José Borba Martins

O PALHAÇO

In Nacional, Visionarium on 15/12/2009 at 11:09 pm

O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.

O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.

Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.

O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.

E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.

Ou nós, ou o palhaço.

MÁRIO CRESPO in JN 2.Nov.2009

PAZ E HUMILDADE

In Local, Nacional, Regional on 25/12/2009 at 12:18 am
«Paz e humildade.

A paz de Deus e a humildade dos homens.

Há a paz de Deus e a paz dos homens. A paz dos homens exige a humildade, a temperança e a caridade. A paz contém o perdão, mas carece de justiça. E a justiça não é pena: é dar a cada um, segundo a medida do que merece. A justiça é emenda: não é castigo. E quanto a justiça impõe a pena fá-la por pedagogia, para dissuadir o próprio e os outros de incorrer no mesmo erro. Nesse sentido, a pena é útil para promover o arrependimento, expiar pecados e recuperar a rectidão de conduta. E quando tem outro sentido, contrário, a pena é nossa, de todos. Nesse buraco negro em que estamos – de corrupção do poder, venalidade da justiça e perseguição da liberdade de expressão - a justiça não é e a paz não existe. Por causa disso, confortamo-nos na paz de Deus. A Paz que a todos, fiéis e inimigos, abriga e descansa.

A humildade é uma condição de humanidade. Uma medida de respeito por si próprio e pelos outros. Respeito pela própria capacidade e insuficiência. E respeito pelas competências dos outros e pelas suas falhas, reflexo das nossas. Quanto mais, como nos tempos, que sofremos, de soberba material e promoção radical da dissolução moral da sociedade, o homem almeja matar Deus, mais Deus lhe sobrevive. Só o retorno a Ele, que permite o encontro de si próprio, situa, organiza e desenvolve. Esse retorno é a humildade. A humildade é a consciência de que cada homem é um só, um grão numa colheita, um ser num momento. Único, irrepetível e divino; mas ínfimo, instante e pecador. O homem não é Deus: não O pode substituir: o homem não é a humanidade inteira, o tempo todo, a potência absoluta. Passarão os sonhos de grandeza e os resultados de miséria, as ambições de poder e as angústias do desprezo, os berros de força e as lágrimas de derrota, e Deus permanecerá sobre o ápice ilusório dos mortais.» A. B. CALDEIRA 24.Dez.2009

Também quero aqui subscrever inteiramente este belo texto de António Balbino Caldeira e desejar a todos os comentadores e leitores, amigos e adversários, um Santo Natal e um Ano Bom.

XADREZ PR/PM: ROQUE, XEQUE? E NÓS, MEUS SENHORES?

In Local, Nacional, Regional, Visionarium on 24/12/2009 at 12:11 am

“Teixeira dos Santos em Nova Iorque para vender Portugal a investidores”
«O ministro das Finanças foi a Nova Iorque, no início da semana, onde reuniu com instituições financeiras privadas para transmitir a estratégia económica do Governo e manter a confiança daqueles investidores estrangeiros na economia e dívida pública portuguesa. Teixeira dos Santos esteve reunido com a direcção do banco Barclays e com vários investidores, tendo explicado o estado das contas públicas em 2009, no mesmo dia em que a agência de notação Standard & Poor’s voltou a avisar Portugal sobre a sustentabilidade da sua dívida.»iOnline 11-12-2009

“Orçamento Rectificativo aprovado inclui mais 79 milhões para a Madeira”
«O Parlamento aprovou, com a abstenção do PS, a proposta do PSD para que a Madeira possa contrair um endividamento até 79 milhões de euros. A proposta inicial era um endividamento até 129 milhões de euros e também para os Açores. A alteração ao projecto de lei foi o resultado de um acordo entre Governo e Governo Regional, explicou José Pedro Aguiar-Branco. Depois de Teixeira dos Santos ter afirmado que há “sinais claros de descontrole e indisciplina orçamental na Madeira”, a posição do PS foi uma surpresa. Em declarações ao i, Ricardo Rodrigues, deputado do PS, garantiu que foi por “motivos de força maior”. “Em causa estão os salários da função pública para Dezembro. Os madeirenses não podem sofrer pela má gestão do governo regional”, explicou.»iOnline 12-12-2009

“José Sócrates e o pântano”
Em tempos que já lá vão, António Guterres pediu a demissão por causa do “pântano democrático” em que o país se estava a atolar. O primeiro-ministro prefere a agitação. Mas uma das regras básicas de sobrevivência para quem cai num pântano é que não se deve mexer muito. Para José Sócrates, já é tarde de mais para parar. iOnline 23-12-2009

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O PR Cavaco Silva quer 2º mandato, pelo menos com o apoio do PSD e de preferência liderado por MF Leite, gorado que parece estar um para si desejável apoio eventual do PS, apesar dos “serviços prestados” . Por acção (marcação de eleições, comunicação pós-eleitoral) e também por omissão ou silêncio ensurdecedor…

Sócrates soube recuperar Alegre para o PS, parando a sua aproximação ao BE com a promessa de apoio a uma candidatura presidencial e precavendo-se contra um resultado minoritário nas legislativas de Setembro de 2009, o que veio a acontecer.

Perante a lancinante realidade portuguesa actual, cuja extensão total, neste preciso momento, apenas será do conhecimento de um grupo muito restrito de pessoas, das duas uma:

1. Ou Sócrates não sabe (ou sabe que não pode) governar em minoria face à duríssima realidade e precisa ou ainda quer um apoio em Belém. Que não será Cavaco, será Alegre ou quem se lhe antecipar…
Assim sendo, a radicalização política de Sócrates Vs. Cavaco será tanto mais rápida quanto maior a probabilidade de o PSD prosseguir com uma liderança pró-2º mandato de Cavaco. Sócrates tenderá a forçar eleições antecipadas em cima das eleições para a nova liderança do PSD, talvez até aliando-se ao BE, seguro de que assim obterá uma maioria para governar…

2. Ou Sócrates, sabendo governar em minoria não o quer fazer, por feitio mas essencialmente porque sabe os custos eleitorais e pessoais que resultarão da acção política correcta e imperativa que a realidade impõe.
Assim sendo, Sócrates tenderá a forçar eleições antecipadas num de dois momentos alternativos, dependendo da evolução dos dados da recessão: ou em cima das eleições para a nova liderança do PSD ou em cima da pré-campanha das presidenciais (orçamento 2011), com o objectivo de se candidatar a PR em Janeiro 2011, promovendo assim uma espécie política de um xadrezístico “roque” entre Belém e São Bento. Roque grande ou roque pequeno? Bem, pelo menos em xadrez, é das regras que tal movimento apenas é possível se:

a) “o rei nunca foi movido” (de facto, nunca aconteceu em Portugal nem um PR não cumprir 2º mandato. Nem um PM anunciar-se, ainda em exercício, como candidato a PR);

b) “a torre a usar no roque nunca foi movida” (a adaptação desta regra ao caso concreto implicaria  a existência de um ministro nunca movido, do antigo governo ou um novo…);

c) “o rei não está em xeque” (que facto poderá já ter exposto ou vir a expôr o actual PR a tal situação?…);

d) “nenhuma das casas pelas quais o rei irá passar ou ficar está sob ataque” (apenas possível se existir motivo reconhecidamente indiscutível de força maior…);

e) “as casas entre o rei e a torre estão desocupadas” (oposição interna e externa ao PS, para além dos poderes financeiros e empresariais são, claramente, casas muitíssimo ocupadas…).

TEIXEIRA DOS SANTOS PM E SÓCRATES PR? Dificilmente, pelo que se viu no episódio “Madeira” do Orçamento Rectificativo. Simulação política? Sim, se TdS tiver tido uma agenda oculta em NY…

Seria bom saber o que pensam sobre estes cenários alternativos alguns grandes empresários como Ricardo Salgado (BES), António Mota (M-Engil), Belmiro de Azevedo (Sonae) e F. P. Balsemão (Impresa)…

NO MEIO DESTA GRAVÍSSIMA SITUAÇÃO  PORTUGUESA E DESTA VERDADEIRA PALHAÇADA PSEUDO-POLÍTICA ONDE ESTÃO E PARA ONDE VÃO OS INTERESSES E AS URGÊNCIAS DA VIDA CONCRETA DAS FAMÍLIAS E DAS EMPRESAS DOS PORTUGUESES?