José Borba Martins

Arquivo de Abril, 2009

ESSA COISA TÃO SIMPLES: LIBERDADE

In Local, Nacional, Regional on 27/04/2009 at 10:28 am

miguelsousatavares

MIGUEL SOUSA TAVARES e o “DIA 35 DE ABRIL” (melhor cabeçalho da imprensa de 25.Abril.2009)

«Passam hoje 35 anos sobre a tal inesquecível madrugada libertadora. Como de costume, o regime vai assinalar a data com umas quantas cerimónias, públicas e particulares, sempre previsíveis, sempre obrigatórias e sempre destituídas de sentido. O Presidente da República vai fazer o habitual discurso na Assembleia, em que tudo o que interessa é ler nas entrelinhas se ele ataca ou não ataca o Governo em funções – conforme é tradição da data; o PCP e a extrema-esquerda vão desfilar por aí, jurando que “Abril está por cumprir”; e o coronel Vasco Lourenço, em representação dos militares do 25 de Abril, vai destilar o seu habitual azedume contra os ‘políticos’ e insinuar que, se for preciso, eles são capazes de voltar a pegar em armas e acabar “o que ficou inacabado”. Há muito que defendo que a memória dessa luminosa manhã de liberdade deveria deixar de ser comemorada – pelo menos, assim -, como forma de preservar a sua dignidade. O passado é um país distante e a sua revisitação, a tentativa de reinventar um dia feliz vivido lá atrás, acaba sempre por ter um sabor amargo, a mofo.

Além de que esta sessão anual de lamúrias públicas não tem razão de ser: o 25 de Abril foi cumprido, tanto quanto o podia ser. Os três D foram cumpridos. Democratizámos, mas a democracia – numa nação que nunca teve a liberdade como o primeiro e absoluto dos valores – não é muito mais do que isto. Descolonizámos – tarde e mal, e mal porque tarde -, mas cumprimos o princípio essencial de devolver o que não era nosso e que só as circunstâncias históricas (sem dúvida motivo de orgulho) nos tinham provisoriamente confiado. E desenvolvemo-nos: sim, desenvolvemo-nos. Só quem não viveu ou não se lembra do que era o Portugal de 1974, só quem não viu, por exemplo, a série de programas de António Barreto na RTP, é que pode ainda ter dúvidas sobre isso. O Portugal de hoje não tem nada, rigorosamente nada, a ver com o Portugal do Estado Novo – miserável, ignorante, de mão estendida e espinha curvada. Acontece é que nunca estamos satisfeitos, achámos que a liberdade era o direito de tudo reclamar, todos os direitos sem nenhuns deveres, a Europa e o mundo fascinados a nossos pés, pagando eternamente pelo espectáculo da nossa liberdade e do cravo na lapela, e nós encostados aos subsídios e às facilidades sem termos de nos cansar. Hélas!, não é assim que se constroem as nações que vão à frente!

Podíamos, ao menos, ter-nos entendido, de uma vez por todas, sobre o essencial desse dia distante: a liberdade. Mas nem isso. Basta ver como, hoje ainda, os próprios militares de Abril estão divididos, para perceber como essa coisa aparentemente tão simples que é a ideia de liberdade continua a dividir uma nação que nunca, verdadeiramente, a amou, respeitou ou se bateu por ela. Na semana em que Otelo foi promovido a coronel, com efeitos retroactivos, Jaime Neves foi promovido a general, e a Associação dos Militares de Abril amuou por causa desta última. Não perceberam que o que aconteceu em determinado momento não pode ser apagado da história pelos momentos supervenientes, seja de que lado for: que a liberdade se ficou a dever, primeiro, a Salgueiro Maia e Otelo, e, depois, a Eanes e Jaime Neves.

O “bota-abaixo”, como diz José Sócrates, é o que nós achamos de mais próximo à liberdade: poder dizer livremente mal de todos os ‘políticos’, depois de cinquenta anos em que ninguém se atrevia sequer a dizê-lo à própria sombra. Tornar o simples exercício do poder e a correspondente exposição pública uma oportunidade para o fartar vilanagem, que confundimos com coragem. Não digo, antes pelo contrário, que os políticos sejam melhores hoje do que eram há dez, vinte ou trinta anos: aqui, na Europa, no resto do planeta. Digo é que, quando acontece alguém chegar à política movido pelo sentido de serviço público e pela vontade de transformar as coisas, ele é tranquilamente cilindrado como os outros, com a leveza de um Vasco Lourenço discorrendo sobre o país ou de um qualquer ‘corajoso’, insultando, anónima e impunemente, nos blogues do mundo fácil de governar da net.

Não devíamos, assim, queixar-nos ou admirar-nos se os melhores desistem e se os piores regressam, no vazio criado. Para desgraça nossa – e com o nosso voto! -, Santana Lopes vai, muito provavelmente, regressar ao governo de Lisboa, depois de ter deixado a cidade e o país de pantanas. Mas quem quer verdadeiramente preocupar-se em escrutinar o que foi o seu desgoverno passado? As pessoas ficam-se pela espuma das coisas – o túnel do Marquês – e nem querem saber do resto, se o homem é apenas um genial mestre da sedução sem causa nobre. E a senhora que o escolheu – Manuela Ferreira Leite – desdenhou, para encabeçar a lista do PSD às europeias, alguém como Marques Mendes, dos raros que quiseram moralizar as coisas, pagou por isso e se afastou tranquilamente. Devíamos, sim, pensar que Paulo Rangel, o cabeça-de-lista do PSD às europeias, e Nuno Melo, o do PP, são dois excelentes deputados, dos poucos que fazem a diferença, e que os respectivos partidos afastam do Parlamento para esse doirado exílio europeu, onde habitam sumidades políticas como Edite Estrela ou Deus Pinheiro. Devíamos pensar, pior ainda, por que razão desistem eles próprios e tão rapidamente de uma batalha onde farão falta.

Já aqui escrevi, há quinze dias, sobre o que penso do caso Freeport e da posição em que ele coloca José Sócrates. Escrevi que, pessoalmente, acredito na sua inocência, mas não abdico de ver tudo esclarecido, sem margem para qualquer dúvida. O que eu não entendo é a leviandade de tudo isto: um homem é publicamente suspeito do pior dos crimes políticos e a coisa arrasta-se, meses, anos, em fogo lento, sem que ele seja ilibado ou acusado e tendo ainda de governar o país e enfrentar eleições sob esse peso. Não pode desistir, porque seria como que uma confissão de culpa; não pode continuar em igualdade de circunstâncias com os seus adversários políticos, porque há sempre essa terrível suspeita pendente sobre ele. Não pode ficar quieto e calado, porque alimenta as suspeitas; não se pode defender, porque é uma ‘ameaça’ e uma ‘pressão’. O que pode um cidadão, que tem o azar de ser primeiro-ministro de Portugal, fazer num caso destes e enquanto espera que a Justiça cumpra o seu papel?

Há um tipo – que tem o mesmo apelido que eu e que escreve semanalmente no “DN”, onde se especializou na ofensa fácil – que escreveu que Sócrates falar de moral é o mesmo que Cicciolina falar de virtude, ou coisa que o valha. O cidadão José Sócrates, sentindo-se ofendido (como qualquer um de nós se sentiria), põe um processo ao ofensor. Tem esse direito? Não: é o primeiro-ministro a intimidar um ‘jornalista’. E o ‘jornalista’ vira mártir da liberdade de imprensa na praça pública. Fala-se em “ameaças intoleráveis”, da liberdade em risco, da heróica e antiquíssima luta da imprensa contra o poder, do “jornalismo de investigação” contra as pressões políticas.

Liberdade? De imprensa? Ora, vão pastar caracóis para o Sara! Eles sabem lá o que é a liberdade! Sabem lá o que isso custa a ganhar!

Venha o 25 de Abril, sempre! Mas, por favor, não o comemorem nem o invoquem mais, antes que isto vire fantochada!»

MIGUEL SOUSA TAVARES

in http://aeiou.expresso.pt/miguel-sousa-tavares=s23491

DEPRESSÃO COM DEFLAÇÃO ou DEPRESSÃO COM HIPER-INFLAÇÃO ?

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 10/04/2009 at 12:50 am

depression-ahead

Schopenhauer dizia o que andamos a ver relembrado por muita gente nestes tempos únicos. Dizia ele que a toda a Verdade passa por três fases: Começa por ser ridicularizada, passa a ser violentamente atacada antes de ser aceite como evidente.

Na sequência dos dois posts anteriores acerca da 1ª Grande Depressão Global, ou a 1ª Depressão do séc. XXI, que tantos aqui onde a Terra acaba e o Mar começa ainda insistem já não em negar, mas a lidar com o facto como se de um fenómeno aleatório ou meteorológico se tratasse, e dispondo eu de não mais do que a informação a que qualquer Cidadão pode aceder via internet, venho humildemente chamar a atenção de TODOS, onde se devem urgentemente incluir aqueles que têm responsabilidades objectivas pela gestão política de Portugal, de alto a baixo e da “esquerda” à “direita”, para o facto de estarmos a atingir o Ponto Inicial do Absurdo ou a Barreira do Impossível, as designações que Martin Weiss, um reputado analista norte-americano, utilizou num webinar há menos de 48 horas. Não é o primeiro a pronunciar-se contra a corrente de um estranho optimismo segundo o qual “isto vai passar”, “tudo voltará a ser como dantes” ou que “dentro de um ano ou dois isto melhora, basta esperar e ter paciência”, etc.

O intuito desta linhas é o de facultar reflexões sobre este tipo de informação, irrefutável, credível e de difusão urgente, que a quase totalidade da comunicação social portuguesa, com raríssimas excepções, vem omitindo ou tarda em transmitir.

Estranhamente parece preferir-se, em vez desse trabalho imperativo e sob o pretexto da comemoração de efemérides importantes, andar a pedir aos vilipendiados Cidadãos de Portugal para darem o seu contributo apenas folclórico e aparentemente participativo para a melhoria da qualidade desta “nossa” democracia…

Quem pode acreditar que  uma mesma pessoa ou grupo de pessoas  pode à tarde opôr-se ao que faz de manhã?

Haja Seriedade e Vergonha. Porque é tarde para mais uma encenação “genial” !!!

E tudo isto para quê? Para avalizar uma vez mais a continuidade nos vários poderes daqueles que “sabiamente” quiseram e souberam voluntariamente posicionar-se nos lugares que, ainda e apenas há semanas, pensavam serem impossíveis de ser postos em causa pelos excepcionais acontecimentos que assistimos? Não! Não é este, definitiva e evidentemente, o caminho da Verdade e da Acção que interessa é generalidade dos Portugueses.

Então afinal, meus senhores, para que é que têm sido pagos e o que têm andado a fazer de facto os Políticos, os Gestores Públicos e toda a Corte que os acompanha? Para pensar e agir no interesse geral de Portugal ou para andarem a perder tempo com questiúnculas, enredos  e mascaradas suicidárias fatais, acompanhadas de um extensíssimo rol de tomadas de decisão/omissão demonstradamente irresponsáveis e gravíssimas para a Democracia Portuguesa e para, pasme-se, ainda por cima e como se tudo isso não bastasse, virem agora pedir Ideias e Participação aos pobres  dos Portugueses que somos todos nós afinal? Ou seja, justamente a quem, com paciência china – certamente por influência dos 5000 PdV chineses já existentes -  não só lhes vem pagando, como ainda em nome de quem estes figurões de pacotilha e vácuo altruísta pretendem exercer cargos públicos? Homessa, que grande calinada! Cada vez que vejo esse bem feito mas triste anúncio televisivo fico sem palavras… Mas adiante, que se faz tarde.

O ritmo da evolução negativa da economia portuguesa, europeia e mundial é avassalador, mas continuamos a testar gaps temporais inadmissíveis no fornecimento de dados objectivos, que apenas são facultados a conta-gotas ou em alguns artigos de opinião, exceptuando-se ainda alguns “malditos” e raros blogs nacionais. Ainda há poucos dias foi o défice final de Dezembro de 2008, corrigido face ao anunciado anteriormente como bem sucedido, face às circunstâncias… Em Abril 2009, mais de 3 meses depois??? Esta é mais uma estúpida realidade que nos condiciona, que vem atravessando todos os governos e que os excepcionais tempos que vivemos apenas vêm de novo reforçadamente evidenciar.

Não são as causas directas e indirectas desta “crise”, mais ou menos recentes que nos devem preocupar no presente, para além das lições que elas fornecem. Muito menos entrar em debates inúteis, que apenas consomem Tempo e Energia.

Assisti, e não fui o único a fazê-lo com muita atenção, ao webinar de M. Weiss, que está a alertar não apenas toda a população dos Estados Unidos como a de todo o planeta para a realidade actual, para as opções políticas erradas que estão a ser seguidas e que conduzirão a Humanidade para longos anos – senão décadas – de Declínio Global.

A quase totalidade da informação incluída neste post tem como fonte aquele evento de Martin Weiss, a quem saúdo e agradeço em meu nome e em nome de todos quantos os que destas informações e links possam extrair os apropriados posicionamentos pessoais, empresariais ou políticos conscientes e pró-activos em defesa dos seus patrimónios, tangíveis ou intangíveis, sejam eles a inestimável Liberdade, o Emprego, os Rendimentos e todo e qualquer tipo de Direitos Pessoais e Sociais que estão, de facto e já hoje, ameaçados como nunca antes na História da Civilização.

Ninguém tem seguro contra os riscos com que a Humanidade está confrontada já hoje. Portugal não é excepção. Nem mais nem menos.

O que é válido para os USA é por demais claramente aplicável à Europa e a Portugal. Obviamente, e ainda em maior escala no caso do nosso país, dadas as enormes diferenças estruturais existentes: competitividade e estruturação económica, moeda, heterogeneidade sócio-fiscal, etc.

O que está a acontecer nos mercados financeiros é uma tremenda armadilha. Na Depressão dos anos 30 do século passado sucedeu o mesmo, com vagas ilusórias de valorizações de 30%, 48%, 20% nas 3 primeiras vagas…

O Desemprego ainda está a crescer e a crescer cada vez mais rapidamente do que numa recessão típica…

As Falências estão em crescimento.

O Crédito Bancário está verdadeiramente assustador.

Três organizações mundiais, o FMI-Fundo Monetário Internacional, o BM-Banco Mundial e OCDE-Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico, estão unanimemente a prever que nos próximos meses e durante todo o ano de 2009 todos testemunharemos

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O PRIMEIRO DECLÍNIO MUNDIAL

DESDE A GRANDE DEPRESSÃO !!!

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E estão a prever ainda maiores declínios, precisamente nas mesma área de actividade que fez com que a Depressão de 1930 fosse tão severa: O COMÉRCIO MUNDIAL. É como cair de um penhasco abaixo….

Não interessa a frequência com que os rallyes do mercado financeiro possam suceder, nem como os países do G-20 estimulem ou não estimulem as suas economias, nem os abanões positivos que possam ocorrer num ou noutro sector de actividade, o que interessa perceber é que

O DECLÍNIO GLOBAL

É O CONTEXTO FUTURO IMEDIATO

que se apresenta para qualquer continente do planeta, com excepção da Antárctida…

Toda a gente parece já ter percebido que seriam necessários muitíssimos estímulos para dar a volta a este monstro que é o declínio económico global.  Seria necessário muito mais do que qualquer governo do mundo poderia suportar. Não vale a pena iludir ou açucarar a questão, temos que ser perfeitamente claros:

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NESTE PRECISO MOMENTO,

A ECONOMIA MUNDIAL ESTÁ A DESLIZAR

PARA A 1ª GRANDE DEPRESSÃO DO SÉC. XXI !!!

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E esta Depressão está já a trazer grandes cortes: na produção industrial, severos declínios em resultados de grandes grupos, desemprego massivo, perdas de casas e falências, ou seja, já está em curso

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O MAIOR CICLO VICIOSO DE TODOS OS TEMPOS:

O COLAPSO DO CRÉDITO !

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Que ninguém tenha dúvidas, estamos todos na maior encruzilhada das nossas vidas e temos que escolher o caminho certo. Esta escolha não é acerca de nós, da nossa geração, é sobre os nossos filhos e os filhos dos nossos filhos.

Se fizermos a escolha acertada, poderemos providenciar melhores tempos para eles. Ou, alternativamente, poderemos ir continuando o declínio do endividamento tornando muito mais difícil a vida de não uma, mas várias gerações futuras.

EXISTEM APENAS DOIS CAMINHOS OU TENDÊNCIAS POSSÍVEIS A PARTIR DO CRUZAMENTO PRESENTE EM QUE TODOS NOS ENCONTRAMOS (PERMANECEREMOS, EM PORTUGAL, PARADOS, QUIETOS E CALADOS À ESPERA QUE OS TEMPOS MUDEM ?):

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1) DEPRESSÃO ECONÓMICA COM DEFLAÇÃO

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O primeiro  dos caminhos conduz à Depressão Económica com Deflação, com algumas similaridades com a Depressão de 1930. Não vale a pena “doirar a pílula”, serão tempos duros e traumatizantes. Vêm com uma reacção em cadeia de falências de empresas e grupos económicos, não apenas dos que já estão a ser intervencionados, mas também de mais bancos, seguradoras, construtores automóveis, etc.

Re(começará) nos mercados financeiros com novo pânico financeiro em Wall Street e vai por aí fora até se atingirem níveis de desemprego record até 25% da população activa (15,6% hoje nos Usa), até se atingirem níveis de redução da produção industrial de 50% da capacidade instalada (o que já começou a acontecer globalmente), até ao dramático e muito doloroso aumento da população sem abrigo (10 grandes cidades americanas estão já nesta tendência…).

Neste cenário a previsão para os mercados accionistas cotados é de uma redução de 90% (tal como em 1930, também pode acontecer agora).

Mas este cenário contém, por incrível que possa parecer, alguns benefícios.

Podem ocorrer tempestades financeiras, podem ter que ser feitas ajudas extraordinárias para salvar posições estratégicas, pessoais, de cidades inteiras ou de empresas organicamente rentáveis, mas essas medidas terão carácter de emergência em qualquer que seja o cenário, neste caminho ou no outro. No caso concreto das Reformas, Pensões e dos Planos que cada Pessoa ou Família terão previsto, a realidade é que igualmente não será necessário o mesmo montante que seria na realidade passada, que já não existe, e que era de inflação controlada, permanente e contínua.

A realidade, neste novo cenário de Depressão com Deflação é que será apenas necessário sensivelmente metade do anteriormente previsto. Desde que não se perca mais rendimento do que já se perdeu até este momento.

De facto, a maioria das pessoas – e dos políticos – ainda não pensa assim, pela simples razão de que não passaram por nenhum período deflaccionista nas suas vidas. Mas este é um benefício significativo que decorre deste cenário, o de preços a cair. Em deflação as casas ficam mais baratas, as despesas com educação ficam mais baratas, um depósito de gasolina ou gasóleo fica mais fácil de encher. Graças à deflação as pessoas passam a querer trabalhar mais por menos. Não é ironia, é mesmo assim. As moedas continuarão fortes e a competitividade das economias não será comprometida, os bancos centrais poderão continuar a recorrer a crédito externo em função das necessidades para as operações correntes e as formas de governo democráticas não serão comprometidas. Tudo isto com ~25% de desemprego, mas com ~75% da população activa ainda a trabalhar, a receber em moeda estável e a poder comprar mais mês após mês (e não menos, como acontece com inflação). O que é válido para os USA e também para a Europa.

O problema é que os governos e dos fazedores de políticas parece não gostarem de Deflação, preferem Inflação, é algo com que se habituaram a viver e toleram. Não tem a mesma conotação de Mal, um ‘frame’ que associam à Deflação.

Esperemos até que tomem consciência do ‘CENÁRIO NEGRO DA INFLAÇÃO‘, que é o da

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2) DEPRESSÃO COM HIPER-INFLAÇÃO

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Este é o 2º dos caminhos que se nos apresentam no cruzamento em que nos encontramos. Este ‘cenário negro de Inflação’ não é o cenário da inflação “normal” que conhecemos do passado recente. É uma inflacção on the run, descontrolada, a que se acrescentará a maior parte das características da Depressão identificadas parcialmente no anterior caminho.

Na sua forma mais extrema, conduzirá a uma realidade similar à que a Alemanha sofreu nos anos 20 do sec.XX.

Foi quando o governo decidiu imprimir dinheiro sem quaisquer restrições, quando o dinheiro chegou a ser mais barato do que o papel de parede, o tempo que os selos do correio tinham como o valor 1 milhão de marcos, em que as pessoas iam às compras com sacos carregados de notas sem valor, no tempo em que 3 triliões de marcos (esc. curta) compravam 1 dólar

O resultado foi caos político e social, a eleição de A. Hitler, a 2ª Guerra Mundial…  Estes são os  factos históricos. Será algo de semelhante possível de acontecer no contexto actual? Ninguém quer que aconteça, e quase ninguém acredita que tal venha a acontecer nos USA ou na Europa, dadas as infra-estruturas de produção instaladas, da industrial à agro-alimentar mas, como se sabe, o que nós queremos e o que nós pensamos não é sempre igual ao resultado que obtemos… todos sabemos isso do nosso dia-a-dia ! E em Portugal como será?

De facto, neste momento, existe já muita gente respeitável nos USA não só a falar em caos social como até a prevê-lo. Serão loucos? M. Weiss não os qualifica assim, vai dizendo que lhes será provado que estão simplesmente enganados…

Apesar de, neste preciso momento e numa dezena de cidades dos USA, existirem migrações significativas de Famílias que perderam as suas casas e passaram a viver em tendas nos descampados dos subúrbios. Já se chama a este fenómeno o “Katrina Financeiro”…

Mas a verdade é que M. Weiss também diz isso apenas para o caso norte-americano, dada a infra-estrutura de que o país dispõe. Poderá dizer-se o mesmo quanto a Portugal e a outros países da Europa ou do Resto do Mundo que não disponham da mesma capacidade de produção interna, para além de outros diferenciais vs. outras características positivas da dinâmica económica americana?

Por outro lado há imensa gente que ainda pensa que pode beneficiar da Inflação. Isso pode ser válido para algumas pessoas em alguns sectores de actividade, em estádios iniciais do processo inflaccionista. Têm a impressão de que ficam mais ricos, por vezes até ficam, têm a impressão de que os créditos ficam mais fáceis de pagar, por vezes até podem ficar, as autoridades governativas pensam que com inflação podem aliviar a dor da Depressão, e até podem por vezes consegui-lo. Mas, no final, tudo isso não funciona. É apenas aparente. Por cá, até já tivémos um Ministro das Finanças que chamava à inflação “um imposto escondido” recordam-se?

A maioria das pessoas aperceber-se-à rapidamente de que a Inflação é apenas uma espécie de placebo, que a prosperidade é uma fantasia temporária, uma miragem… E, o que é mais importante, este cenário traz com ele todas as mesmas consequências negativas que a Deflacção, mas sem os efeitos positivos desta.

O perigo de Depressão com Inflacção – o pior de todos os males -  é vir trazer toda uma série de implicações adicionais potencialmente fatais tanto para os USA/USD como para a EUROPA e para o EURO tal como os conhecemos. Porquê?

- porque arrastará a crise para uma duração mais longa no tempo.

- porque drenará os preciosos recursos do país afunilando-os para apoiar algumas das grandes empresas mais enfraquecidas e menos produtivas.

- porque vai corroer o valor do dinheiro e destruir os incentivos aos esforços colectivos. As pessoas serão induzidas a sentir e pensar uma coisa muito simples: para quê trabalhar mais se o dinheiro que ganho pelo meu trabalho vale cada vez menos ?

- porque a Economia ficará como que congelada.

- porque retalhistas alimentares e de outro tipo de negócios de bens tangíveis não poderão stockar mercadorias dado que os preços serão cada vez mais voláteis.

- porque no caso extremo, o dinheiro poderá deixar de ter valor, como no caso alemão dos anos da década de 1920. Aliás, como no Zimbabwe hoje…

- porque, no caso USA os 75% da população activa que ainda terão emprego, “abanados” pela escalada de preços, diminuirão os seus níveis de produtividade.  Será diferente na Europa? E em Portugal?

Neste cenário, pior do que se sofrer a dôr causada pela Depressão, mas sem os benefícios da Deflação, pior que isso, como se não bastasse, será infligir dôr àqueles que possam ser poupados à Crise, ou seja, no caso americano, aos 75% da população activa que terão ainda emprego.

Neste Cenário Negro de Depressão com Hiper-Inflação (ou inflação galopante, descontrolada), quando comparado com o cenário de Depressão com Deflação teremos que:

- em vez de um dólar (euro) forte existirá um dólar (euro) deslizante e fraco,

- em vez de mais competitivos os USA (a Europa) será ainda menos competitivo/a do que hoje é,

- as despesas com educação e com combustíveis serão quase impossíveis de suportar,

- não haverá partilha de sacrifícios e a situação social poderá dirigir-se para revoltas e protestos massivos, porque não haverá moeda forte para proteger os Cidadãos,

- em vez de um governo democrático que ajude os Cidadãos penalizados com a Depressão poderão assistir-se a fenómenos de “Shaker-Democracy” que poderão ir de hipo-reacção até à hiper-reacção do tipo “punição das vítimas” – como aliás já aconteceu há dias nos USA – assim como a derivas de facto anti-democráticas e extremamente injustas face à realidade.

Uma ideia-chave: mesmo aqueles que possam sobreviver financeiramente aos anos iniciais da Depressão, serão inelutavelmente devastados mais tarde ou mais cedo.

Estes são os dados. Os caminhos “a escolher” são apenas dois, mas sempre com a Depressão como macro-contexto de fundo:

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1) DEPRESSÃO COM DEFLAÇÃO

ou

2) DEPRESSÃO COM HIPER-INFLAÇÃO

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E as questões-chave associadas são, evidentemente, as seguintes:

a) Quanto tempo vai durar a Depressão?

b) Vai ser curta, ou vão os governos, em função do bombear de “ajudas” financeiras, assegurar a duração da Depressão por muito mais tempo?

c) A Depressão será seguida por uma forte recuperação (que é o melhor cenário) ou a emissão/impressão acelerada de moeda implicará anos ou até décadas de declínio? Não poderemos fazer nada?

Esta é uma escolha monumental que temos que fazer imediatamente. Todos e cada um de nós, os que vivemos neste tempo da Primeira Depressão Mundial do séc. XXI, fomos convocados pela História para fazer essa escolha neste momento.

Este é o tempo e todos nós somos aqueles para os quais os nossos descendentes olharão e, das duas uma: ou nos louvarão pela nossa prudente capacidade de previsão ou nos crucificarão pela nossa cegueira e crueldade.

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NESTE PRECISO MOMENTO OS GOVERNOS

ESTÃO A FAZER AS ESCOLHAS

MAIS INSENSATAS,

MAIS EGOÍSTAS

E  DE

MAIS ALTO RISCO

DA HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO !!!

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No seu zelo para evitar o inevitável ciclo de depressão, os Estados Unidos, o Reino Unido e agora muitas das nações G-20 (acompanhadas pelos seus seguidores cegos ou oportunistas por motivos de subsistência política pessoal ou grupal inconsciente) estão a conduzir-nos para o padrão da destruição.

A Reserva Federal abandonou o seu papel tradicional de controlo da inflação e está, actualmente, a utilizar o seu máximo nível endividamento possível para… CRIAR INFLAÇÃO !

O Tesouro americano abandonou qualquer semelhança de restrição de risco e está agora fora de controlo. Refugiar-se-à J.C.Trichet no mandato restrito que tem, no âmbito do estatuto actual do BCE, para assistir como espectador desta excepcional realidade? Ou, pior, verá ser-lhe imposta pelas circunstâncias uma estratégia meramente seguidista em relação à norte-americana? Quem tem e quem está de jure e de facto a exercer o controlo democrático do BCE em nome dos Cidadãos da Europa? Existem gaps operacionais também aqui? Quem pode dar hoje essa informação? O constrangimento e os conteúdos implícitos recorrentes das declarações de J. C.  Trichet parecem ser esclarecedores.

Nos USA, o Défice explodiu literalmente para valores 4 vezes superiores ao do pior défice em apenas 12 meses…

Nos USA, só nos últimos 18 meses foram investidos, emprestados, garantidos ou e alocados pela Reserva Federal 14 triliões de dólares (em escala curta, 14*10^12=14.000.000.000.000 Usd).

Mais do que o PIB total, mais do que o Défice total acumulado em mais de dois séculos, é dinheiro que os USA não têm.

É dinheiro que não é possível pedir emprestado sem consequências enormes.

E é dinheiro em papel-moeda que já começou a ser impresso: 14 triliões de Usd até este momento.

Pela primeira vez na História Americana a Reserva Federal está a utilizar a sua capacidade de impressão de papel-moeda com o propósito de concretizar os corporate bailouts (ajudas de emergência a grandes empresas). Isto nunca funcionou no passado e nunca funcionará no actual contexto. Por isso, teremos todos de encontrar e assumir a escolha certa no tal cruzamento ou bifurcação neste caminho terrível em que estamos a ser conduzidos.

Será demasiado tarde? Martin Weiss pensa ainda que não. Mas pensemos em todo o mal que esta operação de impressão de mais papel-moeda pode fazer. E a seguir pensemos quanto de bom apenas uma pequena fracção desse dinheiro pode fazer às pessoas que estão a ser atingidas por esta crise. Se a taxa de desemprego atingir os 10%, tal como a Administração Obama está a dizer que pode acontecer, isso quer dizer que 16 milhões de famílias passarão a não ter rendimentos. Os números são desconcertantes.

Pode ser um exercício teórico, mas se considerássemos os tais 14 triliões de dólares para, em vez de se fazerem os salvíficos bailouts a bancos culposos, corretores, companhias de seguros e construtores automóveis,  serem utilizados esses meios para ajudar os desempregados, pois bem, isso representaria um cheque de 3,5 milhões de Usd para cada família atingida pelo desemprego…

Está a ser argumentado que o dinheiro para os bailouts está a ser bem empregue para salvar bancos e mercados financeiros, mas isso é absolutamente falso. Tanto nos USA como na Europa. Ou em Portugal !

E acredita-se que quem toma essas decisões sabe perfeitamente que é falso. Porque sabem que não se pode voltar com o relógio atrás e inverter os excessos do passado, o endividamento e a especulação que causaram esta crise. Porque sabem que não se pode repelir a Lei da Gravidade. Ou pedir aos investidores que parem de vender, ou impedir que os preços das acções ou do imobilário parem de descer. Os decisores sabem disto!

Mas afinal para onde estamos a ser conduzidos por esta situação? M. Weiss opina que estamos a ser conduzidos para o que chama de

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PONTO INICIAL DO ABSURDO

ou

BARREIRA DO IMPOSSÍVEL

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É o ponto no tempo em que o custo óbvio dos bailouts se torna maior do que os benefícios ilusórios desses bailouts. Ou seja, quando a cura é pior que a doença, quando a cura causa doença. Se a doença é o vício do endividamento – todos sabemos isso – como podem agora estar a dizer-nos que a solução para reconquistar o bem-estar é uma nova injecção ainda maior de endividamento? Responda quem tem a obrigação de o fazer, os Políticos investidos e depositários do mandato de que tem o Poder original em Democracia: os Cidadãos. Porque, desta vez, esse endividamento representa mais Dívida Pública…

Na prática o que isto significa é que o próximo “tiro e queda” será a maior e a mais importante de todas: acontecerá nos Títulos do Tesouro (Government Bonds). Só nos USA?

Sem mais demoras, e não serão grandes novidades para muitos, aqui vão as que estão a ser apontadas como  medidas urgentes para a generalidade dos Cidadãos, Empresas e demais Organizações com ou sem fins lucrativos. Por imperativo de sobrevivência:

- parar para pensar e reflectir seriamente;

- reduzir ao mínimo e controlar efectivamente todos os custos fixos;

- racionalizar gastos, cortando todos os gastos supérfluos, não essenciais à actividade, o que não pode ser sinónimo de  fazer cortes cegos onde parece mais fácil fazê-lo: nos custos com mão d’obra ou salários;

- declarar “guerra às dívidas bancárias”, ou seja, reduzir ao mínimo, ou eliminar se possível, todos os créditos existentes, implementando uma estratégia constante de alívio de dividas, nomeadamente utilizando o resultado da racionalização e cortes em custos para redução desses créditos bancários;

- para quem tem aplicações, reseleccionar esses activos minimizando o seu risco e redireccionando-os por aconselhamento objectivo, especializado, credível e, de preferência, independente, i.e. não-directamente interessado.

De resto, é seguir os links que são disponibilizados neste e nos posts anteriores, analisando tudo o que possa contribuir para a racionalidade destas medidas urgentes num tempo que todos já terão percebido que é de forte irracionalidade e imprevisibilidade.

Esperemos que a VERDADE sobre a 1ª Depressão Global seja reconhecida rapidamente como evidente em Portugal e que quem de facto pode fazê-lo que trate de QUERER providenciar as DECISÕES e as ACÇÕES DE EMERGÊNCIA NACIONAL necessárias pelas quais uma larguíssima maioria de Portugueses crescentemente anseia, embora não saiba, não possa ou ainda não queira formulá-las .

Pede-se CORAGEM PARA MUDAR A ROTA surrealista em que todos nos vemos forçados a navegar, com TRANSPARÊNCIA, HONESTIDADE, VERDADE e com HUMILDADE DEMOCRÁTICA sinceras.

Que se tenha a Consciência de que cada euro de ajudas financeiras “salvíficas” ou de investimentos surrealistas irresponsáveis representa não 1 mas 2 euros de Injustiça Social diferencial: 1€ para premiar os Culposos mais/menos 1€ para castigar as Vítimas das actividades culposas, sejam elas quais forem e de onde vierem.

Ficou claro? É que será esta mais uma raiz – quiçá a mais importante e definitiva – de um Crime Político continuado de que, mais tarde ou mais cedo e imprevisivelmente, serão pedidas responsabilidades. Por acção e por omissão.

A menos que desapareçam todos os registos das continuadas Impunidades…

Por quem fomos, somos e seremos sempre: PORTUGAL !!!

Boa Páscoa…

José Borba Martins, Lagos

p.s. O livro lançado por Martin Weiss alcançou em dois dias apenas o Top de vendas no Amazon.com com a totalidade das receitas destinadas a apoio social de emergência.

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Links para mais informação:

Quem é Martin Weiss?

MartinWeiss.com

Money & Markets

M. Weiss’s 48h Amazon best-seller (leitura e edição em português urgentes)

ESTAMOS NO INÍCIO DE UMA OUTRA GRANDE CRISE QUE SERÁ DE LONGE MAIOR DO QUE A ACTUAL !

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 04/04/2009 at 12:40 am

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Se seja quem fôr que leia estas linhas pensa que o desmoronamento financeiro norte-americano foi uma catástrofe imprevisível, o melhor é pensar de novo.

Quatro anos atrás, pelo menos uma voz avisou bem alto e repetidamente que a bolha imobiliária americana conduziria inevitavelmente à catástrofe económica.

Nessa altura, foram os comentários dos “especialistas de serviço” que qualificaram avassaladoramente essas previsões e avisos de ‘ridículas’. Hoje, neste preciso momento, estão a ser louvadas por serem tão precisas e correctas.

Essa rara voz é a do hoje famoso economista e analista financeiro Peter Schiff, presidente da Euro-Pacific Capital, uma brokerage firm norte-americana. Algumas das suas presenças nos media, que confirmam o afirmado acima, são públicas. V. Videos.

Desde 2004 em múltiplas intervenções televisivas P. Schiff avisou que os lucros no sector imobiliário norte-americano iam desaparecer. Se estava assim tão correcto nas suas previsões porque é que os líderes USA não o levaram a sério e não reagiram à situação?

Porque, para começar, não acreditaram nas suas previsões porque pensaram que ele estava a posicionar-se no desfile de todos os que acreditavam que era possível continuar a enriquecer sem esforço. Queriam apenas continuar a acreditar que isso seria eternamente possível, ou que seria sempre possível comprar uma casa sem ter que fazer poupanças para isso, que o dinheiro haveria de aparecer somente pela valorização automática das casas, com o mero decurso do tempo.

Enfim, está hoje mais que provado que não é nem será assim, nem vale a pena insistir mais neste ponto. É que não há Pai Natal na gestão financeira, e alguém teria a obrigação de saber isso reagindo em conformidade mais cedo. É que a razão do rebentamento da bolha imobiliária americana, como a espanhola ou qualquer outra bolha deste tipo, não é a desvalorização das casas, ao contrário do que é geralmente dito pelos “especialistas”. Pois não, a razão é prévia, e consiste em terem-se inicialmente inflacionado artificialmente os preços. E continuou pelo facto de se ter continuado a encher a bolha através de empréstimos concedidos a partir não de meios gerados internamente mas de empréstimos contratados no exterior… rebentando literalmente com o dinheiro dos outros!!! Isto foi o que aconteceu nos USA. Consumo excessivo em todas as áreas e com um ponto original comum: consumo de produtos importados, produzidos no exterior. Terá sido diferente em Portugal, com a produção nacional no estado que todos conhecem?

Os políticos não quiseram ouvir os alertas, as previsões e os conselhos porque continham a necessidade de as pessoas ajustarem os seus perfis de consumo à realidade. O que era necessário era mais poupança e mais produção. E a opção consciente foi a de continuar a promover mais crédito e mais importações. Dramaticamente ruinoso, como se vê, quatro anos depois.

Mas, mesmo após verificado o erro e as suas consequências, neste preciso momento em que se promovem os mais variados programas de estímulo económico, ajudas a grandes grupos económicos e bancos (“bailouts”), etc., tudo está a ser feito para, incrivelmente, perpetuar o problema, levando a economia americana para um défice ainda mais profundo. O que estão a fazer é lançar gasolina para o fogo…

O presidente eleito Obama vem prometer criar ou defender 3 milhões e meio de empregos. O plano de estímulo à economia prevê injectar 775 biliões de Usd (775 mil milhões de Usd em escala longa, a que seguimos por estas bandas). Outro parentesis para recordar que é público que existem analistas que apontam para um “buraco” de 1 quadrilião de Usd nas contas do Pentágono de quem ninguém fala e muito poucos saberão explicar…

Mas porque é que P. Schiff, como outros, está a dizer que a mudança que o Presidente Obama está a promover é uma mudança para pior?

Porque, antes de mais, a mudança é a de que os USA passam a ter uma maior intervenção do governo do que na situação do governo anterior. Um estímulo maior vindo do governo. Parece bom, mas não é a compreensão dos termos reais do problema existente. “Mais governo” não é a solução. O governo criou estes problemas.

O que é necessário para resolver de facto o problema é ter um governo que compreenda porque é que entrámos nesta confusão.  E que a solução é “menos governo”, menos gastos públicos, menos impostos, menos programas “xpto” tão apropriados para ganhar eleições mas sem conteúdo ou resultados reais, desmantelar o conglomerado industrial militar e políticas monetárias separadas e focalizadas. São necessárias taxas de juro mais altas, e não taxas de juro mais baixas (já estão quase a zero). É necessário fazer as coisas exactamente ao contrário do que estão a ser feitas.

Barack Obama é só mais e maior governo, e está a culpar o Mercado pelos problemas económicos existentes. Ou seja, o Mercado em oposição ao Governo, a que ele pertence… E está a falar em criar milhões de empregos. Não faz lembrar uma outra promessa no mesmo sentido embora com outros números aqui por Portugal?

Mas a realidade é que um governo não pode criar empregos. Porque um governo não é ilimitadamente rico. O que o governo pode fazer é redistribuir a riqueza gerada pelo sector privado. E se o governo vai utilizar recursos fora do sector privado vai destruir oportunidades reais de emprego e diminuir os padrões de nível de vida existentes.

Quando questionado sobre se o povo americano irá ser paciente com o novo presidente Obama, P. Schiff responde dizendo que pensa que o povo americano acredita que B. Obama vem até à baixa e de repente todo o valor das suas casas é reposto, que os postos de trabalho perdidos são recuperados, que os valores das suas pensões de reforma voltam a ser o que eram… Mas nada disso vai acontecer. O governo não tem riqueza. O governo tem uma máquina de impressão e pode pretender criar riqueza imprimindo dinheiro, mas essa ilusão não durará muito tempo.

Diz P. Schiff: ACREDITO QUE ESTAMOS NO INÍCIO DE UMA OUTRA GRANDE CRISE QUE SERÁ DE LONGE MAIOR DO QUE A QUE O GOVERNO SE TEM ESTADO A DEBATER ATÉ AGORA E QUE É O COLAPSO DO VALOR DO U.S. DOLLAR !

PENSO QUE O USD IRÁ CAIR ATÉ AO CHÃO E ISSO IRÁ REVELAR PROBLEMAS AINDA MAIORES DO QUE AQUELES QUE TEMOS HOJE, PORQUE ISSO LEVARÁ AS TAXAS DE JURO E OS PREÇOS NO CONSUMIDOR PARA CIMA ATÉ À ESTRATOSFERA !  SÓ NOS U.S.A.?…

Os USA arrastaram o mundo para esta crise económica porque foi o resto do mundo que emprestou aos USA os triliões de dólares que foram gastos e que os USA não podem reembolsar. À medida em que os USA forem progredindo no seu caminho para a bancarrota, os credores dos USA terão a nível nacional as suas consequências.

Mas o que está a acontecer agora é que o presidente Barack Obama está a planear e implementar estes novos massivos programas de governo, programas de estímulo, triliões de dólares de défice orçamental…e é ao resto do mundo que se está a pedir a conta. É ao resto do mundo que já está a sofrer com a falta de reembolso dos triliões que já emprestou aos USA que os USA estão a pedir mais triliões de dólares…

P. Schiff não acredita que o resto do mundo o vá fazer. Não acredita que sejam tão estúpidos. Acredita que estão a aprender uma lição muito válida desta experiência, que é a de não emprestar mais dinheiro aos USA.

E então teremos a Reserva Federal a pôr as impressoras a imprimir dinheiro como hélices de helicóptero, para comprar triliões e triliões de dólares de dívida do governo federal e o dólar vai implodir. Ninguém irá querer dólares, nem sequer os americanos.

As consequências da implosão do USD para os consumidores americanos são gravíssimas. Não irão consumir mais importações, porque o dólar não vai poder comprar nada. Neste momento compram e consomem porque os fornecedores estrangeiros aceitam dólares para pagamento os seus produtos. Quando não aceitarem dólares os USA deixarão de ter os seus produtos. E os USA não têm fábricas suficientes para produzirem esses produtos por si próprios. Em resumo: os USA terão imenso dinheiro mas não conseguirão comprar nada.

Se o governo americano impuser “controlo de preços”, o que P. Schiff considera como possível a curto prazo, a consequência será que, na vigência da Administração Obama, a inflação será tão grave que o governo seguirá as pisadas da Administração Nixon e imporá o controlo de preços para produtos de consumo básicos – incluindo bens de consumo alimentares e energia – e, se isso for feito, claro que haverá filas de espera para tudo, e as pessoas começarão a negociar no “mercado negro”. Não se conseguindo comprar no mercado normal, vai-se ao “mercado negro”… E qual será a moeda do “mercado negro”? O Euro? Moedas de prata? Em que moeda negociarão os americanos “ilegalmente” para obter os bens básicos de que necessitam?

ESTAMOS EM ROTA DE COLISÃO PARA UMA INFLAÇÃO MASSIVA !!!

Os USA estão a caminho de perder a posição dominante, seja na área económica seja na militar. P. Schiff compara a crise económica americana ao colapso da União Soviética, porque, tal como neste caso, não se pode continuar a financiar o “império”. Pode ser muito rápido. A USSR ficou reduzida a quase nada num curtíssimo período de tempo. As pessoas nem acreditavam que fosse possível acontecer. Estamos perante um cenário semelhante, em que a presença militar americana pode chegar a um final abrupto. Apenas se está a manter em função da sobre-avaliação actual do dólar e pelo facto de se ter conseguido obter tanto financiamento proveniente dos resto do mundo.

Assim que o dólar colapsar, colapsará a presença militar americana no mundo e os USA serão progressivamente marginalizados da cena mundial. O que aliás já aconteceu em relação à reputação que os USA tinham anteriormente. As riquezas herdadas dos antepassados foi gasta. A nova criação de riqueza está a ter lugar fora dos USA, está a ter lugar na Ásia. À medida que os padrões de consumo se reduzirão drasticamente nos USA, os níveis de vida nas potencias emergentes na Ásia crescerão inversamente.

É para isso que P. Schiff tem tentado alertar há vários anos e que não tem sido percebido: os USA não têm sido o motor da economia mundial, têm sido o peso morto que o resto do mundo tem carregado penosamente.  Schiff não é o único a ter alertado. Foi um dos poucos a tê-lo feito e a, simultaneamente, ter acesso aos media.

Lá dirá o nosso Dr. Medina Carreira que com o mal dos outros podemos nós bem. Mas parece que tanto os líderes portugueses como os mundiais ainda não perceberam a raiz do que se está a passar.

Parece que ainda pretendem fazer crer a todos que a realidade existente se deve a um acontecimento aleatório qualquer, que ninguém poderia ter previsto, e que a única coisa a fazer é remediar as coisas de modo a que tudo volte a ser como dantes.

Ainda não compreenderam que tudo o que aconteceu e está a contecer neste preciso momento é uma consequência de uma deriva financeira e económica que se limitaram a seguir tão alegre como inconscientemente. Ou não?

Que mais poderá este irrelevante português acrescentar por agora?

QUE É POR DEMAIS RECOMENDÁVEL E URGENTE QUE SE TOME CONSCIÊNCIA DA REALIDADE E QUE, EM PORTUGAL, SE ALTERE A ROTA. QUEM PODE QUE MANDE. A REALIDADE DE PORTUGAL NÃO É COMPAGINÁVEL COM MAIS JOGOS FLORAIS PSEUDO-POLÍTICOS E PSEUDO-DEMOCRÁTICOS NEM COM INTERESSES QUE NÃO SEJAM OS DA GENERALIDADE DAS PESSOAS.

QUEM CONTINUAR A OCULTAR A VERDADE E A ESQUECER ESTA EVIDENTE URGÊNCIA LAMENTARÁ RÁPIDA E ETERNAMENTE O QUE (NÃO) FEZ.

p.s. Seria bom informar os Portugueses, para além do que está inscrito nos relatórios do BdP, sobre qual a evolução detalhada dos movimentos das reservas físicas de Ouro que o nosso país apresenta desde 1974.  Assim como informar qual o peso total que Portugal detém em 31.Mar.2009, dar a saber onde se encontram fisicamente essas reservas do nosso metal precioso e informar se o BdP tem algum “ouro digital”.

José Borba Martins, Lagos

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Links úteis:

Quem é Peter Schiff?

P. Schiff Video Message

P. Schiff no Washington Post

P. Schiff’s Worst Case Scenario


SERÁ ISTO QUE NOS ESPERA?

In Internacional, Local, Nacional on 01/04/2009 at 4:14 pm

gerald-celente

Transcrição da entrevista de 12.12.2008, de Freeman a Celente, republicada no Projecto Grifo, com destaques da responsabilidade do Talefe. Trata-se de um documento que pode considerar-se polémico mas é credível, factual e oportuno. Contém informação urgente e relevante para despertar consciências para a REALIDADE, porque o que está a acontecer não é, de todo, uma mera crise ou qualquer espécie de fenómeno meteorológico. Quando esta 1ª. Depressão Mundial terminar – e enquanto durar – nada será como dantes !!!

«Vamos viver a maior recessão de sempre, muito pior do que a “Grande Recessão” dos anos ‘30!

Gerald Celente faz previsões, é escritor e chefe do Trend Research Institute que fundou, em 1980. É famoso pelas suas previsões acertadas referentes a acontecimentos internacionais, tal como o ‘Crash’ da Bolsa, em 1987, o desmoronamento da União Soviética, em 1990, a crise asiática, em 1997, o desmoronamento da economia russa, em 1998, o rebentar da bolha da Internet, em 2000, e a recessão de 2001. Ele também previu o início da febre do ouro, em 2002, a decadência do mercado imobiliário, em 2005, a recessão de 2007 e o pânico de 2008. Como estávamos a aproximar-nos do fim do ano, resolvi perguntar ao Sr. Celente quais as sua previsões para o ano 2009. Aqui está a entrevista que ele me concedeu a 12 de Dezembro de 2008.

Freeman: Como vê a situação actual na América?

Celente: O seu sistema financeiro desmoronou-se totalmente. As únicas duas coisas que o Governo ainda está a fazer para manter o país vivo, é imprimir mais dinheiro ou reduzir as taxas de juro. Chamamos-lhe o Passo Duplo de Bernanke: o presidente do FED só pode dar dois passos. Nenhuma destas medidas alterará o rumo ou vai travar o desmoronamento da economia. Será preciso uma nova capacidade produtiva como, por exemplo, nos anos ‘90 quando avançávamos para uma recessão, saímos dela através da tecnologia da Internet. Tudo foi transferido para a Internet. Isso era real. Havia especulação nos mercados, mas nada tinha a ver com a existência do produto. Era uma capacidade produtiva.
Não é possível desencadear uma coisa destas através de uma iniciativa monetária ou fiscal. Por exemplo, temos um presidente novo que quer criar 2.5 milhões de postos de trabalho, segundo ele diz. Onde vai arranjar dinheiro para tal? Apenas o pode imprimir. Estamos confrontados com uma hiperinflação, como na época da República de Weimar, algo que também pode acontecer ao dólar. A propósito, sou um ateu político. Não acredito em histórias, sou uma pessoa crescida. Se alguém imagina que os políticos nos vão salvar, está a iludir-se, ou é criança. E esta ilusão está muito pronunciada na América. As pessoas estão cheias de esperança que o novo presidente conseguirá modificar as coisas.

Freeman: Se observarmos a equipa que Obama escolheu até agora, não vai haver mudança.

Celente: Certo. Mas como pode haver uma alteração, se escolheu as mesmas pessoas que originaram a crise? Como, por exemplo, Larry Summers, que vai ser o seu conselheiro económico e Timothy Geithner, presidente do FED de Nova Iorque. Todos são protegidos de Robert Rubin. Sommers foi Ministro das Finanças da Administração Clinton, depois de Rubin. São estes que destruíram a Lei Glass-Steagall.

Freeman: A causa desta situação foi a abolição da Lei Glass-Steagall. (Para informação: Em 1999, Clinton aboliu esta lei que fora introduzida como lição da última grande depressão. Consequentemente, a separação entre bancos comerciais e bancos de investimentos deixou de existir e introduziu-se a liberalização total, o que voltou a possibilitar a especulação incontrolada dos bancos.)

Celente: É verdade. Pelos vistos, está a par. São as pessoas que criaram o clima para aparecerem todos os derivados, tal como, os Credit Default Swaps, os SIV, CDO, os chamados instrumentos financeiros exóticos que, na realidade, não passam de apostas, que é como jogar no casino.

Freeman: Acha que a crise financeira foi criada propositadamente, ou será antes uma falha?

Celente: É uma falha. Há aquela conversa sobre os Illuminati. Se foram os Illuminati que a criaram, serão eles que a devem resolver. Não há uma única coisa que uma destas pessoas tenha realizado com êxito, na sua carreira. Eles nunca fizeram nada certo. Foi através da incompetência e da adulação que conseguiram subir. É assim que acontece no Estado. Após ter terminado os meus estudos universitários, em 1971, iniciei a minha carreira no Estado, em Yonkers, Nova Iorque, uma cidade com trezentos mil habitantes. Depois, enviaram-me para Albany, a capital do Estado de Nova Iorque, onde fui assistente do Secretário do Senado do Estado de Nova Iorque. A seguir, ensinei Ciências Políticas na St. John University. De 1973 a 1979, fui especialista em questões governamentais, em Washington, para a indústria química.
Portanto, conheço bem a máquina governativa. Também trabalhei para Reagan e Connoly, contactei com os principais intervenientes. As pessoas acham que essa gente é mais inteligente que os outros. Na verdade, é mesmo assim. Quando se trabalha para o Estado, é preciso atestar que se é mais estúpido que os outros. A outra realidade é a que presenciei quando trabalhava em Albany. Vi como os políticos rastejavam para subir. Subiam a pulso. Portanto, pensar que estes políticos são capazes de resolver o problema, é pura ilusão. Além disso, na realidade, todas as organizações políticas não passam de organizações criminosas, e não afirmo levianamente.

Freeman: Eles não sabiam que, se Greenspan baixasse tanto o valor do dinheiro, todo o sistema financeiro iria implodir?

Celente: Para as pessoas não perderem o seu dinheiro, devido ao rebentar da bolha da Internet, ou seja, para os grandes jogadores nada perderem, eles achavam que podiam baixar as taxas de juro, algo que fizeram desde Março de 2000. A partir daí, lançámos avisos através do nosso Instituto, e temos documentos a dizer o que ia acontecer. Mas ninguém quis acreditar. Quando avisámos por escrito que vinha aí um descalabro, recebemos muitas cartas a perguntar se não podíamos dizer algo de positivo, algo agradável. Aconteceu o mesmo em relação à guerra. Antes do início da Guerra no Iraque, dissemos em alto e bom som que a América ia perder. Que iam avançar sem grande resistência e eliminar Saddam Hussein, mas que a seguir teriam pela frente uma guerra de guerrilha, algo que não é possível ganhar. Contudo, ninguém quis ouvir, não teria sido patriótico. E então? Após quase 8 anos de guerra, não avançámos um passo. Quando falo de organizações criminosas, não o digo como calúnia, mas como um facto. A América está a combater numa guerra que assenta em motivos falsos. Se eles sabiam isto ou não, é puramente uma questão académica. Mas com esses motivos falsos, estão a matar pessoas inocentes, mulheres e crianças, algo que é contrário aos meus princípios morais. Além disto, eles roubam as pessoas descaradamente, em pleno dia, com aqueles pacotes alimentares de emergência. Há aquela mentalidade de “são demasiado grandes para cair” o que significa que somos pequenos demais para os salvar. É a típica mentalidade inglesa, como aconteceu no Titanic. Os ricos embarcam nos barcos salva-vidas, enquanto os pobres são encerrados no convés inferior e se afundam com o navio.

Freeman: Que é que lhe parece que vai acontecer agora, já que não pôs de parte o “bailout” para a indústria automóvel?

Celente: É indiferente. Desde o início que aquilo não tinha pés para andar. Teria sido deitar dinheiro à rua. Além disso, quem comprar um automóvel de fabrico americano, não é bom da cabeça. É só sucata. E os dirigentes são incompetentes. O vice-presidente do Conselho Fiscal da General Motors disse, em 2005, que quem imaginava que o elevado preço dos combustíveis levaria as pessoas a não comprar SUVs, não sabia o que estava a dizer. Ele está totalmente enganado. Há décadas que essa gente só produz porcaria e diz disparates. Houve tempo em que a América fabricava automóveis fantásticos, mas isso já lá vai. Eles só se interessavam pelos lucros, pelo dinheiro que podiam ganhar.

Freeman: A crise financeira atravessou o Atlântico em direcção à Europa e está a arruinar todo o mundo.

Celente: É verdade. Nas minhas viagens costumo reparar que os europeus e os asiáticos assimilam todas as porcarias vindas da América e imitam tudo. Assim, o CS e o UBS estão sujeitos às mesmas manipulações monetárias estúpidas e criminosas que os bancos de cá. Há um ano, ainda se ignorava se o estrangeiro também seria contagiado. Agora, o mundo inteiro está com uma pneumonia. Veja o que se passa em Espanha, com toda aquela construção desenfreada que produziu um excedente imobiliário gigantesco. O país está na falência. Acontece o mesmo com os antigos Países de Leste. Encontrei pessoas de lá e, surpreendido, ouvi-os falar de investimentos e de marketing, como se sempre tivessem vivido no capitalismo. Falaram comigo como se estivessem a par de tudo. Comportaram-se mais como animais de rapina, como se há muito estivessem a viver no Ocidente. Estes e muitos outros países foram os culpados do seu próprio horror económico, e deram com os burrinhos na água.

Freeman: Quais são as suas previsões para 2009? Tudo indica que a economia vai paralisar.

Celente: Acabámos de publicar as nossas previsões para 2009. Prevemos o colapso total da economia. Em 7 de Novembro de 2007, previmos o crash financeiro e o pânico de 2008, e acertámos. No próximo ano, assistiremos ao desmoronamento de todo o comércio a retalho, depois, será o desmoronamento dos bens imobiliários comerciais, etc. … Vamos assistir à maior recessão de sempre, muito pior do que a “Grande Recessão” dos anos ‘30.

Freemann: Uau!

Celente: E digo-lhe porquê. Antigamente, não havia tantas pessoas com bens de raiz tão endividados. Elas não contraíam, como agora, empréstimos tão avultados sobre eles. Também não tinham cartões de crédito, nem dívidas de 14 biliões de dólares. Naquela altura, havia um lucro comercial; hoje a América tem um défice de 700 mil milhões de dólares por ano. O orçamento geral do Estado estava equilibrado, agora temos um défice gigante e a administração do Estado está nos 13 biliões de dólares, tendo sido acrescido, só este ano, por mais 1 bilião de dólares. No início da II Guerra Mundial, a América era o motor de toda a produção industrial do mundo, nós tínhamos a maior produtividade. Há muito que isso acabou. Somos uma nação em queda. Estamos a avançar para a maior depressão, e ela será a nível mundial.

Freeman: Pensa que vai haver um desemprego geral com revoltas subsequentes?

Celente: Sim, também prevemos uma tendência para a revolução. O que se está a passar na Grécia, pode acontecer em qualquer lado. Não se trata apenas da morte do rapaz de 15 anos. As pessoas estão a revoltar-se contra aquela classe de políticos incompetentes e totalmente corruptos que é igual em toda a parte. Trabalhei para o Estado, conheço a ordem de grandeza da corrupção. Em Washington, trata-se apenas de lançar projectos para cada um enriquecer e para enriquecer os amigos. Uma mão lava a outra, dinheiro para os amigos. O sistema é corrupto de alto a baixo.

Freeman: Vamos passar por uma depressão dolorosa, durante um ou dois anos, e depois sair dela?

Celente: Como quer sair dela? Que é que nos vai ajudar a sair dela?

Freeman: Vai ser uma depressão de longo prazo?

Celente: Vai.

Freeman: Isso não soa nada bem. Como vai afectar a Europa?

Celente: A Europa vai estar algo melhor porque as pessoas não se endividaram tanto e estão em melhores condições para sair disto tudo. A América transformou-se num país de bananas. As pessoas já não conseguem fazer nada, só sabem consumir, vivem em casas grandes, conduzem automóveis grandes e tornaram-se grandes e obesas. Não conseguem parar de viver acima dos seus meios. Consomem demasiada comida, energia e espaço. Não sabem viver modestamente. A festa acabou, vai ser muito doloroso apertar o cinto. Temos uma camada crescente de pobres, algo que nunca tivemos. É assustador. Vamos ter uma taxa de desemprego muito elevada, muito maior do que na última depressão.

Freeman: Não vê solução como sair desta depressão?

Celente: Só vamos sair da depressão, se pusermos em andamento uma nova capacidade de produção que irá mais longe que as novas tecnologias para energias alternativas. Terá de ser algo totalmente revolucionário, algo que será o novo motor para a economia, tal como a descoberta do fogo ou a invenção da roda.

Freeman: A História demonstra que, quando os que detêm o poder se confrontam com grandes problemas económicos, eles não os solucionam, acham que uma guerra resolve tudo. Existe a possibilidade de uma nova guerra grande?

Celente: A II Guerra Mundial pretendeu ser a solução para a última grande depressão. Agora vivemos noutros tempos. A próxima guerra será com armas de destruição maciça. Hoje, já só se pode fazer a guerra contra países subdesenvolvidos. Já não se trata do lançamento de ogivas intercontinentais, mas de uma guerra de guerrilha hightech, tal como acontece no Iraque e no Afeganistão. Mas os políticos são capazes de tudo.

Freeman: Refere-se com isso a um ataque sob uma bandeira falsa (“false flag operation”) ?

Celente: Sim, eles estão constantemente a mentir como, por exemplo, que Saddam Hussein tinha armas nucleares e ligações com a Al Quaeda. Quem acredita ainda nos políticos?

Freemann: O senhor disse que a América estava a seguir o caminho da Grã-Bretanha. Está a dizer que a América já não aguenta sustentar o Império e o estacionamento de tropas em 130 países?

Celente: Sim, o Império americano está a desaparecer. Terá o mesmo fim que o inglês. Já não nos podemos dar ao luxo de o manter.

Freeman: O único político que o afirma na América, que também tem uma política económica racional e que quer restabelecer o direito constitucional, é Ron Paul. O que acha dele?

Celente: Eu teria votado nele para Presidente. Em vez disso, tive de votar em Nader porque o nome dele não constava da lista. Não vou apoiar nenhuma das organizações criminosas que dividem o poder em Washington. E sou muito claro nisso. Quem tiver votado nos criminosos, apoia a continuação dos assassinatos e dos roubos. É tão simples como isto. Eles matam pessoas inocentes todos os dias.

Freeman: Qual é o grau de culpa dos media nisto tudo? Eles comportam-se como órgãos de propaganda.

Celente: A culpa deles é grande. Eles vão para a cama com o poder. Só temos de ver a ligação estreita que existe entre os representantes dos media e as autoridades, os Ministérios, o Pentágono e a Casa Branca onde estão como em sua casa. Podemos agradecer ao New York Times por nos ter vendido a Guerra do Iraque. Em 2007, este jornal também nos disse que o problema da economia não passava de um ‘resfriado’ e que havia de passar, embora já tivéssemos vislumbrado o crash. Os media estão do lado da economia e do governo, não cumprem o seu papel de forma alguma.

Freeman: Que é que pode dizer às pessoas, quanto à maneira como se devem preparar para a depressão que se avizinha?

Celente: Há muito que dizemos no Instituto que não devemos gastar nem um cêntimo mais do que temos. Vamos ter de viver numa nova simplicidade na qual só compramos coisas que realmente precisamos, e que utilizamos durante mais tempo. Acabou-se o ciclo do consumismo, a noção de que se pode comprar e atingir a felicidade através do materialismo. Não me interprete mal, também gosto de coisas bonitas, mas agora trata-se de qualidade, ou que menos é mais. Depois, por causa da educação das crianças. Aqui na América, todos querem mandar os filhos para uma escola superior ou para a universidade. Isso custa uma fortuna. Para quê? Para estudarem Economia ou Direito e fazerem o MBA? Poupem o vosso dinheiro.
Temos banqueiros e advogados de sobra que não servem para nada e que não criam riqueza. Mais vale uma formação prática e útil, como engenheiro, técnico ou qualquer profissão onde se trabalha com as mãos. Vai haver uma grande mudança. Tudo começa a nível local. Há que olhar pela sua comunidade e nela ser activo. Como ser útil aos outros. Pode estar contente que na Suíça existe a democracia directa e pode colaborar directamente. Aqui na América, já não temos voto no assunto, fazem o que querem. Por exemplo, as pessoas são contra as medidas de emergência. O que é que fazem os políticos? Aquilo que bem lhes apetece.

Freeman: Eu digo ao meu público: apoiem as vossas cidades e comunidades, lutem pela manutenção das estruturas públicas, impeçam as privatizações e a liquidação de todo o mundo.

Celente: Há serviços que são essenciais e deviam ser públicos, tal como os transportes, a energia e o abastecimento de água. Aqui temos o governo mundial a trabalhar. Não sou teórico da conspiração, mas todos sabem para onde vamos caminhar. Eles querem controlar tudo e ter um governo central.

Freeman: Com todos os problemas económicos dos países do Mediterrâneo e com a adesão dos novos países do Leste, acha que a União Europeia e o Euro se vão desmoronar?

Celente: Sim, é a nossa convicção. Nós dissemo-lo antes da introdução do Euro. Só é preciso um populista nacional de num país-membro pensar que pode vencer a crise se o seu país sair da União Europeia para esta se desmoronar. Berlusconi já o deu a entender, com a ameaça de denunciar o Acordo de Schengen, devido à grande vaga de imigrantes. A migração das massas é um problema muito grande. Os países ocidentais são inundados por pessoas que procuram uma vida melhor ou que fogem de algum perigo. Não adianta ser-se altruísta, quem vai pagar isso tudo? Onde arranjar um abrigo, alimentação e trabalho para estes estrangeiros quando mal se consegue cuidar dos habitantes do próprio país?

Freeman: Acha que vai haver uma união norte-americana entre o México, os EUA e o Canadá?

Celente: Sim, achamos que isso é possível. Mas, agora, a hipótese de uma ruptura é muito maior. Estamos a assistir ao desmoronamento dos EUA, tal como assistimos ao da União Soviética. Algumas regiões vão reconhecer que podem vencer melhor a crise sem um governo federal. Para que é que precisam de Washington que está tão longe? Já viu a quantidade de políticos que lá pululam? São incompetentes e corruptos, só pensam no seu proveito próprio. Estamos a assistir à dissolução dos Estados Unidos.

Freeman: Na sua opinião, a função dos bancos centrais está ultrapassada? Afinal, foram eles que provocaram a crise e falharam completamente.

Celente: Sim, falharam, mas existe uma luta pelo poder. Os grandes querem esmagar os pequenos, tal como sempre aconteceu na História. Uma das tendências que estamos a observar, denominámos “Corta-lhes a cabeça!”. É o que de certo vai acontecer.

Freeman: Quer dizer que vai haver uma revolta a sério?

Celente: Absolutamente. Veja a gentalha que existe na Wall Street, ou o tipo de gente que sai das Universidades de Harvard e de Yale. Jamais na vida sujaram as mãos. Não fazem ideia do que significa viver na rua depauperado. Quando se tira tudo às pessoas e já nada têm a perder, elas estão dispostas a tudo.

Freeman: As coisas que prevê não são nada optimistas.

Celente: Não tem nada a ver com optimismo ou pessimismo. Tem a ver com realismo. É como quando vai ao médico e este lhe diagnostica um cancro em estado terminal. Quer que ele lhe minta ou que lhe diga a verdade? Um falso optimismo não altera as coisas, vai morrer dentro em breve.

Freeman: Acha boa ideia pessoas individuais, ou comunidades inteiras passarem a abastecer-se a si próprias e separarem-se da rede?

Celente: Absolutamente. Sem qualquer dúvida. Devíamos examinar a possibilidade de nos tornarmos independentes do sistema e produzir os nossos alimentos e a nossa electricidade. Foi o que eu mencionei há pouco. Com tecnologias novas será possível. Quando isso acontecer, as pessoas vão afastar-se do Estado-protector e dos consórcios. Em 1997, publiquei um livro chamado “Tendências de 2000″ que tratava precisamente deste tema. O sistema central já se devia ter desmoronado há muito. Só foi mantido através de dinheiro barato. Mas isso também já não funciona. Para que é que precisamos de um governo central que cria todos os problemas e que não tem soluções?

O futuro é a independência total e a descentralização.

Freeman: Muito obrigado pela entrevista.»

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Links úteis:

Quem é Gerald Celente?

G. Celente’s Trends Research Institute

G. Celente Predictions