José Borba Martins

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B A S T A

In Internacional, Nacional on 15/07/2009 at 11:49 am

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«Simultaneamente com a Comissão Parlamentar sobre o BPN decorreu em Washington o inquérito do Congresso às irregularidades de gestão das grandes empresas financeiras americanas que tinham levado à crise. Logo aqui, a premissa de partida para as investigações americanas demarcou-se diametralmente da da Assembleia da República.

Em Portugal, assumiu-se que os problemas no BPN decorreram da crise. A actuação desregulada e criminosa dos gestores pode estar a custar aos contribuintes dois mil milhões de euros subtraídos a hospitais, lares e escolas, mas, pelo relatório do BPN, não contribuiu para as dificuldades financeiras do país, que seriam só culpa da crise internacional.

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Numa das mais emblemáticas sessões da Comissão americana (18 Março, 2009) foi chamado a Washington Edward Liddy, o presidente do maior grupo segurador do Mundo, o American International Group. Em plena crise, a AIG tinha distribuído prémios aos seus quadros. Stephen Lynch, congressista de Massachusetts, perguntou iradamente a Liddy se não “tinha vergonha na cara”. Liddy respondeu que o estavam a ofender ao questioná-lo nesses termos. O parlamentar respondeu-lhe que a intenção era mesmo ofendê-lo, porque ele era o responsável por uma imensa ofensa ao património do povo americano.

Chegou a altura de nos inspirarmos na vitalidade da prática secular de democracia na América e dizer que os relatores do inquérito ao BPN não tiveram vergonha na cara. E dizer mais: que a maneira brutal como as conclusões do relatório foram impostas, pela lei esmagadora dos números ainda que rejeitadas por toda a Oposição, constitui um claro alerta para os riscos que corre a democracia em Portugal. É um sinal gritante ao eleitorado para não repetir o erro cometido há quatro anos e passar, finalmente, a utilizar o voto como arma rectificadora de um sistema político imaturo e venal, como tem mostrado ser o português. É um aviso para os riscos desta maioria e um aviso para os riscos de maiorias destas. A Comissão Parlamentar sobre o BPN ouviu durante meses relatos de anos consecutivos de uma actuação predadora dos bens de depositantes que confiaram num sistema bancário regulado e garantido pelo Estado.

Durante o inquérito, leram e ouviram descrições de como os politicamente poderosos obtiveram lucros espantosos em situações questionáveis. Dos juros de cento e muitos por cento que o professor Cavaco Silva e família receberam às empresas falidas compradas por Dias Loureiro por milhões que desapareciam das contas em vendas fantasma. A fiscalização deste mercado de loucos estava (está) entregue a um alto quadro socialista.

O Partido Socialista concluiu agora, quatro meses e dois mil milhões de euros depois, que ao longo dos anos de saque o Banco de Portugal do antigo secretario-geral socialista tinha exercido a sua fiscalização de forma “estreita e contínua” (pags. 214 e 215 do Relatório Parlamentar ao BPN). Por absurdas que sejam estas conclusões, elas foram lavradas em documento da Assembleia da República, que é o que fica para a história como o relato dos representantes eleitos pelos portugueses da maior roubalheira de sempre na finança nacional. O relatório está feito. Por imoral que seja, vamos ter de viver com ele.

Compete ao eleitorado garantir que para a próxima legislatura não haja condições para se repetir uma afronta destas.»

Mário Crespo in JN 13.07.2009

NO DIA DE PORTUGAL DE 2009…

In Internacional, Nacional on 12/06/2009 at 6:40 pm

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O discurso de António Barreto no Dia de Portugal de 2009:

«Senhor Presidente da República, Senhor Presidente da Assembleia da República, Senhor Primeiro-ministro, Senhores Embaixadores, Senhor Presidente da Câmara de Santarém, Senhoras e Senhores,

Dia de Portugal… É dia de congratulação. Pode ser dia de lustro e lugares comuns. Mas também pode ser dia de simplicidade plebeia e de lucidez.

Várias vezes este dia mudou de nome. Já foi de Camões, por onde começou. Já foi de Portugal, da Raça ou das Comunidades. Agora, é de Portugal, de Camões e das Comunidades. Com ou sem tolerância, com ou sem intenção política específica, é sempre o mesmo que se festeja: os Portugueses. Onde quer que vivam.

Há mais de cem anos que se celebra Camões e Portugal. Com tonalidades diferentes, com ideias diversas de acordo com o espírito do tempo. O que se comemora é sempre o país e o seu povo. Por isso o Dia de Portugal é também sempre objecto de críticas. Iguais, no essencial, às expressas por Eça de Queirós, aquando do primeiro dia de Camões. Ele afirmava que os portugueses, mais do que colchas às varandas, precisavam de cultura.

Estranho dia este! Já foi uma “manobra republicana”, como lhe chamou Jorge de Sena. Já foi “exaltação da raça”, como o designaram no passado. Já foi de Camões, utilizado para louvar imperialismos que não eram os dele. Já foi das Comunidades, para seduzir os nossos emigrantes, cujas remessas nos faziam falta. E apenas de Portugal.

Os Estados gostam de comemorar e de se comemorar. Nem sempre sabem associar os povos a tal gesto. Por vezes, quando o fazem, é de modo desajeitado. “As festas decretadas, impostas por lei, nunca se tornam populares”, disse também Eça de Queirós. Tinha razão. Mas devo dizer que temos a felicidade única de aliar a festa nacional a Camões. Um poeta, em vez de uma data bélica. Um poeta que nos deu a voz. Que é a nossa voz. Ou, como disse Eduardo Lourenço, um povo que se julga Camões. Que é Camões. Verdade é que os povos também prezam a comemoração, se nela não virem armadilha ou manipulação.

Comemora-se para criar ou reforçar a unidade. Para afirmar a continuidade. Para reinterpretar o passado. Para utilizar a História a favor do presente. Para invocar um herói que nos dê coesão. Para renovar a legitimidade histórica. São, podem ser, objectivos decentes. Se soubermos resistir à tentação de nos apropriarmos do passado e dos heróis, a fim de desculpar as deficiências contemporâneas.

Não é possível passar este dia sem olharmos para nós. Mas podemos fazê-lo com consciência. E simplicidade.

Garantimos com altivez que Camões é o grande escritor da língua portuguesa e um dos maiores poetas do mundo, mas talvez fosse preferível estudá-lo, dá-lo a conhecer e garantir a sua perenidade.

Afirmamos, com brio, que os portugueses navegadores descobriram os caminhos do mundo nos séculos XV e XVI e que os portugueses emigrantes os percorreram desde então. Mais vale afirmá-lo com o sentido do dever de contribuir para a solidez desta comunidade. Dizemos, com orgulho, que o Português é uma das seis grandes línguas do mundo. Mas deveríamos talvez dizê-lo com a responsabilidade que tal facto nos confere.

Quando se escolhe um português que nos representa, que nos resume, escolhe-se um herói. Ele é Camões. Podemos festejá-lo com narcisismo. Mas também com a decência de quem nele procura o melhor.

Os nossos maiores heróis, com Camões à cabeça, ilustraram-se pela liberdade e pelo espírito insubmisso. Pela aventura e pelo esforço empreendedor. Pela sua humanidade e, algumas vezes, pela tolerância. Infelizmente, foram tantas vezes utilizados com o exacto sentido oposto: obedientes ou símbolos de uma superioridade obscena.

Ainda hoje soubemos prestar homenagem a Salgueiro Maia. Nele, festejámos a liberdade, mas também aquele homem. Que esta homenagem não se substitua, ritualmente, ao nosso dever de cuidar da democracia.

As comemorações nacionais têm a frequente tentação de sublinhar ou inventar o excepcional. O carácter único de um povo. A sua glória. Mas todos sentimos, hoje, os limites dessa receita nacionalista. Na verdade, comemorar Portugal e festejar os Portugueses pode ser acto de lucidez e consciência. No nosso passado, personificado em Camões, o que mais impressiona é a desproporção entre o povo e os feitos, entre a dimensão e a obra. Assim como esta extraordinária capacidade de resistir, base da “persistência da nacionalidade”, como disse Orlando Ribeiro.

Mas que isso não apague ou esbata o resto. Festejar Camões não é partilhar o sentido épico que ele soube dar à sua obra maior, mas é perceber o homem, a sua liberdade e a sua criatividade. Como também é perceber o que fizemos de bem e o que fizemos de mal. Descobrimos mundos, mas fizemos a guerra, por vezes injusta. Civilizámos, mas também colonizámos sem humanidade. Soubemos encontrar a liberdade, mas perdemos anos com guerras e ditaduras.

Fizemos a democracia, mas não somos capazes de organizar a justiça. Alargámos a educação, mas ainda não soubemos dar uma boa instrução. Fizemos bem e mal. Soubemos abandonar a mitologia absurda do país excepcional, único, a fim de nos transformarmos num país como os outros. Mas que é o nosso. Por isso, temos de nos ocupar dele. Para que não sejam outros a fazê-lo.

Há mais de trinta anos, neste dia, Jorge de Sena deixou palavras que ecoam. Trouxe-nos um Camões humano, sabedor, contraditório, irreverente, subversivo mesmo.

Desde então, muito mudou. O regime democrático consolidou-se. Recheado de defeitos, é certo. Ainda a viver com muita crispação, com certeza. Mas com regras de vida em liberdade.

Evoluiu a situação das mulheres, a sua presença na sociedade. Invisíveis durante tanto tempo, submissas ainda há pouco, as mulheres já fizeram um país diferente.

Mudou até a constituição do povo. A sociedade plural em que vivemos hoje, com vários deuses e credos, com dois sexos iguais, com diversas línguas e muitos costumes, com os partidos e as associações que se queira, seria irreconhecível aos nossos próximos antepassados.

A sociedade e o país abriram-se ao mundo. No emprego, no comércio, no estudo, nas viagens, nas relações individuais e até no casamento, a sociedade aberta é uma novidade recente.

A pertença à União Europeia, timidamente desejada há três décadas, nem sequer por todos, é um facto consumado.

A estes trinta anos pertence também o Estado de protecção social, com especial relevo para o Serviço Nacional de Saúde, a segurança social universal e a escolarização da população jovem. É certamente uma das realizações maiores.

Estas transformações são motivo de regozijo. Mas este não deve iludir o que ainda precisa de mudança. O que não foi possível fazer progredir. E a mudança que correu mal.

A Sociedade e o Estado são ainda excessivamente centralizados. As desigualdades sociais persistem para além do aceitável. A injustiça é perene. A falta de justiça também. O favor ainda vence vezes de mais o mérito. O endividamento de todos, país, Estado, empresas e famílias é excessivo e hipoteca a próxima geração. A nossa pertença à União Europeia não é claramente discutida e não provoca um pensamento sério sobre o nosso futuro como nacionalidade independente.

Há poucos dias, a eleição europeia confirmou situações e diagnósticos conhecidos. A elevadíssima abstenção mostrou uma vez mais a permanente crise de legitimidade e de representatividade das instituições europeias. A cidadania europeia é uma noção vaga e incerta. É um conceito inventado por políticos e juristas, não é uma realidade vivida e percebida pelos povos. É um pretexto de Estado, não um sentimento dos povos. A pertença à Europa é, para os cidadãos, uma metafísica sem tradição cultural, espiritual ou política. Os Estados e os povos europeus deveriam pensar de novo, uma, duas, três vezes, antes de prosseguir caminhos sem saída ou falsos percursos que terminam mal. E nós fazemos parte desse número de Estados e povos que têm a obrigação de pensar melhor o seu futuro, o futuro dos Portugueses que vêm a seguir.

É a pensar nessas gerações que devemos aproveitar uma comemoração e um herói para melhor ligar o passado com o futuro.

Não usemos os nossos heróis para nos desculpar. Usemo-los como exemplos. Porque o exemplo tem efeitos mais duráveis do que qualquer ensino voluntarista.

Pela justiça e pela tolerância, os portugueses precisam mais de exemplo do que de lições morais.

Pela honestidade e contra a corrupção, os portugueses necessitam de exemplo, bem mais do que de sermões.

Pela eficácia, pela pontualidade, pelo atendimento público e pela civilidade dos costumes, os portugueses serão mais sensíveis ao exemplo do que à ameaça ou ao desprezo.

Pela liberdade e pelo respeito devido aos outros, os portugueses aprenderão mais com o exemplo do que com declarações solenes.

Contra a decadência moral e cívica, os portugueses terão mais a ganhar com o exemplo do que com discursos pomposos.

Pela recompensa ao mérito e a punição do favoritismo, os portugueses seguirão o exemplo com mais elevado sentido de justiça.

Mais do que tudo, os portugueses precisam de exemplo. Exemplo dos seus maiores e dos seus melhores. O exemplo dos seus heróis, mas também dos seus dirigentes. Dos afortunados, cujas responsabilidades deveriam ultrapassar os limites da sua fortuna. Dos sabedores, cuja primeira preocupação deveria ser a de divulgar o seu saber. Dos poderosos, que deveriam olhar mais para quem lhes deu o poder. Dos que têm mais responsabilidades, cujo “ethos” deveria ser o de servir.

Dê-se o exemplo e esse gesto será fértil! Não vale a pena, para usar uma frase feita, dar “sinais de esperança” ou “mensagens de confiança”. Quem assim age, tem apenas a fórmula e a retórica. Dê-se o exemplo de um poder firme, mas flexível, e a democracia melhorará. Dê-se o exemplo de honestidade e verdade, e a corrupção diminuirá. Dê-se o exemplo de tratamento humano e justo e a crispação reduzir-se-á. Dê-se o exemplo de trabalho, de poupança e de investimento e a economia sentirá os seus efeitos.

Políticos, empresários, sindicalistas e funcionários: tenham consciência de que, em tempos de excesso de informação e de propaganda, as vossas palavras são cada vez mais vazias e inúteis e de que o vosso exemplo é cada vez mais decisivo. Se tiverem consideração por quem trabalha, poderão melhor atravessar as crises. Se forem verdadeiros, serão respeitados, mesmo em tempos difíceis.

Em momentos de crise económica, de abaixamento dos critérios morais no exercício de funções empresariais ou políticas, o bom exemplo pode ser a chave, não para as soluções milagrosas, mas para o esforço de recuperação do país.»

António Barreto, Santarém, 10 de Junho de 2009

QUE É FEITO DO HOMEM DO BALDE ?

In Internacional, Nacional on 01/06/2009 at 12:19 am

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José António Saraiva, ilustre director do Sol, avança ali «com uma explicação para a crise inteiramente diferente daquela que tem sido apresentada. Basicamente, disse o seguinte: o problema não foi o subprime, nem as fraudes, nem outras práticas menos ortodoxas.

O problema é a globalização.

A questão é que o capitalismo deixou de ser ‘regional’ para ser ‘global’. Um modelo que vigorava apenas na Europa Ocidental e na América (com uma ‘extensão’ ao Japão) em meia dúzia de anos passou a vigorar praticamente em todo o Globo.»

Nada de mais ERRADO.

Da mais pura areia para os olhos. Não para estes. Para nada contará, decerto, a opinião de um cidadão irrelevante, como diria uma notável cidadã de Portugal, mas estou total e frontalmente em desacordo com esta pererina «explicação para a crise inteiramente diferente daquela que tem sido apresentada» formulada pelo ícaro director do semanário Sol.

O mais sinteticamente possível, socorro-me de uma imagem adjacente à do argumentado sismológico e para não me valer conceptualmente de Benioff para dizer, muito simplesmente, que o problema não está na dimensão da inundação, o problema está nas canalizações velhas, avariadas ou intencionalmente inúteis ou inexistentes que a provocam.

O problema intelectualmente insondável para o tão orginal argumentário articulado é que nós não estamos perante uma inundação, estamos perante uma maré a baixar tão clara e aceleradamente que só quando baixar completamente revelará a quantidade e a qualidade da porcaria que está no fundo.

Aí por uma boa vintena de razões diferentes, das quais destaco neste momento as dos dedos de uma mãozinha apenas. Como segue:

1. DESLUMBRAMENTO profundamente desprovido de Valores sãos e por demais ignorante, porque suicidário, por parte dos agentes financeiros (e também dos económicos, como se perceberá melhor em breve…) com a utilização ilegítima da tecnologia de circulação descontrolada de capitais e com a criminosamente omissa definição de sistemas de controlo que permitiu uma situação de criação descontrolada de moeda, não no sentido tradicional estrito, mas no sentido da criação de produtos virtuais de “alto rendimento”.

Abraham Lincoln avisou contra isto mesmo há uns 150 anos atrás…

(Aqui para nós, qual é o equivalente económico no agregado “empresas” da origem do descalabro financeiro no agregado “bancos” qual é? Não a ‘consequência’,  que já tão abundantemente vemos, mas o ‘equivalente’ qual é?)

Então a solução é decidir pôr o agregado “estado” a comprar o problema, perpetuando as causas e os actores visíveis e ocultos nos outros agregados? Para voltar ao cenário anterior? Não é, certamente. Sobrecarregando ainda mais os contribuintes? Também por tudo isto, o pior ainda está para vir ! Com tanto maior descontrolo e gravidade quanto mais tempo decorrer sem que as alterações pertinentes se produzam e implementem.

É que o agregado “famílias” não imprime moeda e a sua “facturação” é, por definição, fixa…

2. INCOMPETÊNCIA TECNOLÓGICA ACTIVA por parte dos principais níveis dos poderes na definição de sistemas de controlo operacionais em tempo real. Se existem nos mercados cambiais, alguém acredita que tenha sido inconscientemente decidido que não existam nos outros?

3. Nas RELAÇÕES VS. DITADURAS verificou-se uma perda recorrente e crescente de coerência na aplicação dos princípios , optando-se por uma excessiva real-politik, o que até pode parecer bom a c/pz, mas é suicidário a m-l/pz. África e Ásia são zonas evidentes quanto a este ponto. Como o tempo demonstrará mais claramente.

4. INCOMPETÊNCIA POLÍTICA, designadamente na definição de formulações diferentes e acções inovadoras perante uma factual mudança radical da realidade, concretamente quanto à queda do ‘inimigo’ (fim dos comunismos) conjugada com a desadequação dos modelos operacionais democráticos tradicionais. E, mais uma vez perante a tecnologia disponível…

5. No MATRIMÓNIO DOS “ISMOS” tudo parece ter-se passado, em pouco mais de um quartel, como se o socialismo e o capitalismo tivessem decidido “casar-se” na evolução para um “socialismo democrático” (nascido da resistência negociada Vs. modelo de expansão desesperada da URSS…) mas, perante a tão trabalhada queda do “bloco de leste” e a renovação do pessoal político – não raro oriundo do adversário da fase anterior… -  como se tivessem decidido renovar essa aliança, evoluindo para um erradamente chamado “capitalismo selvagem” o que, ainda por cima, serve para tantos argumentarem por uma pretensa constatação do “fim do capitalismo”.

Não, como já tive oportunidade de opinar, não é disso que se trata, a realidade é a do “fim do capitalismo tal como o conhecemos”, o que é coisa muito diferente. Nem entendo como certas forças políticas ainda insistem neste maximalismo ultrapassado, em vez de se baterem pela transparência, pela accountability, pela rastreabilidade ou traçabilidade como é por demais evidente ser necessário. Ainda por cima tal radicalismo em concreto será manifestamente redutor do seu potencial eleitoral. Mas é lá como eles. E connosco, porque todos somos poucos…

Na minha humilde opinião, neste capitalismo que ainda vamos reconhecendo e que tarda em reformular-se imperam  ainda as estruturações com pequeníssimos núcleos duros, essencialmente anárquicas e pontuais na base, como  lhe convém, mas nada inocentes nos ocultos mas pouco secretos píncaros.

Estas estruturações são evidentemente transversais a quase todos os quadrantes políticos tradicionais, mas também são controleiramente medievais, gritantemente ultrapassadas e subversivas dos interesses de uma larguíssima maioria dos cidadãos. Excepto para os que lucram à cabeceira do banquete e para os que aceitam pôr-se a jeito para o trabalho financeiro cacique, iludidos pela riqueza fácil que ainda não perceberam que lhes passará ao lado, ao contrário da responsabilidade política, ou até simplesmente criminal. Como já está a acontecer em paragens não noticiadas entre nós…

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A dimensão, como “sabiamente” pretende ignorar o ícaro director de jornal semanal, não justifica tudo, os princípios é que são perenes, apliquem-se a um ou com um milhão. Seja do que fôr e sempre com o mesmo ritmo cardíaco. Esta é a oferta da assunção desses mesmos princípios na aplicação dos saberes à realidade, que ninguém ignora mas que, pelos vistos, poucos sabem difundir ou nela porfiar persistentemente.

Recuperar os Princípios e os Valores em vez de perpetuar os príncipes com pés-de-barro e os calores das euforias é o trabalho urgente para, interagindo de modo mais frequente, transparente e directo com os Cidadãos, melhorar o ar que se respira. A menos que o “director do Sol” ache normal que, por exemplo em Portugal, numa autarquia do norte uma camioneta para transportar menos de uma vintena de crianças custe 3.000.000€ (600 mil contos) ou que até um simples rolo de papel higiénico a utilizar pelos estudantes da Univ. Clássica de Lisboa seja comprado pela República Portuguesa por valor 4 vezes superior ao que qualquer pessoa paga ao comprar uma meia dúzia desses artigos num qualquer supermercado. Cano abaixo. Parece simples e está perfeitamente identificado por quem quer produzir resultados, mas não pode… Custando um bem ou serviço p.ex. 1000, quando é o Estado a comprar passa a custar 4 ou 5 vezes mais: os primeiros mil para pagar o preço real do bem ou serviço, os segundos mil para quem vende, os terceiros mil para quem compra e os restantes mil para a organização política que tenha, na ocasião, o Poder. Se os valores em causa forem extraordinários, então acrescentam-se uns quintos mil para cobrir os riscos da alternância “democrática”…

Não sendo método único, nem novo (v. artigo de Mário Crespo no JN), nem exclusivamente português, este é um ponto entre tantos outros que verdadeiramente interessariam debater nestas eleições europeias mas  sobre o qual qual, sintomaticamente – com o tempero dessa fantástica lei de contributos financeiros aos partidos políticos, que unanimemente a aprovaram no Parlamento – nenhum dos candidatos fala…

E que mais dizer do facto (subavaliado)  de «a má qualidade da legislação portuguesa custa ao Estado 7,5 mil milhões de euros por ano, qualquer coisa como 4,5 por cento do PIB, segundo estimativa do Centro Jurídico da Presidência do Conselho de Ministros.»…

Desde que se cumpra a “Lei” vale tudo !!!

Quanto aos canos e à marés é só perceber a origem da inundação e ler as tabelas, respectivamente.

É que, como toda a gente sabe, mesmo que não se queira mudar o cano de esgoto do mais simples dos sistemas e para repor o seu escoamento normal tem que se retirar primeiro a porcaria da caixa…

Quanto a esta nossa trágica maré já se vai vendo o fundo.

Quem havia de dizer que nela é já tão pouco o sal e tantas as lágrimas de Portugal…

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José Borba Martins, Lagos

DEPRESSÃO COM DEFLAÇÃO ou DEPRESSÃO COM HIPER-INFLAÇÃO ?

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 10/04/2009 at 12:50 am

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Schopenhauer dizia o que andamos a ver relembrado por muita gente nestes tempos únicos. Dizia ele que a toda a Verdade passa por três fases: Começa por ser ridicularizada, passa a ser violentamente atacada antes de ser aceite como evidente.

Na sequência dos dois posts anteriores acerca da 1ª Grande Depressão Global, ou a 1ª Depressão do séc. XXI, que tantos aqui onde a Terra acaba e o Mar começa ainda insistem já não em negar, mas a lidar com o facto como se de um fenómeno aleatório ou meteorológico se tratasse, e dispondo eu de não mais do que a informação a que qualquer Cidadão pode aceder via internet, venho humildemente chamar a atenção de TODOS, onde se devem urgentemente incluir aqueles que têm responsabilidades objectivas pela gestão política de Portugal, de alto a baixo e da “esquerda” à “direita”, para o facto de estarmos a atingir o Ponto Inicial do Absurdo ou a Barreira do Impossível, as designações que Martin Weiss, um reputado analista norte-americano, utilizou num webinar há menos de 48 horas. Não é o primeiro a pronunciar-se contra a corrente de um estranho optimismo segundo o qual “isto vai passar”, “tudo voltará a ser como dantes” ou que “dentro de um ano ou dois isto melhora, basta esperar e ter paciência”, etc.

O intuito desta linhas é o de facultar reflexões sobre este tipo de informação, irrefutável, credível e de difusão urgente, que a quase totalidade da comunicação social portuguesa, com raríssimas excepções, vem omitindo ou tarda em transmitir.

Estranhamente parece preferir-se, em vez desse trabalho imperativo e sob o pretexto da comemoração de efemérides importantes, andar a pedir aos vilipendiados Cidadãos de Portugal para darem o seu contributo apenas folclórico e aparentemente participativo para a melhoria da qualidade desta “nossa” democracia…

Quem pode acreditar que  uma mesma pessoa ou grupo de pessoas  pode à tarde opôr-se ao que faz de manhã?

Haja Seriedade e Vergonha. Porque é tarde para mais uma encenação “genial” !!!

E tudo isto para quê? Para avalizar uma vez mais a continuidade nos vários poderes daqueles que “sabiamente” quiseram e souberam voluntariamente posicionar-se nos lugares que, ainda e apenas há semanas, pensavam serem impossíveis de ser postos em causa pelos excepcionais acontecimentos que assistimos? Não! Não é este, definitiva e evidentemente, o caminho da Verdade e da Acção que interessa é generalidade dos Portugueses.

Então afinal, meus senhores, para que é que têm sido pagos e o que têm andado a fazer de facto os Políticos, os Gestores Públicos e toda a Corte que os acompanha? Para pensar e agir no interesse geral de Portugal ou para andarem a perder tempo com questiúnculas, enredos  e mascaradas suicidárias fatais, acompanhadas de um extensíssimo rol de tomadas de decisão/omissão demonstradamente irresponsáveis e gravíssimas para a Democracia Portuguesa e para, pasme-se, ainda por cima e como se tudo isso não bastasse, virem agora pedir Ideias e Participação aos pobres  dos Portugueses que somos todos nós afinal? Ou seja, justamente a quem, com paciência china – certamente por influência dos 5000 PdV chineses já existentes -  não só lhes vem pagando, como ainda em nome de quem estes figurões de pacotilha e vácuo altruísta pretendem exercer cargos públicos? Homessa, que grande calinada! Cada vez que vejo esse bem feito mas triste anúncio televisivo fico sem palavras… Mas adiante, que se faz tarde.

O ritmo da evolução negativa da economia portuguesa, europeia e mundial é avassalador, mas continuamos a testar gaps temporais inadmissíveis no fornecimento de dados objectivos, que apenas são facultados a conta-gotas ou em alguns artigos de opinião, exceptuando-se ainda alguns “malditos” e raros blogs nacionais. Ainda há poucos dias foi o défice final de Dezembro de 2008, corrigido face ao anunciado anteriormente como bem sucedido, face às circunstâncias… Em Abril 2009, mais de 3 meses depois??? Esta é mais uma estúpida realidade que nos condiciona, que vem atravessando todos os governos e que os excepcionais tempos que vivemos apenas vêm de novo reforçadamente evidenciar.

Não são as causas directas e indirectas desta “crise”, mais ou menos recentes que nos devem preocupar no presente, para além das lições que elas fornecem. Muito menos entrar em debates inúteis, que apenas consomem Tempo e Energia.

Assisti, e não fui o único a fazê-lo com muita atenção, ao webinar de M. Weiss, que está a alertar não apenas toda a população dos Estados Unidos como a de todo o planeta para a realidade actual, para as opções políticas erradas que estão a ser seguidas e que conduzirão a Humanidade para longos anos – senão décadas – de Declínio Global.

A quase totalidade da informação incluída neste post tem como fonte aquele evento de Martin Weiss, a quem saúdo e agradeço em meu nome e em nome de todos quantos os que destas informações e links possam extrair os apropriados posicionamentos pessoais, empresariais ou políticos conscientes e pró-activos em defesa dos seus patrimónios, tangíveis ou intangíveis, sejam eles a inestimável Liberdade, o Emprego, os Rendimentos e todo e qualquer tipo de Direitos Pessoais e Sociais que estão, de facto e já hoje, ameaçados como nunca antes na História da Civilização.

Ninguém tem seguro contra os riscos com que a Humanidade está confrontada já hoje. Portugal não é excepção. Nem mais nem menos.

O que é válido para os USA é por demais claramente aplicável à Europa e a Portugal. Obviamente, e ainda em maior escala no caso do nosso país, dadas as enormes diferenças estruturais existentes: competitividade e estruturação económica, moeda, heterogeneidade sócio-fiscal, etc.

O que está a acontecer nos mercados financeiros é uma tremenda armadilha. Na Depressão dos anos 30 do século passado sucedeu o mesmo, com vagas ilusórias de valorizações de 30%, 48%, 20% nas 3 primeiras vagas…

O Desemprego ainda está a crescer e a crescer cada vez mais rapidamente do que numa recessão típica…

As Falências estão em crescimento.

O Crédito Bancário está verdadeiramente assustador.

Três organizações mundiais, o FMI-Fundo Monetário Internacional, o BM-Banco Mundial e OCDE-Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico, estão unanimemente a prever que nos próximos meses e durante todo o ano de 2009 todos testemunharemos

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O PRIMEIRO DECLÍNIO MUNDIAL

DESDE A GRANDE DEPRESSÃO !!!

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E estão a prever ainda maiores declínios, precisamente nas mesma área de actividade que fez com que a Depressão de 1930 fosse tão severa: O COMÉRCIO MUNDIAL. É como cair de um penhasco abaixo….

Não interessa a frequência com que os rallyes do mercado financeiro possam suceder, nem como os países do G-20 estimulem ou não estimulem as suas economias, nem os abanões positivos que possam ocorrer num ou noutro sector de actividade, o que interessa perceber é que

O DECLÍNIO GLOBAL

É O CONTEXTO FUTURO IMEDIATO

que se apresenta para qualquer continente do planeta, com excepção da Antárctida…

Toda a gente parece já ter percebido que seriam necessários muitíssimos estímulos para dar a volta a este monstro que é o declínio económico global.  Seria necessário muito mais do que qualquer governo do mundo poderia suportar. Não vale a pena iludir ou açucarar a questão, temos que ser perfeitamente claros:

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NESTE PRECISO MOMENTO,

A ECONOMIA MUNDIAL ESTÁ A DESLIZAR

PARA A 1ª GRANDE DEPRESSÃO DO SÉC. XXI !!!

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E esta Depressão está já a trazer grandes cortes: na produção industrial, severos declínios em resultados de grandes grupos, desemprego massivo, perdas de casas e falências, ou seja, já está em curso

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O MAIOR CICLO VICIOSO DE TODOS OS TEMPOS:

O COLAPSO DO CRÉDITO !

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Que ninguém tenha dúvidas, estamos todos na maior encruzilhada das nossas vidas e temos que escolher o caminho certo. Esta escolha não é acerca de nós, da nossa geração, é sobre os nossos filhos e os filhos dos nossos filhos.

Se fizermos a escolha acertada, poderemos providenciar melhores tempos para eles. Ou, alternativamente, poderemos ir continuando o declínio do endividamento tornando muito mais difícil a vida de não uma, mas várias gerações futuras.

EXISTEM APENAS DOIS CAMINHOS OU TENDÊNCIAS POSSÍVEIS A PARTIR DO CRUZAMENTO PRESENTE EM QUE TODOS NOS ENCONTRAMOS (PERMANECEREMOS, EM PORTUGAL, PARADOS, QUIETOS E CALADOS À ESPERA QUE OS TEMPOS MUDEM ?):

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1) DEPRESSÃO ECONÓMICA COM DEFLAÇÃO

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O primeiro  dos caminhos conduz à Depressão Económica com Deflação, com algumas similaridades com a Depressão de 1930. Não vale a pena “doirar a pílula”, serão tempos duros e traumatizantes. Vêm com uma reacção em cadeia de falências de empresas e grupos económicos, não apenas dos que já estão a ser intervencionados, mas também de mais bancos, seguradoras, construtores automóveis, etc.

Re(começará) nos mercados financeiros com novo pânico financeiro em Wall Street e vai por aí fora até se atingirem níveis de desemprego record até 25% da população activa (15,6% hoje nos Usa), até se atingirem níveis de redução da produção industrial de 50% da capacidade instalada (o que já começou a acontecer globalmente), até ao dramático e muito doloroso aumento da população sem abrigo (10 grandes cidades americanas estão já nesta tendência…).

Neste cenário a previsão para os mercados accionistas cotados é de uma redução de 90% (tal como em 1930, também pode acontecer agora).

Mas este cenário contém, por incrível que possa parecer, alguns benefícios.

Podem ocorrer tempestades financeiras, podem ter que ser feitas ajudas extraordinárias para salvar posições estratégicas, pessoais, de cidades inteiras ou de empresas organicamente rentáveis, mas essas medidas terão carácter de emergência em qualquer que seja o cenário, neste caminho ou no outro. No caso concreto das Reformas, Pensões e dos Planos que cada Pessoa ou Família terão previsto, a realidade é que igualmente não será necessário o mesmo montante que seria na realidade passada, que já não existe, e que era de inflação controlada, permanente e contínua.

A realidade, neste novo cenário de Depressão com Deflação é que será apenas necessário sensivelmente metade do anteriormente previsto. Desde que não se perca mais rendimento do que já se perdeu até este momento.

De facto, a maioria das pessoas – e dos políticos – ainda não pensa assim, pela simples razão de que não passaram por nenhum período deflaccionista nas suas vidas. Mas este é um benefício significativo que decorre deste cenário, o de preços a cair. Em deflação as casas ficam mais baratas, as despesas com educação ficam mais baratas, um depósito de gasolina ou gasóleo fica mais fácil de encher. Graças à deflação as pessoas passam a querer trabalhar mais por menos. Não é ironia, é mesmo assim. As moedas continuarão fortes e a competitividade das economias não será comprometida, os bancos centrais poderão continuar a recorrer a crédito externo em função das necessidades para as operações correntes e as formas de governo democráticas não serão comprometidas. Tudo isto com ~25% de desemprego, mas com ~75% da população activa ainda a trabalhar, a receber em moeda estável e a poder comprar mais mês após mês (e não menos, como acontece com inflação). O que é válido para os USA e também para a Europa.

O problema é que os governos e dos fazedores de políticas parece não gostarem de Deflação, preferem Inflação, é algo com que se habituaram a viver e toleram. Não tem a mesma conotação de Mal, um ‘frame’ que associam à Deflação.

Esperemos até que tomem consciência do ‘CENÁRIO NEGRO DA INFLAÇÃO‘, que é o da

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2) DEPRESSÃO COM HIPER-INFLAÇÃO

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Este é o 2º dos caminhos que se nos apresentam no cruzamento em que nos encontramos. Este ‘cenário negro de Inflação’ não é o cenário da inflação “normal” que conhecemos do passado recente. É uma inflacção on the run, descontrolada, a que se acrescentará a maior parte das características da Depressão identificadas parcialmente no anterior caminho.

Na sua forma mais extrema, conduzirá a uma realidade similar à que a Alemanha sofreu nos anos 20 do sec.XX.

Foi quando o governo decidiu imprimir dinheiro sem quaisquer restrições, quando o dinheiro chegou a ser mais barato do que o papel de parede, o tempo que os selos do correio tinham como o valor 1 milhão de marcos, em que as pessoas iam às compras com sacos carregados de notas sem valor, no tempo em que 3 triliões de marcos (esc. curta) compravam 1 dólar

O resultado foi caos político e social, a eleição de A. Hitler, a 2ª Guerra Mundial…  Estes são os  factos históricos. Será algo de semelhante possível de acontecer no contexto actual? Ninguém quer que aconteça, e quase ninguém acredita que tal venha a acontecer nos USA ou na Europa, dadas as infra-estruturas de produção instaladas, da industrial à agro-alimentar mas, como se sabe, o que nós queremos e o que nós pensamos não é sempre igual ao resultado que obtemos… todos sabemos isso do nosso dia-a-dia ! E em Portugal como será?

De facto, neste momento, existe já muita gente respeitável nos USA não só a falar em caos social como até a prevê-lo. Serão loucos? M. Weiss não os qualifica assim, vai dizendo que lhes será provado que estão simplesmente enganados…

Apesar de, neste preciso momento e numa dezena de cidades dos USA, existirem migrações significativas de Famílias que perderam as suas casas e passaram a viver em tendas nos descampados dos subúrbios. Já se chama a este fenómeno o “Katrina Financeiro”…

Mas a verdade é que M. Weiss também diz isso apenas para o caso norte-americano, dada a infra-estrutura de que o país dispõe. Poderá dizer-se o mesmo quanto a Portugal e a outros países da Europa ou do Resto do Mundo que não disponham da mesma capacidade de produção interna, para além de outros diferenciais vs. outras características positivas da dinâmica económica americana?

Por outro lado há imensa gente que ainda pensa que pode beneficiar da Inflação. Isso pode ser válido para algumas pessoas em alguns sectores de actividade, em estádios iniciais do processo inflaccionista. Têm a impressão de que ficam mais ricos, por vezes até ficam, têm a impressão de que os créditos ficam mais fáceis de pagar, por vezes até podem ficar, as autoridades governativas pensam que com inflação podem aliviar a dor da Depressão, e até podem por vezes consegui-lo. Mas, no final, tudo isso não funciona. É apenas aparente. Por cá, até já tivémos um Ministro das Finanças que chamava à inflação “um imposto escondido” recordam-se?

A maioria das pessoas aperceber-se-à rapidamente de que a Inflação é apenas uma espécie de placebo, que a prosperidade é uma fantasia temporária, uma miragem… E, o que é mais importante, este cenário traz com ele todas as mesmas consequências negativas que a Deflacção, mas sem os efeitos positivos desta.

O perigo de Depressão com Inflacção – o pior de todos os males -  é vir trazer toda uma série de implicações adicionais potencialmente fatais tanto para os USA/USD como para a EUROPA e para o EURO tal como os conhecemos. Porquê?

- porque arrastará a crise para uma duração mais longa no tempo.

- porque drenará os preciosos recursos do país afunilando-os para apoiar algumas das grandes empresas mais enfraquecidas e menos produtivas.

- porque vai corroer o valor do dinheiro e destruir os incentivos aos esforços colectivos. As pessoas serão induzidas a sentir e pensar uma coisa muito simples: para quê trabalhar mais se o dinheiro que ganho pelo meu trabalho vale cada vez menos ?

- porque a Economia ficará como que congelada.

- porque retalhistas alimentares e de outro tipo de negócios de bens tangíveis não poderão stockar mercadorias dado que os preços serão cada vez mais voláteis.

- porque no caso extremo, o dinheiro poderá deixar de ter valor, como no caso alemão dos anos da década de 1920. Aliás, como no Zimbabwe hoje…

- porque, no caso USA os 75% da população activa que ainda terão emprego, “abanados” pela escalada de preços, diminuirão os seus níveis de produtividade.  Será diferente na Europa? E em Portugal?

Neste cenário, pior do que se sofrer a dôr causada pela Depressão, mas sem os benefícios da Deflação, pior que isso, como se não bastasse, será infligir dôr àqueles que possam ser poupados à Crise, ou seja, no caso americano, aos 75% da população activa que terão ainda emprego.

Neste Cenário Negro de Depressão com Hiper-Inflação (ou inflação galopante, descontrolada), quando comparado com o cenário de Depressão com Deflação teremos que:

- em vez de um dólar (euro) forte existirá um dólar (euro) deslizante e fraco,

- em vez de mais competitivos os USA (a Europa) será ainda menos competitivo/a do que hoje é,

- as despesas com educação e com combustíveis serão quase impossíveis de suportar,

- não haverá partilha de sacrifícios e a situação social poderá dirigir-se para revoltas e protestos massivos, porque não haverá moeda forte para proteger os Cidadãos,

- em vez de um governo democrático que ajude os Cidadãos penalizados com a Depressão poderão assistir-se a fenómenos de “Shaker-Democracy” que poderão ir de hipo-reacção até à hiper-reacção do tipo “punição das vítimas” – como aliás já aconteceu há dias nos USA – assim como a derivas de facto anti-democráticas e extremamente injustas face à realidade.

Uma ideia-chave: mesmo aqueles que possam sobreviver financeiramente aos anos iniciais da Depressão, serão inelutavelmente devastados mais tarde ou mais cedo.

Estes são os dados. Os caminhos “a escolher” são apenas dois, mas sempre com a Depressão como macro-contexto de fundo:

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1) DEPRESSÃO COM DEFLAÇÃO

ou

2) DEPRESSÃO COM HIPER-INFLAÇÃO

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E as questões-chave associadas são, evidentemente, as seguintes:

a) Quanto tempo vai durar a Depressão?

b) Vai ser curta, ou vão os governos, em função do bombear de “ajudas” financeiras, assegurar a duração da Depressão por muito mais tempo?

c) A Depressão será seguida por uma forte recuperação (que é o melhor cenário) ou a emissão/impressão acelerada de moeda implicará anos ou até décadas de declínio? Não poderemos fazer nada?

Esta é uma escolha monumental que temos que fazer imediatamente. Todos e cada um de nós, os que vivemos neste tempo da Primeira Depressão Mundial do séc. XXI, fomos convocados pela História para fazer essa escolha neste momento.

Este é o tempo e todos nós somos aqueles para os quais os nossos descendentes olharão e, das duas uma: ou nos louvarão pela nossa prudente capacidade de previsão ou nos crucificarão pela nossa cegueira e crueldade.

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NESTE PRECISO MOMENTO OS GOVERNOS

ESTÃO A FAZER AS ESCOLHAS

MAIS INSENSATAS,

MAIS EGOÍSTAS

E  DE

MAIS ALTO RISCO

DA HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO !!!

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No seu zelo para evitar o inevitável ciclo de depressão, os Estados Unidos, o Reino Unido e agora muitas das nações G-20 (acompanhadas pelos seus seguidores cegos ou oportunistas por motivos de subsistência política pessoal ou grupal inconsciente) estão a conduzir-nos para o padrão da destruição.

A Reserva Federal abandonou o seu papel tradicional de controlo da inflação e está, actualmente, a utilizar o seu máximo nível endividamento possível para… CRIAR INFLAÇÃO !

O Tesouro americano abandonou qualquer semelhança de restrição de risco e está agora fora de controlo. Refugiar-se-à J.C.Trichet no mandato restrito que tem, no âmbito do estatuto actual do BCE, para assistir como espectador desta excepcional realidade? Ou, pior, verá ser-lhe imposta pelas circunstâncias uma estratégia meramente seguidista em relação à norte-americana? Quem tem e quem está de jure e de facto a exercer o controlo democrático do BCE em nome dos Cidadãos da Europa? Existem gaps operacionais também aqui? Quem pode dar hoje essa informação? O constrangimento e os conteúdos implícitos recorrentes das declarações de J. C.  Trichet parecem ser esclarecedores.

Nos USA, o Défice explodiu literalmente para valores 4 vezes superiores ao do pior défice em apenas 12 meses…

Nos USA, só nos últimos 18 meses foram investidos, emprestados, garantidos ou e alocados pela Reserva Federal 14 triliões de dólares (em escala curta, 14*10^12=14.000.000.000.000 Usd).

Mais do que o PIB total, mais do que o Défice total acumulado em mais de dois séculos, é dinheiro que os USA não têm.

É dinheiro que não é possível pedir emprestado sem consequências enormes.

E é dinheiro em papel-moeda que já começou a ser impresso: 14 triliões de Usd até este momento.

Pela primeira vez na História Americana a Reserva Federal está a utilizar a sua capacidade de impressão de papel-moeda com o propósito de concretizar os corporate bailouts (ajudas de emergência a grandes empresas). Isto nunca funcionou no passado e nunca funcionará no actual contexto. Por isso, teremos todos de encontrar e assumir a escolha certa no tal cruzamento ou bifurcação neste caminho terrível em que estamos a ser conduzidos.

Será demasiado tarde? Martin Weiss pensa ainda que não. Mas pensemos em todo o mal que esta operação de impressão de mais papel-moeda pode fazer. E a seguir pensemos quanto de bom apenas uma pequena fracção desse dinheiro pode fazer às pessoas que estão a ser atingidas por esta crise. Se a taxa de desemprego atingir os 10%, tal como a Administração Obama está a dizer que pode acontecer, isso quer dizer que 16 milhões de famílias passarão a não ter rendimentos. Os números são desconcertantes.

Pode ser um exercício teórico, mas se considerássemos os tais 14 triliões de dólares para, em vez de se fazerem os salvíficos bailouts a bancos culposos, corretores, companhias de seguros e construtores automóveis,  serem utilizados esses meios para ajudar os desempregados, pois bem, isso representaria um cheque de 3,5 milhões de Usd para cada família atingida pelo desemprego…

Está a ser argumentado que o dinheiro para os bailouts está a ser bem empregue para salvar bancos e mercados financeiros, mas isso é absolutamente falso. Tanto nos USA como na Europa. Ou em Portugal !

E acredita-se que quem toma essas decisões sabe perfeitamente que é falso. Porque sabem que não se pode voltar com o relógio atrás e inverter os excessos do passado, o endividamento e a especulação que causaram esta crise. Porque sabem que não se pode repelir a Lei da Gravidade. Ou pedir aos investidores que parem de vender, ou impedir que os preços das acções ou do imobilário parem de descer. Os decisores sabem disto!

Mas afinal para onde estamos a ser conduzidos por esta situação? M. Weiss opina que estamos a ser conduzidos para o que chama de

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PONTO INICIAL DO ABSURDO

ou

BARREIRA DO IMPOSSÍVEL

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É o ponto no tempo em que o custo óbvio dos bailouts se torna maior do que os benefícios ilusórios desses bailouts. Ou seja, quando a cura é pior que a doença, quando a cura causa doença. Se a doença é o vício do endividamento – todos sabemos isso – como podem agora estar a dizer-nos que a solução para reconquistar o bem-estar é uma nova injecção ainda maior de endividamento? Responda quem tem a obrigação de o fazer, os Políticos investidos e depositários do mandato de que tem o Poder original em Democracia: os Cidadãos. Porque, desta vez, esse endividamento representa mais Dívida Pública…

Na prática o que isto significa é que o próximo “tiro e queda” será a maior e a mais importante de todas: acontecerá nos Títulos do Tesouro (Government Bonds). Só nos USA?

Sem mais demoras, e não serão grandes novidades para muitos, aqui vão as que estão a ser apontadas como  medidas urgentes para a generalidade dos Cidadãos, Empresas e demais Organizações com ou sem fins lucrativos. Por imperativo de sobrevivência:

- parar para pensar e reflectir seriamente;

- reduzir ao mínimo e controlar efectivamente todos os custos fixos;

- racionalizar gastos, cortando todos os gastos supérfluos, não essenciais à actividade, o que não pode ser sinónimo de  fazer cortes cegos onde parece mais fácil fazê-lo: nos custos com mão d’obra ou salários;

- declarar “guerra às dívidas bancárias”, ou seja, reduzir ao mínimo, ou eliminar se possível, todos os créditos existentes, implementando uma estratégia constante de alívio de dividas, nomeadamente utilizando o resultado da racionalização e cortes em custos para redução desses créditos bancários;

- para quem tem aplicações, reseleccionar esses activos minimizando o seu risco e redireccionando-os por aconselhamento objectivo, especializado, credível e, de preferência, independente, i.e. não-directamente interessado.

De resto, é seguir os links que são disponibilizados neste e nos posts anteriores, analisando tudo o que possa contribuir para a racionalidade destas medidas urgentes num tempo que todos já terão percebido que é de forte irracionalidade e imprevisibilidade.

Esperemos que a VERDADE sobre a 1ª Depressão Global seja reconhecida rapidamente como evidente em Portugal e que quem de facto pode fazê-lo que trate de QUERER providenciar as DECISÕES e as ACÇÕES DE EMERGÊNCIA NACIONAL necessárias pelas quais uma larguíssima maioria de Portugueses crescentemente anseia, embora não saiba, não possa ou ainda não queira formulá-las .

Pede-se CORAGEM PARA MUDAR A ROTA surrealista em que todos nos vemos forçados a navegar, com TRANSPARÊNCIA, HONESTIDADE, VERDADE e com HUMILDADE DEMOCRÁTICA sinceras.

Que se tenha a Consciência de que cada euro de ajudas financeiras “salvíficas” ou de investimentos surrealistas irresponsáveis representa não 1 mas 2 euros de Injustiça Social diferencial: 1€ para premiar os Culposos mais/menos 1€ para castigar as Vítimas das actividades culposas, sejam elas quais forem e de onde vierem.

Ficou claro? É que será esta mais uma raiz – quiçá a mais importante e definitiva – de um Crime Político continuado de que, mais tarde ou mais cedo e imprevisivelmente, serão pedidas responsabilidades. Por acção e por omissão.

A menos que desapareçam todos os registos das continuadas Impunidades…

Por quem fomos, somos e seremos sempre: PORTUGAL !!!

Boa Páscoa…

José Borba Martins, Lagos

p.s. O livro lançado por Martin Weiss alcançou em dois dias apenas o Top de vendas no Amazon.com com a totalidade das receitas destinadas a apoio social de emergência.

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Links para mais informação:

Quem é Martin Weiss?

MartinWeiss.com

Money & Markets

M. Weiss’s 48h Amazon best-seller (leitura e edição em português urgentes)

ESTAMOS NO INÍCIO DE UMA OUTRA GRANDE CRISE QUE SERÁ DE LONGE MAIOR DO QUE A ACTUAL !

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 04/04/2009 at 12:40 am

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Se seja quem fôr que leia estas linhas pensa que o desmoronamento financeiro norte-americano foi uma catástrofe imprevisível, o melhor é pensar de novo.

Quatro anos atrás, pelo menos uma voz avisou bem alto e repetidamente que a bolha imobiliária americana conduziria inevitavelmente à catástrofe económica.

Nessa altura, foram os comentários dos “especialistas de serviço” que qualificaram avassaladoramente essas previsões e avisos de ‘ridículas’. Hoje, neste preciso momento, estão a ser louvadas por serem tão precisas e correctas.

Essa rara voz é a do hoje famoso economista e analista financeiro Peter Schiff, presidente da Euro-Pacific Capital, uma brokerage firm norte-americana. Algumas das suas presenças nos media, que confirmam o afirmado acima, são públicas. V. Videos.

Desde 2004 em múltiplas intervenções televisivas P. Schiff avisou que os lucros no sector imobiliário norte-americano iam desaparecer. Se estava assim tão correcto nas suas previsões porque é que os líderes USA não o levaram a sério e não reagiram à situação?

Porque, para começar, não acreditaram nas suas previsões porque pensaram que ele estava a posicionar-se no desfile de todos os que acreditavam que era possível continuar a enriquecer sem esforço. Queriam apenas continuar a acreditar que isso seria eternamente possível, ou que seria sempre possível comprar uma casa sem ter que fazer poupanças para isso, que o dinheiro haveria de aparecer somente pela valorização automática das casas, com o mero decurso do tempo.

Enfim, está hoje mais que provado que não é nem será assim, nem vale a pena insistir mais neste ponto. É que não há Pai Natal na gestão financeira, e alguém teria a obrigação de saber isso reagindo em conformidade mais cedo. É que a razão do rebentamento da bolha imobiliária americana, como a espanhola ou qualquer outra bolha deste tipo, não é a desvalorização das casas, ao contrário do que é geralmente dito pelos “especialistas”. Pois não, a razão é prévia, e consiste em terem-se inicialmente inflacionado artificialmente os preços. E continuou pelo facto de se ter continuado a encher a bolha através de empréstimos concedidos a partir não de meios gerados internamente mas de empréstimos contratados no exterior… rebentando literalmente com o dinheiro dos outros!!! Isto foi o que aconteceu nos USA. Consumo excessivo em todas as áreas e com um ponto original comum: consumo de produtos importados, produzidos no exterior. Terá sido diferente em Portugal, com a produção nacional no estado que todos conhecem?

Os políticos não quiseram ouvir os alertas, as previsões e os conselhos porque continham a necessidade de as pessoas ajustarem os seus perfis de consumo à realidade. O que era necessário era mais poupança e mais produção. E a opção consciente foi a de continuar a promover mais crédito e mais importações. Dramaticamente ruinoso, como se vê, quatro anos depois.

Mas, mesmo após verificado o erro e as suas consequências, neste preciso momento em que se promovem os mais variados programas de estímulo económico, ajudas a grandes grupos económicos e bancos (“bailouts”), etc., tudo está a ser feito para, incrivelmente, perpetuar o problema, levando a economia americana para um défice ainda mais profundo. O que estão a fazer é lançar gasolina para o fogo…

O presidente eleito Obama vem prometer criar ou defender 3 milhões e meio de empregos. O plano de estímulo à economia prevê injectar 775 biliões de Usd (775 mil milhões de Usd em escala longa, a que seguimos por estas bandas). Outro parentesis para recordar que é público que existem analistas que apontam para um “buraco” de 1 quadrilião de Usd nas contas do Pentágono de quem ninguém fala e muito poucos saberão explicar…

Mas porque é que P. Schiff, como outros, está a dizer que a mudança que o Presidente Obama está a promover é uma mudança para pior?

Porque, antes de mais, a mudança é a de que os USA passam a ter uma maior intervenção do governo do que na situação do governo anterior. Um estímulo maior vindo do governo. Parece bom, mas não é a compreensão dos termos reais do problema existente. “Mais governo” não é a solução. O governo criou estes problemas.

O que é necessário para resolver de facto o problema é ter um governo que compreenda porque é que entrámos nesta confusão.  E que a solução é “menos governo”, menos gastos públicos, menos impostos, menos programas “xpto” tão apropriados para ganhar eleições mas sem conteúdo ou resultados reais, desmantelar o conglomerado industrial militar e políticas monetárias separadas e focalizadas. São necessárias taxas de juro mais altas, e não taxas de juro mais baixas (já estão quase a zero). É necessário fazer as coisas exactamente ao contrário do que estão a ser feitas.

Barack Obama é só mais e maior governo, e está a culpar o Mercado pelos problemas económicos existentes. Ou seja, o Mercado em oposição ao Governo, a que ele pertence… E está a falar em criar milhões de empregos. Não faz lembrar uma outra promessa no mesmo sentido embora com outros números aqui por Portugal?

Mas a realidade é que um governo não pode criar empregos. Porque um governo não é ilimitadamente rico. O que o governo pode fazer é redistribuir a riqueza gerada pelo sector privado. E se o governo vai utilizar recursos fora do sector privado vai destruir oportunidades reais de emprego e diminuir os padrões de nível de vida existentes.

Quando questionado sobre se o povo americano irá ser paciente com o novo presidente Obama, P. Schiff responde dizendo que pensa que o povo americano acredita que B. Obama vem até à baixa e de repente todo o valor das suas casas é reposto, que os postos de trabalho perdidos são recuperados, que os valores das suas pensões de reforma voltam a ser o que eram… Mas nada disso vai acontecer. O governo não tem riqueza. O governo tem uma máquina de impressão e pode pretender criar riqueza imprimindo dinheiro, mas essa ilusão não durará muito tempo.

Diz P. Schiff: ACREDITO QUE ESTAMOS NO INÍCIO DE UMA OUTRA GRANDE CRISE QUE SERÁ DE LONGE MAIOR DO QUE A QUE O GOVERNO SE TEM ESTADO A DEBATER ATÉ AGORA E QUE É O COLAPSO DO VALOR DO U.S. DOLLAR !

PENSO QUE O USD IRÁ CAIR ATÉ AO CHÃO E ISSO IRÁ REVELAR PROBLEMAS AINDA MAIORES DO QUE AQUELES QUE TEMOS HOJE, PORQUE ISSO LEVARÁ AS TAXAS DE JURO E OS PREÇOS NO CONSUMIDOR PARA CIMA ATÉ À ESTRATOSFERA !  SÓ NOS U.S.A.?…

Os USA arrastaram o mundo para esta crise económica porque foi o resto do mundo que emprestou aos USA os triliões de dólares que foram gastos e que os USA não podem reembolsar. À medida em que os USA forem progredindo no seu caminho para a bancarrota, os credores dos USA terão a nível nacional as suas consequências.

Mas o que está a acontecer agora é que o presidente Barack Obama está a planear e implementar estes novos massivos programas de governo, programas de estímulo, triliões de dólares de défice orçamental…e é ao resto do mundo que se está a pedir a conta. É ao resto do mundo que já está a sofrer com a falta de reembolso dos triliões que já emprestou aos USA que os USA estão a pedir mais triliões de dólares…

P. Schiff não acredita que o resto do mundo o vá fazer. Não acredita que sejam tão estúpidos. Acredita que estão a aprender uma lição muito válida desta experiência, que é a de não emprestar mais dinheiro aos USA.

E então teremos a Reserva Federal a pôr as impressoras a imprimir dinheiro como hélices de helicóptero, para comprar triliões e triliões de dólares de dívida do governo federal e o dólar vai implodir. Ninguém irá querer dólares, nem sequer os americanos.

As consequências da implosão do USD para os consumidores americanos são gravíssimas. Não irão consumir mais importações, porque o dólar não vai poder comprar nada. Neste momento compram e consomem porque os fornecedores estrangeiros aceitam dólares para pagamento os seus produtos. Quando não aceitarem dólares os USA deixarão de ter os seus produtos. E os USA não têm fábricas suficientes para produzirem esses produtos por si próprios. Em resumo: os USA terão imenso dinheiro mas não conseguirão comprar nada.

Se o governo americano impuser “controlo de preços”, o que P. Schiff considera como possível a curto prazo, a consequência será que, na vigência da Administração Obama, a inflação será tão grave que o governo seguirá as pisadas da Administração Nixon e imporá o controlo de preços para produtos de consumo básicos – incluindo bens de consumo alimentares e energia – e, se isso for feito, claro que haverá filas de espera para tudo, e as pessoas começarão a negociar no “mercado negro”. Não se conseguindo comprar no mercado normal, vai-se ao “mercado negro”… E qual será a moeda do “mercado negro”? O Euro? Moedas de prata? Em que moeda negociarão os americanos “ilegalmente” para obter os bens básicos de que necessitam?

ESTAMOS EM ROTA DE COLISÃO PARA UMA INFLAÇÃO MASSIVA !!!

Os USA estão a caminho de perder a posição dominante, seja na área económica seja na militar. P. Schiff compara a crise económica americana ao colapso da União Soviética, porque, tal como neste caso, não se pode continuar a financiar o “império”. Pode ser muito rápido. A USSR ficou reduzida a quase nada num curtíssimo período de tempo. As pessoas nem acreditavam que fosse possível acontecer. Estamos perante um cenário semelhante, em que a presença militar americana pode chegar a um final abrupto. Apenas se está a manter em função da sobre-avaliação actual do dólar e pelo facto de se ter conseguido obter tanto financiamento proveniente dos resto do mundo.

Assim que o dólar colapsar, colapsará a presença militar americana no mundo e os USA serão progressivamente marginalizados da cena mundial. O que aliás já aconteceu em relação à reputação que os USA tinham anteriormente. As riquezas herdadas dos antepassados foi gasta. A nova criação de riqueza está a ter lugar fora dos USA, está a ter lugar na Ásia. À medida que os padrões de consumo se reduzirão drasticamente nos USA, os níveis de vida nas potencias emergentes na Ásia crescerão inversamente.

É para isso que P. Schiff tem tentado alertar há vários anos e que não tem sido percebido: os USA não têm sido o motor da economia mundial, têm sido o peso morto que o resto do mundo tem carregado penosamente.  Schiff não é o único a ter alertado. Foi um dos poucos a tê-lo feito e a, simultaneamente, ter acesso aos media.

Lá dirá o nosso Dr. Medina Carreira que com o mal dos outros podemos nós bem. Mas parece que tanto os líderes portugueses como os mundiais ainda não perceberam a raiz do que se está a passar.

Parece que ainda pretendem fazer crer a todos que a realidade existente se deve a um acontecimento aleatório qualquer, que ninguém poderia ter previsto, e que a única coisa a fazer é remediar as coisas de modo a que tudo volte a ser como dantes.

Ainda não compreenderam que tudo o que aconteceu e está a contecer neste preciso momento é uma consequência de uma deriva financeira e económica que se limitaram a seguir tão alegre como inconscientemente. Ou não?

Que mais poderá este irrelevante português acrescentar por agora?

QUE É POR DEMAIS RECOMENDÁVEL E URGENTE QUE SE TOME CONSCIÊNCIA DA REALIDADE E QUE, EM PORTUGAL, SE ALTERE A ROTA. QUEM PODE QUE MANDE. A REALIDADE DE PORTUGAL NÃO É COMPAGINÁVEL COM MAIS JOGOS FLORAIS PSEUDO-POLÍTICOS E PSEUDO-DEMOCRÁTICOS NEM COM INTERESSES QUE NÃO SEJAM OS DA GENERALIDADE DAS PESSOAS.

QUEM CONTINUAR A OCULTAR A VERDADE E A ESQUECER ESTA EVIDENTE URGÊNCIA LAMENTARÁ RÁPIDA E ETERNAMENTE O QUE (NÃO) FEZ.

p.s. Seria bom informar os Portugueses, para além do que está inscrito nos relatórios do BdP, sobre qual a evolução detalhada dos movimentos das reservas físicas de Ouro que o nosso país apresenta desde 1974.  Assim como informar qual o peso total que Portugal detém em 31.Mar.2009, dar a saber onde se encontram fisicamente essas reservas do nosso metal precioso e informar se o BdP tem algum “ouro digital”.

José Borba Martins, Lagos

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Links úteis:

Quem é Peter Schiff?

P. Schiff Video Message

P. Schiff no Washington Post

P. Schiff’s Worst Case Scenario


SERÁ ISTO QUE NOS ESPERA?

In Internacional, Local, Nacional on 01/04/2009 at 4:14 pm

gerald-celente

Transcrição da entrevista de 12.12.2008, de Freeman a Celente, republicada no Projecto Grifo, com destaques da responsabilidade do Talefe. Trata-se de um documento que pode considerar-se polémico mas é credível, factual e oportuno. Contém informação urgente e relevante para despertar consciências para a REALIDADE, porque o que está a acontecer não é, de todo, uma mera crise ou qualquer espécie de fenómeno meteorológico. Quando esta 1ª. Depressão Mundial terminar – e enquanto durar – nada será como dantes !!!

«Vamos viver a maior recessão de sempre, muito pior do que a “Grande Recessão” dos anos ‘30!

Gerald Celente faz previsões, é escritor e chefe do Trend Research Institute que fundou, em 1980. É famoso pelas suas previsões acertadas referentes a acontecimentos internacionais, tal como o ‘Crash’ da Bolsa, em 1987, o desmoronamento da União Soviética, em 1990, a crise asiática, em 1997, o desmoronamento da economia russa, em 1998, o rebentar da bolha da Internet, em 2000, e a recessão de 2001. Ele também previu o início da febre do ouro, em 2002, a decadência do mercado imobiliário, em 2005, a recessão de 2007 e o pânico de 2008. Como estávamos a aproximar-nos do fim do ano, resolvi perguntar ao Sr. Celente quais as sua previsões para o ano 2009. Aqui está a entrevista que ele me concedeu a 12 de Dezembro de 2008.

Freeman: Como vê a situação actual na América?

Celente: O seu sistema financeiro desmoronou-se totalmente. As únicas duas coisas que o Governo ainda está a fazer para manter o país vivo, é imprimir mais dinheiro ou reduzir as taxas de juro. Chamamos-lhe o Passo Duplo de Bernanke: o presidente do FED só pode dar dois passos. Nenhuma destas medidas alterará o rumo ou vai travar o desmoronamento da economia. Será preciso uma nova capacidade produtiva como, por exemplo, nos anos ‘90 quando avançávamos para uma recessão, saímos dela através da tecnologia da Internet. Tudo foi transferido para a Internet. Isso era real. Havia especulação nos mercados, mas nada tinha a ver com a existência do produto. Era uma capacidade produtiva.
Não é possível desencadear uma coisa destas através de uma iniciativa monetária ou fiscal. Por exemplo, temos um presidente novo que quer criar 2.5 milhões de postos de trabalho, segundo ele diz. Onde vai arranjar dinheiro para tal? Apenas o pode imprimir. Estamos confrontados com uma hiperinflação, como na época da República de Weimar, algo que também pode acontecer ao dólar. A propósito, sou um ateu político. Não acredito em histórias, sou uma pessoa crescida. Se alguém imagina que os políticos nos vão salvar, está a iludir-se, ou é criança. E esta ilusão está muito pronunciada na América. As pessoas estão cheias de esperança que o novo presidente conseguirá modificar as coisas.

Freeman: Se observarmos a equipa que Obama escolheu até agora, não vai haver mudança.

Celente: Certo. Mas como pode haver uma alteração, se escolheu as mesmas pessoas que originaram a crise? Como, por exemplo, Larry Summers, que vai ser o seu conselheiro económico e Timothy Geithner, presidente do FED de Nova Iorque. Todos são protegidos de Robert Rubin. Sommers foi Ministro das Finanças da Administração Clinton, depois de Rubin. São estes que destruíram a Lei Glass-Steagall.

Freeman: A causa desta situação foi a abolição da Lei Glass-Steagall. (Para informação: Em 1999, Clinton aboliu esta lei que fora introduzida como lição da última grande depressão. Consequentemente, a separação entre bancos comerciais e bancos de investimentos deixou de existir e introduziu-se a liberalização total, o que voltou a possibilitar a especulação incontrolada dos bancos.)

Celente: É verdade. Pelos vistos, está a par. São as pessoas que criaram o clima para aparecerem todos os derivados, tal como, os Credit Default Swaps, os SIV, CDO, os chamados instrumentos financeiros exóticos que, na realidade, não passam de apostas, que é como jogar no casino.

Freeman: Acha que a crise financeira foi criada propositadamente, ou será antes uma falha?

Celente: É uma falha. Há aquela conversa sobre os Illuminati. Se foram os Illuminati que a criaram, serão eles que a devem resolver. Não há uma única coisa que uma destas pessoas tenha realizado com êxito, na sua carreira. Eles nunca fizeram nada certo. Foi através da incompetência e da adulação que conseguiram subir. É assim que acontece no Estado. Após ter terminado os meus estudos universitários, em 1971, iniciei a minha carreira no Estado, em Yonkers, Nova Iorque, uma cidade com trezentos mil habitantes. Depois, enviaram-me para Albany, a capital do Estado de Nova Iorque, onde fui assistente do Secretário do Senado do Estado de Nova Iorque. A seguir, ensinei Ciências Políticas na St. John University. De 1973 a 1979, fui especialista em questões governamentais, em Washington, para a indústria química.
Portanto, conheço bem a máquina governativa. Também trabalhei para Reagan e Connoly, contactei com os principais intervenientes. As pessoas acham que essa gente é mais inteligente que os outros. Na verdade, é mesmo assim. Quando se trabalha para o Estado, é preciso atestar que se é mais estúpido que os outros. A outra realidade é a que presenciei quando trabalhava em Albany. Vi como os políticos rastejavam para subir. Subiam a pulso. Portanto, pensar que estes políticos são capazes de resolver o problema, é pura ilusão. Além disso, na realidade, todas as organizações políticas não passam de organizações criminosas, e não afirmo levianamente.

Freeman: Eles não sabiam que, se Greenspan baixasse tanto o valor do dinheiro, todo o sistema financeiro iria implodir?

Celente: Para as pessoas não perderem o seu dinheiro, devido ao rebentar da bolha da Internet, ou seja, para os grandes jogadores nada perderem, eles achavam que podiam baixar as taxas de juro, algo que fizeram desde Março de 2000. A partir daí, lançámos avisos através do nosso Instituto, e temos documentos a dizer o que ia acontecer. Mas ninguém quis acreditar. Quando avisámos por escrito que vinha aí um descalabro, recebemos muitas cartas a perguntar se não podíamos dizer algo de positivo, algo agradável. Aconteceu o mesmo em relação à guerra. Antes do início da Guerra no Iraque, dissemos em alto e bom som que a América ia perder. Que iam avançar sem grande resistência e eliminar Saddam Hussein, mas que a seguir teriam pela frente uma guerra de guerrilha, algo que não é possível ganhar. Contudo, ninguém quis ouvir, não teria sido patriótico. E então? Após quase 8 anos de guerra, não avançámos um passo. Quando falo de organizações criminosas, não o digo como calúnia, mas como um facto. A América está a combater numa guerra que assenta em motivos falsos. Se eles sabiam isto ou não, é puramente uma questão académica. Mas com esses motivos falsos, estão a matar pessoas inocentes, mulheres e crianças, algo que é contrário aos meus princípios morais. Além disto, eles roubam as pessoas descaradamente, em pleno dia, com aqueles pacotes alimentares de emergência. Há aquela mentalidade de “são demasiado grandes para cair” o que significa que somos pequenos demais para os salvar. É a típica mentalidade inglesa, como aconteceu no Titanic. Os ricos embarcam nos barcos salva-vidas, enquanto os pobres são encerrados no convés inferior e se afundam com o navio.

Freeman: Que é que lhe parece que vai acontecer agora, já que não pôs de parte o “bailout” para a indústria automóvel?

Celente: É indiferente. Desde o início que aquilo não tinha pés para andar. Teria sido deitar dinheiro à rua. Além disso, quem comprar um automóvel de fabrico americano, não é bom da cabeça. É só sucata. E os dirigentes são incompetentes. O vice-presidente do Conselho Fiscal da General Motors disse, em 2005, que quem imaginava que o elevado preço dos combustíveis levaria as pessoas a não comprar SUVs, não sabia o que estava a dizer. Ele está totalmente enganado. Há décadas que essa gente só produz porcaria e diz disparates. Houve tempo em que a América fabricava automóveis fantásticos, mas isso já lá vai. Eles só se interessavam pelos lucros, pelo dinheiro que podiam ganhar.

Freeman: A crise financeira atravessou o Atlântico em direcção à Europa e está a arruinar todo o mundo.

Celente: É verdade. Nas minhas viagens costumo reparar que os europeus e os asiáticos assimilam todas as porcarias vindas da América e imitam tudo. Assim, o CS e o UBS estão sujeitos às mesmas manipulações monetárias estúpidas e criminosas que os bancos de cá. Há um ano, ainda se ignorava se o estrangeiro também seria contagiado. Agora, o mundo inteiro está com uma pneumonia. Veja o que se passa em Espanha, com toda aquela construção desenfreada que produziu um excedente imobiliário gigantesco. O país está na falência. Acontece o mesmo com os antigos Países de Leste. Encontrei pessoas de lá e, surpreendido, ouvi-os falar de investimentos e de marketing, como se sempre tivessem vivido no capitalismo. Falaram comigo como se estivessem a par de tudo. Comportaram-se mais como animais de rapina, como se há muito estivessem a viver no Ocidente. Estes e muitos outros países foram os culpados do seu próprio horror económico, e deram com os burrinhos na água.

Freeman: Quais são as suas previsões para 2009? Tudo indica que a economia vai paralisar.

Celente: Acabámos de publicar as nossas previsões para 2009. Prevemos o colapso total da economia. Em 7 de Novembro de 2007, previmos o crash financeiro e o pânico de 2008, e acertámos. No próximo ano, assistiremos ao desmoronamento de todo o comércio a retalho, depois, será o desmoronamento dos bens imobiliários comerciais, etc. … Vamos assistir à maior recessão de sempre, muito pior do que a “Grande Recessão” dos anos ‘30.

Freemann: Uau!

Celente: E digo-lhe porquê. Antigamente, não havia tantas pessoas com bens de raiz tão endividados. Elas não contraíam, como agora, empréstimos tão avultados sobre eles. Também não tinham cartões de crédito, nem dívidas de 14 biliões de dólares. Naquela altura, havia um lucro comercial; hoje a América tem um défice de 700 mil milhões de dólares por ano. O orçamento geral do Estado estava equilibrado, agora temos um défice gigante e a administração do Estado está nos 13 biliões de dólares, tendo sido acrescido, só este ano, por mais 1 bilião de dólares. No início da II Guerra Mundial, a América era o motor de toda a produção industrial do mundo, nós tínhamos a maior produtividade. Há muito que isso acabou. Somos uma nação em queda. Estamos a avançar para a maior depressão, e ela será a nível mundial.

Freeman: Pensa que vai haver um desemprego geral com revoltas subsequentes?

Celente: Sim, também prevemos uma tendência para a revolução. O que se está a passar na Grécia, pode acontecer em qualquer lado. Não se trata apenas da morte do rapaz de 15 anos. As pessoas estão a revoltar-se contra aquela classe de políticos incompetentes e totalmente corruptos que é igual em toda a parte. Trabalhei para o Estado, conheço a ordem de grandeza da corrupção. Em Washington, trata-se apenas de lançar projectos para cada um enriquecer e para enriquecer os amigos. Uma mão lava a outra, dinheiro para os amigos. O sistema é corrupto de alto a baixo.

Freeman: Vamos passar por uma depressão dolorosa, durante um ou dois anos, e depois sair dela?

Celente: Como quer sair dela? Que é que nos vai ajudar a sair dela?

Freeman: Vai ser uma depressão de longo prazo?

Celente: Vai.

Freeman: Isso não soa nada bem. Como vai afectar a Europa?

Celente: A Europa vai estar algo melhor porque as pessoas não se endividaram tanto e estão em melhores condições para sair disto tudo. A América transformou-se num país de bananas. As pessoas já não conseguem fazer nada, só sabem consumir, vivem em casas grandes, conduzem automóveis grandes e tornaram-se grandes e obesas. Não conseguem parar de viver acima dos seus meios. Consomem demasiada comida, energia e espaço. Não sabem viver modestamente. A festa acabou, vai ser muito doloroso apertar o cinto. Temos uma camada crescente de pobres, algo que nunca tivemos. É assustador. Vamos ter uma taxa de desemprego muito elevada, muito maior do que na última depressão.

Freeman: Não vê solução como sair desta depressão?

Celente: Só vamos sair da depressão, se pusermos em andamento uma nova capacidade de produção que irá mais longe que as novas tecnologias para energias alternativas. Terá de ser algo totalmente revolucionário, algo que será o novo motor para a economia, tal como a descoberta do fogo ou a invenção da roda.

Freeman: A História demonstra que, quando os que detêm o poder se confrontam com grandes problemas económicos, eles não os solucionam, acham que uma guerra resolve tudo. Existe a possibilidade de uma nova guerra grande?

Celente: A II Guerra Mundial pretendeu ser a solução para a última grande depressão. Agora vivemos noutros tempos. A próxima guerra será com armas de destruição maciça. Hoje, já só se pode fazer a guerra contra países subdesenvolvidos. Já não se trata do lançamento de ogivas intercontinentais, mas de uma guerra de guerrilha hightech, tal como acontece no Iraque e no Afeganistão. Mas os políticos são capazes de tudo.

Freeman: Refere-se com isso a um ataque sob uma bandeira falsa (“false flag operation”) ?

Celente: Sim, eles estão constantemente a mentir como, por exemplo, que Saddam Hussein tinha armas nucleares e ligações com a Al Quaeda. Quem acredita ainda nos políticos?

Freemann: O senhor disse que a América estava a seguir o caminho da Grã-Bretanha. Está a dizer que a América já não aguenta sustentar o Império e o estacionamento de tropas em 130 países?

Celente: Sim, o Império americano está a desaparecer. Terá o mesmo fim que o inglês. Já não nos podemos dar ao luxo de o manter.

Freeman: O único político que o afirma na América, que também tem uma política económica racional e que quer restabelecer o direito constitucional, é Ron Paul. O que acha dele?

Celente: Eu teria votado nele para Presidente. Em vez disso, tive de votar em Nader porque o nome dele não constava da lista. Não vou apoiar nenhuma das organizações criminosas que dividem o poder em Washington. E sou muito claro nisso. Quem tiver votado nos criminosos, apoia a continuação dos assassinatos e dos roubos. É tão simples como isto. Eles matam pessoas inocentes todos os dias.

Freeman: Qual é o grau de culpa dos media nisto tudo? Eles comportam-se como órgãos de propaganda.

Celente: A culpa deles é grande. Eles vão para a cama com o poder. Só temos de ver a ligação estreita que existe entre os representantes dos media e as autoridades, os Ministérios, o Pentágono e a Casa Branca onde estão como em sua casa. Podemos agradecer ao New York Times por nos ter vendido a Guerra do Iraque. Em 2007, este jornal também nos disse que o problema da economia não passava de um ‘resfriado’ e que havia de passar, embora já tivéssemos vislumbrado o crash. Os media estão do lado da economia e do governo, não cumprem o seu papel de forma alguma.

Freeman: Que é que pode dizer às pessoas, quanto à maneira como se devem preparar para a depressão que se avizinha?

Celente: Há muito que dizemos no Instituto que não devemos gastar nem um cêntimo mais do que temos. Vamos ter de viver numa nova simplicidade na qual só compramos coisas que realmente precisamos, e que utilizamos durante mais tempo. Acabou-se o ciclo do consumismo, a noção de que se pode comprar e atingir a felicidade através do materialismo. Não me interprete mal, também gosto de coisas bonitas, mas agora trata-se de qualidade, ou que menos é mais. Depois, por causa da educação das crianças. Aqui na América, todos querem mandar os filhos para uma escola superior ou para a universidade. Isso custa uma fortuna. Para quê? Para estudarem Economia ou Direito e fazerem o MBA? Poupem o vosso dinheiro.
Temos banqueiros e advogados de sobra que não servem para nada e que não criam riqueza. Mais vale uma formação prática e útil, como engenheiro, técnico ou qualquer profissão onde se trabalha com as mãos. Vai haver uma grande mudança. Tudo começa a nível local. Há que olhar pela sua comunidade e nela ser activo. Como ser útil aos outros. Pode estar contente que na Suíça existe a democracia directa e pode colaborar directamente. Aqui na América, já não temos voto no assunto, fazem o que querem. Por exemplo, as pessoas são contra as medidas de emergência. O que é que fazem os políticos? Aquilo que bem lhes apetece.

Freeman: Eu digo ao meu público: apoiem as vossas cidades e comunidades, lutem pela manutenção das estruturas públicas, impeçam as privatizações e a liquidação de todo o mundo.

Celente: Há serviços que são essenciais e deviam ser públicos, tal como os transportes, a energia e o abastecimento de água. Aqui temos o governo mundial a trabalhar. Não sou teórico da conspiração, mas todos sabem para onde vamos caminhar. Eles querem controlar tudo e ter um governo central.

Freeman: Com todos os problemas económicos dos países do Mediterrâneo e com a adesão dos novos países do Leste, acha que a União Europeia e o Euro se vão desmoronar?

Celente: Sim, é a nossa convicção. Nós dissemo-lo antes da introdução do Euro. Só é preciso um populista nacional de num país-membro pensar que pode vencer a crise se o seu país sair da União Europeia para esta se desmoronar. Berlusconi já o deu a entender, com a ameaça de denunciar o Acordo de Schengen, devido à grande vaga de imigrantes. A migração das massas é um problema muito grande. Os países ocidentais são inundados por pessoas que procuram uma vida melhor ou que fogem de algum perigo. Não adianta ser-se altruísta, quem vai pagar isso tudo? Onde arranjar um abrigo, alimentação e trabalho para estes estrangeiros quando mal se consegue cuidar dos habitantes do próprio país?

Freeman: Acha que vai haver uma união norte-americana entre o México, os EUA e o Canadá?

Celente: Sim, achamos que isso é possível. Mas, agora, a hipótese de uma ruptura é muito maior. Estamos a assistir ao desmoronamento dos EUA, tal como assistimos ao da União Soviética. Algumas regiões vão reconhecer que podem vencer melhor a crise sem um governo federal. Para que é que precisam de Washington que está tão longe? Já viu a quantidade de políticos que lá pululam? São incompetentes e corruptos, só pensam no seu proveito próprio. Estamos a assistir à dissolução dos Estados Unidos.

Freeman: Na sua opinião, a função dos bancos centrais está ultrapassada? Afinal, foram eles que provocaram a crise e falharam completamente.

Celente: Sim, falharam, mas existe uma luta pelo poder. Os grandes querem esmagar os pequenos, tal como sempre aconteceu na História. Uma das tendências que estamos a observar, denominámos “Corta-lhes a cabeça!”. É o que de certo vai acontecer.

Freeman: Quer dizer que vai haver uma revolta a sério?

Celente: Absolutamente. Veja a gentalha que existe na Wall Street, ou o tipo de gente que sai das Universidades de Harvard e de Yale. Jamais na vida sujaram as mãos. Não fazem ideia do que significa viver na rua depauperado. Quando se tira tudo às pessoas e já nada têm a perder, elas estão dispostas a tudo.

Freeman: As coisas que prevê não são nada optimistas.

Celente: Não tem nada a ver com optimismo ou pessimismo. Tem a ver com realismo. É como quando vai ao médico e este lhe diagnostica um cancro em estado terminal. Quer que ele lhe minta ou que lhe diga a verdade? Um falso optimismo não altera as coisas, vai morrer dentro em breve.

Freeman: Acha boa ideia pessoas individuais, ou comunidades inteiras passarem a abastecer-se a si próprias e separarem-se da rede?

Celente: Absolutamente. Sem qualquer dúvida. Devíamos examinar a possibilidade de nos tornarmos independentes do sistema e produzir os nossos alimentos e a nossa electricidade. Foi o que eu mencionei há pouco. Com tecnologias novas será possível. Quando isso acontecer, as pessoas vão afastar-se do Estado-protector e dos consórcios. Em 1997, publiquei um livro chamado “Tendências de 2000″ que tratava precisamente deste tema. O sistema central já se devia ter desmoronado há muito. Só foi mantido através de dinheiro barato. Mas isso também já não funciona. Para que é que precisamos de um governo central que cria todos os problemas e que não tem soluções?

O futuro é a independência total e a descentralização.

Freeman: Muito obrigado pela entrevista.»

© Copyright 2008, Alles Schall und Rauch – Freeman.

http://alles-schallundrauch.blogspot.com/2008/12/interview-mit-gerald-celente.html

in www.grifo.com.pt

_________________

Links úteis:

Quem é Gerald Celente?

G. Celente’s Trends Research Institute

G. Celente Predictions


1ª DEPRESSÃO MUNDIAL: CONTRIBUTO PARA UMA SOLUÇÃO.

In Internacional, Nacional on 23/02/2009 at 12:18 am

luacheia

Nesta noite do festim dos Óscares de 2009, abstraiamo-nos por um momento da gravíssima realidade portuguesa, agravada e evidenciada crescentemente pela crise económica mundial resultante da crise financeira americana, e revisitemos Lord Keynes que, relembremos para além de tudo o mais, considerava a Teoria útil se, e só se, pudesse ter reflexo real na Prática, ou seja, ao nível do dia-a-dia das pessoas…

Teoricamente, a Depressão só aparece quando a Poupança excede o Investimento. Dizendo doutra maneira, quando uma parte significativa da Poupança Total permanece parada, não investida reprodutivamente, ficando sob a forma de Poupança Inactiva.

Voltando à realidade presente parece, no entanto, estar a laborar-se num erro grave, tão grave quanto a trágica alocação continuada do dinheiro dos depositantes americanos para alimentar a espiral da valorização dos Fundos de Investimento.

E qual é esse erro grave? O da não-inclusão nos cálculos de 3 realidades nada negligenciáveis que têm que estar quantificadas com precisão e publicadas. Tais realidades só se podem quantificar e ser objecto da sequência de políticas adequadas através de uma decisiva Vontade Política por parte de todos os governos.

Nomeadamente na decisão global urgente sobre off-shores, plataformas financeiras onde estão desempregadas ou mal-empregadas, porque não reprodutivas, neste momento e por defeito, cerca de 1/3 das disponibilidades mundiais de divisas….

Essas três realidades, por muito difícil que pareça ver quantificadas, são as seguintes :

1) o dinheiro utilizado nas diversas actividades especulativas, mais os dois tipos de “black money” seguintes, i.e.

2) o chamado “dinheiro sujo exportado” e

3) o chamado “dinheiro sujo” bloqueado resultante das actividades de “law enforcement” (das três realidades será a de menos difícil quantificação).

Parece, pois, extremamente urgente e recomendável a constituição temporária de uma ‘Aliança’ do tipo “Anti-Depression World Mission” em que, após uma quantificação objectiva daquelas variáveis, essa ‘Aliança’ tome medidas para converter o mais rapidamente possível essas três realidades em Investimento efectivo e não em políticas defensivas de “damage control” como se estivéssemos perante um fenómeno meteorológico…

Deverá, na minha opinião, resistir-se à tentação de gerir os meios provenientes dessa conversão da “Poupança” Inactiva em formatações organizacionais públicas tradicionais. No caso de Portugal, deve configurar-se uma estrutura operacional de emergência, com absoluta unidade de comando, reportando directamente ao PR, que escolherá uma equipa multidisciplinar adequada a esta inegável situação de excepção que integrará, para além do PM, do PGR e do presidente da APB, os cidadãos independentes de inquestionável competência técnico-científica para o efeito que o PR entenda como adequados à missão.

Acresce ainda que, para a determinação de défices orçamentais, parece aconselhável ter em conta os montantes residuais ‘teimosos’, ‘renitentes’ e ‘abandonados’ após a ‘colheita’ – voluntária num primeiro tempo não superior a 60 dias e coerciva após esse prazo – na qualidade de “Poupança” Inactiva à medida a que forem sendo revistos os défices orçamentais.

Quanto mais rapidamente os governos nacionais, as instituições europeias e os outros países e grupos de países a nível regional e mundial, souberem agir activamente sobre a realidade em vez de reagirem repetidamente a uma situação que, vitimisticamente, vão tendendo a apresentar como se de uma espécie de ‘fatalismo meteorológico-financeiro’ se tratasse, mais depressa poderá a Humanidade, tal como a minha terra, sair desta incrível situação em que se encontra e da qual tão poucos têm ainda consciência da duração que poderá ter se nada fôr feito no sentido do sugerido.

Em conclusão, e é impossível estar sòzinho nesta opinião, parece claro que quanto mais rapidamente se começarem a assumir e manter os níveis dos défices orçamentais ‘por cima’ da ‘Poupança’ Inactiva Total, decidida, enquadrada e calculada urgentemente como sugerido antes, mais cedo se iniciará um processo  seguro de Reflacção e, em consequência, a Economia sairá da 1ª Depressão Mundial em que se encontra.

Sem esquecer a adequação tecnológica imperativa no sentido da transparência e não da opacidade…

Porque mais do que defender o Emprego e lutar contra o Desemprego, por muitos votos que os vários episódios positivos mediatizados possam dar, o importante é, também e evidentemente,

DAR EMPREGO AO DINHEIRO DESEMPREGADO

(OU MAL-EMPREGADO)

Espero sinceramente que o Senhor Primeiro-Ministro da República Portuguesa tenha gostado desta “descrição” indiscreta.

E o senhor das bandas magnéticas também…

José Borba Martins, Lagos

A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA VS. (DES)ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-SOCIAL

In Internacional, Nacional on 05/02/2009 at 8:16 pm

fiasco

goodyear

Relendo mails antigos encontrei este de Nov.2008 que não resisto a dar a conhecer por esta via, porque todos os contributos são poucos para navegar estes raros tempos.

Pode ser discutível, mas é uma perspectiva que interessa a todos:

«Uma nova Era já começou! Está a acontecer na nossa rua e à nossa volta, e ainda não percebemos que a Revolução, uma nova Era já começou! As pessoas andam um bocado distraídas! Não deram conta que há cerca de 3 meses começou a Revolução! Não! Não me refiro a nenhuma figura de estilo, nem escrevo em sentido figurado! Falo mesmo da Revolução ‘a sério’ e em curso, que estamos a viver, mas da qual andamos distraídos (desprevenidos) e não demos conta do que vai implicar. Mas falo, seguramente, duma Revolução!

De facto, há cerca de 3 ou 4 meses começaram a dar-se alterações profundas, e de nível global, em 10 dos principais factores que sustentam a sociedade actual. Num processo rápido e radical, que resultará em algo novo, diferente e porventura traumático, com resultados visíveis dentro de 6 a 12 meses. E que irá mudar as nossas sociedades e a nossa forma de vida nos próximos 15 ou 25 anos!

Tal como ocorreu noutros períodos da história recente: no status político-industrial saído da Europa do pós-guerra, nas alterações induzidas pelo Vietname/ Woodstock/ Maio de 68 (além e aquém Atlântico), ou na crise do petróleo de 73…

Estamos a viver uma transformação radical, tanto ou mais profunda do que qualquer uma destas!

Está a acontecer na nossa rua e à nossa volta, e ainda não percebemos que a Revolução já começou!

Façamos um rápido balanço da mudança, e do que está a acontecer aos ‘10 factores’:

1º- A Crise Financeira Mundial: desde há 8 meses que o Sistema Financeiro Mundial está à beira do colapso (leia-se ‘bancarrota’) e só se tem aguentado porque os 4 grandes Bancos Centrais mundiais – a FED, o BCE, o Banco do Japão e o Tesouro Britânico – têm injectado (eufemismo que quer dizer: ‘emprestado virtualmente à taxa zero’) montantes astronómicos e inimagináveis no Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria ruído como um castelo de cartas. Ainda ninguém sabe o que virá, ou como irá acabar esta história !… (v. http://tinyurl.com/cmp4f6 )

2º- A Crise do Petróleo: Desde há 6 meses que o petróleo entrou na espiral de preços. Não há a mínima ideia/teoria de como irá terminar. Duas coisas são porém claras: primeiro, o petróleo jamais voltará aos níveis de 2007 (ou seja, a alta de preço é adquirida e definitiva, devido à visão estratégica da China e da Índia que o compram e amealham!) e começarão rapidamente a fazer sentir-se os efeitos dos custos de energia, de transportes, de serviços. Por exemplo, quem utiliza frequentemente o avião, assistiu há 2 semanas a uma subida no preço dos bilhetes de 50% (leu bem: cinquenta por cento). É escusado referir as enormes implicações sociais deste factor: basta lembrar que por exemplo toda a indústria de férias e turismo de massas para as classes médias (que, por exemplo, em Portugal ou Espanha representa 15% do PIB) irá virtualmente desaparecer em 12 meses! Acabaram as viagens de avião baratas (e as férias massivas!), a inflação controlada, etc.

3º- A Contracção da Mobilidade: fortemente afectados pelos preços do petróleo, os transportes de mercadorias irão sofrer contracção profunda e as trocas físicas comerciais (que sempre implicam transporte) irão sofrer fortíssima retracção, com as óbvias consequências nas indústrias a montante e na interpenetração económica mundial.

4º- A Imigração: a Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca de 40 milhões de imigrantes, que buscam melhores condições de vida e formação, num movimento incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos para fazer os trabalhos não rentáveis, mas mudam radicalmente a composição social de países-chave como a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra ou a Itália). Este movimento irá previsivelmente manter-se nos próximos 5 ou 6 anos! A Europa terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes que lutarão pelo poder e melhor estatuto sócio-económico (até agora, vivemos nós em ascensão e com direitos à custa das matérias-primas e da pobreza deles)!

5º- A Destruição da Classe Média: quem tem oportunidade de circular um pouco pela Europa apercebe-se que o movimento de destruição das classes médias (que julgávamos estar apenas a acontecer em Portugal e à custa deste governo) está de facto a ‘varrer’ o Velho Continente! Em Espanha, na Holanda, na Inglaterra ou mesmo em França os problemas das classes médias são comuns e (descontados alguns matizes e diferente gradação) as pessoas estão endividadas, a perder rendimentos, a perder força social e capacidade de intervenção.

6º- A Europa Morreu: embora ainda estejam a projectar o cerimonial do enterro, todos os Euro-Políticos perceberam que a Europa moribunda já não tem projecto, já não tem razão de ser, que já não tem liderança e que já não consegue definir quaisquer objectivos num ‘caldo’ de 27 países com poucos ou nenhuns traços comuns!… Já nenhum Cidadão Europeu acredita na ‘Europa’, nem dela espera coisa importante para a sua vida ou o seu futuro! O ‘Requiem’ pela Europa e dos ’seus valores’ foi chão que deu uvas: deu-se há dias na Irlanda!

7º- A China ao assalto! Contou-me um profissional do sector: a construção naval ao nível mundial comunicou aos interessados a incapacidade em satisfazer entregas de barcos nos próximos 2 anos, porque TODOS os estaleiros navais do Mundo têm TODA a sua capacidade de construção ocupada por encomendas de navios da China. O gigante asiático vai agora ‘atacar’ o coração da Indústria europeia e americana (até aqui foi just a joke.). Foram apresentados há dias no mais importante Salão Automóvel mundial os novos carros chineses. Desenhados por notáveis gabinetes europeus e americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos, os novos carros chineses são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de Mercedes (eu já os vi!) e vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000 euros! E quando falamos de Indústria Automóvel ou Aeroespacial europeia – helás! Estamos a falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor económico, financeiro e tecnológico da nossa sociedade. À beira desta ameaça, a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças! Os chineses estão estrategicamente em todos os cantos do mundo a escoar todo o tipo de produtos da China, que está a qualificá-los cada vez mais. (urgente rever e reler Pedro Nueno).

8º- A Crise do Edifício Social: As sociedades ocidentais terminaram com o paradigma da sociedade baseada na célula familiar! As pessoas já não se casam, as famílias tradicionais desfazem-se a um ritmo alucinante, as novas gerações não querem laços de projecto comum, os jovens não querem compromissos, dificultando a criação de um espírito de estratégias e actuação comum.

9º- O Ressurgir da Rússia e da Índia: para os menos atentos a Rússia e a Índia estão a evoluir tecnológica, social e economicamente a uma velocidade estonteante! Com fortes lideranças e ambições estratégicas, em 5 anos ultrapassarão a Alemanha! (A Siemens decidiu uma nova e grande fábrica na Rússia, Fev 2009…a notícia não passou em Portugal.  Deveremos limitar-nos a ser apenas uma hospitaleira escala técnica para a procura turística ou de investimento russa?).

10º- A Revolução Tecnológica: nos últimos meses o salto dado pela revolução tecnológica (incluindo a biotecnologia, a energia, as comunicações, a nano tecnologia e a integração tecnológica) suplantou tudo o previsto e processou-se a um ritmo 9 vezes superior à média dos últimos 5 anos! Eis pois, a Revolução! Tal como numa conta de multiplicar, estes dez factores estão ligados por um sinal de ‘vezes’ e, no fim, têm um sinal de ‘igual’. Mas o resultado é ainda desconhecido e imprevisível. Uma coisa é certa: as nossas vidas vão mudar radicalmente nos próximos 12 meses e as mudanças marcar-nos-ão (permanecerão) nos próximos 10 ou 20 anos, forçando-nos a ter carreiras profissionais instáveis, com muito menos promoções e apoios financeiros, a ter estilos de vida mais modestos, recreativos e ecológicos. Contrariamente a um comentador que muito estimo pelo seu brilho e inteligência eu não acho que o Mundo está ‘a entrar num crepúsculo’ . Espera-nos o Novo! Como em todas as Revoluções!

Um conselho final: é importante estar aberto e dentro do Novo, visionando e desfrutando das suas potencialidades! Da Revolução! Ir em frente! Sem medo!

Afinal, depois de cada Revolução, o Mundo sempre mudou para melhor!…»

Algarvio de Portugal, Lagos

Nota: alguns autores estão a opinar que esta Deflação será diferente de todas as outras na História. Porque será o resultado de hiper-inflações nuns bens e serviços e hiper-deflações noutros. Quanto a identificar quais, as opiniões são ainda muito díspares. Por enquanto…

O PODER TEM MEDO DA INTERNET

In Internacional, Nacional on 27/01/2009 at 11:26 pm

castells3

Num momento em que se vão percebendo “wick signals” no sentido de um controlo da internet por parte dos poderes públicos é muito oportuno relembrar o que um Sábio diz sobre o assunto.

O Sociólogo Manuel Castells analisa o papel da Internet nas relações sociais e na política, em entrevista publicada há cerca de um ano no El País – a 10Jan2008, por Milagros Pérez Oliva, que transcrevemos a seguir (bolds nossos):

« Se alguém estudou as interioridades da sociedade da informação é o sociólogo Manuel Castells (nascido em Hellín em 1942). Sua trilogia “A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura” (editada no Brasil pela editora Paz e Terra) foi traduzida para 23 idiomas. É um dos primeiros cérebros resgatados: voltou à Espanha para dirigir a pesquisa da Universidade Aberta da Catalunha em 2001, depois de ter pesquisado e dado aulas durante 24 anos na Universidade da Califórnia em Berkeley. Uma de suas pesquisas mais recentes é o Projeto Internet Catalunha, no qual durante seis anos analisou, por meio de 15 mil entrevistas pessoais e 40 mil através da rede, as mudanças que a Internet introduz na cultura e na organização social. Ele também acaba de publicar, com Marina Subirats, “Mujeres y hombres, ¿un amor imposible?” (Alianza Editorial), no qual aborda as conseqüências dessas mudanças.

El País – Esta pesquisa mostra que a Internet não favorece o isolamento, como muitos crêem, e sim que as pessoas que mais “batem papo” são as mais sociáveis.
Manuel Castells – Sim. Para nós não é nenhuma surpresa. A surpresa é que esse resultado tenha sido uma surpresa. Há pelo menos 15 estudos importantes no mundo que dão esse mesmo resultado.

EP – Por que acredita que a idéia contrária se propagou com sucesso?
Castells – Os meios de comunicação têm muito a ver. Todos sabemos que as más notícias são mais notícia. Você utiliza a Internet e seus filhos também; mas é mais interessante acreditar que ela está cheia de terroristas, de pornografia… Pensar que é um fator de alienação vem a ser mais interessante do que dizer: a Internet é a extensão da sua vida. Se você é sociável, será mais sociável; se não é, a Internet o ajudará um pouco, mas não muito. Os meios de comunicação são de certo modo a expressão do que a sociedade pensa: a questão é por que a sociedade pensa assim.

EP – Por medo do novo?
Castells – Exatamente. Mas medo de quem? A velha sociedade da nova, os pais de seus filhos, as pessoas que têm o poder ancorado em um mundo tecnológico, social e culturalmente antigo, em relação ao que lhes vem por cima, que não entendem nem controlam e que percebem como um perigo, que no fundo é. Porque a Internet é um instrumento de liberdade e de autonomia, quando o poder sempre se baseou no controle das pessoas, através da informação e da comunicação. Mas isso está acabando, porque a Internet não pode ser controlada.

EP – Vivemos em uma sociedade em que a gestão da visibilidade na esfera pública midiática, como a define John J. Thompson, se transformou na principal preocupação de qualquer instituição, empresa ou organismo. Mas o controle da imagem pública exige meios que sejam controláveis, e se a Internet não o é…
Castells – Não é, e isso explica por que os poderes têm medo da Internet. Estive em não sei quantas comissões assessoras de governos e instituições internacionais nos últimos 15 anos, e a primeira pergunta que os governos sempre fazem é: como podemos controlar a Internet? A resposta é sempre a mesma: não podem. Pode haver vigilância, mas não controle.

EP – Se a Internet é tão determinante na vida social e econômica, seu acesso pode ser o principal fator de exclusão?
Castells – Não, o mais importante continuará sendo o acesso ao trabalho e à carreira profissional, e, antes, o nível educacional, porque sem educação a tecnologia não serve para nada. Na Espanha a chamada divisão digital é uma questão de idade. Os dados são muito claros: entre os maiores de 55 anos, só 9% são usuários da Internet, mas entre os menores de 25 anos são 90%.

EP – Então é só uma questão de tempo?
Castells – Quando minha geração tiver desaparecido não haverá divisão digital no acesso. Mas na sociedade da Internet o complicado não é saber navegar, mas saber aonde ir, onde buscar o que se quer encontrar e o que fazer com o que se encontra. Isso exige educação. Na realidade, a Internet amplia a mais antiga lacuna social da história, que é o nível de educação. Que 55% dos adultos não tenham completado a educação secundária na Espanha é a verdadeira divisão digital.

EP – Nessa sociedade que tende a ser tão líquida, na expressão de Zygmunt Bauman, em que tudo muda constantemente e que está cada vez mais globalizada, pode aumentar a sensação de insegurança, de que o mundo se move sob nossos pés?
Castells – Há uma nova sociedade que tentei definir teoricamente com o conceito de sociedade-rede, e que não está muito longe da que Bauman define. Creio que, mais que líquida, é uma sociedade em que tudo está articulado de forma transversal e há menos controle das instituições tradicionais.

EP – Em que sentido?
Castells – Se amplia a idéia de que as instituições centrais da sociedade, o Estado e a família tradicional, já não funcionam. Então todo o nosso chão se move ao mesmo tempo. Primeiro, as pessoas pensam que seus governos não as representam e não são confiáveis. Assim, começamos mal. Segundo, pensam que o mercado vai bem para os que ganham e mal para os que perdem. Como a maioria perde, há uma desconfiança do que a lógica pura e dura do mercado possa proporcionar às pessoas. Terceiro, estamos globalizados; isso quer dizer que nosso dinheiro está em algum fluxo global que não controlamos, que a população está submetida a pressões migratórias muito fortes, de modo que é cada vez mais difícil encerrar as pessoas em uma cultura ou em fronteiras nacionais.

EP – Que papel a Internet desempenha nesse processo?
Castells – Por um lado, ao nos permitir o acesso a toda a informação, aumenta a incerteza, mas ao mesmo tempo é um instrumento chave para a autonomia das pessoas, e isso é algo que demonstramos pela primeira vez em nossa pesquisa. Quanto mais autônoma é uma pessoa, mais ela utiliza a Internet. Em nosso trabalho definimos seis dimensões de autonomia e comprovamos que quando uma pessoa tem um forte projeto de autonomia, em qualquer dessas dimensões, utiliza a Internet com freqüência e intensidade muito maiores. E o uso da Internet reforça ao mesmo tempo sua autonomia. Mas, é claro, quanto mais uma pessoa controla sua vida menos confia nas instituições.

EP – E sua frustração pode ser maior devido à distância que há entre as possibilidades teóricas de participação e as que se exercem na prática, que se limitam a votar a cada quatro anos, não acha?
Castells – Sim, há uma enorme defasagem entre a capacidade tecnológica e a cultura política. Muitos municípios implantaram pontos de acesso sem fio, mas se ao mesmo tempo não forem capazes de articular um sistema de participação eles servirão para que as pessoas organizem melhor suas próprias redes, mas não para participar da vida pública. O problema é que o sistema político não está aberto à participação, ao diálogo constante com os cidadãos, à cultura da autonomia, e portanto essas tecnologias só distanciam ainda mais a política dos cidadãos. »

Tradução para Português/BR de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

(para videos das intervenções de M. Castells seguir este link .

PELA VERDADE DESPORTIVA

In Desporto, Internacional, Nacional on 25/01/2009 at 12:17 am

O  TALEFE associa-se à iniciativa de Rui Santos, Jornalista e Comentador Desportivo, subscrevendo a petição e recomendando a todos que o façam, se fôr essa a sua vontade, para o que transcrevemos o texto do jornalista que suporta a mesma:

«Houve um tempo de amadorismo e carolice – e o futebol era gerido com poucos rigores. A bola girava de acordo com o talento dos executantes e dos caprichos de quem via a ‘máquina’ engordar.

Por via da sua popularidade, o futebol massificou-se e, depois de um tempo de identificação entre os adeptos e o mecenato, adquiriu uma e, depois, várias lógicas empresariais. Os clubes viviam do futebol e este, com a sua pujança, permitia, até, alavancar outras modalidades. As mudanças no Mundo, no sentido da globalização, contribuíram para retirar identidade ao futebol, quer ao nível dos Clubes quer do ponto de vista das próprias Selecções Nacionais.

O advento das sociedades anónimas desportivas marcou um novo tempo no futebol. Essas sociedades, gestoras de activos, criaram em seu redor outras sociedades. O interesse exclusivamente desportivo começou a perder terreno. Num universo de milhões, nasceu a era do ‘capitalismo desportivo’, nem sempre com bom-senso e muita raramente com a ideia de que o desenvolvimento dessas sociedades nunca poderia colocar em causa o objecto do alto rendimento no campo de jogo.

O desenvolvimento das novas tecnologias ajuda o ser humano em múltiplas actividades. Podem ser um instrumento extremamente útil. No caso do futebol, a história diz-nos que muitos resultados foram adulterados em função do ‘direito ao erro’ que os árbitros muito justamente reclamam e que a sociedade, até certo ponto, pode entender.
Sabemos, no entanto, pela voz dos protagonistas, as influências que se constroem em redor do ‘beautiful game’.

Discute-se, por isso, as arbitragens, os seus enredos e tramas. A introdução das novas tecnologias no futebol, para reduzir a margem de erro dos árbitros, não tem necessariamente de mudar a essência do jogo: os seus ritmos, a beleza dos movimentos, a genialidade dos protagonistas. Mas dar-lhe-á verdade. Discutir o jogo é uma mudança de paradigma. Discutir o jogo é muito mais atractivo do que discutir as arbitragens, cujos elementos deveriam conservar-se ‘invisíveis’.

Porque acreditamos no futebol como espectáculo, mas num espectáculo que apele à verdade desportiva, e porque a adesão, dentro e fora do futebol, começa a ser significativa, convidamos todos aqueles que querem voltar a acreditar na mais bela modalidade desportiva do Mundo a associar-se a esta iniciativa em:

http://www.ipetitions.com/petition/pelaverdadedesportiva

O presidente da LPFP, Hermínio Loureiro, dá o seu apoio a este movimento e, com ele, chegaremos à UEFA e à FIFA. Por um futebol de verdade!»

webmaster.talefe@gmail.com , Lagos

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cabecatempoextra2

Texto do colaborador do TALEFE  José Borba Martins que acompanhou a subscrição nº2622 da Petição “Pela Verdade Desportiva” promovida pelo Jornalista Rui Santos:

«About more than 10 years ago, this same subject appeared at my office talks among IS/IT colleagues. At that time, a few electronic eyes and sensors connected to a audio/video referee communicating almost online decisions to field referee (publicly audible/visible on stadiums loudspeakers) seamed possible and highly recomendable. In fact, as it is reality at american football already for years now. In fact, soccer football, is an extremely vast socio-cultural impact industry and, to put it short, it would be highly suspicious if nothing is done to make real the fullest use possible of technology in the sense of total transparency. Keeping the basics. Because truth in Sport in general as well as financial transparency are URGENT subjects this days. To Supporters, but also to Players, Referees, Investors and Governments. Not doing so, will make soccer potentially become the next tragic roman circus. With all security implications from the social point of vue. Be sage, Mr. Platini !!! You, as an extraordinary player of the past, can keep reinforcing clean playing for the truth in the game. Please do all efforts possible. Supporters will know how to recognize your best goal !!! Thank You.»

TEATRO TRÁGICO

In Internacional, Local, Nacional on 20/01/2009 at 1:20 am

gepeto

Com Wall Street completamente enleada nos perigos de novas falências de megabancos… e com Washington às guinadas a caminho da pior crise fiscal de todos os tempos, com os mais recentes avisos do próximo grande choque a mal se ouvirem lá quanto mais cá, continuam os Portugueses a assistir estarrecidos ao silêncio do nosso PR.

Ao mesmo tempo vimos o lançamento da candidadura do nosso PM a novo mandato à frente do PS pedindo uma maioria absoluta nas próximas eleições legislativas em concorrência mediática táctica com o congresso de um pequeno partido da oposição portuguesa. Para além da premonitória presença solitária no palco, aquela assinatura pessoal por baixo do slogan daquele sábio cenário valeu por mil palavras.

Porque é bem sintomática de um culto da personalidade que, como todos sabemos, é um traço da uma esquerda responsável, democrática e moderada…Não, é todo o contrário. E é mimetista de outras tintas políticas, não é responsável, não é democrática e, pior, é radical e obscenamente contrário à moderação imperativa em tantas realidades presentes e futuras.

O SG do PS, nessa qualidade, e sob um pano de fundo em que se podia ler o triângulo… «PS: A força da mudança» (assinado “José Sócrates” por baixo e na sua caligrafia pessoal…) disponibilizou-se para apoiar Manuel Alegre, portanto contra o actual PR, tentando uma provável reedição das anteriores presidenciais. Mas as eleições presidenciais são em 2011…

E, de caminho, lançou vários “novos” objectivos argumentando com o seu «sentido de responsabilidade em defesa de um projecto de esquerda democrática e moderada». O que poderia ser normal em tempos normais. Mas não é normal nos tempos que todos vivemos, com maior ou menor grau de consciência e de informação. E muito menos denota sentido de responsabilidade ou evidencia ser da cor da política em nome da qual argumentou. A Ministra da Educação roía as unhas…

Bem, antes de mais, é um facto unanimemente aceite que qualquer recandidatura a qualquer nível pressupõe, para além da credibilidade em concretizar promessas e projectos futuros, uma fortíssima componente de avaliação do que foi de facto realizado Vs. prometido na candidatura anterior.

Depois, é um facto que o PM respondeu claramente às mensagens do PR em menos de 20 dias. Porque, para além de abrir a campanha eleitoral para as Legislativas, tomou posição as Presidenciais de 2011 (a 2 anos exactos de distância) no mais completo antagonismo com o actual PR.

Continuando, é um facto que os números do Economist e a conferência da prestigiada revista ocorreram em tempos diferentes. Vejam-se as datas e compare-se com a do anúncio do orçamento “adicional”. A divergência dos números é muito significativa mas do ramalhete o que mais me assustou foram duas frases/ideias:

- a que saiu ao MF, segundo o qual «não podemos ter a veleidade de querer acertar nas previsões». É que a última vez que ouvi isto foi de um Vendedor de produtos alimentares que precisou ser convencido da utilidade dos Orçamentos Anuais e das suas Revisões Mensais ytd/ytg feitas a partir dos números reais apurados com essa mesma periodicidade. Nunca pensei ouvir esta frase da boca do Prof. Teixeira dos Santos, é o mínimo que posso dizer; e

- a peregrina afirmação do Prof. Mira Amaral que subscreveu explicitamente a tese da não divulgação dos factos quando são graves, para não alarmar as Pessoas e a Economia. Não terá sido assim “ipsis verbis” mas também estava a cair muita água aqui em casa. Se tivesse ouvido no carro ainda ligava o limpa pára-brisas e podia agora citar. Bem, mas a ideia era essa. Só que há duas maneiras de fazer-se isso: uma é conhecendo a realidade, a outra é quando não se conhece. Como dizia noutro post se não se sabe é mau, mas se se sabe e manipula é pior… E denota uma extrema falta de humildade intelectual e um inaudito paternalismo despótico e iluminado em relação aos seus Concidadãos Portugueses. Mas há vantagens nessa declaração de M. Amaral, é a de que ficámos a conhecer mais outro “dissidente” do Prof. Cavaco, eventualmente agora convertido em mais um “homem da situação”. Olhe! Não sabia…mas mais vale tarde que nunca!

Voltando à realidade, no momento em que a Economia Americana colapsa, no dia em que o novo Presidente dos USA Obama toma posse e de acordo com o Center on Budget and Policy Priorities (CBPP):

- o número de estados dos Usa que estão em urgente dificuldade fiscal são 45. Pelo menos…

- só para o ano fiscal 2009, as estimativas iniciais dos Estados da União subiam a 80 Biliões de Usd. Mas à medida a que vai sendo revelada a extensão total dos seus problemas, o CBPP projecta o montante dos défices combinados em 145 Biliões…

- e, pior ainda, os Estados que enfrentam estes desconcertantes défices chegarão a 2011 totalizando no seu conjunto pelo menos 350 Biliões de Usd, o pior da História.

O orçamento de quase todos os maiores Estados da União é como uma bomba fiscal. E como quase todos têm leis proibindo os déficits, estão a multiplicar-se em acções de redução de custos de qualquer modo possível: despedindo Funcionários Públicos aos milhares, cortando custos com Educação, cancelando Projectos de Construção, etc. A resistência política a cortes nos custos é enorme. E, no entanto, muitos Estados, como a Califórnia, esgotarão o dinheiro mesmo que consigam fazer passar as suas mais ambiciosas medidas anti-défice. Nunca antes desde a bancarrota da Confederação depois da Guerra Civil Americana tantos Estados enfrentaram a intensidade desta espécie de “Dia do Julgamento Final” financeiro que surge nos exercícios fiscais de 2009 e 2010. Se juntarmos a esta situação a dos Governos da Câmaras Municipais a situação ainda é pior.

O Total Geral: 450 Biliões de Usd de défices dos Governos Estaduais e Locais que se somam ao défice de 2 Triliões de Usd ao nível federal USA, combinados com os últimos tempos de alguns super-bancos americanos. Ainda por cima no meio de uma Economia em colapso.

As consequências: perdas massivas de emprego, não apenas ao nível das funcões públicas estaduais e municipais, mas também entre os empregados em contratos c/privados, companhias de construção e milhares de empresas apoiadas e dependentes dos Estados e Municípios para manter uma aparência de estabilidade económica e social nas suas áreas.

Claro que muitos, os da situação, dirão que é alarmismo ou tremendismo. Mas a realidade, o facto, é que existem especialistas credíveis a apontar para os USA em 2009:

- os níveis de Desemprego com aumentos de 10%, atingindo-se o total de 16%.

- uma segunda vaga de Bancarrotas em Empresas e Bancos.

- o colapso da Actividade Imobiliária entrará numa fase ainda pior. Para além do agravamento ao nível da Habitação Residencial será agora a própria Actividade Imobiliária a cair.

- A Restauração e o Retalho em geral já começaram a sentir um substancial agravamento em 2008. Em 2009 o nível de actividade será ainda pior.

- na Construção, os dados das organizações de Arquitectos estão a dar o primeiro sinal grave da dimensão da queda deste sector.

Existe mesmo um analista económico que chama a 2009 “O Ano da Grande Bola de Poeira” que afectará todas as formas de recebimentos, receitas e proveitos. Na sua opinião, 2009 será o ano que os historiadores no futuro descreverão como “O Ano da Grande Fome Financeira”.

Dificilmente poderia existir um pior contexto na data da tomada de posse do Presidente Obama !

Perante todo este tanto alarmante quanto real contexto que vemos nós em Portugal? Não valerá a pena repetir o que quase todos sentem. Valerá a pena comentar as propostas que o PM fez na qualidade de SG do PS? O casamento entre pessoas do mesmo sexo? O 12º ano? Referendar de novo a Regionalização? Não creio ser o momento, nomeadamente para tratar deste último tema, claramente insuficiente do ponto de vista do Algarve. Talvez mais tarde…

Mas creio firmemente que quanto mais tarde os Portugueses acordarem para a realidade pior será para a recuperação de Portugal. Não apenas na área económica, mas em todas sem excepção.

Termino comentando aquela sintomática frase do PM, quando afirmou «Não sou daqueles que apenas estão disponíveis quando os ventos estão de feição». Está então o PM sobre as águas da maré que vaza! Percebe-se a ideia e os seus múltiplos destinatários, mas sabendo o PM que foram os Portugueses que inventaram a vela que permite navegar contra o vento, saberá onde e como estão os Portugueses todos, independentemente dos ventos e das tempestades que sentem diariamente e cujos responsáveis perfeitamente impunes estão à vista de todos, quando não ajudados pela política do seu Governo?

É preocupante mas, afinal de contas, estará José Sócrates a radicalizar o que pode para que Cavaco Silva o demita, apressando-se a oferecer desde já um presente envenenado a Manuel Alegre e iniciando de imediato uma nova profissão de fé nesse ultrapassado “frame” de esquerda moderada, para a seguir, já com o novamente enganado candidato a PR amarrado à “sua” estratégia, vir suavizar o discurso nas legislativas para nova maioria? Se está, está mal. E muito mal aconselhado.

Toda a gente já percebeu que o PS não obterá nova maioria absoluta, coisa que é excepção neste sistema político que desgraçadamente ainda temos e que foi apenas timidamente corrigido ao nível da autarquias (essa sim uma nova oportunidade perdida).

Bem podem Rui Rio e António Costa (pois, que estratégia pessoal brilhante…) ir fazendo exercícios de aquecimento!

Saúde e Sorte para todos! Bem precisamos.

Algarvio de Portugal, Lagos.

_______________________

Nota:
Segundo o site da
CNE as próximas eleições que terão lugar na República Portuguesa serão as seguintes:
- 2009: em Junho será a Eleição para o Parlamento Europeu;
- 2009: em Setembro/Outubro terá lugar a Eleição para os Órgãos das Autarquias Locais;
- 2009: em Outubro será o momento da Eleição para a Assembleia da República e (indirectamente no actual sistema político) para o Governo;
- 2011: em Janeiro será o tempo da próxima Eleição para o Presidente da República.

CRISE ou GRANDE DEPRESSÃO GLOBAL? Perspectivas & Análises (III): A Origem Financeira da Primeira Depressão Mundial

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 13/01/2009 at 9:11 am

A melhor maneira de não teorizar em demasia sobre qualquer tema é torná-lo evidente perante uma Criança, de preferência com uma explicação visual.

Nesse sentido, e sobre a situação que TODOS estamos a viver, encontrámos um video extremamente esclarecedor, e démo-nos ao trabalho de traduzir a legendagem para português/pt . Não nos fartaremos de recomendar o seu visionamento e reflexão sob os pontos de vista que cada um achará mais pertinentes.

É, no mínimo,  urgente para a generalidade dos Cidadãos entender esta perspectiva realista, embora explicada de um modo muito simples e rápido.

Neste momento, face a todos os dados existentes e disponíveis publicamente à escala mundial, a mensagem final é realmente de uma complexidade e vazio crescentemente dramáticos a cada dia que passa para Países e Pessoas, se tivermos em conta os vários caminhos alternativos que neste momento estarão ainda a ser reflectidos pelos diversos níveis de detentores dos Poderes Públicos …

É urgente perceber a origem do que se se está a passar, para além das cortinas quase inconscientemente manipuladas perante esta verdaderia maré negra.

É urgente ver/rever este contributo apresentado por “Say it Visualy”  tal como ler a transcrição da tradução.

O video legendado em português/pt está acessível através do link:
http://dotsub.com/media/f7077a3a-c54d-458c-8340-8541db728c91/e/m/por_pt

O video original em inglês (não legendado) está a seguir:

“COMO EXPLICAR A CRISE FINANCEIRA DE 2008 NOS USA ÀS CRIANÇAS

(E A MUITOS ADULTOS)”

por “Say it Visualy”

«Imagine um Baloiço. É divertido quando sobe e desce. Mas não tem graça nenhuma quando fica parado. É assim que funciona a nossa Economia. “Dinheiro Vivo” e “Promessas de Dinheiro” andam para trás e para a frente, há uma constante mudança de Equilíbrio. A isso chama-se “Crédito”.

Comprar uma casa é um bom exemplo. As casas são caras! Portanto as pessoas prometem aos bancos mais dinheiro mais tarde, para receberem empréstimos de menos dinheiro hoje. A promessa que fazem, uma espécie de “Eu devo-te a ti”, chama-se “Hipoteca”. As pessoas conseguem a casa hoje. O banco de facto é o dono da casa, que passa a chamar-se “Colateral”. Todos os meses, as pessoas devolvem um bocadinho ao banco. Os bancos recebem muito mais dinheiro do que o que emprestaram, a longo prazo.

Tendo o dinheiro para emprestar chama-se “Banca de Depósitos”, porque os bancos têm que manter grandes depósitos de dinheiro, para emprestar.

Outra maneira em que Dinheiro e Promessas andam para trás e para diante chama-se “Investimento”.

Pressupõe-se que os Negócios das Empresas farão mais dinheiro do que gastam, mas às vezes, elas precisam de dinheiro para começar a sua actividade. Portanto, elas prometem algum do dinheiro em excesso do futuro, para conseguirem o dinheiro para começar hoje. A promessa que fazem chama-se “Contrato-Garantia”. Possuir “Contratos-Garantias” é muito parecido com possuir dinheiro, portanto esses bancos são chamados de “Bancos de Investimento”.

Portanto, basicamente, existem 2 tipos de actividades de Crédito. Pode dizer-se que os “Bancos de Depósitos” vendem Dinheiro por Promessas e que os “Bancos de Investimento” vendem Promessas por Dinheiro.

Até há 10 anos atrás, as regras definidas pelo Governo Americano após a Grande Depressão de 1929, mantinham as actividades de Depósitos e as de Investimento separadas.

Então, em 1999, o Governo Americano eliminou algumas dessas regras numa Lei chamada “Acto de Modernização dos Serviços Financeiros”.

De repente…as empresas de modernos serviços financeiros podiam fazer as duas coisas.

Isto ligou as actividades de “Depósitos” e “Investimento”.

Por exemplo, conjuntos de Hipotecas foram “empacotados” em conjunto e vendidos a Investidores. Estes “Contratos-Garantias” reforçados por pacotes de “Hipotecas” pareciam seguros. Afinal de contas… as pessoas não pagam sempre as suas casas?
Pouco tempo depois disto, o Governo Federal Americano também decidiu ajudar mais pessoas a conseguirem casas, eles como que baixaram o lado do dinheiro da área dos depósitos, para ajudar mais gente a andar para a frente. Milhões de pessoas que nunca antes teriam recursos para prometer os pagamentos das casas, de repente passaram a ter.  Mas isso tornou-se naquilo a que se chama um “boom”.

Muita gente queria comprar casas mais depressa do que o tempo que elas levavam a ser construídas, e portanto o preço das casas subiu. As pessoas temporariamente esqueceram-se que “para cima” é sempre balanceado “para baixo” nalgum lado.

Muitos grandes empresas de serviços financeiros venderam os tais “Contratos-Garantias” reforçados por pacotes de “Hipotecas”. Grandes pacotes de Promessas! E desde que os preços das casas subissem, os Investidores de todo o mundo pensaram que poderiam obter muitíssimo dinheiro de volta. Mas, a coisa dependia de que a maior parte dos novos proprietários das casas fizessem o pagamento das suas Hipotecas.

Então, os apoios à compra de casa desapareceram. Alguns pagamentos tornaram-se muito mais caros. E algumas pessoas que tinham prometido ir pagando as suas hipotecas deixaram de poder suportá-las. Elas basicamente tiveram que fugir da situação, e vocês sabem o que acontece quando alguém faz isso: os preços das casas caíram e o “boom” desapareceu.

Mas do outro lado continuaram a aumentar os Investimentos. As casas que funcionavam como “Colateral” deixaram de valer tanto quanto os pagamentos das Hipotecas no termo dos empréstimos. Sem esses pagamentos, os bancos tiveram que usar o Dinheiro dos seus próprios Depósitos para pagar aos Investidores. Passado um tempo, o Dinheiro acabou-se.

Quando um banco fica sem Dinheiro para cumprir as suas promessas, ele tem que fechar. Foi exactamente isso que aconteceu.

Agora o Governo está a tentar decidir o que fazer:

1. ajudar os DONOS DAS CASAS?

2. ajudar os BANCOS? ou

3. ajudar os INVESTIDORES?

É um problema de dimensão mundial.

Entretanto, o movimento entre Dinheiro e Promessas, que mantém a Economia em movimento, está a abrandar. Isso afecta divisas, negócios, hospitais, agregados familiares e tudo em geral.

“Crédito” é como ar a entrar e a sair de um corpo. Nós não nos podemos manter sem ele.

Nós mudámos as regras para modernizar o nosso sistema financeiro, mas nós não conseguimos concluir esse trabalho!

COMO É QUE NÓS RESOLVEMOS ISTO E RESTAURAMOS UM EQUILÍBRIO RESPONSÁVEL ENTRE DINHEIRO E PROMESSAS? »

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tradução para Português/PT por “Algarvio de Portugal”, http://talefe.wordpress.com

CRISE ou GRANDE DEPRESSÃO GLOBAL? Perspectivas e Análises (II)

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 07/01/2009 at 5:28 am

socrates1

FOI EXCELENTE A ENTREVISTA DO SENHOR PRIMEIRO-MINISTRO de 2ªf 5.Jan.2009

Porque foi muito esclarecedora. A vários títulos:

PESSOALMENTE, porque revelou uma vez mais o tipo de personalidade forte e voluntariosa de uma pessoa que está convencida de que não existem alternativas. Nem à sua liderança nem à sua política.

Fica-lhe bem a postura, mas não é bem assim, como o Sr. PM muito bem sabe. Ou não sabe?

Assim de repente, sobre entrevistas (permito-me o parentesis) o que me ocorre é que talvez o melhor fosse rentabilizar o Parque Mayer com a sede de uma estação de televisão. Sobrevivia o Teatro de Revista e rentabilizava-se o espaço. Talvez o anunciado novo canal ou o canal espanhol estejam interessados, quem sabe?

É que, apesar de ocasionalmente impaciente ou incomodado («mas o que é que querem que eu vos diga mais?»), o PM que temos pareceu empolgado com a uma Crise que certamente já terá identificado, infelizmente para Portugal, como uma oportunidade política…

Tanto, que já aproveitou para pedir implicitamente uma maioria absoluta nas próximas eleições. Em que não intervirá pessoalmente, dado o sistema eleitoral ridículo que temos não eleger governos mas sim assembleias.

Como todos sabemos neste simulacro de Democracia em que vivemos, a maioria dos Portugueses não vota porque perdeu a tão prezada Confiança Política… A Justiça não produz resultados em tempo útil e todos os poderes continuam, como outrora, a ter o seu centro em Lisboa. Centro político esse que, baseando numa minoria de eleitores, arregimentados competemente com recurso a técnicas antigas e teias de interesses modernos, mantém  um povo inteiro refém de si próprio pelo mesmo espírito obscurantista de outrora. Em todo o país. Embora agora a cores e com enorme e ignorante consumismo. Aquilo a que me refiro é tão evidente e tão grave que até um conterrâneo meu da área política do governo se viu compelido a avisar contra os perigos desta verdadeira Oclocracia que se instalou em Portugal. Para a qual, repito, alertou há tempos um intelectual da minha terra nos seus escritos. E como a História e a Sociologia inelutavelmente explicarão no futuro.

Mas isso é para o Sr. PM um problema menor. Se sempre foi assim…cá vamos nós caminhando alegremente para sucessivas abstenções record. Portanto, sobre a tão prezada Legitimidade Política estamos esclarecidos.

Realmente é impressionante: como é possível andarmos a pensar em eleições numa altura destas Sr. PM? Ou preparam-se novos e obscenos festins financeiros, agora por conta desta tão tardiamente detectada e tão infantilmente denominada “Crise”?

POLITICAMENTE, é totalmente inaceitável que se argumente que a dimensão do que vivemos é a de uma ”crise” ou até mesmo de uma “recessão”. Não! O problema é gritantemente maior: nem é Crise nem é Recessão! E muito menos apenas técnica. Se fosse só isso, substituia-se uma peça qualquer e a Economia lá levantava vôo outra vez. Francamente…

Não é uma gripe é um estado potencialmente comatoso o que, neste momento apenas inicial, os dois suicídios de pessoas do topo financeiro mundial apenas sinalizam. E que não afecta apenas a área financeira, é geral e transversal. Da área financeira alastrou à económico-social e à generalidade das actividades humanas. E alastrará à Organização dos Estados e das Sociedades tal como hoje as conhecemos.

Quanto a consequências, é bom não perder de vista que, sejam quais forem, resultarão do facto de, na minha opinião, a sua origem residir numa crise de valores éticos já com décadas associada à questão da legitimidade política (ou da falta dela) em várias regiões do Globo. Sem exclusão das chamadas “democracias ocidentais”.

Esta Primeira Depressão Mundial parece ter-se desencadeado a partir de uma claríssima incompetência técnica e política para utilizar e controlar – conduzindo –  a aceleração proporcionada pela tecnologia por parte dos poderes políticos. Paradoxalmente, de duas maneiras: porque essa aceleração escondeu uma desaceleração evidente e simultânea na chamada economia real  – o eterno problema de analisar totais sem fazer a análise fina, sem ver a decomposição dos totais -  e, por outro lado, porque nunca como hoje as tecnologias de informação foram tantas e tão eficazes. Tudo isto temperado pelo facto de os detentores do conhecimento tecnológico acelerado não coincidirem e não terem sido levados a sério pelos detentores do poder político. O que terá sido mais grave ainda se estes, numa segunda fase e a partir do início do século, passaram a manipular ilegitimamente os sistemas financeiros. Tanto que, para mais, no seu seio incluem-se sempre detentores do conhecimento técnico…

E a todos estes ainda se juntam sempre os que não tendo nem conhecimento técnico nem tecnológico sabem falar muito bem e são óptimos no fund raising. Esta mistura explosiva é ainda rastilhada pela mais despudorada “livre-circulação” entre a Política e a Economia (pública e privada…), das fugazes passagens pelos cargos políticos ao trânsito de/para outras actividades.  A roda livre.  Será que em Portugal tudo foi ou é diferente Sr. PM?

Não sabemos. Quem tem que saber é o Sr. PM. Mas também o Sr. Presidente da República.

Mas sei que a desmaterialização dos processos e dos activos financeiros velhos e novos  – o que na prática equivaleu a se poder ”emitir divisas”, o que era proibido há menos de 20 anos e deixou de o ser (quando?, porquê?…) -  não foi completamente percebida nem controlada por quem tinha a obrigação política e a disponibilidade tecnológica para o fazer. Controlar no sentido da transparência de processos e da disponibilidade imediata (“onlinização”) das actividades financeiras, verificando automaticamente a situação. Será que em Portugal tudo foi ou é diferente?

Não sabemos. Quem tem que saber é o Governo e o Banco de Portugal. Mas também o Sr. Presidente da República.

De facto, estamos perante uma DEPRESSÃO, e é a primeira que é GLOBAL. O que não é melhor.

Estamos pois perante A PRIMEIRA DEPRESSÃO MUNDIAL.

Claro que contém oportunidades, mas o que está a suceder é muito pior que uma mera recessão técnica. E quanto mais tarde se acordar para ela pior. Pedem-se soluções, mas ouve-se realmente quem as tem, Sr. PM?

Haja, pois, a necessária Coragem para mudar. O que não se pode fazer sendo governo é, em contra-crítica, pedir as soluções às oposições. Quem não sabe, não quer, ou não pode, que feche a loja.

O que imperativamente não se pode pretender fazer é, perante este vazar de maré cuja baixa-mar não está ainda à vista mas que só ela evidenciará a verdadeira quantidade de porcaria existente, abordar a resolução dos impactos da Primeira Depressão Global na Economia Portuguesa com estratégias pessoais ou grupais eleitoralistas minimizadoras de danos.

O problema, Sr. PM, é que perante este quadro, tem que se ser politicamente mais ambicioso do que isso !

Ou será que se prefere sistematicamente aproveitar as ideias alheias, para além de outras coisas piores…, que depois são torcidas e ajustadas aos vários interesses do momento, levando quase à loucura quem vê a realidade e sofre na pele os efeitos de se ousar ser sério e honesto perante a mais grave e sucessiva incompetência política e técnica a tantos e variados niveis. Podemos estar num quadro pior? Podemos esperar que as soluções venham sempre de fora?

Ou preferir-se-à, ainda nessa suicidária perspectiva e ao abrigo de tão recheados quanto duvidosos CV’s e de variados oportunistas e interesseiros mentorings políticos de fugas várias, encenar formalmente mais uma série de pasos dobles nesta meta-democracia em que, há já tanto tempo, tudo vai mudando para afinal ficar tudo na mesma. Lançando mais ou menos jovens aparatchiks, ainda navegando nos paradigmas do passado os quais, sedentos dos fátuos poder e fama, não sabem – ou não podem –  identificar o que lhes vai cair nas mãos indo acabar, mais cedo ou mais tarde, numa qualquer prateleira dourada à pála do erário público? Ou na prisão? E a organização científica do trabalho? Passou a ser filosofia política Sr. PM? Onde cabem 10 metem-se 50? Isso é que é alavancar… E as Pensões? Quantas por pessoa? Qual é o limite? 3? 5? 10? Auditorias Funcionais? Empresas Municipais? 3ª Auto-estrada Lisboa-Porto quando ainda não tem sequer a Via do Infante ligada via Barlavento até Sines. Até quando? Ou essa obra está reservada para quando os PIN para o Sudoeste estiverem todos vendidos e mal pagos roubando às populações locais o usufruto dos seus direitos públicos e privados? Does that ring you any bell, Mr. PM?

De facto, a abordagem política apresentada na entrevista de José Sócrates é insustentável perante a realidade que todos os Portugueses vivem há meses. Alguns há alguns anos. Os largamente mais de metade que trabalham no Estado (parece que passou a ser uma vantagem paradoxal, mas não é, como infelizmente se verá…) tal como as restantes pessoas, definitivamente, não merecem tal baixo e apenas reactivo nível de ambição política. A tão voluntariosa abordagem apresentada para Portugal não é credível. Porque não é coerente nem consistente. E porque é reactiva e agora, mais do que nunca, tem que ser activa.

Quem pode acreditar que quem em Outubro.2008 não soube (ou não pôde…) avaliar politicamente nem a claríssima crise portuguesa (sacrificando consciente e voluntariamente os portugueses à consolidação orçamental, seríamos o único país da UE que iria cumprir os critérios do défice público…) nem a pública e evidente depressão global (com início demonstrado desde o início de 2007), quem acreditará sinceramente que pode agora anunciar-se um Orçamento Rectificativo ao sexto dia do ano e agir politicamente a supervisionar tecnicamente Portugal nas turbulentíssimas águas que se avizinham? Ou então sabia-se e calou-se a Verdade. O que ainda seria pior…

E da tão prezada Confiança nem se fala… Mas há alternativas. E o Sr. PM conhece-as. Tem que conhecê-las. Ou, então, tem que ir à procura delas. Com Coragem e Urgência.

Não, não é preciso ser vidente, a realidade é antes por demais evidente e há demasiado tempo para poses surpreendidas e piruetas voluntaristas.

Como demasiada gente sabe para que se ignore, há mesmo quem consiga demonstrar que esta Depressão começou nos USA como crise financeira há 7 anos, pasme-se…

Mas não vou tão longe, obviamente! Basta-me documentar que ela tem o seu início registado há cerca de 2 anos e, como tal, os respectivos dados são públicos (US Federal Reserve)! Portanto já era conhecida em Outubro (e não Setembro) quando da apresentação dessa coisa que deve ser intelectualmente estimulante  - mas de pouca Verdade –  a que se chama Orçamento de Estado e que mais não é que um Orçamento de Tesouraria… É impressionante, será tecnicamente correcto, mas é tecnologicamente infantil e politicamente suicidário. Portugal não pode mais ser gerido, embora pareça que esforçadamente, como se de uma mercearia em que o dono está fora se tratasse. A ver. E a pagar.

É demais para ser ignorado pelo Senhor Presidente da República. Que também não pode querer sacrificar Portugal em nome de um eventual segundo mandato. No limite, que prefira fazer um bem feito do que dois mal feitos… Creio estarmos a chegar ao momento em que também o Sr. PR terá que optar entre ser parte da solução ou do problema. Do problema é. Da solução activa…ainda não! É que as sondagens “mentem”. Mas pessoas não!

Sobre a entrevista resta-me assinalar que, de entre outros, não foi abordado o tema JUSTIÇA.

Sem mais comentários, para além de dois apontamentos:

- O Senhor Governador do Banco de Portugal, que entretanto considerou que o plano da Comissão Europeia para estimular a economia pode ser insuficiente, revelou logo no dia seguinte ao da entrevista de José Sócrates que Portugal entrou em recessão técnica em 31.12.2008 (2 trimestres sucessivos com crescimento negativo do Pib). Logo no dia seguinte ao da entrevista.

- E mais um ”pequeno” sinal, para mim muito preocupante a vários títulos, nomeadamente Fiabilidade de Informação: na entrevista Rtp1 do Sr. Ministro das Finanças no Telejornal da noite de 3ªf, foi referido o problema do défice da economia dos USA que, galopante, estimava o presidente eleito em peça apresentada com legendas, se terá cifrado também no final de 2008 em 1 trilião de Usd e não um bilião como na peça foi traduzido, ou seja mil biliões e não um bilião. E a repetir em anos futuros, dizia B. Obama. Não legendado!… por lapso ou por intenção?

A diferença é de 1 para 1.000 e o facto é que o erro passou despercebido – porque não corrigido - ao Sr. Ministro das Finanças que é, de facto e conjuntamente com o Sr. Ministro das Obras Públicas, quem governa a Economia Portuguesa. Lapso ou intenção?

Termino com uma gloriosa intervenção do Sr. PM José Sócrates, em 14.10.2004, quando era Deputado da República Portuguesa, dirigindo-se ao ex-PM Santana Lopes e, mais abaixo, um video intitulado “José Sócrates – Antes e Depois”.

A transcrição da intervenção de 14.10.2004:

«Senhor Presidente, Senhores Deputados, Senhor Primeiro-Ministro,

Lamento muito recordar que o senhor Primeiro-Ministro ocupa esse lugar sem ter ganho uma eleição legislativa nacional. Mas essa acontece que é a pura das verdades, Sr. PM. E vai ter que conviver com isso. E esse não é um tema qualquer nem um tema secundário Sr. PM. É um tema da maior importância. Porque só a legitimidade política dá autoridade. E, o Sr. PM desculpe-me, mas só essa autoridade é que é fundamental para poder coordenar um governo.

E há um ponto em que todos os analistas estão de acordo, Sr. PM: é que o Governo não tem rumo nem tem estratégia. Nem tem coordenação. E se é verdade que, há uns meses atrás, os portugueses não compreenderam que o Sr. PM é primeiro-ministro,  à medida que o tempo passa vão percebendo cada vez menos.

A este Governo o que verdadeiramente falta é orientação, é rumo, é aquilo que se chama, Sr. PM, liderança. Porque os portugueses não podem confiar num PM que uma vez diz umas coisas, outra vez diz outras. Não podem confiar num PM que deixa o seu governo à deriva. Que deixa os ministros degladiarem-se na praça pública à volta das questões da governação. Não podem confiar num PM que não imprime aquilo que é fundamental, uma orientação, um rumo, uma estratégia, uma liderança, para o governo. O Sr. PM desculpe dizer-lhe isto, Sr. PM, mas os portugueses vão ficando com a sensação, nós ficamos aqui com a sensação, que verdadeiramente o Dr. Santana Lopes não está no lugar certo. Que não tem jeito para isto. A conclusão a que chegámos é que o Dr. Santana Lopes não tem jeito para primeiro-ministro. É esta aparência que dá este governo.

Notei que o Sr. PM, nos seus cinco minutos, não teve tempo para ir à Economia. Cá espero pela sua resposta. Mas gostaria de lhe lembrar o seguinte Sr. PM: nós não podemos passar de uma fase em que estamos em recessão para a fase do crescimento estouvado, porque essa não é a realidade da nossa economia. Eu gostaria de recordar ao Sr. PM que este mês temos mais 16.000 desempregados.  Que os dados do comércio internacional de Portugal apontam para o agravamento do défice comercial. Que as exportações não arrancam. E quero recordar-lhe, Sr. PM, que nós somos o país da União Europeia, o segundo pior país da União Europeia, em termos de confiança. Esta é que é a realidade da nossa economia, que nenhuma central de comunicação poderá disfarçar. Ou mascarar.

Mas Sr. PM, o Sr. PM não se vai daqui embora sem falarmos num último tema. Dei-lhe todas as oportunidades. Podia ter falado nele no seu discurso inicial, e podia ter falado nele a seguir, na resposta à minha pergunta. E esse caso não é resolvido pelo seu silêncio. Esse é um caso a que não pode fugir. E é o caso seguinte:  é o caso do ministro do seu governo que fez uma pressão ilegítima junto de uma estação privada e que conduziu à eliminação de uma voz incómoda para o seu governo. E o Sr. PM desculpar-me-à, mas quero dizer-lhe com clareza, esse episódio é um episódio indigno de um governo democrático, e é um episódio inaceitável. E quero dizer-lhe, Sr. PM, isso é uma nódoa que o vai perseguir, porque essa nódoa  não vai ser apagada facilmente. Porque é uma nódoa que fez Portugal regressar aos tempos em que havia condicionamento da Liberdade de Expressão. E peço-lhe, Sr. PM, peço-lhe, Sr. PM, resista à tentação do controlo da comunicação social. Não vá por aí,  porque nós cá estaremos para evitar essas tentações. Muito obrigado, Senhor Presidente.»

O video:

“SÓCRATES – ANTES E DEPOIS”

MEDINA CARREIRA ao “NÓS POR CÁ” na tarde do dia da entrevista do Sr. PM à Sic

(restantes videos anteriores em playlist sequencial)

Bom 2009 (vamos no sétimo dia…)

Algarvio de Portugal, Lagos

CRISE ou GRANDE DEPRESSÃO GLOBAL? Perspectivas e Análises (I)

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 04/01/2009 at 4:57 am

medinacarreira

Nos últimos 10 anos, o ritmo do endividamento externo de Portugal é de 48 milhões de euros por dia, ~2 milhões de euros por hora… Onde está o dinheiro? Porquê ? Ninguém é responsável ?

Sei que pode parecer simplista, que se trata do endividamento de todos os agregados macro-económicos (será mesmo?) mas ninguém é responsável pelas sucessivas inércias políticas de Lisboa quanto à reorganização do Estado? Já com alguns e tão significativos casos de polícia que evidenciam o modo politicamente criminoso como os maiores partidos políticos se financiam, vitimizando-se pelo caminho igualmente as autarquias  e os seus “funcionários políticos” que tanto inocente quanto provincianamente se vão pondo a jeito.

Sempre ao abrigo desses subconscientes paradigmas inculcados por necessidade e rarefacção de alternativas ao longo de décadas mas hoje objectiva e claramente ultrapassados para uma pretensa segurança pessoal, segundo os quais se deve “ir para a capital”, “tirar um canudo” e ”conseguir trabalho no Estado ou num Banco” como a melhor das garantias de um rendimento permanente e estável. Nada de mais errado, como o demonstram os factos recentes e mais demonstrarão os futuros! E mais ainda, quando sob aquelas tão extraordinárias justificações de que já era assim quando os sucessivos actuais “actores políticos” chegaram, que não há outro remédio, de que não podemos mudar o mundo e outras barbaridades. Ou seja, nem mais nem menos do que a negação da Política !

Não é simplista, será complexo,  mas de uma coisa os responsáveis políticos de topo, actuais e passados, por esta ainda desconhecida – em toda a sua extensão e profundidade - coisa inominável em que Portugal se tornou, podem estar certos: pode enganar-se uma pessoa uma vez, duas duas vezes, mas não se pode enganar toda a gente o tempo todo. Terão ainda tempo para serem parte da solução?

Não gosto de chavões mas creio que as palavras de Medina Carreira são lapidares quando refere a propósito do problema da morosidade da Justiça que

«não se faz nada contra isso porque a classe política tem medo de ser apanhada na mira…na rede da Justiça. É uma desconfiança que eu tenho…Quanto mais complicado aquilo fôr… (sub. melhor)», ou que

«Um país em que as desigualdades não têm fundamento, em que a maior parte delas são desigualdades ilegítimas, para não dizer mais, é um caldo de cultura que pode acabar muito mal.»

Claro que no actual contexto provavelmente o ritmo do crescimento do endividamente será ainda maior por via das despesas sociais. Se houver financiamentos externos, o que não é claro que aconteça (v. recente caso do financiamento à Cgd). Mas isso não pode justificar o desprezo pela realidade por parte de um Estado que se vem desde há longa data revelando ingovernável e bipolar (carrasco na cobrança /caloteiro nos pagamentos). Que vai consumindo tudo, até as boas-vontades e as pouquíssimas boas competências políticas e técnicas que alguns ainda puseram e põem ao seu serviço. Quanto às outras vontades,  muito pouco ou nada se sabe. Publicamente…

Sem medos nem extultos cultos da personalidade, mas com fundadíssimos receios sobre o que será o nosso futuro colectivo face à indiscutível realidade para a qual apenas há pouquíssimas semanas a generalidade dos políticos portugueses acordou – que não os Portugueses - recordamos aqui as mais significativas intervenções em 2008 acerca do presente e do futuro de Portugal pela perspectiva do Prof. Medina Carreira.

Com a devida vénia ao blog de Vítor Silva Os meus apontamentos, e para quem necessita ainda de mais dados sobre que País hoje somos, em que Estado hoje estamos e para onde hoje estamos de facto a caminhar, aqui fica profusa informação acerca de PORTUGAL pela perspectiva de Henrique Medina Carreira, o político, pedagogo e fiscalista a quem tantos chamaram “tremendista”:

-  Entrevista de Maria Flor Pedroso a Medina Carreira Transcrição da entrevista de Maria Flor Pedroso a Medina Carreira para o seu programa semanal na Antena1 de 3-out-2008.

- O Dever da Verdade o muito esclarecedor livro de Medina Carreira coordenado com Ricardo Costa do qual, no mínimo, se devem ler as trabalhosas e eloquentes “notas de leitura”

Neste link do YouTube estão os videos das suas intervenções, de que destacamos:

-  2008-05-26   Prós&Contras: A situação real da economia portuguesa.

-  2008-07-03   SicN – Negócios da Semana.

-  2008-07-16   SicN – Política e Estado do País.

-   2008-10-14   SicN – Entrevista a Mário Crespo.

-   2008-10-17   TVI – Orçamento 2009.

-   2008-12-10   SicN – Negócios da Semana.

Adicionalmente e para terminar, permitimo-nos citar, com a devida vénia ao Professor e ao semanário SOL, o seu artigo publicado em Outubro.2008 intitulado “SURDO COMO UMA PORTA, TEIMOSO COMO UM BURRO! “:

«Os partidos criam ilusões sobre a capacidade para melhorar o nível de vida dos portugueses. É apenas um embuste!

O Governo armadilhou a legislatura porque atacou a conjuntura com conversa. Concretiza-se um evidente fracasso!

Legalmente, a actual legislatura acabará em 2009. de facto, já terminou. O governo abriu a campanha eleitoral quando Correia de Campos saiu da Saúde e a paz foi feita com os professores. Tem vindo a intensificá-la, redistribuindo um mínimo de dinheiro pelo maior número possível de beneficiários. É o ‘social barato’, porque a economia o impõe. Por agora, está feito o que o Governo foi capaz de fazer. Mas o essencial fica, uma vez mais, adiado. Os partidos da oposição, por seu lado, sem recurso sequer ao ‘social barato’ confiaram às crises e à gatunagem a tarefa de ‘desgaste’ do eleitorado socialista. No que respeita à economia, esta é mais uma legislatura sem avanços: em 2009 a conjuntura não será melhor que a de 2005; e as bases estruturais mínimas, que sustentem o progresso da produtividade, continuam por criar. Estamos parados, o que é o mesmo que dizer que ficamos mais atrasados…

A economia continua a ser o mais difícil dos nossos problemas. Irá manter um elevado nível de desemprego, um baixo poder de compra, um modesto ritmo de crescimento, uma insanável pobreza, um crescente temor do futuro, a irremediável nova emigração, as excessivas desigualdades e a periclitante protecção social. A economia é, afinal, a maior causa do nosso mal-estar. Dificilmente a conjuntura poderia ter evoluído de modo diverso. O governo comprometeu-se com resultados mais positivos, mas não deveria tê-lo feito: eram já evidentes e falta de instrumentos para consegui-lo e desfavoráveis as circunstâncias externas vigentes. Acontece que, ao contrário de há vinte anos, o crescimento econômico no curto prazo escapa às políticas no Governo: não há moeda própria para desvalorizar e as ‘exportações’ não crescem desse modo; não há juros para baixar; porque essa é uma atribuição do BCE e não há margem de manobra para reduzir os impostos e/ou aumentar as despesas publicas, porque há déficies elevados e persistentes. Só uma sensível aceleração das ‘exportações’ poderia ter resultado melhor. Tratar-se-ia, porém, de uma hipótese remota, porque a economia da Zona Euro crescia, anualmente, à taxa de 1,4% (2000-2004).

Na ausência de factores objectivos que fossem favoráveis - internos e externos – o Governo simulou a dinamização da economia através das palavras: ‘optimismo’, ‘coragem’, ‘crença’ e ’modernidade’. Uma simples puerilidade destinada ao fracasso porque a realidade mostra, diariamente, o contrário. Deve recordar-se ao Governo que o PIB português é muito mais surdo que uma porta e muito mais teimoso que um burro! Não reage a esta ‘conversa’. Só anima aquele em quem se acredita. E só se acredita em quem sempre diz a verdade.

A ineficácia da política da ‘conversa’ é um factor: por isso, vem agora o Governo, mais perto das eleições de 2009, anunciar um exorbitante conjunto de obras públicas que promovam o investimento e o consumo, e acelerem o crescimento econômico. É o habitual e o desesperado recurso ao ‘betão’ keynesiano. Que, nas actuais condições , agravará o futuro só para produzir um fogacho que fantasie o presente. Se a política da ‘conversa’ foi apenas um logro, a do excesso do ‘betão’ poderá ser uma perigosa aventura. Desde logo porque, no plano do Estado, não se reduzir suficientemente o défice, pelas despesas correntes (apenas – 1.1 pp do PIB): os riscos de uma nova colisão com o Programa de Estabilidde e Crescimento (PEC) são grandes. Mas, sendo o défice público um travão, nem sequer é o mais decisivo: são-no os nossos elevados défice externo e endividamento internacional, porque tais investimentos provocriam acréscimos de encrgos insuportáveis. Em suma: públicos ou privados, pouco importaria, este volumoso ´betão’ teria de ser financiado no exterior; por insuficiência de poupança interna. A festa de agora seguir-se-ia depois a hora da verdade, com os juros e os reembolsos a pagar. O Governo tem referido as obras mas tem silenciado o seu financiamento externo: evita que a opinião pública se aperceba das pesadas consequências da sua exorbitante dimensão, para já não falar do carácter supérfluo de muitas. Importam-lhe apenas as eleições de 2009, porque outros estarão para pagar mais tarde. Basta atentar no alerta de Silva Lopes, feito já em 2004: “Se continuarem as tendências de endividamento dos últimos anos do século XX (…) antes de muito tempo os bancos, as empresas e as famílias (encontrarão limites para o mesmo). Se isso acontecer, negras nuvens pairarão sobre o crescimento da economia nacional”. Estas ‘tendências’ não permaneceram, porque se agravaram sempre.

Os dislates e as aventuras das políticas têm ajudado a ocultar a realidade da nossa economia. À nossa opinião pública condicionada pelas análises ‘trimestrais’ – só chegam as noticias das insignificantes variações de décimas do produto e do desemprego. Assim, não pode entender-se o que é a economia portuguesa. Convém lembrar que:

1) De 1980 a 2007, o crescimento médio anual foi de 2,4%;

2) Atingiu nos melhores ciclos os 5% (1985 a 1990), e os 3,5% (1995 a 2000);

3) Nos restantes dezassete anos, fora estes destes ciclos, situou-se em 0,9%.

Os dois ‘bons’ ciclos deveram-se, em grande parte, a acasos externos, a saber:

1) À queda do preço do petróleo e à entrada na CEE, no primeiro (1985-1990);

2) À baixa das taxas de juro e ao endividamento externo, no segundo (1995-2000). E desde 1990, beneficiamos também de meios financeiros extraordinários, alguns irrepetíveis, num montante superior a 180 milhões de euros, provenientes de: transferência comunitárias, 53 mil milhões; privatizações, 18 mil milhões; e do maior endividamento do Estado e das Famílias, 100 mil milhões.

Com tais acasos e tanto dinheiro, atingimos 2,4% anuais, nos últimos vinte e sete anos. Em dois de cada três anos, nesse longo período, nem sequer excedemos os 0,9%. Cabe então perguntar o que teríamos sido e o que poderemos vir a ser, sem acasos e sem muito dinheiro.

Em Portugal e no curto prazo, o crescimento dependerá:

1) De uma conjuntura externa favorável, que propicie mais exportações;

2) De medidas políticas sectorais e avulsas, embora com efeitos muito restritos;

3) Da ocorrência de investimentos volumosos, públicos e/ou privados no exterior.

Uma de duas : ou há sorte, vinda de fora, ou hipotecar-nos-emos. E todos os governos estão ‘amarrados’ a tais circunstâncias: têm, portanto, de ser sérios, assumir e explicitar este intransponível condicionamento. O que fazem é, exactamente, o contrário. Não ingenuamente: os principais partidos querem, no imediato, manter boas sondagens, preparar e ganhar eleições. Para tanto, criam e sustentam ilusões sobre a sua capacidade para impulsionar o crescimento, gerar empregos e melhorar o nível de vida. É apenas um embuste.

Esta necessidade imediata de afirmação dos principais partidos é, politicamente, muito grave pois impede o desenvolvimento econômico português: só se faz agora o que interessa que se veja já, porque a obra de fundo e demorada ano promove imediatamente a imagem. Nem os votos. Tornando desinteressante a economia do futuro, esta democracia corrói perigosamente um dos seus apoios fundamentais. Em países atrasados, como o nosso, é um sistema promotor de maiores atrasos. Demorará tempo,mas vai perceber-se.

Do ponto de vista econômico, o Governo ‘armadilhou’ a legislatura de 2005-2009: porque atacou a ‘conjuntura’ com ‘conversa’; porque arquitectou um conjunto de obras cuja concretização integral empenharia longamente o nosso futuro; porque não preparou a ‘estrutura’ em função das necessidades de uma economia mais produtiva e mais competitiva. Concretiza-se assim um evidente fracasso se se considerar que esta legislatura reúne condições únicas e muito favoráveis: pela sua longa duração de quatro anos e meio, pela maioria absoluta de um só partido e pela ‘cooperação estratégica’ do Presidente da República. Como ela nenhuma houve, desde 1976, e nenhuma teremos, proximamente. E, em muito do que é mais relevante, o Governo limitou-se a simular que executava ‘reformas’, quando afinal privilegiava o espectáculo mais que a obra, a retórica mais que a substância; as palavras mais que as idéias e a aparência mais do que a realidade.

Poucas são, alias, as políticas com efeitos positivos sobre o nosso futuro econômico:

1) A redução do défice público, não especialmente pelas despesas correntes (49% pelos impostos, 31% pelas despesas correntes e 20% pelas despesas de investimento);

2) A reforma das pensões, atrasada de dez anos e apenas para adiar a grande crise;

3) As energias renováveis, em fuga ao indispensável debate sobre o nuclear;

4) Algum ‘Simplex’, a gerar conflitualidade judicial proximamente.

Em 2009 continuaremos a ter a mesma economia que registou um crescimento anual médio de 0,0%, em dezassete dos últimos vinte e sete anos(1980-2007).

E não é previsível uma modificação, para melhor, a partir de 2009. Efectivamente:

1) As circunstâncias em Portugal podem agravar-se, com uma legislatura mais curta, a ausência de maiorias e divergências políticas mais acentuadas;

2) A crise internacional, de extensão ainda imprevista, tolherá o crescimento, aumentará o desemprego e poderá restringir drasticamente o acesso a financiamentos externos, único factor que nos tem permitido iludir os efeitos da debilidade econômica e manter um nível de vida que é artificial e será insustentável nos próximos anos;

3) A protecção social ressentir-se-á, em função dos crescentes e inevitáveis condicionamentos financeiros;

4) O clima social degradar-se-á. Este é um quadro incompleto, mas provável. É o produto da mediocridade estabilizada da nossa economia, que agora só se agrava, devido às circunstâncias internacionais.

Dito de forma mais crua: Portugal ficará outra vez entregue a si mesmo, sem sequer poder pretextar qualquer crise que disfarce as suas fraquezas. Não deve, por isso, manter-se a ilusão, pois os malabarismos nunca vencem as realidades. Sempre que assim se procede, aqui ou além, as coisas acabam mal.»

Para terminar aqui fica uma surpreendente explicação sobre a origem da crise financeira. Um certo humor britânico, legendado em português do Brasil…

Algarvio de Portugal, Lagos

PRESIDENTE URGENTE

In Internacional, Nacional on 02/01/2009 at 11:04 pm

pr200901011

EXCELENTE, A COMUNICAÇÃO DO PRESIDENTE CAVACO SILVA.
Abriu caminhos que são estreitos apenas por serem tardios. Esta parece-me ser “A” mensagem subjacente mais importante. Ou ninguém viu? A vontade?
O caminho que vi? Bem, será que a defesa da Constituição incapacitará o PR de poder ele próprio ser o garante da mudança, verificada a ingovernabilidade, promovendo-a quanto ao sistema político (não de regime, evidente/), sem fazer “borrón y cuenta nueva” mas sim recuperando o país, em cooperação estreita com os responsáveis pelo sistema judicial, da rapinagem estrutural feita em tão poucos anos (e on-going…?).
Não será a própria defesa da Constituição que o impõe?
Esta é A QUESTÃO.
Chegou o tempo das grandes decisões.
Sob pena de ninguém acreditar que podem ser os actores políticos que estão na origem do estado a que Portugal chegou os mais capazes de conduzir uma navegação nas águas turbulentas de que parece que só há 1 mês tomaram consciência (os indicadores publicados marcam o início da crise no 2º trimestre de 2007 nos EUA!!! (*1)).
É que tudo se passa como se da maior baixa-mar se tratasse, em que só quando a água baixar completamente se possa ver a totalidade da porcaria antes oculta. Pela água só?
É urgente ouvir o que Medina Carreira, Jacinto Nunes e Silva Lopes têm a dizer. Porque o tempo é de Mudança de Paradigmas. Do regresso a nós mesmos e partir para um novo tempo:

O QUE FOI PROMETIDO AO POVO DE  PORTUGAL há tanto tempo para tão pouco resultado.
Bom Ano? Pode ser!

citação do Comentário de J.B.Dlegs 2.1.2009 in Expresso

Veja e leia a Comunicação do PR aqui.

(*1)  ficheiro Adobe gratuito pronto a enviar, pedidos a webmaster.talefe@gmail.com

_______________________________

PORQUE É QUE IMPLORAR PELA REFORMA DO SISTEMA POLÍTICO AOS POLÍTICOS É O MESMO QUE PEDIR A REFORMA DO SISTEMA PRISIONAL AOS PRESOS (m.q. CIDADÃOS PRIVADOS DA LIBERDADE) ?

(brevemente…)

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Entretanto em 30.12.2008 o Senhor Presidente da República recebeu, em audiência, o Ministro das Relações Exteriores de Angola, Dr. Assunção Anjos, ex-embaixador do seu país em Lisboa, tendo-o condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

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Democracia & Internet

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 01/01/2009 at 5:34 am

EPIC 2014  – realizado em 2004 por Robin Sloan and Matt Thompson *

Uma História Futura dos Media. Ver e rever nestes tão cheios de incerteza, confusão e…de mudanças de paradigmas em todas as áreas de actividade. Também na Democracia Portuguesa e do que todos e cada um de nós quisermos que ela seja. Apesar de uma entrevista recente a que voltaremos nooutro dia.

Alguns números que ilustram a importância de um fenómeno que nos condicionará cada vez mais a todos. Para o melhor ou para o pior, só dependerá de ti.

AFINAL QUANTO TEMPO VAIS FICAR QUIETO E CALADO?

Participa! Se nunca o fizeste, O TALEFE pode ser o instrumento da tua primeira manifestação de opinião própria ou de partilha de experiências que tenhas como relevantes. Em qualquer tipo de formato: texto, audio, foto ou video. Escreve, grava, fotografa, filma e envia os ficheiros para webmaster.talefe@gmail.com .

A COMUNICAÇÃO SOCIAL ÉS TU. Mais cedo ou mais tarde !

Alguns números:

« 110 milhões  - Número de visualizações em 16 de Novembro dos 1.800 vídeos publicados no canal oficial de Barack Obama no YouTube. Nunca um candidato à Casa Branca tinha usado tão intensamente a web para fazer passar a sua mensagem. Foi também no YouTube que o Obama publicou, a 15 de Novembro, o seu primeiro discurso como presidente eleito. Em menos de 24 horas, mais de 500 mil pessoas já o tinham visto. “Yes, he can!” (fonte: YouTube)

8,5 milhões – Número de visitantes por minuto de sites noticiosos em todo o Mundo entre as 23 horas e a meia-moite de terça-feira, 4 de Novembro, dia das Eleições norte-americanas. Quando foi divulgado que Barack Obama era o grande vencedor, os sites de notícias bateram todos os recordes de visitas desde que este tipo de medições começaram a ser feitas, há três anos. Em situações semelhantes registaram-se três milhões de visitantes por minuto. O site do “The New York Times” recebeu um número recorde de 61,6 milhões de pageviews (páginas completamente transferidas para o computador do internauta) na quarta-feira, em comparação a 55,1 milhões no dia da eleição, segundo dados internos. O site do “The Washington Post” também bateu o recorde na quarta-feira, com 17,5 milhões de pageviews, sendo que no dia anterior havia registado 13,2 milhões. (fonte: Akamai).»

in Expresso (citação parcial)

Algarvio de Portugal, Lagos

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* recomenda-se o visionamento do video na página própria do post (clicar no título).

O saudoso vi ver

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 28/12/2008 at 3:26 pm

Aos cinco considerados Grandes Mestres da Terra Lusitana (Afonso Henriques, Camões, Infante D. Henrique, Pe. António Vieira e Fernando Pessoa) ouso acrescentar eu, que ninguém sou, agora mais Um, o tão celebrado mas tão esquecido Prof. Agostinho da Silva, de quem cito um urgente excerto de obra sua.

Não encontrou este humilde Algarvio de Portugal melhor pensamento que este para iniciar estas Cartas do Talefe, o qual, tão simplesmente, pretende convocar todos para a urgência de pensarem pela sua própria cabeça de modo a sobreviverem nestes tão confusionistas tempos de Mudança em que tão poucos insistem em tanto activa quanto inconscientemente subverter um dos valores fundamentais da existência humana:

A Liberdade.

«Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não são seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição, venha a pensar o mesmo que eu; mas, nessa altura. já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.»

Agostinho da Silva, in ‘Cartas a um Jovem Filósofo’

Os VIDEOS de Agostinho da Silva no YouTube:

Um Grande Português - Agostinho da Silva
Agostinho da Silva (Entrevista 1ª Parte - 1990)
Agostinho da Silva (Entrevista 2ª Parte - 1990)
Herman José entrevista Agostinho da Silva
Agostinho da Silva, Liberdade, Destino, Genética, Defeitos
Agostinho da Silva-Instruir,Educar,Reformados,Camões ePessoa
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