José Borba Martins

Arquivo de Janeiro, 2009

TGV: TRAVAR PARA PENSAR

In Local, Nacional on 29/01/2009 at 4:51 pm

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Não sou amante da politica, mas uma vez que faz parte do nosso dia-a-dia, penso que temos de fazer chegar a quem nos governa que é a nós cidadãos e aos interesses de Portugal que têm que servir.

Experimente ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio. Comprado o bilhete, dá  consigo num comboio que só se diferencia dos nossos Alfa por ser menos luxuoso e dotado de menos serviços de apoio aos passageiros.

A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas.

Não fora conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemas únicos dos superavites orçamentais seriam mesmo uns tontos.

Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza.

A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade.

Percebe-se bem porque não construíram estádios de futebol desnecessários, porque não constroem aeroportos em cima de pântanos, nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.

O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.

É por isso, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, que existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos). É por razões de sensatez que não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos.

Tirar 20 ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros não trará qualquer benefício à economia do País.

Para além de que, dado hoje ser um projecto, praticamente, não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.

Com 7,5 mil milhões de euros podem construir-se mil Escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e sub dimensionadas existentes (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches inexistentes (a 1 milhão de euros cada uma), mais mil centros de dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros cada um).

Ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências, como a urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária.

Cabe ao Governo reflectir! Cabe à Oposição contrapôr!

Francisco Soares, Cinfães

O PODER TEM MEDO DA INTERNET

In Internacional, Nacional on 27/01/2009 at 11:26 pm

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Num momento em que se vão percebendo “wick signals” no sentido de um controlo da internet por parte dos poderes públicos é muito oportuno relembrar o que um Sábio diz sobre o assunto.

O Sociólogo Manuel Castells analisa o papel da Internet nas relações sociais e na política, em entrevista publicada há cerca de um ano no El País – a 10Jan2008, por Milagros Pérez Oliva, que transcrevemos a seguir (bolds nossos):

« Se alguém estudou as interioridades da sociedade da informação é o sociólogo Manuel Castells (nascido em Hellín em 1942). Sua trilogia “A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura” (editada no Brasil pela editora Paz e Terra) foi traduzida para 23 idiomas. É um dos primeiros cérebros resgatados: voltou à Espanha para dirigir a pesquisa da Universidade Aberta da Catalunha em 2001, depois de ter pesquisado e dado aulas durante 24 anos na Universidade da Califórnia em Berkeley. Uma de suas pesquisas mais recentes é o Projeto Internet Catalunha, no qual durante seis anos analisou, por meio de 15 mil entrevistas pessoais e 40 mil através da rede, as mudanças que a Internet introduz na cultura e na organização social. Ele também acaba de publicar, com Marina Subirats, “Mujeres y hombres, ¿un amor imposible?” (Alianza Editorial), no qual aborda as conseqüências dessas mudanças.

El País – Esta pesquisa mostra que a Internet não favorece o isolamento, como muitos crêem, e sim que as pessoas que mais “batem papo” são as mais sociáveis.
Manuel Castells – Sim. Para nós não é nenhuma surpresa. A surpresa é que esse resultado tenha sido uma surpresa. Há pelo menos 15 estudos importantes no mundo que dão esse mesmo resultado.

EP – Por que acredita que a idéia contrária se propagou com sucesso?
Castells – Os meios de comunicação têm muito a ver. Todos sabemos que as más notícias são mais notícia. Você utiliza a Internet e seus filhos também; mas é mais interessante acreditar que ela está cheia de terroristas, de pornografia… Pensar que é um fator de alienação vem a ser mais interessante do que dizer: a Internet é a extensão da sua vida. Se você é sociável, será mais sociável; se não é, a Internet o ajudará um pouco, mas não muito. Os meios de comunicação são de certo modo a expressão do que a sociedade pensa: a questão é por que a sociedade pensa assim.

EP – Por medo do novo?
Castells – Exatamente. Mas medo de quem? A velha sociedade da nova, os pais de seus filhos, as pessoas que têm o poder ancorado em um mundo tecnológico, social e culturalmente antigo, em relação ao que lhes vem por cima, que não entendem nem controlam e que percebem como um perigo, que no fundo é. Porque a Internet é um instrumento de liberdade e de autonomia, quando o poder sempre se baseou no controle das pessoas, através da informação e da comunicação. Mas isso está acabando, porque a Internet não pode ser controlada.

EP – Vivemos em uma sociedade em que a gestão da visibilidade na esfera pública midiática, como a define John J. Thompson, se transformou na principal preocupação de qualquer instituição, empresa ou organismo. Mas o controle da imagem pública exige meios que sejam controláveis, e se a Internet não o é…
Castells – Não é, e isso explica por que os poderes têm medo da Internet. Estive em não sei quantas comissões assessoras de governos e instituições internacionais nos últimos 15 anos, e a primeira pergunta que os governos sempre fazem é: como podemos controlar a Internet? A resposta é sempre a mesma: não podem. Pode haver vigilância, mas não controle.

EP – Se a Internet é tão determinante na vida social e econômica, seu acesso pode ser o principal fator de exclusão?
Castells – Não, o mais importante continuará sendo o acesso ao trabalho e à carreira profissional, e, antes, o nível educacional, porque sem educação a tecnologia não serve para nada. Na Espanha a chamada divisão digital é uma questão de idade. Os dados são muito claros: entre os maiores de 55 anos, só 9% são usuários da Internet, mas entre os menores de 25 anos são 90%.

EP – Então é só uma questão de tempo?
Castells – Quando minha geração tiver desaparecido não haverá divisão digital no acesso. Mas na sociedade da Internet o complicado não é saber navegar, mas saber aonde ir, onde buscar o que se quer encontrar e o que fazer com o que se encontra. Isso exige educação. Na realidade, a Internet amplia a mais antiga lacuna social da história, que é o nível de educação. Que 55% dos adultos não tenham completado a educação secundária na Espanha é a verdadeira divisão digital.

EP – Nessa sociedade que tende a ser tão líquida, na expressão de Zygmunt Bauman, em que tudo muda constantemente e que está cada vez mais globalizada, pode aumentar a sensação de insegurança, de que o mundo se move sob nossos pés?
Castells – Há uma nova sociedade que tentei definir teoricamente com o conceito de sociedade-rede, e que não está muito longe da que Bauman define. Creio que, mais que líquida, é uma sociedade em que tudo está articulado de forma transversal e há menos controle das instituições tradicionais.

EP – Em que sentido?
Castells – Se amplia a idéia de que as instituições centrais da sociedade, o Estado e a família tradicional, já não funcionam. Então todo o nosso chão se move ao mesmo tempo. Primeiro, as pessoas pensam que seus governos não as representam e não são confiáveis. Assim, começamos mal. Segundo, pensam que o mercado vai bem para os que ganham e mal para os que perdem. Como a maioria perde, há uma desconfiança do que a lógica pura e dura do mercado possa proporcionar às pessoas. Terceiro, estamos globalizados; isso quer dizer que nosso dinheiro está em algum fluxo global que não controlamos, que a população está submetida a pressões migratórias muito fortes, de modo que é cada vez mais difícil encerrar as pessoas em uma cultura ou em fronteiras nacionais.

EP – Que papel a Internet desempenha nesse processo?
Castells – Por um lado, ao nos permitir o acesso a toda a informação, aumenta a incerteza, mas ao mesmo tempo é um instrumento chave para a autonomia das pessoas, e isso é algo que demonstramos pela primeira vez em nossa pesquisa. Quanto mais autônoma é uma pessoa, mais ela utiliza a Internet. Em nosso trabalho definimos seis dimensões de autonomia e comprovamos que quando uma pessoa tem um forte projeto de autonomia, em qualquer dessas dimensões, utiliza a Internet com freqüência e intensidade muito maiores. E o uso da Internet reforça ao mesmo tempo sua autonomia. Mas, é claro, quanto mais uma pessoa controla sua vida menos confia nas instituições.

EP – E sua frustração pode ser maior devido à distância que há entre as possibilidades teóricas de participação e as que se exercem na prática, que se limitam a votar a cada quatro anos, não acha?
Castells – Sim, há uma enorme defasagem entre a capacidade tecnológica e a cultura política. Muitos municípios implantaram pontos de acesso sem fio, mas se ao mesmo tempo não forem capazes de articular um sistema de participação eles servirão para que as pessoas organizem melhor suas próprias redes, mas não para participar da vida pública. O problema é que o sistema político não está aberto à participação, ao diálogo constante com os cidadãos, à cultura da autonomia, e portanto essas tecnologias só distanciam ainda mais a política dos cidadãos. »

Tradução para Português/BR de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

(para videos das intervenções de M. Castells seguir este link .

PELA VERDADE DESPORTIVA

In Desporto, Internacional, Nacional on 25/01/2009 at 12:17 am

O  TALEFE associa-se à iniciativa de Rui Santos, Jornalista e Comentador Desportivo, subscrevendo a petição e recomendando a todos que o façam, se fôr essa a sua vontade, para o que transcrevemos o texto do jornalista que suporta a mesma:

«Houve um tempo de amadorismo e carolice – e o futebol era gerido com poucos rigores. A bola girava de acordo com o talento dos executantes e dos caprichos de quem via a ‘máquina’ engordar.

Por via da sua popularidade, o futebol massificou-se e, depois de um tempo de identificação entre os adeptos e o mecenato, adquiriu uma e, depois, várias lógicas empresariais. Os clubes viviam do futebol e este, com a sua pujança, permitia, até, alavancar outras modalidades. As mudanças no Mundo, no sentido da globalização, contribuíram para retirar identidade ao futebol, quer ao nível dos Clubes quer do ponto de vista das próprias Selecções Nacionais.

O advento das sociedades anónimas desportivas marcou um novo tempo no futebol. Essas sociedades, gestoras de activos, criaram em seu redor outras sociedades. O interesse exclusivamente desportivo começou a perder terreno. Num universo de milhões, nasceu a era do ‘capitalismo desportivo’, nem sempre com bom-senso e muita raramente com a ideia de que o desenvolvimento dessas sociedades nunca poderia colocar em causa o objecto do alto rendimento no campo de jogo.

O desenvolvimento das novas tecnologias ajuda o ser humano em múltiplas actividades. Podem ser um instrumento extremamente útil. No caso do futebol, a história diz-nos que muitos resultados foram adulterados em função do ‘direito ao erro’ que os árbitros muito justamente reclamam e que a sociedade, até certo ponto, pode entender.
Sabemos, no entanto, pela voz dos protagonistas, as influências que se constroem em redor do ‘beautiful game’.

Discute-se, por isso, as arbitragens, os seus enredos e tramas. A introdução das novas tecnologias no futebol, para reduzir a margem de erro dos árbitros, não tem necessariamente de mudar a essência do jogo: os seus ritmos, a beleza dos movimentos, a genialidade dos protagonistas. Mas dar-lhe-á verdade. Discutir o jogo é uma mudança de paradigma. Discutir o jogo é muito mais atractivo do que discutir as arbitragens, cujos elementos deveriam conservar-se ‘invisíveis’.

Porque acreditamos no futebol como espectáculo, mas num espectáculo que apele à verdade desportiva, e porque a adesão, dentro e fora do futebol, começa a ser significativa, convidamos todos aqueles que querem voltar a acreditar na mais bela modalidade desportiva do Mundo a associar-se a esta iniciativa em:

http://www.ipetitions.com/petition/pelaverdadedesportiva

O presidente da LPFP, Hermínio Loureiro, dá o seu apoio a este movimento e, com ele, chegaremos à UEFA e à FIFA. Por um futebol de verdade!»

webmaster.talefe@gmail.com , Lagos

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Texto do colaborador do TALEFE  José Borba Martins que acompanhou a subscrição nº2622 da Petição “Pela Verdade Desportiva” promovida pelo Jornalista Rui Santos:

«About more than 10 years ago, this same subject appeared at my office talks among IS/IT colleagues. At that time, a few electronic eyes and sensors connected to a audio/video referee communicating almost online decisions to field referee (publicly audible/visible on stadiums loudspeakers) seamed possible and highly recomendable. In fact, as it is reality at american football already for years now. In fact, soccer football, is an extremely vast socio-cultural impact industry and, to put it short, it would be highly suspicious if nothing is done to make real the fullest use possible of technology in the sense of total transparency. Keeping the basics. Because truth in Sport in general as well as financial transparency are URGENT subjects this days. To Supporters, but also to Players, Referees, Investors and Governments. Not doing so, will make soccer potentially become the next tragic roman circus. With all security implications from the social point of vue. Be sage, Mr. Platini !!! You, as an extraordinary player of the past, can keep reinforcing clean playing for the truth in the game. Please do all efforts possible. Supporters will know how to recognize your best goal !!! Thank You.»

TEATRO TRÁGICO

In Internacional, Local, Nacional on 20/01/2009 at 1:20 am

gepeto

Com Wall Street completamente enleada nos perigos de novas falências de megabancos… e com Washington às guinadas a caminho da pior crise fiscal de todos os tempos, com os mais recentes avisos do próximo grande choque a mal se ouvirem lá quanto mais cá, continuam os Portugueses a assistir estarrecidos ao silêncio do nosso PR.

Ao mesmo tempo vimos o lançamento da candidadura do nosso PM a novo mandato à frente do PS pedindo uma maioria absoluta nas próximas eleições legislativas em concorrência mediática táctica com o congresso de um pequeno partido da oposição portuguesa. Para além da premonitória presença solitária no palco, aquela assinatura pessoal por baixo do slogan daquele sábio cenário valeu por mil palavras.

Porque é bem sintomática de um culto da personalidade que, como todos sabemos, é um traço da uma esquerda responsável, democrática e moderada…Não, é todo o contrário. E é mimetista de outras tintas políticas, não é responsável, não é democrática e, pior, é radical e obscenamente contrário à moderação imperativa em tantas realidades presentes e futuras.

O SG do PS, nessa qualidade, e sob um pano de fundo em que se podia ler o triângulo… «PS: A força da mudança» (assinado “José Sócrates” por baixo e na sua caligrafia pessoal…) disponibilizou-se para apoiar Manuel Alegre, portanto contra o actual PR, tentando uma provável reedição das anteriores presidenciais. Mas as eleições presidenciais são em 2011…

E, de caminho, lançou vários “novos” objectivos argumentando com o seu «sentido de responsabilidade em defesa de um projecto de esquerda democrática e moderada». O que poderia ser normal em tempos normais. Mas não é normal nos tempos que todos vivemos, com maior ou menor grau de consciência e de informação. E muito menos denota sentido de responsabilidade ou evidencia ser da cor da política em nome da qual argumentou. A Ministra da Educação roía as unhas…

Bem, antes de mais, é um facto unanimemente aceite que qualquer recandidatura a qualquer nível pressupõe, para além da credibilidade em concretizar promessas e projectos futuros, uma fortíssima componente de avaliação do que foi de facto realizado Vs. prometido na candidatura anterior.

Depois, é um facto que o PM respondeu claramente às mensagens do PR em menos de 20 dias. Porque, para além de abrir a campanha eleitoral para as Legislativas, tomou posição as Presidenciais de 2011 (a 2 anos exactos de distância) no mais completo antagonismo com o actual PR.

Continuando, é um facto que os números do Economist e a conferência da prestigiada revista ocorreram em tempos diferentes. Vejam-se as datas e compare-se com a do anúncio do orçamento “adicional”. A divergência dos números é muito significativa mas do ramalhete o que mais me assustou foram duas frases/ideias:

- a que saiu ao MF, segundo o qual «não podemos ter a veleidade de querer acertar nas previsões». É que a última vez que ouvi isto foi de um Vendedor de produtos alimentares que precisou ser convencido da utilidade dos Orçamentos Anuais e das suas Revisões Mensais ytd/ytg feitas a partir dos números reais apurados com essa mesma periodicidade. Nunca pensei ouvir esta frase da boca do Prof. Teixeira dos Santos, é o mínimo que posso dizer; e

- a peregrina afirmação do Prof. Mira Amaral que subscreveu explicitamente a tese da não divulgação dos factos quando são graves, para não alarmar as Pessoas e a Economia. Não terá sido assim “ipsis verbis” mas também estava a cair muita água aqui em casa. Se tivesse ouvido no carro ainda ligava o limpa pára-brisas e podia agora citar. Bem, mas a ideia era essa. Só que há duas maneiras de fazer-se isso: uma é conhecendo a realidade, a outra é quando não se conhece. Como dizia noutro post se não se sabe é mau, mas se se sabe e manipula é pior… E denota uma extrema falta de humildade intelectual e um inaudito paternalismo despótico e iluminado em relação aos seus Concidadãos Portugueses. Mas há vantagens nessa declaração de M. Amaral, é a de que ficámos a conhecer mais outro “dissidente” do Prof. Cavaco, eventualmente agora convertido em mais um “homem da situação”. Olhe! Não sabia…mas mais vale tarde que nunca!

Voltando à realidade, no momento em que a Economia Americana colapsa, no dia em que o novo Presidente dos USA Obama toma posse e de acordo com o Center on Budget and Policy Priorities (CBPP):

- o número de estados dos Usa que estão em urgente dificuldade fiscal são 45. Pelo menos…

- só para o ano fiscal 2009, as estimativas iniciais dos Estados da União subiam a 80 Biliões de Usd. Mas à medida a que vai sendo revelada a extensão total dos seus problemas, o CBPP projecta o montante dos défices combinados em 145 Biliões…

- e, pior ainda, os Estados que enfrentam estes desconcertantes défices chegarão a 2011 totalizando no seu conjunto pelo menos 350 Biliões de Usd, o pior da História.

O orçamento de quase todos os maiores Estados da União é como uma bomba fiscal. E como quase todos têm leis proibindo os déficits, estão a multiplicar-se em acções de redução de custos de qualquer modo possível: despedindo Funcionários Públicos aos milhares, cortando custos com Educação, cancelando Projectos de Construção, etc. A resistência política a cortes nos custos é enorme. E, no entanto, muitos Estados, como a Califórnia, esgotarão o dinheiro mesmo que consigam fazer passar as suas mais ambiciosas medidas anti-défice. Nunca antes desde a bancarrota da Confederação depois da Guerra Civil Americana tantos Estados enfrentaram a intensidade desta espécie de “Dia do Julgamento Final” financeiro que surge nos exercícios fiscais de 2009 e 2010. Se juntarmos a esta situação a dos Governos da Câmaras Municipais a situação ainda é pior.

O Total Geral: 450 Biliões de Usd de défices dos Governos Estaduais e Locais que se somam ao défice de 2 Triliões de Usd ao nível federal USA, combinados com os últimos tempos de alguns super-bancos americanos. Ainda por cima no meio de uma Economia em colapso.

As consequências: perdas massivas de emprego, não apenas ao nível das funcões públicas estaduais e municipais, mas também entre os empregados em contratos c/privados, companhias de construção e milhares de empresas apoiadas e dependentes dos Estados e Municípios para manter uma aparência de estabilidade económica e social nas suas áreas.

Claro que muitos, os da situação, dirão que é alarmismo ou tremendismo. Mas a realidade, o facto, é que existem especialistas credíveis a apontar para os USA em 2009:

- os níveis de Desemprego com aumentos de 10%, atingindo-se o total de 16%.

- uma segunda vaga de Bancarrotas em Empresas e Bancos.

- o colapso da Actividade Imobiliária entrará numa fase ainda pior. Para além do agravamento ao nível da Habitação Residencial será agora a própria Actividade Imobiliária a cair.

- A Restauração e o Retalho em geral já começaram a sentir um substancial agravamento em 2008. Em 2009 o nível de actividade será ainda pior.

- na Construção, os dados das organizações de Arquitectos estão a dar o primeiro sinal grave da dimensão da queda deste sector.

Existe mesmo um analista económico que chama a 2009 “O Ano da Grande Bola de Poeira” que afectará todas as formas de recebimentos, receitas e proveitos. Na sua opinião, 2009 será o ano que os historiadores no futuro descreverão como “O Ano da Grande Fome Financeira”.

Dificilmente poderia existir um pior contexto na data da tomada de posse do Presidente Obama !

Perante todo este tanto alarmante quanto real contexto que vemos nós em Portugal? Não valerá a pena repetir o que quase todos sentem. Valerá a pena comentar as propostas que o PM fez na qualidade de SG do PS? O casamento entre pessoas do mesmo sexo? O 12º ano? Referendar de novo a Regionalização? Não creio ser o momento, nomeadamente para tratar deste último tema, claramente insuficiente do ponto de vista do Algarve. Talvez mais tarde…

Mas creio firmemente que quanto mais tarde os Portugueses acordarem para a realidade pior será para a recuperação de Portugal. Não apenas na área económica, mas em todas sem excepção.

Termino comentando aquela sintomática frase do PM, quando afirmou «Não sou daqueles que apenas estão disponíveis quando os ventos estão de feição». Está então o PM sobre as águas da maré que vaza! Percebe-se a ideia e os seus múltiplos destinatários, mas sabendo o PM que foram os Portugueses que inventaram a vela que permite navegar contra o vento, saberá onde e como estão os Portugueses todos, independentemente dos ventos e das tempestades que sentem diariamente e cujos responsáveis perfeitamente impunes estão à vista de todos, quando não ajudados pela política do seu Governo?

É preocupante mas, afinal de contas, estará José Sócrates a radicalizar o que pode para que Cavaco Silva o demita, apressando-se a oferecer desde já um presente envenenado a Manuel Alegre e iniciando de imediato uma nova profissão de fé nesse ultrapassado “frame” de esquerda moderada, para a seguir, já com o novamente enganado candidato a PR amarrado à “sua” estratégia, vir suavizar o discurso nas legislativas para nova maioria? Se está, está mal. E muito mal aconselhado.

Toda a gente já percebeu que o PS não obterá nova maioria absoluta, coisa que é excepção neste sistema político que desgraçadamente ainda temos e que foi apenas timidamente corrigido ao nível da autarquias (essa sim uma nova oportunidade perdida).

Bem podem Rui Rio e António Costa (pois, que estratégia pessoal brilhante…) ir fazendo exercícios de aquecimento!

Saúde e Sorte para todos! Bem precisamos.

Algarvio de Portugal, Lagos.

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Nota:
Segundo o site da
CNE as próximas eleições que terão lugar na República Portuguesa serão as seguintes:
- 2009: em Junho será a Eleição para o Parlamento Europeu;
- 2009: em Setembro/Outubro terá lugar a Eleição para os Órgãos das Autarquias Locais;
- 2009: em Outubro será o momento da Eleição para a Assembleia da República e (indirectamente no actual sistema político) para o Governo;
- 2011: em Janeiro será o tempo da próxima Eleição para o Presidente da República.

PORTUGAL PRESENTE E FUTURO

In Nacional on 18/01/2009 at 1:11 am

cristoaviao

Não quero escrever de novo sobre o nosso modelo de organização política. Escrevi repetidamente no saudoso Expresso OL há já alguns anos. E creio poder dizer que estou a sofrer as consequências. Pessoal e profissionalmente. É que este sistema político que toda a gente sente não funcionar há tanto tempo mas que, por confusionismo induzido entre Sistema e Regime, ninguém se atreve a pôr em causa (exceptua-se agora JA Saraiva, director do Sol), este sistema político, dizia eu, pior do que demonstrada e repetidamente desadequado, potenciou um extensíssimo e variado rol de ilegitimidades completamente em roda livre, mas que conseguiram impôr-se e reinar legalmente de modo impune. E frutificar ao ponto de ser tido como uma espécie de fatalismo. Para já não falar na gritante ausência de legislação sobre o exercício da actividade de “lobby” e da repetida “queima profissional e pessoal” de tanta competente e lúcida gente em tantas áreas de actividade públicas e privadas, situação que exige correcção urgente do funcionamento do Estado Português, principalmente nas áreas da Justiça, da Educação e da Saúde.

É tempo de perder o medo e ver do que somos feitos e do que somos capazes. Sem revanchismos, mas também sem falsas inocências. No exercício do meu direito de opinião livre e independente como Cidadão de Portugal, perante a verdadeira desgraça nacional iminente, que está a ser apenas acelerada e potenciada pela Primeira Depressão Mundial neste momento em fase apenas inicial, entendo que é imperativo concretizar:

- Um Governo de iniciativa presidencial.

- Assumir os Factos, Ciência & Tecnologia, Transparência, Honestidade e Respeito pelos Portugueses como vectores de impacto real da acção política na vida concreta das Pessoas.

- Uma Revisão Constitucional.

Porquê?

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UM GOVERNO DE INICIATIVA PRESIDENCIAL

Porque se o Senhor Presidente da República não pode ignorar o que se passa, então que seja o primeiro PR de Portugal a assumir as suas competências na totalidade, uma vez que está investido pelos Portugueses como ”O mais alto magistrado da Nação” assim como ”O Comandante Supremo das Forças Armadas”.

Ou seja, que presida de facto à República Portuguesa, de modo a que se institua um Governo de iniciativa presidencial em que o PR presida ao Conselho de Ministros garantindo a Vida de Portugal neste tão novo quanto estranho e incrível contexto.

Que só vai agravar-se se nada fôr feito…

Porque o que temos é um insustentável mix de “damage control” pingado de laivos inconfessáveis, mau marketing e estratégias pessoais de fuga. É o que a acção e liderança do Governo actual evidencia e contém. Compreender-se-ão os objectivos, mas não é suficiente nem é credível. Como, espero, não se venha a ver! Apesar da competência técnica do actual Ministro das Finanças, que parece denotar um crescente mal-estar pessoal. Mas compreende-se-à mesmo o que está em causa?…

E, finalmente, porque também se impõe um novo despertar colectivo em torno de Ideias verdadeiramente mobilizadoras, assentes em Factos Verdadeiros publicamente evidenciados, assim como na Ciência e na nossa tão rica quanto mal administrada e desprezada Cultura, portanto, um mix já impossível de incluir nos mais despudoradamente encenados debates políticos, ainda para mais com estes “actores”…

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ASSUMIR A VERDADE DOS FACTOS, A CIÊNCIA & TECNOLOGIA, A TRANSPARÊNCIA, A HONESTIDADE E O RESPEITO PELOS PORTUGUESES COMO VECTORES DO IMPACTO REAL DA ACÇÃO POLÍTICA NA VIDA DE TODAS AS PESSOAS

Porque num País em que acontece o episódio da nacionalização do BPN como aconteceu e o que, aliás explicitamente, foi referido por Vasco Pulido Valente no telejornal TVI das 20h de 16.Jan.2009 sobre as declarações do Prof. Miguel Cadilhe na AR que, essencialmente, repetiu que a nacionalização foi política, que terá sido o cenário mais caro para os Portugueses Vs. o plano proposto por si e, pior, que a nacionalização foi feita quando a investigação estava a chegar aos responsáveis pelos ilícitos detectados… (acusação gravíssima que ”ninguém viu nem ouviu” e sobre a qual ninguém de direito ainda agiu…), dizia VPV mais ou menos isto: se fosse em Inglaterra no dia seguinte havia um pé-de-vento no Parlamento e, provavelmente, caía o Governo.

Pode um Presidente da República, pode O Mais Alto Magistrado da Nação ignorar estes factos e defender a Verdade?

Porque num País em que acontece o incrível e estranhíssimo noticiário (“inconvenientemente” administrado pelo Sol) acerca do licenciamento do Freeport, episódio que apenas se vêm somar a tanto e tão grave volume de realidades tão absolutamente anormais que Clara Ferreira Alves enumera exaustivamente no seu artigo de Julho de 2008 in Expresso, pode um Presidente da República, pode O Mais Alto Magistrado da Nação ignorar estes factos e defender a Verdade?

DEFINITIVAMENTE NÃO!  NADA PODE CONTINUAR COMO DANTES, COMO SE NADA SE TIVESSE PASSADO.

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UMA REVISÃO CONSTITUCIONAL

Uma revisão constitucional séria, de preferência sem consultores estrangeiros, porque temos cá os melhores, os que conhecem a nossa realidade, e com a tão pretendida VERDADE transmitida aos Portugueses.

De uma vez por todas, que haja a Coragem de acabar com a confusão entre Regime e Sistema. Sem mais Retórica vácua. O sistema semi-presidencialista deve evoluir, no interesse de todos os Portugueses, no sentido do reforço dos poderes do Presidente. Como no caso francês. E outros existem para análise e debate político sério.

Nenhum Português quer o fim da Democracia, é por demais evidente que o que todos nós queremos é que a Democracia tão simplesmente exista, funcione e que não seja pretexto para interesseirismos de curto-prazo, que podem ser legítimos do ponto de vista formal fartamente documentado por uma verdadeira “Indústria dos Pareceres Jurídicos” mas que são objectivamente suicidários. Até do ponto de vista de quem conscientemente os praticou…

O Presidente da República, O mais Alto Magistrado da Nação e O Comandante Supremo das Forças Armadas não pode simultaneamente ignorar estes factos e defender a Verdade !

É URGENTE, PRESIDENTE !!!   Para Todos os Portugueses sem excepção.

José Borba Martins, alias J.B. DLEGS, Lagos – PT

A GRANDE PORCA, A GALINHA CHOCA & O GRANDE PAPAGAIO, S.A.

In Nacional on 17/01/2009 at 12:00 am

crise_derkaoui

“ESTE ESTADO DE COISAS”

«… O que é preciso para alterar este estado de coisas? É preciso que quem dirige saiba dirigir e saiba o que é que anda a fazer. E dar o exemplo. A semi-elite que ocupou o ESTADO e a ECONOMIA em Portugal é profundamente medíocre. E daí para baixo tudo é possível…»

«Não quero saber de medidas, quero saber se se faz aquilo de que o país precisa ou não. Precisa que tenha uma EDUCAÇÃO decente, que tenha uma JUSTIÇA capaz, que se acabe significativamente com os CORRUPTOS, com a LADROEIRA que atravessa Portugal, que se acabe com a BUROCRACIA, que se ponha ordem na ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, precisa de tudo isso, precisa de ir lá ao fundo das coisas e nós não vamos ao fundo de nada, ISTO É TUDO UMA MENTIRA !

Eu, como Cidadão, só me cumpre apreciar aquilo que existe.»

EDUCAÇÃO

O que existe é uma vergonha, é um crime que se está a praticar. Estamos a deixar os filhos dos mais pobres igualmente ignorantes como os pais o foram. E, portanto, os filhos dos pobres vão ser os pobres de amanhã.

«Sobre o computador Magalhães acho que cada coisa tem o seu tempo e acho que as crianças têm que começar por saber ler, escrever, contar e entender. E depois é que vão para os Magalhães. Aquilo que se está a conseguir fazer com as nossas crianças é entregar-lhe esses caixotes, que felizmente, eles vão estragar depressa, isto felizmente vai ser destruído muito rapidamente. Se houver, porque já não sei se vai haver… »

CIDADANIA, POLÍTICA e POLÍTICOS

«A maior parte dos Cidadãos não fala. Em grande parte faz como o Zé Povinho porque que não vale a pena. E aqueles Cidadãos que deviam falar não falam porque dependem do Estado, dependem de certas empresas que dependem do Estado. As personalidades estão a contar entrar para a Assembleia da República na próxima eleição, ou ir para a Europa ou receber umas COMISSÕES aqui ou ali ou acolá. Portanto o país anda a TRATAR DA VIDA. »

«E o Português é o Zé Povinho, que anda tramado. ESPEVITAR A CIDADANIA… É POUCO !»

«Isto é uma fantochada: é o Cartão do Cidadão, é o Magalhães, são as auto-estradas, é o TGV…Enfim, tudo isto é aparência, é tudo casca. Nós não temos políticos com conteúdo, temos políticos com casca. »

«Isto é tudo uma aldrabice pegada, de A a Z. É preciso é aparecer a dizer qualquer coisa todos os dias. E depois, pronto, fica tudo para trás. Tudo isto é, realmente, uma coisa que enoja qualquer Cidadão, o que se passa neste país. Eu não tenho outra qualificação para o que se está a passar nesta nossa terra.»

«E depois esta do concurso que não foi concurso, que foi por adjudicação directa, tudo isto faz-me a mim uma grande confusão. Tudo me faz impressão, tudo isto para mim é um nojo… »

«A Política em Portugal é cada vez mais um nojo. Aquilo a que o Rafael Bordallo Pinheiro chamava “A grande Porca” o homem do Zé Povinho chamava-lhe “A Grande Porca”. Eu diria, para actualizar enfim, “A Grande Porcaria”. É a Política em Portugal. »

«Eu tenho o maior e o mais progressivo desprezo por quase todos estes Políticos, 3 ou 4 que restam de Seriedade e de Respeitabilidade com Dignidade da nossa terra.  O resto é só…parecem daquelas santolas que há uma época que só têm casca, não têm conteúdo, é assim que nós estamos na política…santolas só com casca. »

«A santola não ganha recheio porque mal disto tudo está nos partidos políticos, os partidos políticos são cada vez piores, o PS e o PSD são cada vez piores. E, portanto, isto é uma santola que vai andando até que alguma coisa lhe quebre a casca. »

«O Rafael Bordallo Pinheiro viveu entre 1845 e 1905, grosso modo na segunda metade do séc. XIX, em que acho que realmente havia parecenças. Apesar de, nesse período, ter pontificado um grande político (Fontes Pereira de Melo), coisa que já não existe em Portugal há um tempo e que não vai existir tão cedo. Portanto, mesmo contando que houve a Regeneração e o FPM, Portugal era uma coisa de fugir.»

«Era a Política que era “A Grande Porca”, era a Economia que era “A Galinha Choca”, era o Parlamento que era “O Grande Papagaio”… Bom, portanto nós estamos a reviver um período de profunda decadência que eu penso que é igual ao desse tempo. »

2009…

«E sobre 2009…sabe que o problema em Portugal é que nós andamos sempre à procura daquilo que se vê. Quer dizer, aquilo que está por trás daquilo que se vê… ninguém vê.

Portanto nós estamos agora muito preocupados com esta crise. E é séria !»

«Quando eu estive no Governo, creio que quando nós acabámos, quando obviamente fomos mandados embora, oferecemos ao Mário Soares um quadro. Eu, há dias, ouvi dizer que ofereceram ao Primeiro-Ministro um fato. É a diferença dos tempos! »

Texto-citação parcial da entrevista de Medina Carreira a Conceição Lino no programa ”Nós por Cá” (subtítulos e destaques do TALEFE)

Algarvio de Portugal, Lagos.

O dia de hoje é uma dádiva, por isso é que o chamam de “PRESENTE”

In Visionarium on 15/01/2009 at 10:27 pm

cabecarvore

Recebi de um Amigo de Sintra (J.C. Alves) um belíssimo texto que não resisto a inserir aqui no Talefe. Que disfrutem!

«Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital. Um deles podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões.  A sua cama estava junto da única janela do quarto. O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas.

Os homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres, famílias, das suas casas, dos seus empregos, dos seus aeromodelos, onde tinham passados férias…

E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava,passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as coisas que conseguia ver do lado de fora da janela.
O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a actividade e cor do mundo do lado de fora da janela. A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem e uma ténue vista da silhueta da cidade podia ser vislumbrada no horizonte.
Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava as pitorescas cenas.

Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia a passar. Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a retratava através de palavras bastante descritivas.
Dias e semanas passaram. Uma manhã,a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida do homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia. Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo.

Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e fez a troca. Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a enfermeira deixou o quarto.

Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela que dava, afinal, para uma parede de tijolo!

O homem perguntou à enfermeira o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela.

A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede. Talvez quisesse apenas dar-lhe coragem…

Moral da História: Há uma felicidade tremenda em fazer os outros felizes, apesar dos nossos próprios problemas.

A dor partilhada é metade da tristeza, mas a felicidade, quando partilhada, é dobrada.

Se te queres sentir rico, conta todas as coisas que tens e que o dinheiro não pode comprar.»

SAÚDE E SORTE !

Pão de Lopes, Algoz

CRISE ou GRANDE DEPRESSÃO GLOBAL? Perspectivas & Análises (III): A Origem Financeira da Primeira Depressão Mundial

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 13/01/2009 at 9:11 am

A melhor maneira de não teorizar em demasia sobre qualquer tema é torná-lo evidente perante uma Criança, de preferência com uma explicação visual.

Nesse sentido, e sobre a situação que TODOS estamos a viver, encontrámos um video extremamente esclarecedor, e démo-nos ao trabalho de traduzir a legendagem para português/pt . Não nos fartaremos de recomendar o seu visionamento e reflexão sob os pontos de vista que cada um achará mais pertinentes.

É, no mínimo,  urgente para a generalidade dos Cidadãos entender esta perspectiva realista, embora explicada de um modo muito simples e rápido.

Neste momento, face a todos os dados existentes e disponíveis publicamente à escala mundial, a mensagem final é realmente de uma complexidade e vazio crescentemente dramáticos a cada dia que passa para Países e Pessoas, se tivermos em conta os vários caminhos alternativos que neste momento estarão ainda a ser reflectidos pelos diversos níveis de detentores dos Poderes Públicos …

É urgente perceber a origem do que se se está a passar, para além das cortinas quase inconscientemente manipuladas perante esta verdaderia maré negra.

É urgente ver/rever este contributo apresentado por “Say it Visualy”  tal como ler a transcrição da tradução.

O video legendado em português/pt está acessível através do link:
http://dotsub.com/media/f7077a3a-c54d-458c-8340-8541db728c91/e/m/por_pt

O video original em inglês (não legendado) está a seguir:

“COMO EXPLICAR A CRISE FINANCEIRA DE 2008 NOS USA ÀS CRIANÇAS

(E A MUITOS ADULTOS)”

por “Say it Visualy”

«Imagine um Baloiço. É divertido quando sobe e desce. Mas não tem graça nenhuma quando fica parado. É assim que funciona a nossa Economia. “Dinheiro Vivo” e “Promessas de Dinheiro” andam para trás e para a frente, há uma constante mudança de Equilíbrio. A isso chama-se “Crédito”.

Comprar uma casa é um bom exemplo. As casas são caras! Portanto as pessoas prometem aos bancos mais dinheiro mais tarde, para receberem empréstimos de menos dinheiro hoje. A promessa que fazem, uma espécie de “Eu devo-te a ti”, chama-se “Hipoteca”. As pessoas conseguem a casa hoje. O banco de facto é o dono da casa, que passa a chamar-se “Colateral”. Todos os meses, as pessoas devolvem um bocadinho ao banco. Os bancos recebem muito mais dinheiro do que o que emprestaram, a longo prazo.

Tendo o dinheiro para emprestar chama-se “Banca de Depósitos”, porque os bancos têm que manter grandes depósitos de dinheiro, para emprestar.

Outra maneira em que Dinheiro e Promessas andam para trás e para diante chama-se “Investimento”.

Pressupõe-se que os Negócios das Empresas farão mais dinheiro do que gastam, mas às vezes, elas precisam de dinheiro para começar a sua actividade. Portanto, elas prometem algum do dinheiro em excesso do futuro, para conseguirem o dinheiro para começar hoje. A promessa que fazem chama-se “Contrato-Garantia”. Possuir “Contratos-Garantias” é muito parecido com possuir dinheiro, portanto esses bancos são chamados de “Bancos de Investimento”.

Portanto, basicamente, existem 2 tipos de actividades de Crédito. Pode dizer-se que os “Bancos de Depósitos” vendem Dinheiro por Promessas e que os “Bancos de Investimento” vendem Promessas por Dinheiro.

Até há 10 anos atrás, as regras definidas pelo Governo Americano após a Grande Depressão de 1929, mantinham as actividades de Depósitos e as de Investimento separadas.

Então, em 1999, o Governo Americano eliminou algumas dessas regras numa Lei chamada “Acto de Modernização dos Serviços Financeiros”.

De repente…as empresas de modernos serviços financeiros podiam fazer as duas coisas.

Isto ligou as actividades de “Depósitos” e “Investimento”.

Por exemplo, conjuntos de Hipotecas foram “empacotados” em conjunto e vendidos a Investidores. Estes “Contratos-Garantias” reforçados por pacotes de “Hipotecas” pareciam seguros. Afinal de contas… as pessoas não pagam sempre as suas casas?
Pouco tempo depois disto, o Governo Federal Americano também decidiu ajudar mais pessoas a conseguirem casas, eles como que baixaram o lado do dinheiro da área dos depósitos, para ajudar mais gente a andar para a frente. Milhões de pessoas que nunca antes teriam recursos para prometer os pagamentos das casas, de repente passaram a ter.  Mas isso tornou-se naquilo a que se chama um “boom”.

Muita gente queria comprar casas mais depressa do que o tempo que elas levavam a ser construídas, e portanto o preço das casas subiu. As pessoas temporariamente esqueceram-se que “para cima” é sempre balanceado “para baixo” nalgum lado.

Muitos grandes empresas de serviços financeiros venderam os tais “Contratos-Garantias” reforçados por pacotes de “Hipotecas”. Grandes pacotes de Promessas! E desde que os preços das casas subissem, os Investidores de todo o mundo pensaram que poderiam obter muitíssimo dinheiro de volta. Mas, a coisa dependia de que a maior parte dos novos proprietários das casas fizessem o pagamento das suas Hipotecas.

Então, os apoios à compra de casa desapareceram. Alguns pagamentos tornaram-se muito mais caros. E algumas pessoas que tinham prometido ir pagando as suas hipotecas deixaram de poder suportá-las. Elas basicamente tiveram que fugir da situação, e vocês sabem o que acontece quando alguém faz isso: os preços das casas caíram e o “boom” desapareceu.

Mas do outro lado continuaram a aumentar os Investimentos. As casas que funcionavam como “Colateral” deixaram de valer tanto quanto os pagamentos das Hipotecas no termo dos empréstimos. Sem esses pagamentos, os bancos tiveram que usar o Dinheiro dos seus próprios Depósitos para pagar aos Investidores. Passado um tempo, o Dinheiro acabou-se.

Quando um banco fica sem Dinheiro para cumprir as suas promessas, ele tem que fechar. Foi exactamente isso que aconteceu.

Agora o Governo está a tentar decidir o que fazer:

1. ajudar os DONOS DAS CASAS?

2. ajudar os BANCOS? ou

3. ajudar os INVESTIDORES?

É um problema de dimensão mundial.

Entretanto, o movimento entre Dinheiro e Promessas, que mantém a Economia em movimento, está a abrandar. Isso afecta divisas, negócios, hospitais, agregados familiares e tudo em geral.

“Crédito” é como ar a entrar e a sair de um corpo. Nós não nos podemos manter sem ele.

Nós mudámos as regras para modernizar o nosso sistema financeiro, mas nós não conseguimos concluir esse trabalho!

COMO É QUE NÓS RESOLVEMOS ISTO E RESTAURAMOS UM EQUILÍBRIO RESPONSÁVEL ENTRE DINHEIRO E PROMESSAS? »

___________________________________________

tradução para Português/PT por “Algarvio de Portugal”, http://talefe.wordpress.com

CRISE ou GRANDE DEPRESSÃO GLOBAL? Perspectivas e Análises (II)

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 07/01/2009 at 5:28 am

socrates1

FOI EXCELENTE A ENTREVISTA DO SENHOR PRIMEIRO-MINISTRO de 2ªf 5.Jan.2009

Porque foi muito esclarecedora. A vários títulos:

PESSOALMENTE, porque revelou uma vez mais o tipo de personalidade forte e voluntariosa de uma pessoa que está convencida de que não existem alternativas. Nem à sua liderança nem à sua política.

Fica-lhe bem a postura, mas não é bem assim, como o Sr. PM muito bem sabe. Ou não sabe?

Assim de repente, sobre entrevistas (permito-me o parentesis) o que me ocorre é que talvez o melhor fosse rentabilizar o Parque Mayer com a sede de uma estação de televisão. Sobrevivia o Teatro de Revista e rentabilizava-se o espaço. Talvez o anunciado novo canal ou o canal espanhol estejam interessados, quem sabe?

É que, apesar de ocasionalmente impaciente ou incomodado («mas o que é que querem que eu vos diga mais?»), o PM que temos pareceu empolgado com a uma Crise que certamente já terá identificado, infelizmente para Portugal, como uma oportunidade política…

Tanto, que já aproveitou para pedir implicitamente uma maioria absoluta nas próximas eleições. Em que não intervirá pessoalmente, dado o sistema eleitoral ridículo que temos não eleger governos mas sim assembleias.

Como todos sabemos neste simulacro de Democracia em que vivemos, a maioria dos Portugueses não vota porque perdeu a tão prezada Confiança Política… A Justiça não produz resultados em tempo útil e todos os poderes continuam, como outrora, a ter o seu centro em Lisboa. Centro político esse que, baseando numa minoria de eleitores, arregimentados competemente com recurso a técnicas antigas e teias de interesses modernos, mantém  um povo inteiro refém de si próprio pelo mesmo espírito obscurantista de outrora. Em todo o país. Embora agora a cores e com enorme e ignorante consumismo. Aquilo a que me refiro é tão evidente e tão grave que até um conterrâneo meu da área política do governo se viu compelido a avisar contra os perigos desta verdadeira Oclocracia que se instalou em Portugal. Para a qual, repito, alertou há tempos um intelectual da minha terra nos seus escritos. E como a História e a Sociologia inelutavelmente explicarão no futuro.

Mas isso é para o Sr. PM um problema menor. Se sempre foi assim…cá vamos nós caminhando alegremente para sucessivas abstenções record. Portanto, sobre a tão prezada Legitimidade Política estamos esclarecidos.

Realmente é impressionante: como é possível andarmos a pensar em eleições numa altura destas Sr. PM? Ou preparam-se novos e obscenos festins financeiros, agora por conta desta tão tardiamente detectada e tão infantilmente denominada “Crise”?

POLITICAMENTE, é totalmente inaceitável que se argumente que a dimensão do que vivemos é a de uma ”crise” ou até mesmo de uma “recessão”. Não! O problema é gritantemente maior: nem é Crise nem é Recessão! E muito menos apenas técnica. Se fosse só isso, substituia-se uma peça qualquer e a Economia lá levantava vôo outra vez. Francamente…

Não é uma gripe é um estado potencialmente comatoso o que, neste momento apenas inicial, os dois suicídios de pessoas do topo financeiro mundial apenas sinalizam. E que não afecta apenas a área financeira, é geral e transversal. Da área financeira alastrou à económico-social e à generalidade das actividades humanas. E alastrará à Organização dos Estados e das Sociedades tal como hoje as conhecemos.

Quanto a consequências, é bom não perder de vista que, sejam quais forem, resultarão do facto de, na minha opinião, a sua origem residir numa crise de valores éticos já com décadas associada à questão da legitimidade política (ou da falta dela) em várias regiões do Globo. Sem exclusão das chamadas “democracias ocidentais”.

Esta Primeira Depressão Mundial parece ter-se desencadeado a partir de uma claríssima incompetência técnica e política para utilizar e controlar – conduzindo –  a aceleração proporcionada pela tecnologia por parte dos poderes políticos. Paradoxalmente, de duas maneiras: porque essa aceleração escondeu uma desaceleração evidente e simultânea na chamada economia real  – o eterno problema de analisar totais sem fazer a análise fina, sem ver a decomposição dos totais -  e, por outro lado, porque nunca como hoje as tecnologias de informação foram tantas e tão eficazes. Tudo isto temperado pelo facto de os detentores do conhecimento tecnológico acelerado não coincidirem e não terem sido levados a sério pelos detentores do poder político. O que terá sido mais grave ainda se estes, numa segunda fase e a partir do início do século, passaram a manipular ilegitimamente os sistemas financeiros. Tanto que, para mais, no seu seio incluem-se sempre detentores do conhecimento técnico…

E a todos estes ainda se juntam sempre os que não tendo nem conhecimento técnico nem tecnológico sabem falar muito bem e são óptimos no fund raising. Esta mistura explosiva é ainda rastilhada pela mais despudorada “livre-circulação” entre a Política e a Economia (pública e privada…), das fugazes passagens pelos cargos políticos ao trânsito de/para outras actividades.  A roda livre.  Será que em Portugal tudo foi ou é diferente Sr. PM?

Não sabemos. Quem tem que saber é o Sr. PM. Mas também o Sr. Presidente da República.

Mas sei que a desmaterialização dos processos e dos activos financeiros velhos e novos  – o que na prática equivaleu a se poder ”emitir divisas”, o que era proibido há menos de 20 anos e deixou de o ser (quando?, porquê?…) -  não foi completamente percebida nem controlada por quem tinha a obrigação política e a disponibilidade tecnológica para o fazer. Controlar no sentido da transparência de processos e da disponibilidade imediata (“onlinização”) das actividades financeiras, verificando automaticamente a situação. Será que em Portugal tudo foi ou é diferente?

Não sabemos. Quem tem que saber é o Governo e o Banco de Portugal. Mas também o Sr. Presidente da República.

De facto, estamos perante uma DEPRESSÃO, e é a primeira que é GLOBAL. O que não é melhor.

Estamos pois perante A PRIMEIRA DEPRESSÃO MUNDIAL.

Claro que contém oportunidades, mas o que está a suceder é muito pior que uma mera recessão técnica. E quanto mais tarde se acordar para ela pior. Pedem-se soluções, mas ouve-se realmente quem as tem, Sr. PM?

Haja, pois, a necessária Coragem para mudar. O que não se pode fazer sendo governo é, em contra-crítica, pedir as soluções às oposições. Quem não sabe, não quer, ou não pode, que feche a loja.

O que imperativamente não se pode pretender fazer é, perante este vazar de maré cuja baixa-mar não está ainda à vista mas que só ela evidenciará a verdadeira quantidade de porcaria existente, abordar a resolução dos impactos da Primeira Depressão Global na Economia Portuguesa com estratégias pessoais ou grupais eleitoralistas minimizadoras de danos.

O problema, Sr. PM, é que perante este quadro, tem que se ser politicamente mais ambicioso do que isso !

Ou será que se prefere sistematicamente aproveitar as ideias alheias, para além de outras coisas piores…, que depois são torcidas e ajustadas aos vários interesses do momento, levando quase à loucura quem vê a realidade e sofre na pele os efeitos de se ousar ser sério e honesto perante a mais grave e sucessiva incompetência política e técnica a tantos e variados niveis. Podemos estar num quadro pior? Podemos esperar que as soluções venham sempre de fora?

Ou preferir-se-à, ainda nessa suicidária perspectiva e ao abrigo de tão recheados quanto duvidosos CV’s e de variados oportunistas e interesseiros mentorings políticos de fugas várias, encenar formalmente mais uma série de pasos dobles nesta meta-democracia em que, há já tanto tempo, tudo vai mudando para afinal ficar tudo na mesma. Lançando mais ou menos jovens aparatchiks, ainda navegando nos paradigmas do passado os quais, sedentos dos fátuos poder e fama, não sabem – ou não podem –  identificar o que lhes vai cair nas mãos indo acabar, mais cedo ou mais tarde, numa qualquer prateleira dourada à pála do erário público? Ou na prisão? E a organização científica do trabalho? Passou a ser filosofia política Sr. PM? Onde cabem 10 metem-se 50? Isso é que é alavancar… E as Pensões? Quantas por pessoa? Qual é o limite? 3? 5? 10? Auditorias Funcionais? Empresas Municipais? 3ª Auto-estrada Lisboa-Porto quando ainda não tem sequer a Via do Infante ligada via Barlavento até Sines. Até quando? Ou essa obra está reservada para quando os PIN para o Sudoeste estiverem todos vendidos e mal pagos roubando às populações locais o usufruto dos seus direitos públicos e privados? Does that ring you any bell, Mr. PM?

De facto, a abordagem política apresentada na entrevista de José Sócrates é insustentável perante a realidade que todos os Portugueses vivem há meses. Alguns há alguns anos. Os largamente mais de metade que trabalham no Estado (parece que passou a ser uma vantagem paradoxal, mas não é, como infelizmente se verá…) tal como as restantes pessoas, definitivamente, não merecem tal baixo e apenas reactivo nível de ambição política. A tão voluntariosa abordagem apresentada para Portugal não é credível. Porque não é coerente nem consistente. E porque é reactiva e agora, mais do que nunca, tem que ser activa.

Quem pode acreditar que quem em Outubro.2008 não soube (ou não pôde…) avaliar politicamente nem a claríssima crise portuguesa (sacrificando consciente e voluntariamente os portugueses à consolidação orçamental, seríamos o único país da UE que iria cumprir os critérios do défice público…) nem a pública e evidente depressão global (com início demonstrado desde o início de 2007), quem acreditará sinceramente que pode agora anunciar-se um Orçamento Rectificativo ao sexto dia do ano e agir politicamente a supervisionar tecnicamente Portugal nas turbulentíssimas águas que se avizinham? Ou então sabia-se e calou-se a Verdade. O que ainda seria pior…

E da tão prezada Confiança nem se fala… Mas há alternativas. E o Sr. PM conhece-as. Tem que conhecê-las. Ou, então, tem que ir à procura delas. Com Coragem e Urgência.

Não, não é preciso ser vidente, a realidade é antes por demais evidente e há demasiado tempo para poses surpreendidas e piruetas voluntaristas.

Como demasiada gente sabe para que se ignore, há mesmo quem consiga demonstrar que esta Depressão começou nos USA como crise financeira há 7 anos, pasme-se…

Mas não vou tão longe, obviamente! Basta-me documentar que ela tem o seu início registado há cerca de 2 anos e, como tal, os respectivos dados são públicos (US Federal Reserve)! Portanto já era conhecida em Outubro (e não Setembro) quando da apresentação dessa coisa que deve ser intelectualmente estimulante  - mas de pouca Verdade –  a que se chama Orçamento de Estado e que mais não é que um Orçamento de Tesouraria… É impressionante, será tecnicamente correcto, mas é tecnologicamente infantil e politicamente suicidário. Portugal não pode mais ser gerido, embora pareça que esforçadamente, como se de uma mercearia em que o dono está fora se tratasse. A ver. E a pagar.

É demais para ser ignorado pelo Senhor Presidente da República. Que também não pode querer sacrificar Portugal em nome de um eventual segundo mandato. No limite, que prefira fazer um bem feito do que dois mal feitos… Creio estarmos a chegar ao momento em que também o Sr. PR terá que optar entre ser parte da solução ou do problema. Do problema é. Da solução activa…ainda não! É que as sondagens “mentem”. Mas pessoas não!

Sobre a entrevista resta-me assinalar que, de entre outros, não foi abordado o tema JUSTIÇA.

Sem mais comentários, para além de dois apontamentos:

- O Senhor Governador do Banco de Portugal, que entretanto considerou que o plano da Comissão Europeia para estimular a economia pode ser insuficiente, revelou logo no dia seguinte ao da entrevista de José Sócrates que Portugal entrou em recessão técnica em 31.12.2008 (2 trimestres sucessivos com crescimento negativo do Pib). Logo no dia seguinte ao da entrevista.

- E mais um ”pequeno” sinal, para mim muito preocupante a vários títulos, nomeadamente Fiabilidade de Informação: na entrevista Rtp1 do Sr. Ministro das Finanças no Telejornal da noite de 3ªf, foi referido o problema do défice da economia dos USA que, galopante, estimava o presidente eleito em peça apresentada com legendas, se terá cifrado também no final de 2008 em 1 trilião de Usd e não um bilião como na peça foi traduzido, ou seja mil biliões e não um bilião. E a repetir em anos futuros, dizia B. Obama. Não legendado!… por lapso ou por intenção?

A diferença é de 1 para 1.000 e o facto é que o erro passou despercebido – porque não corrigido - ao Sr. Ministro das Finanças que é, de facto e conjuntamente com o Sr. Ministro das Obras Públicas, quem governa a Economia Portuguesa. Lapso ou intenção?

Termino com uma gloriosa intervenção do Sr. PM José Sócrates, em 14.10.2004, quando era Deputado da República Portuguesa, dirigindo-se ao ex-PM Santana Lopes e, mais abaixo, um video intitulado “José Sócrates – Antes e Depois”.

A transcrição da intervenção de 14.10.2004:

«Senhor Presidente, Senhores Deputados, Senhor Primeiro-Ministro,

Lamento muito recordar que o senhor Primeiro-Ministro ocupa esse lugar sem ter ganho uma eleição legislativa nacional. Mas essa acontece que é a pura das verdades, Sr. PM. E vai ter que conviver com isso. E esse não é um tema qualquer nem um tema secundário Sr. PM. É um tema da maior importância. Porque só a legitimidade política dá autoridade. E, o Sr. PM desculpe-me, mas só essa autoridade é que é fundamental para poder coordenar um governo.

E há um ponto em que todos os analistas estão de acordo, Sr. PM: é que o Governo não tem rumo nem tem estratégia. Nem tem coordenação. E se é verdade que, há uns meses atrás, os portugueses não compreenderam que o Sr. PM é primeiro-ministro,  à medida que o tempo passa vão percebendo cada vez menos.

A este Governo o que verdadeiramente falta é orientação, é rumo, é aquilo que se chama, Sr. PM, liderança. Porque os portugueses não podem confiar num PM que uma vez diz umas coisas, outra vez diz outras. Não podem confiar num PM que deixa o seu governo à deriva. Que deixa os ministros degladiarem-se na praça pública à volta das questões da governação. Não podem confiar num PM que não imprime aquilo que é fundamental, uma orientação, um rumo, uma estratégia, uma liderança, para o governo. O Sr. PM desculpe dizer-lhe isto, Sr. PM, mas os portugueses vão ficando com a sensação, nós ficamos aqui com a sensação, que verdadeiramente o Dr. Santana Lopes não está no lugar certo. Que não tem jeito para isto. A conclusão a que chegámos é que o Dr. Santana Lopes não tem jeito para primeiro-ministro. É esta aparência que dá este governo.

Notei que o Sr. PM, nos seus cinco minutos, não teve tempo para ir à Economia. Cá espero pela sua resposta. Mas gostaria de lhe lembrar o seguinte Sr. PM: nós não podemos passar de uma fase em que estamos em recessão para a fase do crescimento estouvado, porque essa não é a realidade da nossa economia. Eu gostaria de recordar ao Sr. PM que este mês temos mais 16.000 desempregados.  Que os dados do comércio internacional de Portugal apontam para o agravamento do défice comercial. Que as exportações não arrancam. E quero recordar-lhe, Sr. PM, que nós somos o país da União Europeia, o segundo pior país da União Europeia, em termos de confiança. Esta é que é a realidade da nossa economia, que nenhuma central de comunicação poderá disfarçar. Ou mascarar.

Mas Sr. PM, o Sr. PM não se vai daqui embora sem falarmos num último tema. Dei-lhe todas as oportunidades. Podia ter falado nele no seu discurso inicial, e podia ter falado nele a seguir, na resposta à minha pergunta. E esse caso não é resolvido pelo seu silêncio. Esse é um caso a que não pode fugir. E é o caso seguinte:  é o caso do ministro do seu governo que fez uma pressão ilegítima junto de uma estação privada e que conduziu à eliminação de uma voz incómoda para o seu governo. E o Sr. PM desculpar-me-à, mas quero dizer-lhe com clareza, esse episódio é um episódio indigno de um governo democrático, e é um episódio inaceitável. E quero dizer-lhe, Sr. PM, isso é uma nódoa que o vai perseguir, porque essa nódoa  não vai ser apagada facilmente. Porque é uma nódoa que fez Portugal regressar aos tempos em que havia condicionamento da Liberdade de Expressão. E peço-lhe, Sr. PM, peço-lhe, Sr. PM, resista à tentação do controlo da comunicação social. Não vá por aí,  porque nós cá estaremos para evitar essas tentações. Muito obrigado, Senhor Presidente.»

O video:

“SÓCRATES – ANTES E DEPOIS”

MEDINA CARREIRA ao “NÓS POR CÁ” na tarde do dia da entrevista do Sr. PM à Sic

(restantes videos anteriores em playlist sequencial)

Bom 2009 (vamos no sétimo dia…)

Algarvio de Portugal, Lagos

CRISE ou GRANDE DEPRESSÃO GLOBAL? Perspectivas e Análises (I)

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 04/01/2009 at 4:57 am

medinacarreira

Nos últimos 10 anos, o ritmo do endividamento externo de Portugal é de 48 milhões de euros por dia, ~2 milhões de euros por hora… Onde está o dinheiro? Porquê ? Ninguém é responsável ?

Sei que pode parecer simplista, que se trata do endividamento de todos os agregados macro-económicos (será mesmo?) mas ninguém é responsável pelas sucessivas inércias políticas de Lisboa quanto à reorganização do Estado? Já com alguns e tão significativos casos de polícia que evidenciam o modo politicamente criminoso como os maiores partidos políticos se financiam, vitimizando-se pelo caminho igualmente as autarquias  e os seus “funcionários políticos” que tanto inocente quanto provincianamente se vão pondo a jeito.

Sempre ao abrigo desses subconscientes paradigmas inculcados por necessidade e rarefacção de alternativas ao longo de décadas mas hoje objectiva e claramente ultrapassados para uma pretensa segurança pessoal, segundo os quais se deve “ir para a capital”, “tirar um canudo” e ”conseguir trabalho no Estado ou num Banco” como a melhor das garantias de um rendimento permanente e estável. Nada de mais errado, como o demonstram os factos recentes e mais demonstrarão os futuros! E mais ainda, quando sob aquelas tão extraordinárias justificações de que já era assim quando os sucessivos actuais “actores políticos” chegaram, que não há outro remédio, de que não podemos mudar o mundo e outras barbaridades. Ou seja, nem mais nem menos do que a negação da Política !

Não é simplista, será complexo,  mas de uma coisa os responsáveis políticos de topo, actuais e passados, por esta ainda desconhecida – em toda a sua extensão e profundidade - coisa inominável em que Portugal se tornou, podem estar certos: pode enganar-se uma pessoa uma vez, duas duas vezes, mas não se pode enganar toda a gente o tempo todo. Terão ainda tempo para serem parte da solução?

Não gosto de chavões mas creio que as palavras de Medina Carreira são lapidares quando refere a propósito do problema da morosidade da Justiça que

«não se faz nada contra isso porque a classe política tem medo de ser apanhada na mira…na rede da Justiça. É uma desconfiança que eu tenho…Quanto mais complicado aquilo fôr… (sub. melhor)», ou que

«Um país em que as desigualdades não têm fundamento, em que a maior parte delas são desigualdades ilegítimas, para não dizer mais, é um caldo de cultura que pode acabar muito mal.»

Claro que no actual contexto provavelmente o ritmo do crescimento do endividamente será ainda maior por via das despesas sociais. Se houver financiamentos externos, o que não é claro que aconteça (v. recente caso do financiamento à Cgd). Mas isso não pode justificar o desprezo pela realidade por parte de um Estado que se vem desde há longa data revelando ingovernável e bipolar (carrasco na cobrança /caloteiro nos pagamentos). Que vai consumindo tudo, até as boas-vontades e as pouquíssimas boas competências políticas e técnicas que alguns ainda puseram e põem ao seu serviço. Quanto às outras vontades,  muito pouco ou nada se sabe. Publicamente…

Sem medos nem extultos cultos da personalidade, mas com fundadíssimos receios sobre o que será o nosso futuro colectivo face à indiscutível realidade para a qual apenas há pouquíssimas semanas a generalidade dos políticos portugueses acordou – que não os Portugueses - recordamos aqui as mais significativas intervenções em 2008 acerca do presente e do futuro de Portugal pela perspectiva do Prof. Medina Carreira.

Com a devida vénia ao blog de Vítor Silva Os meus apontamentos, e para quem necessita ainda de mais dados sobre que País hoje somos, em que Estado hoje estamos e para onde hoje estamos de facto a caminhar, aqui fica profusa informação acerca de PORTUGAL pela perspectiva de Henrique Medina Carreira, o político, pedagogo e fiscalista a quem tantos chamaram “tremendista”:

-  Entrevista de Maria Flor Pedroso a Medina Carreira Transcrição da entrevista de Maria Flor Pedroso a Medina Carreira para o seu programa semanal na Antena1 de 3-out-2008.

- O Dever da Verdade o muito esclarecedor livro de Medina Carreira coordenado com Ricardo Costa do qual, no mínimo, se devem ler as trabalhosas e eloquentes “notas de leitura”

Neste link do YouTube estão os videos das suas intervenções, de que destacamos:

-  2008-05-26   Prós&Contras: A situação real da economia portuguesa.

-  2008-07-03   SicN – Negócios da Semana.

-  2008-07-16   SicN – Política e Estado do País.

-   2008-10-14   SicN – Entrevista a Mário Crespo.

-   2008-10-17   TVI – Orçamento 2009.

-   2008-12-10   SicN – Negócios da Semana.

Adicionalmente e para terminar, permitimo-nos citar, com a devida vénia ao Professor e ao semanário SOL, o seu artigo publicado em Outubro.2008 intitulado “SURDO COMO UMA PORTA, TEIMOSO COMO UM BURRO! “:

«Os partidos criam ilusões sobre a capacidade para melhorar o nível de vida dos portugueses. É apenas um embuste!

O Governo armadilhou a legislatura porque atacou a conjuntura com conversa. Concretiza-se um evidente fracasso!

Legalmente, a actual legislatura acabará em 2009. de facto, já terminou. O governo abriu a campanha eleitoral quando Correia de Campos saiu da Saúde e a paz foi feita com os professores. Tem vindo a intensificá-la, redistribuindo um mínimo de dinheiro pelo maior número possível de beneficiários. É o ‘social barato’, porque a economia o impõe. Por agora, está feito o que o Governo foi capaz de fazer. Mas o essencial fica, uma vez mais, adiado. Os partidos da oposição, por seu lado, sem recurso sequer ao ‘social barato’ confiaram às crises e à gatunagem a tarefa de ‘desgaste’ do eleitorado socialista. No que respeita à economia, esta é mais uma legislatura sem avanços: em 2009 a conjuntura não será melhor que a de 2005; e as bases estruturais mínimas, que sustentem o progresso da produtividade, continuam por criar. Estamos parados, o que é o mesmo que dizer que ficamos mais atrasados…

A economia continua a ser o mais difícil dos nossos problemas. Irá manter um elevado nível de desemprego, um baixo poder de compra, um modesto ritmo de crescimento, uma insanável pobreza, um crescente temor do futuro, a irremediável nova emigração, as excessivas desigualdades e a periclitante protecção social. A economia é, afinal, a maior causa do nosso mal-estar. Dificilmente a conjuntura poderia ter evoluído de modo diverso. O governo comprometeu-se com resultados mais positivos, mas não deveria tê-lo feito: eram já evidentes e falta de instrumentos para consegui-lo e desfavoráveis as circunstâncias externas vigentes. Acontece que, ao contrário de há vinte anos, o crescimento econômico no curto prazo escapa às políticas no Governo: não há moeda própria para desvalorizar e as ‘exportações’ não crescem desse modo; não há juros para baixar; porque essa é uma atribuição do BCE e não há margem de manobra para reduzir os impostos e/ou aumentar as despesas publicas, porque há déficies elevados e persistentes. Só uma sensível aceleração das ‘exportações’ poderia ter resultado melhor. Tratar-se-ia, porém, de uma hipótese remota, porque a economia da Zona Euro crescia, anualmente, à taxa de 1,4% (2000-2004).

Na ausência de factores objectivos que fossem favoráveis - internos e externos – o Governo simulou a dinamização da economia através das palavras: ‘optimismo’, ‘coragem’, ‘crença’ e ’modernidade’. Uma simples puerilidade destinada ao fracasso porque a realidade mostra, diariamente, o contrário. Deve recordar-se ao Governo que o PIB português é muito mais surdo que uma porta e muito mais teimoso que um burro! Não reage a esta ‘conversa’. Só anima aquele em quem se acredita. E só se acredita em quem sempre diz a verdade.

A ineficácia da política da ‘conversa’ é um factor: por isso, vem agora o Governo, mais perto das eleições de 2009, anunciar um exorbitante conjunto de obras públicas que promovam o investimento e o consumo, e acelerem o crescimento econômico. É o habitual e o desesperado recurso ao ‘betão’ keynesiano. Que, nas actuais condições , agravará o futuro só para produzir um fogacho que fantasie o presente. Se a política da ‘conversa’ foi apenas um logro, a do excesso do ‘betão’ poderá ser uma perigosa aventura. Desde logo porque, no plano do Estado, não se reduzir suficientemente o défice, pelas despesas correntes (apenas – 1.1 pp do PIB): os riscos de uma nova colisão com o Programa de Estabilidde e Crescimento (PEC) são grandes. Mas, sendo o défice público um travão, nem sequer é o mais decisivo: são-no os nossos elevados défice externo e endividamento internacional, porque tais investimentos provocriam acréscimos de encrgos insuportáveis. Em suma: públicos ou privados, pouco importaria, este volumoso ´betão’ teria de ser financiado no exterior; por insuficiência de poupança interna. A festa de agora seguir-se-ia depois a hora da verdade, com os juros e os reembolsos a pagar. O Governo tem referido as obras mas tem silenciado o seu financiamento externo: evita que a opinião pública se aperceba das pesadas consequências da sua exorbitante dimensão, para já não falar do carácter supérfluo de muitas. Importam-lhe apenas as eleições de 2009, porque outros estarão para pagar mais tarde. Basta atentar no alerta de Silva Lopes, feito já em 2004: “Se continuarem as tendências de endividamento dos últimos anos do século XX (…) antes de muito tempo os bancos, as empresas e as famílias (encontrarão limites para o mesmo). Se isso acontecer, negras nuvens pairarão sobre o crescimento da economia nacional”. Estas ‘tendências’ não permaneceram, porque se agravaram sempre.

Os dislates e as aventuras das políticas têm ajudado a ocultar a realidade da nossa economia. À nossa opinião pública condicionada pelas análises ‘trimestrais’ – só chegam as noticias das insignificantes variações de décimas do produto e do desemprego. Assim, não pode entender-se o que é a economia portuguesa. Convém lembrar que:

1) De 1980 a 2007, o crescimento médio anual foi de 2,4%;

2) Atingiu nos melhores ciclos os 5% (1985 a 1990), e os 3,5% (1995 a 2000);

3) Nos restantes dezassete anos, fora estes destes ciclos, situou-se em 0,9%.

Os dois ‘bons’ ciclos deveram-se, em grande parte, a acasos externos, a saber:

1) À queda do preço do petróleo e à entrada na CEE, no primeiro (1985-1990);

2) À baixa das taxas de juro e ao endividamento externo, no segundo (1995-2000). E desde 1990, beneficiamos também de meios financeiros extraordinários, alguns irrepetíveis, num montante superior a 180 milhões de euros, provenientes de: transferência comunitárias, 53 mil milhões; privatizações, 18 mil milhões; e do maior endividamento do Estado e das Famílias, 100 mil milhões.

Com tais acasos e tanto dinheiro, atingimos 2,4% anuais, nos últimos vinte e sete anos. Em dois de cada três anos, nesse longo período, nem sequer excedemos os 0,9%. Cabe então perguntar o que teríamos sido e o que poderemos vir a ser, sem acasos e sem muito dinheiro.

Em Portugal e no curto prazo, o crescimento dependerá:

1) De uma conjuntura externa favorável, que propicie mais exportações;

2) De medidas políticas sectorais e avulsas, embora com efeitos muito restritos;

3) Da ocorrência de investimentos volumosos, públicos e/ou privados no exterior.

Uma de duas : ou há sorte, vinda de fora, ou hipotecar-nos-emos. E todos os governos estão ‘amarrados’ a tais circunstâncias: têm, portanto, de ser sérios, assumir e explicitar este intransponível condicionamento. O que fazem é, exactamente, o contrário. Não ingenuamente: os principais partidos querem, no imediato, manter boas sondagens, preparar e ganhar eleições. Para tanto, criam e sustentam ilusões sobre a sua capacidade para impulsionar o crescimento, gerar empregos e melhorar o nível de vida. É apenas um embuste.

Esta necessidade imediata de afirmação dos principais partidos é, politicamente, muito grave pois impede o desenvolvimento econômico português: só se faz agora o que interessa que se veja já, porque a obra de fundo e demorada ano promove imediatamente a imagem. Nem os votos. Tornando desinteressante a economia do futuro, esta democracia corrói perigosamente um dos seus apoios fundamentais. Em países atrasados, como o nosso, é um sistema promotor de maiores atrasos. Demorará tempo,mas vai perceber-se.

Do ponto de vista econômico, o Governo ‘armadilhou’ a legislatura de 2005-2009: porque atacou a ‘conjuntura’ com ‘conversa’; porque arquitectou um conjunto de obras cuja concretização integral empenharia longamente o nosso futuro; porque não preparou a ‘estrutura’ em função das necessidades de uma economia mais produtiva e mais competitiva. Concretiza-se assim um evidente fracasso se se considerar que esta legislatura reúne condições únicas e muito favoráveis: pela sua longa duração de quatro anos e meio, pela maioria absoluta de um só partido e pela ‘cooperação estratégica’ do Presidente da República. Como ela nenhuma houve, desde 1976, e nenhuma teremos, proximamente. E, em muito do que é mais relevante, o Governo limitou-se a simular que executava ‘reformas’, quando afinal privilegiava o espectáculo mais que a obra, a retórica mais que a substância; as palavras mais que as idéias e a aparência mais do que a realidade.

Poucas são, alias, as políticas com efeitos positivos sobre o nosso futuro econômico:

1) A redução do défice público, não especialmente pelas despesas correntes (49% pelos impostos, 31% pelas despesas correntes e 20% pelas despesas de investimento);

2) A reforma das pensões, atrasada de dez anos e apenas para adiar a grande crise;

3) As energias renováveis, em fuga ao indispensável debate sobre o nuclear;

4) Algum ‘Simplex’, a gerar conflitualidade judicial proximamente.

Em 2009 continuaremos a ter a mesma economia que registou um crescimento anual médio de 0,0%, em dezassete dos últimos vinte e sete anos(1980-2007).

E não é previsível uma modificação, para melhor, a partir de 2009. Efectivamente:

1) As circunstâncias em Portugal podem agravar-se, com uma legislatura mais curta, a ausência de maiorias e divergências políticas mais acentuadas;

2) A crise internacional, de extensão ainda imprevista, tolherá o crescimento, aumentará o desemprego e poderá restringir drasticamente o acesso a financiamentos externos, único factor que nos tem permitido iludir os efeitos da debilidade econômica e manter um nível de vida que é artificial e será insustentável nos próximos anos;

3) A protecção social ressentir-se-á, em função dos crescentes e inevitáveis condicionamentos financeiros;

4) O clima social degradar-se-á. Este é um quadro incompleto, mas provável. É o produto da mediocridade estabilizada da nossa economia, que agora só se agrava, devido às circunstâncias internacionais.

Dito de forma mais crua: Portugal ficará outra vez entregue a si mesmo, sem sequer poder pretextar qualquer crise que disfarce as suas fraquezas. Não deve, por isso, manter-se a ilusão, pois os malabarismos nunca vencem as realidades. Sempre que assim se procede, aqui ou além, as coisas acabam mal.»

Para terminar aqui fica uma surpreendente explicação sobre a origem da crise financeira. Um certo humor britânico, legendado em português do Brasil…

Algarvio de Portugal, Lagos

PRESIDENTE URGENTE

In Internacional, Nacional on 02/01/2009 at 11:04 pm

pr200901011

EXCELENTE, A COMUNICAÇÃO DO PRESIDENTE CAVACO SILVA.
Abriu caminhos que são estreitos apenas por serem tardios. Esta parece-me ser “A” mensagem subjacente mais importante. Ou ninguém viu? A vontade?
O caminho que vi? Bem, será que a defesa da Constituição incapacitará o PR de poder ele próprio ser o garante da mudança, verificada a ingovernabilidade, promovendo-a quanto ao sistema político (não de regime, evidente/), sem fazer “borrón y cuenta nueva” mas sim recuperando o país, em cooperação estreita com os responsáveis pelo sistema judicial, da rapinagem estrutural feita em tão poucos anos (e on-going…?).
Não será a própria defesa da Constituição que o impõe?
Esta é A QUESTÃO.
Chegou o tempo das grandes decisões.
Sob pena de ninguém acreditar que podem ser os actores políticos que estão na origem do estado a que Portugal chegou os mais capazes de conduzir uma navegação nas águas turbulentas de que parece que só há 1 mês tomaram consciência (os indicadores publicados marcam o início da crise no 2º trimestre de 2007 nos EUA!!! (*1)).
É que tudo se passa como se da maior baixa-mar se tratasse, em que só quando a água baixar completamente se possa ver a totalidade da porcaria antes oculta. Pela água só?
É urgente ouvir o que Medina Carreira, Jacinto Nunes e Silva Lopes têm a dizer. Porque o tempo é de Mudança de Paradigmas. Do regresso a nós mesmos e partir para um novo tempo:

O QUE FOI PROMETIDO AO POVO DE  PORTUGAL há tanto tempo para tão pouco resultado.
Bom Ano? Pode ser!

citação do Comentário de J.B.Dlegs 2.1.2009 in Expresso

Veja e leia a Comunicação do PR aqui.

(*1)  ficheiro Adobe gratuito pronto a enviar, pedidos a webmaster.talefe@gmail.com

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PORQUE É QUE IMPLORAR PELA REFORMA DO SISTEMA POLÍTICO AOS POLÍTICOS É O MESMO QUE PEDIR A REFORMA DO SISTEMA PRISIONAL AOS PRESOS (m.q. CIDADÃOS PRIVADOS DA LIBERDADE) ?

(brevemente…)

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Entretanto em 30.12.2008 o Senhor Presidente da República recebeu, em audiência, o Ministro das Relações Exteriores de Angola, Dr. Assunção Anjos, ex-embaixador do seu país em Lisboa, tendo-o condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

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Democracia & Internet

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 01/01/2009 at 5:34 am

EPIC 2014  – realizado em 2004 por Robin Sloan and Matt Thompson *

Uma História Futura dos Media. Ver e rever nestes tão cheios de incerteza, confusão e…de mudanças de paradigmas em todas as áreas de actividade. Também na Democracia Portuguesa e do que todos e cada um de nós quisermos que ela seja. Apesar de uma entrevista recente a que voltaremos nooutro dia.

Alguns números que ilustram a importância de um fenómeno que nos condicionará cada vez mais a todos. Para o melhor ou para o pior, só dependerá de ti.

AFINAL QUANTO TEMPO VAIS FICAR QUIETO E CALADO?

Participa! Se nunca o fizeste, O TALEFE pode ser o instrumento da tua primeira manifestação de opinião própria ou de partilha de experiências que tenhas como relevantes. Em qualquer tipo de formato: texto, audio, foto ou video. Escreve, grava, fotografa, filma e envia os ficheiros para webmaster.talefe@gmail.com .

A COMUNICAÇÃO SOCIAL ÉS TU. Mais cedo ou mais tarde !

Alguns números:

« 110 milhões  - Número de visualizações em 16 de Novembro dos 1.800 vídeos publicados no canal oficial de Barack Obama no YouTube. Nunca um candidato à Casa Branca tinha usado tão intensamente a web para fazer passar a sua mensagem. Foi também no YouTube que o Obama publicou, a 15 de Novembro, o seu primeiro discurso como presidente eleito. Em menos de 24 horas, mais de 500 mil pessoas já o tinham visto. “Yes, he can!” (fonte: YouTube)

8,5 milhões – Número de visitantes por minuto de sites noticiosos em todo o Mundo entre as 23 horas e a meia-moite de terça-feira, 4 de Novembro, dia das Eleições norte-americanas. Quando foi divulgado que Barack Obama era o grande vencedor, os sites de notícias bateram todos os recordes de visitas desde que este tipo de medições começaram a ser feitas, há três anos. Em situações semelhantes registaram-se três milhões de visitantes por minuto. O site do “The New York Times” recebeu um número recorde de 61,6 milhões de pageviews (páginas completamente transferidas para o computador do internauta) na quarta-feira, em comparação a 55,1 milhões no dia da eleição, segundo dados internos. O site do “The Washington Post” também bateu o recorde na quarta-feira, com 17,5 milhões de pageviews, sendo que no dia anterior havia registado 13,2 milhões. (fonte: Akamai).»

in Expresso (citação parcial)

Algarvio de Portugal, Lagos

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* recomenda-se o visionamento do video na página própria do post (clicar no título).