” O NOSSO ALGARVE “
PETIÇÃO PÚBLICA
PELA
REGIÃO AUTÓNOMA DO ALGARVE
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(esta petição pública está disponível online , também circula fisicamente em papel e será objecto de envio à Assembleia da República Portuguesa, à Presidência do Conselho de Ministros e à Presidência da República Portuguesa).
ESTA DEMOCRACIA PORTUGUESA MORREU. QUEREMOS OUTRA. EM LIBERDADE (III)
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O Algarve é a única região de Portugal, para além dos Açores e da Madeira, que é reconhecida como região natural por todos os Cidadãos Portugueses.
Pelas características geográficas, mas também pelas culturais e pelas económicas. Também por outras, menos evidentes, mas também importantes.
Nós somos Portugueses e não estamos aqui nem para brincar à política nem para argumentar falaciosamente acerca de graus de portugalidade de cada uma das regiões e cidades do nosso país.
A riqueza do Algarve não está na sua dimensão física, mas em factores como a unidade na diversidade de uma memória histórico-cultural riquíssima com séculos de existência. Assim como nos nossos recursos naturais, na criatividade e nos mais variados saberes e competências dos nossos recursos humanos, sem esquecer a posição geográfica única no território continental de Portugal.
Sem esquecer o tão fundamental Mar, que daqui Portugal soube cumprir, mas que estupidamente tarda em assumir-se como imperativo estratégico de inestimável potencial económico para o nosso país.
Nós, os subscritores desta petição pela Região Autónoma do Algarve, acreditamos que o facto de sermos portugueses não pode anular o que sentimos como diariamente essencial na nossa massa do sangue e na nossa realidade pessoal e colectiva ao longo de décadas, senão séculos:
SOMOS ALGARVIOS E, COMO TAL, SOMOS PORTUGUESES.
NÃO O CONTRÁRIO.
Não temos que ser comandados politicamente por Lisboa nem migrar para a capital para sermos Portugueses Algarvios. Esse tempo já acabou há décadas, ao contrário do que os sucessivos responsáveis pela inércia organizacional do Estado Português nos queiram sempre fazer crer.
Somos Portugueses aqui e queremos que tal realidade seja definida estruturalmente num quadro de direitos políticos que não cabe numa mera região administrativa, mas que será próprio de uma Região Autónoma. Responsavelmente, sem aventureirismos mas também sem mais teatros trágicos nem mais perdas de tempo. De uma vez por todas, com clareza e frontalidade.
Mas também sem paternalismos por parte de quaisquer figurantes que persistam em ser parte do grave problema que o Algarve hoje indiscutivelmente é e cuja resolução estrutural e qualitativa é urgente há demasiado tempo para que tudo continue na mesma.
Rejeitamos hoje, como rejeitámos antes e como rejeitaremos sempre, por muito que tenhamos sido obrigados a viver calados nesse contexto, o subjacente quadro dessa tão complexada e por demais presunçosa espécie de “tutoria política de menores” com que o poder centralista de Lisboa vem brindando o Algarve e o resto do país ao longo de gerações e gerações, sob as mais diversas, complexas e sedimentares molduras legais.
Sempre com recurso aos mais variados tipos de caciquismos activistas da extorsão sistemática dos nossos recursos naturais, financeiros e humanos para alimentar essa cada vez maior, despudorada – e agora falida – gula estrutural e centralista de Lisboa.
Perante os factos e os resultados a que já chegámos – o tempo apenas agravará e evidenciará mais a pintura – este é o momento de sabermos pacificamente manifestar a vontade e conseguir evoluir para uma realidade diferente – a nossa, decidida e governada por nós – com vantagens mútuas, quer para o Algarve quer para Portugal, no âmbito de uma indiscutível e evoluída unidade nacional.
A manutenção e reforço da Unidade nacional só é possível na Diversidade e na Autonomia e não nesta Unicidade de um sistema político-económico objectivamente corrupto, falido e disfuncional em que qualquer Cidadão que não viva no Estado, do Estado e para o Estado não consegue evoluir: nem pessoalmente, nem profissionalmente, nem com a mais pequena das empresas.
Em que, mesmo no Estado, todos somos coagidos a prestar vassalagem aos sucessivos Centralismos Provincianos instalados em Lisboa.
Não serão necessários alongamentos em detalhes teóricos conceptuais, ou até de índole político-partidária, para constatarmos a real unanimidade regional existente quanto ao reconhecimento da eternamente adiada concretização do potencial económico que o Algarve intrinsecamente contém, como nas mais dramáticas consequências produzidas por várias décadas de ausência – ou distorção – de reais modelos de desenvolvimento económico sustentado.
Em ambas as situações – e mais existem – a marca de proveniência é simples. É a do Centralismo macrocéfalo de Lisboa que, de modo deliberado, claro e permanente:
- opta por adiar o desenvolvimento do Algarve, preterindo sistematicamente os nossos tão necessários investimentos estruturantes regionais de pequena e média dimensão a favor de investimentos noutras paragens, como é por demais evidente no caso das estruturas ferroviárias, rodoviárias, aeroportuárias e portuárias assim como nos domínios da Saúde, no Ensino, na Educação, na Justiça e na Segurança, perpetuando a nefasta sazonalidade e a perigosa dependência da mono-cultura Turismo.
Alguém acredita ainda que devemos continuar à espera dos restos das receitas que o Algarve gera para efectivar um desenvolvimento sustentado e verdadeiramente integrado de toda a região, designadamente de zonas como o barlavento vicentino ou o desesperado interior do Algarve?
- recolhe centralmente as tão apetecidas receitas do Turismo, essa única “exportação” interna de Portugal, insistindo em alargar o peso do Estado também nesta desgraçada economia algarvia, em vez de agilizar procedimentos, reproduzindo o mal geral quanto às indefinições, às opacas complexidades e aos vários descontrolos operacionais que, sendo favoráveis a alguns – por via tanto dos já célebres PIN’s como de outros estrategemas matriciais urbano-rurais e perequacionais – impedem, em última análise, a libertação da sociedade civil algarvia para um desenvolvimento económico e social livre e diversificado que sempre almejou, assente nos seus potenciais gerais próprios e nos potenciais específicos das suas sub-regiões.
Até quando continuarão os algarvios a permitir a fuga das receitas fiscais próprias da Região do Algarve para outras regiões, onde têm as suas sedes sociais as empresas que aqui facturam e geram lucros?
- torna quase impossível qualquer esforço regional ou autárquico de captação de investimento directo estrangeiro a esbarrar em desmotivadoras e pouco transparentes complexidades formais, sempre muito solicitamente geridas por mais uma estrutura centralista não eleita – uma “agência de investimento”… – a qual, munida dos mais variados pareceres e assessorias jurídicas e claramente controlada politicamente pelo governo central de que depende, vai recomendando localizações, facilitando processos burocráticos e negociando contrapartidas fiscais centralizadas marcando, ainda por cima, a agenda dos investimentos privados externos – como se não bastassem os públicos internos – em sucessivos anúncios nos grandes media em função do marketing político do poder central e não em função dos reais interesses regionais e locais do Algarve.
Na melhor das hipóteses, concretizam-se mais os anúncios que os investimentos, estes como facto consumado sem a mínima intervenção decisiva quer por parte do poder local democrático quer por parte da generalidade dos cidadãos da Região do Algarve.
Até quando permitirão os algarvios que dure a obrigação de ir ao beija-mão centralista de Lisboa para trazer investimento directo estrangeiro para a sua Região do Algarve?
Estamos no primeiro terço do Verão de 2009.
Para a maioria os Algarvios esta é a época de ganhar o suficiente para resistir o resto do ano, mas este é também o ano de quase todas as eleições portuguesas.
Também por isso, este é o momento certo para requerer com firmeza e sem ambiguidades a institucionalização da Região Autónoma do Algarve. Esta é a configuração política através da qual o Algarve quer e pode libertar-se do centralismo estatal de Lisboa, de modo a acelerar a sua própria recuperação económica, nessa medida contribuindo também para um Portugal diferente e mais dinâmico, que todos desejam seja o que venha a emergir da gravíssima situação económico-financeira actual.
Ao produzir e subscrever esta Petição pela Região Autónoma do Algarve damos voz e somos parte das inúmeras vozes de um sentimento histórico comum, natural e sentido pela maioria dos Cidadãos do Algarve.
Libertamo-nos das eventuais acusações de oportunismo, porque o pior das consequências da desorganização nacional – se nada mudar – ainda está para vir.
Não podemos ser acusados de pretender levantar questões adormecidas, porque esta questão da Regionalização – administrativa ou autónoma – já foi objecto de debate político do qual, afinal, apenas saiu reforçado o bloqueador centralismo macrocéfalo da Capital.
Não podemos ser sequer acusados de qualquer tipo de separatismo ou de pretender instituir partidos regionais o que, de resto, está interdito constitucionalmente, porque somos dos portugueses que escolheram ir descobrir e porque o que propomos é que todas as forças do espectro político, sem excepção, se dignem debater e concretizar esta verdadeira urgência organizacional, seja na óptica da Região do Algarve seja na de Portugal.
O Algarve, relembramos, é a única região de Portugal – para além dos Açores e da Madeira – que é reconhecida como região natural por todos os portugueses.
Solicitamos, aqui, a melhor atenção do Senhor Presidente da República, que é um Algarvio, do Senhor Primeiro-Ministro, dos líderes e de todos os militantes dos Partidos Políticos a nível nacional no sentido de se dignarem posicionar quanto à Região Autónoma do Algarve e também quanto ao processo de Regionalização em Portugal.
Solicitamos, aqui, que todos os Partidos Políticos – todos sem excepção – considerem urgente a inclusão do tema da institucionalização da Região Autónoma do Algarve no debate político – designadamente no âmbito das eleições legislativas e autárquicas de 2009 – quer restrito ao tema quer mais alargado ao contexto da Regionalização Administrativa ou Autónoma de Portugal.
São os Cidadãos do Algarve e os Cidadãos de Portugal que, ao subscrever a presente petição, exigem uma Região do Algarve politicamente autónoma, única ou integrada no primeiro tempo de um urgente processo de Regionalização Autónoma de Portugal como forma de ultrapassar o mais grave momento da História de Portugal: O PRESENTE, o que vivemos diariamente.
Se nada mudar neste sentido, Portugal, a mais antiga nação da Europa, com a mais forte probabilidade, desaparecerá como o Estado Independente em que todos nos reconhecemos.
Este é o tempo de partirmos para um Novo Descobrimento, agora participadamente assumido pelos Cidadãos portugueses ou estrangeiros, algarvios de origem ou de adopção, residentes na Região do Algarve ou em qualquer outra, que reconhecem a imperatividade e a urgência da Regionalização em Portugal como parte da solução para a terrível e dramática situação em que o país se encontra.
De novo a partir do Algarve, temos agora que saber descobrir, já não novos mundos, mas um novo Portugal, reinventando um país que seja realmente democrático, socialmente justo e seguro, inovador e dinâmico, respeitador dos valores ambientais e multi-culturais, dotado de um sistema político-económico rigorosamente transparente e de um sistema de justiça célere e útil, sistemas esses que sejam tecnologicamente competentes e eticamente inquestionáveis.
Os Cidadãos do Algarve e de Portugal que subscrevemos a presente petição acreditamos que esta inequívoca manifestação de vontade política será decisiva para a institucionalização da Região Autónoma do Algarve como primeiro passo para a concretização da Regionalização em Portugal.
Os que queremos e acreditamos que Portugal pode continuar a ser um país economicamente viável e independente !
Dificilmente o será sem o contributo da Região Autónoma do Algarve !
PELA REGIÃO AUTÓNOMA DO ALGARVE,
PELA REGIONALIZAÇÃO AUTÓNOMA DE PORTUGAL,
PELO BEM COMUM,
VIVA A REGIÃO AUTÓNOMA DO ALGARVE !
VIVA PORTUGAL !
6 de Julho de 2009
Os Signatários,
José Borba Martins, Lagos
Paulo Rosário Dias, Lagos
Tiago Ventura, Olhão
Marcos Quitério, Olhão
Mário Lázaro, Faro
José Augusto dos Santos Silva, Hamburg
António Fernando Mendes da Cunha, Faro
Alberto Belchior Silva Cabrita, Lagos
Mário dos Santos Nunes Januário, Lagos
José António Barroso, Lagos
Joaquim José Bento Rocha, Lagos
Amândio Ferreira Furtado, Lagos
Lúcia Wilson, Lagos
José António dos Reis Cravinho, Lagos
Fernando Vidal dos Ramos, Lagos
Noémia Carvalho, Lagos
Leonildo Martins de Almeida, Lagos
Arménia Santos, Lagos
Sandra Maria Batista Bento, Lagos
Vera Soares Rodrigues, Loulé
Carlos Figueiredo, Lagos
Eduardo Lopes Taquelim, Lagos
Conceição Simões, Lagos
António Glória Simões, Lagos
Carlos da Silva, Lagos
Mauro André de Jesus Campôa, Lagos
Catarina Glória, Linda-a-Velha
Felisberta Simões, Alcoitão
Ricardo Góis, Lagos
Cândido Ventim Sánchez, Ôurense – Galiza
Luis Lopes, Portimão
Marcolino I. Marreiros, Faro
Rita Maria da Luz Jorge, Faro
Sérgio Costa, Funchal
Luís Guerreiro, Portimão
Celso Costa, Quarteira
Luís Bernardino, Vilamoura
Bruno Silveira, Quarteira
Júlio Mariani Guerreiro, Portimão