ninguém.»
«…espero que um dia, o nosso direito cívico e consciente de nunca nos abstermos mas poder votar em branco, se tal for necessário, seja reconhecido parlamentarmente com uma cadeira vazia. É que uma cadeira, vazia e silenciosa, gritaria mais alto que muitos políticos bem conhecidos. Mas o importante é sempre votar.»

É claro que quase todos os Eleitores esperam ver motivos claros para não se ficarem pelo ‘Voto em Branco’  (ou pela ‘Abstenção’ ) mas, neste momento, num contexto de 3 eleições num ano… e perante o que considero ser a mais evidente, grave e perigosa desadequação do sistema político e eleitoral, não dizendo que optar pelo “partido branco” seja uma luta no sentido lato da palavra, considero continuar a ser uma posição tão adequada e legítima como qualquer outra opção de voto.

Por mim, a menos que algo de muito positivamente diferente ocorra, votarei em branco nas eleições legislativas e autárquicas em 2009 !

José Borba Martins, Lagos – Algarve

-

post-post (25.Set.2009)

Um comunicado pouco difundido da CNE, de que tive conhecimento após as eleições europeias, veio esclarecer que esta opção de voto não está convenientemente regulamentada em Portugal.

Continuo a subscrever o que escrevi neste post, não sou filiado em qualquer partido político e, perante a gravidade das situações local, regional e nacional, quero aqui deixar escrito  que:

- nas ELEIÇÕES LEGISLATIVAS de 27 de Setembro VOTAREI  PSD !!!

CONTRA  JOSÉ SÓCRATES.

- nas ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS de 11 de Outubro VOTAREI NUNO MARQUES !!!

CONTRA JÚLIO BARROSO.

___

Informação diversa a respeito do ‘Voto em Branco’ em:
http://tinyurl.com/n6cc34
Artigo de Moita Flores in CM, que contém a informação quanto aos 20% de intenções no voto em branco.
http://tinyurl.com/mntw7b
Artigo de Helder Nunes in Barlavento.
http://ferreirablog.blogs.sapo.pt/22566.html sobre o voto em branco e lugares vazios no parlamento.

2009: EUROPA SIM DESDE QUE SEJA A DA REGRA NEGRA?

In Local, Nacional, Regional on 05/06/2009 at 2:01 am

ppiedade

Já não é a primeira vez que a palavra Socialismo serve para embalar a implantação de uma Ditadura. Historicamente, como todos sabemos, foi assim no caso do nacional-socialismo sob cuja capa foi eleito Hitler na Alemanha. Foi eleito… O contexto financeiro prévio europeu e alemão de então – anos 20 do século passado – mostra claríssimas semelhanças com o panorama financeiro mundial europeu e mundial actuais.

Mais recentemente na Europa, o socialismo, por casamento de conveniência com o capitalismo, evoluiu para um chamado ’socialismo democrático’, por antítese ao ‘comunismo’, passando a esvaziar ou até praticamente anular não apenas todas as opções alternativas à direita e à esquerda como as opções genuinamente socialistas e social-democratas, aquelas pouco ou nada testadas, estas com os resultados unanimemente reconhecidos internacionalmente.

Entre nós, com algumas personalizações assumidas, porque não recusadas pelos próprios, chegámos ao cúmulo de produzir esta inovação de termos passado a viver num contexto dominado por essa coisa que é uma espécie de partido único, apenas formalmente separado em dois partidos só diferentes em teoria mas praticamente iguais, nessa área do chamado socialismo democrático. Continuam ainda hoje a ser designados sem qualquer contestação por PS (socialista) e por PSD (social-democrata), que mais parecem o “Pois Sim” e o “Pois Sem Dúvida” quando a realidade, para além das retóricas, mostra bem que foram e ainda são o mesmo, fizeram e ainda fazem o mesmo e produziram e ainda pretendem produzir o mesmo resultado: o estado a que chegámos e o estado a que chegaremos se nada mudar.

Neste ano das 3 eleições, as europeias de 7 de Junho de 2009 podem muito bem ser o 1º grande sinal da vontade de mudar os actores políticos e se poder dispôr de uma democracia decente, digna e funcional, por parte dos Cidadãos Eleitores.

Essa paradoxal “criação” prática que é o  “partido único bi-partidário“, apesar das tão esporádicas quanto honrosas excepções que apenas confirmam essa regra, é a mais clara constatação qualitativa de que nem sociológica nem politicamente Portugal saiu ainda de um post-salazarismo que urge transmutar com decência mas sem mais branqueamentos nem mais mentiras.

Portugal não é, portanto, nem uma democracia madura, nem responsável nem estável, ao contrário do a generalidade dos cidadãos, dos políticos e dos opinion makers têm como dado adquirido. Longe disso.

Esta constatação indica-nos ainda mais, diz-nos que à macrocefalia do Estado Novo se sucedeu um novo centralismo falsamente esclarecido porque desprovido tanto de princípios como o da mais simples decência e bom-senso, falsamente alternante democraticamente, porque alternadamente o paradoxo revela-se cada vez mais glutão na exploração ilegítima das contas públicas a favor da defesa dos mesmos interesses ocultos e, portanto, por demais evidentemente castrador da eficácia de todas as tentativas de reformas estruturais sucessivas do aparelho do Estado e de qualquer tipo de sustentabilidade, ainda que mínima, do desenvolvimento de Portugal todo.

Não será difícil ver que se o centralismo anterior, bastamente tipificado, mantinha num obscurantismo estupidificante a maioria da população, este centralismo lisboeta v.2.0 – que tem outro sinal no 4,5% do Pib anual de Portugal* gastos em avenças contratadas em nome do Estado com gabinetes de advogados de Lisboa – mantém a mesmíssima tendência para a manipulação estupidificante e de muito baixo nível por parte da maioria dos orgãos de comunicação social e reproduziu-se rapidamente, gerando tantos centralismos regionais ou sectoriais igualmente (não-eleitos) quantos os actores/promotores new-age da engorda posicionados nas bases centralistas, na sua qualidade de mentores migrados na capital, tilintantemente poderosos.

Conseguiram sucessivamente – a História lhes fará essa justiça – produzir esta linda coisa lassa, dormente e verdadeiramente insuportável em que Portugal se tornou.

O Centralismo Estatal lisboeta 2.0 reproduziu-se e conseguiu essa coisa notável que um qualquer sintónico Camões V. 2.0 cantaria, numa outra 2ª estrofe inédita de umas quaisquer “As Pifíades” , mais ou menos assim:

«E também as memórias vã-gloriosas

daqueles féis que foram dilatando

o Pé, o Mistério, e as terras deliciosas

do Minho ao Algarve andaram adiando

e aqueles que por oberas poderosas

se vão da lei da decência emigrando,

roubando roubarão por toda a situação

se a tanto lhes ajudar o partido e a abstenção.»

* Uma breve continha para precisar que os 4,5% do Pib mencionados antes equivalem a 7500 milhões de euros por ano, ou seja, 1500 milhões de contos, ou seja, 6 milhões e duzentos mil contos por dia trabalhado por ano…

É bom que acordemos, porque é do nosso dinheiro que se trata e porque este é apenas um dos inúmeros sinais aberrantes. Porque se os que se locupletam com o manjar financeiro “até se babem…” (muito bom marketing, a propósito), nós por cá pelos Algarves sentimos que…”só nos gozem…”. Até quando?

Pode ser que 2009 marque o princípio do fim desta miséria em que tão poucos insistem em incluir tantos. Se tudo não fosse tão trágico, até daria para rir do que se vê diariamente na comunicação social. Cada vez mais frequentemente parece que o sábio Teatro de Revista do Parque Mayer passou em peso para a Política, ao longo das últimas décadas…  As percepções imediatas revelam logo a dificuldade em identificar quem está no palco ou na plateia. Porque nos camarotes estão quase sempre os mesmos. A rir e aplaudir. Cada vez menos. E cada vez com mais gritantes silêncios. Uma tragi-comédia pegada. Sempre em nome da Democracia e do Povo Português…

Não nos serve de consolação que as aberrações no desempenho de cargos públicos sejam exclusividade portuguesa. De facto, elas desenvolveram-se em vários estados europeus, o que é visível tanto na engorda financeira dos seus utilizadores dolosos como no definhamento económico e financeiro das suas economias, cada vez mais dependentes de produtos intangíveis, o que em tese até nem seria mau, mas que com a desestruturação – e até a venda de períodos de transição, como até aconteceu entre nós…- das actividades do sector primário da economia, desestruturação essa conjugada com as pessoalmente convenientes e decididas mobilidades apressadas e irresponsáveis (válidas só no c/prazo) assumidas pela quase generalidade dos gestores de topo de quase todas as grandes empresas do sector industrial, o mínimo que se pode dizer é que, apesar da gravidade do momento, ainda não produziu os seus resultados todos… Como se tal não chegasse, ainda se intuiu um fatal espírito de permissividade comercial vs. economias que insistiam e insistem em não respeitar os direitos sociais dos seus cidadãos, assunto de muita actualidade…

Resultado: a insustentabilidade dos referenciais inquestionáveis até há pouquíssimos meses.

Os resultados das eleições europeias a nível europeu demonstrarão exactamente que os referenciais tradicionais já mudaram. O resultado do referendo irlandês re-evidenciará essa mudança e, com toda a probabilidade na minha opinião, será Tony Blair o próximo presidente da Comissão Europeia, redefinindo-se um novo “eixo” europeu Reino Unido/Alemanha sob cuja liderança a Europa evoluirá no âmbito de um novo Tratado Constitucional para uma realidade ainda totalmente imprevisível.

É também a esta luz que se pode ler a pressa com que os nossos parceiros na mais velha aliança europeia investigam casos de polícia comuns aos dois países…

Para já uma dúvida, a de saber se o novo objectivo, mais ou menos oculto, será então o de fazer evoluir a UE sob o impulso de uma espécie de ideologia nova, uma involução da chamada “3ª via”, uma espécie de Internacional-Socialismo, rematrimoniando politicamente o Socialismo Democrático europeu tendencialmente falido com um Capitalismo tecnológico descontrolado norte-americano aparentemente salvado pelo efeito especial de imagem Obama…mas não menos falido. Na realidade a economia norte-americana está de rastos e entrará em coma dentro de 3 ou 4 meses, quando a taxa de cobertura da dívida externa americana pelos activos da Reserva Federal chegar a 100%… (este indicador era de 20% há 18 meses, mas já é de 80% por estes dias).

Veremos de longe, neste jardim à beira-mar plantado, a substituição de moedas de referência como o US dólar e o Euro por duas novas moedas ou até mesmo por uma moeda comum? Será esse o contexto subjacente ao pedido de low-profile que o presidente do BCE formulou “confidencialmente” aos governadores dos “bancos centrais” dos países da UE?

Será essa a razão oculta pela qual as campanhas eleitorais para o Parlamento Europeu são a desgraça que se constata quanto a conteúdos relevantes para o cidadão europeu português bem como para os de outras nacionalidades?

Estando em Portugal estamos na Europa… Perante a gravidade da realidade que todos sentimos, nada que tenha impacto na vida da pessoas deve ser decidido sem o conhecimento e o referendo prévio dos Portugueses.

Porque não falam destas questões os candidatos ao Parlamento Europeu?

Concretamente, na campanha eleitoral portuguesa para as eleições do Parlamento Europeu tem ocorrido de tudo menos debate quanto a propostas ou ideias concretas. Com raríssimas excepções, como é o dessa coisa tão bizarra e inoportuna que é a proposta de um imposto europeu. Que não é nova. É preciso ter lata. Vai predominando o Parque Mayer…a plateia agita-se, o palco tem medo, o camarote observa às escuras…exercício difícil.

Tudo de pernas para o ar: saque-se o mais possível aos contribuintes que havemos de arranjar onde gastar? Então e a racionalidade e a parcimónia na gestão dos dinheiros públicos, aplicando os ganhos na redução da carga fiscal, dinamizando assim uma economia predominantemente livre de um aparelho de Estado montruoso e glutão?

E que tal se os candidatos falassem de uma Segurança Social Europeia?

Ou de um Sistema de Pensões Europeu?

Ou de um Sistema Eleitoral comum a todos os países UE?

E se tivessem debatido se – Sim ou Não, para quando e como – concretizar uma União Política?

Ou o que têm feito e produzem as sucessivas a CIGs ? “Anda aí Povo Irlandês, vota ‘Não’ 10 vezes que algum dia votarás ‘Sim’?”

Pior, pior mesmo, só alterar a Constituição na promessa de um referendo e não o fazer, como no caso português.

É esse o caminho, senhores candidatos ao Parlamento Europeu?

Mais questões não abordadas e urgentes para a Europa, e para o Euro?

Aqui vão mais algumas, nada originais e facilmente entendíveis pela generalidade das pessoas, porque são factores da contracção económica que todos sentimos diariamente. Isto não é mera teoria económica, são componentes da realidade que todos vivemos e que devíamos ter visto debatidos na campanha eleitoral ou até mesmo fora dela:

FALTA DE SINCRONIZAÇÃO DOS CICLOS ECONÓMICOS

Porque existe um banco central, com uma única política monetária para todos os estados UE, o BCE segue geralmente a política monetária que é conveniente para a Alemanha, o país maior e mais poderoso da União. É por esta mesmíssima razão que o BCE foi o último dos bancos centrais do mundo a baixar as suas taxas de referência. Consequências: os danos objectivamente desnecessários provocados nos países periféricos, como Portugal…

FALTA DE DISCIPLINA FISCAL ENTRE OS ESTADOS DA UNIÃO EUROPEIA

Não é o imposto europeu que tem interesse para o debate europeu.
O PIGS, como é conhecido o grupo de países europeus que integra Portugal, Italy, Greece e Spain…, é já conhecido internacionalmente como o caso dos caixotes fiscais da Europa. Porquê? Porque enquanto que a França e Alemanha têm sabido manter a sua disciplina fiscal, no grupo PIGS já se aumentou ou terá que vir a aumentar-se a carga fiscal no sentido de se poderem manter como membros viáveis da euro-união monetária. É a esta luz que se vê que a encomenda-proposta de imposto europeu na campanha eleitoral ao PE não é nada inocente, pois destina-se precisamente a testar ainda mais esse cenário. E já não é a primeira vez, pois não Dr. Soares?…

FALTA DE UNIÃO POLÍTICA

A União Europeia só existe no papel. A evidente ausência de união política fez com que, perante a falta de cumprimento dos critérios de sanidade e disciplina económica assumidos nos tratados assinados, essa mentalidade comum tenha sido substituída pela mentalidade de “cada país por si” ou um dramático “salve-se quem puder”…

Com as dificuldades a crescer, aumentam igualmente as tensões de índole nacionalista, que estão a crescer depressa em todos os países da UE. Como disse M. Friedman, «se esse génio sai da lamparina…é o fim do jogo» («If that genie escapes from the bottle, it’s game over»).

E… O CALCANHAR DE AQUILES DA UNIÃO EUROPEIA

Como se os gaps anteriores não fossem suficientemente graves, a “União” tem que lidar com uma gigantesca exposição bancária à Europa Central e de Leste, facto não suficientemente divulgado entre nós.

De facto, esta exposição às falências daquelas paragens é, neste momento, tão grave relativamente a estados como a Ucrânia, a Sérvia, a Hungria e a Polónia que o fenómeno pode atingir instituições bancárias e estados como a Áustria, a Alemanha, a Espanha e até a Suiça (não-Euro)… de tal modo que poderá, com forte probabilidade, alastrar a todos os países da UE de um modo que provocará danos irreversíveis no Sistema Monetário Europeu (€).

Estúpidos, pois, estão a ser todos os que insistem em pensar que os Portugueses são estúpidos. Muito simples. Os factos a que os Portugueses assistem diariamente e os resultados das 3 eleições de 2009 demonstrarão isto mesmo de forma absolutamente inequívoca.

-

Abordando mais um dos temas-tabus (PENSÕES): alguém tem ainda dúvidas que será necessário rever todo o Sistema de Pensões tanto em Portugal como no resto da Europa?  Não é da mais elementar Justiça Social defender uma  simples regra segundo a qual – com excepção dos inequívocos casos de solidariedade social, aliás de baixo valor financeiro absoluto em termos individuais – ninguém possa receber mais do que a capitalização dos descontos efectivos reais capitalizados tendo como horizonte temporal o diferencial entre o momento da reforma e  a “esperança média de vida à nascença”? Ou será normal descontar mil e receber 1 milhão? Quem suporta, e efectivamente pagou e paga? Quantas pensões se podem acumular? Duas, quatro, sete…?

Que pensam disto os políticos candidatos? Defendem que o sistema aplicável ao cidadão comum se aplique também a todos os políticos sem excepção, ou defendem manutenção do sistema actual e andam por aí a testar encomendados aumentos da carga fiscal?

Os Povos da Europa existiram e existirão com ou sem esta União Europeia.

Mas esta União Europeia não existirá sem os Povos da Europa.

Portanto, a UE não sobreviverá se não evoluir rapidamente para uma democracia real, participada, em que a definição de uma união política não tenha que ser uma coisa decretada, mas uma emanação de uma competente reestruturação dos modelos de governance e representação comunitários.

Tanto ao nível central europeu, como ao nível de todos os países integrantes da UE.

Ou será que estamos condenados a decidir como na escolha da côr do carro nos primórdios da indústria automóvel? Se nada mudar, na nossa dimensão portuguesa mas também na dimensão UE, tudo se passará como no caso do Ford T, como se para podermos ter um carro…ele tenha que ser preto ?

Ou seja,no caso da UE, poderemos ter uma União Europeia desde que seja a de uma Liga Negra? Não me parece que seja esse o caminho. Mas é esse mesmo o caminho que está a ser seguido…

É fundamental o trabalho de disponibilizar informação relevante acerca a realidade. Toda a informação é relevante. Todos somos poucos e nenhuma ideia resolutiva pode ser posta de parte. Agora já não por uma questão de humildade intelectual, mas por imperativo de sobrevivência nacional. É disto que se trata, que ninguém tenha dúvidas.

Quanto ao sistema eleitoral português, que dizer? Constata-se de novo que, quanto aos Eleitores e à Abstenção, cá vamos navegando em mais uma interesseiríssima desadequação tecnológica do Centralismo V.2.0.

Afinal, porque é que os eleitores que estão fora da sua área de residência não podem votar onde estão. Deve ser pelo espantoso sistema eleitoral que temos e da tão estreita ligação dos Eleitos aos Eleitores.
Francamente, só se fôr pelo bolso…

Então se um qualquer documento de identificação, como o Bilhete de Identidade ou o Cartão de Cidadão, são válidos em qualquer local do país, porque é que o mesmo não se passa com o Cartão de Eleitor?

Não seria muito mais adequado manter a base de dados nacional dos cidadãos eleitores acessível por todas as mesas de voto, já agora via ‘pc magalhães’…, em que bastasse a exibição do cartão de eleitor para que qualquer cidadão pudesse exercer o seu direito de voto independentemente do local em que o desejem fazer, registando-se a contagem física separadamente por cores de boletins, p.ex., sendo que os que votassem no local de recenseamento o fariam com um boletim de uma cor diferente da côr dos que o fariam fora do seu local de recenseamento?

Parece que a opção anunciada agora para 2013 é maximalista – o voto electrónico – com os problemas bem conhecidos ,mas pouco divulgados, quanto ao mesmo tipo de sistema como foi no caso da 1ª eleição de G.W. Bush, para não falar noutros…

Se realmente se pretende a participação dos cidadãos nos actos eleitorais porque é que o mais simples da tecnologia disponível não se utiliza para pôr os cidadãos eleitores a votar, independentemente da sua localização geográfica no dia de quaisquer eleições?

Isso sim, seria promover efectivamente novas oportunidades: não para aumentar as qualificações dos desempregados camuflando o desemprego…mas para uma Democracia de Verdade, por via de uma maximizada participação eleitoral dos Cidadãos. Já para não considerar outras hipóteses de medidas minimizadoras da abstenção como a obrigatoriedade do voto ou até mesmo a sua remuneração, tal como vigora noutras paragens em regimes democráticos.

Afinal a quem e a que partidos interessa a abstenção e a obsolescência das bases de dados?  Quem é responsável pela sua sujidade? As bases de dados têm que ser limpas sistematicamente, expurgando registos incorrectos, obsoletos e…duplicados. Qualquer adolescente que saiba o mínimo de informática sabe isto.

E depois ainda se tem a suprema lata de sugerir que a culpa da abstenção é dos pobres dos Cidadãos que, como se não chegassem as dificuldades diárias com que se debatem, ainda por cima se pretende que passem por responsáveis pelos crescentemente elevados níveis de abstenção? Isto já nem é demagogia, é outra coisa…

Repito: afinal a quem é que interessa a abstenção e a obsolescência das bases de dados? Que falem os especialistas. Se puderem…

Seremos todos enganados uma vez mais? Pois é, com tanta Alta Autoridade criada para tudo e para nada, designadamente para produzir os mais grossos relatórios vácuos e inconsequentes…pode conceber-se que não exista uma A.A. para os processos eleitorais? Porquê? Fica melhor assim como está, no Ministério da Administração Interna?

Porque é que a responsabilidade da garantia da Transparência e da Justiça quanto ao mais sagrado dos procedimentos democráticos – as Eleições Livres – depende do Governo e não depende, por exemplo, do PGR?
Ao que chegámos, Portugal…

Resta relembrar o que está estatuído nas várias Leis Eleitorais, com excepção da presidencial. Não tendo presente o articulado exacto, aqui fica o essencial que é o seguinte:

Sempre que o total de VOTOS BRANCOS for superior ao total dos votos também validamente expressos dos partidos concorrentes, AS ELEIÇÕES SÃO AUTOMATICAMENTE ANULADAS e haverá lugar a NOVAS ELEIÇÕES EM QUE NENHUM DOS CANDIDATOS ÀS ELEIÇÕES ANULADAS SE PODERÁ RECANDIDATAR.

Que se difunda esta possibilidade legal ao dispôr de todos os Cidadãos Eleitores. Nas circunstâncias presentes é o mínimo que se pode fazer para que qualquer eleitor saiba que existe uma diferença entre “não votar” e “votar em branco”. Para que todos possam realmente optar em consciência.

É o mínimo que qualquer orgão de Comunicação Social, político responsável ou opinion maker pode fazer.

-

POR MIM E PERANTE A NOSSA REALIDADE COLECTIVA,

NAS 3 ELEIÇÕES DE 2009

EU NÃO ME ABSTENHO,

EU VOU VOTAR !

VOTAREI EM BRANCO,

CONTRA A REGRA NEGRA QUE INSISTE EM NEGAR PORTUGAL E A EUROPA.

QUANTOS PORTUGUESES FARÃO O MESMO ?

José Borba Martins, Lagos

LAGOS 3/3: LAGOS HOJE – A CIDADE E AS ELEIÇÕES DE 2009

In Local, Nacional, Regional on 13/05/2009 at 1:24 am

ppiedade

ESTA DEMOCRACIA PORTUGUESA MORREU. QUEREMOS OUTRA. EM LIBERDADE (II)

LAGOS 3/3

(…/…)

É inegável que Lagos apresenta uma evolução assinalável nos últimos 30 anos, todos estaremos de acordo neste ponto.

Uma análise desse período de tempo na comunicação social impressa e televisiva, mas também nessa imprescindível vertente que é a comunicação online que, apesar de muitos ainda a pretenderem erradamente ignorar (ou então os jornais de referência nacional não teriam presença online), é um dos poucos meios totalmente livres que, embora com riscos associados, continuamente estão ao dispôr da Cidadania para manifestar a sua livre opinião, mostra que nem tudo evoluiu no melhor sentido. O que sendo normal em qualquer realidade tem limites naturais, nem que sejam os do mero bom-senso.

O que interessa saber e querer saber, por um lado, assim como esclarecer e querer esclarecer, por outro, é se as opções e as prioridades decididas são as mais convenientes para o desenvolvimento sustentável da Cidade e do Barlavento a médio-longo prazo ou se apenas foram assumidas tendo como horizontes temporais os do exercício transitório de cargos políticos. Realidade que não será exclusiva ao nosso concelho e sub-região mas, como alguém diria, com o mal dos outros podemos nós bem… O problema é quando esse mal é replicado e imitado entre nós e, consequentemente, nos passa a ir ao bolso.

Perante o que vejo no presente e no passado recente, tenho imensas dúvidas sobre o que se está a passar e vem passando nos últimos anos, nomeadamente nos dois mandatos do actual presidente Júlio Barroso. Sou insuspeito de pretender manipular politicamente a nossa realidade local, por quem sou e também porque lhe manifestei livremente a minha solidariedade pessoal quando foi alvo de polémica recente no âmbito do seu mandato na S. C. Misericórdia de Lagos. Por escrito no CanalLagos, em comentário ao artigo de N. Duarte com o título “Antes de julgado, já é condenado e enxovalhado” com o seguinte comentário de Nov.2006 «…Quero também prestar a minha total solidariedade pessoal ao Senhor Dr. Júlio Barroso – que dela nem necessita, nem a pediu – e dizer ainda que não acredito que este episódio tenha origem numa luta política local, que se pressupõe seja sempre leal. Quem não deve não teme!».

O actual presidente da CM Lagos não precisa de quem lhe destaque a obra positiva. Porque está naturalmente à vista de todos, mas também porque tem gente, meios e imprensa de sobra para o efeito.

O que aqui quero expressar agora, também livre e genuinamente, é que reitero o escrito há já quase 3 anos e, designadamente, que continuarei a disponibilizar a minha mais ampla solidariedade pessoal ao Senhor Dr. Júlio Barroso. Que até poderá vir a precisar desta tão pura e irrelevante solidariedade como de outras no futuro, certamente menos puras, mas mais fortes.

Mas o que aqui e também hoje não posso deixar de manifestar é a minha frontal discordância, sem qualquer ambiguidade ou negativismo, em relação a várias das opções seguidas e subjacentes ao seu exercício, não perdendo de vista que não fazer é também decidir, das quais destacaria, para já e sem pretender esgotar o tema, as que refiro nos seguintes pontos:

1) ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURA DA AUTARQUIA

Bem sei que esta será uma opinião “politicamente incorrecta”, mas creio que toda a gente sabe ou percebe que em nenhum âmbito das finalidades, objectivos e valores de uma qualquer autarquia se pode incluir “Dar Emprego aos Munícipes”.

Aliás neste ponto caberão também todas as ainda poucas considerações expressas a seguir quanto às empresas municipais. Perceber este ponto sem ambiguidades, porque é uma questão de que não se fala nem muito nem abertamente – e bem se percebe porquê – é fundamental para entender o ponto em estamos como País, como Região e como Cidade.

De uma vez por todas, é urgente que se perceba que a organização científica do trabalho não é filosófica, é científica. Por definição, não deve ser objecto de dialéctica política. Sob pena de estarmos a entrar, como creio já termos entrado, no domínio da mais pura irracionalidade. Existem as certificações ISO, mas alguma vez foi feita essa coisa essencial e diferente que é uma Auditoria Funcional a sério?

Concretizando com um exemplo prático, se quem quer que seja tiver uma fábrica com uma única linha de produção, que prevê a operação com 10 pessoas, alguém que seja minimamente responsável vai pôr a trabalhar nesse local 40 pessoas? Naturalmente que se o fizer, então a natureza da organização será diversa, não será certamente a da produção de bens ou serviços ao mínimo custo racionalmente possível. Muito menos, no caso vertente de uma autarquia quando, ao longo do tempo, foram decididas externalizações de serviços básicos…

Ou seja, recorrendo à informação disponível, a estrutura da C.M. Lagos terá evoluído de cerca de ~300 funcionários em finais dos anos 80, em que se incluíam os chamados serviços municipalizados (de água e saneamento, electricidade, manutenção e limpeza, etc.) para mais de 1000 aos quais, para uma correcta análise evolutiva dos recursos humanos afectados, se devem somar os funcionários não só das empresas municipais, mas também de todos os serviços externalizados, para a fiabilidade da comparação. Não sei se alguém já terá feito estas contas, mas creio que estaremos perante um número surpreendente.

Será este tema um coisa de somenos importância? O tempo o dirá mas o que posso comentar é que me parece, no mínimo,  imprudente e arriscado para qualquer conta de exploração cobrir custos fixos, ainda por cima exponenciais, com proveitos variáveis, por muita externalização que se faça e por muitas empresas municipais que se criem.

Claro que a Cidade aumentou de tamanho – e duvido que exista racionalidade directa neste argumento  – mas, mesmo assim sendo, terá a Cidade aumentado 10 vezes de dimensão? Por outro lado a tecnologia disponível, as comparticipações da administração central e comunitária ou meios disponíveis, nomeadamente para gerar receitas estruturais, são os mesmos que há 20 anos? Claro que não.

Afinal, qual é o limite para o nº de funcionários autárquicos? Central ou localmente quem o determina e como é validado? Quantos são e onde estão publicados os pertinentes balanços sociais? Procurei e não os encontro no site camarário – que continua a não ter versão em inglês – nem as contas reais, com o apuramento de desvios vs. orçamentado, apenas encontro os orçamentos anuais, publicados no site nos termos da Lei.

Possivelmente é por a Lei não obrigar a que os números reais sejam publicados, mas apenas os orçamentos anuais. Mas o facto é que também não impede que sejam publicadas. Não será esta uma boa prática do interesse da generalidade dos munícipes?

Para terminar este ponto, considero que é evidente que o principal risco associado a esta realidade explosiva que é o nº de funcionários camarários, para não falar noutros, é claramente o da potencial ruptura financeira, seja ela a da autarquia, a dos munícipes, ou desta duas realidades em simultâneo.

2) LAGOS E AS EMPRESAS MUNICIPAIS: A MULTIPLICAÇÃO DE ESTRUTURAS EM “RODA LIVRE”?

Não é este um problema específico do nosso concelho, mas o facto é que já existe também em Lagos.

Considero que é profundamente errado e inaceitável o argumento subjacente de “falta de vocação de um autarca ou autarquia para gerir determinadas áreas de actividade municipal”. É um contrasenso claríssimo. Senão, um dia destes, ainda assistiremos a esse paradoxal absurdo de ver um qualquer presidente de câmara em Portugal criar uma empresa municipal para gerir a própria Câmara, sob esse fantástico argumento de não sentir vocação para fazer o trabalho para que foi eleito…

Não posso e não quero subscrever o argumento da criação de empresas municipais seja feita à medida para os amigos, coisa que se ouve muito frequentemente dizer por esse país fora. E também em Lagos. Não quero acreditar que seja esse o caso, por muito que possa parecer – e parece – sem querer entrar nos detalhes das mais variadas migrações transpartidárias ou na análise dos tempos efectivos de trabalho. Nada disso.

Mas o que não posso deixar de referir é que a criação de empresas municipais é uma aberração organizacional, seja em Viseu, em Lisboa ou em Leiria ou …em Lagos. Porquê?

Primeiro, porque é um expediente pseudo-pragmático para se retirar do âmbito do défice público custos fixos autárquicos.

E depois, porque das duas uma:

- ou a actividade de uma EM visa suprir uma necessidade básica das populações e então é no âmbito da autarquia que deve ser criada a estrutura. É para isso mesmo que as câmaras municipais existem.

- ou então a actividade de uma EM não visa suprir necessidades públicas básicas, antes estando no domínio das opções estratégicas de desenvolvimento da autarquia, sufragadas antes e, nesse caso, a autarquia, constatada a inexistência de oferta empresarial nessa área específica, pode e deve criar uma EM mas apenas na condição imperativa de – após determinadas no tempo quer a fase de arranque quer um aceitável período para retorno do investimento municipal – prever a transferência da sua propriedade e da gestão, p.ex. via MBO, para os administradores nomeados nesses pressupostos ou, alternativamente, para qualquer empresa entretanto criada pela dinâmica económica multisectorial criada pela acção governativa autárquica.

De resto, estes princípios também podem aplicar-se, e já deveriam tê-lo sido, a quaisquer empresas públicas nacionais, em vez de se ter andado a privatizar a carninha – para a dança promíscua das cadeiras – ficando os ossos para o erário público. É que o Estado, como a crise externa veio evidenciar, não é um poço sem fundo. Tem limites. Assim como a paciência e o dinheiro dos Cidadãos que, como facilmente se demonstra, já perceberam que esta Democracia Oclocrática em que vivemos tem fortíssimas componentes dignas de uma qualquer Cleptocracia.

A não ser que os administradores das EM só sejam competentes para gerir empresas públicas, ou seja, que só saibam administrar o que é dos outros… Sinceramente, não quero acreditar que seja esse o caso no nosso concelho. Ou região. Quaisquer que sejam as empresas municipais.

Será que para se construir um edifício em vez de se contratar uma empresa para o efeito em prazo determinado cria-se uma empresa municipal que durará para sempre polvilhando-se o seu objecto social com mais umas tarefas de gestão que deveriam estar no âmbito da actividade corrente de uma autarquia?

Uma vez mais, o principal risco associado a esta realidade, para não falar noutros, é claramente o da potencial ruptura financeira, seja ela a da autarquia, a dos munícipes, ou das duas realidades em simultâneo.

3) LAGOS E A NOVA ESQUADRA DA PSP: A ÚNICA NO PAÍS PAGA PELOS MUNÍCIPES…

Claro que o problema das incríveis condições operacionais da PSP em Lagos já existe há décadas, mas é totalmente inaceitável quer a cegueira na falta de integração da função “Segurança”, quer o facto de se ter anunciado que o custo das novas instalações vai ser suportado pelos munícipes de Lagos…

Aliás, um anúncio feito com pompa e circunstância por ocasião de uma visita do então ministro António Costa, actual presidente da C.M. Lisboa. Sem me alongar muito sobre este tema, que também se relaciona com a questão do “centro histórico”, não entendo nem a forma de financiamento nem a localização prevista.

Concretizando, não seria muito mais conveniente, do ponto de vista operacional mas também do ponto de vista da racionalidade financeira que, quer para a PSP, para a GNR ou para os Bombeiros fossem implantados os três quartéis, integradamente, nos espaços actualmente ocupados pelos BVL e áreas adjacentes, ampliando-se adequadamente o que já está edificado e aproveitando de caminho para resolver igualmente a inaceitável situação do “quartel” da GNR em Lagos?  Bem me parece que sim …

As consequências desta falta de visão integrada das soluções serão incorrer-se em mais custos para a autarquia e não se optimizar os recursos num domínio tão sensivel como é o da segurança pública.

4) LAGOS E OS PÓLOS UNIVERSITÁRIOS: UNIVERSIDADE DE FARO VS. UNIVERSIDADE DO ALGARVE

Todos nos lembramos de a comissão instaladora da Universidade do Algarve ter funcionado ali para os lados da Avenida do Liceu, com uns orçamentos anuais de 20 mil contos durante alguns anos. De esperança…

Estamos em 2009 e constatamos que a Universidade do Algarve poderia com mais propriedade chamar-se Universidade de Faro, apesar do que é leccionado em Portimão.

De facto, não se percebe porque é num contexto continuado de crise portuguesa, da forte sazonalidade sentida por todos no Algarve e em Lagos – esse sim o inimigo comum de Todos – não se apostou já no desdobramento da Universidade do Algarve em pólos locais, potenciantes do desenvolvimento integrado das actividades a partir das vocações naturais e humanas existentes, o que teria de imediato dois efeitos claros e simultâneos: 1) a atenuação/eliminação da sazonalidade; 2) o desenvolvimento de uma actividade económica diversificada e, portanto, não exclusivamente dependente do turismo ou dos empregadores autárquicos…

No caso concreto de Lagos, e sei que até haverá esforços nesse sentido – mas sem resultados – não entendo como chegamos a 2009 sem ter no concelho um pólo da Universidade do Algarve a funcionar na antiga Messe de Oficiais e no antigo CICA 5. É esta a homenagem dos Centralismos da capital à Cidade dos Descobrimentos?

O mesmo modelo descentralizador deveria já ter sido aplicado, só para falar no nosso Barlavento do Algarve, a Sagres, no âmbito da Biologia Marítima, Pescas ou Histórico-Filosóficas, e também ao fundamental e abandonado eixo interior Aljezur/Monchique, designadamente no âmbito da Agronomia e Medicina Veterinária. Quais são os contra-argumentos?

Lá teremos que andar mais umas décadas a assistir às promessas das visitas pré-eleitorais aos abandonados que somos…de nós próprios, afinal. Só pergunto: Porquê, por quem e por quanto mais tempo?

As consequências deste vazio são evidentes: mais centralismo regional, menos qualificação, mais custos para a autarquia, menos população jovem, menos facturação, menos desenvolvimento sustentável.

5) LAGOS E AS OBRAS NA AVENIDA: PORQUE SÃO NECESSÁRIAS OU… PORQUE HÁ DINHEIRO?

Estou particularmente à-vontade para opinar sobre estas tão discutidas obras porque defendi num já distante post de Agosto de 2003 no Expresso Online de boa-memória «a construção de dois pisos para estacionamento, apenas um subterrâneo, e outro a partir da superfície até ao nível zero da messe, abrindo-se a partir desta um espaço tipo CCB (p/estudo, esplanada, restauração univ.) a esse nível zero e sobre o piso superior do estacionamento». Embora o pressuposto fosse o de integrar esta iniciativa com a transformação da ex-Messe em pólo universitário, o que não sucedeu. Ainda…

Conhecendo as diferentes propostas e sem querer “chorar sobre o leite derramado”, até porque a obra está decidida e será concluída em breve, direi sobre a mesma apenas o seguinte:

5.1) é claramente uma obra de risco, mas não tenho dúvidas que com recurso às mais modernas – e caras – técnicas construtivas será possível fazer a obra. Por outro lado não conheço informação sobre quais serão as tarifas previstas para os residentes no centro histórico.

5.2) será apenas um pormenor, mas lamento muito a eliminação dessa marca que é calçada portuguesa da Praça do Infante. Recordo até que na inauguração da Avenida e da Praça, o presidente brasileiro de então, Joscelino Kubischek, apreciou tanto esse pormenor da obra que mandou de fazer igual lá pelo Brasil.

5.3) lamento que o pólo universitário não tenha sido ainda conseguido integradamente com o projecto, mas creio que ainda se estará a tempo de não inviabilizar estruturalmente, nas obras correntes, uma ligação à lateral do edifício da ex-messe que, na minha humilde opinião, tal como o antigo quartel Cica 5, devem urgentemente regressar à posse plena da autarquia sem, portanto, sair do domínio público estatal. Sei que há esforços nesse sentido.

5.4) discordo totalmente da opção pelos restaurantes à superfície, não creio que seja o mais conveniente nem para o local nem para os estabelecimentos de restauração existentes no centro histórico.

5.5) não entendo porque se foi alterar o que da “frente ribeirinha” estava feito, deixando de fora a reabilitação de todo o restante percurso dessa frente, designadamente toda a área interior que vai da Rodoviária até aos conjunto de novos edificios onde se integrará o novo da C.M. Lagos ou todo o percurso ribeirinho, em ambas as margens, que vai da rotunda do antigo Hotel S. Cristóvão até ao Aeródromo.

6) LAGOS E A ONDA: UMA BOA IDEIA COM A ENERGIA ERRADA

Mais uma empresa municipal. Que, neste caso, respondeu a uma necessidade básica – Mobilidade – mas que, na minha opinião, contém dois erros claros:

6.1) o erro de não se ter optado por um tipo de combustível diferente: o bio-diesel. Esta área, a da produção dos combustíveis alternativos, cuja necessidade já ninguém hoje contesta, poderia muito bem ter tido um arranque simultâneo ao do sistema de transportes da cidade;

6.2) o erro de não se ter previsto a saída da empresa do âmbito municipal. A não ser que não existam nem venham a existir empresas de transportes em Portugal interessadas na operação dos sistemas municipais e inter-municipais de transportes…

De resto, também neste ponto considero plenamente aplicável o mencionado no ponto referente às empresas municipais. E mais se poderia dizer relativamente à multiplicação de valências comuns a este tipo de serviços municipais em cada concelho, em vez de se desenvolverem sinergias operacionais – logísticas, manutenção, fornecedores, etc. – tanto quanto possível numa óptica inter-municipal, por evidente razão de racionalidade.

As consequências: mais custos para a autarquia, mais dependência energética, menos desenvolvimento sustentável.

7) A BAÍA DE LAGOS: QUANDO A SUBVERSÃO DO INTERESSE MUNICIPAL VEM DE LISBOA.

Por muito discutíveis que as opções do PUMP – Plano de Urbanização da Meia-Praia aprovado no Verão 2008 sejam, e sempre são num plano deste tipo, considero genericamente que é um passo positivo em termos de ordenamento dessa riqueza maior do concelho que é a Baía de Lagos, que dos planos anteriores existentes que a tiveram por objecto, apenas viu concretizar-se o já demolido Hotel da Meia Praia (onde, por exemplo, esteve escondido Eusébio, quando da sua vinda para Portugal e da rocambolesca situação que então viveu antes de ingressar definitivamente no Benfica).

É sempre de louvar a existência de novos investimentos de qualidade. Desde que não ponham em causa os direitos públicos e privados. Tenho algumas dúvidas neste ponto, que não cabem num apontamento desta natureza. Já o modelo de desenvolvimento baseado unicamente no Turismo parece-me muito arriscado, facto para o qual têm alertado vozes provenientes de todas as sensibilidades políticas, até do actual presidente da A.M. Lagos.

Contudo, e não subscrevendo eu processos de intenções, acho no mínimo estranho que sendo Lagos, ao que julgo saber, a única autarquia de Portugal que não tem PDM, tenha produzido tão importante Plano como é o PUMP.

Não duvido que sejam prioridades assumidas conscientemente. Esperemos que sim, mas o planeado é paradigmático quanto ao relacionamento autárquico em geral com mais uma aberração organizacional que são os Projectos de Interesse Nacional (PIN), inventados pelo Centralismo do Terreiro do Paço e da Gomes Teixeira.

Este tipo de abordagem só têm paralelo nessa invenção peregrina dos Institutos Públicos, criados no tempo em que o actual PR era PM, como forma de acelerar a concretização das então prioritárias obras públicas. Compreendeu-se então a ideia com controlo rigoroso mas, uma vez mais sem termo certo, o que provocou as conhecidas as consequências factuais, nomeadamente quanto à subsequente multiplicação desse tipo de Institutos “em roda livre” no tempo dos governos posteriores, com os episódios e as consequências financeiras registadas mas nunca assumidas por quem quer que seja.

A realidade mostra que tudo parece passar-se como se, perante a mais evidente constatação da desadequação organizacional administrativa do Estado Português, da fase colonial não reformada à actual, em vez de se assumir de uma vez por todas a necessidade de uma Reforma Total da estrutura do Estado, concretizando-a, se prefira – por tão falso como caríssimo pseudo-pragmatismo – inventar modelos sectoriais de funcionamento mais adequados à realidade sem, contudo, se eliminar a estruturação organizativa e legislativa manifestamente disfuncional e obsoleta anterior. Por esse motivo, os custos que lhes estão associados permanecem, com as gritantes consequências financeiras negativas para a generalidade dos Cidadãos mas altamente positivas para alguns e alguns grupos…

Esta realidade, pelos vistos, faz escola ainda impunemente e, agora, para além dos institutos públicos, temos as empresas municipais de toda a ordem, as empresas de direito privado mas de capitais públicos, os parques naturais, etc. etc. em quase todas as áreas de actividade económica. E também, pelo exemplo vertente, temos agora os planos de urbanização parciais articulados com os projectos de interesse nacional. Um regabofe, uma espécie de festim financeiro à conta do erário público, manifestamente subversivo dos valores de uma democracia digna desse nome e de que, mais cedo ou mais tarde, serão pedidas responsabilidades.

Será alheia a esta realidade a questão do financiamento dos partidos políticos, tema tão recorrente e com as regras do jogo alteradas sempre tão oportunamente em períodos pré-eleitorais? Pode ser, mas não parece.

Mas afinal o que é que esta realidade tem a ver com Lagos ou com o PUMP?

Tem tudo a ver muito claramente devido a, pelo menos, duas ordens de razões, aliás paradoxais e suicidárias a prazo, do ponto de vista dos seus actores, quer empresariais quer autárquicos:

7.1) Primeiro, ao nível da tão pretendida RESPONSABILIDADE SOCIAL DOS EMPRESÁRIOS, que como se sabe é um argumento de marketing de importância crescente, ao se aproveitarem da generalizada aberração organizacional administrativa  de Portugal para, em clara posição de concorrência desleal, tirarem vantagens – legalmente – dessa rara espécie de abuso de posição dominante determinada e organizada em coordenação com os “Poderes de Lisboa”.

7.2) Por outro lado, ao nível da RESPONSABILIDADE POLÍTICA DOS AUTARCAS que ou tendem a conformar-se como vítimas reais do sistema ou, alternativamente, tendem a aproveitar a onda dessa mesma rara espécie de abuso de posição dominante determinada e organizada por um qualquer Centralismo sectorial. Como? Embarcando numa recorrente aventura financeira, social e politicamente irresponsável, de modo a apresentar obra feita o mais rapidamente possível – porque o que importa é fazer… – de modo a perpetuarem a sua presença no poder, espalhando profusamente benesses e emprego pelos apoiantes, que tendem a ser cada vez em maior número.

Adiante. A situação é tanto ou tão pouco grave que, até eclodir a alastrante crise financeira americana, quase ninguém se atrevia a contestar a “bondade” de tão perverso sistema de vida política, tendo-se chegado ao cúmulo de laudar a inteligência de tão preclaros políticos e assistido às mais impressionantes migrações políticas a todos os níveis.

Tudo se passou tão rapidamente, que o histórico Partido Socialista se viu rapidamente refém de uma perversão salvífica dos descalabros anteriores, o empresariado decidiu embarcar à pressa na ’situação’, deliciado com a perspectivas financeiras únicas (e com o marketing…), e os restantes partidos passaram timidamente a testar um silêncio espantado que evoluiu para uma série de actos de um “teatro trágico” cujo resultado está à vista:

A República Portuguesa está falida, desorganizada, desmobilizada e o P.S. transformou-se numa espécie de União Nacional, o partido único do Estado Novo, com votações unânimes e tudo, uma espécie de rotunda por onde circulam carros de todas as cores. Para espanto e medo por parte de quem os vê passar…

Quem se opõe a esta realidade é logo catalogado de ‘ressabiado’, de ‘invejoso’ e de outros elevados epítetos.

Com o que ninguém contava, nem dentro nem fora do sistema, era com uma realidade que, apesar de estar publicada recorrentemente desde o 1º trimestre de 2007 nos USA, começou apenas no último trimestre de 2008 a ser reconhecida em Portugal como ‘Crise’ quando já era ‘Recessão’ – espantosamente, já com a recessão a decorrer, foi afirmado que a crise já tinha passado… quem se recorda? – passando-se depois a chamar-lhe ‘Recessão’ quando já é evidente estarmos perante a ‘1ª Grande Depressão Global’, para a qual vários países e regiões não-europeias terão já planos de contingência…

Espantosamente, ainda hoje se anuncia entre nós com satisfação a baixa das taxas de juro de referência, ou um aparente controlo da inflação verificada a sua descida quando, de facto, os dados mostram já os mais claros sinais de estarmos em período pré-deflacionista a que, se nada fôr feito, se seguirá um período de hiper-inflação, mista sector a sector conforme alguns alertam mas que, de facto, ninguém pode saber ao certo como e com que tipificação de poder político terminará.

É que se os USA poderão substituir a sua moeda por outra, regional, na Europa é praticamente impossível que tal possa fazer-se. Daí a oposição única da Alemanha ao seguidismo unanimemente pretendido para a Europa em relação à política monetária americana que consiste em… imprimir notas. É que a Alemanha tem ainda memória fresca do que lhe aconteceu nos anos 20 do século passado, e o que aconteceu ao mundo até meados do séc. XX…

Voltando à nossa terra, quem não quiser perceber esta “big picture” não perceberá nem poderá agir de todo sobre as realidades que se avizinham. Por mim, parafraseando essa expressão de há uns anos atrás, recomendo muito simplesmente que “o último a sair desta rotunda que apague a luz…”

Estamos precisamente no momento em que cada um terá que optar entre estar integrado num de 3 grupos: os que fazem acontecer, os que vêem acontecer ou os que perguntam o que é que aconteceu…

Explicitado que está o conteúdo subjacente à minha afirmação em epígrafe “Lagos: quando a subversão do interesse municipal vem de Lisboa”, complemento-o dizendo que me parece bastante claro que, embora tudo o que de positivo possam representar de per si os investimentos previstos em 8 novos hotéis na Baía de Lagos, é de lamentar, mais uma vez e até no ponto de vista dos investidores hoteleiros, a falta de integração destas iniciativas numa perspectiva e obra previamente executadas, estruturantes e mais abrangentes, que teriam claramente que conter as seguintes perspectivas articulares que não contêm:

7.3) A ARTICULAÇÃO DO PUMP COM O PROJECTO POLIS (FR), nomeadamente com a articulação em pontes ou túnel, com estacionamentos subterrâneos nessa grande área de terras fronteira aos dois primeiros restaurantes no início da Meia Praia a leste do molhe, aí se podendo ter previsto o início de uma avenida marginal, com calçadão pedonal razoavelmente – do ponto de vista ambiental – fronteiro à praia e com ligações às variantes agora previstas no programa “Algarve Litoral”. Um pouco como o que muito bem fez o município de Barcelona, sabiamente liderado por P. Maragall com o espaço da Vila Olímpica e do Passeio Marítimo que se estende a partir da primordial Barceloneta.

7.4) A ARTICULAÇÃO DO PUMP COM O TRANSPORTE FERROVIÁRIO, ou seja, com uma relocalização no concelho dessa aberração que é o transporte ferroviário no Algarve, no nosso caso concreto, com o ramal de Lagos e, mais concretamente, com a transferência da Estação C.F., e também do terminal da Rodoviária, para o local onde já esteve previsto há mais de 30 anos… Não é preciso nenhum TGV, mas não deixa de ser curioso que é sempre em período pré-eleitoral que se vêm anunciar obras estruturantes, como desta vez a renovação da EN 125 – certamente para cumprir a lei que não permite colocar portagens onde não existem alternativas adequadas em tempo de percurso – esquecendo-se que o transporte ferroviário é a alternativa mais barata e de execução mais rápida. Muito curioso mesmo.

7.5) A ARTICULAÇÃO DO PUMP COM A LIGAÇÃO RODOVIÁRIA A ALVOR E PORTIMÃO. Nem uma palavra se ouve sobre esta ligação. Tanta vénia ao ruinoso betão portimonense…e nada de estruturante quanto a isto. A visão que o terreno e os dados proporcionam é que Portimão está para Lisboa como Lagos para Cascais. E até Sagres tem mais visitantes por ano que Sintra… Sem perceber isto nada de positivo acontecerá a Lagos e ao Barlavento no futuro.

7.6) A ARTICULAÇÃO DO PUMP COM A QUESTÃO DO BAIRRO SAAL DA MEIA-PRAIA, sem mais comentários dadas as recentes notícias da vontade de resolução positiva e adequada da situação como, creio sinceramente, irá rapidamente acontecer.

Termino este ponto formulando, sem ironia, os meus sinceros votos de que jamais seja necessário qualquer Cidadão pagar portagem para aceder à Meia-Praia. Digo isto porque a ideia que ressalta das múltiplas proibições que o PUMP contém é a de que se está a pretender transformar a Meia-Praia numa espécie rara de condomínio privado. Posso estar a perceber mal, mas cabe aqui relembrar que, segundo a Lei e como toda a gente sabe, a partir do momento em que se aprova um qualquer loteamento, ninguém pode impedir a passagem de qualquer Cidadão pelos acessos que o servem, independentemente de quem os construiu.

A não ser que se pretendam potenciar situações como a que viveu um autarca de Sintra em finais dos anos 90, que se exaltou com a proibição de passagem numa estrada de um conhecido condomínio de Belas ao ponto de ter chegado a puxar de uma arma ameaçando o segurança do momento…Estou certo de que na Meia-Praia ou em qualquer outro local do concelho e da região jamais tal irá acontecer.

8 )  LAGOS E AS SUAS QUATRO FREGUESIAS EXTRA-MUROS

Aqui ficam uma breves palavras sobre as freguesias extra-muros do concelho de Lagos, com tanto trabalho positivo já feito por tanta gente diferente mas que, na minha opinião, continuam a carecer de perspectivas e opções mais dinamizadoras do elevadísimo potencial que sempre apresentaram. Neste texto, como referi antes, não quero sublinhar os aspectos positivos, que naturalmente estão à vista de todos, mas também porque há gente, meios e imprensa de sobra para esse efeito.

Em primeiro lugar, lamento que o há tantos anos prometido Parque dos Descobrimentos tenha dado lugar a uma espécie de Parque das Ventoinhas, certamente relevante para a produção de energia, mas não para a Mata de Barão, esse pulmão com tantos potenciais alternativos e respeitadores do ambiente nos quais, ao que se vê, não se pôde – ou não se soube – integrar o valor paisagístico.

Os potenciais tanto agrícolas como outros não-turísticos relacionados com esta freguesia, assim como com a freguesia de Bensafrim e com parte da freguesia da Luz permanecem por rentabilizar ao serviço das populações porque não estão ainda a ser estruturalmente enquadrados e apoiados integradamente como deviam.

A “mono-cultura” Turismo exige diversificação nestas três freguesias assim como em parte da freguesia do Odiáxere.

De resto a Via do Infante continua parada em Bensafrim. Acresce que, também nestes tempos pré-eleitorais em que se fala de TGV e da 3ª ligação Lisboa-Porto por auto-estrada Lagos e o Barlavento continuam sem ligação a norte com Sines e o caminho-de-ferro pura e simplesmente não existe !…

Deve ser este o abandono a que se referia o governo de Lisboa, na pessoa do Ministro do Ambiente aquando sua visita recente ao município de Vila do Bispo. Para não dizer mais, refiro que é objectivamente diferente e comparativamente por demais irrelevante andarmos 100 kms para norte a partir da Guia e estarmos no meio do Alentejo interior do que andarmos os mesmos 100 kms para norte a partir de Bensafrim e estarmos no Porto de Sines.

De facto, Bensafrim é o local com maior potencial logístico do Barlavento e quase nada está feito no sentido de concretizar racionalmente o extraordinário potencial económico desta freguesia, essencial para o desenvolvimento desta nossa sub-região e do próprio Algarve. A não ser que esse desenvolvimento racional não interesse a Portugal ou à perspectiva operacional dos Pin’s…

Acerca da freguesia da Luz muito mais haveria a comentar mas, neste momento, apenas me limito a constatar que falta luz è Luz… Concretizando, na iluminação das rochas desda a Fortaleza até à praia, assim como nas rochas a leste e por cima do areal até ao Talefe da Luz, ou no próprio areal, o que seriam certamente factores adicionais relevantes quanto à indiscutível atractibilidade turística e também quanto à segurança da Praia da Luz…

As obras realizadas são positivas, embora eu tenha as mais fortes dúvidas sobre o destino do Miradouro da Luz e não entendo porque não se aproveitaram as obras realizadas para fazer um parque de estacionamento subterrâneo a sul da Igreja, concretizando-se a necessária requalificação do actual “parque” em terra batida, entre a fortaleza e a linha de restaurantes existente. Desconhece-se ainda quando será ligado o “nó do Modelo” ao das “Quatro Estradas” ou como esse eixo chegará à Praia da Luz.

De resto, não consigo expressar por palavras o que sinto sobre as construções feitas no Talefe da Luz, com uma já terminada, já visíveis de baixo, do lado da praia. Mais uma memória de passeio de tantos lacobrigenses ao longo de séculos que desaparece, dependendo agora de um desaconselhável acesso pedonal de menos de um metro de largo, espalmado entre duas propriedades privadas.

Provavelmente, o Talefe esteve desde sempre dentro de uma propriedade privada, cujo proprietário gentilmente a cedeu parcialmente para nela colocar o marco geodésico. Isso explicaria a situação, pelo menos em parte. Não sei se será o caso, nem quero obviamente, repito-o, subscrever processos de intenções a quem quer que seja.

Sei apenas, por ter visto a placa respectiva, que o licenciamento de uma das construções – Eagles Eye -  foi feita por despacho directo do actual presidente da autarquia, salvo erro em Março de 2007 e gostaria sinceramente que se pudessem conhecer os termos da evolução da titularidade das propriedades de toda a área do chamado Talefe da Luz, seja pública ou privada, ao longo não deste mandato, mas dos últimos 35 anos.

Como os registos são públicos e o Presidente da C.M. Lagos é um Ilustre Notário tal demanda não será difícil nem morosa. Sei que o assunto terá a devida atenção, pois não sou o único a gostar de olhar o céu a partir daquele local único de tantas e tão boas memórias.

Sobre o nosso Odiáxere, a freguesia mais impressionante de todas porque, para além de gente muito singular com uma história única, dolorosa e aparentemente esquecida no contexto da produção de arroz, dispõe de todos os tipos de recursos pelo facto de dispôr de barragem e de praia, passando pelo potencial agrícola e de produção piscícola. Verifica-se o exposto antes quanto à Meia-Praia (PUMP), a que se acrescenta o marasmo absoluto quanto ao aproveitamento turístico da barragem e de toda a sua belíssima envolvente. Assim como a ainda incipiente estruturação no domínio da produção energética alternativa…

Acresce ainda que se desconhece neste momento qual foi e tem sido a acção autárquica na Urbanização das Colinas Verdes, na área da Barragem do Odiáxere, assim como creio que seria útil saber qual é o ponto de situação quanto ao chamado “Projecto Erikson”.

9) TERRAS DO INFANTE: UMA ASSOCIAÇÃO DE MUNICÍPIOS COM POUCOS RESULTADOS PRÁTICOS

«A Prevenção Florestal no Algarve vai ser um sucesso com a inovadora destroçadora de mato Galotrax 200.» É este o primeiro resultado que se obtém para “Terras do Infante” no motor de busca Google, com 3700 resultados diversos.

Se refinarmos a busca para “Terras do Infante – Associação de Municípios” encontramos 119 resultados, o primeiro dos quais data de 16 de Outubro de 2001…

Como pode ler-se no Região Sul (o 1º resultado) «A proximidade geográfica, as similitudes do seu passado histórico-cultural, a par das potencialidades e carências comuns, foram alguns dos factores que motivaram esta ligação.»

A “Terras do Infante – Associação de Municípios” foi criada em 20 de Outubro de 2000. e integra, como se sabe, os municípios de Lagos, Aljezur e Vila do Bispo. Ou seja, o chamado triângulo vicentino do Barlavento. Tem sede em Lagos.

Como se pode ler num post de 2008 num blog local «Uma Associação que reunisse os municípios do triângulo vicentino, para que estes pudessem colaborar em projectos comuns, potenciando sinergias deveria ser uma mais-valia para as suas populações. Os anos passaram e os propósitos desta Associação foram caindo no esquecimento. Hoje, a “Terras do Infante-Associação de Municípios”, não é mais do que uma associação fantasma.»

Nem auto-estrada ou via rápida de Bensafrim para norte até Sines/Grândola, nem o mais pequeno dos aeroportos no Barlavento, nem Caminho de Ferro nem Hospital em Vila do Bispo nem em Aljezur (onde o médico falta no Centro de Saúde), nem Pólos Universitários no Barlavento Vicentino… Nem, pelos vistos, muita vontade de  maximizar todas as potencialidades e minimizar todas as carências comuns. Por causa dos centralismos (pseudo-regional e central) ou por prioridades políticas conscientemente assumidas? Porquê?

Será este o abandono a que se referia o Governo Centralista, na pessoa do Ministro do Ambiente Nunes Correia, durante a sua recente visita à autarquia de Vila do Bispo para debitar mais uns importantes anúncios pré-eleitorais? Sem mais comentários.

10) LAGOS E O SEU CENTRO HISTÓRICO (CH)

Ao que julgo saber, a política da autarquia de Lagos para o CH tem assentado em 4 pilares: 1) a mobilidade, 2) a qualificação, requalificação e renovação urbana, 3) a revitalização do comércio tradicional e 4) a definição de pólos aglutinadores de actividade. Por outro lado, uma das preocupações principais da autarquia é a de, na área do CH, compatibilizar harmoniosamente as actividades de lazer e residencial.

Recordo que não estou aqui para me juntar à corte de meios, imprensa e pessoas que tecem laudas, algumas até por defeito, à obra positiva da Autarquia de Lagos. Tal não é necessário porque está à vista de todos.

Apenas ficam aqui umas breves considerações para dizer que gostei muito da promessa de elaboração do Plano de Pormenor do Centro Histórico. Contudo, procurei e não encontro o Plano e a última notícia que dele está disponível é de Abril de 2004, por ocasião abertura do concurso público respectivo e da inauguração em Lagos da nova sede da Delegação do Algarve da Associação de Municípios com Centros Históricos.

Para já não falar do Porto de Mós, nem da Ponta da Piedade, nem do Campo do Rossio da Trindade e do C.F. Esperança de Lagos, nem do apetite pelo IMI que a generalidade dos autarcas portugueses recorrentemente demonstram. Seria extenso demais…

Quanto ao nosso Centro Histórico de Lagos gostaria apenas de afirmar o princípio de que não é politicamente legítimo nem uma boa ideia por parte de qualquer autarquia decidir desvitalizar quaisquer centros históricos pela deslocalização dos núcleos vitais essenciais que sempre os caracterizaram. Se quanto à actividade comercial privada tal até possa ser considerado legítimo, quanto a serviços básicos de utilidade pública é totalmente inadmissível e politicamente ilegítimo.

Vejo esse tipo de decisões à luz dos princípios mencionados e subjacentes aos pontos 1) 2) e 3) deste sintético apontamento e creio que serão por demais evidentes para todos. Aliás o princípio foi seguido quando se decidiu fazer o Mercado de Santo Amaro, sem contudo eliminar o Mercado da Avenida. Mas o mesmo princípio não foi seguido noutros casos, como o dos Serviços Camarários, o dos Serviços de Finanças ou o dos Correios. Claro que nem tudo depende da autarquia, mas o seu legitimado poder de influência poderia e deveria ter sido decisivo não do sentido do imobilismo retrógrado de nada fazer, mas nas decisões de manter as mesmas valências originais, eventualmente com redução de dimensão, no Centro Histórico. Socorrendo-me de um exemplo claro, seria aceitável e politicamente legítimo que, pelo facto de se abrir uma estação de correios em Entrecampos se fosse fechar a dos Restauradores?

É que pode parecer um pormenor sem importância, mas não creio que a maioria da população, designadamente a mais idosa com maiores dificuldades ao nível da mobilidade – de resto, uma definida prioridade autárquica – veja esta situação como um mero detalhe insignificante. A não ser que seja para rentabilizar os “Transportes Vá na Onda”… o que não me parece ser o caso, mas se fôr essa a ideia, então é levar também de caminho o Tribunal e o Hospital para os edifícios anexos ao do belíssimo novo edifício camarário, para melhor rentabilizar os novos negócios que se instalarão nesse novo e grandioso centro autárquico da cidade.

Mas então porque é que afirmo que pode ser politicamente ilegítimo uma mera decisão administrativa de relocalizar serviços?

Para além de não se cumprir a promessa eleitoral porque, ao induzir-se a desvitalização do CH, nomeadamente ao nível do nº de pessoas utentes diminui a procura e, ao fazê-lo, se influenciam de modo automático e negativo tanto os direitos adquiridos como os rendimentos potenciais de qualquer negócio instalado. Em resumo, induze-se a redução do Valor real de negócios, patrimónios e tantos outros activos de menos evidente inventariação e quantificação. Mas, pior ainda do que isso, induz-se na razão proporcional inversa (positiva), pela via administrativa e não outra, a valorização do mesmo tipo de direitos e rendimentos em locais que, sem esse tipo de valências operacionais, teriam certamente interesse e valor objectivamente inferiores, claramente menores.

Como se sabe este é um tema que, por este Portugal fora, tem sido crescentemente  abordado no âmbito de variados casos de corrupção, abuso de poder, abuso de posição dominante ou de favorecimento pessoal no exercício de cargos públicos. Foi até explicitado recentemente numa peça televisiva da RTP, embora com o carácter sintético que esse meio impõe. Obviamente, repito-o, não estamos aqui para mover processos de intenção a ninguém mas, pelo menos do ponto de vista político, a desvitalização do CH é totalmente inaceitável.

Ou seja, e resumindo, considero que se uma deslocalização de serviços básicos de interesse público se decide abrindo noutro local ou locais mas mantendo, mesmo que reduzindo, os serviços existentes é uma opção politicamente legítima.

Se, pelo contrário, isso se faz anulando pura e simplesmente o serviço existente no CH, considero tais tipos de decisões totalmente ilegítimas e, porventura, enquadráveis em âmbitos diferentes que não quero desenvolver, face ao já antes referido e porque não quero crer, sinceramente, que seja esse o caso em Lagos.

Termino com as mais breves palavras sobre a “Lagos para Sempre – Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Cidade de Lagos”, aliás com uma citação das que enviei ao seu promotor em 16 de Março deste ano, que acompanharam o meu pedido de adesão e que, pelo menos até agora, não tiveram qualquer resposta:
«Li a proposta de estatutos, que subscrevo apenas com uma ressalva, em relação à qual quero manifestar uma breve nota prática sobre o meu total desacordo de princípio em relação à possibilidade estatutária de os titulares de quaisquer cargos públicos municipais, sejam quem forem e em que tempo o forem, poderem inscrever-se como associados. Não pode ser.
Quando muito, na minha humilde opinião, poderão e deverão inscrever-se, mas estatuindo-se logo desde a fundação da associação que o exercício de cargos públicos municipais terá efeito suspensivo automático.
O mesmo princípio deverá, na minha opinião, aplicar-se às direcções locais de todos os partidos políticos.
É que os interesses podem ser aparentemente solidários, mas a realidade prática mostra-nos abundantemente que são conflituantes, e de modo recorrente e crescente. Por actos e por omissões.
Afinal, se assim não fosse, que necessidade haveria de fundar esta associação?
Considero, pois, essencial e pertinente esta separação das águas, porque não creio que seja adequado pensar sequer na hipótese de instrumentalização de uma tão nobre e necessária iniciativa que, julgo eu, se pretende despoluída de quaisquer interesses político-partidários. Sob pena de, se assim não fôr, a associação poder vir a servir no futuro como mais um mero emblema ‘politicamente correcto’, em círculo vicioso, sem conteúdos nem resultados práticos, mas apenas para se virem a simular consensos silenciosos e a dificultar ou tirar força aos pertinentes posicionamentos futuros da associação.»

CONCLUSÃO

Que me perdoem a extensão, mas não quero concluir estes trípticos textos sem relembrar ainda um oportuno e fantástico episódio daquele Dr. Juiz em Lagos que se deixava sempre dormir a jogar “à carta” com um grupo de amigos: um belo dia, combinados, os malandrins, com o Juiz já dormitando a sono solto – coitado, era narcoléptico – apagam-lhe as luzes da sala e…continuam a jogar. Paus e Ouros, Copas e Espadas, mãos a bater na mesa com o estrilho normal, o Juiz abre os olhos e…”ai moç’s que na veij nada”, “ai qu’è ‘tou cèg”, “ai mè Deuj, ai que grand desgrâça”. E os outros três continuam a jogar, como se nada fosse, às escuras…Levaram naquilo uma boa meia hora, e o homem a desesperar, até que um deles lá acendeu a luz… O homem ia morrendo de susto! “Tragam-m áuga, grand’s malandr’s, filh’s de p…”. Levaram anos sem se falar.

Não serão, afinal, tantas as recorrentes situações nesta vida portuguesa cuja resolução depende não dos olhos de quem querendo e podendo ver não o pode fazer tão-somente porque, por insondável e suicidária crueldade estrutural, lhes vão mantendo apagada a fundamentais luzes da Verdade e da Justiça?

Concluo valendo-me de uma das memórias mais vivas que me habitam, a daquele atirar sistemático e sem falhas dos cabazes do peixe dos barcos cá para cima no cais e aqueloutra do primeiro Herói do Mar me lembro de ter visto, que Nobre Povo vejo todos os dias. Espantava-me sempre que o via, aquele homem grande que já lá não ia (a idade…) mas que em terra, sempre descalço e com um tronco às costas, ia conseguindo equilibrar dois enormes cabazes nas pontas, sempre a andar, com poucos sargos, salemas, robalinhos e robaletes, mas mais faneca, carapau e sardinha, que ia vendendo porta-a-porta para cima e para baixo, calcorreando toda a cidade a manhã toda… o ar do mar, do peixe, da VERDADE… Era como o vento, menos quando estava norte, que levava o perfume do mar pr’a baixo. Pouco falava e não sabia ler nem escrever, como aliás a minha tão sábia avó, mas permanece cada vez mais vivo como referência essencial de GENUINIDADE e CORAGEM perante tudo o que me vai espantando, como à maioria dos portugueses, nestes tristes dias negros.

Nunca falámos, mas tenho saudades dele. Para mim aquilo era uma missão impossível, que durante anos não soube interpretar totalmente. Não, não era só levar descalço o peixe às pessoas até cair p’ró lado…

Estarei errado ao afirmar que é como ele que a maioria dos portugueses, algarvios e lacobrigenses se sentem, embora carregando outro peixe às costas todos os dias? Não creio, e também não erro se disser que esse peixe (ou a falta dele) consiste hoje na exigência inadiável de uma Justiça Livre e de uma Democracia Responsável, sem fantasmas do passado distante, mas também sem branqueamentos criminosos dos passados recentes.

José Borba Martins, Lagos

Professional networking @:
http://www.linkedin.com/in/joseborbamartins
Social networking @:
http://twitter.com/joseborba
http://joseborba.hi5.com
http://www.facebook.com/people/Jose-Borba-Martins/

Open Blog preferido @
http://talefe.wordpress.com

LAGOS 2/3: A CIDADE, A REGIÃO E O PAÍS SERÃO 3 REALIDADES DIFERENTES ?

In Local, Nacional, Regional on 12/05/2009 at 10:08 pm

Cavaco_centro

ESTA DEMOCRACIA PORTUGUESA MORREU. QUEREMOS OUTRA. EM LIBERDADE (II)

LAGOS 2/3

(…/…)

É impossível separar a análise do que se passa em LAGOS ou no ALGARVE com o que se passa em PORTUGAL.

O trabalho imperativo hoje é o de transformar mentalidades a partir da realidade, reconquistar vontades adormecidas para mudar a nossa realidade colectiva, independentemente das cores dos minoritários clubes políticos com que cada um legitimamente se possa ter identificado no passado mais ou menos recente.

Se os actores políticos não mudarem a realidade com a verdade toda, será a realidade a mudar os agentes políticos.

Por 3 motivos principais:

1) porque há valores essenciais que têm que fazer parte de um denominador comum a todos os cidadãos em democracia e que estão gritantemente em perigo.

2) porque sendo o regime democrático indiscutível, este sistema político, este modo de organizar a democracia, esta democracia, portanto e claramente, não funciona, está demonstradamente podre e terá que mudar. Quanto mais tarde pior, pelos riscos acrescidos que o mero decurso do tempo introduz na realidade.

3) porque, cf. publicado num jornal do dia 25 de Abril de 2009, 35 anos depois de 1974, quase 80% dos cidadãos portugueses não se revêem nos partidos políticos

Mas é também em nome da INDIGNAÇÃO face à insustentabilidade económica resultante de um autêntico roubo sistemático, continuado e ainda impune que se instalou em Portugal que escrevo estas linhas. Indignação que quase todos pressentem e tantos já sentem, dentro e fora do Estado, mas de que ainda poucos terão uma percepção que lhes permita fazer a diferença na sua realidade diária específica. Ou então ainda se pensa – erro crasso – que estaremos impedidos de o expressar… o que remete para as teses da “não-inscrição” dos factos e do “medo de existir” dos portugueses como muito bem caracteriza o filósofo José Gil a realidade da nossa terra (v. link ) .

Invocando uma vez mais Pessoa, creio que já todos devíamos ter percebido que nada é a preto e branco ou, como ele bem escreveu, «o dualismo como teoria das coisas é um produto (infante) da idiotia filosófica (infância)». Tal é válido agora e também no futuro próximo. Mais do que nunca na nossa História. Não sejamos ingénuos e, de uma vez por todas, não se pense mais que os portugueses são todos parvos.

Saibamos não esquecer nem Pessoa, nem Agostinho da Silva na sua deliciosa explicação de base etimológica sobre o significado de ‘discutir’ que, nas palavras desse nosso Grande Mestre, quer dizer «abanar uma caixa, para ver o que está lá dentro…». É urgente saber respeitar e saber aplicar na prática estes pensamentos despertadores, válidos para qualquer realidade micro ou macro humana. Nomeadamente quanto à conservação de todos os registos patrimoniais e de fluxos financeiros…

Aqui chegados, as perguntas que se impõem fazer a quem tem a obrigação de as responder – e não o faz porque insiste em não querer ver a realidade dos pressupostos – são as seguintes:

1) como poderemos no Algarve, em Lagos e no Barlavento, escapar a esta verdadeira Regra Negra em que se tornou, impune e progressivamente, a esta pseudo-democracia que ainda nos rege e cujas consequências sentimos como poucos? Por outras palavras: como e quando saberemos escapar colectivamente a este verdadeiramente descomunal e continuado Caso de Polícia e de Desorganização em que Portugal se tornou visto sob que prisma fôr (tempo de duração, espaços, montantes, custos sociais, nº. de pessoas…)?
Que falem sem medo os especialistas e que os Cidadãos, todos os Cidadãos, independentemente das suas opções, saibam de uma vez por todas o que têm pela frente sempre que votarem.

2) quem tem ainda dúvidas sobre a necessidade da mudança do sistema político? Se até já assistimos recentemente, por parte de um ex-conselheiro presidencial, a uma sua tão inesperada quanto pertinente e oportuna comparação do actual PR Cavaco Silva com o último PM da ditadura, Marcelo Caetano…

Que mais faltará acontecer? Serão estes apenas “problemas de Lisboa”? Podem parecer, mas não são.

O que se passa a nível nacional, regional ou local está simultaneamente na origem e no resultado dos mais impressionantes níveis de desorganização e de impunidade, desenvolvidos por uma tão trágica quanto provinciana imitação replicadora ao abrigo de ‘frames’ lakoffianos de “ir para a Cidade”, “tirar um Curso” e “trabalhar para o Estado ou num Banco”, como única via escapatória para a “situação” de então, igualmente obscura e perfeitamente datada que a convulsão de Abril não resolveu e ainda agravou, o que descambou no incrível estado de emergência nacional em que estamos em 2009, 35 anos depois…

Os resultados estão à vista de todos. Não só Lisboa está a rebentar pelas costuras, com os centros históricos desertos, como o exemplo macrocéfalo da capital se replicou rapidamente pelo país sob pretexto de uma falsa modernidade e de um falso desenvolvimento, os Cursos “superiores” de pouco servem face à Oclocracia instalada, do Estado depende já quase 60% da população do país e o sistema financeiro está como se sente que ainda não se sabe… controlado por esse garante financeiro oclocrático que é o conhecido “Banco do Estado”.

Do estado a que chegámos, como esse recente e grande “soldado que quis ser desconhecido” uma vez disse…

É por tudo isto que tanto a responsabilização das origens materiais recorrentes e a implementação das soluções estruturais não podem ser feitas nem de forma avulsa nem mudando estruturalmente apenas uma das dimensões ignorando que a realidade, embora composta pelas três dimensões diferentes, é só uma.

Como se demonstra por sucessivos episódios graves – os que se conhecem – acompanhados pelas derivadas revisões “unânimes” das bases legais, e como se demonstrará cabalmente em breve – ou então ainda tentará mais um ilusionismo por mais algum tempo, o que será potencialmente fatal não somente para o Sistema Político, mas para o próprio Regime assim como para a Independência de Portugal (pela via financeira)… – o problema maior é que essa responsabilidade não é meramente sistémica ou apenas política. Antes fosse.

Lagos, o Algarve e Portugal são, portanto, uma mesma realidade que integra essas três realidades apenas aparentemente diferentes. Como a estruturação dos problemas é comum, as soluções podem ser aplicadas transdimensionalmente a qualquer sector da realidade, independentemente do nível de detecção original. Como os diagnósticos estão todos feitos, o trabalho até pode ser rápido. Se houver Vontade…

Embora o cenário desejável fosse outro, o importante agora é que o trabalho das transformações estruturais se faça, tanto quanto possível coordenadamente, a partir do nível local. Uma vez que da capital do reino já nada de bom virá, como a realidade remota e recente demonstram e como o futuro demonstrará se nada de estrutural mudar.

LAGOS: SABER NAVEGAR NAS DUAS CRISES

Lagos tem uma longuíssima experiência de crises. Da escassez dos fornecimentos mais elementares e das graves situações de subsistência e habitacionais do passado, é paradigmática e ainda actual a crise anual, sentida e conhecida por todos, que vem em todos os Outubros e vai até aos Maios de cada ano. É esse o nosso inimigo comum: A SAZONALIDADE da actividade económica.

Apesar de se ter sabido e conseguido ser, como hoje somos, o concelho do país com maior taxa de residentes estrangeiros, roçando por baixo os 5%, este é um activo que deve ser trabalhado para subir diversificadamente e não para descer. Urge debater o ‘modelo de desenvolvimento’ seguido. Rever, corrigir e diversificar os seus vectores principais. O que existe é sustentável ou carece de correcção? Existem inúmeras questões por resolver e opções inovadoras que têm que ser avaliadas de modo desapaixonado e objectivo.

Não é simples pensar Lagos nos tempos que correm, dizia. Nem fácil. Essa dificuldade é também válida para todas as dimensões da realidade: a regional, a nacional ou até mesmo a mundial. Pelo que vamos conhecendo, resultado da pouca ou informação que nos é servida. Somos muitas partes de muitos todos, sistemicamente, qualquer que seja a sua dimensão, consciente ou inconscientemente percepcionada por todos e cada um de nós. Quase tudo será cada vez mais difícil no futuro se tudo continuar como dantes, se nada mudar nas nossas mentalidades e decisões.

Vivemos tempos raríssimos, unanimemente reconhecidos como sendo de mudança de paradigmas a todos os níveis. Da dimensão mais ampla, a global, à dimensão mais pequena, a pessoal ou familiar. É nesta perspectiva factual que estamos, quer queiramos e gostemos ou não. É nela que urge posicionarmos a nossa acção, qualquer se seja o nível em que estejamos a operar. Neste caso o local.

Apesar de quase tudo já ter sido dito sobre esse manto em que tudo se pretende abrigar chamado “crise”, é já claro que pouco ou nada será como dantes após terminadas, não se sabe quando, não uma mas as duas tremendas “Crises” actuais:

1) uma “crise” portuguesa específica, continuada e estrutural, em que navegamos há demasiado tempo (v. links A, B e C)  sobre a qual alguns – nos quais me incluo – vêm alertando com ignorados contributos há anos, na imprensa escrita e online ou em blogs, e

2) uma “crise” internacional (v. links D, E e F) evidenciada pela mais incrível irresponsabilidade na gestão de empresas financeiras (fenómeno exclusivo a elas?), mas que não teria sido possível se as leis que permitiram nos USA em 1999 juntar operacionalmente a banca comercial com a banca de investimento não tivessem sido imitadas por governos de todo o mundo, com os da República Portuguesa incluídos !

Essa falsa modernidade, contra a qual já A. Lincoln tinha avisado tanto tempo antes, apareceu sob a capa de uma pretensa “modernização dos mercados financeiros”, mas mais não fez do que tratar de utilizar tanto de modo consciente quanto criminoso a tecnologia disponível – e o dinheiro dos depositantes – não para instrumento de detecção e controlo de uma aberração financeira, mas para disseminar a invenção de produtos inexistentes por todo o planeta.

Tudo apenas aparentemente temperado com uma manifestamente impossível iliteracia tecnológica de tantas autoridades de controlo a quem todas as evidências escaparam ou, o que é a realidade factual materialmente comprovável, que quiseram decidir conscientemente o embarque nessa casca de noz financeira virtual, motivados pela mais vil ganância material, subindo para um carrocel de cargos alternados ainda em andamento… o que é ainda hoje bem visível na promiscuidade entre cargos na Política e na Economia garantindo a continuidade no Poder de todos os que, por acção ou omissão, estiveram na origem do problema e, por isso mesmo, jamais serão capazes de antever as soluções urgentes, quanto mais de fazer a sua implementação.

Terá sido diferente na República Portuguesa? Não, definitivamente não, a crise internacional não foi uma espécie de fenómeno meteorológico aleatório que se abateu sobre Portugal e que veio ampliar a recorrente crise portuguesa. Tem responsáveis materiais, seja nos USA, onde ao menos existe Informação independente e Justiça a sério, seja em Portugal ou em qualquer outro país que tenha entrado na ilusão da criação de riqueza sem bases económicas ou financeiras reais.

Antecipar e formular as soluções estruturais para as duas crises passará agora por termos que assistir entre nós às mais aviltantes inércias políticas, pedidos de confidencialidade operacional ou à simulação de falsas unidades nacionais e internacionais, mudando apenas os actores principais, como tragicamente parece estar a ocorrer no caso do novo presidente americano, apenas para salvar a face de um sistema financeiro descontrolado, disfuncional e falido, assim como da vácua e ilusoriamente rica corte que o vem sugando impunemente a partir do aparelho do Estado? Definitivamente: Não!

Alguém acredita honestamente que quem esteve na origem e desenvolvimento continuado do problema possa estar agora na identificação e implementação das soluções? Que existem, falta é coragem para as implementar.

Antecipar e formular soluções passará agora por andar a arregimentar criminosamente gentes e polémicas políticas ultrapassadíssimas, aos mesmo tempo que se pedem ideias e soluções aos pobres dos roubados Cidadãos, quando quem conhece de facto as origens das questões e é pago para ter as soluções não as tem.

Andando ainda por cima a argumentar-se errada e dramaticamente com o fim do capitalismo, quando de facto já aconteceu coisa diferente: “o fim do capitalismo tal como o conhecíamos”. Só se fôr para andar com um saleiro no bolso em vez de dinheiro. Ressuscitando e encenando dualismos do passado para clips televisivos manipuladores da consciência colectiva como nesse episódio Vital (v. post de 3.Maio.2009 neste link)? Ou pretendendo-se reforçar o papel do Estado na Economia? Está tudo doido? Mais ainda? Só se fôr para em vez de 60% passarmos a ter 90% dos portugueses a depender do Estado, não?

Definitivamente não, nem uma coisa nem outra. Como, ou muito me engano ou será visível a muito curto prazo, no último trimestre de 2009. Talvez antes, se houver a coragem para divulgar os dados reais do primeiro semestre.

É neste contexto que a Lagos e o Barlavento vivem e viverão no futuro próximo, desconhecendo-se ainda, nunca é demais repeti-lo, por quanto tempo viveremos nele…

COMO FAZER A DIFERENÇA?

É pacífico reconhecer que é materialmente impossível atravessar um abismo com pequenos passos, quero aqui hoje afirmar não só que é perante um abismo que nos encontramos como também, sem pretender ensinar o pai-nosso ao cura, relembrar que qualquer navegação possível variará inelutavelmente entre duas abordagens-limites:

- a abordagem PÉSSIMA, que se caracteriza por ser meramente IMITATÓRIA, melhor tipificada na psico-sociologia infantil, socialmente imberbe ou naturalmente irresponsável, que se limita a replicar todos os inputs que vêm de fora – da realidade de dimensão superior, quando não da inferior – sejam positivos ou negativos do ponto de vista evolutivo, mas que parecem desenvolver-se sempre de uma forma subserviente e seguidista, meramente replicadora dos modelos e das lutas alheias, que até podem conter de tempos a tempos actores materiais ou humanos apenas aparentemente novos, quando não simplesmente enganados, mas que não dizem respeito à realidade em que nos posicionamos para as necessárias análises e tomadas de decisão, podendo mesmo imputar problemáticas – quando não modelos ilegítimos e ilícitos – que nos são totalmente alheias. Neste concreto contexto, à nossa Cidade.

Nesta perspectiva, a que chamo “ACÇÃO A PARTIR DA SUBSERVIÊNCIA” seja ela resultante de falta de vontade, situacionismo manipulador ou mera incompetência política, podem até recorrer-se a capas pessoais de aparência científica – geralmente contributos fátuos, que logo desaparecem após constatados os primeiros logros – mas tende a não existir criatividade alguma, nem genuinidade ou contributo pessoal possíveis, para além das aparências arquetípicas ultrapassadas mais ou menos (dis)simuladas e do grave (des)conhecimento da realidade… por parte das cabeças por detrás dos olhos que a olham mas não a podem ver, quanto mais agir sobre ela. Mesmo que vejam… Eventualmente, podem até aplaudir e participar nessa realidade de um modo tão grosseiro quanto interesseiro, mas sempre com absoluto desprezo intelectual e material pelos outros e, mais grave ainda, pelos que, presumivelmente, menos sabem e menos podem. Inconsciência sociológica e falta de humildade intelectuais? Bem parece. Afinal, presunção e água benta cada um toma a que quer…

A realidade, contudo, é que é já claro há demasiado tempo que nenhuma entidade exterior à nossa realidade resolverá os nossos problemas estruturais por nós. Pessoa identificaria decerto esta perspectiva com a sua definição de Provincianismo que, segundo ele «consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte do desenvolvimento superior dela, em segui-la, pois, mimeticamente, com uma insubordinação inconsciente e feliz».

- A abordagem ÓPTIMA é caracterizada por ser genuinamente LIVRE, culturalmente rica e cientificamente esclarecida, é frequentemente evidenciada actores ignorados e/ou trucidados pelos agentes das acções cercanas ao outro género e é socialmente responsável. Funciona de modo simultâneo, integrado e integrante, em acções geradoras e selectivas das melhores práticas no âmbito dos processos de conhecimento existentes. Tem provas dadas, em áreas multi-disciplinares de reconhecida complexidade. Ou seja, caso-a-caso e tanto quanto possível de forma integrada, trata-se aqui de conhecer toda a oferta disponível, seleccionando e adoptando o que é comprovadamente não só útil à procura como principalmente exequível para a oferta, rejeitando sem posicionamentos dúbios tudo o que não fôr compatível com a realidade presente e potencial específicas da dimensão em que nos posicionamos para analisar e facilitar as apropriadas tomadas de decisão. Ou tudo o que não seja exequível, o que pressupõe o conhecimento da velha questão dos limites, tanto materiais financeiros como legais.

Difícil, muito mais difícil em breve, será testar os limites da ELASTICIDADE e da PACIÊNCIA dessa mesma oferta. E também no caso concreto da nossa Cidade, num qualquer primeiro dia…

Esta perspectiva, que pressupõe a mobilização das vontades de conhecer e de resolver os problemas e os anseios progressivos de qualquer maioria orgânica de qualquer dimensão com “ACÇÃO A PARTIR DA LIBERDADE” (ou da VERDADE que ela pressupõe) não ignora nem manipula o conhecimento da realidade e pode até conter o anterior enfoque tipicamente imitatório, mas apenas se ele resultar de uma objectiva e atempada adopção selectiva, com prioridades e integrações bem definidas, das melhores opções e práticas que resultem de processos de tomada de decisão claros e transparentes, recorrendo ao melhor nível do conhecimento existente a cada momento e com o mínimo custo possível. Cá estaremos para ver se este será um mero idealismo impossível.

O que não é possível é tudo continuar como dantes perante os mais  impressionantes e diferentes dados da realidade portuguesa.

LAGOS E “OS DONOS DA DEMOCRACIA” PORTUGUESA

Regra geral, não nos deveria interessar a paternalidade das Ideias, mas sim a sua concretização ao serviço da generalidade dos Cidadãos, independentemente da nacionalidade, côr da pele, tempo de residência no local em que têm os pés ou qualquer outro tipo de fonte de discriminação. Estejam onde estiverem há 2 meses, 20 ou 200 anos… Desde que esse exercício de direitos das minorias, ricas ou pobres, não colida ou agrida o exercício dos direitos dos outros.

Mas não sejamos ingénuos, é tão velha como os tempos a actividade dos profissionais da rapina das inovações alheias. Quando não de patrimónios transparentemente conseguidos. Por isso não faço quaisquer sugestões ou apresentações das soluções que, na minha óptica, entendo serem extremamente urgentes nas várias dimensões da realidade. Fica para momento oportuno…

De momento, apenas direi que que menos interessa é ver candidaturas a cargos públicos – como temos visto abundantemente em Portugal – como se de prémios de carreira se tratassem, quando não para servir não de garantes do normal funcionamento das instituições democráticas na dimensão específica de cada um ou da manutenção dos interesses ocultos mais inconfessáveis, ainda por cima em nome da Democracia. Ou até mesmo tendo como simples objectivo a garantia de múltiplos rendimentos futuros, geralmente à conta do erário público. Tudo sempre ao abrigo da Lei…

Esquecem-se os que se escondem nas meras legalidades formais que, como se aprende nas primeiras lições de Direito, o âmbito social precede o legal. E não o contrário. Ou seja, que não basta apregoar o indiscutível Primado da Lei, há que garantir que essa Lei é socialmente justa, adaptada à realidade social – sem esquecer a evolução tecnológica – o que não aconteceu nem acontece em Portugal. Assim não sendo estaremos perante a constatação, como em qualquer lugar do mundo, de que a ocasião faz o ladrão. É que o regime nazi alemão e o comunista russo também tinham Leis… Como o da Coreia do Norte.

A nossa realidade já mostra, e mostrará ainda mais evidentemente no futuro, que a situação a que chegámos é totalmente insustentável e carece de alteração urgente. Tanto pior para quem não quiser tomar disto consciência a tempo. Tanto em Portugal, como também na nossa Cidade e no resto do Algarve.

Os diagnósticos já estão todos feitos, importando distinguir os genuínos dos pagos “à façon”, e o que menos interessa é perdermos todos mais tempo com pontos de situação, esgrimindo falsas dialécticas, diletantes ou interesseiras por tudo e por nada, como se fosse possível continuar a transformar em falso debate político a mais vulgar certeza factual ou científica elementares.

Nem interessa perder mais um minuto que seja com servilismos inúteis, passadistas e suicidários, tanto para a cortes servis como para os servidos. Isto tem que ser assumido por todos. Como nação, estamos no ridículo quase soviético de ter 60% da população a depender directa ou indirectamente do Estado.

É IMPOSSÍVEL que Portugal sobreviva como Estado económica e politicamente independente se esta aberração estrutural não mudar. Provavelmente é já nessa situação que nos encontramos e não sabemos, porque escasseiam dados fiáveis, no detalhe e no tempo. Daí a urgência, porque será pior e totalmente imprevisível se esta aberração política, sistémica e organizacional, fôr ainda mais ampliada. Se isso acontecer, não será esse o sinal mais claro de que os Portugueses terão já perdido a sua independência económica e política?

Os Portugueses e também os Lacobrigenses e demais Algarvios não estão já a viver os impactos pessoais e empresariais desta comatosa e trágica realidade estrutural?

PORTUGAL 2009: O ANO DAS 3 ELEIÇÕES

2009 é um ano de eleições. Constato que, mesmo perante a 2 crises que atingem Portugal, foi decidido por quem de direito que as 3 eleições ocorram em 3 datas diferentes. Das duas uma: ou não há ainda consciência da realidade na sua total extensão, ou conscientemente preferiu-se o “quanto pior melhor”… prolongando o extertor de um sistema demonstradamente disfuncional, optando-se pelo vácuo na acção política que se preferiu induzir com essa surreal decisão. Ou então ainda se continua a presumir ali pelas Lisboas que os Portugueses são todos estúpidos, ao ponto de não conseguirem votar simultaneamente em três actos diferentes…

Pior ainda, como já alguém muito bem observou, se das próximas legislativas resultar uma qualquer maioria relativa, o que com toda a probabilidade acontecerá, e com a mais que certa turbulência acrescida que a ela estará associada no presente e nada breve contexto dificílimo, teremos adicionalmente – graças ao calendário eleitoral específico da sua função e ao imperativo constitucional que lhe retira um dos seus raros poderes, senão o único… – teremos, dizia, o actual PR em fim de mandato a não poder utilizar a totalidade dos seus poderes. Ou seja, já nem o PR poderá demitir o Governo, nem dissolver o Parlamento, nem convocar novas eleições.

Bonito serviço a bem da rapidez na reacção a uma tão grave realidade tão tardiamente identificada…

É nestes impressionantes e potencialmente dramáticos contextos nacional e internacional que as eleições locais terão lugar.

(…/…)

José Borba Martins, Lagos

Professional networking @:
http://www.linkedin.com/in/joseborbamartins
Social networking @:
http://twitter.com/joseborba
http://joseborba.hi5.com
http://www.facebook.com/people/Jose-Borba-Martins/

Open Blog preferido @
http://talefe.wordpress.com

LAGOS 1/3: SOMOS DOS QUE ESCOLHERAM IR DESCOBRIR

In Local, Nacional, Regional on 12/05/2009 at 8:37 pm

+


olho

ESTA DEMOCRACIA PORTUGUESA MORREU. QUEREMOS OUTRA. EM LIBERDADE (II)

LAGOS 1/3

No post sobre esta Democracia Portuguesa (v. link ) em que tão penosamente sobrevivemos e que já tantos, embora tão tardiamente, vão reconhecendo estar podre, falida e conter das maiores impunidades que se possam imaginar, prometi escrever sobre o que me preocupa mais de perto: Lagos, a cidade onde nasci e resido e o Algarve, a minha região e de tantas gerações de antepassados, de quase todos os concelhos desta região de Portugal.

Como esta minha promessa tem algumas semanas, tomo a iniciativa de compensar os prezados leitores com esta prosa dividida em várias partes por ser algo extensa, dirão, mas que terá múltiplas utilidades tanto para quem aprecia o humilde escriba como para quem gosta de extensões. Nomeadamente quando estiverem à espera por alguma coisa, como por exemplo que a Onda passe a bio-diesel, que o comboio parta ou chegue a iTunes – que bom já chegámos – ou que a competente auto-estrada vá de Bensafrim até Sines, ou que se inaugurem três pólos da Universidade de Faro em Lagos, Aljezur e Sagres ou então para um sempre útil ‘3 em 1′ alternativo como será:

1) o de esperar por vez no wc do centro comercial Marina, logo seguido pela

2) sua utilização como cinzeiro, enrolando o papel em cone e

3) se ainda por cima o papel já tiver acabado nesse momento sublime para qualquer opositor do que quer que seja, fazer então esse exercício de aproveitar a foto do topo do texto, que já vai preparada para tal, fazer uma tatuagem do Talefe por baixo, com a adequada compressão sem tremer, ao mesmo tempo que

3.1) põe a si mesmo a hipótese séria de se opôr a si próprio, coisa adequada para cada vez mais gente que, de repente, se vai vendo a falar sòzinha e

3.2) fazer um exercício libertador dizendo em voz alta: “Não, não, agora não posso que não tenho papel, não tenho papel, não tenho papel…”.

Não esquecer que, antes de sair, será imperativo pensar porque é que não tinha papel. Das duas três: ou é porque gastaram o papel todo, ou porque o levaram para limpar as mãos ou, então, é porque se esqueceram de pôr mais papel, logo quando lhe era mais necessário. Este insignificante passo reflexivo é deveras importante para perceber completamente o texto e para que o mesmo não lhe volte a acontecer no futuro…

Não esqueça que, após sair, é imperativo escolher interiorizar a opção “ver se há papel” antes de entrar. Havendo papel entre pela porta que tem papel. Se não o fizer, pode acontecer-lhe exactamente o mesmo que antes. Depois de entrar, se já não se tiver borrado entretanto, tente perceber porque é que já lhe passou a vontade. Se não lhe passou a vontade é porque o Talefe não provoca prisão de ventre. Já o contrário não me atrevo a afirmar. Alivie-se, que já vai sendo tempo.

Não é simples nem fácil pensar ou ignorar o que se passa em Lagos. Para mais, nos tempos que correm. Mais que esquecer as inúmeras memórias que todos temos e devemos ter presentes independentemente das origens de cada um – porque se a Terra é só uma, então a nossa terra é onde temos os pés a cada momento – pior é esquecer a memória dos sucessivos sonhos colectivos e pessoais, por serem ainda em maior número que a dos factos que possamos individualmente recordar. Do mais subido piorio é a sua traição.

É que se a diversidade é riqueza, como está abundantemente demostrado, afrontar ou esquecer as matrizes sociológicas intrínsecas pode ter consequências imprevisíveis para quem quer que seja que o faça. Ou deixe fazer.

AVISO À NAVEGAÇÃO

Antes de mais, quero esclarecer que não gosto de brincar nem com as palavras, nem com o tempo, nem com os direitos ou com o dinheiro dos outros. Coisa que constato mais frequentemente do que seria admissível acontecer nesta nossa terra portuguesa. O tempo não é de ironias vãs, e seria uma extultícia da minha parte explicar aqui o que é um weblog (abrev. blog). Nunca fui nem vou em grupos e a última coisa que quero é confundir as pessoas, coitadinhas, com a emissão com boatos, lamúrias ou falsidades, como algures se pode ler numa espécie de blog impresso da nossa terra. Não, não, este é um texto de opinião livre e genuína de um cidadão do mundo, europeu, português, algarvio, lacobrigense e tudo! Nascido na Travessa do Penhasco…

Posto isto, acredito que os tempos são, e serão crescentemente, potenciadores dos maiores perigos e das maiores confusões – ninguém disso tenha dúvidas – das aborgadens mais demagógicas assumidas sob a capa de uma repetição discursiva de lugares comuns, já demonstradamente ultrapassadas pelos acontecimentos, mas sempre ao serviço aparentemente inconsciente de males maiores. Sem falsas ingenuidades, não creio que sejam estes os momentos de inventar problemas onde eles não existem. E muito menos de condicionar a opinião divergente, venha ela de onde vier. Era só o que faltava. Todos somos poucos.

Mas, sobretudo, estes também não são mais os tempos de ignorar a realidade e olhar para o lado como se ela não existisse. Por outras palavras, é importante valorizar e rentabilizar tudo o que de positivo existe, e é muito, mas não é menos imperativo olhar e ver as causas de tudo o que de negativo existe, o que também não é pouco. Seja qual fôr o veículo. Identificar as causas, as origens, dessas realidades negativas e resolvê-las consistentemente e pela positiva em união de esforços, em vez de inventar falsas questões e separatismos pessoais ou (pseudo)grupais a partir das consequências – as quais, por serem infelizmente já reais, se prestam a esse exercício da mais pura desonestidade intelectual – isso é que é por demais contraproducente face aos legítimos interesses da generalidade das pessoas.

A situação é claramente de emergência nacional e, como tal, também regional e local.  Como a conta-gotas vai sendo reconhecido pelos mais variados opinion leaders de todas as (in)sensibilidades.

Escrevo agora sobre Lagos porque quero exercer este meu direito de cidadania e porque é a minha terra. Como antes escrevi de Portugal e como escreverei oportunamente de uma perspectiva evolutiva que transmitirei e que vem sendo desenvolvida por alguns cidadãos para o Algarve, tema que se imporá este ano, mais que nunca, introduzir no debate autárquico da região. Sem tibiezas nem rodeios, porque neste conservadorismo estrutural em que vegetamos há décadas… reside uma das origens recorrentes que vêm sedimentando as falsas soluções, com os consequentes problemas com que todos nos debatemos. Ninguém tenha ilusões porque ninguém o fará por nós. Muito menos as tenham os que pensaram que podiam lucrar eternamente com a chamada “situação” e que, dramaticamente para todos, parece ainda não terem percebido que tudo perderão nada fôr alterado. Como aliás já aconteceu antes…

Conheço e tenho estima pessoal por alguns dos que local e regionalmente têm vindo a desempenhar cargos públicos a todos os níveis e em todos os quadrantes. Não me move qualquer tipo de parcialidade própria destes tempos eleitorais. O que seria até reforçadamente legítimo, dado que estamos perante um Abismo e como eu nasci na Travessa do Penhasco tenho experiência naturalmente destas coisas. Como tantos outros concidadãos. Mas não é o caso, fiquem descansados.

De resto, apenas acrescento aqui hoje que, quer no país ou no estrangeiro, em todos os locais por onde passei em muito trabalho e pouco lazer nos últimos 30 anos, tenho poucos mas bons amigos e amigas em praticamente todas as áreas profissionais ou políticas, e acrescento que jamais fui acusado de incompetência ou de deslealdade.

Como alguém disse um dia «não vos posso dar a receita do meus bons sucessos, mas a dos fracassos é querer agradar a todos». Por isso, e por muito alta que possa vir a ser a discórdia, desde já reitero que, da minha parte, a consideração pessoal será a de sempre, independentemente de todas as divergências.

O que é imperativo, o que nos interessa a todos, é o exercício prático da Liberdade por Todos, a salvação da Democracia como regime e a positivação urgente da dificílima realidade em que estamos a navegar colectivamente, embora a maioria possa ainda não ter dela a devida consciência. Ou não queiram ou não possam expressá-la. Como lapidarmente referiu A. Barreto recentemente «A falta de capacidade de respirar livremente, sem recordar os fantasmas, é a vontade de viver amarrado ao passado».

Isto é válido em Portugal e em Lagos, como no resto do Algarve. Porque, repito, todos somos poucos.

A INICIAL MEMÓRIA DA MÚSICA E DA CARPINTARIA DO MEU AVÔ

Numa breve viagem por aquelas memórias pessoais mais ou menos fortes, apesar deste lacobrigense ter nascido apenas em 1960, esse “ano da avenida” e das “comemorações henriquinas”, a memória mais inicial que transporto é a de ter saído de casa numa bela tarde apenas com dois anos. Relataram-me anos depois o desespero dos meus pais e dos amigos a correr pela avenida até que por fim me encontraram tranquilamente, já noite dentro, a ouvir um ensaio na Filarmónica. No mesmo local onde anos atrás o meu avô Pedro Martins, que tinha uma carpintaria na Rua de São Sebastião, tinha tocado… Coincidências.

Deve-se aliás à Filarmónica a minha existência, porque foi numa arruada da banda que esse pai do meu pai conheceu a minha avó Maria do Carmo Borba! Embora esse episódio deva ter ocorrido com uma das bandas filarmónicas que precedeu a “1º de Maio”, essa mesma que no Dia do Trabalhador de 2009 comemorou os seus 78 anos. Aqui ficam os meus mais sinceros parabéns e votos de longa vida para esta nossa tão genuinamente pioneira e profícua academia de música e a todas as outras que fizeram e asseguram a continuidade do ensino da Música..

A MEMÓRIA DO CINEMA IMPÉRIO, DOS AMENDOINS E DO BANCO, DO PEDREIRO E DO PAPAGAIO

Quero relembrar hoje aqui esse quase poético desfile semanal do “homem do cinema” que ia buscar, uma vez por semana a pé e de carro-de-mão, as bobines dos filmes novos à Estação C.F. ou o bom e quase sempre “inexplicavelmente” triste Sr. Salazar, que vendia amendoins à porta do banco a informar, com ar grave os que lhe pediam ali mesmo dinheiro emprestado, do acordo que ele tinha com o BPA e que o impedia de o fazer: «Ó homem, então vocemecê não vê que eu tenho que respeitar o acordo que tenho aqui com o banco. Sabe, é que a gente tem um acordo, eles não vendem amendoins e eu não empresto dinheiro, ‘tá percebendo?». Se fosse hoje… até empresas de cafés e sumos os bancos têm. Dinheiro é outra conversa… Mas adiante.

Recordo-me ainda muito vivamente daquele mágico espectáculo do sábio pedreiro-maestro do papagaio Loureco das antiguidades pondo-o a cantar como um tenor “Goooooolll..do Benfica” ao fim da tarde quando diariamente por ali passava pela Rua Direita. Só visto. Simplesmente mágico.

OUTRAS MEMÓRIAS E O GIGANTESCO DR. TELLO

E que dizer do insupeitadamente cultíssimo e poliglota Mestre Despachadinho, em cuja loja funcionou a sede local da campanha do General Humberto Delgado?…Genial aquela sua resposta a um tipo do Norte que queria comprar chumbadas e lhe perguntou se tinha “tomates de chumbo” (com ‘c’) ao que o Mestre, com aquele seu andar característico e nada apressado lhe respondeu, mirando-o de soslaio por cima do ombro e levando a mão à anca: “Não, não, isto é só uma dôrzinha aqui nas costas”…

Muito viva é também a memória do Coronel Rocha de Abreu, que integrou a S. P. Teosofia, outro superior espírito que empreendeu entre nós a notável “Casa de S. Gonçalo”, assim como é essencial relembrar – hoje mais que nunca – essas tranquilas lições cívicas de vida do enorme Dr. António Guerreiro Tello, com consultório um pouco mais abaixo, inestimável para tantos lacobrigenses. Conta quem assistiu, que proferiu um discurso inolvidável na Praça da Música, nos anos 50, em que explicou à Cidade porque decidiu não aceitar o convite que o regime do Estado Novo lhe fazia para ir para Lisboa como deputado. No final, tardaram os aplausos unânimes porque todos os que o ouviram, ou seja a totalidade da praça (a cidade de então em peso…), ficaram literalmente em lágrimas, com alguns em pranto convulsivo…

Aqui fica uma única sugestão para quem a possa concretizar: já tarda homenagear, mais do que em nome de rua, com uma estátua ainda maior que a do tamanho real desse gigante de humanidade e altruísmo que escolheu viver na nossa Grande Cidade. O nosso Tolentino de Lagos certamente aceitará materializar esse imperativo de tão vivo traço da consciência colectiva com desconto especial.

Por mim, antevejo que a estátua seja colocada em pé e sem pedestal nessa mesma praça de tão indescritível discurso. Em pé em homenagem à sua verticalidade e ao lado dos seus iguais, como tão sabiamente soube estar e ser sempre tão essencialmente útil.

LAGOS: ÀS PORTAS DE UM PORTUGAL DO FATALISMO, DA INJUSTIÇA E DA IMPUNIDADE

Se todos nós nascemos originais e morremos cópias, como alguém disse um dia, são estas – como inúmeras outras – as pequenas coisas que nos dinamizam os espíritos e não se limitam apenas a habitar-nos a memória. São antes uma fonte de inspiração e motivação acrescidas para continuar a manter viva uma lúcida capacidade de indignação perante as sucessivas situações reais que, embora diferentes no tempo, espaço e qualidade, afinal por vezes contiveram e contêm idênticos e tão comuns atributos negativos: da INJUSTIÇA à IMPUNIDADE passando pelas vitórias sobre todos os FATALISMOS.

São aqueles traços vivos, diferentes consoante a percepção pessoal de cada um, que nos podem fazer ser aqui cada vez menos cópias de nós mesmos e cada vez mais originais, seja face à nossa essencial matriz sociológica, seja nas concretizações para que estamos permanentemente convocados pela MATERIALIZAR, como outros o fizeram no passado. Uns mais outros menos, não importa.Cada um à sua medida e na sua dimensão, o que importa é NÃO DESISTIR e OUSAR AGIR SEMPRE !

Porque é perante a necessidade de saber escolher as saídas para a desgraça colectiva em nos tentam objectivamente encurralar que todos estamos confrontados neste raro ano de quase todas as escolhas.

LAGOS, O BARLAVENTO E A HISTÓRIA: SOMOS DOS QUE ESCOLHERAM IR DESCOBRIR

Não é preciso recuar ao Califa Abderrahman e ao seu trabalho na organização desta Zawia, Cidade do Lago… ou do Poço, poço sem fundo em que o despótico centralismo vem de tempos a tempos insistir em nos manter afogados, largando migalhita aqui e ali, para reverente gáudio provinciano das afanosas tribos políticas, como antes aconteceu com as tribos corporativas.

Comecemos antes pela Vela, porque fomos nós, os Portugueses, que inventámos a primeira capaz de navegar contra o vento…E daqui fomos, nessa atitude inspiradora de interiorização bem necessária hoje para quem quiser sobreviver ao autêntico tsunami financeiro que está, apenas e ainda em crescimento descontrolado, a alastrar a todas as áreas e a todo o mundo, com excepção da Antárctida, essa espécie de Atlântida de que muito pouco se fala…

É que podem ter tido origem no pinhal de Leiria as madeiras para os barcos, ou a carne do Norte para mantimentos, na razão original das tão famosas tripas, mas aqui, nesta nossa região do Barlavento do Algarve não ficámos, naquele tempo refundador, ao abrigo confortável de qualquer restelo mental a ver a barcaria partir e a falar – erradamente, como a História constatou – da impossibilidade dessa tão gigantesca empresa que foram os Descobrimentos Portugueses.

Não, aqui se escolheu fixar a produção da empresa, mobilizando a necessária Inteligência disponível, e daqui eram as Pessoas, as conhecidas mas sobretudo as incógnitas, que partiram e voltaram materializando essa inovação de confiar e querer ligar pelo Mar as separadas Terras. Porque raio estatemos condenados a ficar agora parados a lamentar o “Deixa Mamar” televisivo à espera que outros resolvam o que só nós podemos resolver?

LAGOS E O TERRAMOTO DE 1755 DIARIAMENTE RECORDADO POR…UM SINO

Que fique desde já muito clarinho que não há marreco mental nenhum que nos consiga retirar o nosso grandioso e factual contributo histórico. Seja quem fôr e onde possa estar instalado em nosso nome. Nem que seja em Odemira. Por maiores que sejam a estrutural vénia ou o vivaz poderoso. Desse contributo não se podem apenas conservar cartas forais ou fazer desfiles históricos por mais belos que sejam. E são, mas é preciso mais.

Mais do que encenar participadamente esta encruzilhada de tantas culturas distantes no tempo e no espaço, é muito importante fixar documentalmente a memória do dificílimo trânsito de tantas comunidades do/pelo nosso Barlavento junto dos mais jovens, designadamente desde o período em que o terramoto de 1755 nos levou o estatuto e toda uma vida própria de Capital do Algarve e uma das cidades mais importantes da Europa… para Faro, onde qualquer dia até para ir aos mictórios lá teremos que nos fazer à via.

Para aliviar a carga, ainda um dia destes, pensando eu que cada estabelecimento aberto ao público tinha que ter um, perguntei por lá num balcão de café onde eram e obtive a seguinte resposta de uma solícita empregada de cachucho no dedo e no melhor português do Brasil: “Mictóriósss não temosss, só pástèuzinhosss de bácálhauu e tão bein chamuçasss…”. Faro no seu melhor. Aguentei-me, lá pedi uma chamuça e… “oberei”. Que me perdoem a recorrente alusão, mas não é este um dos já raros exercícios espirituais que nos restam hoje? Recomendo-o pelo menos uma vez por dia, e quanto mais cedo melhor, como treino para este tão igualmente raro e inoportuno ano eleitoral. Depois duma dentada inicial, lembrei-me da tribo canibal dos Costas, uns 10 000, que apenas permitiram a miscigenação de um Costa português que a liderou e foram essenciais para correr com os holandeses do Brasil, que fugiram – poucos – aterrorizados, porque os valentes Costas, depois de ganharem as suas batalhas, assavam e comiam os inimigos. Restou aos holandeses vir cá ao nosso Tejo de dois em dois anos com uma frotita ameaçante receber a sua acordada tençazinha de ouro…

Ainda tentei meter conversa com ela elogiando-lhe o anel, perguntei-lhe se era diamante, mas ela deixou-me estarrecido: “Não sinhor, é dji marido mesmo…”. É de momentos destes que um qualquer dia precisa. Reflexão e rara riqueza cultural. Acabei de comer, paguei e lá fui eu à procura da casa-de-banho do centro comercial. Tanto mar…

Estou também a gostar muito de recomendar a quem conheço outro invulgar exercício enriquecedor de qualquer cidadania: a audição dessa espantosa média diária de 607 badaladas do autárquico sino da Igreja de São Sebastião, em Lagos. Ele estar várias vezes acima do máximo legal está, mas faz muito bem ao espírito de tolerância democrática tão necessário nestes dias. E não é que está a virar atracção turística?

Conheço mesmo um casal que já veio de Lisboa, ela prima de uma outra célebre balconista, da Damaia lisbia, só para ouvir o tão celestial chimfrim. Vejam bem que eles costumam ir a Mafra aos concertos de carrilhão, mas quando eu lhes falei que as melhores badaladas nacionais eram as de Lagos ao domingo de manhã, puseram-se à estrada. E gostaram os dois muito. Não foi de carrilhão mas foi de badalo. Eles não ouvem muito bem, mas conseguiram afinar os aparelhos antes do segundo chorrilho e adoraram.

Aliás, também sei de fonte segura que o ministro M. GAGO apreciou devidamente aquela que se está a tornar, conjuntamente com o nosso novo e bom pároco (haja Deus…), numa nóvel atracção turístico-religiosa que apresenta sinergias por demais evidentes com o inaugurado Centro Ciência Viva. Mais concretamente no âmbito da Acústica, esse ramo da Física que estuda os Sons. Se ainda ontem até um gajo que é SURDO que nem uma porta sorriu para mim olhando para o sino, a descer a rua. Como estavam a dar as badaladas do meio-dia só pode ter sido de alegria…

Mas ainda sobre o sino da igreja onde fui baptizado, de resto, de que me serviria ir eu agora incomodar o Ministério Público com as badaladas de um sino se nem um qualquer suporte vídeo pode ser admitido como prova no sistema processual penal em que os nossos insignes magistrados estão obrigados a trabalhar? O que ainda não percebi, e ainda me irão explicar um dia, é para é que servem os sistemas de vigilância electrónica pagos a peso de ouro pelo erário público que se vão instalando por todo o país…como no centro histórico do Porto, por exemplo. Será apenas para se conseguir atingir esse inconcebível objectivo que diz ser o de aumentar a “sensação de segurança”? Será esta assim como, digamos que, eventualmente, uma espécie de segurança? Não há pachorra…

Posto isto, claro que ficamos, como todos os portugueses, ansiosamente à espera de mais medidas para aumentar outras sensações muito importantes, em vez desta espécie de sensação de absorção que quase todos sentem no bolso. Assim de repente, lembro-me de algumas outras espécies de sensações: a sensação de vivermos em democracia e liberdade, a sensação de termos procura turística, a sensação de termos comida à mesa duas vezes por dia, a sensação de estarmos a ser governados por gente competente, rigorosa e desapegada do poder, a sensação de ter trabalho – que emprego é outra conversa – a sensação de termos um aparelho de Estado pequeno, dinâmico e efectivamente controlador, a sensação de termos uma comunicação social livre, a sensação de crescimento económico ou essa basilar sensação de Justiça…

LAGOS E O BARLAVENTO DO ALGARVE

Estava eu a pensar que me faltava um MUDO para este breve apontamento de frutuosa ironia e eis senão quando, ao folhear o CM de segunda-feira 4, me deparo com a surpreendente visita de S. Exª. o Ministro do Ambiente à Vila do Bispo – num domingo…onde é que eu já vi isto? – para anunciar o 4º Polis Litoral, a começar já já já em 2010 e com a duração de 3 anos, 8 a 10 milhões de contos, «para valorizar as áreas balneares, proteger as arribas, criar percursos de visitação, ecovias e ciclovias e ainda melhorar os núcleos populacionais». O homem pode falar pouco, mas lá que anuncia bem anuncia. E como também tem interesses pessoais na nossa sub-região ficamos mais descansados. Ou tudo isto vai mudar para melhor, ou então é mais um episódio do “agora-é-que-é-ismo” cíclico, mesmo em cima das eleições.

Ainda para mais, como «o anúncio de Nunes Correia agradou ao presidente da Câmara de Vila do Bispo, Gilberto Viegas, que reclamara precisamente a necessidade de um Polis para a Costa Vicentina» ou até porque «O ministro não resistiu a comentar que o referido autarca tem “um dedo que adivinha”», nós, os Cidadãos do Triângulo Vicentino ficamos todos ainda mais reforçadamente descansados…

Embora também tenha aproveitado a oportunidade para logo falar sobre “turismo de qualidade” e não tenha falado nadinha nadinha nadinha sobre eólicas. Mas o mais assustador é que nem uma palavrinha saiu sobre os já célebres PIN’s, essa aberração do Direito Administrativo com que o centralismo da capital e dos felizes provincianos que o garantem brindam repetidamente todos os Cidadãos e todo o País.

Sast’fet’ ia eu virar a página quando me chama a atenção mais peixe: «Segundo o governante, o objectivo “é trazer desenvolvimento a uma região cujas populações se sentem muitas vezes abandonadas”. Mas alertou para o facto de as actividades económicas a implementar terem de ser “compatíveis com as exigências do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina”, dado que “não se pode matar a galinha dos ovos de ouro”. A aposta passa, por isso, pelo “turismo de qualidade”.» e «Nunes Correia disse ainda que esta semana será revista a portaria sobre a pesca lúdica no Parque Natural, sendo aliviadas as restrições em vigor desde Fevereiro». Na mesma ocasião o ministro informou ainda que «O Governo vai apresentar no dia 18 de Maio uma nova proposta para a revisão do Plano de Ordenamento do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.»…

Uma região cujas populações se sentem muitas vezes abandonadas? Coitadinhas? Quantas vezes? A que horas? E é quem as abandona ou abandonou que lhes pretende vir agora ensinar a viver na sua própria terra? Não será isto um claro caso que integra o extenso rol do que designa geralmente por demagogia eleitoralista? Quem pensa esta gente que ainda pode enganar? Só se fôr quem, uma vez mais, pensa que lucra com a presença nos poderes públicos ao serviço da “situação“… e de parques naturais então nem vale a pena falar muito.

Continuem a espalhar-se ao comprido que cá estaremos todos um dia para fazer as contas. Se não desaparecerem os registos das pseudo-legalidades…

Nunes Correia realmente empolgou-se com a encomenda. Mas a realidade dos “seus” anúncios é que contêm demasiadas coincidências em mais um episódio “3 em 1″ definitivamente esclarecedor:

1) o anúncio de um Plano de Investimento, simultâneo à

2) alteração do Plano de Ordenamento que o condiciona… e

3) a pouco tempo de mais umas eleições autárquicas e legislativas.

Para já, uma coisa é certa: como o pior CEGO é o que não quer ver, cegos seremos todos os que ainda queiramos insistir em não querer ver a realidade do mais despudorado saque patrimonial, cultural e eleitoral nesta democracia triste, podre, corrupta, falida e ainda impune em que ainda têm a suprema lata de nos vir portas adentro tentar forçar a que nela vegetemos reverencialmente agradecidos.

Como diria um antigo mecânico sobre um velho modelo que não cumpria a sua função, parece-me que as “polis” já estão um poucachinho gastas.

E, já agora, uma sugestão para o Sr. Ministro: é para pedir-lhe o favor de informar S. Exª. o Senhor Presidente do Conselho que tão silenciosamente integra que a Costa Vicentina não é no Sudoeste Alentejano, é no Barlavento do Algarve. Já sei que dirão que sempre assim foi, que a sede sempre foi em Odemira, mas olhe que esta ainda é uma boa oportunidade para desfazer mais um erro organizacional não sufragado pelos titulares do Poder Democrático: os Cidadãos. Ah, e para mandar rever os sistemas anti-fogo e anti-intrusão desse escritóriozeco inútil. Seria uma pena que se perdessem os registos e os documentos de tão cansativo e profícuo trabalho de defesa do nosso património natural que, certamente por fatal coincidência, só começou a ser desgraçadamente delapidado depois dessas invenções que são mais uma espécie de besilhões organizacionais com poderes especiais.

E, olhe, senhor ministro do ambiente, já agora, que abra ou mande abrir as portas do que sempre esteve aberto a todos, há mais de 500 anos… Nem o Salazar, que era danadinho para as contas – apesar de ser de Direito… – se lembrou de cobrar entradas na Fortaleza de Sagres. Certamente as entradas pagas são para implementar o turismo de qualidade…

Outra vergonha que qualquer Cidadão Português sente é o Farol do Cabo de S. Vicente estar fechado.  Há gente que vem do outro lado do mundo e fica à porta a olhar por entre as grades… Um verdadeiro nojo que envergonha qualquer pessoa que tenha vergonha na cara. Se calhar ainda é para abrir lá algum wellness resort PINote ou um restaurante chinês, não?  A bem de um turismo de qualidade?…

De regresso à História das Gentes, acredito que continua a ser pertinente fazer um levantamento sistemático das pessoas, contextos e das vidas que fizeram a História da nossa Cidade e da nossa Região. Há ainda algumas pessoas vivas que tem essas memórias, que urge fixar para o futuro. E existem tantas iniciativas dispersas de muito mérito que urge reunir e divulgar.

Na minha opinião, esse trabalho de restauro da memória deve focar com especial incidência esse nada inocente vazio no ensino escolar português com que, durante tanto tempo, foi esquecida a História do séc. XX no Algarve até aos anos 70. Sem esquecer os mais recuados anos da Revolução Liberal do séc. XIX, com muita memória oral viva ainda no eixo Lagoa/Silves, importa conhecer melhor o que foram os anos da Implantação da República, do Estado Novo, da Guerra Colonial e os anos vizinhos do 25 de Abril de 1974 entre nós. Tal como inventariar e registar os espólios dispersos e, evidentemente, conservar os documentos registados. Estes e todos os outros, mais recentes. Não vá acontecer-lhes o mesmo que aos azulejos e a tantas outras peças patrimoniais por este país fora, ou qualquer outro imprevisto mais quente ou poderoso…

LAGOS HOJE: AMAR A CIDADE É RESPEITAR OS DIREITOS DOS CONCIDADÃOS

Há mais de 2 anos tive a dolorosa oportunidade de mandar gravar na campa de minha Mãe uma citação que me apareceu naqueles momentos tão difíceis: «O Amor é o único sonho que não se sonha». Porque foi a grande lição de vida que dela pude receber e que aqui partilho com todos. Recebi-a eu como tantas outras pessoas que com ela conviveram diariamente no exercício da sua tão generosa profissão de Professora. “Os seus outros filhos e filhas” – como ela dizia sempre com indisfarçável orgulho.

Bem me parece que este raro sentido do Amor realmente faz-se, constrói-se, pratica-se. No seu sentido maior pode fazer-se todos os dias, no respeito completo pelo outro, na palavra amiga, na ajuda ao que menos sabe ou menos pode, ajudando-o a progredir pessoal e profissionalmente mesmo em contextos complicados, como era frequente e nestes tempos está a voltar a ser. Assim como se faz ajudando a levantar-se quem tropeça e cai. Ou avisando, prevenindo sem sobrancerias mas com clareza. Embora o que mais vemos em todo o lado seja o abandono, o abuso do saber em relação ao que menos sabe ou os mais brutais e silenciosos abusos de confiança que desaguam na subversão de tantas realidades e potenciais pessoais sacrificados a tão tristes quão temporários oportunismos pessoais e políticos…

Mas esse Amor também se faz na defesa do que é nosso, sejam postos de trabalho ou patrimónios, pessoais ou colectivos, materiais e imateriais, desempenhados e conquistados honestamente e com continuado esforço ao longo de tantas vidas de luta e trabalho tantas vezes oculto na espuma dos dias mais ou menos negros da nossa vida colectiva. Os quais, ninguém disto tenha dúvidas, estão de novo no horizonte temporal de Portugal, como nos de Lagos e do Algarve.

É em nome desse AMOR e desse RESPEITO pela MEMÓRIA e pelo TRABALHO de todos quantos por cá andaram antes de nós que escrevo estas linhas. A mim, em concreto, possibilitou a este neto de dois honestos carpinteiros não ter que “vender a alma ao diabo”. Sem entrar noutros detalhes, que existem, viabilizou-me um dificílimo regresso às origens (v. link ) recusando-me à incluir-me no extensíssimo rol dos reféns da componente empresarial privada de um sistema corrupto e ainda impune, cujos respectivos “rabos de palha” irão mais cedo ou mais tarde arder, acesos de uma forma ou de outra, mas sempre de modo perigosamente imprevisivel… Porque tudo tem limites.

É que pode enganar-se uma pessoa uma vez, duas pessoas duas vezes, mas não se pode enganar toda a gente o tempo todo! Nem em Portugal, nem no Algarve, nem em Lagos.
(…/…)

José Borba Martins, Lagos

Professional networking @:
http://www.linkedin.com/in/joseborbamartins
Social networking @:
http://twitter.com/joseborba
http://joseborba.hi5.com
http://www.facebook.com/people/Jose-Borba-Martins/

Open Blog preferido @
http://talefe.wordpress.com

ESSA COISA TÃO SIMPLES: LIBERDADE

In Local, Nacional, Regional on 27/04/2009 at 10:28 am

miguelsousatavares

MIGUEL SOUSA TAVARES e o “DIA 35 DE ABRIL” (melhor cabeçalho da imprensa de 25.Abril.2009)

«Passam hoje 35 anos sobre a tal inesquecível madrugada libertadora. Como de costume, o regime vai assinalar a data com umas quantas cerimónias, públicas e particulares, sempre previsíveis, sempre obrigatórias e sempre destituídas de sentido. O Presidente da República vai fazer o habitual discurso na Assembleia, em que tudo o que interessa é ler nas entrelinhas se ele ataca ou não ataca o Governo em funções – conforme é tradição da data; o PCP e a extrema-esquerda vão desfilar por aí, jurando que “Abril está por cumprir”; e o coronel Vasco Lourenço, em representação dos militares do 25 de Abril, vai destilar o seu habitual azedume contra os ‘políticos’ e insinuar que, se for preciso, eles são capazes de voltar a pegar em armas e acabar “o que ficou inacabado”. Há muito que defendo que a memória dessa luminosa manhã de liberdade deveria deixar de ser comemorada – pelo menos, assim -, como forma de preservar a sua dignidade. O passado é um país distante e a sua revisitação, a tentativa de reinventar um dia feliz vivido lá atrás, acaba sempre por ter um sabor amargo, a mofo.

Além de que esta sessão anual de lamúrias públicas não tem razão de ser: o 25 de Abril foi cumprido, tanto quanto o podia ser. Os três D foram cumpridos. Democratizámos, mas a democracia – numa nação que nunca teve a liberdade como o primeiro e absoluto dos valores – não é muito mais do que isto. Descolonizámos – tarde e mal, e mal porque tarde -, mas cumprimos o princípio essencial de devolver o que não era nosso e que só as circunstâncias históricas (sem dúvida motivo de orgulho) nos tinham provisoriamente confiado. E desenvolvemo-nos: sim, desenvolvemo-nos. Só quem não viveu ou não se lembra do que era o Portugal de 1974, só quem não viu, por exemplo, a série de programas de António Barreto na RTP, é que pode ainda ter dúvidas sobre isso. O Portugal de hoje não tem nada, rigorosamente nada, a ver com o Portugal do Estado Novo – miserável, ignorante, de mão estendida e espinha curvada. Acontece é que nunca estamos satisfeitos, achámos que a liberdade era o direito de tudo reclamar, todos os direitos sem nenhuns deveres, a Europa e o mundo fascinados a nossos pés, pagando eternamente pelo espectáculo da nossa liberdade e do cravo na lapela, e nós encostados aos subsídios e às facilidades sem termos de nos cansar. Hélas!, não é assim que se constroem as nações que vão à frente!

Podíamos, ao menos, ter-nos entendido, de uma vez por todas, sobre o essencial desse dia distante: a liberdade. Mas nem isso. Basta ver como, hoje ainda, os próprios militares de Abril estão divididos, para perceber como essa coisa aparentemente tão simples que é a ideia de liberdade continua a dividir uma nação que nunca, verdadeiramente, a amou, respeitou ou se bateu por ela. Na semana em que Otelo foi promovido a coronel, com efeitos retroactivos, Jaime Neves foi promovido a general, e a Associação dos Militares de Abril amuou por causa desta última. Não perceberam que o que aconteceu em determinado momento não pode ser apagado da história pelos momentos supervenientes, seja de que lado for: que a liberdade se ficou a dever, primeiro, a Salgueiro Maia e Otelo, e, depois, a Eanes e Jaime Neves.

O “bota-abaixo”, como diz José Sócrates, é o que nós achamos de mais próximo à liberdade: poder dizer livremente mal de todos os ‘políticos’, depois de cinquenta anos em que ninguém se atrevia sequer a dizê-lo à própria sombra. Tornar o simples exercício do poder e a correspondente exposição pública uma oportunidade para o fartar vilanagem, que confundimos com coragem. Não digo, antes pelo contrário, que os políticos sejam melhores hoje do que eram há dez, vinte ou trinta anos: aqui, na Europa, no resto do planeta. Digo é que, quando acontece alguém chegar à política movido pelo sentido de serviço público e pela vontade de transformar as coisas, ele é tranquilamente cilindrado como os outros, com a leveza de um Vasco Lourenço discorrendo sobre o país ou de um qualquer ‘corajoso’, insultando, anónima e impunemente, nos blogues do mundo fácil de governar da net.

Não devíamos, assim, queixar-nos ou admirar-nos se os melhores desistem e se os piores regressam, no vazio criado. Para desgraça nossa – e com o nosso voto! -, Santana Lopes vai, muito provavelmente, regressar ao governo de Lisboa, depois de ter deixado a cidade e o país de pantanas. Mas quem quer verdadeiramente preocupar-se em escrutinar o que foi o seu desgoverno passado? As pessoas ficam-se pela espuma das coisas – o túnel do Marquês – e nem querem saber do resto, se o homem é apenas um genial mestre da sedução sem causa nobre. E a senhora que o escolheu – Manuela Ferreira Leite – desdenhou, para encabeçar a lista do PSD às europeias, alguém como Marques Mendes, dos raros que quiseram moralizar as coisas, pagou por isso e se afastou tranquilamente. Devíamos, sim, pensar que Paulo Rangel, o cabeça-de-lista do PSD às europeias, e Nuno Melo, o do PP, são dois excelentes deputados, dos poucos que fazem a diferença, e que os respectivos partidos afastam do Parlamento para esse doirado exílio europeu, onde habitam sumidades políticas como Edite Estrela ou Deus Pinheiro. Devíamos pensar, pior ainda, por que razão desistem eles próprios e tão rapidamente de uma batalha onde farão falta.

Já aqui escrevi, há quinze dias, sobre o que penso do caso Freeport e da posição em que ele coloca José Sócrates. Escrevi que, pessoalmente, acredito na sua inocência, mas não abdico de ver tudo esclarecido, sem margem para qualquer dúvida. O que eu não entendo é a leviandade de tudo isto: um homem é publicamente suspeito do pior dos crimes políticos e a coisa arrasta-se, meses, anos, em fogo lento, sem que ele seja ilibado ou acusado e tendo ainda de governar o país e enfrentar eleições sob esse peso. Não pode desistir, porque seria como que uma confissão de culpa; não pode continuar em igualdade de circunstâncias com os seus adversários políticos, porque há sempre essa terrível suspeita pendente sobre ele. Não pode ficar quieto e calado, porque alimenta as suspeitas; não se pode defender, porque é uma ‘ameaça’ e uma ‘pressão’. O que pode um cidadão, que tem o azar de ser primeiro-ministro de Portugal, fazer num caso destes e enquanto espera que a Justiça cumpra o seu papel?

Há um tipo – que tem o mesmo apelido que eu e que escreve semanalmente no “DN”, onde se especializou na ofensa fácil – que escreveu que Sócrates falar de moral é o mesmo que Cicciolina falar de virtude, ou coisa que o valha. O cidadão José Sócrates, sentindo-se ofendido (como qualquer um de nós se sentiria), põe um processo ao ofensor. Tem esse direito? Não: é o primeiro-ministro a intimidar um ‘jornalista’. E o ‘jornalista’ vira mártir da liberdade de imprensa na praça pública. Fala-se em “ameaças intoleráveis”, da liberdade em risco, da heróica e antiquíssima luta da imprensa contra o poder, do “jornalismo de investigação” contra as pressões políticas.

Liberdade? De imprensa? Ora, vão pastar caracóis para o Sara! Eles sabem lá o que é a liberdade! Sabem lá o que isso custa a ganhar!

Venha o 25 de Abril, sempre! Mas, por favor, não o comemorem nem o invoquem mais, antes que isto vire fantochada!»

MIGUEL SOUSA TAVARES

in http://aeiou.expresso.pt/miguel-sousa-tavares=s23491

DEPRESSÃO COM DEFLAÇÃO ou DEPRESSÃO COM HIPER-INFLAÇÃO ?

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 10/04/2009 at 12:50 am

depression-ahead

Schopenhauer dizia o que andamos a ver relembrado por muita gente nestes tempos únicos. Dizia ele que a toda a Verdade passa por três fases: Começa por ser ridicularizada, passa a ser violentamente atacada antes de ser aceite como evidente.

Na sequência dos dois posts anteriores acerca da 1ª Grande Depressão Global, ou a 1ª Depressão do séc. XXI, que tantos aqui onde a Terra acaba e o Mar começa ainda insistem já não em negar, mas a lidar com o facto como se de um fenómeno aleatório ou meteorológico se tratasse, e dispondo eu de não mais do que a informação a que qualquer Cidadão pode aceder via internet, venho humildemente chamar a atenção de TODOS, onde se devem urgentemente incluir aqueles que têm responsabilidades objectivas pela gestão política de Portugal, de alto a baixo e da “esquerda” à “direita”, para o facto de estarmos a atingir o Ponto Inicial do Absurdo ou a Barreira do Impossível, as designações que Martin Weiss, um reputado analista norte-americano, utilizou num webinar há menos de 48 horas. Não é o primeiro a pronunciar-se contra a corrente de um estranho optimismo segundo o qual “isto vai passar”, “tudo voltará a ser como dantes” ou que “dentro de um ano ou dois isto melhora, basta esperar e ter paciência”, etc.

O intuito desta linhas é o de facultar reflexões sobre este tipo de informação, irrefutável, credível e de difusão urgente, que a quase totalidade da comunicação social portuguesa, com raríssimas excepções, vem omitindo ou tarda em transmitir.

Estranhamente parece preferir-se, em vez desse trabalho imperativo e sob o pretexto da comemoração de efemérides importantes, andar a pedir aos vilipendiados Cidadãos de Portugal para darem o seu contributo apenas folclórico e aparentemente participativo para a melhoria da qualidade desta “nossa” democracia…

Quem pode acreditar que  uma mesma pessoa ou grupo de pessoas  pode à tarde opôr-se ao que faz de manhã?

Haja Seriedade e Vergonha. Porque é tarde para mais uma encenação “genial” !!!

E tudo isto para quê? Para avalizar uma vez mais a continuidade nos vários poderes daqueles que “sabiamente” quiseram e souberam voluntariamente posicionar-se nos lugares que, ainda e apenas há semanas, pensavam serem impossíveis de ser postos em causa pelos excepcionais acontecimentos que assistimos? Não! Não é este, definitiva e evidentemente, o caminho da Verdade e da Acção que interessa é generalidade dos Portugueses.

Então afinal, meus senhores, para que é que têm sido pagos e o que têm andado a fazer de facto os Políticos, os Gestores Públicos e toda a Corte que os acompanha? Para pensar e agir no interesse geral de Portugal ou para andarem a perder tempo com questiúnculas, enredos  e mascaradas suicidárias fatais, acompanhadas de um extensíssimo rol de tomadas de decisão/omissão demonstradamente irresponsáveis e gravíssimas para a Democracia Portuguesa e para, pasme-se, ainda por cima e como se tudo isso não bastasse, virem agora pedir Ideias e Participação aos pobres  dos Portugueses que somos todos nós afinal? Ou seja, justamente a quem, com paciência china – certamente por influência dos 5000 PdV chineses já existentes -  não só lhes vem pagando, como ainda em nome de quem estes figurões de pacotilha e vácuo altruísta pretendem exercer cargos públicos? Homessa, que grande calinada! Cada vez que vejo esse bem feito mas triste anúncio televisivo fico sem palavras… Mas adiante, que se faz tarde.

O ritmo da evolução negativa da economia portuguesa, europeia e mundial é avassalador, mas continuamos a testar gaps temporais inadmissíveis no fornecimento de dados objectivos, que apenas são facultados a conta-gotas ou em alguns artigos de opinião, exceptuando-se ainda alguns “malditos” e raros blogs nacionais. Ainda há poucos dias foi o défice final de Dezembro de 2008, corrigido face ao anunciado anteriormente como bem sucedido, face às circunstâncias… Em Abril 2009, mais de 3 meses depois??? Esta é mais uma estúpida realidade que nos condiciona, que vem atravessando todos os governos e que os excepcionais tempos que vivemos apenas vêm de novo reforçadamente evidenciar.

Não são as causas directas e indirectas desta “crise”, mais ou menos recentes que nos devem preocupar no presente, para além das lições que elas fornecem. Muito menos entrar em debates inúteis, que apenas consomem Tempo e Energia.

Assisti, e não fui o único a fazê-lo com muita atenção, ao webinar de M. Weiss, que está a alertar não apenas toda a população dos Estados Unidos como a de todo o planeta para a realidade actual, para as opções políticas erradas que estão a ser seguidas e que conduzirão a Humanidade para longos anos – senão décadas – de Declínio Global.

A quase totalidade da informação incluída neste post tem como fonte aquele evento de Martin Weiss, a quem saúdo e agradeço em meu nome e em nome de todos quantos os que destas informações e links possam extrair os apropriados posicionamentos pessoais, empresariais ou políticos conscientes e pró-activos em defesa dos seus patrimónios, tangíveis ou intangíveis, sejam eles a inestimável Liberdade, o Emprego, os Rendimentos e todo e qualquer tipo de Direitos Pessoais e Sociais que estão, de facto e já hoje, ameaçados como nunca antes na História da Civilização.

Ninguém tem seguro contra os riscos com que a Humanidade está confrontada já hoje. Portugal não é excepção. Nem mais nem menos.

O que é válido para os USA é por demais claramente aplicável à Europa e a Portugal. Obviamente, e ainda em maior escala no caso do nosso país, dadas as enormes diferenças estruturais existentes: competitividade e estruturação económica, moeda, heterogeneidade sócio-fiscal, etc.

O que está a acontecer nos mercados financeiros é uma tremenda armadilha. Na Depressão dos anos 30 do século passado sucedeu o mesmo, com vagas ilusórias de valorizações de 30%, 48%, 20% nas 3 primeiras vagas…

O Desemprego ainda está a crescer e a crescer cada vez mais rapidamente do que numa recessão típica…

As Falências estão em crescimento.

O Crédito Bancário está verdadeiramente assustador.

Três organizações mundiais, o FMI-Fundo Monetário Internacional, o BM-Banco Mundial e OCDE-Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico, estão unanimemente a prever que nos próximos meses e durante todo o ano de 2009 todos testemunharemos

.

O PRIMEIRO DECLÍNIO MUNDIAL

DESDE A GRANDE DEPRESSÃO !!!

.

E estão a prever ainda maiores declínios, precisamente nas mesma área de actividade que fez com que a Depressão de 1930 fosse tão severa: O COMÉRCIO MUNDIAL. É como cair de um penhasco abaixo….

Não interessa a frequência com que os rallyes do mercado financeiro possam suceder, nem como os países do G-20 estimulem ou não estimulem as suas economias, nem os abanões positivos que possam ocorrer num ou noutro sector de actividade, o que interessa perceber é que

O DECLÍNIO GLOBAL

É O CONTEXTO FUTURO IMEDIATO

que se apresenta para qualquer continente do planeta, com excepção da Antárctida…

Toda a gente parece já ter percebido que seriam necessários muitíssimos estímulos para dar a volta a este monstro que é o declínio económico global.  Seria necessário muito mais do que qualquer governo do mundo poderia suportar. Não vale a pena iludir ou açucarar a questão, temos que ser perfeitamente claros:

.

NESTE PRECISO MOMENTO,

A ECONOMIA MUNDIAL ESTÁ A DESLIZAR

PARA A 1ª GRANDE DEPRESSÃO DO SÉC. XXI !!!

.

E esta Depressão está já a trazer grandes cortes: na produção industrial, severos declínios em resultados de grandes grupos, desemprego massivo, perdas de casas e falências, ou seja, já está em curso

.

O MAIOR CICLO VICIOSO DE TODOS OS TEMPOS:

O COLAPSO DO CRÉDITO !

.

Que ninguém tenha dúvidas, estamos todos na maior encruzilhada das nossas vidas e temos que escolher o caminho certo. Esta escolha não é acerca de nós, da nossa geração, é sobre os nossos filhos e os filhos dos nossos filhos.

Se fizermos a escolha acertada, poderemos providenciar melhores tempos para eles. Ou, alternativamente, poderemos ir continuando o declínio do endividamento tornando muito mais difícil a vida de não uma, mas várias gerações futuras.

EXISTEM APENAS DOIS CAMINHOS OU TENDÊNCIAS POSSÍVEIS A PARTIR DO CRUZAMENTO PRESENTE EM QUE TODOS NOS ENCONTRAMOS (PERMANECEREMOS, EM PORTUGAL, PARADOS, QUIETOS E CALADOS À ESPERA QUE OS TEMPOS MUDEM ?):

.

1) DEPRESSÃO ECONÓMICA COM DEFLAÇÃO

.

O primeiro  dos caminhos conduz à Depressão Económica com Deflação, com algumas similaridades com a Depressão de 1930. Não vale a pena “doirar a pílula”, serão tempos duros e traumatizantes. Vêm com uma reacção em cadeia de falências de empresas e grupos económicos, não apenas dos que já estão a ser intervencionados, mas também de mais bancos, seguradoras, construtores automóveis, etc.

Re(começará) nos mercados financeiros com novo pânico financeiro em Wall Street e vai por aí fora até se atingirem níveis de desemprego record até 25% da população activa (15,6% hoje nos Usa), até se atingirem níveis de redução da produção industrial de 50% da capacidade instalada (o que já começou a acontecer globalmente), até ao dramático e muito doloroso aumento da população sem abrigo (10 grandes cidades americanas estão já nesta tendência…).

Neste cenário a previsão para os mercados accionistas cotados é de uma redução de 90% (tal como em 1930, também pode acontecer agora).

Mas este cenário contém, por incrível que possa parecer, alguns benefícios.

Podem ocorrer tempestades financeiras, podem ter que ser feitas ajudas extraordinárias para salvar posições estratégicas, pessoais, de cidades inteiras ou de empresas organicamente rentáveis, mas essas medidas terão carácter de emergência em qualquer que seja o cenário, neste caminho ou no outro. No caso concreto das Reformas, Pensões e dos Planos que cada Pessoa ou Família terão previsto, a realidade é que igualmente não será necessário o mesmo montante que seria na realidade passada, que já não existe, e que era de inflação controlada, permanente e contínua.

A realidade, neste novo cenário de Depressão com Deflação é que será apenas necessário sensivelmente metade do anteriormente previsto. Desde que não se perca mais rendimento do que já se perdeu até este momento.

De facto, a maioria das pessoas – e dos políticos – ainda não pensa assim, pela simples razão de que não passaram por nenhum período deflaccionista nas suas vidas. Mas este é um benefício significativo que decorre deste cenário, o de preços a cair. Em deflação as casas ficam mais baratas, as despesas com educação ficam mais baratas, um depósito de gasolina ou gasóleo fica mais fácil de encher. Graças à deflação as pessoas passam a querer trabalhar mais por menos. Não é ironia, é mesmo assim. As moedas continuarão fortes e a competitividade das economias não será comprometida, os bancos centrais poderão continuar a recorrer a crédito externo em função das necessidades para as operações correntes e as formas de governo democráticas não serão comprometidas. Tudo isto com ~25% de desemprego, mas com ~75% da população activa ainda a trabalhar, a receber em moeda estável e a poder comprar mais mês após mês (e não menos, como acontece com inflação). O que é válido para os USA e também para a Europa.

O problema é que os governos e dos fazedores de políticas parece não gostarem de Deflação, preferem Inflação, é algo com que se habituaram a viver e toleram. Não tem a mesma conotação de Mal, um ‘frame’ que associam à Deflação.

Esperemos até que tomem consciência do ‘CENÁRIO NEGRO DA INFLAÇÃO‘, que é o da

.

2) DEPRESSÃO COM HIPER-INFLAÇÃO

.

Este é o 2º dos caminhos que se nos apresentam no cruzamento em que nos encontramos. Este ‘cenário negro de Inflação’ não é o cenário da inflação “normal” que conhecemos do passado recente. É uma inflacção on the run, descontrolada, a que se acrescentará a maior parte das características da Depressão identificadas parcialmente no anterior caminho.

Na sua forma mais extrema, conduzirá a uma realidade similar à que a Alemanha sofreu nos anos 20 do sec.XX.

Foi quando o governo decidiu imprimir dinheiro sem quaisquer restrições, quando o dinheiro chegou a ser mais barato do que o papel de parede, o tempo que os selos do correio tinham como o valor 1 milhão de marcos, em que as pessoas iam às compras com sacos carregados de notas sem valor, no tempo em que 3 triliões de marcos (esc. curta) compravam 1 dólar

O resultado foi caos político e social, a eleição de A. Hitler, a 2ª Guerra Mundial…  Estes são os  factos históricos. Será algo de semelhante possível de acontecer no contexto actual? Ninguém quer que aconteça, e quase ninguém acredita que tal venha a acontecer nos USA ou na Europa, dadas as infra-estruturas de produção instaladas, da industrial à agro-alimentar mas, como se sabe, o que nós queremos e o que nós pensamos não é sempre igual ao resultado que obtemos… todos sabemos isso do nosso dia-a-dia ! E em Portugal como será?

De facto, neste momento, existe já muita gente respeitável nos USA não só a falar em caos social como até a prevê-lo. Serão loucos? M. Weiss não os qualifica assim, vai dizendo que lhes será provado que estão simplesmente enganados…

Apesar de, neste preciso momento e numa dezena de cidades dos USA, existirem migrações significativas de Famílias que perderam as suas casas e passaram a viver em tendas nos descampados dos subúrbios. Já se chama a este fenómeno o “Katrina Financeiro”…

Mas a verdade é que M. Weiss também diz isso apenas para o caso norte-americano, dada a infra-estrutura de que o país dispõe. Poderá dizer-se o mesmo quanto a Portugal e a outros países da Europa ou do Resto do Mundo que não disponham da mesma capacidade de produção interna, para além de outros diferenciais vs. outras características positivas da dinâmica económica americana?

Por outro lado há imensa gente que ainda pensa que pode beneficiar da Inflação. Isso pode ser válido para algumas pessoas em alguns sectores de actividade, em estádios iniciais do processo inflaccionista. Têm a impressão de que ficam mais ricos, por vezes até ficam, têm a impressão de que os créditos ficam mais fáceis de pagar, por vezes até podem ficar, as autoridades governativas pensam que com inflação podem aliviar a dor da Depressão, e até podem por vezes consegui-lo. Mas, no final, tudo isso não funciona. É apenas aparente. Por cá, até já tivémos um Ministro das Finanças que chamava à inflação “um imposto escondido” recordam-se?

A maioria das pessoas aperceber-se-à rapidamente de que a Inflação é apenas uma espécie de placebo, que a prosperidade é uma fantasia temporária, uma miragem… E, o que é mais importante, este cenário traz com ele todas as mesmas consequências negativas que a Deflacção, mas sem os efeitos positivos desta.

O perigo de Depressão com Inflacção – o pior de todos os males -  é vir trazer toda uma série de implicações adicionais potencialmente fatais tanto para os USA/USD como para a EUROPA e para o EURO tal como os conhecemos. Porquê?

- porque arrastará a crise para uma duração mais longa no tempo.

- porque drenará os preciosos recursos do país afunilando-os para apoiar algumas das grandes empresas mais enfraquecidas e menos produtivas.

- porque vai corroer o valor do dinheiro e destruir os incentivos aos esforços colectivos. As pessoas serão induzidas a sentir e pensar uma coisa muito simples: para quê trabalhar mais se o dinheiro que ganho pelo meu trabalho vale cada vez menos ?

- porque a Economia ficará como que congelada.

- porque retalhistas alimentares e de outro tipo de negócios de bens tangíveis não poderão stockar mercadorias dado que os preços serão cada vez mais voláteis.

- porque no caso extremo, o dinheiro poderá deixar de ter valor, como no caso alemão dos anos da década de 1920. Aliás, como no Zimbabwe hoje…

- porque, no caso USA os 75% da população activa que ainda terão emprego, “abanados” pela escalada de preços, diminuirão os seus níveis de produtividade.  Será diferente na Europa? E em Portugal?

Neste cenário, pior do que se sofrer a dôr causada pela Depressão, mas sem os benefícios da Deflação, pior que isso, como se não bastasse, será infligir dôr àqueles que possam ser poupados à Crise, ou seja, no caso americano, aos 75% da população activa que terão ainda emprego.

Neste Cenário Negro de Depressão com Hiper-Inflação (ou inflação galopante, descontrolada), quando comparado com o cenário de Depressão com Deflação teremos que:

- em vez de um dólar (euro) forte existirá um dólar (euro) deslizante e fraco,

- em vez de mais competitivos os USA (a Europa) será ainda menos competitivo/a do que hoje é,

- as despesas com educação e com combustíveis serão quase impossíveis de suportar,

- não haverá partilha de sacrifícios e a situação social poderá dirigir-se para revoltas e protestos massivos, porque não haverá moeda forte para proteger os Cidadãos,

- em vez de um governo democrático que ajude os Cidadãos penalizados com a Depressão poderão assistir-se a fenómenos de “Shaker-Democracy” que poderão ir de hipo-reacção até à hiper-reacção do tipo “punição das vítimas” – como aliás já aconteceu há dias nos USA – assim como a derivas de facto anti-democráticas e extremamente injustas face à realidade.

Uma ideia-chave: mesmo aqueles que possam sobreviver financeiramente aos anos iniciais da Depressão, serão inelutavelmente devastados mais tarde ou mais cedo.

Estes são os dados. Os caminhos “a escolher” são apenas dois, mas sempre com a Depressão como macro-contexto de fundo:

.

1) DEPRESSÃO COM DEFLAÇÃO

ou

2) DEPRESSÃO COM HIPER-INFLAÇÃO

.

E as questões-chave associadas são, evidentemente, as seguintes:

a) Quanto tempo vai durar a Depressão?

b) Vai ser curta, ou vão os governos, em função do bombear de “ajudas” financeiras, assegurar a duração da Depressão por muito mais tempo?

c) A Depressão será seguida por uma forte recuperação (que é o melhor cenário) ou a emissão/impressão acelerada de moeda implicará anos ou até décadas de declínio? Não poderemos fazer nada?

Esta é uma escolha monumental que temos que fazer imediatamente. Todos e cada um de nós, os que vivemos neste tempo da Primeira Depressão Mundial do séc. XXI, fomos convocados pela História para fazer essa escolha neste momento.

Este é o tempo e todos nós somos aqueles para os quais os nossos descendentes olharão e, das duas uma: ou nos louvarão pela nossa prudente capacidade de previsão ou nos crucificarão pela nossa cegueira e crueldade.

.

NESTE PRECISO MOMENTO OS GOVERNOS

ESTÃO A FAZER AS ESCOLHAS

MAIS INSENSATAS,

MAIS EGOÍSTAS

E  DE

MAIS ALTO RISCO

DA HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO !!!

.

No seu zelo para evitar o inevitável ciclo de depressão, os Estados Unidos, o Reino Unido e agora muitas das nações G-20 (acompanhadas pelos seus seguidores cegos ou oportunistas por motivos de subsistência política pessoal ou grupal inconsciente) estão a conduzir-nos para o padrão da destruição.

A Reserva Federal abandonou o seu papel tradicional de controlo da inflação e está, actualmente, a utilizar o seu máximo nível endividamento possível para… CRIAR INFLAÇÃO !

O Tesouro americano abandonou qualquer semelhança de restrição de risco e está agora fora de controlo. Refugiar-se-à J.C.Trichet no mandato restrito que tem, no âmbito do estatuto actual do BCE, para assistir como espectador desta excepcional realidade? Ou, pior, verá ser-lhe imposta pelas circunstâncias uma estratégia meramente seguidista em relação à norte-americana? Quem tem e quem está de jure e de facto a exercer o controlo democrático do BCE em nome dos Cidadãos da Europa? Existem gaps operacionais também aqui? Quem pode dar hoje essa informação? O constrangimento e os conteúdos implícitos recorrentes das declarações de J. C.  Trichet parecem ser esclarecedores.

Nos USA, o Défice explodiu literalmente para valores 4 vezes superiores ao do pior défice em apenas 12 meses…

Nos USA, só nos últimos 18 meses foram investidos, emprestados, garantidos ou e alocados pela Reserva Federal 14 triliões de dólares (em escala curta, 14*10^12=14.000.000.000.000 Usd).

Mais do que o PIB total, mais do que o Défice total acumulado em mais de dois séculos, é dinheiro que os USA não têm.

É dinheiro que não é possível pedir emprestado sem consequências enormes.

E é dinheiro em papel-moeda que já começou a ser impresso: 14 triliões de Usd até este momento.

Pela primeira vez na História Americana a Reserva Federal está a utilizar a sua capacidade de impressão de papel-moeda com o propósito de concretizar os corporate bailouts (ajudas de emergência a grandes empresas). Isto nunca funcionou no passado e nunca funcionará no actual contexto. Por isso, teremos todos de encontrar e assumir a escolha certa no tal cruzamento ou bifurcação neste caminho terrível em que estamos a ser conduzidos.

Será demasiado tarde? Martin Weiss pensa ainda que não. Mas pensemos em todo o mal que esta operação de impressão de mais papel-moeda pode fazer. E a seguir pensemos quanto de bom apenas uma pequena fracção desse dinheiro pode fazer às pessoas que estão a ser atingidas por esta crise. Se a taxa de desemprego atingir os 10%, tal como a Administração Obama está a dizer que pode acontecer, isso quer dizer que 16 milhões de famílias passarão a não ter rendimentos. Os números são desconcertantes.

Pode ser um exercício teórico, mas se considerássemos os tais 14 triliões de dólares para, em vez de se fazerem os salvíficos bailouts a bancos culposos, corretores, companhias de seguros e construtores automóveis,  serem utilizados esses meios para ajudar os desempregados, pois bem, isso representaria um cheque de 3,5 milhões de Usd para cada família atingida pelo desemprego…

Está a ser argumentado que o dinheiro para os bailouts está a ser bem empregue para salvar bancos e mercados financeiros, mas isso é absolutamente falso. Tanto nos USA como na Europa. Ou em Portugal !

E acredita-se que quem toma essas decisões sabe perfeitamente que é falso. Porque sabem que não se pode voltar com o relógio atrás e inverter os excessos do passado, o endividamento e a especulação que causaram esta crise. Porque sabem que não se pode repelir a Lei da Gravidade. Ou pedir aos investidores que parem de vender, ou impedir que os preços das acções ou do imobilário parem de descer. Os decisores sabem disto!

Mas afinal para onde estamos a ser conduzidos por esta situação? M. Weiss opina que estamos a ser conduzidos para o que chama de

.

PONTO INICIAL DO ABSURDO

ou

BARREIRA DO IMPOSSÍVEL

.

É o ponto no tempo em que o custo óbvio dos bailouts se torna maior do que os benefícios ilusórios desses bailouts. Ou seja, quando a cura é pior que a doença, quando a cura causa doença. Se a doença é o vício do endividamento – todos sabemos isso – como podem agora estar a dizer-nos que a solução para reconquistar o bem-estar é uma nova injecção ainda maior de endividamento? Responda quem tem a obrigação de o fazer, os Políticos investidos e depositários do mandato de que tem o Poder original em Democracia: os Cidadãos. Porque, desta vez, esse endividamento representa mais Dívida Pública…

Na prática o que isto significa é que o próximo “tiro e queda” será a maior e a mais importante de todas: acontecerá nos Títulos do Tesouro (Government Bonds). Só nos USA?

Sem mais demoras, e não serão grandes novidades para muitos, aqui vão as que estão a ser apontadas como  medidas urgentes para a generalidade dos Cidadãos, Empresas e demais Organizações com ou sem fins lucrativos. Por imperativo de sobrevivência:

- parar para pensar e reflectir seriamente;

- reduzir ao mínimo e controlar efectivamente todos os custos fixos;

- racionalizar gastos, cortando todos os gastos supérfluos, não essenciais à actividade, o que não pode ser sinónimo de  fazer cortes cegos onde parece mais fácil fazê-lo: nos custos com mão d’obra ou salários;

- declarar “guerra às dívidas bancárias”, ou seja, reduzir ao mínimo, ou eliminar se possível, todos os créditos existentes, implementando uma estratégia constante de alívio de dividas, nomeadamente utilizando o resultado da racionalização e cortes em custos para redução desses créditos bancários;

- para quem tem aplicações, reseleccionar esses activos minimizando o seu risco e redireccionando-os por aconselhamento objectivo, especializado, credível e, de preferência, independente, i.e. não-directamente interessado.

De resto, é seguir os links que são disponibilizados neste e nos posts anteriores, analisando tudo o que possa contribuir para a racionalidade destas medidas urgentes num tempo que todos já terão percebido que é de forte irracionalidade e imprevisibilidade.

Esperemos que a VERDADE sobre a 1ª Depressão Global seja reconhecida rapidamente como evidente em Portugal e que quem de facto pode fazê-lo que trate de QUERER providenciar as DECISÕES e as ACÇÕES DE EMERGÊNCIA NACIONAL necessárias pelas quais uma larguíssima maioria de Portugueses crescentemente anseia, embora não saiba, não possa ou ainda não queira formulá-las .

Pede-se CORAGEM PARA MUDAR A ROTA surrealista em que todos nos vemos forçados a navegar, com TRANSPARÊNCIA, HONESTIDADE, VERDADE e com HUMILDADE DEMOCRÁTICA sinceras.

Que se tenha a Consciência de que cada euro de ajudas financeiras “salvíficas” ou de investimentos surrealistas irresponsáveis representa não 1 mas 2 euros de Injustiça Social diferencial: 1€ para premiar os Culposos mais/menos 1€ para castigar as Vítimas das actividades culposas, sejam elas quais forem e de onde vierem.

Ficou claro? É que será esta mais uma raiz – quiçá a mais importante e definitiva – de um Crime Político continuado de que, mais tarde ou mais cedo e imprevisivelmente, serão pedidas responsabilidades. Por acção e por omissão.

A menos que desapareçam todos os registos das continuadas Impunidades…

Por quem fomos, somos e seremos sempre: PORTUGAL !!!

Boa Páscoa…

José Borba Martins, Lagos

p.s. O livro lançado por Martin Weiss alcançou em dois dias apenas o Top de vendas no Amazon.com com a totalidade das receitas destinadas a apoio social de emergência.

_______________________

Links para mais informação:

Quem é Martin Weiss?

MartinWeiss.com

Money & Markets

M. Weiss’s 48h Amazon best-seller (leitura e edição em português urgentes)

ESTAMOS NO INÍCIO DE UMA OUTRA GRANDE CRISE QUE SERÁ DE LONGE MAIOR DO QUE A ACTUAL !

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 04/04/2009 at 12:40 am

pschiff_3

Se seja quem fôr que leia estas linhas pensa que o desmoronamento financeiro norte-americano foi uma catástrofe imprevisível, o melhor é pensar de novo.

Quatro anos atrás, pelo menos uma voz avisou bem alto e repetidamente que a bolha imobiliária americana conduziria inevitavelmente à catástrofe económica.

Nessa altura, foram os comentários dos “especialistas de serviço” que qualificaram avassaladoramente essas previsões e avisos de ‘ridículas’. Hoje, neste preciso momento, estão a ser louvadas por serem tão precisas e correctas.

Essa rara voz é a do hoje famoso economista e analista financeiro Peter Schiff, presidente da Euro-Pacific Capital, uma brokerage firm norte-americana. Algumas das suas presenças nos media, que confirmam o afirmado acima, são públicas. V. Videos.

Desde 2004 em múltiplas intervenções televisivas P. Schiff avisou que os lucros no sector imobiliário norte-americano iam desaparecer. Se estava assim tão correcto nas suas previsões porque é que os líderes USA não o levaram a sério e não reagiram à situação?

Porque, para começar, não acreditaram nas suas previsões porque pensaram que ele estava a posicionar-se no desfile de todos os que acreditavam que era possível continuar a enriquecer sem esforço. Queriam apenas continuar a acreditar que isso seria eternamente possível, ou que seria sempre possível comprar uma casa sem ter que fazer poupanças para isso, que o dinheiro haveria de aparecer somente pela valorização automática das casas, com o mero decurso do tempo.

Enfim, está hoje mais que provado que não é nem será assim, nem vale a pena insistir mais neste ponto. É que não há Pai Natal na gestão financeira, e alguém teria a obrigação de saber isso reagindo em conformidade mais cedo. É que a razão do rebentamento da bolha imobiliária americana, como a espanhola ou qualquer outra bolha deste tipo, não é a desvalorização das casas, ao contrário do que é geralmente dito pelos “especialistas”. Pois não, a razão é prévia, e consiste em terem-se inicialmente inflacionado artificialmente os preços. E continuou pelo facto de se ter continuado a encher a bolha através de empréstimos concedidos a partir não de meios gerados internamente mas de empréstimos contratados no exterior… rebentando literalmente com o dinheiro dos outros!!! Isto foi o que aconteceu nos USA. Consumo excessivo em todas as áreas e com um ponto original comum: consumo de produtos importados, produzidos no exterior. Terá sido diferente em Portugal, com a produção nacional no estado que todos conhecem?

Os políticos não quiseram ouvir os alertas, as previsões e os conselhos porque continham a necessidade de as pessoas ajustarem os seus perfis de consumo à realidade. O que era necessário era mais poupança e mais produção. E a opção consciente foi a de continuar a promover mais crédito e mais importações. Dramaticamente ruinoso, como se vê, quatro anos depois.

Mas, mesmo após verificado o erro e as suas consequências, neste preciso momento em que se promovem os mais variados programas de estímulo económico, ajudas a grandes grupos económicos e bancos (“bailouts”), etc., tudo está a ser feito para, incrivelmente, perpetuar o problema, levando a economia americana para um défice ainda mais profundo. O que estão a fazer é lançar gasolina para o fogo…

O presidente eleito Obama vem prometer criar ou defender 3 milhões e meio de empregos. O plano de estímulo à economia prevê injectar 775 biliões de Usd (775 mil milhões de Usd em escala longa, a que seguimos por estas bandas). Outro parentesis para recordar que é público que existem analistas que apontam para um “buraco” de 1 quadrilião de Usd nas contas do Pentágono de quem ninguém fala e muito poucos saberão explicar…

Mas porque é que P. Schiff, como outros, está a dizer que a mudança que o Presidente Obama está a promover é uma mudança para pior?

Porque, antes de mais, a mudança é a de que os USA passam a ter uma maior intervenção do governo do que na situação do governo anterior. Um estímulo maior vindo do governo. Parece bom, mas não é a compreensão dos termos reais do problema existente. “Mais governo” não é a solução. O governo criou estes problemas.

O que é necessário para resolver de facto o problema é ter um governo que compreenda porque é que entrámos nesta confusão.  E que a solução é “menos governo”, menos gastos públicos, menos impostos, menos programas “xpto” tão apropriados para ganhar eleições mas sem conteúdo ou resultados reais, desmantelar o conglomerado industrial militar e políticas monetárias separadas e focalizadas. São necessárias taxas de juro mais altas, e não taxas de juro mais baixas (já estão quase a zero). É necessário fazer as coisas exactamente ao contrário do que estão a ser feitas.

Barack Obama é só mais e maior governo, e está a culpar o Mercado pelos problemas económicos existentes. Ou seja, o Mercado em oposição ao Governo, a que ele pertence… E está a falar em criar milhões de empregos. Não faz lembrar uma outra promessa no mesmo sentido embora com outros números aqui por Portugal?

Mas a realidade é que um governo não pode criar empregos. Porque um governo não é ilimitadamente rico. O que o governo pode fazer é redistribuir a riqueza gerada pelo sector privado. E se o governo vai utilizar recursos fora do sector privado vai destruir oportunidades reais de emprego e diminuir os padrões de nível de vida existentes.

Quando questionado sobre se o povo americano irá ser paciente com o novo presidente Obama, P. Schiff responde dizendo que pensa que o povo americano acredita que B. Obama vem até à baixa e de repente todo o valor das suas casas é reposto, que os postos de trabalho perdidos são recuperados, que os valores das suas pensões de reforma voltam a ser o que eram… Mas nada disso vai acontecer. O governo não tem riqueza. O governo tem uma máquina de impressão e pode pretender criar riqueza imprimindo dinheiro, mas essa ilusão não durará muito tempo.

Diz P. Schiff: ACREDITO QUE ESTAMOS NO INÍCIO DE UMA OUTRA GRANDE CRISE QUE SERÁ DE LONGE MAIOR DO QUE A QUE O GOVERNO SE TEM ESTADO A DEBATER ATÉ AGORA E QUE É O COLAPSO DO VALOR DO U.S. DOLLAR !

PENSO QUE O USD IRÁ CAIR ATÉ AO CHÃO E ISSO IRÁ REVELAR PROBLEMAS AINDA MAIORES DO QUE AQUELES QUE TEMOS HOJE, PORQUE ISSO LEVARÁ AS TAXAS DE JURO E OS PREÇOS NO CONSUMIDOR PARA CIMA ATÉ À ESTRATOSFERA !  SÓ NOS U.S.A.?…

Os USA arrastaram o mundo para esta crise económica porque foi o resto do mundo que emprestou aos USA os triliões de dólares que foram gastos e que os USA não podem reembolsar. À medida em que os USA forem progredindo no seu caminho para a bancarrota, os credores dos USA terão a nível nacional as suas consequências.

Mas o que está a acontecer agora é que o presidente Barack Obama está a planear e implementar estes novos massivos programas de governo, programas de estímulo, triliões de dólares de défice orçamental…e é ao resto do mundo que se está a pedir a conta. É ao resto do mundo que já está a sofrer com a falta de reembolso dos triliões que já emprestou aos USA que os USA estão a pedir mais triliões de dólares…

P. Schiff não acredita que o resto do mundo o vá fazer. Não acredita que sejam tão estúpidos. Acredita que estão a aprender uma lição muito válida desta experiência, que é a de não emprestar mais dinheiro aos USA.

E então teremos a Reserva Federal a pôr as impressoras a imprimir dinheiro como hélices de helicóptero, para comprar triliões e triliões de dólares de dívida do governo federal e o dólar vai implodir. Ninguém irá querer dólares, nem sequer os americanos.

As consequências da implosão do USD para os consumidores americanos são gravíssimas. Não irão consumir mais importações, porque o dólar não vai poder comprar nada. Neste momento compram e consomem porque os fornecedores estrangeiros aceitam dólares para pagamento os seus produtos. Quando não aceitarem dólares os USA deixarão de ter os seus produtos. E os USA não têm fábricas suficientes para produzirem esses produtos por si próprios. Em resumo: os USA terão imenso dinheiro mas não conseguirão comprar nada.

Se o governo americano impuser “controlo de preços”, o que P. Schiff considera como possível a curto prazo, a consequência será que, na vigência da Administração Obama, a inflação será tão grave que o governo seguirá as pisadas da Administração Nixon e imporá o controlo de preços para produtos de consumo básicos – incluindo bens de consumo alimentares e energia – e, se isso for feito, claro que haverá filas de espera para tudo, e as pessoas começarão a negociar no “mercado negro”. Não se conseguindo comprar no mercado normal, vai-se ao “mercado negro”… E qual será a moeda do “mercado negro”? O Euro? Moedas de prata? Em que moeda negociarão os americanos “ilegalmente” para obter os bens básicos de que necessitam?

ESTAMOS EM ROTA DE COLISÃO PARA UMA INFLAÇÃO MASSIVA !!!

Os USA estão a caminho de perder a posição dominante, seja na área económica seja na militar. P. Schiff compara a crise económica americana ao colapso da União Soviética, porque, tal como neste caso, não se pode continuar a financiar o “império”. Pode ser muito rápido. A USSR ficou reduzida a quase nada num curtíssimo período de tempo. As pessoas nem acreditavam que fosse possível acontecer. Estamos perante um cenário semelhante, em que a presença militar americana pode chegar a um final abrupto. Apenas se está a manter em função da sobre-avaliação actual do dólar e pelo facto de se ter conseguido obter tanto financiamento proveniente dos resto do mundo.

Assim que o dólar colapsar, colapsará a presença militar americana no mundo e os USA serão progressivamente marginalizados da cena mundial. O que aliás já aconteceu em relação à reputação que os USA tinham anteriormente. As riquezas herdadas dos antepassados foi gasta. A nova criação de riqueza está a ter lugar fora dos USA, está a ter lugar na Ásia. À medida que os padrões de consumo se reduzirão drasticamente nos USA, os níveis de vida nas potencias emergentes na Ásia crescerão inversamente.

É para isso que P. Schiff tem tentado alertar há vários anos e que não tem sido percebido: os USA não têm sido o motor da economia mundial, têm sido o peso morto que o resto do mundo tem carregado penosamente.  Schiff não é o único a ter alertado. Foi um dos poucos a tê-lo feito e a, simultaneamente, ter acesso aos media.

Lá dirá o nosso Dr. Medina Carreira que com o mal dos outros podemos nós bem. Mas parece que tanto os líderes portugueses como os mundiais ainda não perceberam a raiz do que se está a passar.

Parece que ainda pretendem fazer crer a todos que a realidade existente se deve a um acontecimento aleatório qualquer, que ninguém poderia ter previsto, e que a única coisa a fazer é remediar as coisas de modo a que tudo volte a ser como dantes.

Ainda não compreenderam que tudo o que aconteceu e está a contecer neste preciso momento é uma consequência de uma deriva financeira e económica que se limitaram a seguir tão alegre como inconscientemente. Ou não?

Que mais poderá este irrelevante português acrescentar por agora?

QUE É POR DEMAIS RECOMENDÁVEL E URGENTE QUE SE TOME CONSCIÊNCIA DA REALIDADE E QUE, EM PORTUGAL, SE ALTERE A ROTA. QUEM PODE QUE MANDE. A REALIDADE DE PORTUGAL NÃO É COMPAGINÁVEL COM MAIS JOGOS FLORAIS PSEUDO-POLÍTICOS E PSEUDO-DEMOCRÁTICOS NEM COM INTERESSES QUE NÃO SEJAM OS DA GENERALIDADE DAS PESSOAS.

QUEM CONTINUAR A OCULTAR A VERDADE E A ESQUECER ESTA EVIDENTE URGÊNCIA LAMENTARÁ RÁPIDA E ETERNAMENTE O QUE (NÃO) FEZ.

p.s. Seria bom informar os Portugueses, para além do que está inscrito nos relatórios do BdP, sobre qual a evolução detalhada dos movimentos das reservas físicas de Ouro que o nosso país apresenta desde 1974.  Assim como informar qual o peso total que Portugal detém em 31.Mar.2009, dar a saber onde se encontram fisicamente essas reservas do nosso metal precioso e informar se o BdP tem algum “ouro digital”.

José Borba Martins, Lagos

_____________________

Links úteis:

Quem é Peter Schiff?

P. Schiff Video Message

P. Schiff no Washington Post

P. Schiff’s Worst Case Scenario


O BANQUEIRO ANARQUISTA

In Local, Nacional, Regional on 14/03/2009 at 12:02 am

pessoa-nos-jeronimos-1935

Primavera de 1935 nos Jerónimos (à dir.)
Fotografia reproduzida de
“Fernando Pessoa – Uma Fotobiografia” © Livros Quetzal, S.A.
e Maria José de Lencastre


§

Certo dia estava um infeliz na expectativa sabe-se lá do quê agarrado ao gradeamento do Júlio de Matos olhando outro infeliz que estava a mudar a roda depois de um arreliador furo ali mesmo à esquina da Av. de Roma com a do Brasil quando o da roda, fartinho de sentir os olhos da expectativa do outro em cima, lhe dispara como se fosse dele a culpa do furo: “- Qu’é que foi ? Qu’é que foi?”. Resposta do “maluco”:

“- Mas o que é que o senhor está a fazer aí dentro?…”

Não encontro melhor introdução para uma citação do notável texto de nosso Grande Mestre Fernando Pessoa, datado de 1922, sob o título acima.

Fernando Pessoa, génio português, sobre quem tanto se escreve e em nome de quem tantos falam, ainda não totalmente conhecido nem difundido – quando não combatido e ignorado na prática pública – conheceu pelo menos uma outra ocupação: trabalhou, naquilo a que se chamariam hoje ’serviços administrativos’, na agência de publicidade Manuel Martins da Hora. Este seu trabalho concreto era o de ‘tradutor’ ou ‘correspondente estrangeiro em casas comerciais’. Desse detalhe resultou que, no Natal de 1968, quem dirigia a então recentemente criada agência CINEVOZ, sediada na lisboeta Rua Rosa Araújo, tivesse idealizado publicar o livro “TEXTOS PARA DIRIGENTES DE EMPRESAS“, numa tiragem de apenas 500 exemplares, fora de mercado, basicamente para ofertas de Natal, homenageando Fernando Pessoa e difundindo a nova agência.

Esta obra cuja edição e republicação se recomenda vivamente a quem puder fazê-la, é composta por todos os textos que Fernando Pessoa escreveu para a efémera “Revista de Comércio e Contabilidade”, editada pelo seu cunhado, também ela já uma raridade bibliográfica. É muito relevante o facto de Fernando Pessoa ter assinado esses artigos. Pessoa ele mesmo, o ortónimo – e não um, ou mais de um, dos inúmeros autores heterónimos que criou ao longo de sua vida e obra. O livro é de uma actualidade impressionante. Cito apenas um breve texto sobre “Os erros dos empregados” na esperança de que talvez possa iluminar algum espírito ainda dormente:

«É do pior gosto e do pior efeito, desculpar-se um chefe com um erro dum empregado.

Não foi erro de empregado.

Todo o erro dum empregado é apenas o erro de ter empregados que fazem erros.»

§

Adiante. Vamos agora a “O BANQUEIRO ANARQUISTA“, textozinho também tão breve e distante quanto actual e lapidar – nomeadamente quanto às “qualidades postiças” ou à “tirania do auxílio” – de aqui ficam uns excertos, com votos de boa leitura para todos:

«Tínhamos acabado de jantar. Defronte de mim o meu amigo, o banqueiro, grande comerciante e açambarcador notável, fumava como quem não pensa. A conversa, que fora amortecendo, jazia morta entra nós. Procurei reanimá-la, ao acaso, servindo-me de uma idéia que me passou pela meditação. Voltei-me para ele, sorrindo.

- É verdade: disseram-me há dias que V. em tempos foi anarquista…

- Fui, não: fui e sou. Não mudei a esse respeito. Sou anarquista.

- Essa é boa! V. anarquista! Em que é que V. é anarquista?… Só se V. dá à palavra qualquer sentido diferente…

- Do vulgar? Não; não dou. Emprego a palavra no sentido vulgar.

- Quer V. dizer, então, que é anarquista exatamente no mesmo sentido em que são anarquistas esses tipos das organizações operárias? Então entre V. e esses tipos da bomba e dos sindicatos não há diferença nenhuma?

- Diferença, diferença, há… Evidentemente que há diferença. Mas não é a que V. julga. V. duvida talvez que as minhas teorias sociais sejam iguais às deles?…

- Ah, já percebo! V., quanto às teorias, é anarquista; quanto à prática…

- Quanto à prática sou tão anarquista como quanto às teorias. E quanto à prática sou mais, sou muito mais, anarquista que esses tipos que V. citou. Toda a minha vida o mostra.

- Hein?!

- Toda a minha vida o mostra, filho. V. é que nunca deu a esta cousas uma atenção lúcida. Por isso lhe parece que estou dizendo uma asneira, ou então estou brincando consigo.- Ó homem, eu não percebo nada!… A não ser…, a não ser que V. julgue a sua vida dissolvente e anti-social e dê esse sentido ao anarquismo…

- Já lhe disse que não – isto é, já lhe disse que não dou à palavra anarquismo um sentido diferente do vulgar.

- Está bem… Continuo sem perceber… Ó homem, V. quer-me dizer que não há diferença entre as suas teorias verdadeiramente anarquistas e a prática da sua vida – a prática da sua vida como ela é agora? V. quer que eu acredite que V. tem uma vida exatamente igual à dos tipos que vulgarmente são anarquistas?

- Não; não é isso. O que eu quero dizer é que entre as minhas teorias e a prática da minha vida não há divergência nenhuma, mas uma conformidade absoluta. Lá que não tenho uma vida como a dos tipo dos sindicatos e das bombas – isso é verdade. Mas é a vida deles que está fora do anarquismo, fora dos ideais deles. A minha não. Em mim – sim, em mim, banqueiro, grande comerciante, açambarcador se V. quiser -, em mim a teoria e a prática do anarquismo estão conjuntas e ambas certas. V. comparou-me a esses parvos dos sindicatos e das bombas para indicar que sou diferente deles. Sou, mas a diferença é esta: eles (sim, eles e não eu) são anarquistas só na teoria; eu sou-o na teoria e na prática. Eles são anarquistas e estúpidos, eu anarquista e inteligente.
Isto é, meu velho, eu é que sou o verdadeiro anarquista. Eles – os dos sindicatos e das bombas (eu também lá estive e saí de lá exatamente pelo meu verdadeiro anarquismo) – eles são o lixo do anarquismo, os fêmeas da grande doutrina libertária.

- Essa nem ao diabo a ouviram! Isso é espantoso! Mas como concilia V. a sua vida – quero dizer a sua vida bancária e comercial – coma as teorias anarquistas? Como o concilia V., se diz que por teoria anarquista entende exatamente o que os anarquistas vulgares entendem? E V., ainda por cima, me diz que é diferente deles por ser mais anarquista do que eles – não é verdade?

- Exatamente.

- Não percebo nada.

- Mas V. tem empenho em perceber?

- Todo o empenho.

Túmulo de Fernando Pessoa nos Jerónimos

Túmulo de Fernando Pessoa nos Jerónimos

Ele tirou da boca o charuto, que se apagara; reacendeu-o lentamente; tirou o fósforo que se extinguia; depô-lo ao de leve no cinzeiro; depois, erguendo a cabeça, um momento abaixada, disse:

- Oiça. Eu nasci do povo e na classe operária da cidade. De bom não herdei, como pode imaginar, nem a condição, nem as circunstâncias. Apenas me aconteceu ter uma inteligência naturalmente lúcida e uma vontade um tanto ou quanto forte. Mas esses eram doms naturais, que o meu baixo nascimento me não podia tirar.
Fui operário, trabalhei, vivi uma vida apertada; fui, em resumo, o que a maioria da gente é naquele meio. Não digo que absolutamente passasse fome, mas andei lá perto. De resto, podia tê-la passado, que isso não alterava nada do que se seguiu, ou do que lhe vou expor, nem do que foi a minha vida, nem do que ela é agora.
Fui um operário vulgar, em suma; como todos, trabalhava porque tinha que trabalhar, e trabalhava o menos possível. O que eu era, era inteligente. Sempre que podia, lia coisas, discutia coisas, e, como não era tolo, nasceu-me uma grande insatisfação e uma grande revolta contra o meu destino e contra as condições sociais que o faziam assim. Já lhe disse que, em boa verdade, o meu destino podia ter sido pior do que era; mas naquela altura parecia-me a mim que eu era um entre a quem a Sorte tinha feito todas as injustiças juntas, e que se tinha servido das convenções sociais para mas fazer. Isto era aí pelos meus vinte anos – vinte e um o máximo – que foi quando me tornei anarquista.
Parou um momento. Voltou-se um pouco mais para mim. Continuou, inclinando-se mais um pouco.

- Fui sempre mais ou menos lúcido. Senti-me revoltado. Quis perceber a minha revolta. Tornei-me anarquista consciente e convicto – o anarquista consciente e convicto que hoje sou.

- E a teoria, que V. tem hoje, é a mesma que tinha nessa altura?

- A mesma. A teoria anarquista, a verdadeira teoria, é só uma. Tenho-a que sempre tive, desde que me tornei anarquista. V. já vai ver… Ia eu dizendo que, como era lúcido por natureza, me tornei anarquista consciente. Ora o que é um anarquista? É um revoltado contra a injustiça de nascermos desiguais socialmente – no fundo é só isto. E de aí resulta, como é de ver, a revolta contra as convenções sociais que tornam essa desigualdade possível. O que lhe estou indicando agora é o caminho psicológico, isto é, como é que a gente se torna anarquista; já vamos à parte teórica do assunto. Por agora, compreenda V. bem qual seria a revolta de um tipo inteligente nas minhas circunstâncias. O que é que ele vê pelo mundo? Um nasce filho de um milionário, protegido desde o berço contra aqueles infortúnios – e não são poucos – que o dinheiro pode evitar ou atenuar; outro nasce miserável, a ser, quando criança, uma boca a mais numa família onde as bocas são de sobra para o comer que pode haver. Um nasce conde ou marquês, e tem por isso a consideração de toda a gente, faça ele o que fizer; outro nasce assim como eu, e tem que andar direitinho como um prumo para ser ao menos tratado como gente. Uns nascem em tais condições que podem estudar, viajar, instruir-se – tornar -se (pode-se dizer) mais inteligentes que outros que naturalmente o são mais. E assim por aí adiante, e em tudo…»

«Havia vários outros rapazes com as mesmas opiniões que eu. A maioria era de operários, mas havia um ou outro que o não era; o que todos éramos era pobres, e, que me lembre, não éramos muito estúpidos. A gente tinha uma certa vontade de propaganda, de espalhar as nossas idéias. Queríamos para nós e para os outros – para a humanidade inteira – uma sociedade nova, livre destes preconceitos todos, que fazem os homens desiguais artificialmente e lhes impõem inferioridades, sofrimentos, estreitezas, que a Natureza lhes não tinha imposto. Por mim, o que eu lia confirmava-me nestas opiniões. Em livros libertários baratos – os que havia ao tempo, e eram já bastantes – li quase tudo. Fui a conferências e comícios dos propagandistas do tempo. Cada livro e cada discurso me convencia mais da certeza e da justiça das minhas idéias. O que eu pensava então – repito-lhe, meu amigo – é o que penso hoje, a única diferença é que então pensava-o só, hoje penso-o e pratico-o.»

«- Criava-se tirania?… Criava-se tirania como?

- Da seguinte maneira… Uns mandavam em outros e levavam-nos para onde queriam; uns impunham-se a outros e obrigavam-nos a ser o que eles queriam; uns arrastavam outros por manhas e por artes para onde eles queriam. Não digo que fizessem isto em coisas graves; mesmo, não havia coisas graves ali em que o fizessem. Mas o fato é que isto acontecia sempre e todos os dias, e dava-se não só em assuntos relacionados com a propaganda, como fora deles, em assuntos vulgares da vida. Uns iam insensivelmente para chefes, outros insensivelmente para subordinados. Uns eram chefes por imposição; outros eram chefes por manha. No facto mais simples isto se via. Por exemplo: dois dos rapazes iam juntos por uma rua fora; chegavam ao fim da rua, e um tinha que ir para a direita e outro para a esquerda; cada um tinha conveniência em ir para o seu lado. Mas o que ia para a esquerda dizia para o outro, “venha V. comigo por aqui”; o outro respondia, e era verdade, “Homem, não posso; tenho que ir por ali” por esta ou aquela razão… Mas afinal, contra sua vontade e sua conveniência, lá ia com o outro para a esquerda… Isto era uma vez por persuasão, outra vez por simples insistência, uma terceira vez por um outro motivo qualquer… Isto é, nunca era por uma razão lógica; havia sempre nesta imposição e nesta subordinação qualquer coisa de espontâneo, de como que instintivo…

E como neste caso simples, em todos os outros casos; desde os menos até aos mais importantes…»


«- Repare bem que isto se passava num grupo pequeno, num grupo sem influência nem importância, num grupo a quem não estava confiada a solução de nenhuma questão grave ou decisão sobre qualquer assunto de vulto. E repare que se passava num grupo de gente que se unira especialmente para fazer o que pudesse para o fim anarquista – isto é, para combate, tanto quando possível, as ficções sociais, e criar, tanto quando possível, a liberdade futura. V. reparou bem nestes dois pontos?

- Reparei.

- Veja agora bem o que isto representa… Um grupo pequeno, de gente sincera (garanto-lhe que era sincera!), estabelecido e unido expressamente para trabalhar pela causa da liberdade, tinha, no fim de uns meses, conseguido só uma coisa de positivo e concreto – a criação entre si de tirania. E repare que tirania… Não era uma tirania derivada da acção das ficções sociais, que, embora lamentável, seria desculpável, até certo ponto, ainda que menos em nós, que combatíamos essas ficções, que em outras pessoas; mas enfim, vivíamos em meio de uma sociedade baseada nessas ficções e não era inteiramente culpa nossa se não pudéssemos de todo fugir à sua ação. Mas não era isso. Os que mandavam nos outros, ou os levavam para onde queriam, não faziam isso pela força do dinheiro, ou da posição social, ou de qualquer autoridade de natureza fictícia, que se arrogassem; faziam-no por uma acção de qualquer espécie fora das ficções sociais, uma tirania nova. E era uma tirania exercida sobre gente essencialmente oprimida já pelas ficções sociais.

Era, ainda por cima, tirania exercida entre si por gente cujo intuido sincero não era senão destruir tirania e criar liberdade.

Agora ponha o caso num grupo muito maior, muito mais influente, tratando já de questões importantes e de decisões de caráter fundamental. Ponha esse grupo a encaminha os seus esforços, como o nosso, para a formação de um sociedade livre. E agora diga-me se através desse carregamento de tiranias entrecruzadas V. entrevê qualquer sociedade futura que se pareça com uma sociedade livre ou com uma humanidade digna de si própria…

- Sim: isso é muito curioso…- É curioso, não é?…E olhe que há pontos secundários também muito curiosos…

Por exemplo: a tirania do auxílio…

- A quê?

- A tirania do auxílio. Havia entre nós quem, em vez de mandar nos outros, em vez de se impor aos outros, pelo contrário os auxiliava em tudo quanto podia. Parece o contrário, não é verdade? Pois olhe que é o mesmo. É a mesma tirania nova. (…)

- Essa é boa? Em quê?

- Auxiliar alguém, meu amigo, é tomar alguém por incapaz; se esse alguém não é incapaz, é ou fazê-lo tal, ou supô-lo tal, e isto é, no primeiro caso uma tirania, e no segundo um desprezo. Num caso cerceia-se a liberdade de outrem; no outro caso parte-se, pelo menos inconscientemente, do princípio de que outrem é desprezível e indigno ou incapaz de liberdade.»

ricardo-reis

«Olhou-me um momento sem me olhar. Depois continuou, no mesmo tom.

- Pensei assim… Temos aqui uma tirania nova, uma tirania que não é derivada das ficções sociais. Então de onde é que ela derivada? Será derivada das qualidades naturais? Se é, adeus sociedade livre! Se uma sociedade onde estão em operação apenas as qualidades naturais dos homens – aquelas qualidades com que eles nascem, que devem só à Natureza, e sobre as quais não temos poder nenhum -, se uma sociedade onde estão em operação apenas essas qualidades é um amontoado de tiranias, quem é que vai mexer o dedo mínimo para contribuir para a vinda dessa sociedade? Tirania por tirania, fique a que está, que ao menos é aquela a que estamos habituados, e que por isso fatalmente sentimos menos que estaríamos uma tirania nova, e com o caráter terrível de todas as coisas tirânicas que são diretamente da Natureza – o não haver revolta possível contra ela, como não há revolução contra ter que morrer, ou contra nascer baixo quando se preferia ter nascido alto.

Conclusão: esta nossa tirania, se não era derivada das ficções sociais, também não era derivada das qualidades naturais; era derivada duma aplicação errada, duma perversão, das qualidades naturais. E essa perversão, de onde é que provinha?Tinha que provir de uma de duas cousas: ou de o homem ser naturalmente mau, e portanto todas as qualidades naturais serem naturalmente pervertidas; ou de uma perversão resultante da longa permanência da humanidade numa atmosfera de ficções sociais, todas elas criadoras de tirania, e tendente, portanto, a tornar já instintivamente tirânico o uso mais natural das qualidades mais naturais. Ora, destas duas hipóteses, qual é que seria a verdadeira? De um modo satisfatório – isto é, rigorosamente lógico ou científico – era impossível determinar. O raciocínio não pode entrar com o problema, porque ele é de ordem histórica, ou científica, e depende do conhecimento de fatos.

Por seu lado, a ciência também nos não ajuda, porque, por mais longe que recuemos na história, encontramos sempre o homem vivendo sob um ou outro sistema de tirania social, e portanto sempre num estado que nos não permite averiguar como é o homem quando vive em circunstâncias pura e inteiramente naturais. Não havendo maneira de determinar ao certo, temos que pender para o lado da maior probabilidade; e a maior probabilidade está na segunda hipótese. É mais natural supor que a longuíssima permanência da humanidade em ficções sociais criadoras de tirania faça cada homem nascer já com as suas qualidade naturais pervertidas no sentido de tiranizar, do que supor que qualidades naturais podem ser naturalmente pervertidas, o que, de certo modo, representa una contradição.

Como podia eu tornar-me superior à força do dinheiro? O processo mais simples era afastar-me da esfera da sua influência, isto é, da civilização; ir para um campo comer raízes e beber água das nascentes; andar nu e viver como animal. Mas isto, mesmo que não houvesse dificuldade em fazê-lo, não era combater uma ficção social; não era mesmo combater: era fugir. Realmente, quem se esquiva a travar um combate não é derrotado nele. Mas moralmente é derrotado, porque não se bateu. O processo tinha que ser outro – um processo de combate e não de fuga. Como subjugar o dinheiro, combatendo-o? Como furtar-me à sua influência e tirania, não evitando o seu encontro? O processo era só um – adquiri-lo, adquiri-lo em quantidades bastante para lhe não sentir a influência; e em quanto mais quantidade o adquirisse, tanto mais livre eu estaria dessa influência. Foi quando vi isto claramente, com toda a força da minha convicção de anarquista, e toda a minha lógica de homem lúcido, que entrei na fase atual – a comercial e bancária, meu amigo – do meu anarquismo.»

«- E V. lembra-se de eu lhe dizer que mais tarde, quando acertei por fim com o verdadeiro processo anarquista, as resolvi então de vez, isto é, pela lógica?

- Sim.

- Ora veja como ficaram resolvidas… As dificuldades eram estas: não é natural trabalhar por qualquer coisa, seja o que for, sem uma compensação natural, isto é, egoísta; e não é natural dar o nosso esforço a qualquer fim sem ter a compensação de saber que esse fim se atinge. As duas dificuldades eram estas; ora repare como ficam resolvidas pelo processo de trabalho anarquista que o meu raciocínio me levou a descobrir como sendo o único verdadeiro… O processo dá em resultado eu enriquecer; portanto, compensação egoísta. O processo visa ao conseguimento da liberdade; ora eu, tornando-me superior à força do dinheiro, isto é, libertando-me dela, consigo liberdade. Consigo liberdade só para mim, é certo; mas é que como já lhe provei, a liberdade para todos só pode vir com a destruição das ficções sociais, pela revolução social. O ponto concreto é este: viso liberdade, consigo liberdade: consigo a liberdade que posso… E veja V.: à parte o raciocínio que determina este processo anarquista como o único verdadeiro, o fato que ele resolve automaticamente as dificuldades lógicas, que se podem opor a qualquer processo anarquista, mais prova que ele é o verdadeiro.
Pois foi este o processo que eu segui. Meti ombros à empresa de subjugar a ficção dinheiro, enriquecendo. Consegui. Levou um certo tempo, porque a luta foi grande, mas consegui. Escuso de lhe contar o que foi e o que tem sido a minha vida comercial e bancária. Podia ser interessante, em certos pontos sobretudo, mas já não pertence ao assunto. Trabalhei, lutei, ganhei dinheiro; trabalhei mais, lutei mais, ganhei mais dinheiro; ganhei muito dinheiro por fim. Não olhei o processo – confesso-lhe, meu amigo, que não olhei o processo; empreguei tudo quanto há – o açambarcamento, o sofisma financeiro, a própria concorrência desleal.

O quê?! Eu combatia as ficções sociais, imorais e antinaturais por excelência, e havia de olhar a processos?! Eu trabalhava pela liberdade, e havia de olhar as armas com que combatia a tirania?! O anarquista estúpido, que atira bombas e dá tiros, bem sabe que mata, e bem sabe que as suas doutrinas não incluem a pena de morte. Ataca uma imoralidade com um crime, porque acha que essa imoralidade pede um crime para se destruir. Ele é estúpido quanto ao processo, porque, como já lhe mostrei, esse processo é errado e contraproducente como processo anarquista; agora quanto à moral do processo ele é inteligente. Ora o meu processo estava certo, e eu servia-me legitimamente, como anarquista, de todos os meios para enriquecer. Hoje realizei o meu limitado sonho de anarquista prático e lúcido. Sou livre. Faço o que quero, dentro, é claro, do que é possível fazer. O meu lema de anarquista era a liberdade; pois bem, tenho a liberdade, a liberdade que, por enquanto, na nossa sociedade imperfeita, é possível ter. Quis combater as forças sociais; combati-as, e, o que é mais, venci-as.

- Alto lá! Alto lá! disse eu. Isso estará tudo muito bem, mas há uma cousa que V. não viu. As condições do seu processo eram, como V. provou, não só criar liberdade, mas também não criar tirania. Ora V. criou tirania V. como açambarcador, como banqueiro, como financeiro sem escrúpulos – V. desculpe, mas V. é que disse -, V. criou tirania. V. criou tanta tirania como qualquer outro representante das ficções sociais, que V. diz que combate.

- Não, meu velho, V. engana-se. Eu não criei tirania. A tirania, que pode ter resultado da minha acção de combate contra as ficções sociais, é uma tirania que não parte de mim, que portanto eu não criei; está nas ficções sociais, eu não ajuntei a elas. Essa tirania é a própria tirania das ficções sociais; e eu não podia, nem me propus, destruir as ficções sociais. Pela centésima vez lhe repito: só a revolução social pode destruir as ficções sociais; antes disso, a acção anarquista perfeita, como a minha, só pode subjugar as ficções sociais, subjugá-las em relação só ao anarquista que põe esse processo em prática, porque esse processo não permite uma mais larga sujeição dessas ficções. Não é de não criar tirania que se trata: é de não criar tirania nova, tirania onde não estava.

Os anarquistas, trabalhando em conjunto, influenciando-se uns aos outros como eu lhe disse, criam entre si, fora e à parte das ficções sociais, uma tirania; essa é que é uma tirania nova. Essa, eu não a criei. Não a podia mesmo criar, pelas próprias condições do meu processo. Não, meu amigo; eu só criei liberdade. Libertei um. Libertei-me a mim. É que o meu processo, que é, como lhe provei, o único verdadeiro processo anarquista, me não permitiu libertar mais. O que pude libertar, libertei.

- Está bem… Concordo… Mas olhe que, por esse argumento, a gente quase que é levado a crer que nenhum representante das ficções sociais exerce a tirania…

- E não exerce. A tirania é das ficções sociais e não dos homens que as encarnam; esses são, por assim dizer, os meios de que as ficções se servem para tiranizar, como a faca é o meio que se pode servir o assassino. E V. decerto não julga que abolindo as facas abole os assassinos… Olhe… Destrua V. todos os capitalistas do mundo, mas sem destruir o capital… No dia seguinte o capital, já nas mãos de outros, continuará, por meio desses, a sua tirania. Destrua, não os capitalistas, mas o capital; quantos capitalistas ficam?… Vê?…

- Sim; V. tem razão.

- Ó filho, o máximo, o máximo, o máximo que V. me pode acusar de fazer é de aumentar um pouco – muito muito pouco – a tirania das ficções sociais. O argumento é absurdo, porque como já lhe disse, a tirania que eu não devia criar, e não criei, é outra. Mas tem mais um ponto fraco: é que, pelo mesmo raciocínio, V. pode acusar um general, que trava combate pelo seu país, de causar ao seu país o prejuízo do número de homens do seu próprio exercito que teve que sacrificar para vencer. Quem vai à guerra, dá e leva. Consiga-se o principal; o resto…

- Está muito bem… Mas olhe lá outra coisa… O verdadeiro anarquista quer a liberdade não só para si, mas também para os outros… Parece-me que quer a liberdade para a humanidade inteira…

- Sem dúvida. Mas eu já lhe disse que, pelo processo que descobri que era o único processo anarquista, cada um tem de libertar-se a si próprio. Eu libertei-me a mim; fiz o meu dever simultaneamente pra comigo e para com a liberdade. Por que é que os outros, os meus camaradas, não fizeram o mesmo? Eu não os impedi. Esse é que teria sido o crime, se os tivesse impedido. Mas eu nem sequer os impedi ocultando-lhes o verdadeiro processo anarquista; logo que descobri o processo, disse-o claramente a todos. O próprio processo me impedia de fazer mais. Que mais podia fazer? Compeli-los a seguir o caminho? Mesmo que o pudesse fazer, não o faria, porque seria tirar-lhes a liberdade, e isso era contra os meus princípios anarquistas. Auxiliá-los? Também não podia ser, pela mesma razão. Eu nunca ajudei, nem ajudo, ninguém, porque isso, sendo diminuir a liberdade alheia, é também contra os meus princípios. V. o que me está censurando é eu não ser mais gente que uma pessoa só.
Por que me censura o cumprimento do meu dever de libertar, até onde eu o podia cumprir? Por que não os censura antes a eles por não terem cumprido o deles?

- Pois sim, homem. Mas esses homens não fizeram o que V. fez, naturalmente, porque eram menos inteligentes que V., ou menos fortes de vontade, ou…

- Ah, meu amigo: essas são já as desigualdades naturais, e não sociais… Com essas é que o anarquismo não tem nada. O grau de inteligência ou de vontade de um indivíduo é com ele e com a Natureza; as próprias ficções sociais não põem praí nem prego nem estopa. Há qualidade naturais, como eu já lhe disse, que se pode presumir que sejam pervertidas pela longa permanência da humanidade entre ficções sociais; mas a perversão não está no grau da qualidade, que é absolutamente dado pela Natureza, mas na aplicação da qualidade. Ora uma questão de estupidez ou de falta de vontade não tem que ver com a aplicação dessas qualidade, mas só com o grau delas. Por isso lhe digo: essas são já absolutamente as desigualdades naturais, e sobre essas ninguém tem poder nenhum, nem há modificação social que a modifique, como não me pode tornar a mim alto ou a V. baixo…

A não ser… A não ser que, no caso desses tipos, a perversão hereditária das qualidades naturais vá tão longe que atinja o próprio fundo do temperamento… Sim, que um tipo nasça para escravo, nasça naturalmente escravo, e portanto incapaz de qualquer esforço no sentido de se libertar… Mas nesse caso…, nesse caso…, que têm eles que ver com a sociedade livre, ou com a liberdade?… Se um homem nasceu para escravo, a liberdade, sendo contrária à sua índole, será para ele uma tirania.

Houve uma pequena pausa. De repente ria alto.

- Realmente, disse eu, V. é anarquista. Em todo o caso, dá vontade de rir, mesmo depois de o ter ouvido, compara o que V. é com o que são os anarquistas que praí há…

- Meu amigo, eu já lho disse, já lho provei, e agora repito-lho… A diferença é só esta: eles são anarquistas só teóricos, eu sou teórico e prático; eles são anarquistas místicos, e eu científico; eles são anarquistas que se agacham, eu sou um anarquista que combate e liberta… Em uma palavra: eles são pseudo-anarquistas, e eu sou anarquista.

E levantámos-nos da mesa.

Lisboa, Janeiro de 1922.»

FERNANDO PESSOA

citado por Algarvio de Portugal, Lagos

Mensagem de um Cidadão Português a Sua Excelência o Senhor Provedor de Justiça da República Portuguesa

In Local, Nacional, Regional on 07/03/2009 at 5:42 pm

little-planet_prague_kafka_museum_exterior_pano_03

Little Planet*Prague*Kafka Museum
...

Entendo ser tanto meu dever como direito plenos enquanto Cidadão de Portugal – por muito irrelevante que possa ser ou parecer – reproduzir abaixo o fundamental da carta que, nessa qualidade, enviei no domingo passado ao Senhor Provedor de Justiça. Embora se trate, à primeira vista, de uma mera questão pessoal a resolver no local adequado – os Tribunais – terá a utilidade de dar a conhecer publicamente uma situação verdadeiramente kafkiana que, injustamente – para não dizer doutra forma – mantém um cidadão português coarctado do pleno usufruto dos seus direitos de cidadania ameaçando-o grave e continuadamente quanto ao exercício pleno dos seus elementares direitos, dos quais  se destacam apenas, e nesta fase, os mais latos como o são o ‘direito ao bom nome’ e o ‘direito de propriedade’.

Esclareço que omiti, por motivos óbvios, as partes relativas às referências pessoais e mais informo que juntei na mensagem enviada as 13 páginas digitalizadas da carta que o gabinete de Advogados Garcia Pereira & Associados  – a quem manifesto o meu público reconhecimento – teve a deferência de enviar em 29.Fev.2008 ao Senhor Presidente do Conselho de Administração da Cgd visando a resolução do assunto.

Carta essa que, por sinal, que não mereceu do mais alto dirigente daquela intituição bancária de referência qualquer resposta…

« MENSAGEM A SUA EXCELÊNCIA
O SENHOR PROVEDOR DE JUSTIÇA
………………………………………………….

De
José Borba Martins
Lagos, Algarve
…………………………
………………………..

Exº. Senhor Provedor de Justiça,

É em situação de grande constrangimento pessoal que venho incomodar o V. Exa. com esta mensagem, que escrevo em última instância e em desespero de causa.

A situação que detalho abaixo e de que venho dar conhecimento a V. Exª. sendo por demais kafkiana, poderá ser uma de algumas outras que permanecem no silêncio dos aflitos. Foi inclusivamente enviada uma carta expondo e pedindo a resolução da situação por um conhecido gabinete de advogados de Lisboa ao Senhor Presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, que não obteve resposta…

A questão, que tem natureza financeira e que me opõe a esse banco de referência que é a Caixa Geral de Depósitos (CGD), é clara e inequívoca quanto à distorção induzida na nossa realidade colectiva por situações deste tipo de que, penso, não terei sido o alvo único. E é por isso mesmo que, reforçadamente, tomei a liberdade de me dirigir por este meio ao Senhor Provedor de Justiça.

É que não posso conceber nem suportar a ideia de que o mesmo se possa estar a passar, ou ter passado, com outros portugueses se, como penso, ser este apenas um “método” mais para, sob uma capa formal aparentemente inatacável, se estarem a violentar continuadamente elementares direitos como, designadamente, o de propriedade e o do bom nome. E, muito menos, quero acreditar que esta seja situação tenha origem numa qualquer espécie de ‘campanha’ vingativa anti-pessoal apenas por, no uso normal da minha liberdade de expressão, ter escrito num conhecido semanário online opiniões políticas contrárias às do governo de então e no período imediatamente anterior ao destes factos que venho pela presente mensagem expôr ao Senhor Provedor de Justiça.

Para não me repetir nem alongar excessivamente, apenas refiro que este conflito me tem “amarrado” financeiramente de modo injusto há mais de 5 anos…
Juridicamente, o conflito apenas foi parcialmente aberto pela Cgd em 3 de Fevereiro de 2009 junto do T.J. de Lagos através de uma acção executiva sobre uma livrança que fui forçado a aceitar. A situação é, para mim, tanto mais grave quanto contextualizada pelo facto de ter terminado o meu vínculo laboral de 20 anos, por mútuo acordo, no início de 2006, continuando eu desde então sem poder recorrer ao mercado bancário para implementar a m/vida profissional, nomeadamente através de dois projectos de investimento em duas áreas de negócio que continuam parados…

A situação, abreviando e agradecendo o tempo que V. Exª. entenda por bem poder dispensar a este assunto que, repito, não creio ser caso único, resume-se ao seguinte:

1. Uma operação anterior de ‘troca de casa’ decorreu sem quaisquer incidentes.
2. Na sequência do AVC de m/Mãe, a 20.Out.2002, a CGD, por intermédio do seu Director Regional (DIR), manifestou-me pessoalmente (a mim, JBM) a mais total disponibilidade p/financiamento à construção de um imóvel em Lagoa-Algarve e à transformação da casa da família em Casa de Repouso, em Lagos-Algarve.
3. O DIR comunicou então que serão disponibilizados de 20% a 25% do custo de construção do prédio de Lagoa contra a apresentação do ante-projecto de arquitectura respectivo.
4. Em sequência, são disponibilizados não 20% nem 25%, mas sim 10% (35.000€) contra a apresentação do ante-projecto, feita em Janeiro.2003. Esta disponibilização não é formalizada pela CGD, como lhe competia, e o DIR procede a prorrogações sucessivas de um ‘descoberto autorizado’, evidentemente mais penalizador para JBM e mais leoninamente favorável para a CGD.
5. Perante esta postura de ‘facto consumado’, JBM utiliza 25.000€ do montante disponibilizado, reforçando com 2.500€ de poupança pessoal, pagando 27.500€ do projecto ao Arquitecto xxxx xxxxx  xxxxxxxx e reservando os 10.000€ restantes para apoio à cobertura das prestações seguintes.
6. Em Maio.2003, o DIR xxxx xxxx convoca telefonicamente JBM para uma reunião urgente, em que comunica a JBM a não-formalização (responsabilidade CGD) e as prorrogações mensais sucessivas por si assinadas em vez  de produzir a necessária formalização contratual e, mostrando a JBM o processo, informa que teve uma auditoria interna e que JBM tem prestações ‘em mora’… e que terá que pagar o mais rapidamente possível.
7. A situação causa evidentemente a JBM o maior transtorno e apenas em 25.Out.2003, após comunicação específica da Cgd, JBM consegue depositar 10.000€ para pagamento das “prestações em atraso”.
8. De seguida, a DIR comunica a JBM que teria havido um erro de cálculo e que, afinal, o valor era ainda superior…Perante tais factos JBM toma a decisão radical de pôr o apartamento à venda, de modo a extinguir a situação, comunicando à CGD essa decisão pessoal.
9. Encontrado Comprador, o CPCV é enviado em 30.Dez.2004 à CGD para formalizar então uma simples ‘troca de casa’, operação que permitiria uma redução de crédito em ~100.000€, pois JBM recebido um sinal do comprador, sinalizou um apartamento menor.
10. Quatro meses após o envio do CPCV, a CGD não só não responde ao solicitado como, incompreensivelmente e por lapso certamente, intenta uma acção judicial para cobrança coerciva de dívida, facto aliás nunca notificado a JBM.
11. Vinte e dois meses (i.e. 1 ano e 10 meses) após o envio do CPCV é finalmente celebrada a escritura de compra-venda (a 27.Out.2006) em que JBM regulariza a totalidade dos débitos pedidos e impostos adicionalmente pela CGD, no montante total de 387.470,24€ (336.036,45€ em dinheiro e 51.433,79€ p/livrança que JBM é forçado a assinar, sob pena de não poder vender o apartamento). Ou seja, a CGD intenta uma acção 4 meses após a casa estar com CPCV celebrado e comunicado ao banco, retira a acção que por lapso intentou, mas não retira os juros forçando JBM a pagar o que o banco entendeu pedir, de modo arbitrário e abusando da sua posição dominante.
12. A dívida total à data de Fev.2004 era, segundo documento da própria CGD de 303.556€ (montante em si mesmo incorrecto e que integrava os 25.000€ utilizados p/projecto de arquitectura, capitalizados, imagine-se em 32.084€ (ou seja, +28,3% em apenas 9 meses…).
13. O montante totalmente regularizado na escritura de compra-venda de 27.Out.2006, pedido/imposto pela CGD, foi de 387.470,24€, ou seja:
+ 83.914,24€  que o comunicado pela CGD em Fev.2004 e, sob outro ponto de vista,
+ 90.998,24€  se descontado o acréscimo indevidamente imputado aos 25.000€ cuja formalização não foi feita por responsabilidade do DIR/CGD, que é o facto original que desencadeia toda esta questão surreal.
14. Para cúmulo, e melhor percepção do que pode estar em causa, note-se que a CGD:
- emitiu a devida ‘declaração de inexistência de dívidas em mora’ em 16.Dez.2006, ou seja somente 6 semanas após a regularização feita na escritura.
- nunca comunicou ao Banco de Portugal a regularização feita, como legalmente lhe competia.

NESTA DATA (FINAL DE FEV.2009):
§ 4 anos e 2 meses depois do envio do CPCV para celebrar uma simples escritura de ‘troca de casa’, que reduziria o ‘crédito-habitação’ em cerca de 100.000€,
§ 2 anos e 4 meses depois da escritura finalmente realizada, em que
- foram regularizados 387.470,24€ por uma dívida muito discutível de 303.556,00€ (+83.914,24€),
- tendo essa regularização sido feita com o pagamento de 336.036,45€ em dinheiro e 51.433,79€ em livrança forçada a 180 dias e
- apesar de a CGD ter emitido uma ‘certidão de inexistência de dívidas em mora’ em 16.Dez.2006 (1 mês e meio após a escritura),
§ A CGD nunca comunicou ao Banco de Portugal, como lhe competia, a regularização feira, inviabilizando de forma continuada a actividade financeira de JBM, nomeadamente o recurso ao crédito, o que inviabilizou qualquer hipótese de pagamento.
§ A CGD decidiu unilateralmente ‘congelar’ um montante (~10.000€) referente a herança p/morte da Mãe de JBM (20.Fev.2007)… libertando-o muito posteriormente após diversas insistências.
§ O Presidente do Conselho de Administração da CGD não respondeu à carta enviada em 29.Fev.2008 por Garcia Pereira & Associados, visando a resolução definitiva do assunto extra-judicialmente (anexa).
§ A CGD decide intentar acção executiva no T.J. de Lagos Vs. JBM, recebida a 3.Fev.2009 referente à livrança entretanto vencida. A contestação foi apresentada em 23.Fev.2009.

RESULTADOS

- José Borba Martins (JBM) figura desde Maio.2003 na ‘listagem do Banco de Portugal’,
- JBM viu-se forçado a ceder com prejuízo a posição contratual do apartamento que prometeu comprar em CPCV e com que se concretizaria uma simples ‘troca de casa’.
- JBM vê-se continuadamente impedido do exercício pleno dos seus direitos financeiros há mais de 5 anos…

DECISÕES JBM
- Contestar a acção executiva referente à livrança vencida que JBM foi coagido a assinar.
- Enviar exposição ao Senhor Presidente da República, ao Senhor Procurador-Geral da República e ao Senhor Provedor de Justiça.
- …

Resta-me agradecer a V. Exª., Senhor Provedor de Justiça, a atenção dispensada e a melhor sequência que este kafkiano assunto possa merecer, quer sob o ponto de vista do meu relevante e evidente interesse pessoal, quer no do interesse geral da Cidadania de Portugal e apresentar-lhe os meus mais elevados e muito sinceros votos pessoais de Bom Sucesso nestes tão raros tempos que todos vivemos.

Muito Atentamente,


José Borba Martins
Lagos, Algarve

Anexo
carta enviada em 29.Fev.2008 por Garcia Pereira & Associados ao Senhor Presidente do Conselho de Administração da CGD – Caixa Geral de Depósitos.  Sem resposta.
______________________________
_______________

Professional networking@
http://www.linkedin.com/in/joseborbamartins
Social networking@
http://twitter.com/joseborba
http://joseborba.hi5.com
http://www.facebook.com/people/Jose-Borba-Martins/
»

TGV ou TGD (AlfaLight) ?

In Local, Nacional, Regional on 04/03/2009 at 2:12 pm

tgv_jackfer

Artigo de Jack Soifer no OJE de 20.Jan.2009


«A TECNOLOGIA do TGV tem  anos, não inova em nada, é só força bruta. Ao contrário do Alfa, que usa a ciência e é pendular, no TGV o buggy, o chassis e os carris são tradicionais, mas maiores; só o motor eléctrico substituiu a locomotiva a vapor.

O LightAlfa usa compósito, ligas de alumínio e carbono, e HDPVC na carruagem e chapa de aço reforçado, em vez de ferro fundido no buggy. O fio dos motores é de liga de alumínio em vez de cobre. Tudo o torna mais leve, flexível nas curvas e exige muito menos betão nas pontes e retirada de terras nas serras.

O LightAlfa é tecnologia de ponta, faz km/h de média, quase igual ao TGV e, ao invés deste, não está nas mãos de só nove empresas de quatro países.

Ao ligar Faro a Braga pelo interior, o Train Grand Developpement (TGD) com ramais para Badajoz e Vigo e gastando 1,5 mil milhões de euros, traria emprego a 78 firmas e 18 mil cidadãos portugueses.

Só seis empresas de França, Reino Unido e Alemanha estão certificadas para vender carris, material eléctrico e electrónico, carruagens, etc. para o TGV. A Espanha tem três empresas certificadas para as pontes e infra-estrutura. Exige-se quatro anos e milhões para certificar. Não estarão num cartel?

Estimativas de países que pensaram investir ou já fizeram TGV mostram brutais derrapagens. Os três grandes países da UE exportariam para Portugal 65 a 74% dos 5 mil milhões, a Espanha uns 20% e a nossas três mega-empresas 8 a 9%. Mas três gerações teriam que pagar mais 4 mil milhões em juros e sobre-lucros ao cartel e cada um dos nossos 5 milhões de empregados mais 500€/ano de impostos em subsídios do Governo ao consórcio do TGV.

Se o racional e inovador é o LightAlfa, que lóbi de Bruxelas está a forçar um ministro a nos meter pela goela abaixo uma dívida irracional e uma velha tecnologia? Por que estes dados não chegam a José Sócrates?»

ESTA DEMOCRACIA PORTUGUESA MORREU. QUEREMOS OUTRA. EM LIBERDADE.(I)

In Local, Nacional, Regional on 18/02/2009 at 12:18 am

olho

Para além de iniciar uma no TALEFE, retoma este irrelevante cidadão a sua colaboração no CanalLagos com uma pequena série de 3 constrangidos contributos nestes tão estranhos e raros tempos que Todos sem excepção estamos a viver: uma sobre o País, outra sobre a Cidade e a terceira sobre este nosso castigadíssimo Algarve em que vivemos.

Antes de mais, a propósito de um artigo de Nídio Duarte, quero dizer que percebo perfeitamente de que se riem os nossos políticos. Os nossos políticos riem-se da “certeza” que têm do rendimento fixo certo e do variável que a indústria dos pareceres e das comissões lhes proporciona. Riem-se da “certeza” de obterem pensões e colocações futuras, etc. Para além disso, riem-se da “certeza” que têm na impunidade transversal em que sentam as suas omissões factuais perante tão numerosas quanto vácuas inconsistências políticas num contexto real que desconhecem e é explosivo.

Cada vez menos deputados não dependem da política, cada vez mais têm vindo a depender dela para viver. E com a sala renovada então… aquilo é que vai ser, invejosos, só lá faltam mesmo é…as caminhas.   Mas é melhor não, senão perdia-se o subsídio de deslocação. Destes dois grandes grupos, a maioria ainda não tomou consciência da gravidade da situação em toda a sua extensão. Os mais conscientes estão a fazer o seu “trabalho”…

Que é péssimo!

Depois, temos aquele inqualificável grupo que nem depende nem deixa de depender da política. Ou seja, não depende da política, mas não tem profissão fora da política. Mas quer ter, ora essa!!! Nem que tenham que atar uma vassoura de palha aos fundilhos do pantalon contrário ao da sua opção de série.

Perigosíssimos!

Mas vamos ao que nos interessa a Todos:  Mas afinal que “crise” é esta?

Esta é uma “crise” anunciada, que começou por ser coisa de gente doida, de bota-abaixistas maledicentes, e por aí adiante. Passou depois a reconhecer-se como ‘crise’ quando já era ‘recessão’ e a que se chama finalmente ‘recessão’ quando, de facto já está todo o mundo a viver aquilo a que ainda poucos chamam  ‘A 1ª Depressão Mundial’. E ainda só no seu início, para mal de todos nós !

Mas comecemos pela sua origem e chamemos-lhe, ainda assim, “Crise”. A sua origem situa-se na crise financeira dos Estados Unidos, num fenómeno a que ficou associada a expressão “sub-prime”. Esta crise “sub-prime” tem as suas origens remotas nos anos finais do séc.XX, tornou-se factualmente evidente em 2007 e veio expôr a fraqueza dos mecanismos de regulação financeira e do sistema financeiro global. Com tanta tecnologia disponível é, no mínimo, estranho que tal tenha acontecido apenas por falta de regulação, não é? Mas isso é outro tema, muito pertinente e que tem a ver não com a inconsistência tecnológica objectiva por parte dos titulares de cargos políticos, mas com uma recusa consciente em utilizar a tecnologia como meio essencial para obter a transparência na gestão dos Estados. Pior, quando essa mesma tecnologia também permite a ‘escavação da Verdade’ como nunca antes. Porque será?

Voltando à “crise”, embora não exista uma definição standard e o termo ’sub-prime’ seja logo associado à actividade de crédito-habitação, pode referir-se igualmente a outras actividades creditícias como, por exemplo, empréstimos para compra de carros ou a cartões de crédito. Consistiu em ter-se atribuído crédito a quem não cumpria pelo menos um de três requisitos: 1) apresentação da totalidade da documentação necessária;  2) apresentação dum rácio recebimentos/prestação suficiente, ou ainda 3) quando a dimensão do empréstimo seja considerada inadequada diante de determinados limites técnicos que agora não vêm ao caso detalhar.

Em 1999, o Governo USA decidiu autorizar, através da “Lei de Modernização dos Serviços Financeiros” (Lei Gramm-Leach-Bliley), a unificação das actividades diferentes de 2 tipos de bancos separados desde a Grande Depressão americana de 1929, portanto até 1999 (70 anos depois…) separadas por imposição técnico-legal. Quais? A Banca Comercial, que recebe de depósitos e empresta a crédito (habitação, empresas, pessoal, etc) e a Banca de Investimento, que recebe dinheiro de Investidores e promete rentabilidades acima da média.

De repente, os Bancos passaram a poder fazer as duas actividades conjuntamente. Por exemplo, ‘pacotes’ de hipotecas de crédito-habitação, sob as mais diversas e atractivas designações passaram a poder ser vendidas a Investidores, com “garantia” de rentabilidades acima da média.

De seguida, e ainda na “era Clinton”, o Governo Federal decide apoiar fortemente a contratação de novos créditos-habitação, subsidiando-os e começando assim a insuflar a chamada “bolha imobiliária”. A procura de casa cresceu a ritmos tais que ainda eram mais rápidos do que e a velocidade com que se construiam as próprias casas…

Claro que os preços das casas subiam e os fundos de investimento multiplicavam-se globalmente. Foi o tempo da multiplicação dos fundos, sempre com nomes muito atractivos para captar ainda mais Investidores globalmente.

Já na “era W. Bush” e na sequência do 11 de Setembro 2001, com a flutuação das taxas de juro, verificou-se o aumento dos encargos com as prestações de CH. Começaram a subir os níveis de incumprimento e os preços das casas começaram a baixar. Resultado: o ‘boom’ imobiliário desapareceu.

Mas do lado da actividade de Investimento continuaram a multiplicar-se os fundos de investimento a um ponto que já nem o valor das casas cobria a totalidade dos planos de reembolsos dos empréstimos CH no final dos seus termos. Sem essa cobertura, os bancos em vez de travar a situação, preferiram utilizar o dinheiro dos Depositantes para pagar aos Investidores… Nem mais nem menos. Passado algum tempo, os Bancos esgotaram o dinheiro dos Depósitos e quando um Banco fica sem o dinheiro para pagar aos seus Investidores, o que acontece? Tem que fechar. Essa é a regra e foi isso que aconteceu com alguns bancos nos USA: Fanny May, Freddie Mac, Lehman Brothers, etc.

O Governo Federal USA passou a ter não um, nem dois, mas sim 3 problemas para resolver:

1) ajudar as Pessoas que têm os CH a pagar?

2) ajudar os Bancos? ou

3) ajudar os Investidores?

Este é hoje não um mero problema Financeiro nos USA mas uma situação que implicou consequências na Economia mundial, com cada país a tentar resolvê-lo descoordenadamente. Recentemente em Davos (CH) foi afirmado que

«O  EURO  PODE NÃO SOBREVIVER A ESTA CRISE»

É que na sequência do sucedido, as trocas, os movimentos entre Dinheiro e Promessas abrandaram fortemente. A redução de movimentos financeiros passou a afectar a generalidade da Economia. Afecta tudo e todos: moedas, todo o tipo de negócios, casas, hospitais, tudo. Porque o Crédito é como Ar a entrar e a sair de um corpo. Uma Economia não pode viver sem Crédito. A pergunta cuja resposta vale uma fortuna: Como restaurar um equilíbrio responsável entre Dinheiro e Promessas (Crédito)?

Já quase tudo foi dito sobre quase tudo nesta ‘Crise’ (continuemos a chamar-lhe simplisticamente assim). O que parece que ninguém dizia ou, pelo menos, passou desapercebido à maioria dos portugueses foi que

O IMPACTO DIRECTO DA CRISE FINANCEIRA AMERICANA FOI NULO, OU QUASE NULO EM PORTUGAL.

Duas citações contraditórias bem claras:
A Verdade: «O sistema financeiro português não revela uma exposição directa significativa aos activos tóxicos que suscite qualquer preocupação especial neste domínio (MF Teixeira dos Santos 10.Fev.2009)
E 3 ‘Inverdades’, para não lhes chamar Mentiras, numa só frase: «Portugal está a sofrer o impacto da crise financeira internacional, que nos atingiu severamente no quarto trimestre de 2008, como atingiu toda a Europa» (PM José Sócrates 14.Fev.2009)

A Verdade é que o impacto directo da crise financeira americana foi praticamente NULO em Portugal, portanto não atingiu toda a Europa. E ainda por cima veio D. Pedro Solbes dizer que «não existiu exposição a produtos financeiros tóxicos em Espanha» onde, portanto, não houve impacto financeiro desse tipo…

A Verdade é que a crise financeira americana teve os seus efeitos iniciais logo no 1º trimestre de 2007, segundo os relatórios públicos da Reserva Federal. Como qualquer observador atento sabe e como os pagos por todos nós tinham a obrigação de saber e de não dissimular. E muito menos negar.

A Verdade é que o impacto em Portugal deriva dos efeitos financeiros directos noutros países e, em consequência, efeitos económicos nos países com os quais a nossa “pequena economia aberta” se relaciona os quais, esses sim e portanto, é que sofreram fortíssimos impactos directos do desastre financeiro americano.

A Verdade em Portugal é que deixou de ser possível ir buscar mais dinheiro ao mercado financeiro internacional para se poder continuar a alimentar a voragem dos custos fixos exponenciais de um Estado eucalíptico gerido em “roda livre” e que tudo vai secando à sua volta. Como se demonstrou com o ‘pequeno’ mas muito evidente episódio do pedido internacional desse grande molho de bróculos organizacional que é a Caixa Geral de Depósitos (pediu 1,7 Bio€, recebeu 1,0 Bio€.).

A verdade é que o Governo de Portugal decidiu salvar dois bancos – BPP e BPN – que, no mínimo e muito claramente, são dois casos de polícia. Sob essa justificação peregrina de querer defender-se a Confiança no sistema financeiro nacional. Não! Não é assim que se defende a Confiança! É ao contrário!

Quando o Estado Português, por uma incapacidade tecnológica gritante, embora não exclusiva, na (in)definição continuada de sistemas de regulação e supervisão por parte do Banco de Portugal, não só “permitiu ao bandido levar o ouro” impunemente, como depois ainda lhe vai duplicar o montante desviado, é o próprio Estado (e quem o governa) que se coloca na posição de ‘bandido’ e passa a perder a Confiança da generalidade dos Cidadãos. É assim! E é isto mesmo que está em causa. Nem mais, nem menos! Clarinho.

Ou “quanto mais longe, mais loze” como diríamos aqui no nosso Barlavento. O longe neste caso é claramente a velha questão das off-shores. Cujo inevitável gran finale parece que ninguém tem a coragem de propôr abertamente a nível europeu nem americano. É do interesse geral e é, paradoxalmente, do interesse dos próprios detentores dessas contas. Mas lá apareceu retoricamente e a más horas no discurso ‘interno’ do PM ao seu PS. Ou ao que resta dele, a julgar pelos níveis de abstenção…

Perante estes factos, onde é que fica a Confiança no sistema e a Credibilidade de qualquer governo digno desse nome? Na promessa de obras públicas e na retórica com fins partidários para ganhar eleições? Trabalhar p’ró boneco? Não. Já vai tarde…

Tudo se passa como se se tivesse esquecido de uma das primeiras lições de qualquer curso de Direito. É que o objectivo do Direito é a regulação dos variados interesses postos em presença numa qualquer sociedade: conflituantes, solidários, indiferentes, etc. Ou seja, a esfera Social precede, é anterior, à esfera do Direito. Não são só as pessoas que têm que cumprir o estatuído no Direito, obviamente. Mas é também o Direito que se tem que adaptar às dinâmicas das sucessivas realidades sociais, culturais, tecnológicas, etc, assegurando as elementares Generalidade, Abstracção, Não-retroactividade da Lei, etc. na definição/revisão/execução temporal dos vários enquadramentos legais. Sob pena de o legislado não obter o seu Respeito e a sua Conformidade por parte dos Cidadãos. Nem dos que podem recorrer ao sistema judicial, quanto mais dos que não podem…

Se analisada objectivamente a legislação e a prática produzida nos últimos 35 anos sob esses 3 enfoques básicos teremos sem dúvida uns resultados esclarecedores. Se puderem ser conhecidos…

Quando se esquece este tão basilar Princípio de Direito e, ainda por cima, se utiliza a formalização jurídica para literalmente enganar os próprios titulares primeiros e destinatários últimos, ou seja, os Depositantes da Confiança Política que todos somos enquanto Cidadãos de pleno direito, não por lapso ocasional, mas sistematicamente com plena consciência do que se está a fazer, é impossível encontrar palavras decentes para descrever o que pode e, certamente, irá acontecer se nada mudar muito urgentemente em Portugal.

É, de facto, de um crime político de lesa-Pátria continuado que se trata, o qual vem causando um cíclico e crescente alarme social há demasiado tempo para ser ignorado. É de uma inominável falta de respeito pelo outro, de um impressionante desprezo pseudo-caritativo pelos que menos sabem e menos podem, assim como pelos que cá andaram antes para que fôssemos o que somos. E é, ainda para mais, um roubo continuado de que são vítimas todos os portugueses! Como se verá.

Mas não tenhamos ilusões: a situação é transversal pelo menos aos dois maiores partidos e desencadeou crescentes e variadas réplicas imitatórias ao níveis regionais não eleitos e locais eleitos que apenas alguns casos mediáticos só ligeiramente evidenciaram. Será por isso que nada pode mudar?

Essa é, de facto, a origem interna da nossa “crise” portuguesa. É interna e não externa, repito! É estupidamente ainda organizacional, e muito dolosamente opaca tecnologicamente. Com raríssimas excepções.  Por isso rende vantagens, que são evidentemente ilegítimas. A crise financeira externa, e a económica que lhe sucede, apenas vêm revelar com uma nitidez e intensidade absolutamente imprevisíveis e indescritíveis os contornos tremendos do que se vem passando – o que sabemos e porventura o que não sabemos – quanto a utilização do Estado em proveitos pessoais ou grupais ilegítimos e inconfessáveis. Claro que contém oportunidades, mas não as que se propagandeiam.

A Verdade é que a Mentira é Total e é transversal a toda a organização política e administrativa de Portugal…  e a solução só pode vir ou do PR ou de elementos do Sistema Judicial ainda não subjugado, se e quando se souberem libertar das amarras de Leis feitas à medida dos mais variados interesses, sabiamente escudadas formalmente pelos ‘aprendizes de feiticeiro’ mais ou menos ocultos da indústria dos pareceres, esses miseráveis fabricantes de molduras legais que se esqueceram tanto das suas origens recentes e remotas como também de uma coisa muito simples:  é que o mais importante num quadro não é a moldura, é a… Pintura.

O que estarão a sentir os tão numerosos e muito competentes Magistrados perante uma situação tão explosiva que lhes entra literalmente pela porta diariamente quando não têm meios legais para administrar a Justiça ainda por cima arcando com a mediatização negativa que advém do facto de a generalidade da comunicação social e dos Cidadãos pensar que são os magistrados que põem os criminosos em Liberdade, quando de facto são as molduras legais que foram mal formuladas, senão mesmo formuladas em função de casos concretos?  Todos os Portugueses aguardam resposta.

Quanto ao Medo, porque estão as pessoas caladas? Simples: porque dependem do Estado e ainda acreditam que vão poder continuar a depender… Erro crasso, porque os Estados também vão à falência e se a Inglaterra, por exemplo, está à frente de uma lista de cinco publicada há menos de um mês, onde estaremos nós, Portugal? Quanto terá que baixar o Pib e aumentar o desemprego para que as redomadas consciências de quem tem as chaves da mudança acordem? E os 15% do PIB que o Turismo representa poderão baixar até quanto para ser suportável o choque? Alguém já fez essa análise de sensibilidade? É que têm a obrigação de o fazer e agir em conformidade. Ou andamos a promover frigoríficos no Alasca?

Quando os efeitos da 1ª Depressão Mundial, é disso que se trata e apenas em fase inicial, chegarem à Função Pública, o que ainda não aconteceu, qual será a reacção das pessoas que dependem do Estado para a sua subsistência física? Continuarão caladas à espera do fim do mês?

O que farão de facto todos os titulares de vínculo com a função pública quando chegarem os inevitáveis despedimentos e/ou os cortes salariais? Porque é que ninguém põe estas questões a quem tem que as responder?

O que farão todos os titulares de pelo menos duas Pensões quando, pelo mais elementar bom senso e perante a gravidade da situação financeira, lhes fôr imposta a obrigação de optar pela melhor das Pensões a que têm direito, ou mesmo pela Pensão média?

O que farão os Depositantes quando perceberem que o seu dinheiro pode não estar no Banco onde o depositaram mas sim a salvar não um qualquer Banco de Investimento glutão, como aconteceu no Exterior, mas para salvar alegados criminosos ainda impunes em meros mas tão essenciais casos de polícia mal/não resolvidos e com ligações directas e transversais à actividade política tão públicas e notórias?

O que farão os competentes magistrados e investigadores que indiscutivelmente temos quando, após as suas competentes e difíceis investigações, virem uma qualquer obscura decisão impessoal proveniente de uma qualquer teia de interesses ‘indetectáveis’ com antenas executivas no ‘Poder Político’ apagar-lhes numa penada os relevantes resultados? Seja o que fôr que fizerem, quantas vezes o farão?

Perante tanta impunidade e incerteza potenciais, o mínimo que se deve fazer é recomendar-se “cautela e caldos de galinha” a Todos e, nomedadamente, à parte de Todos quantos os que no exercício dos seus direitos de cidadania pretendem assumir, muito legitimamente e pela primeira vez, cargos públicos de topo nos próximos tempos.

É que, para além de se virem notando há meses os mais diversos mentorings pessoais em todas as latitudes – puros ou “tutelados superiormente”… – existe historicamente uma espécie rara de transfugas que se “põem a mexer” nestas ocasiões. Essa ‘espécie’ que dá quase sempre como primeiros sinais ser a primeira a abandonar o barco, sempre sob os mais diversos motivos, continuando a recomendar e a defender as minguantes Confiança e Calma em Permanência na situação aos que ficam, pretende prolongar apenas a permanência dos mais crédulos ao mesmo tempo que se promove o tal acelerado mentoring de substituição para possibilitar a sua fuga desresponsabilizante. Para não ir ‘munto’ longe, foi assim antes de 1910 e antes de 1974, e até mesmo em Moçambique no tempo da descolonização, para quem se lembra dos episódios todos. Curioso como a História, por vezes tão improvavelmente, se repete.

É que este é, de facto, um país onde as coisas importantes são “abafadas”. Como se vivêssemos ainda em ditadura. E a constatação não é minha, que sou um “cidadão irrelevante”, a crer numa das entrevistas da procuradora C. Almeida: a justiça portuguesa hoje não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca. E já não é por ninguém querer saber a Verdade nem, ao menos, tentar saber a Verdade. É pior e será pior a cada dia que passe sem que nada de realmente estrutural mude.

É por isso que a situação é potencialmente explosiva, como tarde e a más horas vêm alertar no mesmo dia (coincidência?) dois ex-Presidentes da República Portuguesa. Porque cada vez mais gente sabe e vê como e quem lhes roubou e rouba impunemente, por acção ou por omissão, a Verdade e a Confiança Políticas.
São as “demoras processuais”, os “rituais secretismos”, “a mão que lava a outra e as duas que lavam o rosto” e por aí fora até termos como temos um país inteiro chamado Portugal a sofrer as consequências de níveis de corrupção tais e de tal variedade que tantos qualificam já como endémicos e que eu digo que são pandémicos. Como se vê, já nem com o mal dos outros podemos nós bem…

De tal modo que só quando esta maré negra da ‘crise’ vazar completamente é que os níveis de corrupção se revelarão na sua verdadeira dimensão. Ou será que se pode enganar não uma pessoa uma vez, não várias em tanto tempo mas sim enganar-se toda a gente o tempo todo? Quem pode pensar que esta situação é sustentável?

Estarão todos os actores públicos sem excepção tão fundidos transversalmente numa tão grande teia de interesses sob formalismos legais e relações pessoais/grupais de tal complexidade que se chegue ao cúmulo de ver o PGR, 2º mais alto magistrado da nação – porque o 1º é o PR – a determinar e coordenar uma investigação a…uma investigação determinada e coordenada por si próprio, como de resto constatou em 14.Fev.2008 o magistrado João Palma, SG do SMMP. Não quero acreditar, mas este esclarecedor cúmulo do absurdo parece ser o sininho que faltava tilintar para nos fazer evoluir dos pressupostos de uma analista em Abril de 2008 segundo a qual «existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade» não para se concluir ser «este o maior fracasso da democracia portuguesa» mas para concluir uma coisa definitivamente diferente:

ESTA DEMOCRACIA PORTUGUESA JÁ MORREU. E CHEIRA HORRIVELMENTE MAL.

QUE SEJAMOS CAPAZES DE EVOLUIR PARA OUTRA, E QUE NÃO MORRA A LIBERDADE!

Ou como diria um muy ilustre e experiente Jornalista de um canal privado: «Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa.

A CONTINUAR ASSIM, É SÓ A FAZER DE CONTA QUE VOTAMOS.»

José Borba Martins, Lagos

Professional networking @:
http://www.linkedin.com/in/joseborbamartins
Social networking @:
http://twitter.com/joseborba
http://joseborba.hi5.com
http://www.facebook.com/people/Jose-Borba-Martins/

Open Blog preferido @
http://talefe.wordpress.com

ESTÁ BEM… FAÇAMOS DE CONTA

In Local, Nacional, Regional on 13/02/2009 at 12:08 am

mariocrespo

«Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo. Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos “quid júris” irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das “melhores posições no Mundo” para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos media. Façamos de conta que o “Magalhães” é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que “quem se mete com o PS leva”. Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de “malhar na Direita” (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por “onde é que eu ia começar” a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a “falta de liberdade”. E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do Procurador Geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o Presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.»

MÁRIO CRESPO in Jornal de Notícias 9.Fev.2009

CRISE ou GRANDE DEPRESSÃO GLOBAL? Perspectivas & Análises (III): A Origem Financeira da Primeira Depressão Mundial

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 13/01/2009 at 9:11 am

A melhor maneira de não teorizar em demasia sobre qualquer tema é torná-lo evidente perante uma Criança, de preferência com uma explicação visual.

Nesse sentido, e sobre a situação que TODOS estamos a viver, encontrámos um video extremamente esclarecedor, e démo-nos ao trabalho de traduzir a legendagem para português/pt . Não nos fartaremos de recomendar o seu visionamento e reflexão sob os pontos de vista que cada um achará mais pertinentes.

É, no mínimo,  urgente para a generalidade dos Cidadãos entender esta perspectiva realista, embora explicada de um modo muito simples e rápido.

Neste momento, face a todos os dados existentes e disponíveis publicamente à escala mundial, a mensagem final é realmente de uma complexidade e vazio crescentemente dramáticos a cada dia que passa para Países e Pessoas, se tivermos em conta os vários caminhos alternativos que neste momento estarão ainda a ser reflectidos pelos diversos níveis de detentores dos Poderes Públicos …

É urgente perceber a origem do que se se está a passar, para além das cortinas quase inconscientemente manipuladas perante esta verdaderia maré negra.

É urgente ver/rever este contributo apresentado por “Say it Visualy”  tal como ler a transcrição da tradução.

O video legendado em português/pt está acessível através do link:
http://dotsub.com/media/f7077a3a-c54d-458c-8340-8541db728c91/e/m/por_pt

O video original em inglês (não legendado) está a seguir:

“COMO EXPLICAR A CRISE FINANCEIRA DE 2008 NOS USA ÀS CRIANÇAS

(E A MUITOS ADULTOS)”

por “Say it Visualy”

«Imagine um Baloiço. É divertido quando sobe e desce. Mas não tem graça nenhuma quando fica parado. É assim que funciona a nossa Economia. “Dinheiro Vivo” e “Promessas de Dinheiro” andam para trás e para a frente, há uma constante mudança de Equilíbrio. A isso chama-se “Crédito”.

Comprar uma casa é um bom exemplo. As casas são caras! Portanto as pessoas prometem aos bancos mais dinheiro mais tarde, para receberem empréstimos de menos dinheiro hoje. A promessa que fazem, uma espécie de “Eu devo-te a ti”, chama-se “Hipoteca”. As pessoas conseguem a casa hoje. O banco de facto é o dono da casa, que passa a chamar-se “Colateral”. Todos os meses, as pessoas devolvem um bocadinho ao banco. Os bancos recebem muito mais dinheiro do que o que emprestaram, a longo prazo.

Tendo o dinheiro para emprestar chama-se “Banca de Depósitos”, porque os bancos têm que manter grandes depósitos de dinheiro, para emprestar.

Outra maneira em que Dinheiro e Promessas andam para trás e para diante chama-se “Investimento”.

Pressupõe-se que os Negócios das Empresas farão mais dinheiro do que gastam, mas às vezes, elas precisam de dinheiro para começar a sua actividade. Portanto, elas prometem algum do dinheiro em excesso do futuro, para conseguirem o dinheiro para começar hoje. A promessa que fazem chama-se “Contrato-Garantia”. Possuir “Contratos-Garantias” é muito parecido com possuir dinheiro, portanto esses bancos são chamados de “Bancos de Investimento”.

Portanto, basicamente, existem 2 tipos de actividades de Crédito. Pode dizer-se que os “Bancos de Depósitos” vendem Dinheiro por Promessas e que os “Bancos de Investimento” vendem Promessas por Dinheiro.

Até há 10 anos atrás, as regras definidas pelo Governo Americano após a Grande Depressão de 1929, mantinham as actividades de Depósitos e as de Investimento separadas.

Então, em 1999, o Governo Americano eliminou algumas dessas regras numa Lei chamada “Acto de Modernização dos Serviços Financeiros”.

De repente…as empresas de modernos serviços financeiros podiam fazer as duas coisas.

Isto ligou as actividades de “Depósitos” e “Investimento”.

Por exemplo, conjuntos de Hipotecas foram “empacotados” em conjunto e vendidos a Investidores. Estes “Contratos-Garantias” reforçados por pacotes de “Hipotecas” pareciam seguros. Afinal de contas… as pessoas não pagam sempre as suas casas?
Pouco tempo depois disto, o Governo Federal Americano também decidiu ajudar mais pessoas a conseguirem casas, eles como que baixaram o lado do dinheiro da área dos depósitos, para ajudar mais gente a andar para a frente. Milhões de pessoas que nunca antes teriam recursos para prometer os pagamentos das casas, de repente passaram a ter.  Mas isso tornou-se naquilo a que se chama um “boom”.

Muita gente queria comprar casas mais depressa do que o tempo que elas levavam a ser construídas, e portanto o preço das casas subiu. As pessoas temporariamente esqueceram-se que “para cima” é sempre balanceado “para baixo” nalgum lado.

Muitos grandes empresas de serviços financeiros venderam os tais “Contratos-Garantias” reforçados por pacotes de “Hipotecas”. Grandes pacotes de Promessas! E desde que os preços das casas subissem, os Investidores de todo o mundo pensaram que poderiam obter muitíssimo dinheiro de volta. Mas, a coisa dependia de que a maior parte dos novos proprietários das casas fizessem o pagamento das suas Hipotecas.

Então, os apoios à compra de casa desapareceram. Alguns pagamentos tornaram-se muito mais caros. E algumas pessoas que tinham prometido ir pagando as suas hipotecas deixaram de poder suportá-las. Elas basicamente tiveram que fugir da situação, e vocês sabem o que acontece quando alguém faz isso: os preços das casas caíram e o “boom” desapareceu.

Mas do outro lado continuaram a aumentar os Investimentos. As casas que funcionavam como “Colateral” deixaram de valer tanto quanto os pagamentos das Hipotecas no termo dos empréstimos. Sem esses pagamentos, os bancos tiveram que usar o Dinheiro dos seus próprios Depósitos para pagar aos Investidores. Passado um tempo, o Dinheiro acabou-se.

Quando um banco fica sem Dinheiro para cumprir as suas promessas, ele tem que fechar. Foi exactamente isso que aconteceu.

Agora o Governo está a tentar decidir o que fazer:

1. ajudar os DONOS DAS CASAS?

2. ajudar os BANCOS? ou

3. ajudar os INVESTIDORES?

É um problema de dimensão mundial.

Entretanto, o movimento entre Dinheiro e Promessas, que mantém a Economia em movimento, está a abrandar. Isso afecta divisas, negócios, hospitais, agregados familiares e tudo em geral.

“Crédito” é como ar a entrar e a sair de um corpo. Nós não nos podemos manter sem ele.

Nós mudámos as regras para modernizar o nosso sistema financeiro, mas nós não conseguimos concluir esse trabalho!

COMO É QUE NÓS RESOLVEMOS ISTO E RESTAURAMOS UM EQUILÍBRIO RESPONSÁVEL ENTRE DINHEIRO E PROMESSAS? »

___________________________________________

tradução para Português/PT por “Algarvio de Portugal”, http://talefe.wordpress.com

CRISE ou GRANDE DEPRESSÃO GLOBAL? Perspectivas e Análises (II)

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 07/01/2009 at 5:28 am

socrates1

FOI EXCELENTE A ENTREVISTA DO SENHOR PRIMEIRO-MINISTRO de 2ªf 5.Jan.2009

Porque foi muito esclarecedora. A vários títulos:

PESSOALMENTE, porque revelou uma vez mais o tipo de personalidade forte e voluntariosa de uma pessoa que está convencida de que não existem alternativas. Nem à sua liderança nem à sua política.

Fica-lhe bem a postura, mas não é bem assim, como o Sr. PM muito bem sabe. Ou não sabe?

Assim de repente, sobre entrevistas (permito-me o parentesis) o que me ocorre é que talvez o melhor fosse rentabilizar o Parque Mayer com a sede de uma estação de televisão. Sobrevivia o Teatro de Revista e rentabilizava-se o espaço. Talvez o anunciado novo canal ou o canal espanhol estejam interessados, quem sabe?

É que, apesar de ocasionalmente impaciente ou incomodado («mas o que é que querem que eu vos diga mais?»), o PM que temos pareceu empolgado com a uma Crise que certamente já terá identificado, infelizmente para Portugal, como uma oportunidade política…

Tanto, que já aproveitou para pedir implicitamente uma maioria absoluta nas próximas eleições. Em que não intervirá pessoalmente, dado o sistema eleitoral ridículo que temos não eleger governos mas sim assembleias.

Como todos sabemos neste simulacro de Democracia em que vivemos, a maioria dos Portugueses não vota porque perdeu a tão prezada Confiança Política… A Justiça não produz resultados em tempo útil e todos os poderes continuam, como outrora, a ter o seu centro em Lisboa. Centro político esse que, baseando numa minoria de eleitores, arregimentados competemente com recurso a técnicas antigas e teias de interesses modernos, mantém  um povo inteiro refém de si próprio pelo mesmo espírito obscurantista de outrora. Em todo o país. Embora agora a cores e com enorme e ignorante consumismo. Aquilo a que me refiro é tão evidente e tão grave que até um conterrâneo meu da área política do governo se viu compelido a avisar contra os perigos desta verdadeira Oclocracia que se instalou em Portugal. Para a qual, repito, alertou há tempos um intelectual da minha terra nos seus escritos. E como a História e a Sociologia inelutavelmente explicarão no futuro.

Mas isso é para o Sr. PM um problema menor. Se sempre foi assim…cá vamos nós caminhando alegremente para sucessivas abstenções record. Portanto, sobre a tão prezada Legitimidade Política estamos esclarecidos.

Realmente é impressionante: como é possível andarmos a pensar em eleições numa altura destas Sr. PM? Ou preparam-se novos e obscenos festins financeiros, agora por conta desta tão tardiamente detectada e tão infantilmente denominada “Crise”?

POLITICAMENTE, é totalmente inaceitável que se argumente que a dimensão do que vivemos é a de uma ”crise” ou até mesmo de uma “recessão”. Não! O problema é gritantemente maior: nem é Crise nem é Recessão! E muito menos apenas técnica. Se fosse só isso, substituia-se uma peça qualquer e a Economia lá levantava vôo outra vez. Francamente…

Não é uma gripe é um estado potencialmente comatoso o que, neste momento apenas inicial, os dois suicídios de pessoas do topo financeiro mundial apenas sinalizam. E que não afecta apenas a área financeira, é geral e transversal. Da área financeira alastrou à económico-social e à generalidade das actividades humanas. E alastrará à Organização dos Estados e das Sociedades tal como hoje as conhecemos.

Quanto a consequências, é bom não perder de vista que, sejam quais forem, resultarão do facto de, na minha opinião, a sua origem residir numa crise de valores éticos já com décadas associada à questão da legitimidade política (ou da falta dela) em várias regiões do Globo. Sem exclusão das chamadas “democracias ocidentais”.

Esta Primeira Depressão Mundial parece ter-se desencadeado a partir de uma claríssima incompetência técnica e política para utilizar e controlar – conduzindo –  a aceleração proporcionada pela tecnologia por parte dos poderes políticos. Paradoxalmente, de duas maneiras: porque essa aceleração escondeu uma desaceleração evidente e simultânea na chamada economia real  – o eterno problema de analisar totais sem fazer a análise fina, sem ver a decomposição dos totais -  e, por outro lado, porque nunca como hoje as tecnologias de informação foram tantas e tão eficazes. Tudo isto temperado pelo facto de os detentores do conhecimento tecnológico acelerado não coincidirem e não terem sido levados a sério pelos detentores do poder político. O que terá sido mais grave ainda se estes, numa segunda fase e a partir do início do século, passaram a manipular ilegitimamente os sistemas financeiros. Tanto que, para mais, no seu seio incluem-se sempre detentores do conhecimento técnico…

E a todos estes ainda se juntam sempre os que não tendo nem conhecimento técnico nem tecnológico sabem falar muito bem e são óptimos no fund raising. Esta mistura explosiva é ainda rastilhada pela mais despudorada “livre-circulação” entre a Política e a Economia (pública e privada…), das fugazes passagens pelos cargos políticos ao trânsito de/para outras actividades.  A roda livre.  Será que em Portugal tudo foi ou é diferente Sr. PM?

Não sabemos. Quem tem que saber é o Sr. PM. Mas também o Sr. Presidente da República.

Mas sei que a desmaterialização dos processos e dos activos financeiros velhos e novos  – o que na prática equivaleu a se poder ”emitir divisas”, o que era proibido há menos de 20 anos e deixou de o ser (quando?, porquê?…) -  não foi completamente percebida nem controlada por quem tinha a obrigação política e a disponibilidade tecnológica para o fazer. Controlar no sentido da transparência de processos e da disponibilidade imediata (“onlinização”) das actividades financeiras, verificando automaticamente a situação. Será que em Portugal tudo foi ou é diferente?

Não sabemos. Quem tem que saber é o Governo e o Banco de Portugal. Mas também o Sr. Presidente da República.

De facto, estamos perante uma DEPRESSÃO, e é a primeira que é GLOBAL. O que não é melhor.

Estamos pois perante A PRIMEIRA DEPRESSÃO MUNDIAL.

Claro que contém oportunidades, mas o que está a suceder é muito pior que uma mera recessão técnica. E quanto mais tarde se acordar para ela pior. Pedem-se soluções, mas ouve-se realmente quem as tem, Sr. PM?

Haja, pois, a necessária Coragem para mudar. O que não se pode fazer sendo governo é, em contra-crítica, pedir as soluções às oposições. Quem não sabe, não quer, ou não pode, que feche a loja.

O que imperativamente não se pode pretender fazer é, perante este vazar de maré cuja baixa-mar não está ainda à vista mas que só ela evidenciará a verdadeira quantidade de porcaria existente, abordar a resolução dos impactos da Primeira Depressão Global na Economia Portuguesa com estratégias pessoais ou grupais eleitoralistas minimizadoras de danos.

O problema, Sr. PM, é que perante este quadro, tem que se ser politicamente mais ambicioso do que isso !

Ou será que se prefere sistematicamente aproveitar as ideias alheias, para além de outras coisas piores…, que depois são torcidas e ajustadas aos vários interesses do momento, levando quase à loucura quem vê a realidade e sofre na pele os efeitos de se ousar ser sério e honesto perante a mais grave e sucessiva incompetência política e técnica a tantos e variados niveis. Podemos estar num quadro pior? Podemos esperar que as soluções venham sempre de fora?

Ou preferir-se-à, ainda nessa suicidária perspectiva e ao abrigo de tão recheados quanto duvidosos CV’s e de variados oportunistas e interesseiros mentorings políticos de fugas várias, encenar formalmente mais uma série de pasos dobles nesta meta-democracia em que, há já tanto tempo, tudo vai mudando para afinal ficar tudo na mesma. Lançando mais ou menos jovens aparatchiks, ainda navegando nos paradigmas do passado os quais, sedentos dos fátuos poder e fama, não sabem – ou não podem –  identificar o que lhes vai cair nas mãos indo acabar, mais cedo ou mais tarde, numa qualquer prateleira dourada à pála do erário público? Ou na prisão? E a organização científica do trabalho? Passou a ser filosofia política Sr. PM? Onde cabem 10 metem-se 50? Isso é que é alavancar… E as Pensões? Quantas por pessoa? Qual é o limite? 3? 5? 10? Auditorias Funcionais? Empresas Municipais? 3ª Auto-estrada Lisboa-Porto quando ainda não tem sequer a Via do Infante ligada via Barlavento até Sines. Até quando? Ou essa obra está reservada para quando os PIN para o Sudoeste estiverem todos vendidos e mal pagos roubando às populações locais o usufruto dos seus direitos públicos e privados? Does that ring you any bell, Mr. PM?

De facto, a abordagem política apresentada na entrevista de José Sócrates é insustentável perante a realidade que todos os Portugueses vivem há meses. Alguns há alguns anos. Os largamente mais de metade que trabalham no Estado (parece que passou a ser uma vantagem paradoxal, mas não é, como infelizmente se verá…) tal como as restantes pessoas, definitivamente, não merecem tal baixo e apenas reactivo nível de ambição política. A tão voluntariosa abordagem apresentada para Portugal não é credível. Porque não é coerente nem consistente. E porque é reactiva e agora, mais do que nunca, tem que ser activa.

Quem pode acreditar que quem em Outubro.2008 não soube (ou não pôde…) avaliar politicamente nem a claríssima crise portuguesa (sacrificando consciente e voluntariamente os portugueses à consolidação orçamental, seríamos o único país da UE que iria cumprir os critérios do défice público…) nem a pública e evidente depressão global (com início demonstrado desde o início de 2007), quem acreditará sinceramente que pode agora anunciar-se um Orçamento Rectificativo ao sexto dia do ano e agir politicamente a supervisionar tecnicamente Portugal nas turbulentíssimas águas que se avizinham? Ou então sabia-se e calou-se a Verdade. O que ainda seria pior…

E da tão prezada Confiança nem se fala… Mas há alternativas. E o Sr. PM conhece-as. Tem que conhecê-las. Ou, então, tem que ir à procura delas. Com Coragem e Urgência.

Não, não é preciso ser vidente, a realidade é antes por demais evidente e há demasiado tempo para poses surpreendidas e piruetas voluntaristas.

Como demasiada gente sabe para que se ignore, há mesmo quem consiga demonstrar que esta Depressão começou nos USA como crise financeira há 7 anos, pasme-se…

Mas não vou tão longe, obviamente! Basta-me documentar que ela tem o seu início registado há cerca de 2 anos e, como tal, os respectivos dados são públicos (US Federal Reserve)! Portanto já era conhecida em Outubro (e não Setembro) quando da apresentação dessa coisa que deve ser intelectualmente estimulante  - mas de pouca Verdade –  a que se chama Orçamento de Estado e que mais não é que um Orçamento de Tesouraria… É impressionante, será tecnicamente correcto, mas é tecnologicamente infantil e politicamente suicidário. Portugal não pode mais ser gerido, embora pareça que esforçadamente, como se de uma mercearia em que o dono está fora se tratasse. A ver. E a pagar.

É demais para ser ignorado pelo Senhor Presidente da República. Que também não pode querer sacrificar Portugal em nome de um eventual segundo mandato. No limite, que prefira fazer um bem feito do que dois mal feitos… Creio estarmos a chegar ao momento em que também o Sr. PR terá que optar entre ser parte da solução ou do problema. Do problema é. Da solução activa…ainda não! É que as sondagens “mentem”. Mas pessoas não!

Sobre a entrevista resta-me assinalar que, de entre outros, não foi abordado o tema JUSTIÇA.

Sem mais comentários, para além de dois apontamentos:

- O Senhor Governador do Banco de Portugal, que entretanto considerou que o plano da Comissão Europeia para estimular a economia pode ser insuficiente, revelou logo no dia seguinte ao da entrevista de José Sócrates que Portugal entrou em recessão técnica em 31.12.2008 (2 trimestres sucessivos com crescimento negativo do Pib). Logo no dia seguinte ao da entrevista.

- E mais um ”pequeno” sinal, para mim muito preocupante a vários títulos, nomeadamente Fiabilidade de Informação: na entrevista Rtp1 do Sr. Ministro das Finanças no Telejornal da noite de 3ªf, foi referido o problema do défice da economia dos USA que, galopante, estimava o presidente eleito em peça apresentada com legendas, se terá cifrado também no final de 2008 em 1 trilião de Usd e não um bilião como na peça foi traduzido, ou seja mil biliões e não um bilião. E a repetir em anos futuros, dizia B. Obama. Não legendado!… por lapso ou por intenção?

A diferença é de 1 para 1.000 e o facto é que o erro passou despercebido – porque não corrigido - ao Sr. Ministro das Finanças que é, de facto e conjuntamente com o Sr. Ministro das Obras Públicas, quem governa a Economia Portuguesa. Lapso ou intenção?

Termino com uma gloriosa intervenção do Sr. PM José Sócrates, em 14.10.2004, quando era Deputado da República Portuguesa, dirigindo-se ao ex-PM Santana Lopes e, mais abaixo, um video intitulado “José Sócrates – Antes e Depois”.

A transcrição da intervenção de 14.10.2004:

«Senhor Presidente, Senhores Deputados, Senhor Primeiro-Ministro,

Lamento muito recordar que o senhor Primeiro-Ministro ocupa esse lugar sem ter ganho uma eleição legislativa nacional. Mas essa acontece que é a pura das verdades, Sr. PM. E vai ter que conviver com isso. E esse não é um tema qualquer nem um tema secundário Sr. PM. É um tema da maior importância. Porque só a legitimidade política dá autoridade. E, o Sr. PM desculpe-me, mas só essa autoridade é que é fundamental para poder coordenar um governo.

E há um ponto em que todos os analistas estão de acordo, Sr. PM: é que o Governo não tem rumo nem tem estratégia. Nem tem coordenação. E se é verdade que, há uns meses atrás, os portugueses não compreenderam que o Sr. PM é primeiro-ministro,  à medida que o tempo passa vão percebendo cada vez menos.

A este Governo o que verdadeiramente falta é orientação, é rumo, é aquilo que se chama, Sr. PM, liderança. Porque os portugueses não podem confiar num PM que uma vez diz umas coisas, outra vez diz outras. Não podem confiar num PM que deixa o seu governo à deriva. Que deixa os ministros degladiarem-se na praça pública à volta das questões da governação. Não podem confiar num PM que não imprime aquilo que é fundamental, uma orientação, um rumo, uma estratégia, uma liderança, para o governo. O Sr. PM desculpe dizer-lhe isto, Sr. PM, mas os portugueses vão ficando com a sensação, nós ficamos aqui com a sensação, que verdadeiramente o Dr. Santana Lopes não está no lugar certo. Que não tem jeito para isto. A conclusão a que chegámos é que o Dr. Santana Lopes não tem jeito para primeiro-ministro. É esta aparência que dá este governo.

Notei que o Sr. PM, nos seus cinco minutos, não teve tempo para ir à Economia. Cá espero pela sua resposta. Mas gostaria de lhe lembrar o seguinte Sr. PM: nós não podemos passar de uma fase em que estamos em recessão para a fase do crescimento estouvado, porque essa não é a realidade da nossa economia. Eu gostaria de recordar ao Sr. PM que este mês temos mais 16.000 desempregados.  Que os dados do comércio internacional de Portugal apontam para o agravamento do défice comercial. Que as exportações não arrancam. E quero recordar-lhe, Sr. PM, que nós somos o país da União Europeia, o segundo pior país da União Europeia, em termos de confiança. Esta é que é a realidade da nossa economia, que nenhuma central de comunicação poderá disfarçar. Ou mascarar.

Mas Sr. PM, o Sr. PM não se vai daqui embora sem falarmos num último tema. Dei-lhe todas as oportunidades. Podia ter falado nele no seu discurso inicial, e podia ter falado nele a seguir, na resposta à minha pergunta. E esse caso não é resolvido pelo seu silêncio. Esse é um caso a que não pode fugir. E é o caso seguinte:  é o caso do ministro do seu governo que fez uma pressão ilegítima junto de uma estação privada e que conduziu à eliminação de uma voz incómoda para o seu governo. E o Sr. PM desculpar-me-à, mas quero dizer-lhe com clareza, esse episódio é um episódio indigno de um governo democrático, e é um episódio inaceitável. E quero dizer-lhe, Sr. PM, isso é uma nódoa que o vai perseguir, porque essa nódoa  não vai ser apagada facilmente. Porque é uma nódoa que fez Portugal regressar aos tempos em que havia condicionamento da Liberdade de Expressão. E peço-lhe, Sr. PM, peço-lhe, Sr. PM, resista à tentação do controlo da comunicação social. Não vá por aí,  porque nós cá estaremos para evitar essas tentações. Muito obrigado, Senhor Presidente.»

O video:

“SÓCRATES – ANTES E DEPOIS”

MEDINA CARREIRA ao “NÓS POR CÁ” na tarde do dia da entrevista do Sr. PM à Sic

(restantes videos anteriores em playlist sequencial)

Bom 2009 (vamos no sétimo dia…)

Algarvio de Portugal, Lagos

CRISE ou GRANDE DEPRESSÃO GLOBAL? Perspectivas e Análises (I)

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 04/01/2009 at 4:57 am

medinacarreira

Nos últimos 10 anos, o ritmo do endividamento externo de Portugal é de 48 milhões de euros por dia, ~2 milhões de euros por hora… Onde está o dinheiro? Porquê ? Ninguém é responsável ?

Sei que pode parecer simplista, que se trata do endividamento de todos os agregados macro-económicos (será mesmo?) mas ninguém é responsável pelas sucessivas inércias políticas de Lisboa quanto à reorganização do Estado? Já com alguns e tão significativos casos de polícia que evidenciam o modo politicamente criminoso como os maiores partidos políticos se financiam, vitimizando-se pelo caminho igualmente as autarquias  e os seus “funcionários políticos” que tanto inocente quanto provincianamente se vão pondo a jeito.

Sempre ao abrigo desses subconscientes paradigmas inculcados por necessidade e rarefacção de alternativas ao longo de décadas mas hoje objectiva e claramente ultrapassados para uma pretensa segurança pessoal, segundo os quais se deve “ir para a capital”, “tirar um canudo” e ”conseguir trabalho no Estado ou num Banco” como a melhor das garantias de um rendimento permanente e estável. Nada de mais errado, como o demonstram os factos recentes e mais demonstrarão os futuros! E mais ainda, quando sob aquelas tão extraordinárias justificações de que já era assim quando os sucessivos actuais “actores políticos” chegaram, que não há outro remédio, de que não podemos mudar o mundo e outras barbaridades. Ou seja, nem mais nem menos do que a negação da Política !

Não é simplista, será complexo,  mas de uma coisa os responsáveis políticos de topo, actuais e passados, por esta ainda desconhecida – em toda a sua extensão e profundidade - coisa inominável em que Portugal se tornou, podem estar certos: pode enganar-se uma pessoa uma vez, duas duas vezes, mas não se pode enganar toda a gente o tempo todo. Terão ainda tempo para serem parte da solução?

Não gosto de chavões mas creio que as palavras de Medina Carreira são lapidares quando refere a propósito do problema da morosidade da Justiça que

«não se faz nada contra isso porque a classe política tem medo de ser apanhada na mira…na rede da Justiça. É uma desconfiança que eu tenho…Quanto mais complicado aquilo fôr… (sub. melhor)», ou que

«Um país em que as desigualdades não têm fundamento, em que a maior parte delas são desigualdades ilegítimas, para não dizer mais, é um caldo de cultura que pode acabar muito mal.»

Claro que no actual contexto provavelmente o ritmo do crescimento do endividamente será ainda maior por via das despesas sociais. Se houver financiamentos externos, o que não é claro que aconteça (v. recente caso do financiamento à Cgd). Mas isso não pode justificar o desprezo pela realidade por parte de um Estado que se vem desde há longa data revelando ingovernável e bipolar (carrasco na cobrança /caloteiro nos pagamentos). Que vai consumindo tudo, até as boas-vontades e as pouquíssimas boas competências políticas e técnicas que alguns ainda puseram e põem ao seu serviço. Quanto às outras vontades,  muito pouco ou nada se sabe. Publicamente…

Sem medos nem extultos cultos da personalidade, mas com fundadíssimos receios sobre o que será o nosso futuro colectivo face à indiscutível realidade para a qual apenas há pouquíssimas semanas a generalidade dos políticos portugueses acordou – que não os Portugueses - recordamos aqui as mais significativas intervenções em 2008 acerca do presente e do futuro de Portugal pela perspectiva do Prof. Medina Carreira.

Com a devida vénia ao blog de Vítor Silva Os meus apontamentos, e para quem necessita ainda de mais dados sobre que País hoje somos, em que Estado hoje estamos e para onde hoje estamos de facto a caminhar, aqui fica profusa informação acerca de PORTUGAL pela perspectiva de Henrique Medina Carreira, o político, pedagogo e fiscalista a quem tantos chamaram “tremendista”:

-  Entrevista de Maria Flor Pedroso a Medina Carreira Transcrição da entrevista de Maria Flor Pedroso a Medina Carreira para o seu programa semanal na Antena1 de 3-out-2008.

- O Dever da Verdade o muito esclarecedor livro de Medina Carreira coordenado com Ricardo Costa do qual, no mínimo, se devem ler as trabalhosas e eloquentes “notas de leitura”

Neste link do YouTube estão os videos das suas intervenções, de que destacamos:

-  2008-05-26   Prós&Contras: A situação real da economia portuguesa.

-  2008-07-03   SicN – Negócios da Semana.

-  2008-07-16   SicN – Política e Estado do País.

-   2008-10-14   SicN – Entrevista a Mário Crespo.

-   2008-10-17   TVI – Orçamento 2009.

-   2008-12-10   SicN – Negócios da Semana.

Adicionalmente e para terminar, permitimo-nos citar, com a devida vénia ao Professor e ao semanário SOL, o seu artigo publicado em Outubro.2008 intitulado “SURDO COMO UMA PORTA, TEIMOSO COMO UM BURRO! “:

«Os partidos criam ilusões sobre a capacidade para melhorar o nível de vida dos portugueses. É apenas um embuste!

O Governo armadilhou a legislatura porque atacou a conjuntura com conversa. Concretiza-se um evidente fracasso!

Legalmente, a actual legislatura acabará em 2009. de facto, já terminou. O governo abriu a campanha eleitoral quando Correia de Campos saiu da Saúde e a paz foi feita com os professores. Tem vindo a intensificá-la, redistribuindo um mínimo de dinheiro pelo maior número possível de beneficiários. É o ‘social barato’, porque a economia o impõe. Por agora, está feito o que o Governo foi capaz de fazer. Mas o essencial fica, uma vez mais, adiado. Os partidos da oposição, por seu lado, sem recurso sequer ao ‘social barato’ confiaram às crises e à gatunagem a tarefa de ‘desgaste’ do eleitorado socialista. No que respeita à economia, esta é mais uma legislatura sem avanços: em 2009 a conjuntura não será melhor que a de 2005; e as bases estruturais mínimas, que sustentem o progresso da produtividade, continuam por criar. Estamos parados, o que é o mesmo que dizer que ficamos mais atrasados…

A economia continua a ser o mais difícil dos nossos problemas. Irá manter um elevado nível de desemprego, um baixo poder de compra, um modesto ritmo de crescimento, uma insanável pobreza, um crescente temor do futuro, a irremediável nova emigração, as excessivas desigualdades e a periclitante protecção social. A economia é, afinal, a maior causa do nosso mal-estar. Dificilmente a conjuntura poderia ter evoluído de modo diverso. O governo comprometeu-se com resultados mais positivos, mas não deveria tê-lo feito: eram já evidentes e falta de instrumentos para consegui-lo e desfavoráveis as circunstâncias externas vigentes. Acontece que, ao contrário de há vinte anos, o crescimento econômico no curto prazo escapa às políticas no Governo: não há moeda própria para desvalorizar e as ‘exportações’ não crescem desse modo; não há juros para baixar; porque essa é uma atribuição do BCE e não há margem de manobra para reduzir os impostos e/ou aumentar as despesas publicas, porque há déficies elevados e persistentes. Só uma sensível aceleração das ‘exportações’ poderia ter resultado melhor. Tratar-se-ia, porém, de uma hipótese remota, porque a economia da Zona Euro crescia, anualmente, à taxa de 1,4% (2000-2004).

Na ausência de factores objectivos que fossem favoráveis - internos e externos – o Governo simulou a dinamização da economia através das palavras: ‘optimismo’, ‘coragem’, ‘crença’ e ’modernidade’. Uma simples puerilidade destinada ao fracasso porque a realidade mostra, diariamente, o contrário. Deve recordar-se ao Governo que o PIB português é muito mais surdo que uma porta e muito mais teimoso que um burro! Não reage a esta ‘conversa’. Só anima aquele em quem se acredita. E só se acredita em quem sempre diz a verdade.

A ineficácia da política da ‘conversa’ é um factor: por isso, vem agora o Governo, mais perto das eleições de 2009, anunciar um exorbitante conjunto de obras públicas que promovam o investimento e o consumo, e acelerem o crescimento econômico. É o habitual e o desesperado recurso ao ‘betão’ keynesiano. Que, nas actuais condições , agravará o futuro só para produzir um fogacho que fantasie o presente. Se a política da ‘conversa’ foi apenas um logro, a do excesso do ‘betão’ poderá ser uma perigosa aventura. Desde logo porque, no plano do Estado, não se reduzir suficientemente o défice, pelas despesas correntes (apenas – 1.1 pp do PIB): os riscos de uma nova colisão com o Programa de Estabilidde e Crescimento (PEC) são grandes. Mas, sendo o défice público um travão, nem sequer é o mais decisivo: são-no os nossos elevados défice externo e endividamento internacional, porque tais investimentos provocriam acréscimos de encrgos insuportáveis. Em suma: públicos ou privados, pouco importaria, este volumoso ´betão’ teria de ser financiado no exterior; por insuficiência de poupança interna. A festa de agora seguir-se-ia depois a hora da verdade, com os juros e os reembolsos a pagar. O Governo tem referido as obras mas tem silenciado o seu financiamento externo: evita que a opinião pública se aperceba das pesadas consequências da sua exorbitante dimensão, para já não falar do carácter supérfluo de muitas. Importam-lhe apenas as eleições de 2009, porque outros estarão para pagar mais tarde. Basta atentar no alerta de Silva Lopes, feito já em 2004: “Se continuarem as tendências de endividamento dos últimos anos do século XX (…) antes de muito tempo os bancos, as empresas e as famílias (encontrarão limites para o mesmo). Se isso acontecer, negras nuvens pairarão sobre o crescimento da economia nacional”. Estas ‘tendências’ não permaneceram, porque se agravaram sempre.

Os dislates e as aventuras das políticas têm ajudado a ocultar a realidade da nossa economia. À nossa opinião pública condicionada pelas análises ‘trimestrais’ – só chegam as noticias das insignificantes variações de décimas do produto e do desemprego. Assim, não pode entender-se o que é a economia portuguesa. Convém lembrar que:

1) De 1980 a 2007, o crescimento médio anual foi de 2,4%;

2) Atingiu nos melhores ciclos os 5% (1985 a 1990), e os 3,5% (1995 a 2000);

3) Nos restantes dezassete anos, fora estes destes ciclos, situou-se em 0,9%.

Os dois ‘bons’ ciclos deveram-se, em grande parte, a acasos externos, a saber:

1) À queda do preço do petróleo e à entrada na CEE, no primeiro (1985-1990);

2) À baixa das taxas de juro e ao endividamento externo, no segundo (1995-2000). E desde 1990, beneficiamos também de meios financeiros extraordinários, alguns irrepetíveis, num montante superior a 180 milhões de euros, provenientes de: transferência comunitárias, 53 mil milhões; privatizações, 18 mil milhões; e do maior endividamento do Estado e das Famílias, 100 mil milhões.

Com tais acasos e tanto dinheiro, atingimos 2,4% anuais, nos últimos vinte e sete anos. Em dois de cada três anos, nesse longo período, nem sequer excedemos os 0,9%. Cabe então perguntar o que teríamos sido e o que poderemos vir a ser, sem acasos e sem muito dinheiro.

Em Portugal e no curto prazo, o crescimento dependerá:

1) De uma conjuntura externa favorável, que propicie mais exportações;

2) De medidas políticas sectorais e avulsas, embora com efeitos muito restritos;

3) Da ocorrência de investimentos volumosos, públicos e/ou privados no exterior.

Uma de duas : ou há sorte, vinda de fora, ou hipotecar-nos-emos. E todos os governos estão ‘amarrados’ a tais circunstâncias: têm, portanto, de ser sérios, assumir e explicitar este intransponível condicionamento. O que fazem é, exactamente, o contrário. Não ingenuamente: os principais partidos querem, no imediato, manter boas sondagens, preparar e ganhar eleições. Para tanto, criam e sustentam ilusões sobre a sua capacidade para impulsionar o crescimento, gerar empregos e melhorar o nível de vida. É apenas um embuste.

Esta necessidade imediata de afirmação dos principais partidos é, politicamente, muito grave pois impede o desenvolvimento econômico português: só se faz agora o que interessa que se veja já, porque a obra de fundo e demorada ano promove imediatamente a imagem. Nem os votos. Tornando desinteressante a economia do futuro, esta democracia corrói perigosamente um dos seus apoios fundamentais. Em países atrasados, como o nosso, é um sistema promotor de maiores atrasos. Demorará tempo,mas vai perceber-se.

Do ponto de vista econômico, o Governo ‘armadilhou’ a legislatura de 2005-2009: porque atacou a ‘conjuntura’ com ‘conversa’; porque arquitectou um conjunto de obras cuja concretização integral empenharia longamente o nosso futuro; porque não preparou a ‘estrutura’ em função das necessidades de uma economia mais produtiva e mais competitiva. Concretiza-se assim um evidente fracasso se se considerar que esta legislatura reúne condições únicas e muito favoráveis: pela sua longa duração de quatro anos e meio, pela maioria absoluta de um só partido e pela ‘cooperação estratégica’ do Presidente da República. Como ela nenhuma houve, desde 1976, e nenhuma teremos, proximamente. E, em muito do que é mais relevante, o Governo limitou-se a simular que executava ‘reformas’, quando afinal privilegiava o espectáculo mais que a obra, a retórica mais que a substância; as palavras mais que as idéias e a aparência mais do que a realidade.

Poucas são, alias, as políticas com efeitos positivos sobre o nosso futuro econômico:

1) A redução do défice público, não especialmente pelas despesas correntes (49% pelos impostos, 31% pelas despesas correntes e 20% pelas despesas de investimento);

2) A reforma das pensões, atrasada de dez anos e apenas para adiar a grande crise;

3) As energias renováveis, em fuga ao indispensável debate sobre o nuclear;

4) Algum ‘Simplex’, a gerar conflitualidade judicial proximamente.

Em 2009 continuaremos a ter a mesma economia que registou um crescimento anual médio de 0,0%, em dezassete dos últimos vinte e sete anos(1980-2007).

E não é previsível uma modificação, para melhor, a partir de 2009. Efectivamente:

1) As circunstâncias em Portugal podem agravar-se, com uma legislatura mais curta, a ausência de maiorias e divergências políticas mais acentuadas;

2) A crise internacional, de extensão ainda imprevista, tolherá o crescimento, aumentará o desemprego e poderá restringir drasticamente o acesso a financiamentos externos, único factor que nos tem permitido iludir os efeitos da debilidade econômica e manter um nível de vida que é artificial e será insustentável nos próximos anos;

3) A protecção social ressentir-se-á, em função dos crescentes e inevitáveis condicionamentos financeiros;

4) O clima social degradar-se-á. Este é um quadro incompleto, mas provável. É o produto da mediocridade estabilizada da nossa economia, que agora só se agrava, devido às circunstâncias internacionais.

Dito de forma mais crua: Portugal ficará outra vez entregue a si mesmo, sem sequer poder pretextar qualquer crise que disfarce as suas fraquezas. Não deve, por isso, manter-se a ilusão, pois os malabarismos nunca vencem as realidades. Sempre que assim se procede, aqui ou além, as coisas acabam mal.»

Para terminar aqui fica uma surpreendente explicação sobre a origem da crise financeira. Um certo humor britânico, legendado em português do Brasil…

Algarvio de Portugal, Lagos

Democracia & Internet

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 01/01/2009 at 5:34 am

EPIC 2014  – realizado em 2004 por Robin Sloan and Matt Thompson *

Uma História Futura dos Media. Ver e rever nestes tão cheios de incerteza, confusão e…de mudanças de paradigmas em todas as áreas de actividade. Também na Democracia Portuguesa e do que todos e cada um de nós quisermos que ela seja. Apesar de uma entrevista recente a que voltaremos nooutro dia.

Alguns números que ilustram a importância de um fenómeno que nos condicionará cada vez mais a todos. Para o melhor ou para o pior, só dependerá de ti.

AFINAL QUANTO TEMPO VAIS FICAR QUIETO E CALADO?

Participa! Se nunca o fizeste, O TALEFE pode ser o instrumento da tua primeira manifestação de opinião própria ou de partilha de experiências que tenhas como relevantes. Em qualquer tipo de formato: texto, audio, foto ou video. Escreve, grava, fotografa, filma e envia os ficheiros para webmaster.talefe@gmail.com .

A COMUNICAÇÃO SOCIAL ÉS TU. Mais cedo ou mais tarde !

Alguns números:

« 110 milhões  - Número de visualizações em 16 de Novembro dos 1.800 vídeos publicados no canal oficial de Barack Obama no YouTube. Nunca um candidato à Casa Branca tinha usado tão intensamente a web para fazer passar a sua mensagem. Foi também no YouTube que o Obama publicou, a 15 de Novembro, o seu primeiro discurso como presidente eleito. Em menos de 24 horas, mais de 500 mil pessoas já o tinham visto. “Yes, he can!” (fonte: YouTube)

8,5 milhões – Número de visitantes por minuto de sites noticiosos em todo o Mundo entre as 23 horas e a meia-moite de terça-feira, 4 de Novembro, dia das Eleições norte-americanas. Quando foi divulgado que Barack Obama era o grande vencedor, os sites de notícias bateram todos os recordes de visitas desde que este tipo de medições começaram a ser feitas, há três anos. Em situações semelhantes registaram-se três milhões de visitantes por minuto. O site do “The New York Times” recebeu um número recorde de 61,6 milhões de pageviews (páginas completamente transferidas para o computador do internauta) na quarta-feira, em comparação a 55,1 milhões no dia da eleição, segundo dados internos. O site do “The Washington Post” também bateu o recorde na quarta-feira, com 17,5 milhões de pageviews, sendo que no dia anterior havia registado 13,2 milhões. (fonte: Akamai).»

in Expresso (citação parcial)

Algarvio de Portugal, Lagos

__________________________

* recomenda-se o visionamento do video na página própria do post (clicar no título).

O saudoso vi ver

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 28/12/2008 at 3:26 pm

Aos cinco considerados Grandes Mestres da Terra Lusitana (Afonso Henriques, Camões, Infante D. Henrique, Pe. António Vieira e Fernando Pessoa) ouso acrescentar eu, que ninguém sou, agora mais Um, o tão celebrado mas tão esquecido Prof. Agostinho da Silva, de quem cito um urgente excerto de obra sua.

Não encontrou este humilde Algarvio de Portugal melhor pensamento que este para iniciar estas Cartas do Talefe, o qual, tão simplesmente, pretende convocar todos para a urgência de pensarem pela sua própria cabeça de modo a sobreviverem nestes tão confusionistas tempos de Mudança em que tão poucos insistem em tanto activa quanto inconscientemente subverter um dos valores fundamentais da existência humana:

A Liberdade.

«Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não são seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição, venha a pensar o mesmo que eu; mas, nessa altura. já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.»

Agostinho da Silva, in ‘Cartas a um Jovem Filósofo’

Os VIDEOS de Agostinho da Silva no YouTube:

Um Grande Português - Agostinho da Silva
Agostinho da Silva (Entrevista 1ª Parte - 1990)
Agostinho da Silva (Entrevista 2ª Parte - 1990)
Herman José entrevista Agostinho da Silva
Agostinho da Silva, Liberdade, Destino, Genética, Defeitos
Agostinho da Silva-Instruir,Educar,Reformados,Camões ePessoa
Para ver mais Videos do Prof. Agostinho da Silva clique AQUI e escolha!