José Borba Martins

Arquivo de Fevereiro, 2009

A MIM NÃO ME ENGANAS TU !!!

In Medalha de Coco, Nacional on 28/02/2009 at 12:11 pm

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O XVI CONGRESSO NACIONAL do PS

1-  José Sócrates, o SG do PS e Primeiro-Ministro da República Portuguesa que vai comemorar 100 anos «propôs que o Congresso PS faça “uma reflexão política séria” sobre a crise, defendendo que o papel do PS é também ajudar a que a Europa “se bata por uma regulação mais forte, uma globalização mais justa e pela eliminação dos off shores”»

O tema já tinha sido incluído na sua moção de candidatura a SG do PS… Mas e as decisões concretas? Quais foram, são ou serão? A Prática Política decisiva? Para quando? Por quem? Ajudar a Europa? Lá estamos a falar sobre os outros países quando temos que nos concentrar no nosso… E a nós quem nos ajuda?

Concretizando:

- o que impediu e impede um Governo com maioria absoluta, que é o patrão do maior banco português (CGD) e que ‘tem’ no Banco de Portugal um ex-SG do PS, de promover uma plataforma informática centralizada no BP que, em tempo real, permita designadamente:

a) a rastreabilidade / traçabilidade automática de todas as operações bancárias…, e

b) reduza de um modo sistemático o calvário da “escavação da verdade” aos Investigadores que se vêem confrontados com todo o tipo de manobras dilatórias quando querem aceder aos movimentos de uma qualquer conta bancária, mesmo  munidos  da competente ordem judicial para o efeito? Está implementado noutros mercados a nível mundial em relação aos quais, comparativamente, o movimento bancário português é…uma ínfima migalha. Ou não sabemos fazer interfaces entre os sistemas informáticos dos bancos e a plataforma sugerida?

NADA o impediu nem impede! Assim NÃO!

- o que impediu e impede um Governo com maioria absoluta de determinar legislativamente o regresso dos meios financeiros ‘escondidos’ e ‘parqueados’ em off-shores dando um prazo aos seus titulares para o fazer, reinjectando na Economia Portuguesa essa ‘poupança inactiva’? Dir-se-à que não pode ser uma medida de um país só, senão os capitais ‘fogem’ , embora não entenda como podem fugir se já fugiram… Mas então porque é que esse trabalho não foi já feito ao nível europeu e mundial? Estamos à espera de quê? Da desintegração do Euro? Que a Depressão impacte na Europa mais fortemente do que nos USA? Afinal de contas, que interesses se  pretendem ocultar ao abrigo dessa omissão factual, porque apenas existente nesta tão tardia quanto eleitoralista retórica?

NADA o impediu nem impede! Assim NÃO!

2-  José Sócrates, o SG do PS e Primeiro-Ministro da República Portuguesa que vai comemorar 100 anos disse que «há um combate decisivo a travar pela decência da Democracia». Pois há, e há muitos anos. Grande novidade…

Mas como e onde o fazer se quem tem o poder de o fazer acorda tardiamente para essa necessidade (e para outras nem acordando…) no final de uma legislatura, com a 1ª Depressão Mundial em evolução vertiginosa?

Realmente…a necessidade desse combate existe mas não se pode jogar com dois equipamentos diferentes ao mesmo tempo!!! É que o camaleonismo político tem limites… e é bom que se tenha consciência que é já dramaticamente visível que quem acompanha e aplaude as teses retóricas que contradizem o que afinal faz Frei Tomás, o faz por necessidade de subsistência económica e, definitivamente, não por convicção política.

É gritantemente visível!

Ao contrário do que vai argumentando, sempre muito oportunamente, o nóvel ‘malhão’ de serviço, um ministro do governo Sócrates – aliás com um percurso notável – afirmou, durante a última campanha presidencial, que «uma vitória de Cavaco Silva seria um golpe de estado constitucional» e que é, de facto, a mesma pessoa que afirma a propósito do movimento de Professores, que «se fôr preciso defender outra vez, como defendemos em 75 a Liberdade em Portugal, o PS estará na linha da frente da defesa das liberdades públicas». Quando, na realidade de 1975, o senhor ministro posicionou-se exactamente no lado contrário àquele onde então se alojavam os que agora se propõe elogiar:  Manuel Alegre, Salgado Zenha e Mário Soares ?…

Este tipo de ‘afirmações camaleónicas’ mais as das ‘campanhas negras’ parecem ser mais dignas de ‘aprendizes de feiticeiro’ desta tão vasta área – em que historicamente se incluem as famosas ‘false flag operations’ – que de um Doutor em Sociologia.

Na minha humilde opinião de ‘cidadão irrelevante’ deveria, em vez de dar uso às técnicas neuro-linguísticas que parece tão bem conhecer e com que repetidamente vem manipular a activação das estruturas mentais inconscientes que motivam os nossos comportamentos (sem prestar atenção à racionalidade dos nossos interesses ou aos múltiplos dados da realidade) deveria, dizia eu, utililizá-las não em função de interesses pessoais, mini-grupais ou partidários conjunturais sucessivos, mas sim no sentido estruturado e permanente no âmbito da Mobilização Positiva e da Defesa da Verdade ao serviço de um Portugal Todo.

É claramente disso que  todos precisamos há demasiado tempo!

Então esse ‘combate decisivo a travar pela decência da Democracia‘ faz-se pedindo mais tempo, um nova maioria absoluta, impossível de obter na actual configuração inalterada do sistema eleitoral e depois de se terem promovido as estranhíssimas alterações que se promoveram ao nível do sistema judicial, concretamente no âmbito processual? Mais tempo para quê? Para continuar a assar o peixe que já está queimado e que somos todos nós, Cidadãos Portugueses?

Concretizando:

- o que impediu e impede um Governo com maioria absoluta, após ter tomado uma decisão no bom sentido, se bem que inacabada e só podendo funcionar com gente decente, ao fazer uma alteração ao nível do sistema eleitoral autárquico – quem ganha governa, quem perde vai para a oposição, mantendo-se a representatividade ao nível das assembleias municipais – de ter decidido o mesmo ao nível do sistema eleitoral legislativo nacional onde, como se tem visto recorrentemente no passado e se verá no futuro imediato, o actual design eleitoral é totalmente impeditivo de uma governabilidade sem maioria absoluta, como se pode confirmar pelo factual ‘tempo médio de duração dos governos’ desde a Constituição de 1976?

NADA o impediu nem impede! Assim NÃO!

Onde nem sequer se conhecem os governos propostos antes das eleições? Levando essa ‘meia decisão’, ainda por cima e em consequência, a ter-se posto a generalidade dos portugueses a falar contra uma pretensa ‘ditadura das maiorias’?

- o que impediu e impede um Governo com maioria absoluta de ouvir e dar sequência ao que dizem os especialistas de tantas áreas como, por exemplo, a da Justiça, em que um ex-ministro socialista e ex-comissário europeu quando, traçando um diagnóstico negro na área da Justiça, apela a uma “revisão e alteração profundas” no sector e refere que “na justiça temos um problema de ineficácia e de inadequação do sistema perante as necessidades da vida actual, social e económica”?

NADA o impediu nem impede! Assim NÃO!

Como escreveu numa Visão deste mês de Fevereiro um rapaz que nasceu três dias depois da revolução dos cravos: «É tempo de reconhecer o mérito e agradecer a governos atrás de governos que fizeram tudo o que era possível para não habituar mal os portugueses. A todos os executivos que mantiveram Portugal em crise desde 1143 até hoje, muito obrigado. Agora, somos o povo da Europa que está mais bem preparado para fazer face à crise.»

Por mim, limito-me a repetir que pode enganar-se uma pessoa uma vez, duas pessoas duas vezes, mas não se pode enganar toda a gente o tempo todo! E que o pior dos cegos é o que, podendo ver, tendo a obrigação de ver e realmente vendo, insiste em não querer ver Portugal a saque, um país que se tornou insuportavelmente num descomunal e dramático caso de desorganização e de polícia em que

Já não é só o Rei que vai nu. É o Povo que tem Fome de Justiça !!! (arrepiante e imprevisível).

Quase toda a gente sente que esta Democracia já nem é sequer Formal, já está em Formol…

Quanto tempo mais para passarmos deste ‘cadáver adiado que procria‘ para os versos seguintes da nossa Mensagem, senhores?

José Borba Martins, Lagos

1ª DEPRESSÃO MUNDIAL: CONTRIBUTO PARA UMA SOLUÇÃO.

In Internacional, Nacional on 23/02/2009 at 12:18 am

luacheia

Nesta noite do festim dos Óscares de 2009, abstraiamo-nos por um momento da gravíssima realidade portuguesa, agravada e evidenciada crescentemente pela crise económica mundial resultante da crise financeira americana, e revisitemos Lord Keynes que, relembremos para além de tudo o mais, considerava a Teoria útil se, e só se, pudesse ter reflexo real na Prática, ou seja, ao nível do dia-a-dia das pessoas…

Teoricamente, a Depressão só aparece quando a Poupança excede o Investimento. Dizendo doutra maneira, quando uma parte significativa da Poupança Total permanece parada, não investida reprodutivamente, ficando sob a forma de Poupança Inactiva.

Voltando à realidade presente parece, no entanto, estar a laborar-se num erro grave, tão grave quanto a trágica alocação continuada do dinheiro dos depositantes americanos para alimentar a espiral da valorização dos Fundos de Investimento.

E qual é esse erro grave? O da não-inclusão nos cálculos de 3 realidades nada negligenciáveis que têm que estar quantificadas com precisão e publicadas. Tais realidades só se podem quantificar e ser objecto da sequência de políticas adequadas através de uma decisiva Vontade Política por parte de todos os governos.

Nomeadamente na decisão global urgente sobre off-shores, plataformas financeiras onde estão desempregadas ou mal-empregadas, porque não reprodutivas, neste momento e por defeito, cerca de 1/3 das disponibilidades mundiais de divisas….

Essas três realidades, por muito difícil que pareça ver quantificadas, são as seguintes :

1) o dinheiro utilizado nas diversas actividades especulativas, mais os dois tipos de “black money” seguintes, i.e.

2) o chamado “dinheiro sujo exportado” e

3) o chamado “dinheiro sujo” bloqueado resultante das actividades de “law enforcement” (das três realidades será a de menos difícil quantificação).

Parece, pois, extremamente urgente e recomendável a constituição temporária de uma ‘Aliança’ do tipo “Anti-Depression World Mission” em que, após uma quantificação objectiva daquelas variáveis, essa ‘Aliança’ tome medidas para converter o mais rapidamente possível essas três realidades em Investimento efectivo e não em políticas defensivas de “damage control” como se estivéssemos perante um fenómeno meteorológico…

Deverá, na minha opinião, resistir-se à tentação de gerir os meios provenientes dessa conversão da “Poupança” Inactiva em formatações organizacionais públicas tradicionais. No caso de Portugal, deve configurar-se uma estrutura operacional de emergência, com absoluta unidade de comando, reportando directamente ao PR, que escolherá uma equipa multidisciplinar adequada a esta inegável situação de excepção que integrará, para além do PM, do PGR e do presidente da APB, os cidadãos independentes de inquestionável competência técnico-científica para o efeito que o PR entenda como adequados à missão.

Acresce ainda que, para a determinação de défices orçamentais, parece aconselhável ter em conta os montantes residuais ‘teimosos’, ‘renitentes’ e ‘abandonados’ após a ‘colheita’ – voluntária num primeiro tempo não superior a 60 dias e coerciva após esse prazo – na qualidade de “Poupança” Inactiva à medida a que forem sendo revistos os défices orçamentais.

Quanto mais rapidamente os governos nacionais, as instituições europeias e os outros países e grupos de países a nível regional e mundial, souberem agir activamente sobre a realidade em vez de reagirem repetidamente a uma situação que, vitimisticamente, vão tendendo a apresentar como se de uma espécie de ‘fatalismo meteorológico-financeiro’ se tratasse, mais depressa poderá a Humanidade, tal como a minha terra, sair desta incrível situação em que se encontra e da qual tão poucos têm ainda consciência da duração que poderá ter se nada fôr feito no sentido do sugerido.

Em conclusão, e é impossível estar sòzinho nesta opinião, parece claro que quanto mais rapidamente se começarem a assumir e manter os níveis dos défices orçamentais ‘por cima’ da ‘Poupança’ Inactiva Total, decidida, enquadrada e calculada urgentemente como sugerido antes, mais cedo se iniciará um processo  seguro de Reflacção e, em consequência, a Economia sairá da 1ª Depressão Mundial em que se encontra.

Sem esquecer a adequação tecnológica imperativa no sentido da transparência e não da opacidade…

Porque mais do que defender o Emprego e lutar contra o Desemprego, por muitos votos que os vários episódios positivos mediatizados possam dar, o importante é, também e evidentemente,

DAR EMPREGO AO DINHEIRO DESEMPREGADO

(OU MAL-EMPREGADO)

Espero sinceramente que o Senhor Primeiro-Ministro da República Portuguesa tenha gostado desta “descrição” indiscreta.

E o senhor das bandas magnéticas também…

José Borba Martins, Lagos

A CRISE segundo Ricardo Araújo Pereira*

In Nacional on 19/02/2009 at 9:46 pm

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«Ou estou fortemente enganado (o que sucede, aliás, com uma frequência notável), ou a história de Portugal é decalcada da história de Pedro e o Lobo, com uma pequena alteração: em vez de Pedro e o Lobo, é Pedro e a Crise. De acordo com os especialistas – e para surpresa de todos os leigos, completamente inconscientes de que tal cenário fosse possível – Portugal está mergulhado numa profunda crise.

Ao que parece, 2009 vai ser mesmo complicado.

O problema é que 2008 já foi bastante difícil.

E, no final de 2006, o empresário Pedro Ferraz da Costa avisava no Diário de Notícias que 2007 não iria ser fácil. O que, evidentemente, se verificou, e nem era assim tão difícil de prever tendo em conta que, em 2006, analistas já detectavam que o País estava em crise.

Em Setembro de 2005, Marques Mendes, então presidente do PSD, desafiou o primeiro-ministro para ir ao Parlamento debater a crise económica.

Nada disto era surpreendente na medida em que, de acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal, entre 2004 e 2005, o nível de endividamento das famílias portuguesas aumentou de 78% para 84,2% do PIB.

O grande problema de 2004 era um prolongamento da grave crise de 2003, ano em que a economia portuguesa regrediu 0,8% e a ministra das Finanças não teve outro remédio senão voltar a pedir contenção.

Pior que 2003, só talvez 2002, que nos deixou, como herança, o maior défice orçamental da Europa, provavelmente em consequência da crise de 2001, na sequência dos ataques terroristas aos Estados Unidos. No entanto, segundo o professor Abel M. Mateus, a economia portuguesa já se encontrava em crise antes do 11 de Setembro.

A verdade é que, tirando aqueles seis meses da década de 90 em que chegaram uns milhões valentes vindos da União Europeia, eu não me lembro de Portugal não estar em crise. Por isso, acredito que a crise do ano que vem seja violenta. Mas creio que, se uma crise quiser mesmo impressionar os portugueses, vai ter de trabalhar a sério. Um crescimento zero, para nós, é amendoins. Pequenas recessões comem os portugueses ao pequeno-almoço. 2009 só assusta esses maricas da Europa que têm andado a crescer acima dos 7 por cento. Quem nunca foi além dos 2%, não está preocupado.

É tempo de reconhecer o mérito e agradecer a governos atrás de governos que fizeram tudo o que era possível para não habituar mal os portugueses.

A todos os executivos que mantiveram Portugal em crise desde 1143 até hoje, muito obrigado. Agora, somos o povo da Europa que está mais bem preparado para fazer face à crise.»

in VISÃO, Fevereiro de 2009

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* Ricardo de Araújo Pereira nasceu três dias depois da revolução dos cravos e, 29 anos mais tarde (em Abril de 2003), fundou, com três amigos, um blog chamado “Gato Fedorento”. Da Internet, a equipa deste blog mudou-se para a televisão e tem vindo, desde a SIC até à RTP, a alterar o paradigma do humor em português. Ricardo Araújo Pereira ficou conhecido do grande público quando se insurgiu veementemente contra os que falam, falam, falam e não fazem nada, pá, é licenciado em Comunicação Social na Universidade Católica Portuguesa, trabalhou como jornalista no Jornal de Letras e integrou a equipa de argumentistas que arrancou para alimentar diversos programas de Herman José – as Produções Fictícias. Foi co-autor de Herman 98 e Herman 99, de Herman José (RTP), O Programa da Maria (SIC, 2001), Hermandifusão Portuguesa (RDP), Felizes para Sempre (Expresso), As Crónicas de José Estebes (Diário de Notícias), entre outros. Também faz stand-up comedy e é especialista na criação de personagens e tiques que «saltam» para a rua (como acontecia com algumas criações de Herman José) e são absorvidos de imediato em regime multi-geracional, alimentando campanhas publicitárias de sucesso. Falta dizer, e para ele isso é muito importante, que é um benfiquista ferrenho.

ESTA DEMOCRACIA PORTUGUESA MORREU. QUEREMOS OUTRA. EM LIBERDADE.(I)

In Local, Nacional, Regional on 18/02/2009 at 12:18 am

olho

Para além de iniciar uma no TALEFE, retoma este irrelevante cidadão a sua colaboração no CanalLagos com uma pequena série de 3 constrangidos contributos nestes tão estranhos e raros tempos que Todos sem excepção estamos a viver: uma sobre o País, outra sobre a Cidade e a terceira sobre este nosso castigadíssimo Algarve em que vivemos.

Antes de mais, a propósito de um artigo de Nídio Duarte, quero dizer que percebo perfeitamente de que se riem os nossos políticos. Os nossos políticos riem-se da “certeza” que têm do rendimento fixo certo e do variável que a indústria dos pareceres e das comissões lhes proporciona. Riem-se da “certeza” de obterem pensões e colocações futuras, etc. Para além disso, riem-se da “certeza” que têm na impunidade transversal em que sentam as suas omissões factuais perante tão numerosas quanto vácuas inconsistências políticas num contexto real que desconhecem e é explosivo.

Cada vez menos deputados não dependem da política, cada vez mais têm vindo a depender dela para viver. E com a sala renovada então… aquilo é que vai ser, invejosos, só lá faltam mesmo é…as caminhas.   Mas é melhor não, senão perdia-se o subsídio de deslocação. Destes dois grandes grupos, a maioria ainda não tomou consciência da gravidade da situação em toda a sua extensão. Os mais conscientes estão a fazer o seu “trabalho”…

Que é péssimo!

Depois, temos aquele inqualificável grupo que nem depende nem deixa de depender da política. Ou seja, não depende da política, mas não tem profissão fora da política. Mas quer ter, ora essa!!! Nem que tenham que atar uma vassoura de palha aos fundilhos do pantalon contrário ao da sua opção de série.

Perigosíssimos!

Mas vamos ao que nos interessa a Todos:  Mas afinal que “crise” é esta?

Esta é uma “crise” anunciada, que começou por ser coisa de gente doida, de bota-abaixistas maledicentes, e por aí adiante. Passou depois a reconhecer-se como ‘crise’ quando já era ‘recessão’ e a que se chama finalmente ‘recessão’ quando, de facto já está todo o mundo a viver aquilo a que ainda poucos chamam  ‘A 1ª Depressão Mundial’. E ainda só no seu início, para mal de todos nós !

Mas comecemos pela sua origem e chamemos-lhe, ainda assim, “Crise”. A sua origem situa-se na crise financeira dos Estados Unidos, num fenómeno a que ficou associada a expressão “sub-prime”. Esta crise “sub-prime” tem as suas origens remotas nos anos finais do séc.XX, tornou-se factualmente evidente em 2007 e veio expôr a fraqueza dos mecanismos de regulação financeira e do sistema financeiro global. Com tanta tecnologia disponível é, no mínimo, estranho que tal tenha acontecido apenas por falta de regulação, não é? Mas isso é outro tema, muito pertinente e que tem a ver não com a inconsistência tecnológica objectiva por parte dos titulares de cargos políticos, mas com uma recusa consciente em utilizar a tecnologia como meio essencial para obter a transparência na gestão dos Estados. Pior, quando essa mesma tecnologia também permite a ‘escavação da Verdade’ como nunca antes. Porque será?

Voltando à “crise”, embora não exista uma definição standard e o termo ’sub-prime’ seja logo associado à actividade de crédito-habitação, pode referir-se igualmente a outras actividades creditícias como, por exemplo, empréstimos para compra de carros ou a cartões de crédito. Consistiu em ter-se atribuído crédito a quem não cumpria pelo menos um de três requisitos: 1) apresentação da totalidade da documentação necessária;  2) apresentação dum rácio recebimentos/prestação suficiente, ou ainda 3) quando a dimensão do empréstimo seja considerada inadequada diante de determinados limites técnicos que agora não vêm ao caso detalhar.

Em 1999, o Governo USA decidiu autorizar, através da “Lei de Modernização dos Serviços Financeiros” (Lei Gramm-Leach-Bliley), a unificação das actividades diferentes de 2 tipos de bancos separados desde a Grande Depressão americana de 1929, portanto até 1999 (70 anos depois…) separadas por imposição técnico-legal. Quais? A Banca Comercial, que recebe de depósitos e empresta a crédito (habitação, empresas, pessoal, etc) e a Banca de Investimento, que recebe dinheiro de Investidores e promete rentabilidades acima da média.

De repente, os Bancos passaram a poder fazer as duas actividades conjuntamente. Por exemplo, ‘pacotes’ de hipotecas de crédito-habitação, sob as mais diversas e atractivas designações passaram a poder ser vendidas a Investidores, com “garantia” de rentabilidades acima da média.

De seguida, e ainda na “era Clinton”, o Governo Federal decide apoiar fortemente a contratação de novos créditos-habitação, subsidiando-os e começando assim a insuflar a chamada “bolha imobiliária”. A procura de casa cresceu a ritmos tais que ainda eram mais rápidos do que e a velocidade com que se construiam as próprias casas…

Claro que os preços das casas subiam e os fundos de investimento multiplicavam-se globalmente. Foi o tempo da multiplicação dos fundos, sempre com nomes muito atractivos para captar ainda mais Investidores globalmente.

Já na “era W. Bush” e na sequência do 11 de Setembro 2001, com a flutuação das taxas de juro, verificou-se o aumento dos encargos com as prestações de CH. Começaram a subir os níveis de incumprimento e os preços das casas começaram a baixar. Resultado: o ‘boom’ imobiliário desapareceu.

Mas do lado da actividade de Investimento continuaram a multiplicar-se os fundos de investimento a um ponto que já nem o valor das casas cobria a totalidade dos planos de reembolsos dos empréstimos CH no final dos seus termos. Sem essa cobertura, os bancos em vez de travar a situação, preferiram utilizar o dinheiro dos Depositantes para pagar aos Investidores… Nem mais nem menos. Passado algum tempo, os Bancos esgotaram o dinheiro dos Depósitos e quando um Banco fica sem o dinheiro para pagar aos seus Investidores, o que acontece? Tem que fechar. Essa é a regra e foi isso que aconteceu com alguns bancos nos USA: Fanny May, Freddie Mac, Lehman Brothers, etc.

O Governo Federal USA passou a ter não um, nem dois, mas sim 3 problemas para resolver:

1) ajudar as Pessoas que têm os CH a pagar?

2) ajudar os Bancos? ou

3) ajudar os Investidores?

Este é hoje não um mero problema Financeiro nos USA mas uma situação que implicou consequências na Economia mundial, com cada país a tentar resolvê-lo descoordenadamente. Recentemente em Davos (CH) foi afirmado que

«O  EURO  PODE NÃO SOBREVIVER A ESTA CRISE»

É que na sequência do sucedido, as trocas, os movimentos entre Dinheiro e Promessas abrandaram fortemente. A redução de movimentos financeiros passou a afectar a generalidade da Economia. Afecta tudo e todos: moedas, todo o tipo de negócios, casas, hospitais, tudo. Porque o Crédito é como Ar a entrar e a sair de um corpo. Uma Economia não pode viver sem Crédito. A pergunta cuja resposta vale uma fortuna: Como restaurar um equilíbrio responsável entre Dinheiro e Promessas (Crédito)?

Já quase tudo foi dito sobre quase tudo nesta ‘Crise’ (continuemos a chamar-lhe simplisticamente assim). O que parece que ninguém dizia ou, pelo menos, passou desapercebido à maioria dos portugueses foi que

O IMPACTO DIRECTO DA CRISE FINANCEIRA AMERICANA FOI NULO, OU QUASE NULO EM PORTUGAL.

Duas citações contraditórias bem claras:
A Verdade: «O sistema financeiro português não revela uma exposição directa significativa aos activos tóxicos que suscite qualquer preocupação especial neste domínio (MF Teixeira dos Santos 10.Fev.2009)
E 3 ‘Inverdades’, para não lhes chamar Mentiras, numa só frase: «Portugal está a sofrer o impacto da crise financeira internacional, que nos atingiu severamente no quarto trimestre de 2008, como atingiu toda a Europa» (PM José Sócrates 14.Fev.2009)

A Verdade é que o impacto directo da crise financeira americana foi praticamente NULO em Portugal, portanto não atingiu toda a Europa. E ainda por cima veio D. Pedro Solbes dizer que «não existiu exposição a produtos financeiros tóxicos em Espanha» onde, portanto, não houve impacto financeiro desse tipo…

A Verdade é que a crise financeira americana teve os seus efeitos iniciais logo no 1º trimestre de 2007, segundo os relatórios públicos da Reserva Federal. Como qualquer observador atento sabe e como os pagos por todos nós tinham a obrigação de saber e de não dissimular. E muito menos negar.

A Verdade é que o impacto em Portugal deriva dos efeitos financeiros directos noutros países e, em consequência, efeitos económicos nos países com os quais a nossa “pequena economia aberta” se relaciona os quais, esses sim e portanto, é que sofreram fortíssimos impactos directos do desastre financeiro americano.

A Verdade em Portugal é que deixou de ser possível ir buscar mais dinheiro ao mercado financeiro internacional para se poder continuar a alimentar a voragem dos custos fixos exponenciais de um Estado eucalíptico gerido em “roda livre” e que tudo vai secando à sua volta. Como se demonstrou com o ‘pequeno’ mas muito evidente episódio do pedido internacional desse grande molho de bróculos organizacional que é a Caixa Geral de Depósitos (pediu 1,7 Bio€, recebeu 1,0 Bio€.).

A verdade é que o Governo de Portugal decidiu salvar dois bancos – BPP e BPN – que, no mínimo e muito claramente, são dois casos de polícia. Sob essa justificação peregrina de querer defender-se a Confiança no sistema financeiro nacional. Não! Não é assim que se defende a Confiança! É ao contrário!

Quando o Estado Português, por uma incapacidade tecnológica gritante, embora não exclusiva, na (in)definição continuada de sistemas de regulação e supervisão por parte do Banco de Portugal, não só “permitiu ao bandido levar o ouro” impunemente, como depois ainda lhe vai duplicar o montante desviado, é o próprio Estado (e quem o governa) que se coloca na posição de ‘bandido’ e passa a perder a Confiança da generalidade dos Cidadãos. É assim! E é isto mesmo que está em causa. Nem mais, nem menos! Clarinho.

Ou “quanto mais longe, mais loze” como diríamos aqui no nosso Barlavento. O longe neste caso é claramente a velha questão das off-shores. Cujo inevitável gran finale parece que ninguém tem a coragem de propôr abertamente a nível europeu nem americano. É do interesse geral e é, paradoxalmente, do interesse dos próprios detentores dessas contas. Mas lá apareceu retoricamente e a más horas no discurso ‘interno’ do PM ao seu PS. Ou ao que resta dele, a julgar pelos níveis de abstenção…

Perante estes factos, onde é que fica a Confiança no sistema e a Credibilidade de qualquer governo digno desse nome? Na promessa de obras públicas e na retórica com fins partidários para ganhar eleições? Trabalhar p’ró boneco? Não. Já vai tarde…

Tudo se passa como se se tivesse esquecido de uma das primeiras lições de qualquer curso de Direito. É que o objectivo do Direito é a regulação dos variados interesses postos em presença numa qualquer sociedade: conflituantes, solidários, indiferentes, etc. Ou seja, a esfera Social precede, é anterior, à esfera do Direito. Não são só as pessoas que têm que cumprir o estatuído no Direito, obviamente. Mas é também o Direito que se tem que adaptar às dinâmicas das sucessivas realidades sociais, culturais, tecnológicas, etc, assegurando as elementares Generalidade, Abstracção, Não-retroactividade da Lei, etc. na definição/revisão/execução temporal dos vários enquadramentos legais. Sob pena de o legislado não obter o seu Respeito e a sua Conformidade por parte dos Cidadãos. Nem dos que podem recorrer ao sistema judicial, quanto mais dos que não podem…

Se analisada objectivamente a legislação e a prática produzida nos últimos 35 anos sob esses 3 enfoques básicos teremos sem dúvida uns resultados esclarecedores. Se puderem ser conhecidos…

Quando se esquece este tão basilar Princípio de Direito e, ainda por cima, se utiliza a formalização jurídica para literalmente enganar os próprios titulares primeiros e destinatários últimos, ou seja, os Depositantes da Confiança Política que todos somos enquanto Cidadãos de pleno direito, não por lapso ocasional, mas sistematicamente com plena consciência do que se está a fazer, é impossível encontrar palavras decentes para descrever o que pode e, certamente, irá acontecer se nada mudar muito urgentemente em Portugal.

É, de facto, de um crime político de lesa-Pátria continuado que se trata, o qual vem causando um cíclico e crescente alarme social há demasiado tempo para ser ignorado. É de uma inominável falta de respeito pelo outro, de um impressionante desprezo pseudo-caritativo pelos que menos sabem e menos podem, assim como pelos que cá andaram antes para que fôssemos o que somos. E é, ainda para mais, um roubo continuado de que são vítimas todos os portugueses! Como se verá.

Mas não tenhamos ilusões: a situação é transversal pelo menos aos dois maiores partidos e desencadeou crescentes e variadas réplicas imitatórias ao níveis regionais não eleitos e locais eleitos que apenas alguns casos mediáticos só ligeiramente evidenciaram. Será por isso que nada pode mudar?

Essa é, de facto, a origem interna da nossa “crise” portuguesa. É interna e não externa, repito! É estupidamente ainda organizacional, e muito dolosamente opaca tecnologicamente. Com raríssimas excepções.  Por isso rende vantagens, que são evidentemente ilegítimas. A crise financeira externa, e a económica que lhe sucede, apenas vêm revelar com uma nitidez e intensidade absolutamente imprevisíveis e indescritíveis os contornos tremendos do que se vem passando – o que sabemos e porventura o que não sabemos – quanto a utilização do Estado em proveitos pessoais ou grupais ilegítimos e inconfessáveis. Claro que contém oportunidades, mas não as que se propagandeiam.

A Verdade é que a Mentira é Total e é transversal a toda a organização política e administrativa de Portugal…  e a solução só pode vir ou do PR ou de elementos do Sistema Judicial ainda não subjugado, se e quando se souberem libertar das amarras de Leis feitas à medida dos mais variados interesses, sabiamente escudadas formalmente pelos ‘aprendizes de feiticeiro’ mais ou menos ocultos da indústria dos pareceres, esses miseráveis fabricantes de molduras legais que se esqueceram tanto das suas origens recentes e remotas como também de uma coisa muito simples:  é que o mais importante num quadro não é a moldura, é a… Pintura.

O que estarão a sentir os tão numerosos e muito competentes Magistrados perante uma situação tão explosiva que lhes entra literalmente pela porta diariamente quando não têm meios legais para administrar a Justiça ainda por cima arcando com a mediatização negativa que advém do facto de a generalidade da comunicação social e dos Cidadãos pensar que são os magistrados que põem os criminosos em Liberdade, quando de facto são as molduras legais que foram mal formuladas, senão mesmo formuladas em função de casos concretos?  Todos os Portugueses aguardam resposta.

Quanto ao Medo, porque estão as pessoas caladas? Simples: porque dependem do Estado e ainda acreditam que vão poder continuar a depender… Erro crasso, porque os Estados também vão à falência e se a Inglaterra, por exemplo, está à frente de uma lista de cinco publicada há menos de um mês, onde estaremos nós, Portugal? Quanto terá que baixar o Pib e aumentar o desemprego para que as redomadas consciências de quem tem as chaves da mudança acordem? E os 15% do PIB que o Turismo representa poderão baixar até quanto para ser suportável o choque? Alguém já fez essa análise de sensibilidade? É que têm a obrigação de o fazer e agir em conformidade. Ou andamos a promover frigoríficos no Alasca?

Quando os efeitos da 1ª Depressão Mundial, é disso que se trata e apenas em fase inicial, chegarem à Função Pública, o que ainda não aconteceu, qual será a reacção das pessoas que dependem do Estado para a sua subsistência física? Continuarão caladas à espera do fim do mês?

O que farão de facto todos os titulares de vínculo com a função pública quando chegarem os inevitáveis despedimentos e/ou os cortes salariais? Porque é que ninguém põe estas questões a quem tem que as responder?

O que farão todos os titulares de pelo menos duas Pensões quando, pelo mais elementar bom senso e perante a gravidade da situação financeira, lhes fôr imposta a obrigação de optar pela melhor das Pensões a que têm direito, ou mesmo pela Pensão média?

O que farão os Depositantes quando perceberem que o seu dinheiro pode não estar no Banco onde o depositaram mas sim a salvar não um qualquer Banco de Investimento glutão, como aconteceu no Exterior, mas para salvar alegados criminosos ainda impunes em meros mas tão essenciais casos de polícia mal/não resolvidos e com ligações directas e transversais à actividade política tão públicas e notórias?

O que farão os competentes magistrados e investigadores que indiscutivelmente temos quando, após as suas competentes e difíceis investigações, virem uma qualquer obscura decisão impessoal proveniente de uma qualquer teia de interesses ‘indetectáveis’ com antenas executivas no ‘Poder Político’ apagar-lhes numa penada os relevantes resultados? Seja o que fôr que fizerem, quantas vezes o farão?

Perante tanta impunidade e incerteza potenciais, o mínimo que se deve fazer é recomendar-se “cautela e caldos de galinha” a Todos e, nomedadamente, à parte de Todos quantos os que no exercício dos seus direitos de cidadania pretendem assumir, muito legitimamente e pela primeira vez, cargos públicos de topo nos próximos tempos.

É que, para além de se virem notando há meses os mais diversos mentorings pessoais em todas as latitudes – puros ou “tutelados superiormente”… – existe historicamente uma espécie rara de transfugas que se “põem a mexer” nestas ocasiões. Essa ‘espécie’ que dá quase sempre como primeiros sinais ser a primeira a abandonar o barco, sempre sob os mais diversos motivos, continuando a recomendar e a defender as minguantes Confiança e Calma em Permanência na situação aos que ficam, pretende prolongar apenas a permanência dos mais crédulos ao mesmo tempo que se promove o tal acelerado mentoring de substituição para possibilitar a sua fuga desresponsabilizante. Para não ir ‘munto’ longe, foi assim antes de 1910 e antes de 1974, e até mesmo em Moçambique no tempo da descolonização, para quem se lembra dos episódios todos. Curioso como a História, por vezes tão improvavelmente, se repete.

É que este é, de facto, um país onde as coisas importantes são “abafadas”. Como se vivêssemos ainda em ditadura. E a constatação não é minha, que sou um “cidadão irrelevante”, a crer numa das entrevistas da procuradora C. Almeida: a justiça portuguesa hoje não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca. E já não é por ninguém querer saber a Verdade nem, ao menos, tentar saber a Verdade. É pior e será pior a cada dia que passe sem que nada de realmente estrutural mude.

É por isso que a situação é potencialmente explosiva, como tarde e a más horas vêm alertar no mesmo dia (coincidência?) dois ex-Presidentes da República Portuguesa. Porque cada vez mais gente sabe e vê como e quem lhes roubou e rouba impunemente, por acção ou por omissão, a Verdade e a Confiança Políticas.
São as “demoras processuais”, os “rituais secretismos”, “a mão que lava a outra e as duas que lavam o rosto” e por aí fora até termos como temos um país inteiro chamado Portugal a sofrer as consequências de níveis de corrupção tais e de tal variedade que tantos qualificam já como endémicos e que eu digo que são pandémicos. Como se vê, já nem com o mal dos outros podemos nós bem…

De tal modo que só quando esta maré negra da ‘crise’ vazar completamente é que os níveis de corrupção se revelarão na sua verdadeira dimensão. Ou será que se pode enganar não uma pessoa uma vez, não várias em tanto tempo mas sim enganar-se toda a gente o tempo todo? Quem pode pensar que esta situação é sustentável?

Estarão todos os actores públicos sem excepção tão fundidos transversalmente numa tão grande teia de interesses sob formalismos legais e relações pessoais/grupais de tal complexidade que se chegue ao cúmulo de ver o PGR, 2º mais alto magistrado da nação – porque o 1º é o PR – a determinar e coordenar uma investigação a…uma investigação determinada e coordenada por si próprio, como de resto constatou em 14.Fev.2008 o magistrado João Palma, SG do SMMP. Não quero acreditar, mas este esclarecedor cúmulo do absurdo parece ser o sininho que faltava tilintar para nos fazer evoluir dos pressupostos de uma analista em Abril de 2008 segundo a qual «existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade» não para se concluir ser «este o maior fracasso da democracia portuguesa» mas para concluir uma coisa definitivamente diferente:

ESTA DEMOCRACIA PORTUGUESA JÁ MORREU. E CHEIRA HORRIVELMENTE MAL.

QUE SEJAMOS CAPAZES DE EVOLUIR PARA OUTRA, E QUE NÃO MORRA A LIBERDADE!

Ou como diria um muy ilustre e experiente Jornalista de um canal privado: «Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa.

A CONTINUAR ASSIM, É SÓ A FAZER DE CONTA QUE VOTAMOS.»

José Borba Martins, Lagos

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ESTÁ BEM… FAÇAMOS DE CONTA

In Local, Nacional, Regional on 13/02/2009 at 12:08 am

mariocrespo

«Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo. Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos “quid júris” irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das “melhores posições no Mundo” para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos media. Façamos de conta que o “Magalhães” é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que “quem se mete com o PS leva”. Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de “malhar na Direita” (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por “onde é que eu ia começar” a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a “falta de liberdade”. E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do Procurador Geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o Presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.»

MÁRIO CRESPO in Jornal de Notícias 9.Fev.2009

PORTUGAL HOJE: O MEDO DE EXISTIR ?

In Local, Nacional on 07/02/2009 at 12:13 am

portugal-hoje-o_medo_de_existir

Até recentemente, José Gil era um homem que se mantinha apartado do conhecimento geral da sociedade portuguesa, contudo, hoje é um dos filósofos da ribalta e considerado um dos 25 pensadores sistemáticos mais importantes do mundo, pela revista francesa «Nouvel Observateur».

Este grande «boom» deve-se maioritariamente ao lançamento do seu livro –  “PORTUGAL HOJE: O MEDO DE EXISTIR” – lançado num contexto e timing notável, aquando do governo de Santana, fomentando uma depressão nacional baseada na inveja e no medo lusitano.
Assim sendo, o livro, de leitura fácil e de capítulos curtos e resumidos, é o reflexo severo do carácter do nosso povo, no geral, pois em todo o caso há sempre uma parte que se diferencia de tal “catalogação”.
Este polémico livro denuncia os factores que nos levam, e levaram, ao visível atraso geral de toda a nossa nação, que se observa através duma falta de cultura e duma falta de ideias próprias. É o mal nacional!
Entre os temas mencionados por José Gil, podemos referir a televisão, a “não-inscrição”, o medo, a inveja, o queixume e a conformidade, etc.
Muitas vezes culpamos o antigo regime ditatorial Salazarista da situação em que vivemos, do “medo de existir”, mas se reflectirmos bem vemos que existem outros países com acontecimentos semelhantes e que não vivem com o tal receio de ter uma identidade na sociedade em que estamos inseridos.
Dizemos então que existe alguma superficialidade aquando das explicações mais elaboradas e que se cede em demasia à tentação de dar todas as explicações no contexto da psicologia.
Agitando as consciências, fazendo pensar que se algo está mal é necessário procurar uma solução eficaz, José Gil responsabiliza a mediatização de enevoar a sociedade portuguesa, não permitindo observar e compreender os acontecimentos com clareza.
Assim sendo, o espaço mediático torna-nos um pouco indiferentes com o que nos rodeia e fomenta o fenómeno da “não-inscrição”.
A “não-inscrição” é a acção de que tudo o que acontece, não transforma o real nem tem uma sequência e evapora-se, não tendo efeito no futuro. Com isto, dizemos que as coisas passam-nos de uma forma superficial, tornando-nos indiferentes e conformados, sentindo que nada podemos fazer.
Então, é necessário um espaço público, livre e independente, onde as pessoas possam discutir e debater tudo o que seja do seu interesse, criando assim as cidades inteligentes. Portugal não é uma cidade inteligente porque a grande parte dos indivíduos dá grande, ou total, importância e atenção ao que apenas se passa no espaço mediático.
Com tudo isto, diz-se que as pessoas que não se consciencializam e que se conformam com situação actual revêm-se no pequeno, vivem no pequeno, abrigam-se e reconfortam-se no pequeno à base de pequenos prazeres e amores, pequenas ideias e pensamentos e diminutas mentalidades.
José Gil veio, então, com o seu livro “PORTUGAL HOJE: O MEDO DE EXISTIR” acordar os portugueses para a verdadeira realidade onde se exige uma certa inconformidade para poder transformar o nosso país num conjunto de cidades inteligentes, dotadas de cultura, de ideias e pensamentos próprios, livres e independentes, de forma a fazer-nos crescer! (AVB, Lisboa).

jose-gil-5-2007

O ARTIGO PUBLICADO A 3.MAIO.2007 in VISÃO

Voltando ao seu livro publicado em 2004 e como escreveu o próprio José Gil, a esse propósito, «contrariamente ao que pode parecer, nenhum pressuposto catastrofista ou optimista quanto ao futuro do nosso país subjaz ao breve escrito agora publicado. Se não se falou «no que há de bom», em Portugal, foi apenas porque se deu relevo ao que impede a expressão das nossas forças enquanto indivíduos e enquanto colectividade. Seria mais interessante, sem dúvida, mas também muito mais difícil, descobrir as linhas de fuga que em certas zonas da cultura e do pensamento já se desenham para que tal aconteça. Procurou-se dizer o que é, sem estados de alma, mas com a intensidade que uma relação com este país supõe.»

O TALEFE tem como oportuno, neste tempo de tantos e tão variados medos, para além de rever o artigo de opinião publicado na Visão em 2007 (imagem acima),  relembrar a Entrevista de JOSÉ GIL a Renato Mendes da Revista Trópico, publicada em 2.Abril.2007 a propósito do seu livro em epígrafe:

«”Portugal, Hoje – O Medo de Existir”, o novo livro do filósofo português José Gil, é um dos diagnósticos mais lúcidos já feitos sobre a atual sociedade portuguesa. Para o autor, falta um projeto de futuro a Portugal, país acometido pela “síndrome de Liliput”. “Há qualquer coisa no português que se manifesta como uma complacência paralisante, a complacência no pequeno. É esse o nosso mundo, e o nosso mundo tem que ser pequenino, e nós nos fazemos pequeninos como nosso mundo”, diz o filósofo na entrevista abaixo.

O livro foi publicado no final do ano passado e já teve quatro reedições em três meses. Foi o primeiro escrito diretamente em português por José Gil, a quem a revista francesa “Le Nouvel Observateur”, na edição comemorativa do seu 40º aniversário, considerou como um dos “25 grandes pensadores do mundo”.

Nascido em 1939, em Muecate (Moçambique), José Gil licenciou-se em filosofia na Sorbonne, em Paris, em 1968. Regressou a Portugal em 1976 e assumiu o cargo de adjunto do secretário de Estado do Ensino Superior e da Investigação Científica no quarto governo provisório do país. Em 1981, tornou-se professor convidado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde é atualmente professor catedrático. Seu doutoramento, concluído em 1982, na Universidade de Paris VIII, foi feito
sob a orientação do historiador da filosofia François Chatêlet.

José Gil é autor de várias obras relevantes, que tratam de filosofia, artes, dança e literatura. No Brasil, é ainda um pensador a ser descoberto e valorizado. Apenas dois de seus livros foram lançados no país: “Diferença e Negação na Poesia de Fernando Pessoa” (Relume Dumará) e “Movimento Total – O Corpo e a Dança” (Iluminuras).

Nesta entrevista, concedida em Lisboa, o filósofo fala sobre os principais conceitos de seu novo livro, analisa a vida cultural e política em Portugal e reflete sobre a União Européia, que ele diz estar se constituindo como uma “fortaleza” contra a imigração.

O conceito da não-inscrição que o sr. desenvolve em “Portugal, Hoje – O Medo de Existir” permeia todo o livro. O que é a não-inscrição?

José Gil: A não-inscrição é quando o acontecimento não acontece. E não acontece porque há uma espécie de buraco negro que suga o espaço público, entre o acontecimento e a vida privada do indivíduo. Por exemplo, no plano artístico e cultural, os portugueses não têm uma escala de valores para aferir o que é e o que não é importante. Eles vão buscar lá fora.

Se os filósofos Peter Sloterdijk e Slavoj Zizek começam a ser muito comentados em França, em Inglaterra ou nos EUA, então eles se tornam muito importantes aqui. Mas, afinal, qual é a importância para nós? É puramente fachada, não é uma importância real que modifica o nosso comportamento. Nós não temos a capacidade de ver o alcance de um discurso, um pensamento ou um comportamento. Não se inscrevem na nossa vida, e isso é dramático.

Conheço muitos pintores, e muito bons pintores, e eles estão todos isolados, porque ninguém lhes deu importância. A própria tipologia crítica da pintura e da literatura é, em geral, descritiva, não marca uma critica que faça avançar as coisas ou desenvolver-se. Cada um está isolado, e cada um vale por si e mais nada. A não-inscrição é isso.

A repercussão de algum fato é o sinal da inscrição?

José Gil: A inscrição é o sinal de que o fato fica marcado e transforma a história,transforma os comportamentos, a visão e a razão das pessoas. Por que é que a arte e certos pintores do século XX tiveram importância não só na historia da pintura e da cultura, mas também na própria historia social? Porque eles se inscreveram. A frase “depois de tal autor já não se pode escrever da mesma maneira” quer dizer que o tal autor foi marcante. Em Portugal, quando as pessoas assistem a espetáculos, vão às salas de referência em arte e cultura, mas depois não há nenhuma discussão.

O conceito da não-inscrição interfere ou cria uma percepção de tempo própria. O Sr. pode dizer como isso se dá?

José Gil: Com certeza que há um tempo próprio da não-inscrição: é o tempo da repetição e do adiamento permanente. O que era característico do Portugal do tempo da ditadura de Salazar, que deveria ter sido completamente transformado, voltou aos comportamentos e a vida portuguesa. Não há apetência para a ação porque eu não vejo o efeito da minha ação, há uma série de barreiras que faz com que o tempo e a dimensão do futuro estejam quase ausentes do nosso presente.

O que é uma sociedade que se desenvolve em permanente movimento? É uma sociedade que tem inscrito no seu presente a dimensão do futuro como projeto, nós somos um projeto no futuro. Os portugueses não têm projeto. Você dir-me-á que tudo mudou com o novo governo socialista do primeiro-ministro José Sócrates, que o Sócrates tem um projeto para modernizar Portugal. Mas repare que toda a gente diz que o Sócrates só faz leis, que só diz que faz. Até o Presidente da República já cobra resultados. Não há resultados, e mais uma vez não se inscreve.

Esta política reformista, saudada como nova e diferente, é que vai provocar uma mudança, pelo menos está ameaçada a falhar. E está ameaçada a falhar em função da inércia da não-inscrição, a força da inércia de uma temporalidade que quer a repetição do mesmo, mas do mesmo sem mudança e sem dimensão do futuro na nossa vida. Isso está no nosso inconsciente pessoal e individual, bem como na estrutura própria da nossa sociedade.

Os portugueses não entendem o que foi a ditadura porque não falaram sobre ela e ainda não falam, não a inscreveram em suas vidas. Será que a Revolução dos Cravos foi uma oportunidade perdida para que esse período de obscurantismo não se inscrevesse?

José Gil: O regime salazarista era um regime que rebentava com toda a iniciativa pessoal, não havia liberdade. Eu vivi durante dois anos em Portugal sob Salazar e era impossível, ninguém tinha um futuro desenhado, ninguém podia sonhar se não sonhos irreais e utópicos, para compensar a falta do que se lhes dava como possibilidade real na vida.

Se foi uma ocasião perdida, foi porque mais uma vez as forças de não-inscrição foram mais fortes do que a necessidade de inscrever e pensar. Toda gente, exceto oposicionistas e exilados, estava comprometida. Depois havia aquele hábito, que é uma estrutura de não-agir, de não-inscrever e de deixar brancos. Portanto, a solução mais fácil para descanso intelectual e moral era deixar a ditadura como qualquer coisa que passou irremediavelmente, acabou e sobre a qual não temos mais que pensar.

Quis se fazer uma cruz sobre o salazarismo, sobre a ditadura, sobre a guerra colonial. Esta cruz sobre a guerra colonial teve conseqüências drásticas, com imensos soldados traumatizados constituindo associações clandestinas após o 25 de Abril, porque ninguém queria pensar a guerra colonial. E foi uma ocasião perdida, pois que mais uma vez as forças da não-inscrição agiram. “Não vamos julgar a polícia política”, dizia.

Eu não estou a fazer apologia do sangue e de uma revolução do sangue, estou a mostrar a necessidade, como você disse, de pensar, repensar e inscrever o que foi o salazarismo. Ora, o salazarismo foi tão pouco inscrito em nossas vidas que os nossos filhos não sabem às vezes quem foi Salazar, não sabem que houve em Portugal a mais longa ditadura da Europa do século XX.

O sr. identifica como “circuito do pequeno” a necessidade do português em transitar entre pequenas coisas ou idéias, investir nelas e logo desinvestir, conectar-se e desconectar-se. Uma das conseqüências desse comportamento é a síndrome de Liliput, como o sr. diz.

José Gil: Há qualquer coisa no português que se manifesta como uma complacência paralisante, a complacência no pequeno, que se manifesta nos diminutivos. Há portanto uma dimensão afetiva que faz com que o pequenino seja bom -”small is beatifull now, small is good”-, nós imediatamente entramos em simbiose.

É esse o nosso mundo, e o nosso mundo tem que ser pequenino, e nós nos fazemos pequeninos como nosso mundo. Isso vem do Salazar, lembre-se que havia uma exposição, e que ainda existe, com o nome “Portugal dos pequeninos”. O pequenino era necessariamente e ontologicamente bom, havia como que uma infantilização, era uma representação daquilo que era Portugal, antes de mais uma representação emblemática e simbólica. O pequenino é um mundo enclausurado dentro de uma afetividade autocomplacente, o que faz com que uma vez chegado aí, exista como que um pequenino pathos que acaba com o sentido.

O pathos faz como que uma síntese da inteligência portuguesa -estou a dizer coisas que não disse no livro. O sentido nasce de uma imposição analítica, uma sociedade em progresso analisa cientificamente, filosoficamente e tecnologicamente; mas, se você sintetiza, se você vive em uma sociedade que gosta de sínteses, gosta de ter tudo e todo mundo pequenino, o avanço não é possível. Isso também é a síndrome de Liliput: nós somos pequeninos e temos que ser pequeninos. Isto é muito mal porque mutila as ambições que podemos ter de nós próprios, se bem que tudo isso esteja mudando em Portugal.

Para Deleuze, “a filosofia é a arte de formar, inventar, fabricar conceitos”. O seu livro é repleto deles. Por que são tão importantes?

José Gil: Eu não sei se eles são importantes. Vou ao Deleuze, o conceito é certamente o resultado de uma criação, o que interessa não é dizer e repetir o que os outros disseram, o que me interessa é poder pensar e, se puder, pensar numa maneira que eu não fui buscar, que não vejo em outra pessoa. Se os conceitos dos outros não me satisfazem, eu tenho que inventar conceitos para compreender. Ora, na minha relação com Portugal era muito necessário que eu pudesse compreender o que estava a viver eu próprio, e para isso era necessário pensar.

Pensar é criar sentido. Precisamente uma das barreiras que esta sociedade impõe aos seus indivíduos é a de não pensar, é o tal enclausuramento do sentido. Não pensar, não criar novo, e sobretudo não pensar a partir da existência portuguesa. Como se a existência portuguesa não tivesse dignidade filosófica para se poder pensar. Como se tudo isso no fundo fosse, como diz Eça de Queiroz, uma choldra.

O que pensar atualmente da obra de Deleuze?

José Gil: Como diz alguém que escreveu livros sobre Deleuze, e que muito novo morreu no ano passado, François Zourabichvili, “nós não pensamos ainda Deleuze”, portanto nós não sabemos ainda o que é que ele trouxe. Se bem que já saibamos que Deleuze seja um filósofo conhecido do Japão até os EUA. Há uma importância que se estende muito para além do domínio da filosofia, que vai aos artistas, que vai aos bailarinos, que vai aos arquitetos. Tenho aí revistas de arquitetura deleuzeana de Nova York. Há um fenômeno atual de desenvolvimento, portanto não se pode falar ainda totalmente de pós-deleuzenismo. Nós estamos em pleno deleuzenismo.

Agora, há perigos, quando há um pensamento tão forte e diferente, porque ele nos obriga a pensar a diferença precisamente. Entre outras coisas, ele nos obriga a pensar em movimento, quando toda a filosofia tradicional leva-nos a pensar num fundamento único, numa unidade de pensamento. Ele vai mostrar que o pensamento é profusão de diferenças, movimento de diferenças, que isso mesmo é a criatividade, a invenção e uma maneira de viver, que enfim nós podemos criar a partir de um movimento, que é a nossa própria relação com o que nos é dado do mundo como forças. É um pensamento de forças.

Digamos que o pensamento tradicional da história da filosofia é antes de tudo um pensamento com idéias estáticas, conceitos estáticos, ao passo que os conceitos de Deleuze são conceitos-força, conceitos em que as próprias forças formam o movimento do conceito. De onde a dificuldade em entrar em Deleuze. Ele quis, sobretudo, que os conceitos tivessem um movimento que não os afastasse da vida, mas que integrasse o movimento da vida nos movimentos dos próprios conceitos, e isso é uma novidade.

Em geral os conceitos estão lá para designar o que é a vida, os conceitos dele têm a ambição de pertencer e de se misturar com a vida, se bem que seja pensamento. Isso faz com que o pensamento dos afetos, o pensamento do corpo, o pensamento do que é pensar, sofra uma remodelação radical com a filosofia de Deleuze.

O que há de interessante na filosofia atual

José Gil: Claro que há filósofos, que há uma filosofia da mente nos EUA, que há pensadores da filosofia analítica. Também há um retomar da fenomenologia, sobretudo em França, muito importante, que se pretende inovador. Entretanto, nenhuma dessas novas correntes que estão a despontar tem a importância ou a grandeza, eu ousaria dizer, do ponto de vista daquilo que pretendem, do pensamento da geração de Deleuze, Foucault etc.

A imigração é hoje um dos maiores medos da União Européia. Como o sr. avalia essa questão?

José Gil: Uma única coisa que lhe posso dizer é que a UE vive na idéia e na realidade de se constituir a ela própria como uma fortaleza. Essa fortaleza sente-se ameaçada de tal maneira, que se houver uma liberalização extrema na admissão de imigrantes estrangeiros, todos os benefícios sociais, econômicos etc. vão por água abaixo. De onde o fato de haver resistências enormes à entrada da Turquia na UE. Erguem-se paredes para que não entrem os imigrantes de África e dos países da Europa do Leste, que não estão integrados na UE.

Tudo isso faz com que a idéia de uma Europa fortaleza se consolide, apesar das forças em contrário que existem, que são minoritárias e menos importantes. Penso que isso faz parte de todo um modelo de sociedade. Por que há essa onda, esse assalto à fortaleza vindo de África e vindo de outros países? Porque, de uma maneira global, vivemos em uma economia capitalista, e é essa economia que faz com que o nível de vida europeu seja a riqueza da Europa. Como contrapartida, temos a pobreza de África. Isso é um problema global, e que no Brasil se conhece muito bem, pois, realizaram-se fóruns sobre a globalização. Isso só pode ser pensado globalmente.

A globalização impõe esse pensamento global, e esse pensamento global passa por um pensamento que não apareceu ainda. Depois do afundamento, do desmoronamento parcial do marxismo e do pensamento de toda a esquerda na Europa, não houve nada que os substituísse. Toda a esquerda européia está a viver de restos, de pequeninos restos de pensamento marxista-socialista-democrático, mas não tem pensamento. À direita, o capitalismo não precisa de qualquer pensamento, é a própria realidade.

Globalmente é preciso um pensamento da esquerda, um pensamento que pense um outro mundo. Precisamente Deleuze ajuda-nos com fios de pensamento, para que um dia apareça um que se possa opor e propor novas soluções globais para um mundo globalizado.

A pressão por resultados que é imposta pela União Européia pode ser de fato uma forma de choque contra a não-inscrição?

José Gil: O movimento de não-inscrição não é só português, é geral, até porque nós estamos a viver em uma sociedade cada vez mais pobre em elementos culturais e afetivos. Vivemos um progressivo anestesiamento afetivo, que modifica completamente as relações humanas, as relações da sexualidade, as relações de amor e amizade, as relações de camaradagem e de companheirismo.

Esse empobrecimento é sinal de que qualquer coisa é excluída da afetividade, qualquer coisa que vai pertencer ao campo da não-inscrição. Nós não inscrevemos porque não sabemos exprimir e expandir a nossa afetividade, porque ela já não existe em relação, por exemplo, aos meus camaradas de trabalho. Em um escritório onde deveria haver um clima de afetividade muito forte porque somos humanos, não há.

A simples realidade do escritório é muito antiga, aparece em Kafka, depois em personagens de Beckett. Essa anestesia afetiva é da ordem da não-inscrição. Por outro lado, e em contrapartida desta não-inscrição que nos empobrece terrivelmente, há uma insistência e uma focalização em certos dados que devem ser inscritos e que vão condensar e substituir. Vão aparecer no lugar de tudo que nós perdemos na não-inscrição. E isso é o que chamam de dados, os resultados quantificados, a avaliação, o homem avaliado.

Nós somos avaliados segundo certos critérios, e a avaliação é da competência, dos parâmetros, o que vai transformar a subjetividade do século XXI. O homem do século XXI será o homem avaliado. Isso é uma transformação da subjetivação que me parece catastrófica, pois você vale segundo os critérios de avaliação. Você pode ter um emprego segundo esses critérios de avaliação, você pode ter uma mulher e filhos, uma casa. Segundo os critérios de avaliação, você pode ter ou ser qualquer coisa. E isso já não é da ordem da inscrição, é de uma falsa inscrição. É da ordem da marca, pois, o homem avaliado é um homem marcado, como se marca a besta.

A influência da UE nisso ainda não é mensurável, mas é certo que a UE está com a sua potência econômica e política, se bem que não forme uma entidade política ainda. Está a ter um peso extraordinário na transformação subterrânea de Portugal, pois não se vê ainda bem. Nós estamos a perder cada vez mais pedaços de soberania aqui e ali, evamos chegar ao ponto em que, espero que não, a soberania será puramente simbólica. E quem mandará nos programas do ensino superior europeu, como já manda, é Bolonha, quem mandará na economia, como já manda em parte, são as decisões de Bruxelas etc.

A comunicação social em Portugal está realmente passando por um processo de “berlusconização”?

José Gil: Não sei se está a passar, mas que a tendência para a “berlusconização” se manifesta fortemente, manifesta-se. É uma tendência muito má, estou a falar sobre a mídia televisiva. Há um pequenino esforço de melhoramento nos canais oficiais, mas no geral a televisão portuguesa é muito má, mas a televisão européia também é. A diferença é que Portugal é muito pequenino, e em grandes países como França, Inglaterra, Alemanha e Espanha podem haver bolsas de excelência, assim como no Brasil.

O Brasil é um enorme país e possui bolsas de excelência, todo o resto pode ser cultura de massa criticável, mas há bolsas. Em Portugal, o espaço para bolsas de excelência na televisão quase não existe, e é verdade um bocado para o resto. Estou a pensar na investigação, a nossa massa crítica de inteligência é pequena.

“Ter opiniões é estar vendido a si mesmo./ Não ter opiniões, é existir./ Ter todas as opiniões é ser poeta.” Essas três linhas foram extraídas do “Livro do Desassossego”, de Fernando Pessoa. Por que tudo é sem intensidade em Portugal?

José Gil: Pessoa já dizia que os portugueses não eram um povo de intensidades, como os espanhóis. Portugal é um país que tem horror ao vazio, não gosta do vazio, tudo está cheio. As decorações das casas estão cheias, as paredes estão cheias, o que é preciso é encher uma vida, encher de pequeninas coisas, não de grandes coisas, porque, se as coisas são grandes, acaba-se com a síndrome de Liliput e aparece o vazio.

Portanto, enche-se uma vida com pequeninas ocorrências que não chegam a ser acontecimentos, porque o acontecimento poderia ser grande, e isso é uma ameaça. Realmente esse povo não é de intensidades, porque preenche seu espaço interior e exterior com uma repetição de presenças de pequenas coisas fragmentadas, mas povoando o espaço inteiro, ao ponto de impedir um fluxo de intensidade, e não há intensidade sem fluxo. »

Algarvio de Portugal, Lagos

A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA VS. (DES)ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-SOCIAL

In Internacional, Nacional on 05/02/2009 at 8:16 pm

fiasco

goodyear

Relendo mails antigos encontrei este de Nov.2008 que não resisto a dar a conhecer por esta via, porque todos os contributos são poucos para navegar estes raros tempos.

Pode ser discutível, mas é uma perspectiva que interessa a todos:

«Uma nova Era já começou! Está a acontecer na nossa rua e à nossa volta, e ainda não percebemos que a Revolução, uma nova Era já começou! As pessoas andam um bocado distraídas! Não deram conta que há cerca de 3 meses começou a Revolução! Não! Não me refiro a nenhuma figura de estilo, nem escrevo em sentido figurado! Falo mesmo da Revolução ‘a sério’ e em curso, que estamos a viver, mas da qual andamos distraídos (desprevenidos) e não demos conta do que vai implicar. Mas falo, seguramente, duma Revolução!

De facto, há cerca de 3 ou 4 meses começaram a dar-se alterações profundas, e de nível global, em 10 dos principais factores que sustentam a sociedade actual. Num processo rápido e radical, que resultará em algo novo, diferente e porventura traumático, com resultados visíveis dentro de 6 a 12 meses. E que irá mudar as nossas sociedades e a nossa forma de vida nos próximos 15 ou 25 anos!

Tal como ocorreu noutros períodos da história recente: no status político-industrial saído da Europa do pós-guerra, nas alterações induzidas pelo Vietname/ Woodstock/ Maio de 68 (além e aquém Atlântico), ou na crise do petróleo de 73…

Estamos a viver uma transformação radical, tanto ou mais profunda do que qualquer uma destas!

Está a acontecer na nossa rua e à nossa volta, e ainda não percebemos que a Revolução já começou!

Façamos um rápido balanço da mudança, e do que está a acontecer aos ‘10 factores’:

1º- A Crise Financeira Mundial: desde há 8 meses que o Sistema Financeiro Mundial está à beira do colapso (leia-se ‘bancarrota’) e só se tem aguentado porque os 4 grandes Bancos Centrais mundiais – a FED, o BCE, o Banco do Japão e o Tesouro Britânico – têm injectado (eufemismo que quer dizer: ‘emprestado virtualmente à taxa zero’) montantes astronómicos e inimagináveis no Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria ruído como um castelo de cartas. Ainda ninguém sabe o que virá, ou como irá acabar esta história !… (v. http://tinyurl.com/cmp4f6 )

2º- A Crise do Petróleo: Desde há 6 meses que o petróleo entrou na espiral de preços. Não há a mínima ideia/teoria de como irá terminar. Duas coisas são porém claras: primeiro, o petróleo jamais voltará aos níveis de 2007 (ou seja, a alta de preço é adquirida e definitiva, devido à visão estratégica da China e da Índia que o compram e amealham!) e começarão rapidamente a fazer sentir-se os efeitos dos custos de energia, de transportes, de serviços. Por exemplo, quem utiliza frequentemente o avião, assistiu há 2 semanas a uma subida no preço dos bilhetes de 50% (leu bem: cinquenta por cento). É escusado referir as enormes implicações sociais deste factor: basta lembrar que por exemplo toda a indústria de férias e turismo de massas para as classes médias (que, por exemplo, em Portugal ou Espanha representa 15% do PIB) irá virtualmente desaparecer em 12 meses! Acabaram as viagens de avião baratas (e as férias massivas!), a inflação controlada, etc.

3º- A Contracção da Mobilidade: fortemente afectados pelos preços do petróleo, os transportes de mercadorias irão sofrer contracção profunda e as trocas físicas comerciais (que sempre implicam transporte) irão sofrer fortíssima retracção, com as óbvias consequências nas indústrias a montante e na interpenetração económica mundial.

4º- A Imigração: a Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca de 40 milhões de imigrantes, que buscam melhores condições de vida e formação, num movimento incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos para fazer os trabalhos não rentáveis, mas mudam radicalmente a composição social de países-chave como a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra ou a Itália). Este movimento irá previsivelmente manter-se nos próximos 5 ou 6 anos! A Europa terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes que lutarão pelo poder e melhor estatuto sócio-económico (até agora, vivemos nós em ascensão e com direitos à custa das matérias-primas e da pobreza deles)!

5º- A Destruição da Classe Média: quem tem oportunidade de circular um pouco pela Europa apercebe-se que o movimento de destruição das classes médias (que julgávamos estar apenas a acontecer em Portugal e à custa deste governo) está de facto a ‘varrer’ o Velho Continente! Em Espanha, na Holanda, na Inglaterra ou mesmo em França os problemas das classes médias são comuns e (descontados alguns matizes e diferente gradação) as pessoas estão endividadas, a perder rendimentos, a perder força social e capacidade de intervenção.

6º- A Europa Morreu: embora ainda estejam a projectar o cerimonial do enterro, todos os Euro-Políticos perceberam que a Europa moribunda já não tem projecto, já não tem razão de ser, que já não tem liderança e que já não consegue definir quaisquer objectivos num ‘caldo’ de 27 países com poucos ou nenhuns traços comuns!… Já nenhum Cidadão Europeu acredita na ‘Europa’, nem dela espera coisa importante para a sua vida ou o seu futuro! O ‘Requiem’ pela Europa e dos ’seus valores’ foi chão que deu uvas: deu-se há dias na Irlanda!

7º- A China ao assalto! Contou-me um profissional do sector: a construção naval ao nível mundial comunicou aos interessados a incapacidade em satisfazer entregas de barcos nos próximos 2 anos, porque TODOS os estaleiros navais do Mundo têm TODA a sua capacidade de construção ocupada por encomendas de navios da China. O gigante asiático vai agora ‘atacar’ o coração da Indústria europeia e americana (até aqui foi just a joke.). Foram apresentados há dias no mais importante Salão Automóvel mundial os novos carros chineses. Desenhados por notáveis gabinetes europeus e americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos, os novos carros chineses são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de Mercedes (eu já os vi!) e vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000 euros! E quando falamos de Indústria Automóvel ou Aeroespacial europeia – helás! Estamos a falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor económico, financeiro e tecnológico da nossa sociedade. À beira desta ameaça, a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças! Os chineses estão estrategicamente em todos os cantos do mundo a escoar todo o tipo de produtos da China, que está a qualificá-los cada vez mais. (urgente rever e reler Pedro Nueno).

8º- A Crise do Edifício Social: As sociedades ocidentais terminaram com o paradigma da sociedade baseada na célula familiar! As pessoas já não se casam, as famílias tradicionais desfazem-se a um ritmo alucinante, as novas gerações não querem laços de projecto comum, os jovens não querem compromissos, dificultando a criação de um espírito de estratégias e actuação comum.

9º- O Ressurgir da Rússia e da Índia: para os menos atentos a Rússia e a Índia estão a evoluir tecnológica, social e economicamente a uma velocidade estonteante! Com fortes lideranças e ambições estratégicas, em 5 anos ultrapassarão a Alemanha! (A Siemens decidiu uma nova e grande fábrica na Rússia, Fev 2009…a notícia não passou em Portugal.  Deveremos limitar-nos a ser apenas uma hospitaleira escala técnica para a procura turística ou de investimento russa?).

10º- A Revolução Tecnológica: nos últimos meses o salto dado pela revolução tecnológica (incluindo a biotecnologia, a energia, as comunicações, a nano tecnologia e a integração tecnológica) suplantou tudo o previsto e processou-se a um ritmo 9 vezes superior à média dos últimos 5 anos! Eis pois, a Revolução! Tal como numa conta de multiplicar, estes dez factores estão ligados por um sinal de ‘vezes’ e, no fim, têm um sinal de ‘igual’. Mas o resultado é ainda desconhecido e imprevisível. Uma coisa é certa: as nossas vidas vão mudar radicalmente nos próximos 12 meses e as mudanças marcar-nos-ão (permanecerão) nos próximos 10 ou 20 anos, forçando-nos a ter carreiras profissionais instáveis, com muito menos promoções e apoios financeiros, a ter estilos de vida mais modestos, recreativos e ecológicos. Contrariamente a um comentador que muito estimo pelo seu brilho e inteligência eu não acho que o Mundo está ‘a entrar num crepúsculo’ . Espera-nos o Novo! Como em todas as Revoluções!

Um conselho final: é importante estar aberto e dentro do Novo, visionando e desfrutando das suas potencialidades! Da Revolução! Ir em frente! Sem medo!

Afinal, depois de cada Revolução, o Mundo sempre mudou para melhor!…»

Algarvio de Portugal, Lagos

Nota: alguns autores estão a opinar que esta Deflação será diferente de todas as outras na História. Porque será o resultado de hiper-inflações nuns bens e serviços e hiper-deflações noutros. Quanto a identificar quais, as opiniões são ainda muito díspares. Por enquanto…