José Borba Martins

UMA MASSAGEM DE ANO NOVO PARA UM PORTUGAL EM COMA

Em Local, Nacional, Regional 02/01/2010 às 8:47 pm

Menos de 24 horas após a Mensagem Ano Novo do PR, e percorrendo os respectivos comentários partidários, constata-se que nem um só para amostra refere o conteúdo principal da mesma, uma rara espécie de massagem fundamental para um Portugal em coma, principalmente para todos os partidos e titulares de cargos públicos, iludidos como sempre, dormentes nas suas iluminadas prosperidades macrocéfalas e centralistas por demais insustentáveis e insuportáveis de ver e ler no seu longuíssimo desfile diário das mais pungentes incapacidades políticas e financeiras tão dolosamente induzidas a uma imensa maioria composta por desempregados e por mal-empregados amarrados à ilusão de que o seu estatuto financeiro sugador do Estado será eterno. Multi-pensionistas de luxo incluídos. Nada de mais errado, como se verá mais adiante…

Tarde demais para tão forte advertência presidencial? Assim parece, mas só a incrível vertigem dos sucessivos tempos presentes o demonstrará inequivocamente num futuro próximo…

De facto, o Presidente Cavaco Silva, após um discurso de improviso na apresentação de Boas-Festas pelo Governo, em que foi manifestamente infeliz – ou extremamente irónico – quando desejou sucessos patrimoniais aos seus membros…, reapareceu apenas uma semana depois aparentemente farto dos jogos florais de bastidores e das charadas politicamente correctas da opinião publicada a que a maioria dos portugueses assiste desesperadamente há demasiado tempo.

O Presidente da República falou claro e disse que em 2010:

«PORTUGAL ESTÁ CONFRONTADO

COM UM DESAFIO DE REGIME.

QUE PODE SER DRAMÁTICO,

COMO O DEMONSTRAM OS EXEMPLOS

DE OUTROS PAÍSES DA UNIÃO EUROPEIA.»

Das restantes e inesperadamente abundantes massagens para o tão comatoso paciente português e demais avisos à navegação para os Partidos e para todos os Titulares de Cargos Públicos as principais foram, na minha leitura, as seguintes:

1. CONHEÇO BEM A NOSSA REALIDADE COLECTIVA, QUE PODE SER EXPLOSIVA.

JÁ HÁ UM ANO ALERTEI PARA O QUE ESTAVA A ACONTECER…

«Há precisamente um ano, quando falei ao País, referi que 2009 iria ser um ano muito difícil. Acrescentei, na altura, que receava o agravamento do desemprego e o aumento do risco de pobreza e exclusão social. E disse também que Portugal gastava em cada ano muito mais do que aquilo que produzia.»

«Com este aumento da dívida externa e do desemprego, a que se junta o desequilíbrio das contas públicas, podemos caminhar para uma situação explosiva.»

2.  QUE NINGUÉM CONTE COMIGO PARA A MENTIRA, A ILUSÃO E A OCULTAÇÃO…

MAS NÃO CONTEM COMIGO PARA RESOLVER A SITUAÇÃO EM QUE O PAÍS SE ENCONTRA, PORQUE EU NÃO TENHO NADA COM ISTO E ATÉ PORQUE ESTOU IMPEDIDO DE O FAZER.

«Enquanto Presidente da República estou acima do combate político e partidário.»

«Falo aos Portugueses quando entendo que o interesse do País o justifica e faço-o sempre com um imperativo: nunca vender ilusões nem esconder a realidade do País. Em nome da verdade, tenho a obrigação de alertar os Portugueses para a situação difícil em que o País se encontra e para os desafios que colectivamente enfrentamos.»

«Nos últimos tempos, temos ouvido muitos apelos para que o Presidente da República intervenha activamente na vida política. No entanto, na lógica do nosso sistema constitucional, não compete ao Presidente da República intervir naquilo que é o domínio exclusivo do Governo ou naquilo que é a actividade própria da oposição.»

3. BASTA DE INTRIGA POLÍTICA!

OS PORTUGUESES JÁ NÃO CONFIAM NEM NAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS NEM NA JUSTIÇA.

OS POLÍTICOS E OS MAGISTRADOS QUE FAÇAM O QUE TEM QUE SER FEITO, ESPECIALMENTE OS QUE TÊM CARGOS DE TOPO, PORQUE O EXEMPLO TEM QUE VIR DE CIMA.

O MEU COMPROMISSO É SEMPRE COM OS PORTUGUESES E COM A REALIDADE.

EU NÃO TENHO MEDO E NÃO CONTEM COM O MEU SILÊNCIO…

«Não é tempo de inventarmos desculpas para deixarmos de fazer o que deve ser feito.
Estamos perante uma das encruzilhadas mais decisivas da nossa história recente. É por isso que, em consciência, não posso ficar calado.
»

«Temos também de restaurar o valor da confiança nas instituições e na justiça.»

«Tempos difíceis são tempos de maior exigência e de elevada responsabilidade. Para todos, é certo, mas ainda de maior exigência e responsabilidade para os detentores de cargos públicos. O exemplo deve vir de cima.»

«Os Portugueses têm de acreditar que existe justiça no seu País, que ninguém está acima da lei. Sei que a grande maioria dos magistrados se empenha, séria e discretamente, em fazer bem o seu trabalho.»

«Neste primeiro dia do ano, importa reafirmar o valor da esperança. Repito aos Portugueses o que lhes disse há precisamente um ano: não tenham medo.»

«No meio de tantas incertezas, os Portugueses podem ter uma certeza: pela minha parte, não desistirei e nunca me afastarei dos meus deveres e dos meus compromissos.»

4. URGÊNCIA NA ACÇÃO POLÍTICA ÚTIL E CONSEQUENTE.

OS PARTIDOS POLÍTICOS FICAM A SABER QUE TÊM ATÉ AO ORÇAMENTO 2010 PARA FAZER UM ACORDO COM BASE NUM PLANO CREDÍVEL A MÉDIO PRAZO…

EMBORA EU JÁ NÃO ACREDITE NISSO?… (não será este o significado do tempo do verbo “SER” utilizado: “seria” e não “é”?…)

«O Orçamento do Estado para 2010 é o momento adequado para essa concertação política, que, com sentido de responsabilidade de todas as partes, sirva o interesse nacional.»

«(…) seria absolutamente desejável que os partidos políticos desenvolvessem uma negociação séria e chegassem a um entendimento sobre um plano credível para o médio prazo, de modo a colocar o défice do sector público e a dívida pública numa trajectória de sustentabilidade.»

5. TEMOS UMA LONGA HISTÓRIA PORQUE NÃO TIVÉMOS MEDO.

TENHAM ESPERANÇA E LUTEM PELO FUTURO, POR VÓS E PELOS VOSSOS FILHOS, QUE É O QUE EU ESTOU A FAZER…

SOMOS UMA DEMOCRACIA E ESTAMOS NUMA EUROPA UNIDA, MAS SE FICARMOS À ESPERA QUE OUTROS RESOLVAM OS NOSSOS PROBLEMAS PERDEREMOS A NOSSA INDEPENDÊNCIA NACIONAL.

«Possuímos uma longa História de que nos orgulhamos, porque no passado não tivemos medo. E aqui estamos hoje, um Estado democrático que faz parte de uma Europa Unida.»

«Em nome desse futuro, temos de continuar a lutar. O combate que travamos por Portugal é feito em nosso nome e em nome dos nossos filhos. Eu acredito em Portugal. Por isso, continuarei a lutar pelo futuro desta nossa terra.»

«Não devemos esperar que sejam os outros a impor a resolução dos nossos problemas.»

___

É oportuno recordar que o Presidente da República, pela nossa Constituição em vigor, «representa a República Portuguesa, garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas e é, por inerência, Comandante Supremo das Forças Armadas.»

Ao PR compete, entre outras coisas:

- «pronunciar-se sobre todas as emergências graves para a vida da República» (o que Cavaco Silva expressamente concretizou com este discurso e naturalmente voltará a concretizar sempre que muito bem entender face à evolução da realidade a que tem superior acesso);

- «declarar o estado de sítio ou o estado de emergência, observado o disposto nos artigos 19.º e 138.º » concretamente no caso de, entre outros, «perturbação da ordem constitucional democrática» (não estaremos já nesta situação?);

- «exercer as funções de Comandante Supremo das Forças Armadas.» (de facto e em permanência);

- e pode até «presidir ao Conselho de Ministros, quando o Primeiro-Ministro lho solicitar»…

É óbvio que Cavaco Silva conhece todos os seus poderes. O maior dos quais, como se vê,  não é o de demitir governos e convocar eleições. Não obstante, e para já sabiamente, decidiu apresentar-se ainda neste discurso de Ano Novo apenas como mais um do extenso e caro rol de reformados da vida política activa,  como se esta se resumisse exclusivamente à actividade partidária, ou como se fosse possível alguém aceitar que a um Presidente da República só reste falar aos Portugueses.

Cavaco Silva sabe perfeitamente que a manutenção do peso do Estado não apenas na Economia mas também no Emprego… é incompatível com a sanidade das contas portuguesas. Mas também sabe que os verificados diferenciais de custos sociais  e de Pib motivados pela recessão não justificam a gigantesca derrapagem total  sucessivamente verificada nas contas. A causa maior é interna e é outra, daí o apelo à maioria dos magistrados embora, como o PR também sabe, o sistema judicial não legisla e o poder legislativo vem estando crescentemente refém das sobejamente sentidas manipulações ao serviço de interesses ocultos, como abundantemente vem sendo alertados pelos diferentes operadores judiciais.

Que a totalidade do aparelho do Estado e a corte de paradigmas insustentáveis carecem de reorganização e revisão urgentes é algo que muita gente está farta de dizer e escrever.  Mas o que poucos ou nenhuns ainda disseram é que a sobrevivência financeira de Portugal é IMPOSSÍVEL sem o regresso dos capitais ilícitos impunemente roubados à economia portuguesa nas últimas décadas.

Onde estão afinal activadas e com comando profissional as estruturas e as competências capazes de recuperar Portugal? É que nenhum BRANQUEAMENTO a este nível será compatível com o discurso que o mais alto magistrado da nação proferiu no primeiro dia da segunda década do século XXI…

As DUAS DÚVIDAS que ficam do notável discurso de Ano Novo 2010 de Cavaco Silva são:

a) quanto tempo mais é preciso e de que modo será possível ao PR para liderar, ainda por influência directa, a mudança urgente e necessária no espírito, na acção e nos resultados dos decisores judiciais e políticos de topo, visando uma percepção e quantificada integral destas realidades fundamentais para a nossa independência e sobrevivência enquanto estado democrático europeu: reorganização do Estado e recuperação de desvios financeiros ilícitos ao longo de décadas?

b) quando e como será o PR capaz de identificar a nossa realidade reconhecidamente explosiva como “emergência grave para a vida da Portugal” usando em conformidade a totalidade dos seus poderes presidenciais constitucionalmente consagrados?

NUMA PERGUNTA: PODEM OS PORTUGUESES CONTAR COM O PRESIDENTE CAVACO SILVA PARA AGIR OU SÓ PARA FALAR ?

VAMOS OLHAR POR LAGOS

Em Local 04/02/2010 às 1:00 pm

É já no próximo sábado, dia 6 de Fevereiro de 2010, entre as 21:00 e as 23:00, que terão lugar as eleições para a Comissão Política Concelhia do Partido Social Democrata.

O Dr. Rui Machado de Araújo lidera a Candidatura “VAMOS OLHAR POR LAGOS” (Lista A).

Após ter sido posto ao corrente das suas propostas concretas e de conhecer os Membros da Candidatura, decidi responder positivamente ao seu convite para coordenar a Candidatura da “LISTA A” para estas eleições internas do PSD de Lagos porque me revejo nesta Equipa de Valores sólidos e solidários, muito alerta, preocupada e decidida a contribuir para que o Concelho de Lagos ultrapasse decisivamente e de modo sustentado uma realidade económica, financeira e social estruturalmente muito grave, a que todos os Cidadãos e Empresas de Lagos vivemos diariamente.

Esta Candidatura, liderada pelo Dr. Rui Araújo, apresenta-se  com toda a credibilidade cívica, mas também com muita credibilidade técnica e capacidade política.

Esta é uma Equipa de Lagos e Para Lagos que está pronta para assumir  democraticamente com toda a frontalidade e muita lealdade os desafios que todos temos pela frente através das atitudes politicamente responsáveis que se impõem:

- saber Ouvir as Pessoas para respeitar de facto tanto os seus Direitos como a sua capacidade para tomar Decisões e também, por outro lado,

- saber Ver, Analisar e Resolver os problemas concretos do nosso concelho propondo as melhores soluções  possíveis.

Aceitei coordenar a Candidatura “Vamos Olhar por Lagos” porque gosto de trabalhar em equipa e porque esta é uma Equipa que se apresenta aos Militantes do PSD de Lagos pela Liberdade e pelo Pluralismo, sem o qual a Democracia Política não existe. Mas também pela Democracia Económica, tão importante para tantos pequenos comerciantes e agricultores, da cidade e do campo.

Aceitei assumir este pequeno contributo porque esta é uma Candidatura realista que apenas promete muito Trabalho e que, por via de uma maior dinâmica progressiva de Unidade interna do nosso Partido – mas não de Unicidade – conseguirá, através da decisiva Inovação na Organização e Métodos de Trabalho que tem prontos para implementar, dinamizar a intervenção dos Militantes existentes, enquadrar mais Novas Vontades e restaurar a Confiança dos Cidadãos na Acção Política.

É desde modo que conseguiremos reforçar e reposicionar o PSD junto dos Cidadãos de todo o Concelho de Lagos, ao serviço permanente e firme dos seus legítimos interesses e do bem comum.

José Borba Martins – LAGOS

ALGARVE: DEMOCRACIA DE SOFÁ OU INTERVENÇÃO PARTIDÁRIA?

Em Local, Nacional, Regional 30/01/2010 às 12:15 am

Em Outubro de 2009 o presidente do PSD/Algarve produziu uma denúncia desassombrada de uma clara entorse da democracia. Segundo José Mendes Bota ela consiste na «ocupação por Lisboa de um número significativo de lugares de representatividade parlamentar de todo o resto do país. No caso do Algarve e nas eleições legislativas de 2009 o facto  indesmentível é que do oito deputados eleitos pelos algarvios, três nada têm a ver com a região em termos substantivos, ou seja, 37,5% é o peso desta “legião estrangeira” de políticos pára-quedistas que aterram na nossa região, de onde têm partido  para os seus vínculos centralistas sem deixar saudades há 34 anos consecutivos. O resto é paleio de feira…» (texto adaptado de artigo de JMB em MENDES BOTA.COM)

Por outro lado, tal como o Movimento “Regiões Sim” vem denunciando, «o instituto do Referendo está desvirtuado, pois estando o carácter vinculativo desta consulta obrigatória dependente de uma número de votos favoráveis superior à maioria dos eleitores constantes nos cadernos eleitorais, isso significa que, à partida, há logo um milhão de votos contra, qualquer que seja a pergunta em questão. Ou seja, em Portugal os abstencionistas também votam, mesmo sem votar.»

Independentemente dos elevadíssimos níveis de Demagogia, de Oportunismo e de Impunidade que, desgraçadamente para todos os Portugueses, vem caracterizando a acção política do PS  nacional e do PS regional algarvio, a actual situação da liderança do PSD nacional foi, também ela, não menos indutora de uma acrescida inércia que em nada contribui para  a superação da insuportável e gravíssima situação que  está a devastar tão rapidamente Portugal.

As causas e as consequências de cada realidade concreta continuam a ser baralhadas e dadas de novo nos agendamentos calmos e nos alinhamentos e escolhas informativas manipuladas e manipuladoras com que os Portugueses são brindados diariamente pela comunicação social da opinião publicada. Porque há outra, claro, a do outro TGV (Toda a Gente Vê…)!

Estamos hoje confrontados com mais uma tentativa desesperada de fazer sobreviver um centralismo falido, corrupto e recorrentemente assumido num bloco central de interesses ocultos que foi a causa essencial que nos conduziu à realidade actual, a par da gritante carência cultural democrática. Esta é a maior prova de um infantilismo político consubstanciado na falta de estatura intelectual e moral dos principais actores públicos em diversas áreas da vida portuguesa. E é a prova provada de que nada está garantido nesta espécie de “vale-tudo” em que a apenas formal democracia portuguesa se tornou ! Nenhum discurso consegue iludir a realidade que todos sentem no bolso e na CONSCIÊNCIA

É à luz desta realidade nacional e das irrefutavelmente trágicas situações do Desemprego e do Turismo no Algarve, que é imperativo que os Algarvios entendam e assumam que uma grande quota de responsabilidade por esta realidade está em si próprios e na falta de participação na vida política em geral e partidária em particular. Tanto ou mais que no restante Portugal…

Que dizer de alguns de entre os mais jovens que, até com uma sólida formação académica, preferiram já enveredar pelos caminhos fáceis do chamado “sistema”, alienando-se à utilização do mesmo tipo de métodos, mesmo quando têm valores contrários aos dos totalmente subvertidos na realidade ainda vigente? Porque sempre foi assim – dizem – e não há nada a fazer… Mais valia que percebessem o logro em que voluntariamente já caíram e abrissem caminho a todos quantos querem, sabem e podem fazer a diferença, despertando consciências e disponibilizando espaço a todos quantos têm contributos a dar em nome do nosso futuro colectivo.

Pelo contrário, há muito por fazer. Por nós próprios, por quem fomos e somos, mas também pelo respeito à memória viva e ao trabalho dos que por cá andaram antes de nós para que o Algarve e Portugal não fossem a tristíssima, dramática e potencialmente explosiva realidade que hoje indiscutivelmente são.

A Democracia não existe quando os poderes legislativo, executivo e judicial estão reféns de dois ou três pares de mãos-cheias de “activistas” com a restante população passivamente vivendo politicamente inerte a ver TV no sofá, sejam os programas alinhamentos programados em telejornais ou ídolos cantantes telefonicamente “eleitos” (aproveito para dar os parabéns à lacobrigense Diana que tem feito umas performances notáveis de pujança e genuinidade no programa da SIC, tem o meu “voto”).

É natural que se pense que implementar a Regionalização seja um luxo a que o país não se pode dar neste momento. É discutível, mas é natural que se diga isso. Mas existindo, como existe, um consenso quanto à configuração geográfica, a questão HOJE é a de saber quais serão as configurações operacionais concretas, a 3 níveis: a interna a cada região, a inter-regional e a dos interfaces vs. administração central em Lisboa.

Estranhamente, quase todos os que se opõem à Regionalização, argumentam a seu desfavor com a questão do acréscimo de custos para o Estado, o que não é evidente. O que é evidente é que só o será se se pretender manter o Centralismo sob a capa de uma Regionalização Administrativa em que o polvaço reinvente os seus tentáculos a partir, por exemplo, das CCDR’s. Mas não exclusivamente… Afinal, argumentar com a questão do acréscimo de custos para o Estado é, quanto ao tema da Regionalização, a maior prova de má-fé política por parte de quem, de facto, não quer expôr a sua própria evidência: a de querer continuar a viver impossivelmente à sombra de uma organização complexadamente centralista do Estado, diletantemente ineficiente, financeiramente falida e politicamente manietada, já não apenas pelo mesmo tipo de interesses ocultos que Carmona avisou Salazar para não melindrar…, mas também por uma ideia de fatalismo internacionalista que se argumenta nos corredores não nos deixar alternativa. Um modelo de gestão política claramente importado em toda a sua gravidade financeira (desculpabilizante, aproveita-se…) que muito provavelmente conduzirá – se é que já não está a conduzir e se nada de decisivo fôr ainda feito em contrário – ao desaparecimento de Portugal (e do Algarve) tal como o conhecemos e ainda queremos sonhar, por via do estabelecimento de uma espécie de  ESTADO-FILIAL, securitário a cobrar direitos aos Cidadãos e desviar liquidez à Economia, mas persistindo em ocultar factos à maioria, com fortíssima manipulação dos media e do aparelho judicial (pela via legislativa…),  assim como a perdoar e limpar toda a espécie de impunidades igualmente decisivas praticadas ao longo de anos. Lindo serviço (público)…

O que é pertinente neste momento estranhíssimo da vida portuguesa e algarvia é exigir aos Partidos que  tenham a coragem de alterar os seus procedimentos operacionais ultrapassados e restritivos de uma participação permanente e livremente assumida pelos Cidadãos desalinhados  e, a estes e aos “adormecidos”, que despertem e intervenham activamente, seja em que partido fôr, mas que intervenham e lutem pelos seus valores e pelo que acreditam que deve ser a realidade. Excepto se gostam da realidade que muitos mais do que se pensa já conhecem de cor e salteado. Acordarão ainda a tempo? Esperemos que não seja como a história da rã com a água quente…

É que agora já não é de futebol que se trata. Não se pode continuar a assumir o clubismo na Política! Por todas as razões e mais uma: a de que quem “ganha” repetidamente eleições é a Abstenção. Do que se trata HOJE de um modo lancinante é da Vida das Pessoas. Dos Valores Básicos. Por muito que isso ainda não passe em muita da comunicação social ainda dormente. Grandes números de circo temos visto…

Como alguém dizia um dia destes, «então se me levarem a carteira numa mesa qualquer, eu vou atrás do ladrão para a recuperar o que é meu ou vou pondo carteiras em cima da mesa? Quantas vezes mais? Qual é o limite?»

É por tudo isto que os Algarvios e o Algarve no seu todo podem e devem exigir/fazer um debate sério sobre as alternativas de Regionalização – a meramente administrativa vs. autónoma que na minha opinião é a que interessa ao Algarve – qualquer que seja a filiação partidária de cada um. Ainda por cima, e ao contrário do que é comum dizer-se a este respeito, é Portugal que tem a ganhar. E é uma oportunidade de acelerar uma recuperação económica – a nossa – que, doutro modo, será lenta, duríssima e de consequências totalmente imprevisíveis. Demasiado lenta, estupidamente  lenta para os potenciais específicos do Algarve.

A Regionalização não se destina a “agilizar processos” como é comum ouvir aos seus defensores encartados. É para colocar o poder de decisão mais perto das populações que são a essência de qualquer Estado. A diferença entre uma e outra é o complexo de superioridade centralista – comungado pelos seus servidores regionais e locais – que está contido na formulação administrativa da Regionalização. Na formulação autónoma, é uma parte significativa do poder político – o legislativo e o executivo, com nuances várias e sempre com o devido respeito pelos limites constitucionais em vigor – que passa para a tutela regional.

Ou seja, este é o tempo de saber se o Algarve e os Algarvios são entidades menores -  a tal espécie de “pobrezinhos ignorantes” que têm que ser comandados politicamente pelo centralismo interesseiro – ou se, pelo contrário, seremos capazes de defender e gerir nós próprios os interesses da nossa querida terra algarvia para que,  entre outras coisas e de uma vez por todas, deixemos de estar limitados a poder trabalhar a sério 12 semanas para termos que sobreviver os 12 meses do ano. Ou para que deixemos de ter no Estado-Paizinho o maior empregador regional. Ou ainda para que  possamos captar investimento directo estrangeiro sem ter que passar pelas “agências” nacionais-centralistas. Estas são apenas três das necessidades concretas que toda a comunidade algarvia sente. Ninguém tenha ilusões: não teremos desenvolvimento sustentado e sustentável sem resolver estas partes de um extenso rol de problemas concretos.

Devagar, devagarinho e conforme Lisboa quiser ou através de um processo de Regionalização Autónoma: é esta a escolha a fazer. Para fazer a Regionalização pela via administrativa, replicando o centralismo de Lisboa para o centralismo de Faro, é melhor não fazer nada e, desde já, reforçar a transferência de competências e de meios para as Autarquias, descentralizando e dotando de legitimidade democrática directa o poder de decisão político das CCDR’s…

Que ninguém tenha ilusões sobre tudo o que implique perda de poder político ou financeiro para Lisboa: nada nos será oferecido pela via do beija-mão provinciano, ditador para dentro mas, ao mesmo tempo e para fora, submisso, servidor reverente e politicamente irresponsável, que insiste em negar há largas décadas o desenvolvimento próprio da Vida Algarvia no seu todo, sempre ao serviço de um centralismo dos interesses alheios à nossa realidade económica e cultural de que até se chega ao cúmulo de ridicularizar. O que é ridículo é o insuportável estado a que chegámos!

Há, pois, 3 lutas a travar na Democracia Algarvia: 1) a luta pela Regionalização Autónoma; 2) a luta contra a Abstenção e  3) a luta pela abertura dos Partidos à realidade não apenas nos tempos eleitorais mas permanentemente. Sob pena de os próprios Partidos deixarem de ter razão de ser, com todas as consequências e os graves riscos correspondentes que todos parecem ter esquecido.

Chegará o dia em que no Algarve se dirá “Para cá do Caldeirão e do Espinhaço de Cão mandam os que cá estão” ? Sobre o Algarve, a palavra aos Algarvios do Algarve. Sem pleonasmos nem tibiezas. Com Frontalidade e sem Medo. Porque aqui não há vínculos centralistas ! O vínculo é com o Algarve e os Algarvios, os que aqui têm os pés independentemente de terem ou não aqui nascido.

José Borba Martins, Lagos-Algarve

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