José Borba Martins

Arquivo de Outubro, 2009

PERIGOS DE UMA POLÍTICA IRRELEVANTE

In Local, Nacional, Regional on 28/10/2009 at 12:02 am

sardanya_bcn

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« Há momentos em que a espuma dos dias polariza todas as atenções. E há momentos em que esse facto acaba por ser, ele próprio, um óbvio problema.

Ora, como é patente, hoje, em Portugal, quase tudo é espuma. E, perante a espuma, surgem duas atitudes fundamentais. A atitude dos que determinam o registo e o conteúdo dos factos que ocupam o espaço público. E a atitude dos outros. No primeiro grupo, estão a maioria dos actores políticos e a maioria dos jornalistas e fazedores de opinião. No segundo grupo, está a generalidade da população anónima, espectadora tendencialmente passiva dos casos e dos ditos que os primeiros protagonizam, noticiam ou comentam.

Destas duas esferas de intervenção, nascem dois enfoques radicalmente distintos. Mas essa diferença essencial parece ser desconsiderada ou menorizada.

Os que fazem o espaço público não se fixam na distância que crescentemente os separa do universo de preocupações e interesses das pessoas comuns. Indiferentes a esse real, dialogam em circuito fechado, presos na lógica de um jogo cujos objectivos e regras só eles dominam. Os destinatários dos seus discursos e os intérpretes dos seus movimentos são eles próprios. Cada vez mais, apenas e só eles próprios.

A política e a crónica que dela é feita estão a alhear-se da dimensão concreta da vida das pessoas. Há um divórcio substantivo e profundo acerca da (ir)relevância relativa das coisas. Questões menores e circunstanciais, que na política e nos jornais que a alimentam assumem foros de temas magnos, são desprezadas pelo jovem que quer prosseguir os seus estudos, pelo empresário que quer redireccionar o seu negócio ou pelo casal que quer constituir família. A quem tem uma vida para decidir ou um futuro para construir, a maior parte do que ocupa a política e os que dela tratam não interessa absolutamente nada.

Se é certo que a política é poder, também é verdade que não é apenas poder. No entanto, entre nós, a política tem sido, quase exclusivamente, disputa e discussão do poder. A política das ideias e dos projectos de transformação da sociedade, essa, tem ficado na sombra, preterida, esquecida, adiada. De resto, quando parece assomar, logo se revela instrumental. Por cá, muito mais do que ‘o quê’ ou o ‘para quê’, importa a questão central do domínio do poder – a verdadeira excitação da política à portuguesa está no ‘quem’.

Ora, uma política que se faz assim corre riscos imensos. O alheamento da população e a sua decorrente incapacidade crítica favorecem o triunfo de propostas populistas. O fechamento do círculo dos interlocutores e a entropia do seu discurso potenciam o perigo da demagogia. A fulanização das opções retira alcance material ao acto de escolher ao mesmo tempo que encerra os protagonismos numa lógica próxima das obediências nas sociedades secretas.

Não será tempo de emendar a mão? »

SofiaGalvao2


SOFIA GALVÃO

in Expresso, 24. Outubro. 2009

(bolds da responsabilidade do TALEFE)

AUTÁRQUICAS LAGOS 2009: DESIGUALDADE, DESINTERESSE E DESCONFIANÇA !

In Local, Regional on 26/10/2009 at 9:11 pm

socratesliberdadedeimprensa

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Parabéns ao PS-Lagos e a Júlio Barroso pela sua vitória (lógica…) nas eleições autárquicas de 11 de Outubro de 2009, de que resultaram 5 mandatos para o PS e 2 mandatos para a Coligação PSD/CDS, liderada por Nuno Marques.

Sem pretender evidentemente pôr em causa a maior vitória do PS em Lagos em eleições autárquicas – ainda para mais por uma diferença de  4642 votos Vs. coligação PSD/CDS num universo de 12891 votantes e de 22479 inscritos – considero que  uma das perspectivas que interessa reter destas eleições autárquicas é a que mostra os resultados calculados tendo como base 100% dos eleitores inscritos. Que passo a transcrever da blogosfera local:

2009 Vs. 2005
ELEITORES INSCRITOS 100% (22479 Vs 20928).
ABSTENÇÃO 42,7% Vs 37,3% (9588 Vs 7802).
PS 34,9% Vs 31% (7855 Vs 6498).
PSD/CDS 14,3% Vs 23,7% (3213 Vs 4959).
CDU 3,3% Vs 4,9% (744 Vs 1027).
BE 2,6% Vs 1,2% (595 Vs 241).
MPT 0,4% Vs – (94 Vs -).
OBN 1,7% Vs 1,9% (390 Vs 401).

As variações em val. absolutos foram as seguintes:
ELEITORES INSCRITOS + 1551.
ABSTENÇÃO +1786.
PS +1357.
PSD/CDS -1749.
CDU -283.
BE +354.
OBN -11.

Desta perspectiva dos resultados, que alguns tão basicamente referem como um 5-2, como se um simples jogo de bola se tratasse, retiram-se algumas dados quantitativos inquestionáveis:

a) A soma dos votos nas duas principais candidaturas não chegou nem a metade dos votantes inscritos… (49,2%) !

b) A abstenção subiu mais que o acréscimo global dos eleitores inscritos!

c) A soma dos votos  CDU+BE+MPT (1433) ficou 118 votos abaixo do acréscimo de votantes inscritos!

d) A votação em OBN (Outros, Brancos e Nulos) embora praticamente igual Vs. autárquicas 2005, decresceu -142v. e -310v. Vs. legislativas e europeias 2009, respectivamente. Este dado pode parecer desprezível mas parece conter uma ténue tendência de retorno da cidadania para uma intervenção no âmbito partidário. Que o tempo dirá se é significativa, mas que ninguém, qualquer que seja a sua opção política, negará desejar ser mais consistente no futuro. O que é certo é não depende apenas dos Cidadãos, depende principalmente dos Partidos Politicos.

e) É muito curioso significativa a análise por adaptação do método sugerido pelo Prof. Campos e Cunha (ex-Min. Finanças do anterior governo PS…). Fazendo-se uma distribuição de mandatos pelo mesmo método de Hondt mas com base no total de eleitores inscritos constata-se que os resultados para a Câmara Municipal seriam os seguintes:

1º) Abstenção+OBN: presidente da câmara e 3 mandatos;

2º) PS: 3 mandatos;

3º) Col. PSD/CDS: 1 mandato.

O mínimo que se pode pedir é que todos os Cidadãos agora reconduzidos ou em novas funções tenham consciência desta realidade primeira ao entrarem em quaisquer salas de reuniões autárquicas! Esta é uma das mais nítidas fotografias desta democracia e do sistema político-eleitoral que temos. Que nenhum sistema eleitoral consegue iludir.

Deste pequeno conjunto de dados ressaltam várias realidades – da Bipolarização à Pessoalização – passando pela velhíssima questão do Unanimismo e ainda por uma outra série de factos que tive – como tantos outros Cidadãos -  o ensejo de testemunhar no decurso da campanha eleitoral.

Mas há uma realidade eleitoral muito complexa, em permanente mutação e em crescendo, que quase toda a gente tem como “fatalidade normal”. Que parece conter todos os sinais de confirmação da gravíssima realidade da vida da Democracia em Portugal:

A ABSTENÇÃO

Embora a Abstenção possa parecer menos grave ao nível local, dada a Bipolarização (que  aqui  se acentuou divergindo da tendência verificada 15 dias antes, nas legislativas) e a clareza dos resultados, o facto é que o fenómeno da Abstenção em Lagos é tão grave ou pior que a nível nacional.

Entre outras coisas, porque  cresceu na nossa dimensão local, que é menor, mas também porque literalmente não existiu qualquer debate político, porque a exposição mediática foi claramente manipulada e gritantemente desigual a favor do candidato vencedor (*1). E ainda porque a sua “côr política” é a mesma da do poder central e porque a capacidade de “mobilização” da candidatura vencedora foi o que toda a gente sabe e viu

Não era caso para tanto. Até porque, de facto, como é do conhecimento geral, nenhum presidente re-candidato perdeu em Lagos as eleições para um 3º mandato…

Será que o sistema de pensões dos políticos é socialmente justo e um factor de qualidade da nossa democracia? Ou a dignidade dos ex-políticos é um valor maior do que a dignidade dos cidadãos comuns, titulares primeiros do poder político que delegam nesses seus representantes políticos?

Mas voltemos ao tema. Descontado o lixo dos dados obsoletos, duplicados e incorrectos que sempre existem em qualquer base  – elementos que no caso de Lagos até estarão num nível residual porque foi feita uma limpeza recente – tudo indica que este nível de abstenção continua a ser um sinal claro de um desinteresse geral pela Política. Mas não resulta exclusivamente desse alheamento. Essa é apenas a explicação simples e conveniente às minorias sucessivas que vão detendo o poder.

Desde logo, seria interessante saber qual a composição desta variação global dos eleitores inscritos, ou seja quantos são os primeiros votantes, quantas são as transferências de residência, qual o número de “abates”, etc. mas tanto esses com outros dados analíticos que automaticamente poderiam ser obtidos e disponibilizados à cidadania em geral bem como a todos os partidos… não se encontram disponibilizados.

Por outro lado, dispondo-se de tanta tecnologia ainda não foram cruzados os dados dos cidadãos que têm residência eleitoral e real em locais diferentes, resolvendo-se adequadamente esse tipo de “abstenção”.

Sem querer entrar em tecnicismos despropositados acerca deste vivíssimo tema que é a Abstenção, temos que

1) em termos gerais:

1.1) tal como o declínio da participação eleitoral em Portugal a partir dos anos ‘80 parece sugerir, a abstenção pode ser interpretada como um sintoma de “normalização” da vida política, indicativa de uma satisfação implícita com o funcionamento regular das instituições democráticas. Nesta perspectiva, altas taxas de abstenção não são de todo incompatíveis com as condições da democracia representativa, desde que resultem de um contexto de iguais oportunidades para a participação e permitam a competição entre as chamadas elites políticas.

Poderá parecer, mas não é esta a realidade. Nem em Portugal nem em Lagos, como já quase todos percebemos.

1.2) por outro lado, a abstenção pode também ser vista como sintoma de uma violação das condições da democracia, especialmente quando a participação eleitoral reflecte desigualdades sociais estruturais, como as que separam indivíduos pertencentes a diferentes classes sociais, níveis de rendimento ou graus de instrução. Neste caso, uma abstenção mais elevada por parte dos sectores mais desfavorecidos da sociedade indicaria uma desigual capacidade para influenciar a tomada de decisões políticas e, logo, uma real desigualdade política, muito susceptível de contribuir para a reprodução de desigualdades sociais.

Não será já esta a nossa realidade colectiva predominante? Será tal realidade compatível com as tão sistematicamente verbalizadas e politicamente correctas “profissões-de-fé” pelo combate às desigualdades sociais e pela justiça social  que logo desaparecem na semana seguinte às eleições para continuar a manter – insustentavelmente a prazo – uma sociedade inteira que volta a emigrar, agora espartilhada nessa fatal sequência centralista inominável que é o “saca-empobrece-subsidia e não te mexas muito” ao som das velhas mas tão actuais músicas de Abril?

Se bem que nada nesta vida seja a preto e branco, fica ao critério de cada Cidadão de Lagos  saber no seu dia-a-dia com qual destas duas hipóteses científicas se vai identificando mais claramente a nossa realidade sem esquecer, concretamente, aquela em que tiveram lugar as eleições autárquicas de 2009.

2) em termos individuais:

2.1) os estudos objectivos sobre a Abstenção que utilizam dados a nível individual têm relacionado o comportamento abstencionista com 3 ordens de factores:

2.1.1) os indivíduos que dispõem de maiores recursos têm também maior capacidade e propensão para exercer o direito de voto. E também uma maior capacidade de investimento pessoal na participação política em geral, e na participação eleitoral em particular.

Quem teve e como foram utilizados os maiores recursos, designadamente os públicos, e a maior capacidade de “mobilização” de pessoas em Lagos em período pré-eleitoral e eleitoral?

2.1.2) o segundo factor explicativo da abstenção diz respeito ao grau de integração social: maior integração social tende a gerar maiores níveis de participação eleitoral. Integração social significa, a este nível, intensidade de contactos interpessoais que fornecem informação sobre temas e candidatos, exposição a estímulos favoráveis à participação e envolvimento com a comunidade afectada pela tomada de decisões políticas.

Pode dizer-se que sem comunicação social independente, nem sequer uma estação de rádio, Lagos seja uma comunidade socialmente integrada e democraticamente sã? Não serão estes pormenores potenciadores de desagregação social, ainda para mais em ambiente de forte recessão?

2.1.3) Em terceiro lugar, a participação eleitoral tem sido relacionada com as atitudes e valores políticos dos indivíduos. Mesmo que os eleitores disponham de elevados recursos económicos ou educacionais, os seus valores e atitudes podem predispô-los a aplicar esses recursos noutras actividades que não a participação eleitoral (e o inverso, obviamente, também é possível).

Em grande medida, esta linha de investigação acerca da abstenção é devedora da chamada abordagem sócio-psicológica do comportamento eleitoral, que pela primeira vez tratou o voto como função de orientações valorativas estáveis em relação ao poder político. A mais importante das orientações analisadas pela abordagem sócio-psicológica é a ‘identificação partidária’: o facto de os indivíduos se identificarem com um determinado partido político contribui não só para os orientar face à complexidade das mensagens e estímulos políticos, mas também para os deixar mais susceptíveis aos esforços de mobilização por parte dos partidos.

Quanto a Lagos em concreto, como funciona eleitoralmente a dependência individual do Estado, seja ao nível do Emprego das Famílias ou na Actividade das Empresas? Como factor de integração social e/ou como factor de castração democrática da participação cívica dos Cidadãos reflectindo-se na abstenção? E em que medida?

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O que se viu nas 3 eleições de 2009 foi uma espécie de abanão no sistema partidário, com o disparo do BE nas legislativas a introduzir um acentuado factor de imprevisibilidade nas autárquicas. Que conduziu a atitudes desesperadas por parte de alguns candidatos como forma de se defenderem das mais cruzadas alterações do sentido de voto.  Terá Lagos sido uma excepção à regra?

Vieram logo os “comentadores de serviço” identificar o sucedido com o conveniente argumento da “grande sabedoria do povo português”, nenhum referindo a gravíssima falta de informação e de meios para a difundir, chegando-se ao pormenor estratégico de se fazer tratar a campanha para as autárquicas nos chamados grandes media prolongando a visibilidade mediática num desfile centralista dos líderes partidários nacionais, sufragados quinze dias antes nas legislativas… Em período de campanha para eleições autárquicas?

Quem tem ainda dúvidas de que o fluxo de informação é gerido selectivamente pelo poder central através de uma complexa teia de lobbying de comunicação, de resto uma actividade ainda não regulamentada em Portugal?…

Quanto aos candidatos municipais, o que vimos espantados foi um tratamento da informação como se apenas 4 ou 5 autarquias existissem em Portugal: Porto, Gaia, Lisboa, Oeiras e pouco mais… o que é evidentemente grave no caso particular da estação de comunicação social do Estado (RTP).

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Para terminar, a questão da CONFIANÇA. Afinal, a quem serve a Abstenção? Será que serve a ganha e prejudica quem perde? Ou é um dos mais graves sintomas – juntamente com a Economia e as Finanças – da gravíssima desadequação de todo um sistema político-eleitoral? Porque é que ninguém quer ouvir nos grandes media a este respeito o que pensa o filho do constitucionalista Jorge Miranda, um dos “pais da Constituição de 1976″, também ele um emérito constitucionalista?

Dizem os especialistas que ver a Abstenção como uma expressão de confiança nas instituições é uma interpretação que também não resiste à análise empírica.

Há, de facto, uma relação entre o grau de Confiança nos poderes públicos e a Abstenção. No entanto, essa relação é negativa, e não positiva.

Por outras palavras, independentemente do interesse dos indivíduos na política ou do seu alinhamento ou desalinhamento partidário, a probabilidade de os eleitores se absterem nas eleições diminui tanto mais quanto maior for o seu nível de confiança nas instituições políticas.

Se, do ponto de vista sócio-demográfico, a Abstenção é fundamentalmente determinada pela idade e pelo grau de isolamento familiar e, indirectamente, pelo estatuto sócio-económico, sociedades em processo de acelerado envelhecimento e de modernização económica e educacional deveriam exibir, no máximo, um aumento ou, no mínimo, uma estabilização da participação eleitoral.

Contudo, o seu declínio sugere-nos que a chave para a compreensão do fenómeno da abstenção em Portugal e em Lagos está em mudança nas atitudes políticas que atravessam todos os estratos sociais, económicos e educacionais: o desalinhamento partidário e a diminuição da confiança em relação ao sistema político.

Assim, e no caso concreto dos dados eleitorais de LAGOS 2009 resulta a constatação do AUMENTO DA DESCONFIANÇA nas Instituições, quer nas Legislativas/Assembleia da República (40% Vs 36%), quer nas Autárquicas/Câmara Municipal (43% Vs. 37%).

Já nas Europeias/PE  a Abstenção manteve-se em 2009 ao nível de 2005 (65%…).

Será que o tão manifesto autismo interesseiro da classe política nacional não evoluiu já para uma espécie de patologia infecto-contagiosa ao nível regional e local de consequências imprevisíveis aos níveis social e financeiro da nossa comunidade local?

Será que só vamos perceber o erro estratégico em que navegamos quando a moeda e os patrimónios perderem o seu valor ou quando vier uma organização internacional qualquer “salvar” Portugal da falência, para substituir o centralismo de Lisboa por outro qualquer de origem geográfica diferente? Não estaremos já nessa situação, sem que tal seja do conhecimento da generalidade dos Cidadãos e até da maioria dos políticos locais e regionais?

Ou será que o caminho indecente e claramente anti-ético que a Política leva em Portugal – até com estratégias notoriamente anti-constitucionais promovidas por quem jurou defender a Constituição… -  é já um caminho sem honra nem glória ou até sem retorno? Qual é o limite?

Tiveram, têm e esperemos que sempre possam ter no futuro a palavra todas as Cidadãs e Cidadãos que votaram e votarão, ou que não votaram e serão livres de o continuar a fazer…

A Democracia não se esgota no voto. Ou é permanente e transparente ou não é uma Democracia. É outra coisa…

Por todo o exposto, espero sinceramente que o dia 11 de Outubro de 2009 não se venha a revelar num futuro não muito distante como um dos dias mais negros da história recente da nossa querida Cidade.

É que tudo indica que já germinam – também entre nós – as sementes de uma evolução do Desinteresse para a Desconfiança levando um número não desprezível de Cidadãos para um novo estádio dual, perigosíssimo do ponto de vista da Paz Social em geral e da Democracia participativa em concreto: o oscilante estádio Desamor/Indignação, alternante em função dos níveis de conhecimento dos factos, de qualificação e das origens e evoluções dos rendimentos de todos e de cada um. Com as mais imprevisíveis evoluções…

Juntam-se meia dúzia de perguntas adicionais:

Quanto Tempo pode aguentar o Estado a subsidiar as Empresas e as Famílias com quedas brutais  (senão zerificação…) das facturações e dos rendimentos?

Será financeiramente sustentável e socialmente justo o sistema actual de Pensões (simples/múltiplas) e de Remunerações da Função Pública? E o dos Políticos é sustentável a todos os níveis?

A quem em concreto, e a que grupos organizados secretamente, é inconveniente a legislar a “inversão do ónus da prova” para os crimes de Corrupção e Enriquecimento Ilícito, como há anos – senão décadas – vêm pedindo os sucessivos mais altos responsáveis do Poder Judicial? Porque é que os Partidos Políticos representados na Assembleia da República e os sucessivos Governos não dão sequência a essa necessidade simples e elementar para que a moralidade e a justiça sejam repostas como muito bem disse J. Sampaio há 4 anos?

Porque se oculta esse dado real fundamental que evidencia que, do total das chamadas PME’s, apenas 20% são rentáveis e deverão poder sobreviver num futuro próximo?

Como qualificar o facto de se reavaliar – multiplicando entre 5 e até 15 vezes mais… – as bases fiscais dos pequenos patrimónios quando o imobiliário desceu mais de 20%, e continua a descer?

Quem pode garantir em qualquer nível que “o feitiço não se vira contra o feiticeiro” neste estado a que chegámos de modo imprevisível e tanto mais rapidamente quanto maior fôr a morosidade na nossa recuperação económica efectiva?

Responda quem sabe, pode e tem o dever de responder!

O que para mim é claro como a água é que os 3D’s que caracterizam a nossa realidade colectiva hoje são a DESIGUALDADE, o DESINTERESSE e a DESCONFIANÇA !

Bem distantes dos outros 3 D’ de há 35 anos. Para quem deles se esqueceu, eram DESCOLONIZAR, DEMOCRATIZAR e DESENVOLVER

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JOSÉ BORBA MARTINS, Lagos-Algarve

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Nota: apoiei publicamente a candidatura autárquica de NUNO MARQUES pela coligação PSD/CDS, em cuja campanha eleitoral participei livre e diariamente com toda a convicção.  Algumas das razões do meu apoio estão acessíveis aqui.

Participei como independente, uma vez que formalizei a minha adesão ao PSDPartido Social Democrata/Algarve em 13 de Outubro de 2009.

Tomei esta decisão porque ainda identifico condições – embora muito difíceis – para conseguirmos sair desta descrença colectiva que nos vem sendo induzida “alternadamente” por uma espécie rara de Kuomintang Centralista de cujo lindo serviço resultou a realidade agonizante de Portugal e do nosso actual sistema político.

Porque ainda acredito sinceramente na possibilidade de transformar positivamente, a partir dos partidos políticos, uma realidade insustentável, falida e eticamente apodrecida que atingiu já um inesperado(?) e crescente grau de decomposição social. Porque não quero que a minha terra algarvia seja pasto de fenómenos de “shaker democracy” que infelizmente parecem prováveis e até já ocorreram noutras paragens.

Porque entendo que estimular os nossos Concidadãos política, social e financeiramente desalinhados, descrentes e/ou “condicionados”… para uma maior participação na vida activa partidária ao nível local é urgente não apenas dos pontos de vista pessoais concretos de todos e de cada um que desaguarão (ou não) na manutenção da paz social em níveis aceitáveis, como do ponto de vista da própria qualidade e sobrevivência da  nossa Democracia.

Por Lagos, pela Regionalização do Algarve e frontalmente contra os Centralismos manipuladores da nossa Liberdade Económica, política e socialmente ilegítimos, que  sistematicamente nos ignoram e impedem o nosso desenvolvimento integrado, integrador e plural, diversificado, sustentável e, condição essencial, que seja concretizável de modo livre desses paternalismos centralistas e sacadores sistemáticos da nossa querida Terra Algarvia.

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(*1)

- o estranho desaparecimento dos media locais independentes ‘Notícias de Lagos’ e ‘Canallagos’ (online);

- a presença do Candidato PS no programa TVI24 “Portugal Português” de 12 de Julho de 2009, conjuntamente com dois outros autarcas-candidatos algarvios (de Lagoa e de Faro);

- a coluna de opinião semanal do Candidato PS no jornal “Correio da Manhã”, tendo chegado ao ponto de inserir no texto do artigo intitulado “Verão Total” de 7 de Agosto de 2009 nada mais nada menos que o próprio “slogan” eleitoral da sua candidatura… (c/os artigos no próprio site da campanha);

- o inqualificável programa televisivo da manhã de 24 de Agosto (24…) que, por (in)feliz coincidência teve o mesmo nome que um dos artigos da coluna no CM…;

- o extraordinário e atabalhoado anúncio do Governo Central PS (via ARS Algarve) de um “hospital ligeiro” para Lagos a 32 dias das eleições, que ficou conhecido como “hospital de campanha”;

- o verdadeiro atentado ao carácter de um candidato da coligação PSD/CDS (Manuel Matos, J. F. Luz) acusando-o de ser um ex-recluso, acusação falsa como o próprio se viu forçado a demonstrar documentalmente por entrega de prova irrefutável na própria C. M. Lagos;

- a recusa do candidato PS Júlio Barroso em participar em debate nos termos do convite da AlgarveMaisTV (as duas frequências-rádio de Lagos estão em silêncio…); a que se seguiu a montagem de uma tentativa de entrevista escrita e manipulada politicamente por parte de Guedes de Oliveira do Correio de Lagos  – também conhecido na cidade como o “Correio da Câmara” -  ao Candidato Nuno Marques. Que, obviamente, a recusou.

(este foi um dos pormenores mais significativos da campanha – e actuais – porque acabou por se assumir, afinal e da parte de um orgão disfuncional da comunicação social lacobrigense, como a mais clara confissão de ser uma verdadeira “fábrica de notícias e entrevistas a pedido”. Numa iniciativa ainda por cima assinada pessoalmente pelo seu Director…  Mais ainda, como se isso não bastasse, o facto revelou-se ainda como um inesperado “tiro no pé” por parte do candidato J. Barroso, promovido pela sua própria equipa eleitoral. Porque ao publicar, no seu site de campanha, uma simplesmente lúcida não-aceitação por N. Marques de tal “entrevista orientada” como argumento a seu favor, acabou por confessar implicitamente a origem de uma manipulação política continuada que vem espartilhando há anos o que ainda resta da imprensa escrita em Lagos. Após esta observação a publicação de tal argumento foi retirado do site de campanha do Candidato PS… que, assim, reconfirmou o argumentado. Não havia necessidade…)

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nota: para a escrita deste post contribuiram vários intervenientes na campanha eleitoral autárquica de 2009, directamente ou na mais simples qualidade de Cidadãos e foi redigido com recurso a trabalhos existentes e outros posts de vários blogs que, pelo seu número, não são aqui referidos em detalhe. Agradecimentos a todos.

AUTÁRQUICAS 2009: CONCLUSÕES.

In Local, Nacional, Regional on 19/10/2009 at 4:28 pm

Economia Portuguesa: 1900-2010

Economia Portuguesa: Variação % PIB 1900-2010

«As conclusões sobre os resultados das eleições autárquicas de 11-10-2009, sem a ambição de ser exaustivo:

    1. Como disse, verificou-se a supremacia do efeito de contágio (aquilo que chamo «efeito Bernardino»): maior abstenção dos desiludidos das eleições legislativas, e perdedores nas sondagens autárquicas, e maior afluência ao sufrágio dos simpatizantes do partido vencedor. Essa supremacia sobre o «efeito do coitadinho» é limitada, em alguns estudos científicos, já aqui referidos, avaliada em 4%, mas tem relevo.

    2. Preponderância do juízo de eficácia governativa local sobre as suspeitas, acusações e condenações de corrupção. O axioma «roubo, mas faço» (slogan atribuído a Ademar de Barros, governador e prefeito de São Paulo nos anos 40-60). Trata-se de uma tendência actual egoísta do eleitor, já verificada noutras eleições: o eleitor sublima o juízo moral sobre os candidatos, com a desculpa íntima de que são todos iguais, e tende a preferir o candidato que lhe garanta maior bem estar individual. Essa tendência egoísta actual confirma-se nas urnas, independentemente do grau de instrução dos eleitores ou da notoriedade da alegada corrupção.

    3. A preferência egoísta pelo candidato que garanta maior bem-estar individual imediato também se tinha verificado nas eleições para a Assembleia da República e segue um padrão em vigor na sociedade actual. Até à falência do sistema, e num ambiente de medo económico, desigualdade de rendimentos e pressão de consumo, o eleitor tende a optar pelo candidato que julgue lhe vai garantir o seu salário, a sua pensão, o seu subsídio. Seria muito interessante fazer um estudo de mercado para validar a hipótese de que a maioria do funcionalismo público não-docente, dos reformados, dos beneficiários do rendimento social de inserção e grande parte dos beneficiários do subsídio social de desemprego e do subsídio de desemprego, além dos eleitores socialistas fiéis, votou PS na eleição para a Assembleia da República, de 27-9-2009.

    4. A preferência política pelo assistencialismo: a resposta do eleitor à depressão económica. A ideologia socialista é maioritária neste momento em Portugal e, arrisco dizer, nos países da mesma condição.

    5. A importância da política de costumes na decisão do eleitor tem menos importância geral nesta época de crise económica profunda, mas é decisiva para muitos eleitores que consideram essas regras como condicionadoras do seu bem-estar individual e do seu estilo de vida, principalmente os mais jovens. Tal como nos EUA, quem procure hoje, no nosso País, uma alegada «maioria moral» já não a encontra. Portanto, a política viável é a afirmação de que não é legítimo impor uma ordem axiológica radical a toda a sociedade que implique o castigo da família, a punição do trabalho, a insegurança no espaço público e a permissividade da criminalidade.

    6. A muito fraca implantação local do CDS-PP e Bloco de Esquerda, que não conseguiram repetir nas autárquicas os resultados nacionais.

    7. O carácter decisivo da comunicação na formação da preferência do eleitor: na notoriedade e no prestígio. É muito difícil ganhar uma eleição em municípios de relevo nacional (como Lisboa, Porto e outras grandes cidades) quando o número de inserções positivas nos media tradicionais (televisão, rádio e imprensa escrita) sobre os candidatos socialistas e inserções negativas sobre os outros candidatos é enorme face às que os beneficiam – Moita Flores em Santarém, pela circunstância do apoio pessoal a José Sócrates, foi a excepção a esse enviesamento mediático. Sem meios de comunicação, é quase impossível ganhar. Portanto, tem de haver uma batalha pelos meios, antes da luta eleitoral.

    8. A resistência dos autarcas de trabalho e consequência à dinâmica eleitoral nacional

    A. B. Caldeira, Portugal Profundo,  16.Out.2009

    Citação sugerida por A. Lopes, Barão de S. João.

O FIM DA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA E A INTERNET

In Local, Nacional, Regional on 19/10/2009 at 3:50 pm
democracia4xjimagem picada daqui

Alguns destaques do artigo de Ricardo Jorge Pinto, O fim da democracia representativa?:

«Numa democracia representativa, as pessoas escolhem políticos para tomar decisões por elas. Mas as sondagens mostram que os cidadãos cada vez acreditam menos nos políticos que os representam. Alguns teóricos falam mesmo numa crise da democracia representativa e começam a proliferar experiências de formas de democracia participativa

«Os media tradicionais foram molas impulsionadoras das democracias em que hoje vivemos. Imprensa, rádio e televisão têm sido espaços privilegiados para a formação de uma opinião pública que legitima um regime em que alguns poucos tomam decisões por muitos. Talvez os novos media (de que a Internet é a face mais visível) sejam o elemento catalizador para uma mudança em que todos os cidadãos sejam motivados a participar nas decisões comuns

«O consultor político norte-americano Dick Morris (que trabalhou de perto com o ex-presidente Bill Clinton) está convencido de que a Internet pode ser a resposta a esta crise das democracias representativas. No livro intitulado “Vote.com”, este especialista diz que as novas tecnologias da comunicação estão a inventar uma nova era política, a da democracia directa. A interactividade dos computadores e dos telemóveis permitirá aos cidadãos exprimirem-se de forma instantânea sobre as mais diferentes matérias de decisão, influindo nos centros de poder.»

«Barack Obama usou as redes sociais da Internet para recolher milhões de dólares para a sua campanha presidencial, mas para isso teve de ceder competências de organização a grupos de cidadãos que o ajudaram na sua eleição.»

«O historiador Michael Schudson diz que “se os novos media digitais vão ser integrados numa nova democracia política, eles devem ser ligados a uma séria compreensão da cidadania, e isso não acontecerá se simplesmente reciclarmos a velha noção de cidadãos informados”. Isto é, as mudanças previsíveis vão implicar rupturas profundas, no perfil do político mas também do eleitor, por via das ferramentas com que ambos se vão relacionar

«A web permite a emergência de líderes novos, que por sua vez aproveitam a força da rede para reunir apoios, financiar campanhas, mobilizar a sociedade. No mundo pré-YouTube, Obama teria sido eleito? Claramente não. Nem Ségolène Royal teria vencido as primárias do seu partido sem o seu blogue “Désir d’Avenir”, onde criou uma rede descentralizada de apoio.»

«A web não é a democracia directa, mas sim uma melhor democracia representativa; com mais responsabilidade e exposição em tempo real. Cria novos mediadores e reforça o papel dos agentes políticos que forem capazes de orquestrar a inteligência colectiva – o futuro pertence-lhes. Põe enorme pressão sobre estruturas `comando e controlo’, típicas do mundo pré-web. O seu cariz distribuído faz da web a por mais que o poder tradicional a tente controlar. Cria uma nova legitimidade, baseada na transparência, na colaboração e na participação.»

A propósito:
Web fundamental para os eleitores até 30 anos.
Revolução digital e jornais.

Fonte: OLHO DE FOGO

VOTAR NUNO MARQUES POR LAGOS COM TODOS !

In Local, Regional on 09/10/2009 at 11:52 pm

Terminou esta noite uma difícil, estranha e também muito gratificante campanha eleitoral autárquica, marcada por um episódio grotesco quanto à marcação do local do último evento da campanha, diferendo ridículo felizmente decidido a tempo por uma intervenção impositiva de sorteio por parte da CNE junto da CML nos termos da lei…

A campanha autárquica de LAGOS, em que integrei livre e voluntariamente o apoio à candidatura de NUNO MARQUES à Presidência da Câmara Municipal de Lagos nas eleições que se disputam depois de amanhã, dia 11 de Outubro de 2009, pela coligação

POR LAGOS, COM TODOS !

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Serei breve, porque são impossíveis de descrever em poucas palavras, mas também inesquecíveis, todas as  situações concretas que foram vividos diariamente por todos os candidatos da coligação, pelos voluntários que os acompanharam e pelas Cidadãs e Cidadãos que espontaneamente quiseram juntar-se às mais diversas acções de campanha de que destaco os contactos porta-a-porta, a distribuição de  suportes de comunicação e a afixação de meios publicitários em todas as freguesias do concelho de Lagos.

Tudo feito com reduzidíssimos meios – esta foi das campanhas mais baratas de sempre em Lagos – mas com uma essencial, genuína e verdadeira vontade de difundir a nossa alternativa de governo para a Cidade, exercendo assim o nosso direito à diferença em condições particularmente graves do ponto de vista democrático, como é do conhecimento geral.

Pude confirmar no terreno a grande descrença na política e nos políticos em geral, mas também uma assinalável correcção apesar de uma evidente e envergonhada desilusão com a situação actual.

Existe muita vontade de renovação da esperança por parte de Cidadãos de todos os quadrantes políticos e muito interesse em escutar novas ideias concretas vindas de novos actores políticos.

Afinal, ao contrário do que os iluminados garantem mais ou menos abertamente, o problema político português, que se revela na mais gritante falta de qualidade da nossa Democracia, não está, definitivamente, no nosso generoso e pacientíssimo Povo. Resta saber até quando…

O nosso problema político está na falta de Confiança dos Cidadãos perante o verdadeiro descalabro nacional que todos vêem e calam. Existe ao nível legislativo e ao nível do sistema de Justiça, donde deriva essa falta de qualidade. Quase tudo pode acontecer e quase tudo pode fazer-se à sombra da política. Desde que tudo seja feito de modo formalmente inatacável, ninguém é responsável por nada e tudo é possível. Até porque a inversão do ónus da prova, designadamente ao nível do crime de enriquecimento ilícito, como frequentemente é solicitado pela mais alta magistratura, sistematicamente nunca assumiu força de lei na Assembleia da República…

O problema-chave está, portanto, no controlo invisível (?) que é exercido sobre os partidos políticos em geral e sobre a sua acção política. Centralmente, a partir de Lisboa !  Mas também com seguidores imitatórios regionais e locais, estruturais e pessoais. Está na falta de capacidade de regeneração dos partidos políticos em geral, e mais concretamente dos partidos do chamado “arco do poder”, que se comportam como verdadeiros elefantes glutões e macrocéfalos – e tão frequentemente acéfalos… – preferindo os sucessivos grupitos dos seus minoritários controleiros legalistas de serviço quase sempre mudar as ansiosas moscas que se vão pondo a jeito, de modo a manter sempre o mesmo tipo de ideias-chave vendidas num embrulho de falsos e ultrapassadíssimos dualismos característicos da política do passado que descambam sempre no mesmo: um brutal saque ao erário público, por via do negocismo e do falso e encenado debate político, com raríssimas excepções quase sempre a funcionar como um gigantesco biombo para os mais secretos  e inconfessáveis interesses financeiros, penalizadores da generalidade dos Portugueses. O que, ainda para mais e como facilmente esta crise mundial demonstra, é contraproducente até sob o ponto de vista desse tipo de interesses.

Chegamos pois ao final da 1ª década do séc. XXI com um défice público de 100% do PIB e com quase 7 em cada 10 portugueses a dependerem directa ou indirectamente do Estado…

Quero no final desta campanha que já se consubstanciou num inesperado sucesso em vários aspectos, e tão resumidamente quanto o tempo mo permite, explicitar aqui porque apoio a candidatura de Nuno Marques e da Coligação ‘Por Lagos com Todos’ à Câmara Municipal de Lagos, bem como a todas as Juntas e Assembleias de Freguesia.

1. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque a Democracia não existe quando se resume a fazer eleições de 4 em 4 anos, quando ainda há “políticos” que pensam que os programas eleitorais não servem para nada – que ninguém os lê – ou quando os cargos políticos aos quais se concorre são  assumidamente tidos como “prémios de carreira” para as pessoas da “situação”, de modo a atingirem a primeira ou mais uma pensão vitalícia.

2. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque a Liberdade e a Democracia, o Pluralismo, a Transparência e a Justiça não são, nem podem ser tratadas diariamente como se fossem incompatíveis entre si.

Mas também porque esses  conceitos e práticas fundamentais também não são incompatíveis uma administração pública autárquica ao serviço de todos os Cidadãos de Lagos e, muito menos, com Finanças Públicas Autárquicas geridas de modo responsável, com rigor e muito respeito pelo dinheiro dos outros Concidadãos. Nem em tempos ditos “normais”  quanto mais  diante desta monumental crise global que todos sem excepção sentimos e vivemos e que ninguém pode honestamente dizer quando terminará.

(O que sabemos da história económica é que as crises anteriores mais recentes e de menor dimensão duraram entre 2 e 5 anos e que, por outro lado, a economia japonesa está há praticamente 20 anos numa situação intermitente entre estagnação económica e ténue crescimento, tendo passado os primeiros cinco deles a lançar dinheiro sobre os seus problemas estruturais sem sucesso…)

3. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque o volume e a gravidade da informação que, concretamente ao longo dos últimos 4 anos, foi chegando ao meu conhecimento das mais variadas fontes  e origens geográficas é verdadeiramente alarmante. Foram feitos vários alertas por e a algumas pessoas, mas a insensibilidade política e a expectativa de segurança financeira “eterna” que existia e que terminou face à nova realidade portuguesa e global, impuseram-me como inadiável esta humilde participação política no processo autárquico de 2009 da cidade que amo e onde nasci:  Lagos.

Muito pela positiva, com escassíssimos meios e sem qualquer tipo de menosprezo pessoal por alguns – poucos – amigos de sempre que apoiaram o nosso principal adversário político nestas eleições locais.

4. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque recuso que Lagos, a antiga capital do Algarve e a capital do Barlavento Vicentino do Algarve, seja comandada politicamente com um espírito  dramaticamente provinciano,  seguidista  cego, inconsciente e feliz para com tudo o que vem de fora, designadamente da capital do nosso país.

Ainda por cima não apenas abdicando como negando expressamente uma centralidade de séculos, como é a de Lagos, o que é muito gravemente danoso para a concretização do nosso desenvolvimento  local e regional que queremos e seremos capazes de concretizar, agindo de uma vez por todas a partir do nosso extraordinário potencial imaterial, material e humano. É o que sei que todos, sem excepção, queremos desde sempre !

5. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque se impõe agir racionalmente contra contra esses nossos inimigos comuns que são a Sazonalidade e esse estúpido e paradoxal Centralismo sucessivo que asfixia invariavelmente um país inteiro há décadas, senão séculos.  Com muita clareza, frontalidade e racionalidade.

Mas sem quaisquer submissões a qualquer tipo de poder que não seja o dos Cidadãos Eleitores de Lagos e do Algarve, respeitando em quaisquer alterações estruturais decididas ou por decidir a inalienável defesa dos seus/nossos interesses concretos.

O que não só não tem acontecido, como tem demasiado frequentemente sido ignorado e até confrontado. Sistematicamente, com um inconcebível desprezo pelos que menos sabem e menos podem…

6. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque esta candidatura tem por base um Programa Eleitoral denominado “101 Medidas e Ideias para Lagos“, necessariamente muito detalhado e integrado, coerente, resolutivo e útil para TODOS OS CIDADÃOS DE LAGOS, independentemente das suas opções políticas. É o resultado de um conhecimento profundo da Cidade, da sua História passada e recente, assim como de uma inegável experiência de dois mandatos como vereador não remunerado e sem pelouro executivo. Esse é o “caderno de encargos” de que a realidade de Lagos precisa urgentemente para os próximos anos.

7. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque conseguiu reunir e assumir uma liderança  em diálogo frontal, sem ambiguidades nem favorecimentos pessoais, no seio de uma equipa de Cidadãos muito plural, profissionalmente competente e motivada, com provas dadas fora da política e que  dela não precisam para nada. Estão, quando muito, entre os primeiros que quiseram e puderam evoluir de um desinteresse e de uma apatia cívica generalizada que se instalou em Lagos, não para esse tal silêncio do passado que tudo consentia, mas para uma muito vincada indignação motivada pelo conhecimento de factos absolutamente anormais, profundamente anti-democráticos e extremamente lesivos do bem comum e dos direitos muito concretos dos Lacobrigenses.

8. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque Lagos tem uma História, porque a nossa Cidade já existia antes de o presidente da câmara que agora termina o seu 2º mandato o ser e porque, naturalmente, continuará a existir e respirará muito melhor com Nuno Marques, recuperando de uma gestão financeira surpreendentemente desastrosa – e ainda não totalmente avaliada – para um período de um verdadeiro desenvolvimento harmonioso,  socialmente integrado e integrador, economicamente sustentado e diversificado, dinâmico e ao serviço de Todos os Cidadãos e Empresas, independentemente das suas opções políticas e áreas de actividade.

9. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque os Cidadãos de Lagos querem ter, podem ter e terão um futuro livre do efeito da sazonalidade, sem dependência exclusiva do Turismo. Conseguiremos assumir todos os nossos méritos e desenvolver os nossos projectos de vida sem estarmos submetidos a tiranias exercidas para dentro nem constarmos as mais inesperadas submissões aos mais diversos centralismos negocistas em nosso nome que, essas sim, comprometem o nosso Futuro colectivo. Isso sim, é que é o Passado !

10. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque chegámos todos ao ponto no tempo em que nada pode ficar como dantes perante uma realidade que já mudou completamente.

11. Apoio Nuno Marques e a Coligação ‘Por Lagos com Todos’ porque um bom autarca não é aquele que precisa de ser submisso nem de ter a protecção de qualquer Governo central. Um bom autarca é aquele que sabe que pode dar o melhor de si num contexto tão grave e difícil como é o presente e o futuro se nada entre nós mudar, mas também sabe que precisa do apoio e da solidariedade activa dos seus munícipes, sabendo ouvi-los em permanência. Por imperativo constitucional, mas também porque a realidade mudou e continuará a mudar muito rapidamente.

NUNO MARQUES e a sua Equipa têm este perfil.

As grandes dificuldades não se ultrapassam com pequenos passos. Muito menos em bicos de pés silenciosos e lesivos do bem comum.

A MUDANÇA A SÉRIO de que Lagos precisa consiste em combinar visão e persistência com espírito de serviço. Inovação com realismo. Respeito pela diferença e pela Liberdade e os Direitos de Todos. Tendo sempre como beneficiários centrais da acção política no governo da Cidade os seus Cidadãos e as suas Famílias bem como as suas Empresas. Independentemente das suas legítimas opções pessoais e políticas.

QUEM MANDA NA CAMARA MUNICIPAL DE LAGOS EM DEMOCRACIA É E SERÁ SEMPRE

O CIDADÃO ELEITOR DE LAGOS !!!

Há pessoas que se esqueceram desta realidade elementar.

VOTAR É REASSUMIR A ESPERANÇA DE SERMOS LIVRES !

SEJA QUAL FOR O SENTIDO DO VOTO DE CADA UM,

QUE NINGUÉM FIQUE EM CASA !

NUNCA COMO NO DOMINGO VOTAR FOI TÃO IMPORTANTE PARA TODOS !

NA MINHA LIVRE OPINIÃO,

A MUDANÇA DE VERDADE PARA LAGOS CONSISTE EM VOTAR NA COLIGAÇÃO

vota

ELEGENDO

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NUNO MARQUES

PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL

-

NUNO SERAFIM

PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL

-

SAUL BAPTISTA

PRESIDENTE DA J. F. DE SANTA MARIA

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JOSÉ NOBRE

PRESIDENTE DA J. F. DE SÃO SEBASTIÃO

-

MARCO SILVA

PRESIDENTE DA J. F. DE BARÃO DE S. JOÃO

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CARLOS VIEIRA

PRESIDENTE DA J. F. DE BENSAFRIM

-

MANUEL MATOS

PRESIDENTE DA J. F. DA LUZ

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DINA NETO

PRESIDENTE DA J. F. DE ODIÁXERE

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Saudações Democráticas a Todos !

Viva a Democracia! Viva a Liberdade!

Viva a Cidade de LAGOS!

VIVA A REGIÃO DO ALGARVE !

VIVA PORTUGAL !

José Borba Martins