José Borba Martins

Arquivo de Dezembro, 2008

PORTUGAL DOS PEQUENINOS

In Nacional on 28/12/2008 at 9:52 pm

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Nevoeiro

Para mim, o melhor artigo de opinião de 2008 (bolds do Talefe):

«Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção.

Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo “normal” e encolhem os ombros.

Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal e que este é um país onde as coisas importantes são “abafadas”, como se vivêssemos ainda em ditadura.

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa e Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

Vale e Azevedo pagou por todos.

Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?
Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?
Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?
Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?
Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?
Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.
No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?

As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.
E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente “importante” estava envolvida, o que aconteceu? Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.

E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente “importante”, jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára? O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.

E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.
Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.

Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os “senhores importantes” que abusaram, abusam e abusarão de crianças  em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa.»

C. F. Alves, in Expresso, Julho 2008, citada por Algarvio de Portugal, Lagos.

O saudoso vi ver

In Internacional, Local, Nacional, Regional on 28/12/2008 at 3:26 pm

Aos cinco considerados Grandes Mestres da Terra Lusitana (Afonso Henriques, Camões, Infante D. Henrique, Pe. António Vieira e Fernando Pessoa) ouso acrescentar eu, que ninguém sou, agora mais Um, o tão celebrado mas tão esquecido Prof. Agostinho da Silva, de quem cito um urgente excerto de obra sua.

Não encontrou este humilde Algarvio de Portugal melhor pensamento que este para iniciar estas Cartas do Talefe, o qual, tão simplesmente, pretende convocar todos para a urgência de pensarem pela sua própria cabeça de modo a sobreviverem nestes tão confusionistas tempos de Mudança em que tão poucos insistem em tanto activa quanto inconscientemente subverter um dos valores fundamentais da existência humana:

A Liberdade.

«Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não são seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição, venha a pensar o mesmo que eu; mas, nessa altura. já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.»

Agostinho da Silva, in ‘Cartas a um Jovem Filósofo’

Os VIDEOS de Agostinho da Silva no YouTube:

Um Grande Português - Agostinho da Silva
Agostinho da Silva (Entrevista 1ª Parte - 1990)
Agostinho da Silva (Entrevista 2ª Parte - 1990)
Herman José entrevista Agostinho da Silva
Agostinho da Silva, Liberdade, Destino, Genética, Defeitos
Agostinho da Silva-Instruir,Educar,Reformados,Camões ePessoa
Para ver mais Videos do Prof. Agostinho da Silva clique AQUI e escolha!

PORQUÊ O TALEFE* ?

In Estatuto Editorial on 28/12/2008 at 4:12 am

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O TALEFE é um simples blog em que quaisquer cidadãos independentes e residentes ou não na adiada Região do Algarve, de qualquer nacionalidade, religião ou qualquer outra opção pessoal legal podem e devem intervir no âmbito do exercício da sua cidadania local, regional, nacional ou internacional (1).

O TALEFE é um espaço de intervenção eminentemente individual e manifesta o princípio da mais total independência em relação a todas as estruturas empresariais, laborais, religiosas, político-partidárias ou quaisquer outras formas de condicionamento que possam influenciar a Liberdade de Expressão que assiste a qualquer Cidadão em Democracia.  

Os conteúdos do TALEFE poderão ser publicados sob formato escrito, mas também de audio e/ou de video. Os conteúdos multimédia poderão ainda ser tanto peças originais como items seleccionados de quaisquer outros media, nacionais ou internacionais, desde que considerados de interesse pelos respectivos autores.

Como o TALEFE é feito por Cidadãos Livres e Independentes, acreditamos que será um contributo precioso para uma mais nítida visão de uma realidade complexa, a realidade sentida do democraticamente crucial ponto de vista de uma cidadania maioritariamente desvinculada politicamente de modo formal.

Por isso, acreditamos que a leitura frequente do TALEFE será, reforçadamente, também do interesse de todas as configurações estruturais, políticas ou não. Que saibam disfrutar e dar bom uso e sequência às diversas opiniões, críticas e sugestões que por estas páginas certamente surgirão. Porque os conteúdos e contributos do TALEFE serão directos, pessoais e não-avençados, esperamos assim contribuir para uma urgente redução do gap entre opinião pública e publicada.

O Cidadão pode ser o ponto estruturalmente mais baixo e elementar da organização político-social de qualquer comunidade. Mas é também ele o elemento mais alto dessa comunidade, no sentido em que é ele o destinatário primeiro dos bons ou maus resultados acção política.  O Cidadão é, de facto, o TALEFE da Democracia.

Como os primeiros depositantes da confiança política são também os primeiros a sentir os resultados dessa repetida e pacientemente depositada confiança, todos somos Talefes. Uma Democracia em que tal não suceda não é uma Democracia, é uma Democracia podre e será, mais cedo ou mais tarde, uma Democracia morta senão existente apenas de modo formal, repetitivo e cada vez mais impaciente…

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